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Tatuagem 4


4. Fruto proibido

Rebeca conta ansiosamente os dias até a data da nova sessão de tatuagem. Dessa vez, ela vai expor-se um pouco mais e está ansiosa.
– Vai ser de que lado? pergunta-lhe Cátia, olhando seus seios.
– Do lado direito, para não ficar do mesmo lado que o dragão.
– Faz sentido. Está preparada para mostrar tudo ao Henrique?
– Não, mas fazer o quê? retruca ela, conformada.
– A gente já conversou sobre isso.
– Eu sei, eu sei... Vamos indo.

Muito profissional, Henrique já está à espera quando elas chegam. Ele não esboça a menor reação aparente quando Rebeca, num ato de bravura, tira a blusa desta vez diante dele, expondo-lhe seus seios redondos, muito firmes, de mamilos róseos.
– Mas eu vou ter que ficar assim? pergunta ela, intimidada.
– Não, não, Rebeca. Vou cobrir teu busto e trabalhar por uma abertura, mas antes preciso ver tudo para posicionar o desenho. Hoje vai ser rápido; termino no máximo em duas horas.

Enquanto Henrique decalca a pequena maçã com haste e uma folha em seu seio nu, Rebeca não pode deixar de experimentar uma leve excitação, suficiente para intumescer-lhe o mamilo. Isso a encabula, mas Henrique evita habilmente que ela se dê conta de que ele percebeu essa reação física, conversando com ela sobre outros assuntos, mas cada vez que ela descruza as pernas para alterná-las, ele vê suas coxas até quase a calcinha. Ele gostaria que ela fizesse como várias de suas clientes, que chegam a pedir-lhe que as "relaxe", entreabrindo as pernas e oferecendo-se aos seus dedos de artista, mas Rebeca, ainda que esteja em sua quarta sessão e com a pele das coxas visivelmente arrepiada, persevera em manter-se recatada. Ela suporta corajosamente o trabalho da agulha, mas de vez em quando suas mãos se crispam ao lado das coxas e sua respiração imprime um movimento ao peito que chega a perturbar o seu tatuador.
– Estou mexendo demais, não é? pergunta ela, encabulada.
– Que nada! Prefiro trabalhar num corpo vivo! responde ele, dando-lhe uma piscadela enquanto envolve seu seio com a mão para melhor posicionar a tatuagem.
– Você toca em mulher o dia inteiro, não é? pergunta Cátia, de pé do lado oposto a ele, percorrendo com os dedos a coxa de Rebeca.
– É, mas em homem também, responde ele, torcendo teatralmente o nariz.
- Para, Cátia! Está me dando nervoso! grita Rebeca, sacudindo a perna.
– Mas você já teve que fazer tatugem "lá" em algum cara? torna Cátia, ignorando a amiga.
– Algumas vezes.
– E aí? indaga Rebeca, interessada.
– "E aí" o quê?
– Fica duro? insiste ela.
– Às vezes sobe sozinho, às vezes não, mas como a tatuagem tem que ficar perfeita, tenho que verificar dos dois jeitos.

As amigas entreolham-se rindo. Cátia sabe que Henrique é bissexual e que isso lhe convém, ao contrário de Rebeca que, ainda incrédula, insiste em vê-lo como heterossexual convicto e mulherengo inveterado. Picada pelo tridente de um diabinho invisível, ela aproveita o ensejo para entreabrir quase indistintamente as pernas e coça o alto da coxa para que a saia chegue um pouquinho mais para cima. Henrique percebe tudo antes mesmo que ela procure descobrir nele o efeito da sutil manobra. Pretextando ir pegar mais algodão numa estante, ele dá a volta à cama e consegue, ao voltar, distinguir a marca da fenda impressa na calcinha bem ajustada. Em mais uma ou duas sessões, conjetura ele, Rebeca estará completamente à vontade. Concentrando-se, ele se esmera nos detalhes de cor, luz e reflexos que ele planejou para enriquecer essa tatuagem em si das mais simples.
– Prontinho! diz ele, afastando-se sem descobri-la.
– Deixa eu ver! exclama Cátia, debruçando-se sobre a amiga e puxando o lençol imaculado.
– Ei! protesta Rebeca, já constatando ser tarde demais.
– Relaxa, cara! diz a amiga. Todo mundo viu o teu peito! Agora curte a tatuagem e deixa de frescura!
– Tá legal, tá legal... conforma-se ela, colando o queixo no peito para ver a maçãzinha muito bem feita, vermelha e reluzente, com uma linda folha verde na haste curta, a poucos centímetros do anel rosa escuro que circunda o mamilo ainda ereto.
– Está linda! Super bem feita! exclama Cátia.
– Obrigado, diz Henrique, ao mesmo tempo lisongeado e embevecido.

Rebeca levanta-se e caminha até o espelho, pela primeira vez sem procurar cobrir os seios. Henrique afoga-se na imagem que lhe encharca as retinas. Uma minissaia de tecido frouxo é a única barreira que impede ao corpo deslumbrante da jovem de revelar-se quase por inteiro. Como ele gostaria de poder atirá-la no sofá e abrir-lhe as pernas para mergulhar entre elas e provar com a boca o fruto proibido que ele acaba de representar sob forma de maçã! Ele procura dissimular a ereção passando por trás de uma cadeira e levando discretamente a mão à calça para retificar o membro.
– Adorei! exclama Rebeca, virando-se para ele, exultante.
– Obrigado! Quando é que você volta para a próxima?
– Agora fiquei dura, mas mês que vem posso fazer outra, pequena.
– Legal! E o que vai ser?
– Uma letra japonesa na nuca, diz ela enquanto procura o sutiã.
– Tranquilo, Rebeca. É só você escolher a letra que a gente faz numa sessão. Me escreve dizendo qual, está bem?
– Tudo bem.

Eles se despedem e as amigas saem. Caminhando juntas pela Visconde de Pirajá, Cátia está feliz com a crescente maturidade da amiga. Seu sonho seria poderem andar de mãos dadas, mas ela sabe que o Rio ainda não está preparado para isso. Seu aspecto de "garçon manqué" suscitaria comentários indesejáveis da turba de boçais antiquados que pululam nas ruas. Ela se conforma e aproveita o momento de harmonia e felicidade com essa amiga que ela admira cada vez mais.


"...e provar com a boca o fruto proibido..."

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