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Desafios


— Estou aqui! Eu não disse que viria?
— Eu estava até duvidando!
— Eu sei que você não acreditou em mim.
— Você nesse fim de mundo, só por milagre!
— Só por você.

    Celina Abrantes de Castro Klein fez das tripas coração e ordenou ao motorista e segurança que a levasse a um dos malfadados subúrbios da Zona Norte do Rio de Janeiro. Ela não consegue mais tirar o Zeca da cabeça e quer a todo custo que ele acredite que ela é capaz de fazer sacrifícios por ele. Embora eles pertençam a mundos diametralmente opostos, um encontro excepcional bastou para que o sexo determinasse uma dependência irrepressível da mulher oriunda da alta burguesia carioca pelo jovem suburbano privado de toda e qualquer possibilidade de ascensão que não seja promovida por intercessão divina.
— Entra e não repara a zona, diz o rapaz, abrindo-lhe a porta.
— Está limpo e arrumado, diz ela, adentrando a pequena sala cujo chão de sinteco lhe parece exageradamente amarelo e polido.
— Como é que você sabia que a Simone não estava?
— Você me disse que ela era enfermeira, lembra?
— E se ela não tivesse ido trabalhar hoje?
— Sou uma mulher educada e inteligente, Zeca. Eu daria um jeito.

    Celina deixa a bolsa de couro sobre a mesa colada à parede e percorre com o olhar o longo corpo robusto do rapaz que a observa aparentando um misto de surpresa e insatisfação.
— Eu ainda não tinha te visto de short.
— Em casa eu só uso isso... ou cueca mesmo.
— Tua mulher tem sorte, comenta ela, olhando-o sem pudor.
— Ela sabe disso, retruca ele com ingênua autoestima.

    Desde que conheceu o Zeca, Celina passou a dar ao sexo um novo significado. Essa mulher de trinta e oito anos, mãe de dois filhos e casada com um alto executivo de um banco estrangeiro é dona de um corpo invejável. Bonita, medindo mais de um metro e setenta, seios médios, curvas discretas e pele de bebê, ela povoa as fantasias de muitos amigos do marido, e tem plena consciência disso. Alguns homens tiveram a sorte de receber suas atenções mais íntimas, mas nenhum como o Zeca, que ela conheceu na qualidade de entregador e, num impulso, permitiu que entrasse em sua casa. Aos vinte e três anos, o rapaz tosco do subúrbio explorou tão completamente as suas possibilidades de dar e receber prazer que ela não tem olhos para mais ninguém. É esse olhar exclusivista e um tanto obsessivo que ela lhe dirige nesse momento ainda um tanto constrangedor.
— Então... você está sozinho? Está esperando alguém?
— Eu não, retruca ele, evasivo.
— Está pensando na Simone, não é? Relaxa, só vim te ver!
— Eu sei, mas é que... em casa é diferente.
— Prefere que eu vá embora?
— Não, não, pode ficar, mas...
— Mas vamos fingir que somos desconhecidos, é isso?
— Sei lá, estou confuso...

    Zeca e Simone se casaram porque ele a engravidou. Vizinhos desde a infância, precocemente sexualizados como todo adolescente de subúrbio, eles não perderam tempo para começar a aplicar todos os "ensinamentos" bombardeados por vizinhos, amigos, parentes, sem esquecer os bons e velhos vídeos pornô e os sites da internet. Dos treze aos dezesseis, eles conseguiram evitar o pior, mas aos dezessete ela ficou grávida e os pais de ambos, muito crentes, exigiram o casamento. Simone deu à luz um menino que foi criado pela avó enquanto ela fazia o curso de enfermagem e agora, pai, mãe e filho vivem juntos num apartamento que é provisoriamente alugado pelas duas famílias.
— É só sexo, Zeca. Só sexo. Não tenho a menor intenção de te tirar da Simone.
— É que eu não quero rolo, só isso.
— Lá em casa, você não pensou em "rolo" quando fez amor comigo em cima da mesa da sala, lembra? Por que é que aqui seria diferente?
— Alguém da família pode te ver.
— Será que uma mulher não pode falar com você sem ser "suspeita"?
— Ah, sei lá...

