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O Despertar do Príncipe Maia


Dentre as volutas do turbilhão de hieróglifos maias descobertos em anos recentes, encontrou-se uma narrativa singular, que me chegou através de um amigo arqueólogo. Vou tentar reproduzi-la aqui da maneira mais fiel.

    Um jovem príncipe maia, decidido a tirar o máximo proveito de suas ereções matinais passou a exigir que diariamente, antes de se levantar, todo perímetro de sua cama - uma ampla superfície circular de raio equivalente a cinco dos nossos metros - estivesse preenchido por efebos e donzelas alternados, completamente nus, ajoelhados lado a lado e - para não molestá-lo com olhares curiosos ou emoções indesejadas - voltados para o exterior do círculo. Ele se satisfaria penetrando um a um, sem repetição, até atingir o orgasmo. Para sua comodidade, o príncipe exigia que, ao retirar-se de cada um de seus jovens súditos, a donzela ou efebo em questão dissesse em voz alta o seu número e em seguida todo o círculo humano se movesse no sentido anti-horário, de modo que sempre houvesse um novo súdito diante dele. Era um mecanismo engenhoso do qual o jovem nobre muito se orgulhava.

    A rotina iniciava-se, portanto, pelo despertar do príncipe em plena ereção - equivalente a quase dezenove dos nossos centímetros de comprimento por cinco de diâmetro - que ele costumava contemplar deitado sob o lençol finíssimo. Às vezes, ele estava acordado para ver a procissão silenciosa dos jovens que entravam em seus aposentos para servi-lo. Ele gostava de admirar os corpos perfeitos quando vinham posicionar-se de costas em torno da cama, o que lhe permitia admirar os rostos, os corpos e sobretudo as belas nádegas multiformes das donzelas e efebos criteriosamente eleitos pelo seu ajudante de ordens. Eles entravam na cama de costas e punham-se de joelhos, afastando as pernas para que o príncipe pudesse contemplar os testículos e as formas sempre distintas das vaginas, bem como a sombria região anal, que lhe fazia imaginar os orifícios em suas variadas conformações.

    Uma vez completado o círculo humano, o príncipe ia até o jovem que se encontrasse ao sul da linha imaginária que o cortava longitudinalmente e a narrativa hieroglífica especifica que ele sentia imediatamente a "tensão animal" da donzela ou do efebo pela observação da rigidez das coxas e pela posição da cabeça. Ele percorria o corpo com os olhos para ter certeza de que seu ajudante escolhera bem e, quando estava satisfeito, untava um dedo com o óleo de uma preciosa ânfora e o introduzia no orifício de sua escolha. Ele gostava de ver a reação do escolhido; isso o excitava. Quando se tratava de uma donzela, o historiógrafo relata que esta se comportava distintamente segundo dois casos típicos. Se fosse virgem, começava implorando ao príncipe que a poupasse, por vezes aos prantos, mas constatando a suavidade dos seus gestos – o príncipe era extremamente empático –, costumava aquietar-se e deixá-lo decidir se abriria seu hímen com o dedo ou com o órgão do coito. Se ela já tivesse experimentado o sexo, as reações podiam também desdobrar-se. Se sua experiência fosse reduzida, a jovem podia ainda assustar-se e ter um sobressalto no início da penetração digital preliminar; em caso de mais ampla experiência, ela podia chegar até a oferecer-se como uma fêmea animal no cio, movendo-se para trás e para frente, convidando Sua Alteza a insistir. Quando se tratava do orifício anal, as reações também variavam de acordo com o sexo e a experiência. Caso se tratasse de um efebo sem qualquer experiência semelhante, a reação podia ser de aversão ou não, o que levava o príncipe a inferir as tendências ocultas de seus súditos masculinos. À reação arredia, o príncipe também reagia, fazendo valer sua autoridade e mostrando que uma repulsa insistente ou excessiva era descabida e inadmissível. Ele então não só introduzia profundamente o dedo em seu inconformado súdito, como lhe aplicava o que poderíamos denominar "condicionamento prévio"  que  consistia na repetida introdução e retirada do dedo bem untado de óleo e em movimentos circulares didaticamente aplicados, com o vagar e destreza necessários ao despertar do gosto. Habitualmente, precisa a narrativa, graças à sua gentileza, o príncipe obtinha um relaxamentno tal que efebo acabava por deixar-se penetrar sem oposição, seguro de que o órgão principesco não lhe faria mal maior que o dedo. Caso se tratasse de um efebo experiente, de um eunuco ou de um efeminado – todo efebo, indiferentemente, era candidato potencial ao leito real - o príncipe percebia imediatamente (devido à pressão mais fraca em seu dedo) e dispensava-lhe um tratamento de quase indiferença, penetrando-o uma vez com seu membro e retirando-o logo em seguida, sinal de que o súdito em questão devia dizer seu número para fazer girar o círculo humano e sair de sua frente. O relato acrescenta, contudo, que não era menor o prazer do príncipe ao ver a cabeça de um jovem empertigar-se devido à rápida penetração e, em se guida, descobrir nesse gesto uma sutil tentativa de olhar para trás, no intuito de, talvez, tentar decifrar em sua expressão facial a razão da retirada imediata.

