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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

O Talentoso Jaime

Ana e Gilberto são um casal de jovens acadêmicos dinâmicos e antenados na atualidade. Ela ensina artes visuais numa universidade federal e ele história numa universidade particular. Ana tem uma afinidade toda especial com um dos seus alunos, que além de considerar promissor, ela acha bonito e atraente. Jaime não só é educado como tem um jeito cativante que a seduziu desde o primeiro dia de aula. Quando ele lhe pediu para ser seu bolsista, Ana não hesitou nem por um segundo. O que vou contar aqui é o extraordinário encontro entre ele e meus dois amigos professsores. A própria Ana relatou-me o episódio e deu-me toda liberdade para divulgá-lo – com outros nomes – no Erotexto. Espero que ele seja do agrado do leitor assíduo e do visitante.
Marc Fauwel
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Assim que a campainha toca, Ana levanta-se do sofá da sala e precipita-se até a porta para acolher seu aluno bolsista predileto. Ele estende-lhe um buquê de flores do campo e ela atira-se em seu pescoço para abraçá-lo mais do que calorosamente e dar-lhe dois beijos ruidosos no bonito rosto corado e imberbe, beijo que ele retribui discretamente, em respeito ao marido que acaba de levantar-se para ir até o hall do amplo apartamento de prédio antigo da Zona Sul do Rio de Janeiro.
- Então esse é o famoso Jaime! diz o marido, bem-humorado.
- O próprio! responde Ana, elétrica, abraçada ao rapaz.
- Muito prazer, professor, diz o convidado, estendendo-lhe a mão.
- Vamos deixar os títulos de lado, está bem? Meu nome é Gilberto.
- Está bem, Gilberto. Muito prazer.
- O prazer é todo meu. Mas vamos entrando!

Na mesinha da sala, Ana dispôs pratinhos com tira-gostos variados: chips, azeitonas, castanhas do Pará e salaminho em fatias finas. Ela se senta numa poltrona em diagnonal com os dois homens que ocupam o sofá. Gilberto já está informado sobre Jaime, mas provoca nele o desejo de explicar seu percurso até a obtenção da tão cobiçada bolsa de pesquisa tendo sua esposa como orientadora. Enquanto o rapaz conta tudo em detalhes, ele não pode deixar de admitir que tem diante de si um belo exemplar masculino. Jaime tem cerca de um metro e oitenta e a particularidade de ser moreno claro de olhos verdes muito vivos. Seu nariz afilado dá ao rosto um ar inteligente e os lábios espessos um caráter sensual à sua linguagem corporal. Gilberto também observa o quanto Ana contempla o rapaz enquanto este vai contando entusiasmado tudo que ela e ele já estão cansados de saber. O relato chega ao fim e o casal faz algumas perguntas voltadas para o que Jaime tem em vista quanto ao futuro. Em seguida, Ana troca a música suave para algo mais dançante e atenua a luz da sala. Certificando-se de que a bebida fez seu efeito, ela puxa os dois homens para dançar com ela e o trio se agita durante algum tempo ao ritmo dos hits dos anos 90.

Gilberto é o primeiro a voltar para o sofá. Ele enche ritualisticamente um cachimbo barroco e recosta-se no amplo sofá de couro dando baforadas sonhadoras enquanto Jaime e Ana continuam a dançar perto da janela francesa que dá para um longo balcão.
- Vem, vou te mostrar a vista, diz Ana puxando Jaime pela mão.
- Uau! É espetacular! exclama ele, vendo à direita parte do Pão de Açúcar e à esquerda uma extensa vista noturna por sobre os prédios de Botafogo e Flamengo. Uma lua quase cheia paira no meio do céu, acima deles.
- São as vantagens de morar em andar alto! diz Ana, sorridente, puxando-o até o final do balcão, cerca de seis metros adiante.

Sabe-se que o acaso sempre dá um empurrãozinho a favor daqueles que se atraem. Ocorre que ao chegar à extremidade do balcão, Ana ficou na frente e Jaime atrás. Ora, a atração que ela sente por ele é tão palpável que os dois corpos não tardam a unir-se pela pura força do magnetismo. Ela pega as mãos de Jaime e o faz enlaçá-la pela cintura, sentindo imediatamente o enrijecimento através do tecido fino do vestido.
- O Gilberto não vai ficar zangado? pergunta ele, apreensivo.
- Acho que não. Se ele não tivesse gostado de você, não teria ido fumar cachimbo.
- Ah, esse é o sinal?
- É, é um dos sinais.

