2.1 Em português
originário, os pronomes pessoais ditos "retos", em função de sujeito, são : eu, tu ele(a), nós, vós, ele(a)s.
2.2 Em carioquês, usamos: eu, você, ele(a), nós ou a gente, vocês, ele(a)s.
2.2.1 As gramáticas normativas qualificam "você" de pronome de tratamento porque elas pressupõem a existência de um pronome pessoal "tu" em uso. Como em carioquês o "tu" deixa de existir, "você" toma seu lugar como único pronome pessoal na 2a pessoa do singular.
2.2.2. O uso do "nós" é facultativo na fala carioca, mas ele força à conjugação do verbo na mesma pessoa e a obrigação do emprego da desinência de 1a pessoa do plural tem implicações no registro, que se torna menos informal. Ex. Nós penetraMOS, nós lambíaMOS, que nós nos masturbásseMOS.
2.2.3 O emprego da forma "a gente" em carioquês, salvo exceção intencional, não se refere a "as pessoas", mas a "nós". Por exemplo, um homem que se despede de um amigo e sai com a namorada dirá: "- Tchau, Zé, a gente está indo.", isto é, "nós dois, minha namorada e eu, estamos indo."
2.2.4 "Vós" não existe no carioquês para a finalidade da comunicação. Ele pode ser usado deliberadamente com a intenção de reproduzir outra variedade do português ou a fala carioca de outra época.
2.3 Em carioquês, a conjugação precedida dos pronomes fica simplificada, comparada à do português originário. Não há razão para preconceito, já que línguas ditas "de cultura" como o inglês, seguem o mesmo princípio.
De:
Eu beijo
Tu beijas
Ele/ela beija
Nós beijamos
Vós beijais
Eles/elas beijam
...ela passa a:
Eu beijo
Você beija
Ele/ela beija
A gente beija (ou
nós beijamos)
Vocês beijam
Eles/elas beijam
2.3.1 O princípio se aplica regularmente aos tempos e modos.
Eu seduzia
Você seduzia
Ele/ela seduzia
A gente seduzia (ou
nós seduzimos)
Vocês seduziam
Eles/elas seduziam
Que eu gozasse
Que você gozasse
Que ele/ela gozasse
Que a gente gozasse
(ou que nós gozássemos)
Que vocês gozassem
Que eles/elas gozassem
2.4 Em português (em geral), os pronomes pessoais ditos "oblíquos", em função de objeto, podem ser átonos ou tônicos.
2.4.1 Em português originário, os pronomes pessoais átonos são:
me ("O João chamou-me ao clube de echangismo.")
te ("A Maria deu-te um beijo.")
o/a/lhe ("O José atou-o/imobilizou-a/algemou-lhe os pés.")
nos ("O Célio chamou-nos ao quarto.")
vos ("A Lia pediu-vos paciência.")
os/as/lhes ("O clube recusou-os/baniu-as/vetou-lhes o acesso.")
2.4.2 Em carioquês, os pronomes pessoais átonos são:
me ("O João me engravidou.")
te ("A Maria te deu um beijo?")
o/a/lhe ("A Jane o chupou/a lambeu/deu-lhe um beijo.")
nos ("O Luis nos convidou para um bacanal.")
vos (abandonado em proveito da forma tônica "vocês".)
os/as/lhes ("A Leila os masturbou/as fez gemer."/abandonado em proveito das formas "prep+ele(a)s".)
2.4.3 Você reparou?
Em português originário, os pronomes oblíquos átonos são preferencialmente pospostos ao verbo (ou enclíticos) enquanto em carioquês são antepostos ao verbo (ou proclíticos).
2.4.4 Em português originário, os pronomes pessoais tônicos são:
mim/comigo
ti/contigo,
ele/ela
nós/conosco
vós/convosco
eles/elas
2.4.5 Em carioquês, os pronomes pessoais tônicos são:
mim, comigo ("Maria, dá para mim!", "Sérgio chupou comigo.")
preposição+você, contigo ("A Beth foi para a cama com você/contigo?")
ele/ela ("A Vera deu para ele.", "O Mário comeu ela?")
nós/conosco ou com a gente ("A Ana gostou de nós.", "O Pedro veio conosco ao motel.", "A Bia transou com a gente.")
vocês/preposição+vocês ("A Dora chamou vocês ontem.", "O Rui estava com vocês no vestiário?")
eles/elas ("A Silvana chupou eles no carro!", "O Gabriel chamou elas de vadias!")
2.4.5.1 O uso da 3a pessoa (ele e ela) como acusativo, isto é na função de objeto direto ("peguei ela", "mordi ele") é cada vez mais frequente em carioquês.
