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Excentricidades Notívagas


Ela vinha pela calçada, cercada por quatro amigos da mesma faixa dos vinte anos, enquanto eu ia em sentido inverso preparando-me a passar por eles, inquieto com a possibilidade de ter sido notado a olhar as coxas que ela exibia integralmente.

Quando o grupinho passou, certifiquei-me de que ninguém me veria e virei-me discretamente para renovar as sensações geradas pela imagem daquele corpo vestido em trajes minimalistas. Com mais de um metro e setenta, pernas imensas, cabelo ruivo atado em duas tranças demodê, ela estava usando um top que mal cobria os seios, uma microssaia que deixava as polpas de fora e nos pés o tênis-fetiche da estrela branca, tudo em estrita obediência aos preceitos atuais do delicioso vestir que apelidei carinhosamente de "desleixado".

Eram onze e meia da noite e eu estava à toa. Resolvi dar meia-volta e segui-los. Eles percorreram algumas quadras, entraram numa transversal e, sem mudar de calçada, dirigiram-se a uma casa onde uma ruidosa festa parecia estar começando a esquentar. Verifiquei que havia convidados na faixa dos quarenta e entrei "de penetra" decidido a descobrir um pouco mais sobre a minha valquíria pernalta. 

No salão, cerca de trinta pessoas conversavam e bebiam em pequenos grupos. Ninguém veio acolher-me, sinal de que "amigos de amigos" deviam ser bem-vindos ainda que desconhecidos dos anfitriões. Pude até servir-me de uma cerveja ainda gelada esquecida na mesa do bufê. Localizei o grupinho e dei um jeito de observar à distância.

À certa altura, luzes multicolores de holofotes e flashes estroboscópicos multiplicarm o ritmo dos decibéis que dispararam. A maioria dos convidados animou-se e Renata - vamos chamá-la assim - pôs-se a dançar no centro de uma rodinha formada pelos amigos. A música indie, o álcool e certamente algumas drogas não tardaram a produzir, para um espectador como eu, um efeito de massa em transe. Para Renata e seus amigos, a ocasião deu pretexto à intimidade. Dançando de braços erguidos, exibindo as axilas úmidas e perfeitamente depiladas, ela exercia sobre eles um poder de sedução tal que eles a beijavam no rosto, na boca, no pescoço, na nuca, nos ombros.

Curioso para saber até onde iria a ousadia do grupinho, aproximei-me discretamente do canto da sala ocupado por eles. Renata parecia acalorada, de rosto vermelho e brilhante, um pouco agitada devido às solicitações constantes dos seus sequazes. Embora eu não conseguisse perceber neles evidências, digamos, "anatômicas", via claramente que ela os tocava e os incitava a abraçá-la por trás, envolvendo-a pela barriga desnuda e acariciando-lhe os seios por fora do top. A atmosfera logo incendiou-se e intuí que a noite dos cinco amigos seria tudo menos breve.

Eles dançaram algumas músicas até que, alegando cansaço, Renata foi sentar-se num sofá colado à parede e imerso no lusco-fusco das sombras oscilantes. Dois dos seus amigos a seguiram e logo começaram a beijá-la, acariciando-lhe as coxas negligentemente abertas, percorrendo-as até a convergência que a saia já não escondia. Ela limitava-se a evitar incursões mais ousadas repelindo-os com as mãos sem deixar de beijá-los. Ninguém além de mim parecia dar maior atenção à cena.

À certa altura, um dos rapazes levantou-se enquanto Renata e o outro continuavam a beijar-se vorazmente. Ele pôs-se de frente para os dois, dando as costas aos que dançavam, olhou para um lado, para o outro e, embora eu o visse de viés, tive a certeza de que ele levou a mão à braguilha. O que a cena sugeria pareceu-me, no entanto, dificilmente concretizável.

Em virtude da posição do sofá, não consegui encontrar ângulo mais propício, mas tudo levava-me a crer que a Renata passara a acariciar diretamente o sexo do seu amigo, etapa que durou alguns segundos, sendo logo seguida pelo que me pareceu ainda menos praticável em meio àquela efervescência humana. Sentada à borda do sofá e aproximando-se ao máximo do seu amigo, Renata pôs-se a mover a cabeça de um modo que não deixava margem à dúvida. Ao mesmo tempo, o outro rapaz continuava a acariciá-la entre as coxas, a beijar-lhe a nuca, a afagar-lhe os seios. Minha excitação foi aos píncaros, mas só pude apaziguá-la empunhando meu membro por dentro do bolso.

Renata estava entregue à felação há cerca de dois minutos quando o amigo favorecido pôs-lhe a mão na cabeça, detendo-a. Dando o que me pareceu ser prova de bom senso, ela aquiesceu, recuando, mas aquele que estava ao seu lado veio imediatamente cochichar-lhe alguma coisa no ouvido, alguma coisa que a fez soltar uma gargalhada nervosa, evidentemente inaudível na sala agora imersa em música tecno. Os três entreolharam-se e, após esse breve instante de interrupção, ela voltou à carga com redobrada convicção. Segundos depois, pude vê-la debater-se, as mãos aflitas espalmadas às coxas do amigo de pé enquanto este tentava mover-se o menos possível, certamente para não chamar a atenção. A manobra, é claro, foi percebida por alguns, mas não notei qualquer atitude reprobatória. Enquanto Renata enxugava os lábios com as costas da mão, os rostos dos três amigos irradiavam satisfação vitoriosa e bom humor.

    A noite do quinteto prometia ser longa, mas eu não imaginava o que fazer para continuar a observá-los. Eles ainda conversaram animadamente durante longos minutos, em seguida dispersaram-se. Renata dançou com alguns dos presentes, os dois rapazes envolvidos na insana brincadeira foram fumar no jardim e não voltei a ver os dois últimos. A animação da festa assim como o número de convidados só fazia aumentar. Para este notívago chegara a hora de dar por encerrada a aventura excêntrica.







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