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Menina Madura


Agarrada ao amante, ela geme sentindo-o fundo em seu corpo. É isso que a faz feliz, e não as horas de conversa infantil com a amiga Beth, filha única desse pai divorciado de quarenta e cinco anos que dá tudo de si para agradar a filha mimada que o conhece mal e explora muito. Arrastá-lo para fora do carro, espancá-lo ou prendê-lo não vai separá-los. Ela irá para onde ele for.

(...)

Carina percebera a "empolgação" do pai da sua amiga Beth numa vez em que ele resolvera mostrar-lhe a paisagem urbana que se via da janela da sala do apartamento do mesmo prédio, vinte andares acima do seu. Ela estava usando uma minissaia que ele notara ao surpreendê-la debruçada e olhando para baixo. Todo atencioso, ele dera um jeito de ir para junto dela e indicar lugares que ela estava cansada de conhecer: a torre da igreja da Imaculada, a padaria do Seu Ernesto, a mansão dos Bostanaro, o clube da cidade, etc. Ela percebera muito bem a agitação do homem e até contribuíra empinando-se toda enquanto identificava sem falhar cada lugar indicado por ele. O jogo durara alguns minutos e só fora interrompido pela voz da Beth chamando a amiga para irem conversar no quarto.

Daquele dia em diante, atraída pela perspectiva da diversão que ela poderia auferir da companhia simpática e insinuante do pai, ela passara a escolher criteriosamente os momentos em que a filha estava ausente para dar suas "incertas". Na primeira vez, ele a atendera reticente, dizendo-lhe com toda seriedade que a filha não estava em casa e mandando-a voltar mais tarde. Mas já na segunda visita, ele a convidara a entrar e esperar, fazendo sala para ela e trazendo-lhe um pedaço de bolo feito por ele e refrigerante, sentando-se em seguida estrategicamente na poltrona de onde ele podia admirar suas belas coxas morenas e, eventualmente, a calcinha branca entre elas, coisa que não passara despercebida da menina.

Na terceira visita, decidida a acelerar as coisas, Carina tirara a calcinha antes de sair de casa, entrando nervosa no elevador que a levaria ao vigésimo terceiro andar. Ao tinir da campainha, o homem precipitara-se até a porta, escancarando-a para convidá-la a entrar e instalar-se no sofá. Um pouco apreensiva por ter sido tão temerária, ela recusara o convite para sentar-se e fora novamente até a janela, mas evitara debruçar-se como da primeira vez. Ele então se aproximara e, pondo-se ao lado dela, abraçara-a pela cintura. 

Carina considerava o pai da amiga um homem atraente. Alto, vigoroso de corpo, mãos bonitas, voz profunda e olhar sedutor, ele correspondia bem ao que ela considerava seu tipo ideal. Sem falar da idade! Ser ele quarentão era para ela o atrativo máximo num homem. Ela já tivera uns flertes com homens nessa faixa etária e adorava neles a ausência total de hesitação no que diz respeito ao sexo. Saber o que querem era o que os diferenciava da rapaziada inexperiente e insegura que a impacientava e irritava tanto. Ao sentir o contato quente do corpo dele e a mão firme segurar-lhe a cintura, viera-lhe a certeza de que a sua iniciativa de ir lá naquele dia sem calcinha fora acertada.

Sendo pai de uma adolescente, Luciano (vamos chamá-lo assim) conhecia o vestuário feminino jovem. Ele logo percebera que por baixo da estreita saia plissada da Carina não havia qualquer tira ou elástico. Ele a olhara bem nos olhos e, vendo neles apenas consentimento, permitira que a sua mão deslizasse até abaixo da barra do saiote e pela primeira vez entrasse em contato com a pele sedosa da garota que, sem qualquer oposição, sorrira e deliciara-se com a sutileza da manobra.

— Ahá! Foi por isso que você não quis sentar, não é?, perguntara-lhe o homem olhando-a direto nos olhos.

— Mais ou menos, respondera ela, fingindo inocência.

Ele então dera-lhe um beijo tão profundo e buscara tão explicitamente o contato das línguas, que a menina sentira a vagina inundar-se momentos antes de acolher o dedo que começava a insinuar-se entre os lábios ao mesmo tempo que ele a tomava nos braços.

— Te quero, dissera o homem, já ofegante, entre um beijo e outro. 

— Eu ambém, sussurrara ela entre outros dois.

— Você é maior, nao é, menina?, disparara ele sem parar de beijá-la.

— Faço em dezembro. Prefere esperar?, retrucara ela cutucando-lhe a ereção.

