2. Operação Dragão
Depois do impacto causado pelas tatuagens que Henrique lhe mostrou em
seu próprio corpo, Rebeca decide começar pelo dragãozinho inspirado no Trono de Ferro, a ser tatuado na
omoplata esquerda.
– Vou precisar de três sessões para ele, tudo bem? pergunta o tatuador.
– Por mim, tudo bem.
– Ótimo! Você vai tirar blusa e sutiã e se deitar naquela cama alta.
– Blusa e sutiã? diz ela,
enfatizando bem o "e".
– É, Rebeca, toda a parte de cima. Quem quer tatuagens não pode ter
vergonha da nudez, está bem? É bom você ir se acostumando, até porque você vai
esbarrar com um bocado de gente seminua pelas salas dos tatuadores. Hoje em
dia, as pessoas estão tatuando o corpo todo e, dependendo do caso, quando uma
sessão acaba, a última coisa que algumas querem fazer é tornar a vestir a
roupa.
– Eu te avisei, Rê! diz Cátia, dando um sorrisinho.
– Está bem, gente, entendi! Então vira para lá, Henrique.
– Dessa vez eu viro, mas só dessa vez!
– Está legal, prometo que aprendo rápido.
Rebeca tira rapidamente o top pela cabeça, em seguida o sutiã, dá uma
ajeitada no cabelo e vai deitar-se de bruços na cama revestida de curvim preto
que Henrique cobriu com um lençol descartável recém-saído da embalagem
plástica.
– O dragão é na omoplata esquerda, então?
– É, responde ela.
– Deitou do lado certo, menina; ponto para você!
– Uau! Estou impressionada, brinca a Cátia.
– Gente, estou inibida, mas não sou burra!
Henrique não pode furtar-se a arriscar umas olhadelas aqui e ali, ora
para a lateral dos seios premidos contra a cama, ora para as coxas de Rebeca,
cuja saia mal oculta as duas deliciosas polpas que a calcinha, enfiada no sulco
devido aos movimentos naturais do corpo, não pode conter. Mas ele está
acostumado; ela é só mais uma jovem que se inicia com ele na rotina de se
tatuar e, embora ele se mantenha discreto, sabe que a inibição logo será
rompida pelo primeiro contato com a agulha porque a dor sempre fala mais alto
que o pudor.
– Você sabe que dói um pouco, não é, Rebeca?
– Sei, a Cátia me conta tudo, cada vez que ela se tatua.
– Legal. Então vai ser mais fácil. Vou decalcar o desenho e começar hoje
mesmo a tatuar.
– Tudo bem.
O início é como sempre um tanto penoso, mas assim que Rebeca começa a
acostumar-se às novas sensações, Henrique pode concentrar-se totalmente,
deliciando-se com os curtos sobressaltos acompanhados de gemidinhos quase
voluptuosos que ela solta vez por outra e que vão imperceptivelmente fazendo
com que a saia suba cada vez mais um pouco.
– E aí? Dói muito? pergunta ele.
– Nem tanto... Ai! Um pouquinho, haha! Mas dá para aguentar.
De vez em quando, Cátia vem ficar do outro lado da cama, debruçada sobre
Rebeca, com uma mão pousada em sua coxa, para assistir ao trabalho e dar-lhe
apoio moral. Essa proximidade entre as amigas excita agradavelmente Henrique,
cuja concentração é interrompida aqui e ali por um suave e eventual pulsar do
sexo que Rebeca tenta adivinhar calada, a cabeça a poucos centímetros da
cintura do rapaz. Ela indaga-se quanto ao poder de sedução do seu corpo
displicentemente entregue aos cuidados do tatuador. Ela imagina um membro grande
e indócil estreitado no bojo exíguo de uma cueca slip, curvado em bola sobre si
mesmo ou, quem sabe, armado como uma barra de aço numa diagonal que aponta para
a liberdade. Ela o tocaria se não fosse inconveniente, se ela não soubesse que
Henrique reagiria de modo imprevisível e que Cátia explodiria no riso
escancarado que lhe é tão peculiar. Ela então limita-se a percorrer com os
olhos a costura da calça do rapaz colado à cama e tão próximo dela que é
possível sentir-lhe o calor do corpo. E as horas se passam assim, perceptíveis
apenas pelo zumbido intermitente da máquina de tatuar.
– Pronto, o contorno e os detalhes mais importantes na barriga e nas
asas abertas do dragão estão feitos, anuncia Henrique. Acho que duas horas está
muito bom para uma primeira vez, diz ele, afastando-se para contemplar a obra.
– Vai ficar sensacional, Rebeca! exclama Cátia, olhando entusiasmada. Vai
lá ver no espelho!
Rebeca levanta-se tapando os seios e sentindo-os entumescidos nas palmas
das mãos. Ela caminha até um grande espelho fixo na parede. Diante dele, ela
vê-se de costas para Henrique, que não esconde um sorrisinho condescendente
pela sua atitude recatada. Ela entende a mensagem, mas ainda não se sente
preparada para estar nua diante dele. Sem tirar as mãos dos seios, que o rapaz
adivinha bem feitos e apetitosos, ela se vira e, dando as costas para o
espelho, olha para trás para contemplar essa primeira etapa da sua primeira
tatuagem.
– Está ficando lindo, Henrique! exclama ela, entusiasmada.
– Gostou? E quando é que você pode voltar? Acho que termino na próxima.
– É sério? Oba! Estou livre à tardinha e aos fins de semana. Você vem
comigo, Cátia?
– Eu disse que não posso vir durante a semana nem no fim de semana que
vem, mas você não precisa de mim.
– É, Rebeca, agora você já sabe como funciona, reforça Henrique.
– Bom, vamos ver, responde ela, fugindo do espelho e dando as costas a
ambos para repor o sutiã.
Na volta para casa, as amigas conversam animadamente sobre essa primeira
sessão, sobre a primeira tatuagem de Rebeca e, claro, sobre Henrique, que
causou nela a melhor das impressões. Ela revela à amiga que a inibição não a impediu de fantasiar quando
estava a dois dedos do corpo do rapaz, e as duas riem conjeturando sobre o pênis
dos tatuadores que, segundo Cátia, deve ser tão tatuado quanto o resto do
corpo.
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| "Quem quer tatuagem não pode ter vergonha da nudez..." |

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