Jaime então a puxa com mais força para estreitar o contato e Ana passa uma mão para trás para satisfazer uma curiosidade que já dura há alguns meses.
- "Alguém" acordou, sussurra ela com voz cantarolada, apalpando o relevo na calça do seu aluno.
- Eu devia estar envergonhado? pergunta ele.
- Vamos voltar para dentro? diz ela desprendendo-se dele.
- Euh… Só um segundinho, pede ele, sorrindo e olhando para baixo.
- Claro! responde ela, achando graça.

Assim que eles reentram na sala, Ana vai para a cozinha providenciar os últimos detalhes para o jantar enquanto Jaime é irresistivelmente atraído por uma estante de livros de parede inteira. Gilberto supõe sem qualquer reprovação que um primeiro contato possa ter acontecido entre eles, no balcão. Ele analisa o corpo do rapaz que lhe dá parcialmente as costas e tenta adivinhar as coxas e as nádegas, partes que ele privilegia na relação com homens. Sendo bissexual, ele já tem alguma prática e é bastante exigente quanto à forma e o estado do corpo dos parceiros de cama. Jaime passa pelo seu crivo, o que o deixa animado. Ele sabe que o jantar será leve.

Ainda que o jantar consistisse de néctar e ambrosia, os três convivas teriam sido comedidos. Em cada um deles, germina a idéia de que aquela noite tem tudo para tornar-se excepcional. Portanto, os três comem bem menos que o previsto por Ana, mas ela não arrisca o menor reproche. O café é tomado na sala de estar, mas o efeito etílico logo é restituído por uma profusão de bebidas digestivas: Grand Marnier, Baileys, vinho do Porto, xerez. Ana, cujo pileque amplificou seu amor universal, une os dois homens no sofá, senta-se entre eles e pegando suas mãos, sapeca-lhes alternadamente beijos nas bochechas. Em seguida, ouvindo o início de uma música flamenca, sobe na mesinha de centro e põe-se a dançar e sapatear, erguendo o vestido sem se dar conta de estar exibindo mais do que deve. Jaime sente-se ébrio, mas é capaz de apreciar o belo corpo que tem diante dos olhos. Os trinta e cinco anos da sua orientadora poderiam facilmente ser subtraídos de cinco ou sete, pensa ele. A pele das coxas é jovem, firme, sem estrias ou celulite e Ana tem traços fisionômicos dignos de uma retrato a ser exposto nos melhores museus. Ele a contempla embevecido.

Quando a música chega ao fim, Ana desce da mesinha e inesperadamente atira-se no no colo dos homens, a cabeça voltada para Jaime. Gilberto faz um sinal de aquiescência ao rapaz enquanto invade com as mãos o vestido da esposa. Ana puxa o seu pupilo pelo pescoço e beija-o lascivamente na boca enquanto seu marido tira-lhe a calcinha. Mais um sinal deste último e o rapaz introduz a mão no vestido dela para baixar o sutiã e acariciar-lhe os seios. Toda ofegante, Ana ondula voluptuosamente, entregue aos caprichos dos seus homens. Gilberto ergue o vestido dela até a cintura e contempla pela enésima vez a região rigorosamente depilada que ele venera, diante do olhar ainda desorientado do parceiro de aventura. Ele pega a mão do rapaz a pousa sobre a pélvis da esposa, que abre as pernas num ato reflexo. Jaime aprofunda-se então na carne macia. Seus dedos delizam no sumo do entrelábios e atingem o delicado botão que espera por eles já entumescido. Ao primeiro toque, Ana solta um longo gemido e agita a cabeça. Seu rosto colide com a protuberância na calça de Jaime. "Eu quero...", geme ela, abrindo-lhe o cinto, soltando o botão e baixando o zíper.

Jaime olha mais uma vez para Gilberto e lê em seus olhos o consentimento irrestrito. Ao mesmo tempo, Ana ergue a cabeça para que o rapaz se livre da calça e quando a repousa em sua coxa, descobre um sexo monumental, tão depilado quanto o seu, que parece emergir do invólucro róseo situado a poucos centímetros do seu rosto e elevar-se num cilindro ligeiramente achatado, encimado por uma sólida cabeça cujas bordas ultrapassam de muito o diâmetro do tronco. Não podendo conter-se, ela abocanha a base desse tronco maciço, provando-o com a língua o seu sabor levemente salgado. Jaime suspira fechando os olhos, mas logo surpreende-se com uma poderosa pressão no corpo do pênis. Gilberto tomou a liberdade de empunhá-lo e o mantém tenazmente enquanto sente as pulsações que o fazem expelir pequenas porções de líquido transparente.

