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Realismo Cruel


Eu sei lá... digam o que disserem, é muito difícil não se excitar diante de um bumbum gostoso. E tem mais: bumbum gostoso não tem sexo! Hoje é sábado, o mal está feito e estou com tempo, então vou contar o fato estranho que me aconteceu nesta semana.

    Isso aqui é uma zona. Somos três, mas todo dia tem alguém pedindo para passar a noite. Na terça-feira, um dos caras deixou um amigo dormir aqui. Geralmente eles vão embora no dia seguinte, mas esse chegou na terça e só foi embora hoje cedo. E o chato é que esse cara acordava tarde, então todo mundo tinha saído e ele estava lá, no maior sono. Eu sou o único que não estuda, só trabalha. Tenho um horário difícil, das duas às dez, então estou por aqui de manhã e curto ficar umas horas com o apê só para mim.

    Na quarta, esse cara - o nome dele é Cirilo - levantou quase ao meio-dia, mal falou comigo e foi embora. Trabalhei normalmente, e quando cheguei em casa, ele estava aqui de novo. Pelo menos ele disse um "oi". Mas como a lei aqui é "não devo satisfação", nem procurei saber por quanto tempo ele ia ficar. Enquanto ele não desse prejuízo invadindo a geladeira sem saber o que é de quem, tudo bem para mim.

    Na quinta, já eram onze horas e o tal Cirilo nada de sair da cama. Eu passava pela porta do quarto e via o cara lá, morgadaço. O esperto dormiu num colchonete, mas passou para a cama assim que ouviu o João sair e trancar a porta. Era quase meio-dia quando ele levantou e veio puxar papo comigo vestido só de cueca, coçando o saco como se a gente se conhecesse.

— E aí, cara, beleza?

— Beleza, respondi. Você conhece o João há muito tempo?

— Que nada. Conheci na facu dele esses dias.

— Sei, mas vocês não são da mesma turma, não é?

— Não, não. Eu nem sou de lá. Estava de bobeira e aí conheci a galera dele.

    A conversa ia avançando assim, com zero conteúdo. Logo saquei que o cara não fazia "p" nenhuma e descolava uma cama para passar a noite até com quem ele não conhecia. Ele rodou um pouco pelo apê e pediu para pegar café que ele viu na cafeteira. Depois ouvi o chuveiro durante uns minutos e ele saiu peladão rodando a cueca no dedo. Não dei muita atenção porque estava começando a me preparar para ir trabalhar.

    À noite, quando voltei para casa por volta das onze, eu sabia que o Cirilo estaria lá, e não deu outra. O João e ele estavam jogando no quarto e o Pedro estava estudando no sofá da sala onde ele dorme. Entrei, dei um alô para os três, fiz um pão com ovo e fui para o quarto. Eles jogaram um pouco mais e foram para a cama.

    É raro acontecer isso, mas nessa sexta eu acordei às três da madruga com vontade de ir ao banheiro e vi o Cirilo no colchonete ao lado da cama do João, os dois dormindo profundamente. Voltei para a cama tentando imaginar o que aquele cara fazia da vida. Com a idade dele, uns dezoito ou dezenove, eu já estudava de dia e trabalhava de noite. Ele parecia poder desperdiçar a juventude.

    "Sextou", como se diz, mas eu trabalhei no meu horário normal e cheguei em casa às onze da noite como de costume. Nenhum dos três estava em casa. Me vesti e saí para tomar umas cervejas com uns amigos. Voltei pelas duas da manhã e abri a porta com cuidado para não acordar ninguém, mas logo notei que eu era o primeiro a chegar. Tomei banho e fui para a cama satisfeito com a saída. Fazia tempo que eu não ficava com ninguém e dei sorte de ter encontrado uma ex que curtia matar saudades dos tempos de namoro. Eu já estava esquecendo como beijar faz bem! Infelizmente, a trepadinha ficou para outro dia.

    Os caras chegaram às três da madruga, e até que não fizeram tanto barulho. O Cirilo devia estar com eles, imaginei. Os outros dois não têm aula sábado. Estaríamos fatalmente todos juntos de manhã. Torcendo para que eles fossem à praia e me deixassem quieto em casa, caí num sono profundo.

    Cirilo estava deitado na cama do João, que eu não via em lugar nenhum do quarto. Fui até a sala e também não o vi lá, nem ele e nem o Pedro. Quer dizer que o invasor tinha voltado sozinho? Voltei para o quarto espumando de raiva, matutando que o João ia me ouvir no dia seguinte. Emprestar uma chave a um desconhecido! E irresponsável ainda por cima! Quando eu ia ultrapassando a porta do quarto do João, me toquei que o Cirilo estava de bruços com o lençol nas pernas e a bunda toda de fora.

    Não sou de reparar em corpo de homem, mas desta vez eu recuei para olhar. Já era dia claro e o quarto estava bem iluminado pelo sol forte. Achei a bunda do Cirilo bem feita, bonita mesmo! Ela é magra e mais para estreita, mas não é descarnada como a da maioria dos magros, e desponta muito saliente da curvatura pronunciada das costas. Fui surpreendido pela minha própria ereção.

    O Cirilo parecia profundamente adormecido, então continuei na porta, quieto, deixando que a imagem nutrisse a minha fantasia. Em dado momento, ele se virou para o meu lado. Temi que ele abrisse os olhos e desse comigo lá, parado, olhando. Seria um vexame! Mas não, ele continou dormindo na mesma posição. Se eu fosse outro, talvez me aproximasse e tentasse algo, mas com esse meu temperamento, era impensável. Limitei-me a contemplar analisando por que diabos eu estava excitado vendo uma bunda de homem. Enfim, não só contemplar. Eu não estava muito menos despido que o Cirilo. Costumo dormir de cuecas e a fornalha no interior da minha estava mais do que acesa.