2.5 Em português originário, os pronomes reflexivos são:
me
te
se/si/consigo
nos
vos
2.6 Em carioquês, os pronomes reflexivos são:
me ("Eu me satisfiz.")
se ("Você se lambuzou!")
se/si/consigo ("Ele/ela se algemou na cama!", "Ele guardou o segredo para si."/"Cada um guarda a camisinha consigo!")
nos ("Nós nos esbaldamos ontem!")
se ("Eles/elas se trancaram no quarto.")
2.7 O IMPORTANTÍSSIMO fator diferencial.
Como vimos, o "tu" deixou de ser usado em carioquês e cedeu o lugar ao "você". Mas o "você" do português originário é um pronome de tratamento, um pronome atípico de 2a pessoa do singular porque concorda com as formas de 3a pessoa do singular ("Você vai no seu carro?", "Você vai se dar mal!"). De um ponto de vista puramente gramatical, portanto, todos os demais pronomes em 2a pessoa do singular (te, teu, contigo...), para não falar dos verbos, se tornariam imediatamente incompatíveis com a forma "você" e por conseguinte, seriam excluídos da gramática do carioquês. E é aqui que entra em cena a característica que nos interessa: em carioquês, o pronome "você" se harmoniza bem com o pronome átono "te", o pronome tônico "contigo" e o pronome possessivo "teu(s)/tua(s)", i.e., as formas pronominais de 2a pessoa do singular. E se é bem verdade que as 2as pessoas verbais caíram por completo, tanto no singular como no plural (amas/amais, bebes/bebeis, engoles/engolis, pões/pondes), a 2a pessoa do singular no imperativo continua em uso e refere-se agora ao pronome "você" ("Vem, Taís! Você vai gostar, te garanto!").
Exemplos
"Eu te avisei que ela não queria atrás, mas você não quis me ouvir!"
"Nós só te chamamos porque você é bem-dotado.
"Eu faço contigo, mas se você reclamar, nunca mais!"
"Você já tinha notado que o teu esperma era espesso?"
"Dá para ele, Ana! Ele só fala em você.
"Mete daquele jeitinho gostoso que só você sabe fazer, vai!"
Esse ponto é essencial na caracterização do carioquês, essa variante do português originário que se desenvolveu e evolui no Rio de Janeiro. Contra todas as espectativas gramaticais (puramente lógicas e esteticamente estruturadas), o falante culto carioca continuou usando as formas pronominais de 2a pessoa do singular mesmo após ter abandonado o "tu". Isso se deve certamente ao aspecto tão essencial e necessário ao registro coloquial, íntimo e familiar dessas formas de 2a pessoa do singular.
2.7.1 Contudo, uma regra ainda se mantém: o pronome reflexivo que se refere a "você" é exclusivamente SE, jamais TE.
Exemplos:
"Um dia, você vai se divertir com ele, garanto!"
"Você já estava para se mandar quando a Leila aceitou."
"Ela exigiu que você se lavasse antes?"
"Quero que você se dane! disse a Ana, furiosa."
Note-se que, do ponto de vista puramente linguístico, nada há que bloqueie frases como, por exemplo: "Você te machucou com as algemas!" ou "Eu queria que você te deitasse com ele." É perfeitamente plausível e até interessante. É possível até que esse uso já tenha ocorrido, mas como muitas vezese é o prestígio do usuário que consagra uma nova estrutura, pode ser que demore algum tempo até que esta seja reconhecida. Eu mesmo poderia introduzi-la aqui no Erotexto! :)
N.B. Esse texto está em construção e será burilado aos poucos. Como os demais, estará em permanente modificação
2.4 Em português (em geral), os pronomes pessoais ditos "oblíquos", em função de objeto, podem ser átonos ou tônicos.
2.4.1 Em português originário, os pronomes pessoais átonos são:
me ("O João chamou-me ao clube de echangismo.")
te ("A Maria deu-te um beijo.")
o/a/lhe ("O José atou-o/imobilizou-a/algemou-lhe os pés.")
nos ("O Célio chamou-nos ao quarto.")
vos ("A Lia pediu-vos paciência.")
os/as/lhes ("O clube recusou-os/baniu-as/vetou-lhes o acesso.")
2.4.2 Em carioquês, os pronomes pessoais átonos são:
me ("O João me engravidou.")
te ("A Maria te deu um beijo?")
o/a/lhe ("A Jane o chupou/a lambeu/deu-lhe um beijo.")
nos ("O Luis nos convidou para um bacanal.")
vos (abandonado em proveito da forma tônica "vocês".)
os/as/lhes ("A Leila os masturbou/as fez gemer."/abandonado em proveito das formas "prep+ele(a)s".)
2.4.3 Você reparou?
Em português originário, os pronomes oblíquos átonos são preferencialmente pospostos ao verbo (ou enclíticos) enquanto em carioquês são antepostos ao verbo (ou proclíticos).