    Intimamente Zeca sabe que está com a faca e o queijo na mão. Simone não volta para casa antes das seis da tarde e é raríssimo que algum parente apareça. Além disso, Celina é uma mulher independente. Quanto aos vizinhos, num imóvel tumultuado com centenas de unidades, ele não dá a mínima. Ele resolve baixar a guarda e mostrar o apartamento a essa "fã" tão excepcional que se mostra curiosa com o seu mundo. A rápida visita termina na cozinha, onde o Zeca abre a latinha de cerveja gelada que sobrou do almoço de domingo e serve o conteúdo em dois copos. A conversa não flui, o encontro é forçosamente desconexo, mas Celina sabe a que veio e não quer voltar frustrada para a Zona Sul. Ela se aproxima do rapaz recostado na pia, põe ambas as mãos em seu peito, olha-o nos olhos e pede um beijo, que ele concede sem muita convicção.
— Hum! Senti "alguém" mexer aqui embaixo! exagera ela, colando-se mais em seu corpo para sentir melhor o sinal de vida.
— Tá mexendo com fogo.
— Eu sei e quero mexer com fogo!

    Inserindo os dedos por dentro do short de nylon, ela o invade para ir provocar o membro que logo desperta e cresce em sua mão. Impaciente, ela o libera e o vê saltar parcialmente ereto. Ela o empunha já puxando o prepúcio para trás e expondo a volumosa glande arroxeada que desabrocha diante do seu olhar maravilhado.
— Já quer mamar, é? Pergunta o rapaz, insolente.
— Ai Zeca, que maneira de falar! retruca ela, contrariada.
— Vai dizer que não quer chupar minha piroca?
— Zeca!

    Fazendo abstração das grosserias, Celina se cala e curva-se para abocanhar o colosso que já pulsa entre seus dedos. A glande morna desliza sobre sua língua e avança um pouco, mas não vai muito além. Consciente de que essa modalidade de preliminar não é a mais eficaz no seu caso, o rapaz a leva até o quarto e livra-se do short enquanto Celina tira o vestido e o sutiã, mantendo apenas a calcinha que se resume ao tapa-sexo. Zeca vai até o banheiro, pega a sua toalha de banho e a estende na cama por precaução. Em seguida, deita-se e ergue as pernas.
— Pode vir, diz ele puxando as coxas para trás.
— Eu só faço isso porque é você, ouviu? diz ela fingindo severidade.
— O quê? Lamber meu cu? Mas você já lambeu, lembra?
— É, mas nunca fiz com outro.
— Mas meu pau é grosso demais, gata. Ninguém aguenta chupar direito, então tem que ser assim nas "prelimares".
— "Preliminares", Zeca. Eu sei, eu te entendo, mas só aceito com você.
— Então chega de papo e vem, anda.

    Nessa posição, ele faculta à mulher o pleno acesso ao recanto mais íntimo do corpo masculino. Ela ajoelha-se para lamber, partindo do ânus, percorrendo o períneo e chegando à pele rugosa dos testículos. A língua ora acaricia ora fustiga o orifício que pulsa ao menor contato. Celina aplica-lhe o polegar, rapidamente sugado pela pequena cratera. Enquanto ela apalpa as paredes internas sentindo relaxar-se a pressão do anel, Zeca geme, grunhe, profere impropérios, deixando bem claro que, por mais estranho que possa parecer, esta é a maneira de excitá-lo como macho. Ao mesmo tempo que ela se dedica como uma aluna aplicada à tarefa, Celina espalha pela verga o líquido que brota abundantemente do meato, antecipando mentalmente o que está por vir e garantindo a lubrificação do membro que lhe provoca uma excitação e um prazer que nenhum outro jamais conseguiu provocar.
— Pode parar, gata. Vem sentar, vem, convida o rapaz, estendendo as pernas.
— Espera, Zeca! Você não notou nada?

    Celina caminha de quatro, empinando-se como uma gata no cio, até erguer-se, sentada sobre o abdômen do rapaz. É nesse momento que ele percebe o estreito tapa-sexo sustentado pelo tênue fio vermelho em torno da cintura. Levando a mão entre as pernas dela, Zeca apalpa os lábios úmidos da vagina ardente. Celina aproxima-se mais e vai postar-se praticamente sobre seu rosto, puxando a calcinha para o lado.
— Tudo isso é para mim? pergunta o rapaz, saindo em fim da apatia.
— É toda tua, e eu sei que você gosta.