    Alguns creem que um pênis vistoso é uma concessão dos deuses em compensação a alguma carência de outra ordem, como a timidez. Coincidência ou não, sou um grande tímido e não posso me queixar da forma e das dimensões do meu. Ter pau grande e bem feito foi minha salvação em várias circunstâncias complicadas em que a honra masculina era enxovalhada. No bairro, na escola, na colônia de férias e até na família, a descoberta de que o meu dote chamava a atenção me tirou de várias situações embaraçosas em que, por exemplo, eu fora xingado de mulherzinha ou até de "viado" pelos mais rudes. E não preciso mencionar o fato comprovado de que as mulheres têm uma queda pelos dotados, quanto mais não seja como colírio para os olhos.

    Disposto a fazer durar o momento, prendi o elástico da cueca atrás do saco e iniciei uma lenta punheta, divagando diante da bunda tão estimulante que eu tinha diante dos olhos. Quando chegasse a hora, pensei, eu daria um jeito de gozar na mão ou até no chão, e limparia com a cueca que eu lavaria no chuveiro e poria para secar hoje mesmo, etc., etc., etc.

— Chega mais, cara.

    Meu discurso interior foi interrompido pela voz do Cirilo, uma voz de quem acaba de acordar, sem surpresa e muito menos censura. Ele me pedia apenas que avançasse. Repus meu pau na cueca como se fosse a coisa mais natural do mundo e fui me sentar na cama ao seu lado. Ele não se cobriu e não mudou de posição, ficou deitado de bruços e bunda de fora, a cabeça a um palmo da minha perna.

— Você estava olhando há muito tempo?

— Não, uns três minutos, respondi com ar indiferente.

— Posso ver de novo?, pediu ele, apontando com o nariz.

— Para quê?

— Só para ver de mais perto.

Baixei o elástico da cueca e deixei meu pau ainda duro escapar livre.

— Grandão! exclamou ele, em tom elogioso.

— Você gosta?

— Cara, sou curioso.

— "Bi curioso", como dizem?

— É, por aí. Não sou de botar muito rótulo não, mas o que vier eu estou pegando. O que eu não quero é deixar a vida passar, saca.

    Com a cabeça apoiada numa mão, ele levou a outra ao meu pau e pôs-se a movê-lo como um joystick de videogame.

— Grosso e cabeçudo. Já começou a babar.

— Já estava babando há um tempão, repliquei, meio encabulado.

— Culpa da minha bunda, não é, safado?

— Haha!

    Eu ri ao mesmo tempo que um giro do tronco me permitia olhar de perto os dois gomos lisos que emergiam abruptamente da dobra do lençol.

— Pode tocar se quiser.

    Não me fiz de rogado. Com a mão espalmada, avancei sentindo nos dedos o arrepio da pele enquanto meu polegar percorria o interior do sulco. Cirilo teve um sobressalto quando rocei o orifício e me detive nele para apalpá-lo.

— Tua bunda é um tesão, cara.

— Já ouvi essa frase, sabia?

— Você já... já fez de tudo?

— Quer saber se eu já dei? Já sim, cara. E você?

— Eu? Euh...

    Embora eu não tenha absolutamente feito sexo com homens, fiquei surpreso com a pergunta e logo me veio à mente a ideia de que o bissexual forçosamente "corta dos dois lados". Isso me desestabilizou.

— Que foi? Você tem tesão de meter mas não de dar?

— É, acho que é isso.

— Vamos fazer uma coisa então. Já que eu estou de penetra aqui, não vou te cobrar nada que você não queira, valeu?

    Ele disse isso aproximando-se mais e caindo de boca no meu pau, chupando vigorosamente, quase me arrancando urros de aflição e tesão. Nenhuma mulher jamais me chupou como ele. Elas são carinhosas para chupar, como se tivessem receio de ferir essa parte do corpo que lhes é ausente. Mas ele se afundou entre as minhas pernas, chupando vorazmente, engolindo a baba, lambendo minhas bolas e admitindo meu pau na boca até ficar com os lábios colados à minha virilha.

— Assim vou acabar gozando! exclamei.

— Qual é o mal? Mas vou ter que engolir tudinho para não sujar a cama do João! brincou ele.

    Assim que ele terminou a frase afastou-se, certamente para evitar-me um primeiro orgasmo deslocado do foco do meu desejo. Olhando-me bem nos olhos, ele deu uma piscadela e ergueu-se ligeiramente nos joelhos, sem elevar o tronco, suspirando como um felino. Ao chegar por trás dele e deparar com o espetáculo da pose dos que não carecem de autoestima, fui logo em busca do tesouro oculto, que encontrei discreto, na exata convergência dos raios que lhe davam o aspecto de um pequeno sol negro.

— Ei, cara! Acorda, punheteiro!

— Acorda, mané! São três horas da tarde!

    Arregalando os olhos, deparei com o João e o Pedro quase em cima de mim. De pau na mão, a barriga e o peito denunciando a evidência de um copioso orgasmo, eu não sabia onde enfiar a cara, de tanta vergonha. Eu adormecera tão profundamente depois de me certificar que eles voltaram, que "apaguei" durante doze horas. Cirilo não voltara com eles, mas invadira meus sonhos de uma forma incrivelmente intensa e realista.


"Não sou de reparar em corpo de homem, mas..."


Comentários

  1. Olá, Marc. Voltei para ler mais este. É bem mais literário, não é? Não estou dizendo que é menos excitante, mas a carga erótica é deslocada mais para o final. Gostei da ideia do sonho. Fui atrás do ponto em que o sonho começa. Achei interessante. Continue!

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