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Silêncio Eloquente


Nunca vi meu namorado calado diante da TV; ele é daqueles que falam sem parar, comentam as cenas, soltam interjeições ou reclamam que o filme está chato. Na quarta-feira, o episódio da série Sexual Education mostrou o Jackson sendo "dedado" por uma garota, e o silêncio do Flávio foi, por assim dizer, berrante. Cheguei a olhar para ele de rabo de olho para ver se ele tinha dormido, mas pelo contrário, estava até disfarçando para não parecer tão atento! Geralmente trocamos ideias sobre o filme ou a série que acabamos de ver e, justamente, a tal cena tinha me chamado a atenção porque eu sempre questionei essa ideia de que, num casal "normal" só a mulher é penetrada. Na minha opinião, se o sexo anal pode ser prazeroso, isso independe do gênero, já que todos temos ânus e a "anal-tomia" é a mesma (hehe). Mas eu não quis me arriscar a provocar uma polêmica e o assunto acabou não vindo à tona.

A sexta-feira chegou e fomos ao motel que frequentamos, barato e situado aqui na Zona Sul. Geralmente começamos por um banho. Enquanto nos beijamos e acariciamos, o pau do Flávio endurece e roça no meu corpo, ele acaricia minha bunda, meus seios, minha buceta, eu chupo um pouco... Quando vamos para a cama já estamos loucos para trepar. Costumamos começar com um papai-e-mamãe, posição que eu recomendo a quem ama o namorado como eu. Depois de um primeiro orgasmo bem intenso em que o coitado é infelizmente obrigado a gozar fora por motivos óbvios, o Flávio fica livre para realizar as fantasias dele. Como a "preferência nacional" não pode faltar, ele sempre quer me ver de costas, debruçada em algum móvel, ajoelhada na poltrona ou até de pé para me lamber o cu, penetrar e, claro, poder gozar dentro. O desfecho é sempre privilégio meu e gosto de cavalgar o Flavio na cama, uma posição que me faz gozar demais porque ele aperta meus mamilos enquanto subo e desço no pauzão gostoso que me preenche toda.

A sexta não foi exceção, nosso programa foi ótimo, mas notei que as coisas estavam menos fluidas que de costume, como se o Flávio tivesse uns "brancos" de vez em quando. Não vou negar, a tal imagem do Jackson sendo dedado por uma mulher estava rodando sem parar na minha cabeça e comecei a pensar que talvez a mesma coisa estivesse acontecendo secretamente com o Flávio. Pelo meu temperamento, já teríamos conversado sobre o assunto e eu saberia a opinião dele, mas somos muito diferentes nesse aspecto.

Aconteceu um pouco depois do nosso último banho. A água estava deliciosamente morna em contraste com a temperatura glacial do quarto, imposta pela direção do motel. Quando saímos do chuveiro e fomos para a cama, em vez de se jogar em cima de mim como sempre faz, o Flávio deitou de bruços dizendo que precisava dar uma cochilada rápida. Como ele estava bem, fiquei tranquila, mas eu estava sem sono, então fiquei deitada ao lado dele, acariciando e contemplando o seu corpo moreno e forte, um corpo de quem cresceu praticando vôlei de praia. De repente, não sei por quê, me dei conta de que ele estava com a cabeça virada para o outro lado e o meu cérebro traduziu isso como: "Ele não está me olhando." Senti um frio na barriga e uma força incontrolável dirigiu meu olhar para a bunda do Flávio. No mesmo instante, a cena da série inglesa ocupou a minha mente sem deixar a menor fresta para qualquer visão crítica.

Não vou chamar o que fiz de estratégia, mas admito que a frase "os fins justificam os meios" foi uma invenção genial. Comecei a acariciar levemente as costas do Flávio, inicialmente descendo até as duas covinhas lá embaixo, que ele sabe que adoro, mas logo avançando mais até o início da bunda. Confortado pelo meu carinho, ele se moveu languidamente, mas continuou de bruços, os braços estendidos ao longo do corpo. Continuei avançando a mão, até conseguir concentrar minhas carícias unicamente na bunda linda do meu amor, temendo que a qualquer momento ele se virasse para mim.

Acariciar a bunda de um homem é coisa que exige da mulher não só tato, mas uma boa dose de sutileza. Um gesto em falso pode por tudo a perder. Eu tinha diante de mim um obstáculo de monta. Se eu conseguisse introduzir delicadamente as pontas dos dedos no rego sem que o Flávio oferecesse qualquer resistência, eu estaria a caminho da vitória. E até ali, a sorte parecia estar do meu lado porque não só consegui realizar meu intento como tive o alívio e a felicidade de ver o meu amorzinho entreabrir ligeiramente as pernas e franquear-me ainda mais o acesso ao profundo e misterioso vale. Eu estava a milímetros do meu objetivo. A partir dali, o menor movimento soaria "estranho" aos sentidos do notório macho alfa que era o meu namorado. Mas, obcecada que eu estava pela ideia de reproduzir com ele o que a garota fizera com o Jackson da série inglesa, a última coisa que eu queria era ter que adiar o momento de satisfazer esse desejo. O passo seguinte seria forçosamente revelador.

