Vou analisar aqui algumas das razões que podem levar pessoas do sexo masculino a ter contatos homossexuais na primeira juventude e tentar mostrar que essa eventualidade não implica de modo algum uma homossexualidade "latente" susceptível de ser generalizada. Sendo eu mesmo homem, vou limitar-me ao ponto de vista masculino.
1. Primeira infância
Na primeira infância, a sexualidade ainda não despontou e meninos brincam com meninas indistintamente sem nutrir por uns ou por outros qualquer sentimento mais profundo além de uma vaga possessividade que pode levar ao choro ou a reações agressivas.
2. Pré-puberdade
Por volta dos sete anos e daí até as vésperas da puberdade, meninos se identificam predominantemente com meninos porque seus interesses e diversões são semelhantes. Eles vão ficando fisicamente mais fortes e meninas preferem evitar os "trancos" que caracterizam suas brincadeiras bruscas.
Por volta dos sete anos e daí até as vésperas da puberdade, meninos se identificam predominantemente com meninos porque seus interesses e diversões são semelhantes. Eles vão ficando fisicamente mais fortes e meninas preferem evitar os "trancos" que caracterizam suas brincadeiras bruscas.
3. Puberdade e eclosão da libido
Por volta dos onze ou doze anos, os meninos começam a se interessar afetivamente e sexualmente por meninas, mas como são muito imaturos em comparação a elas, são desajeitados, fazem observações e propostas que as constrangem e "afugentam". E quando porventura propõem ou aceitam uma relação afetiva proposta por elas, não lhes dão a atenção esperada e em muitas ocasiões preferem-lhes a companhia dos amigos congêneres.
Por volta dos onze ou doze anos, os meninos começam a se interessar afetivamente e sexualmente por meninas, mas como são muito imaturos em comparação a elas, são desajeitados, fazem observações e propostas que as constrangem e "afugentam". E quando porventura propõem ou aceitam uma relação afetiva proposta por elas, não lhes dão a atenção esperada e em muitas ocasiões preferem-lhes a companhia dos amigos congêneres.
Por volta dos doze anos, as meninas se interessam por meninos, mas como são mais maduras, rejeitam (muitas vezes clara e bruscamente) seus coetâneos e já visam adolescentes, por vezes até cinco ou seis anos mais velhos que elas. Esse interesse é de natureza afetiva e sexual, mas, no mais das vezes, o aspecto sexual ainda não transparece claramente. É por isso que as relações entre meninas jovens com adolescentes avançados exigem tanta vigilância por parte dos adultos responsáveis.
Chegamos ao ponto que nos interessa mais de perto. O "acesso restrito" às meninas em plena fase de eclosão da libido propicia a satisfação das pulsões sexuais masculinas entre congêneres. As inúmeras situações de frequentação e contato entre os meninos (jogos ao ar livre, vestiários, pernoite em casa de amigos, excursões, acampamentos, etc.) favorecem o intercâmbio de impressões, opiniões, dúvidas e frequentemente a manifestação de desejos de natureza sexual, que pode ser claramente verbalizada ou não, solicitada ou exigida. A realização concreta dessas pulsões e desejos pode assumir formas variadas segundo fatores como a timidez ou a extroversão, o caráter autoritário ou dócil e, em grande parte, a diferença de idade, já que nessa fase da vida, um único ano a mais já representa um avanço considerável da maturidade sexual dos meninos.
4. Adolescência
A adolescência é longa, estende-se dos doze ou treze aos dezoito ou dezenove anos e mereceria ser subdividida em várias fases. Na primeira fase, o adolescente ainda não conta com o respeito das meninas, que o consideram "bobão". Mas seu aparelho genital está rapidamente se desenvolvendo, ele se masturba frequentemente, tem sonhos eróticos mirabolantes acompanhados de eventuais poluções noturnas e sente desejos que ele não vê muito bem como e quando poderá satisfazer.
Se é bem verdade que até os onze ou doze anos, as relações propriamente sexuais entre os meninos são por assim dizer "leves" (voyeurismo, masturbação, carícias provocativas, contato dos corpos), é a partir dessa fase que ocorrem as eventuais experiências consumadas, no mais das vezes provocadas pelas solicitações de meninos mais velhos aos mais novos. Pode haver contato entre coetâneos, mas igualmente entre parceiros cinco ou seis anos mais velhos ou mais novos, o que torna a diferença de idade um fator de peso na natureza da relação sexual entre adolescentes.
De modo geral, o fato de ter havido penetração marca e fica registrado na memória por muito tempo, quando não para sempre. Isso não implica que toda penetração tenha sido prazerosa para o "ativo" e desconfortável para o "passivo", mas, na grande maioria dos casos, o eventual prazer experimentado por aquele que é penetrado apaga-se face ao sentimento de submissão àquele que penetra, geralmente mais velho, considerado mais "esperto", por vezes debochado ou autoritário.
A adolescência é longa, estende-se dos doze ou treze aos dezoito ou dezenove anos e mereceria ser subdividida em várias fases. Na primeira fase, o adolescente ainda não conta com o respeito das meninas, que o consideram "bobão". Mas seu aparelho genital está rapidamente se desenvolvendo, ele se masturba frequentemente, tem sonhos eróticos mirabolantes acompanhados de eventuais poluções noturnas e sente desejos que ele não vê muito bem como e quando poderá satisfazer.
