Observando o seu jovem ajudante à distância,
Wanderlei, empregado responsável por um rebanho de carneiros de uma imensa
fazenda em Mato Grosso ,
matuta em silêncio.
"Como trabalha, esse
Davi, sô! Se até agora não perdemos nenhuma ovelha,
foi graças a ele. Elas correm, mas ele é esperto e consegue sempre dar um jeito
de cercar os bichos pouco adiante, no rio ou na entrada do matão. Sem ele, eu
não daria mais conta do trabalho.
(...)
Coitado! A roupa dele está mesmo em frangalhos. Dá para
ver tudo pelos rasgões no short, mas acho que é a única roupa de trabalho que
ele tem. Ele diz que não liga
porque trabalha no pasto e só os carneiros vêem. Nem os pés ele protege para
sair correndo atrás desses bichos; não sei como ainda não levou mordida de cobra!
(...)
Bom, acho que as
ovelhas aquietaram. Vou lá levar uma prosa com ele."
— Fale, Davi! Dia cheio, hein?
— É, esses bichos não sossegam. Está cheio de jacaré
no rio, mas elas teimam em ir para longe.
— Liberdade, liberdade… Isso sempre atraiu todo mundo,
até bicho.
— Verdade.
— Tá precisando de roupa, peão!
— Tô não. Isso aqui ainda dá pro gasto, com só nós
dois aqui.
— Você diz isso porque…?
— É, ara. Não tenho mais nada pra esconder do moço não.
— Pois para mim está bom assim, não ligo não.
— Acho que você é o único que não bate em ajudante, o
resto apanha direto. Viu o Ezequias ontem? Tomou tanta bordoada porque não quis
subir com o Tião, que hoje nem saiu da fazenda.
— Aquele Tião é um animal. Ele já quase matou um
ajudante, você está sabendo, não é?
— Mais ou menos. Parece que mandou currar um deles,
foi esse?
— Ele mesmo. Ele fez o cabra entornar um litro de
purinha do alambique e ele e mais cinco ficaram revezando até quatro da matina.
— Você estava lá? Viu alguma coisa?
— Eu ajudei a acabar com aquilo, no finalzinho, quando
o Ezequias já estava quase morto. Ele estava tão mole que teve que ser
carregado até o quartinho da cozinha pra Zenaide cuidar. Ele ficou lá uma
semana.
— Só você e mais uns três ali são gente boa. O resto…
— Mas no início você também não gostou muito de saber
que o teu trabalho não ia ser só pegar ovelha desgarrada, né peão?
— Claro que não. A sorte foi que eu trabalhei com o
Doca e agora com você. Nisso eu dei sorte, pelo menos.
— Dizem que o Doca deixava fazer nele também. É
verdade?
— É sim. Ele gostava que metesse nele às vezes. Mas eu
não gostava porque ele era todo peludo e meio gordo de tanta cana e cerveja; eu
achava pior do que dar pra ele!
— Pelo menos era mais justo.
— Isso era!
— A primeira vez foi muito ruim?
— Eu estava tão cansado quando ele foi me acordar! Eu
estava dormindo e ele veio, agarrou no meu braço e foi me puxando para o
banheiro grande. Não entendi nada, fui deixando ele me levar quase arrastado,
até que a gente entrou e nem fechou a porta a chave porque sabia que eu não ia
gritar. Aí ele me colocou debruçado naquela cômoda branca, baixou meu short e
mandou lenha.
— E…?
— E nada. Você sabe como o Doca é forte, né. Fiquei
ali, imprensado entre ele e a cômoda, sem poder fazer nadinha. Eu falavava pra
ele ir devagar, mas ele nem me escutava mais. Ele lascou a mão cheia de sabão e
começou a enfiar a jeba em
mim. Não demorou muito pra gozar forte, tirou, lavou na pia e
foi embora dizendo pra eu me lavar rápido e voltar para a cama porque no dia
seguinte ia ser dia de tosa. Ele não me bateu, ficou o tempo todo falando que
estava gostando e que ia querer todo dia.
— E ele tava certo, o peãozinho é gostoso que dói
mesmo! Fiquei até de troço duro aqui, só de ouvir. A gente vai poder fazer hoje?
— Ué, se quiser… O moço é quem manda.
— Entre a gente não tem disso não, Davi. Quando um não
quer, dois não brigam.
— Mas eu quero!
De fato, além de curto, o short de Davi está em
petição de miséria. De pé, descascando um arbusto com a peixeira e mastigando
pedaços de casca úmida, ele está de lado para Wanderlei, que pode ver seu corpo
praticamente inteiro. Sentado ao pé de um arbusto vizinho, o homem contempla
suas coxas lisas e o amplo trecho da lateral das nádegas que transparece pelo
rasgão do short. Ele sente o membro agitar-se dentro da surrada jeans de
trabalho. Ambos sabem o quanto estão longe dos outros e isso os deixa à vontade
para prolongar esse jogo de sedução dissimulado. Wanderlei acaba abrindo a
calça e exibindo a tora de dezoito centímetros que ele sopesa com a mão direita
enquanto procura o olhar do rapaz. Davi sorri e sente por dentro um tremor de
excitação que lhe percorre o corpo e vem terminar na base da espinha, induzindo
pequenas pulsações anais. Wanderlei lhe pede que tire o short. Sem sair do
lugar, ele faz descer pelas pernas a peça rota, livra-se dela e fica
completamente nu, exibindo o perfil enquanto olha para a mão do seu companheiro
e superior hierárquico.