    Das duas, uma: ou a nossa relação seria comprometida por uma reação tacanha e conservadora da parte do meu namorado ou seria enriquecida por uma atitude curiosa e aberta para o desconhecido. Eu já sentia nas pontas dos dedos o calor úmido do interior do sulco. O menor avanço adicional provocaria irreversivelmente o contato com o objeto da minha curiosidade. Tomei coragem para não perder o ímpeto às portas do que poderia ser para ele um verdadeiro despertar do kundalini. Dando à minha mão a mesma conformação em concha que o ladrão que insinua os dedos pelo vão de uma porta em busca do trinco, imprimi o esforço exato, avancei um milímetro adicional e o meu dedo médio pousou sobre as bordas franzidas da pequena cratera anal. Com a respiração e movimentos suspensos, esperei por uma reação do Flávio.

Minha surpresa foi total. Sem se virar para me olhar, ele desandou a falar, dizendo que sabia que eu estava desconfiada de alguma coisa desde o dia em que vimos aquele episódio da série; que não tinha razão para mentir; que já tinha até dado; que eu podia continuar porque ele gostava de sentir um dedinho no cu, blablabla, blablabla. Eu esperava tudo menos isso, mas nosso alívio foi imediato e logo comecei a explorar o buraquinho do meu namorado que gemeu de prazer com o vaivém do meu dedo.

    Me lembro tão bem da nossa conversa do momento que sou até capaz de reproduzir o diálogo exato.

— Você estava falando sério quando disse que já deu?

— Estava, e um deles você conhece. É o Tulio.

— Caramba! O Tulio? Vendo vocês juntos, não dá para imaginar.

— Rolou algumas vezes, e ele é tudo menos inexperiente!

— Ele te dá também?

— Dá, mas ele é exceção.

— Eles devem gostar dessa bundinha linda.

— É, ela agrada sim.

— Fechadinho e perfeito, comentei, examinando o orifício.

— Mas só fiz com alguns caras da minha galera. Vai me dizer que nenhuma amiga sua transou com mulher?

— Claro que transou. Eu é que ainda não tentei.

— Mas tem curiosidade?

— Até tenho.

— Você vai ver como é bom lamber uma bucetinha. Mas continua dedando que está gostoso!

— Posso enfiar mais fundo?

— Claro. Pode até meter dois dedos, mas deixa o meu cu acostumar com um primeiro, aí você cospe e mete dois.

Notei que o Flávio estava aliviado e feliz por ter podido se abrir comigo. Acabei passando a língua no cu dele. Quando enfiei dois dedos, ele não pôde abafar os gemidos e rimos a valer. Depois ele se deitou de costas e ficou na posição do frango assado para eu poder chupar o pau dele enquanto dedava. Ele até deu uma gozada forte na minha boca, que engoli olhando para ele e dando o sorrisinho malicioso que ele adora.

— Nossa, estava com tesão hein!

— Nem fala! A dedada amplifica demais o orgasmo. Continua que está bom demais, pediu ele, puxando as pernas bem para trás.

— Eu queria te ver transando com um cara!

— E eu queria transar a três. Vivo imaginando você, o Tulio e eu.

— Uau! Dá para sonhar! Dois gatos de uma vez.

— O Tulio é bom. Eu gosto de trepar com ele.

— Aonde vocês vão para transar?

— Geralmente é no apê que ele racha com o Diego.

— E o Diego nem desconfia?

— Ele até sabe, mas transa homo não é a dele.

— Você e o Tulio transam de que jeito, em que posições?

— Geralmente de quatro, às vezes de pé... Isso varia.

— E com os outros? Aliás, você ainda não me falou dos outros!

— Fora o Tulio, você já viu o André, da faculdade. Os outros são ex-colegas de escola.

— Nossa, faz tempo então!

— É, muito tempo. Começou com aquela coisa de um dormir na casa do outro. A mão naquilo e aquilo na mão embaixo dos lençóis.

— Com mulher também é assim, mas rola mais carinho, beijos...

— Beijar homem, não curto.

— Ah não?

— Não tenho a menor vontade, nunca tive.

— Eu conheço algum outro que você já tenha comido?

— Tem sim. Lembra do Jacques, aquele cara que voltou para a Suíça no ano passado?