A única coisa que impede Jaime de opor-se à situação é o álcool em suas veias. Ele jamais viveu nada semelhante, não se considera bissexual e muito menos homossexual. Há, contudo, nos recônditos de seu inconsciente, uma experiência de primeira juventude que certamente é levada em conta pelas cerebrações imperceptíveis que o permitem admitir o prosseguimento da aventura. Certa feita, um vizinho um pouco mais velho convenceu-o a baixar as calças e submeteu-o a uma penetração, que ele não apreciou de pronto, mas desejou reproduzir duas ou três vezes, por pura teima, até fazer as pazes com o inimigo, como tantos jovens fazem com o estudo da matemática. Depois disso, ele pôs uma pedra em cima do tema e recalcou as lembranças a ponto de acreditar piamente não ser capaz de lembrar-se de nada relacionado a esse tipo de experiência no entanto tão comum. Seu cérebro trabalha certamente com esses dados à sua revelia.

Quando Jaime abre os olhos e topa com a mão de Gilberto em seu sexo, descobre ao mesmo tempo um sorriso maroto nos lábios da sua orientadora. Agora é ele que se sente à mercê de dois seres ávidos de lascívia. Ana alcança na mesinha o seu copo de xerez e ordena que ele o esvazie num trago. Jaime obedece e sorri para o casal, num sinal de que não se importa com mais nada. Gilberto então se aproxima e baixa o pênis dele para permitir que Ana, ainda deitada em seu colo, possa saboreá-lo como se deve. Com a ajuda do marido, ela só precisa erguer um pouco a cabeça para abocanhar a glande e chupá-la como se fosse um baba au rhum, salivando muito e engolindo a calda espessa. Jaime delira, entregue às sensações e sentindo-se presenteado por Vênus até que não resiste às manipulações de Gilberto e à intensidade da felação por Ana. Um orgasmo explosivo e em vários jatos enche a boca da mulher com o seu primeiro esperma. Imediatamente, Gilberto se precipita para beijá-la e compartilhar com ela do primeiro sabor desse encontro, diante da expressão maravilhada do convidado.
- Levemente adocicado, comenta Gilberto, degustando.
- Liso e uniforme como o teu, completa Ana, olhando o marido nos olhos com expressividade.
- E copioso! acrescenta o marido.
- Encheria um copinho de Porto! brinca ela.
- Devíamos ter pensado nisso! lança o marido, batendo na coxa.
- É verdade, lamenta-se ela. A próxima vai ser no copo, Jaime!
- Por mim tudo bem, acho que eu nunca fiquei tão excitado na vida, mas duvido que tenha sobrado a mesma quantidade.
- Isso vai depender de nós três, meu caro, declara o anfitrião, levantando-se do sofá.

Muito excitado, o membro em riste, Gilberto convida Ana a acomodar-se de frente no colo de Jaime que continua sentado em plena ereção. Em seguida, vai penetrá-la por trás, lubrificando-a com um pouco da manteiga usada para passar em biscoitinhos do aperitivo. Ela geme, mas aceita bem a penetração do pênis que ela conhece há quase dez anos. É quando eles começam a mover-se em conjunto que Ana irrompe numa sucessão de gemidos fortes em meio a beijos lascivos em Jaime, que ela agarra pelo pescoço com toda a força, ingressando num orgasmo que a avassala poucos minutos depois. Jaime sente o seu longo membro sendo percorrido de alto a baixo pela vagina bem lubrificada. Ana e Gilberto harmonizaram seus movimentos para que ela possa subir e descer ritmadamente e desfrutar do pênis visitante em todo o seu potencial. Quando ela pára sentada nas coxas de Jaime para sentir toda a extensão do membro em seu sexo, Gilberto acelera e amplifica seus próprios movimentos até ejacular em suas entranhas. Com um longo gemido, ele desaba nas costas da esposa e procura a boca do seu convidado, mas Jaime declina gentilmente, voltando-se para Ana. Gilberto é inteligente e percebe o gesto, ciente de que não deve insistir.
- Você está pronta? pergunta o marido.
- Acho que sim, responde ela. Quer que eu tente agora?
- Quero, diz o homem, indo instalar-se na poltrona em frente.