    Caso se tratasse de uma donzela, a reação raramente era de admissão espontânea e o príncipe sentia o súbito e nervoso enrijecer das nádegas e das coxas ao seu menor toque. Ele então acariciava a região, por vezes chegava a lambê-la e molhá-la copiosamente, para só então untá-la de óleo e iniciar pelo dedo mínimo a penetração preparatória ou propedêutica. Em geral, a donzela submetia-se docilmente, sem mais. Raramente ele presenciara reações de choro, exceto quando uma conformação anatômica incomum dificultava a penetração. Mas havia casos em que a donzela atingia um prazer comparado ao mais puro êxtase e o príncipe via a vagina desabrochar, os lábios entumescerem-se e o flúido do clímax escorrer por eles, gotejando no lençol imaculado. Nesses casos, modificando sua decisão, ele a penetrava logo em seguida e, excitado ao máximo, ejaculava tão abundantemente que, na maioria das vezes, honrava sua súdita com uma nobre gravidez. Casos houve em que a roda humana nem chegava a girar, porque a primeira donzela proporcionava ao príncipe esse prazer insuperável. Aos 21 anos, o príncipe já possuía 200 filhos bastardos concebidos apenas nessa circunstância! Quando não havia imprevistos, ele penetrava em média 12 de seus súditos a cada despertar, limitando-se a introduzir seu membro no orifício escolhido até sentir seus pelos pubianos (sempre muito bem aparados por escravas experientes) em contato com a pele do súdito e retirá-lo para passar ao seguinte.

    Ocorre – e é aí que a narrativa hieroglífica se detém mais longamente – que houve casos em que o desejo do efebo ou da donzela era tamanho que ele ou ela tentava evitar que o príncipe o deixasse. Uma espécie de "técnica" foi sendo aprimorada por esses súditos, que consistia no aperfeiçoamento das contrações anais ou vaginais, de tal modo que o príncipe fosse forçado a desejar multiplicar os movimentos e, pela pressão controlada, chegar ao orgasmo em tempo mínimo. Os efebos eram obviamente os mais aptos a obter o efeito desejado, já que dispunham de um único orifício e eram tão numerosos quando as donzelas. Aos poucos, como não se passasse um mês sem que tivesse uma ejaculação causada por essa técnica, o príncipe começou a suspeitar de sua existência e passou a atentar mais para o comportamento sexual dos recrutados. Ele os penetrava um a um, como de costume e, quando sentia que um deles produzia contrações regulares e mais intensas que as habituais, deixava-o bruscamente, forçando-o a dizer seu número e passando ao seguinte. Às vezes, ele ouvia um suspiro ou um gemido de insatisfação que parecia comprovar sua hipótese de que aquele era um dos que haviam aderido à "técnica". Dois casos precisamente consignados merecem divulgação.

    O primeiro trata de uma donzela cuja beleza chamou a atenção do príncipe já no cortejo de entrada. Longos cabelos lisos, olhos da cor do âmbar, lábios de forma perfeita e cor indiscritível, seios e coxas jamais vistos e incrivelmente desejáveis, ela era a própria encarnação da deusa maia do amor. O registro especifica que o príncipe lamentou vê-la virar-lhe as costas para acomodar-se na cama na posição exigida. Naquele dia, ele penetrou rapidamente 6 donzelas e 6 efebos, para chegar à divina criatura. Quando sua glande acomodou-se entre os tão cobiçados lábios, a jovem deixou-se espontaneamente invadir, sentindo-a alargá-los e mergulhar nela como se fosse algo retornando ao lugar de onde jamais deveria ter saído. Ela nunca sentira algo tão poderoso invadi-la, portanto gemia incontidamente, mas sua excitação era tamanha, seu desejo pelo príncipe – que era de rara beleza – tão irreprimível, que ela pôs-se a contrair e relaxar habilmente seu sexo, levando o príncipe a desejar que toda a extensão do seu membro fosse agraciada com o mesmo êxtase, que lhe era absolutamente inovador. Ele foi lentamente retirando-se do corpo da donzela, mas, não lhe sendo possível deixar de voltar a penetrá-la, a ejaculação precipitou-se a meio caminho. Ele então agarrou-a pelas ancas e pôs-se a arremeter freneticamente enquanto uma formidável ejaculação se produzia no interior da jovem. Quando, exausto, o príncipe retirou seu órgão latejante, viu a glande ser seguida de um fio quase transparente e admirou-se da quantidade do fluido que ele era capaz de produzir. Quanto à donzela, continuava na posição convencionada, porém suas pernas pareciam tão frouxas e sua respiração tão ofegante que não havia dúvida de que ela também tivera um orgasmo monumental. Eles haviam atingido o êxtase juntos, mas ela não tivera a coragem de manifestar seu prazer.