— Lembro, era um gato! Ele te dava, é?

— Ele adorava! E tinha uma bundinha!

— Aposto que não chegava aos pés da tua!

— Que nada, a bunda dele era demais. Lisinha! Ele era passivo com homem e bom de cama com as minas. Cheguei a ver briga por causa dele. Elas taravam nele.

— Me lembro que ele era muito branco e que isso contrastava com o cabelo preto e os olhos azuis. Devia ser bonito ver vocês transando.

— E o Rafael, você conheceu?

— Rafael... não me lembro.

— É, acho que não. Rafael era o contrário do Jacques. Totalmente ativo, só pensava em meter, e ai de quem tocasse na bunda dele!

— Não foi ele que a gente apelidou de "gato preto"? É o único Rafael negro que eu conheço.

— O próprio!

— Não era ele que tinha um dote assustador?

— Hãhã, o pau dele era enorme.

— E aí, como é que era?

— E aí você já imagina o sofrimento, haha!

— Mas você aguentava?

— Acabava entrando, mas era pauleira!

— Tadinho do meu "namolado"!

— Deixava qualquer um de cuzinho frouxo!

— Ha! Ha! Deve ser por isso que eu consegui enfiar dois dedos no teu!

— Por falar nisso, Cris, você trouxe o consolo?

— Claro! Como é que eu ia esquecer o nosso brinquedinho? Por quê? O papo te inspirou, é?

— É que eu estava pensando... Agora que você sabe de tudo, a gente podia usar... em mim, né?

— Espera, vou pegar.

Pulei da cama toda animada, embora estivesse disfarçando um certo abalamento com tanta novidade. Deixei o Flávio na cama e fui pegar o consolo na bolsa. Nós compramos esse consolo juntos porque eu queria saber qual era a sensação da DP e me faltava coragem de aceitar outra pessoa conosco. Ele tem 17x4, um pouco mais grosso que o pau do Flávio. Eu não aguento atrás e estava curiosa para saber se ele aguentaria.

— Como é que eu faço? Lambo o consolo ou cuspo no teu cu?

— Os dois. Quanto mais melado e relaxado melhor.

— Então vou começar.

— Hmm... assim, bem devagar.

Quando consegui enfiar dois dedos bem fundo, peguei o brinquedo e comecei a enterrar lentamente.

— Ahn! Assim... Ahn!

— Não está doendo? Não? Quer tudo?

— Quero, mete tudo!

Fui empurrando pela ventosa (eu uso muito esse consolo no banho, colado no ladrilho), devagar, até as bolas de silicone encostarem no saco do Flávio, admirada com a "abertura" do meu namorado. Ele continuava deitado de costas, o pau dele pulsando, colado na barriga e melando tudo em volta. Tornei a chupar e a massagear o saco enquanto enterrava e tirava o consolo, ouvindo os gemidos de dor e prazer, e a súplica de que eu não parasse.

— Ahn! Está bom demais! Não para!

— Agora eu entendo o teu jeito quando você come o meu cu, Flavinho. É tão diferente dos meus outros namorados! Você sabe se por no lugar da mulher.

— Acho que é isso, sim. Às vezes, quando a gente está trepando, eu enfio um dedo no cu sem você saber.

— Sério? Para aumentar o tesão fingindo que tem um cara te comendo? Uau!

— Quando eu gozo muito mais assim.

— Ah é? Quer dizer que você é meu viadinho durante as fodas e eu nem fico sabendo?

— Haha! Às vezes sou, sim.

Meu namoradinho não só aguentou o calibre do consolo como adorou e pediu mais. Eu tive razão de apostar tanto na minha investigação porque valeu a pena esclarecer o ambiente atípico criado ao assistirmos àquele episódio de Sexual Education. O Flávio tinha, de fato, ficado impressionado, mas não quis conversar como fazemos sempre porque estava com medo de fazer algum comentário que eu talvez estranhasse. Agora que tudo estava claro, nossas conversas voltaram a fluir. Terminamos nosso programinha de sexta à noite alternando trepadas e chupadas com um uso intensivo do brinquedinho que se tornou nosso amigo inseparável.


"...e o meu dedo pousou sobre as bordas
da pequena cratera anal."



Comentários

  1. Olá de novo, Marc. Estou aproveitando uma "pausa forçada" para descobrir o Erotexto. Gostei desse conto que trata do obscuro objeto do desejo de muitos... e muitas! Você tem razão, algumas mulheres são fascinadas por um certo lado bi que talvez a maioria dos homens tenham. Estou procurando assistir à tal série inglesa, já localizei, mas preciso de tempo para assistir sozinho, sem esposa e filhos por perto. Vai ser uma proeza! Obrigado por mais esse conto muito gostoso de ler.

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