Se é bem verdade que até os onze ou doze anos, as relações propriamente sexuais entre os meninos são por assim dizer "leves" (voyeurismo, masturbação, carícias provocativas, contato dos corpos), é a partir dessa fase que ocorrem as eventuais experiências consumadas, no mais das vezes provocadas pelas solicitações de meninos mais velhos aos mais novos. Pode haver contato entre coetâneos, mas igualmente entre parceiros cinco ou seis anos mais velhos ou mais novos, o que torna a diferença de idade um fator de peso na natureza da relação sexual entre adolescentes.
De modo geral, o fato de ter havido penetração marca e fica registrado na memória por muito tempo, quando não para sempre. Isso não implica que toda penetração tenha sido prazerosa para o "ativo" e desconfortável para o "passivo", mas, na grande maioria dos casos, o eventual prazer experimentado por aquele que é penetrado apaga-se face ao sentimento de submissão àquele que penetra, geralmente mais velho, considerado mais "esperto", por vezes debochado ou autoritário.
E é neste ponto que se dá a "reviravolta". Ao longo da adolescência, a grande maioria dos meninos adquire maturidade suficiente para merecer enfim a aquiescência das meninas às solicitações antes rudemente rejeitadas por elas. Por vezes, os próprios contatos sexuais com congêneres são parcialmente responsáveis por esse amadurecimento. Uma "primeira vez" com uma namorada pode perfeitamente ser tributária dessas poucas e esparsas experiências entre amigos, vizinhos ou colegas de escola.
Não tenhamos medo de cavar um pouco mais profundamente. É intuitivo pensar que aqueles adolescentes que tenham tido experiências sexuais "passivas" terão mais dificuldade para abordar meninas, namorar e ter relações sexuais com elas. Essa intuição pode levar à conclusão precipitada de que essa dificuldade se deve "simplesmente" ao fato de que esses adolescentes sejam homossexuais. É possível que eles sejam mais introvertidos, mais tímidos, mais retraídos e tenham mais dificuldade no processo da conquista do que aqueles que tiveram idade ou ousadia suficiente para solicitar seus favores, mas daí a afirmar que duas ou três experiências esparsas ao longo da adolescência sejam reveladoras da natureza sexual profunda de alguém e que deveriam reger sua orientação sexual para o resto da vida, o salto é grande demais.
O êxito nas relações afetivas e sexuais com meninas pode tardar, mas não falha. Os meninos tentam insistentemente fazer-lhes a corte, dão murro em ponta de faca durante muito tempo, alguns recorrem aos contatos com congêneres para aliviar o excesso de efervescência hormonal, mas quando o primeiro beijo acontece enfim, a necessidade de satisfação das pulsões sexuais com parceiros congêneres decresce exponencialmente em 99% dos casos e cessa para a imensa maioria. Cessa? Para sempre? É o que ver a seguir.
5. Inatismo BI
E se fôssemos todos bissexuais assim como somos todos onívoros, bípedes, dotados de raciocínio, de pensamento simbólico, etc.? E se todos nascêssemos dotados da a aptidão para nos relacionarmos sexual e afetivamente com pessoas de ambos os sexos?
Basta entrar numa creche para constatar que na primeira infância, o amor não tem gênero. Como vimos, a relação entre as criancinhas toma a forma de uma "paixão possessiva" que pode levá-las ao choro por uma breve separação de alguns metros ou a reações agressivas porque um amiguinho foi brincar com outro ou outra.
Na puberdade, essa "paixão", que naturalmente persiste após à primeira infância, começa a ser questionada pela sociedade (família, vizinhos, colegas de escola, igreja) que, por motivos vários - demográficos, culturais, religiosos... -, já não aceita que meninos sejam tão "grudados". Mas o fato é que os meninos sentem, sim, ciúmes do melhor amigo, sofrem quando as férias os separam e ficam radiantes quando são convidados para dormir na casa dele. Se porventura acontece algum tipo de contato íntimo entre eles, é muito provável que, nos recônditos da mente, um longínquo sentimento de amor acompanhe as sensações inusitadas da libido, o que indica o quanto é primitiva essa força de atração.
Durante a adolescência, 99% dos que tiveram relações eventuais com congêneres optarão pela heterossexualidade pura e banirão por tempo indeterminado qualquer atividade homossexual. O que explica isso é, por um lado, a aquiescência das meninas às solicitações do adolescente finalmente amadurecido e, por outro, a força da repressão social às relações não heterossexuais, que começa a ser explícita e que, até bem pouco tempo, saía vencedora. Mas isso está mudando rapidamente e o tema da bissexualidade nunca esteve tão na moda quando nesse primeiro quarto do século 21. A quantidade de meninos explicitamente bissexuais ainda em fim de adolescência é crescente e de mais a mais explícita.
Uma vez chegada a juventude, por volta dos 19, 20 anos, a escolha se torna cada vez mais livre e aqueles rapazes que tenham tido relações homossexuais prazerosas na adolescência (seja como "ativos" ou como "passivos") assumem plenamente isso e procuram mantê-las ou reproduzi-las ainda que tenham companheiras ou namoradas.
A resposta à nossa indagação inicial está dada. Não é uma homossexualidade "latente" que explica o fato de que um homem tenha tido relações sexuais com congêneres na adolescência e, muito menos, de que ele admita reconhecer beleza em outro homem. O que explicaria esses fenômenos - e muitos mais - seria o inatismo da bissexualidade na natureza humana. Além de exprimir um aspecto real e fascinante do que somos, a teoria da bissexualidade inata mostra-se capaz de explicar a espontaneidade do interesse sexual e afetivo que pessoas de ambos os sexos despertam indistintamente em cada um de nós.
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