Aos poucos, Carina fora sentindo-se tão à vontade que já chegava abraçando e beijando lascivamente o seu amante maduro. Ele a levava até o sofá onde a lambia até um primeiro orgasmo que lhe arrancava gritos e amolecia-lhe as pernas. Em seguida, ela concedia o que ele pedisse, geralmente uma felação ou a penetração na posição que ele escolhesse. Ela se habituara a telefonar para saber se podia ir lá, se ele estava sozinho. Muitas vezes ele cochichava ou ficava mudo, e ela entendia. Ele então alegava para a filha um erro de ligação. Mas quando estava sozinho, ele desandava a dizer coisas eróticas à sua jovem amante, prometendo sodomizá-la na mesa da cozinha ou penetrá-la na janela para rememorar os inícios, ou encher sua boca de esperma, ou ainda levá-la para o banheiro e dar-lhe um banho de urina. Ela então disparava até o vigésimo-terceiro andar e encontrava a porta destrancada.

Luciano gostava muito das felações, coisa que a Carina fazia, segundo ele, infinitamente melhor que muita mulher experiente, inclusive a sua ex. Eles punham-se em posição de 69 para que ela, ficando por cima, pudesse receber seu pênis no ângulo e profundidade certos. Com ela sentada em seu rosto, ele entregava-se ao cunilinguus e, vez por outra, espiava por baixo dela para ver seu membro sendo tragado até a base pela boquinha habilidosa da jovem. Enquanto ela se esmerava nos vaivéns cada vez mais profundos, ele devorava-lhe a vagina trabalhando com o polegar em seu ânus, preparando-a para o que ele mais gostava. Carina chupava até extrair a última gota de esperma, depois virava-se para que ele a visse engolindo.

Chegado o verão, os dois amantes bebiam inúmeros copos de água gelada e, como parte dos jogos eróticos, iam juntos ao banheiro para ver um ao outro aliviando-se. Quando era a vez dela, ele se aproximava para que ela o chupasse e isso os excitava. Naquele dia, eles repetiram a brincadeira umas tantas vezes e, em dado momento, ele a surpreendera desfechando um jato de urina em seu rosto. Ela tomara um susto, recuara levando a mão à frente para evitá-lo, mas ele limitara-se a dar um passo atrás e continuara a regá-la copiosamente.

    Inteligente, Carina entendera de pronto que aquele era um dos jogos sexuais possíveis e logo chamara Luciano de volta. Ele então lhe pedira que confiasse nele e provasse a sua urina. Ela aquiescera e descobrira que, bebida em abundância, a urina tornava-se, além de incolor, inodora e insípida. Eles repetiram várias vezes a brincadeira e em seguida ele lhe pedira que fosse ajoelhar no box do chuveiro, onde ele lhe dera um verdadeiro banho de urina que ela aproveitara para ensaboar o corpo e lavar o cabelo. Luciano também gostava de sentar-se sob ela para receber na boca a fina trança de urina quente, que ele bebia sem hesitar enquanto acariciava-lhe as coxas e as nádegas firmes.

Em certos momentos de proximidade, o casal de amantes chegava a confundir sexo e sentimento. Quando, profundamente sentada em seu colo, Carina olhava-o durante um orgasmo simultâneo, ela acreditava amá-lo e chegava a desejar engravidar dele. E embora o que ele sentisse não fosse completamente recíproco, momentos havia em que ele sonhava poder integrá-la à sua vida, delírio que era logo desmantelado pela imagem da filha que surgia abruptamente arrancando-o ao sonho e trazendo-o à força de volta à realidade.

Aos poucos, a afinidade entre eles tornara-se uma fusão que ambos tinham medo de nomear. Os meses se sucediam e o desejo só fazia aumentar. Carina sentia-se incompleta sem o sexo do amante no seu, e isso, sim, recíproco. A frequência dos encontros aumentara à custa de encurtá-los. Horários incompatíveis e as famílias os impediam de encontrar-se fora dali, então eles marcavam encontro no próprio prédio unicamente para abraçar-se e beijar-se, inventando pretextos como ir até a portaria, a garagem ou as lixeiras.

A grande ansiedade e a vigilância insuficiente não ficaram sem consequência. Certo dia, por volta das oito da noite, o encontro se dera dentro do carro dele, na garagem. Como os beijos furtivos já não bastassem, o carro passara a servir de último reduto. Ele ocupara o assento do passageiro, ela sentara-se em seu colo e eles amavam-se beijando-se de olhos fechados. Um brevíssimo instante de alerta em que ele abrira os olhos bastara para que o rosto colado à janela não desse margem à dúvida. Era o pai.

(...)

Seis anos depois, agora recém-casada, olhando com ar sonhador pela janela da sala da casa nova, ouvindo apática o murmúrio do tráfico incessante e frustrada com a relação conjugal socialmente aplaudida e obviamente incompleta, Carina rememora o ano que a tornou mulher e a fez descobrir um sentimento que tomava todo o espaço da palavra não dita.




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