    Ela senta-se literalmente sobre sua boca. Inebriado pelo perfume da excitação feminina, o rapaz alterna lambidas entre os pequenos lábios, colhendo o sumo e engolindo sem hesitar, e os grandes lábios perfeitamente depilados que ele não só lambe como mordisca arrancando gritinhos estridentes.
— Ai, seu puto! faz ela, retraindo-se de brincadeira e agarrando-lhe o cabelo.
— Deixa eu babar essa buceta, anda, diz o rapaz puxando-a para si.
— Chupa todinha bem gostoso, meu gato. Me faz gozar com a língua, vai.

    Zeca leva o pedido a sério. Com um puxão brusco, ele arranca a calcinha para desimpedir a área e põe-se a lamber energicamente a vulva, visando especificamente o clitóris.
— Vou deixar esse grelo duro, anuncia ele.
— Ai, Zeca! geme ela, espremendo os seios com as mãos.

    O orgasmo não tarda e se desencadeia com uma fúria tamanha que Celina é obrigada a esfregar-se no rapaz como se copulasse com sua boca. Todo o seu corpo treme, tomado pelos espasmos que se irradiam até as pernas e obscurecem-lhe a vista. Quando os efeitos se amenizam, ela volta a sentar-se na barriga dele e o beija com volúpia, provando seu próprio sabor. Pouco depois, levando uma mão atrás para empunhar a verga duríssima, ela esfrega a glande na fenda encharcada e deixa-se penetrar lentamente.
— Ai, Zeca, não sei vou aguentar...
— É só querer, e eu sei que você quer. Continua descendo na vara, vai.

    São vinte e seis centímetros de comprimento por sete de diâmetro que Celina precisa admitir dentro de si, caso queira repetir a proeza do encontro único que ela e Zeca tiveram semanas atrás. Ela grunhe enquanto sente a imensa glande abri-la até o limite da resistência da carne.
— Aaaah! Está me rasgando, Zeca!
— Calma, gata. Quem faz uma faz duas.

    Num supremo esforço, Celina solta o peso do corpo e a glande passa enfim, seguida por uma boa porção da verga. Agora cabe aos movimentos conjugados de ambos a tarefa de fazer com que, gradativamente, todo o comprimento seja admitido e ela possa cavalgar seu homem e dar-lhe o prazer merecido.
— Ai, Zeca, não posso mais ficar sem você! balbucia ela sentindo as incursões do monstro que a alarga e invade profundamente.
— Tu não pode mais é ficar sem a minha rola, o que é bem diferente! brinca ele enquanto aperta-lhe os seios sentindo os mamilos intumescidos.
— É, sem esse teu pauzão todinho dentro de mim... Ahn... Ahn...

    Zeca permite que ela o cavalgue até que o seu corpo se habitue às dimensões dele. Em seguida, tomando um impulso, ele rola com ela para que ele fique por cima. Celina olha-o bem nos olhos, numa súplica silenciosa. Com as mãos em seu peito, ela o autoriza a prosseguir nessa posição vulnerável e sente o longo membro duro e grosso afundar-se nela até a base.
— Ahn! F-fode... geme ela, desnorteada.
— Tá gostando da rolona grossa nessa xana, tá?
— Ai Zeca, f-faz o que qu-quiser comigo! diz ela entregando-se, aos soluços, a um orgasmo intensíssimo.

    Graças à lubrificação abundante, ele poderia passar um tempo indefinido penetrando-a assim até atingir seu próprio orgasmo, mas ele tem outra coisa em mente. Sem mudar de posição, ele se retira dela e, conduzindo habilmente o seu membro com a mão, localiza o outro orifício, pouco abaixo. Da primeira vez funcionou e Celina gostou do resultado. Vendo-a em silêncio, ele assume que quem cala consente. As mãos dela apenas se crispam em seus braços enquanto ele começa a forçar.
— Quero comer esse cuzinho de novo, gata.
— Então mete, mas devagarinho... As-sim...