2.4.4 Em português originário, os pronomes pessoais tônicos são:
mim/comigo
ti/contigo,
ele/ela
nós/conosco
vós/convosco
eles/elas
2.4.5 Em carioquês, os pronomes pessoais tônicos são:
mim, comigo ("Maria, dá para mim!", "Sérgio chupou comigo.")
preposição+você, contigo ("A Beth foi para a cama com você/contigo?")
ele/ela ("A Vera deu para ele.", "O Mário comeu ela?")
nós/conosco ou com a gente ("A Ana gostou de nós.", "O Pedro veio conosco ao motel.", "A Bia transou com a gente.")
vocês/preposição+vocês ("A Dora chamou vocês ontem.", "O Rui estava com vocês no vestiário?")
eles/elas ("A Silvana chupou eles no carro!", "O Gabriel chamou elas de vadias!")
2.4.5.1 O uso da 3a pessoa (ele e ela) como acusativo, isto é na função de objeto direto ("peguei ela", "mordi ele") é cada vez mais frequente em carioquês.
2.5 Em português originário, os pronomes reflexivos são:
me
te
se/si/consigo
nos
vos
2.6 Em carioquês, os pronomes reflexivos são:
me ("Eu me satisfiz.")
se ("Você se lambuzou!")
se/si/consigo ("Ele/ela se algemou na cama!", "Ele guardou o segredo para si."/"Cada um guarda a camisinha consigo!")
nos ("Nós nos esbaldamos ontem!")
se ("Eles/elas se trancaram no quarto.")
2.7 O IMPORTANTÍSSIMO fator diferencial.
Como vimos, o "tu" deixou de ser usado em carioquês e cedeu o lugar ao "você". Mas o "você" do português originário é um pronome de tratamento, um pronome atípico de 2a pessoa do singular porque concorda com as formas de 3a pessoa do singular ("Você vai no seu carro?", "Você vai se dar mal!"). De um ponto de vista puramente gramatical, portanto, todos os demais pronomes em 2a pessoa do singular (te, teu, contigo...), para não falar dos verbos, se tornariam imediatamente incompatíveis com a forma "você" e por conseguinte, seriam excluídos da gramática do carioquês. E é aqui que entra em cena a característica que nos interessa: em carioquês, o pronome "você" se harmoniza bem com o pronome átono "te", o pronome tônico "contigo" e o pronome possessivo "teu(s)/tua(s)", i.e., as formas pronominais de 2a pessoa do singular. E se é bem verdade que as 2as pessoas verbais caíram por completo, tanto no singular como no plural (amas/amais, bebes/bebeis, engoles/engolis, pões/pondes), a 2a pessoa do singular no imperativo continua em uso e refere-se agora ao pronome "você" ("Vem, Taís! Você vai gostar, te garanto!").
Exemplos
"Eu te avisei que ela não queria atrás, mas você não quis me ouvir!"
"Nós só te chamamos porque você é bem-dotado.
"Eu faço contigo, mas se você reclamar, nunca mais!"
"Você já tinha notado que o teu esperma era espesso?"
"Dá para ele, Ana! Ele só fala em você.
"Mete daquele jeitinho gostoso que só você sabe fazer, vai!"
Esse ponto é essencial na caracterização do carioquês, essa variante do português originário que se desenvolveu e evolui no Rio de Janeiro. Contra todas as espectativas gramaticais (puramente lógicas e esteticamente estruturadas), o falante culto carioca continuou usando as formas pronominais de 2a pessoa do singular mesmo após ter abandonado o "tu". Isso se deve certamente ao aspecto tão essencial e necessário ao registro coloquial, íntimo e familiar dessas formas de 2a pessoa do singular.
2.7.1 Contudo, uma regra ainda se mantém: o pronome reflexivo que se refere a "você" é exclusivamente SE, jamais TE.
Exemplos:
"Um dia, você vai se divertir com ele, garanto!"
"Você já estava para se mandar quando a Leila aceitou."
"Ela exigiu que você se lavasse antes?"
"Quero que você se dane! disse a Ana, furiosa."
Note-se que, do ponto de vista puramente linguístico, nada há que bloqueie frases como, por exemplo: "Você te machucou com as algemas!" ou "Eu queria que você te deitasse com ele." É perfeitamente plausível e até interessante. É possível até que esse uso já tenha ocorrido, mas como muitas vezese é o prestígio do usuário que consagra uma nova estrutura, pode ser que demore algum tempo até que esta seja reconhecida. Eu mesmo poderia introduzi-la aqui no Erotexto! :)
N.B. Esse texto está em construção e será burilado aos poucos. Como os demais, estará em permanente modificação
Comentários
Postar um comentário
Comente! Ajude a aprimorar o Erotexto!