Jaime não entende de pronto a conversa dos dois. Ele olha interrogativo para Gilberto, que lhe faz um sinal de que espere e quase ao mesmo tempo, Ana ergue-se, apoiando-se em seus ombros e fazendo com que o pênis saia da vagina. Em seguida, ela o segura com uma mão, posiciona-o na vertical e o esfrega entre as nádegas. Só então Jaime entende que ela deseja empalar-se mais uma vez, mas pelo outro orifício. Ele teme por ela porque seu calibre já provou muitas vezes ser extremamente penoso para as que tentaram a relação anal, mas Ana insiste e, vencendo pouco a pouco o incômodo do repuxamento que lhe chega ao meio das coxas, consegue descer até o fim, olhando Jaime nos olhos, as lágrimas descendo pelas faces. A dois metros deles, Gilberto masturba-se energicamente, superexcitado pela visão da esposa que começa a mover-se sobre o generoso membro que contrasta com a normalidade das suas proporções. Surpreendentemente ela acaba conseguindo cavalgá-lo com tanta perfeição que suas nádegas se chocam contra os testículos do rapaz, achatando-os a cada vez. Jaime sente-se livre para acariciar-lhe os seios, a cintura, as coxas, e até beijá-la com paixão diante do marido que os observa extático. Quando o orgasmo se anuncia, Gilberto sai da poltrona e vai oferecer seu membro à esposa, que o aceita para que ele copule com sua boca. Ela trota em Jaime por mais dois ou três minutos, até que os dois homens ejaculam quase simultaneamente. Gilberto dispara na esposa curtos e intensos jatos do seu segundo esperma e começa a passar-lhe o pênis pelo rosto para espalhá-lo quando Jaime previne que o seu próprio orgasmo está vindo e irrompe numa série de movimentos que amplificam o trotar da mulher sobre ele. Ana, que passara a masturbar-se há alguns momentos, intensifica a sua ação na vagina e também irrompe num orgasmo devastador, fustigando o clitóris e expirando ruidosamente com a cabeça jogada para trás como se estivesse possuída por alguma entidade do mundo erótico subterrâneo. O esperma do marido que escorre do seu rosto parece querer gotejar nos seios, mas a densidade e a coesão o impedem; uma espessa gota de vários centímetros detém seu curso pouco abaixo do queixo da mulher. Armando-se de toda a coragem de que ele é capaz, Jaime aproxima-se e colhe com a língua essa imensa gota indecisa, passando-a em seguida a Ana, que a sorve e deglute sem a menor relutância. Gilberto exulta, dando tapinhas de felicitação no convidado, que retribui sorrindo, ainda sem saber ao certo se aprova ou não o que acaba de fazer.

Saciados os corpos e relaxadas as mentes, Gilberto vai tomar banho enquanto Ana e Jaime ficam conversando na sala. Ela assegura ao rapaz que aquela primeira visita inaugurou um capítulo a mais na vida do casal e que ela está convencida de que o marido fará muito gosto em recebê-lo para novos encontros da mesma natureza, encontros estes durante os quais ele poderá inclusive, enfatiza ela, amadurecer certos tipos "heterodoxos" de relação sexual. Jaime mal ouve, deslumbrado que está com a sensação de ver-se tão à vontade nu após uma intensa sessão de sexo com um casal, em suma, de estranhos. Ele não vê mais limites para o seu potencial, e isso o enche de prazer e orgulho. Ele se volta para Ana olhando-a profundamente nos olhos.
- Ana, eu vou dizer uma coisa e você não vai dizer nada, promete?
- Euh... Prometo, mas..., faz ela, intrigadíssima.
- Eu nunca estive tão feliz quanto hoje, mas vocês nunca mais vão me ver. O que aconteceu aqui hoje me convenceu a tomar uma decisão que eu deveria ter tomado há muito tmepo. Amanhã mesmo vou comprar uma passagem para Berlim, morar com meu pai e estudar música, que foi o que eu sempre quis, e vou ser eternamente grato a vocês por isso.

Pondo um dedo sobre os lábios em sinal de refoço ao silêncio exigido, ele se veste, dá um beijo afetuoso em Ana e desaparece porta afora. Para sempre, como prometido.