    Apreensiva, ela geme baixinho enquanto a glande com seus mais de sete centímetros de diâmetro abre lentamente passagem em seu ânus. Zeca trabalha bem, sem pressa, efetuando curtíssimos vaivéns que vão expandindo o orifício até que a glande consegue passar completamente.
— Ahn! Agora para um pouco, Zeca, por favor.
— Entrou a cabeça. O resto vai entrar mais fácil.

    Um tanto lívida, ela procura a boca do rapaz para beijá-la e criar um momento de trégua. Ele retribui gentilmente, o que a encanta e ilude por um momento, mas ela logo o sente voltar à carga e invadir suas entranhas até colar-se completamente ao seu corpo.
— Ai, Zeca! Assim dói! Como você é mau! grita ela, dando-lhe um tapa no braço.
— Vou te foder gostoso, gata. Não vai se arrepender.
— Está bem, mas cuidado.

    Ajoelhado entre as coxas dela, Zeca inicia uma série de vaivéns vigorosos. A vertigem toma conta da mulher, que perde o controle dos sentidos, não distingue mais a dor do prazer, mas só tem um pensamento: agradar seu homem para conquistá-lo. As arremetidas contínuas a deixam pálida e sem fala. Seu olhar desvairado chama a atenção do rapaz.
— Tá tudo bem, gata? pergunta ele, sorrindo.
— Goza... Quero tudo dentro de mim, balbucia ela, revirando os olhos.

    Zeca acelera o ritmo das estocadas e o sustenta o quanto pode. Quando o limite de tolerância é atingido e o orgasmo é desencadeado, ele mesmo se espanta com a intensidade e a quantidade de jatos que percorrem seu membro para ir encharcar as entranhas ardentes que o acolhem. Ele só para quando constata que a sua ereção não vai durar.
— Assim... Fica dentro de mim um pouco, vai, sussurra Celina.
— Te dei tudo que eu tinha, gata. Não sobrou mais nada.
— Quero guardar de lembrança. Não quero que escorra para fora.
— Brochei, meu pau vai escapulir.
— Não faz mal, vou ficar um pouco de pernas para cima.
— Está parecendo mulher que quer engravidar!
— Seria lindo.
— Sai dessa! Um só e com a esposa já está foda! exclama ele, rindo.

    Zeca fica deitado ao lado dela, ofegante, enquanto Celina apalpa suavemente vagina e ânus, sentindo-os voltar pouco a pouco ao normal. Erguendo-se, ela contempla o impressionante membro roliço que ela acolheu há pouco e que jaz sobre a barriga plana do seu homem. Pegando-o com carinho, ela o contempla durante alguns instantes, depois beija, dá duas ou três chupadas e o deixa no lugar, pensando na partida iminente.
— Será que adianta falar do futuro com você, Zeca?
— Hã? Que futuro?
— Nosso futuro, Zeca. Você bem que poderia ir me encontrar, da próxima vez.
— Na tua casa?
— Não digo lá em casa, mas num hotel, quem sabe?
— Ah, sei lá. Motel é caro, nunca fui.
— Nem eu, Zeca. Falei em hotel, não em motel. E não vou fazer você pagar.

    Ela se levanta e vai ao banheiro para uma ducha rápida. Quando sai, ela avista a calcinha rasgada ainda na cama e se precipita para pegá-la.
— Já imaginou se isso fica por aí?
— Eu ia ver, né!
— Sei! Você é homem! Ia jogar em qualquer lugar e pôr tudo a perder. Ainda bem que sou precavida e sempre ando com outra. Bom, você tem meu telefone, eu tenho o teu. Pode ligar quando quiser, diz ela caminhando até a porta.
— Não sei se vou ligar não.
— Você diz isso porque acabou de gozar, Zeca.
— Ah é?
— Vou esperar, está bem?

    Ela diz isso e se despede dele com um beijo nos lábios, rápido e não retribuído. Assim que ela sai, Zeca dispara até a janela. Ele a vê caminhar até o carro e entrar sozinha pela porta de trás. "Foi esperta", pensa ele, constatando que o motorista não saiu para abrir a porta. O carro arranca e Zeca sai da janela assim que ele mergulha numa transversal.













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