    O segundo caso de súditos que haviam desenvolvido uma "técnica" magistral para arrancar do seu príncipe uma ejaculação em poucos instantes, foi o de um jovem cujas proporções físicas chamaram-lhe a atenção como nenhum outro. Era um efebo de cabelos negros excepcionalmente longos, corpo liso e feições belíssimas. O próprio historiógrafo parece entusiasmado ao especificar que que a forma e as proporções o peito, da barriga, da cintura e das coxas, assim como a redondeza das nádegas do jovem excitariam um rochedo. Quando ele se posicionou de joelhos e de costas no leito principesco e afastou as pernas conforme a regra, o príncipe deteve-se, visivelmente impressionado. Um longo e grosso membro viril de ampla glande descoberta ultrapassava de quatro dedos a espessa e arredondada bolsa escrotal. O príncipe desejou inteiramente esse efebo irretocável. Para chegar a ele, no entanto, foi preciso penetrar 4 efebos e 4 donzelas, o que ele fez rápida e negligentemente, não chegando sequer a completar a cópula com alguns deles. Quando enfim foi a vez do seu eleito, ele fez o que jamais se permitira fazer diante de todos. Repousando uma mão sobre suas costas, ele acariciou-o por entre as pernas com a outra, envolvendo a bolsa com os cinco dedos. O corpulento membro pôs-se tão logo a enrijecer e o efebo não pôde deixar de emitir um gemido, interpretado pelo príncipe como expressão do mais intenso desejo. Suas costas curvaram-se para baixo projetando as nádegas. O príncipe empunhou o tronco do pênis, expondo a volumosa glande rubra, sempre acariciando os testículos, que incharam, tornando a espessa pele quase lisa. Isso incitou o efebo a movimentar-se e a excitação do príncipe multiplicou-se ao contemplar as nádegas arredondarem-se ainda mais. Ele pediu o óleo, mergulhou nele o dedo médio e, após massagear circularmente a entrada, foi introduzindo-o lentamente no ânus perfeitamente adestrado, que devorava seu dedo, mordiscando-o voluptuosamente e tragando-o até o final. Como os gemidos do efebo indicassem o desejo de satisfazê-lo plenamente, o príncipe se preparou. Ocorre que a visão daquelas costas lisas, das coxas grossas e das nádegas perfeitas levaram-no a uma agitação tal que não lhe foi dado sequer chegar a encostar seu membro na entrada; ele foi assaltado por um orgasmo incontrolável, que foi preciso concluir com uma apressada masturbação.

    Frustrado, o efebo fez menção de resignar-se a sentir seu corpo excitado retrair-se como a folha que se fecha ao crepúsculo. Mas o príncipe, empático, ordenou que a donzela situada ao lado direito do seu predileto se deitasse por baixo dele e lhe permitisse copular oralmente até que ele atingisse o orgasmo, cujo produto ela deveria manter na boca sem engolir. Ele contemplou com satisfação o espetáculo, masturbando suavemente a donzela, que recebeu na boca e em jatos copiosos o sêmen do efebo, enquanto se contorcia com o trabalho do dedo de Sua Alteza em seu sexo encharcado. Terminada a ejaculação, o príncipe quis ver o conteúdo da boca da donzela, que a abriu prontamente. Ele viu no fundo o espesso fluido e procurou o olhar da moça - apreensivo. Olhando-a confiante e profundamente nos olhos, ele balançou afirmativamente a cabeça e ela, sem deixar de olhá-lo nem por um instante, relaxou a glote e permitiu a passagem do líquido. Tirando o dedo de sua vagina, o príncipe levou-o aos lábios do efebo enquanto olhava sua face vermelha, que revelava a satisfação enfim realizada.

    O relato prossegue explicando que o príncipe acabou por interditar a "técnica" desenvolvida pelos jovens, passando a julgar individualmente os casos em que ele era levado involuntariamente a ejacular. Isso foi eliminando os mais astuciosos e o despertar do príncipe tornou-se ocasião de descoberta e precocidade para os recrutados. Após essa data, os relatos se tornam profundamente sensuais e revelam bem a rica sexualidade da civilização maia. Mas a decifragem dos hieróglifos é coisa complexa e muito lenta, portanto só poderei revelar aos poucos esses segredos da sexualidade maia há milhares de anos entalhados na pedra nua.


"Uma espécie de técnica foi sendo aprimorada
por esses súditos..."




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