A crescente facilidade de acesso à informação permite ao homem inteligente concluir que há uma clivagem nítida entre a qualificação de homossexual - ou gay - e a mera admissão de que um homem possa auferir prazer, por exemplo, de estímulos anais ou de uma felação. É comum atualmente vermos, nos sites dedicados ao sexo, vídeos de homens tendo relações a dois com mulheres que os tocam e penetram, ou envolvidos em relações múltiplas bissexuais, e isso sem que haja qualquer conotação susceptível de arrancá-los da esfera masculina.
Essa nova percepção do prazer sexual masculino justificaria que se fizesse uma distinção entre o conceito de homossexualidade e outros como homoerotismo, homofilia, etc. O termo "homófilo" parece-me perfeitamente adequado como sinônimo erudito de "gay". Seu sentido etimológico evoca aquele que ama pessoas do mesmo sexo. O termo aplica-se a ambos os gêneros e traz em seu escopo essa característica que diferencia essa relação das demais relações: o amor (gr. "filia") entre seres de mesmo gênero (gr. "homos"). O que caracteriza, portanto, a relação homófila - entre gays ou lésbicas - é a presença desse traço distintivo referente ao sentimento de amor.
Ora, no homem que busca prazer, por exemplo, em estímulos anais, esse traço distintivo afetivo pode perfeitamente estar ausente! Seu sentimento de amor pode perfeitamente estar dirigido a alguém do sexo oposto - uma namorada, uma noiva, uma esposa ou uma amante -, o que, seguindo a nossa linha terminológica, o qualificaria de "heterófilo". E se ele vai em busca da relação - esta sim - homossexual, é única e exclusivamente porque os objetos inanimados de que ele pode eventualmente servir-se estão longe de proporcionar o mesmo grau de prazer que o órgão sexual masculino. A homossexualidade nada tem a ver com a homofilia. Em outras palavras, um homossexual não é necessariamente gay, e digo isso sem promover qualquer conotação pejorativa.
Estabelecida a distinção terminológica e conceptual acima, creio não restar dúvida quanto à afirmação de que um homem integralmente dotado de seus atributos, qualidades, emoções e sentimentos masculinos pode cultivar práticas homossexuais. É preciso agora que tanto os heterófilos cujo próprio ânus não seja zona erógena - os "héteros" inveterados - quanto os homófilos radicais entendam e assimilem a argumentação acima para que cesse, de ambas as partes e de uma vez por todas, o preconceito cego e injustificável de que todo homem que procura homens para obter prazer sexual é gay.
M.F.
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