— Quer vir pegar? pergunta Wanderlei.
— Quero, uai! responde ele, ainda encabulado.
— Não se acanhe, diz o outro convidando-o a sentar-se.
Davi senta-se no chão ao seu lado e o homem tira a mão
do pau, que fica dançando e pulsando no V ondulado da braguilha aberta. Davi o
empunha e começa a masturbá-lo de leve.
— Quando a gente faz, você bota ele inteirinho em mim?
pergunta o peão, uma vez mais admirado com as dimensões do membro do parceiro.
— Todinho! O peão não sente, não?
— Não dá pra sentir que é todo, não. Então entra muita
coisa!
Davi acaricia o membro de Wanderlei e, levando sua mão
o mais para trás possível, surpreende-se ao descobrir a pélvis completamente
lisa.
— Raspou tudo por quê?
— Aproveitei a época da tosa! Fiz para você não ter
nojo.
— Não precisava, moço! Ligo pra isso não.
Enquanto termina sua frase, Davi passa a mão pelo
lugar anteriormente recoberto de uma densa camada negra de pelos crespos. Tudo
está perfeitamente liso. Ele pede a Wanderlei para baixar mais a calça, o que o
peão faz dando meia cambalhota para trás e exibindo a bunda branca e magra, com
o saco entre as pernas, também sem um pelo. Davi está realmente surpreso com
essa depilação completa. Ele jamais viu isso, e o corpo de Wanderlei está
parecendo anos mais jovem, o que não deixa de alegrá-lo.
— Tá com quantos anos, Wanderlei?
— Vinte e nove, por quê?
— Pensei que fosse muito mais.
— Tô parecendo tão velho assim, é? A gente pega ruga
cedo labutando desse jeito. E você, quantos anos, peão?
— Dezoito.
— É, o seu Sílvio capataz só emprega de maior. Menino
novo não aguenta com essa vida não.
Wanderlei, muito excitado, está ansioso para que Davi
lhe faça a coisa que ele mais gosta e que eles só realizam quando conseguem encontrar-se
à noite, perigosamente, em um dos cômodos vazios do anexo da fazenda ocupado
pelos empregados. Pousando um braço nos ombros de Davi, ele sinaliza o seu
desejo. O peãozinho entende e, acomodando-se na grama, curva-se sobre sua
cintura, envolvendo a glande encharcada com os lábios. Wanderlei geme enquanto
o observa chupar lentamente o seu membro, empunhando-o pela base. Ele gosta da
calma de Davi, do toque leve dos seus lábios, da língua percorrendo-o com vagar
e do ruído tranqüilo da saliva. Davi sabe que é esta calma que vai levando a
excitação do seu parceiro ao máximo, deixando cada fibra do seu sexo
completamente rígida, pronta para a etapa seguinte, que ele foi lentamente
aprendendo a apreciar tanto, a esperar tão ansiosamente desde que, há seis
meses, começaram a trabalhar em equipe.
Deitado, Wanderlei fecha os olhos, deixando-se invadir
pelo êxtase que se irradia a partir da boca quente do peãozinho. Este empunha
seu pau na vertical e, de joelhos no mato rasteiro, faz amplos movimentos de tronco,
subindo e descendo para percorrer o quanto pode a longa verga com os lábios. Isso
vai deixando Wanderlei num estado crescente de excitação que o força a levar
uma mão à cabeça de Davi para tentar retê-lo um pouco, fazer com que vá mais
devagar. Ele observa o flanco desnudo do seu ajudante sentado sobre as pernas e
tão aplicado em dar-lhe prazer. Ele acaricia-lhe as coxas e puxa gentilmente
aquela que está mais próxima para que Davi as abra um pouco. Também muito duro,
o membro do peão estremece ao primeiro toque. Vanderlei o manipula durante
alguns instantes, mas seu próprio desejo é tamanho que ele logo abandona a
diversão e olha significativamente para o rapaz. Obediente, Davi passa então
uma das pernas por cima dele e vem instalar-se praticamente sentado sobre seu
rosto enquanto continua a chupá-lo com devoção. Wanderlei admira de perto a
bunda linda e o sombreado no centro do sulco branco perfeitamente liso. Ele
repousa as mãos sobre as panturrilhas de Davi e abocanha-lhe o saco, chupando-o
e mordiscando-o, encharcando-o de saliva. Isso exita Davi, que se oferece todo,
permitindo que o cu aflore, um orifício bem feito e desejável, ligeiramente
aberto, que já não oculta as repetidas penetrações, como um funil de pele
rosada. Agarrando os dois gomos carnudos com as mãos, ele força Davi para
baixo, sentando-o quase em seu rosto, e põe-se a lamber vorazmente o rego e o
cu.
Davi se abandona sobre o corpo do seu homem, a barriga
e peito completamente colados a ele enquanto sente as linguadas fortes cutucarem-lhe
profundamente o cu cada vez mais receptivo e pulsante. Ele continua chupando o
pau grosso e duro do seu protetor, acariciando-lhe o saco e as coxas. Do lado
oposto, Wanderlei aplica um polegar no orifício enquanto, com a boca, continua
a trabalhar o saco. O dedo desliza facilmente para o interior, sendo logo
submetido à pressão da musculatura do anel que pulsa sem cessar. Davi imprime
instintivamente um movimento de vaivém ao seu corpo enquanto sente seu saco ser
devorado por Wanderlei. Ele passa uma mão pela pelvis do seu protetor, agora
lisa, lambe-a, percorre a tora de baixo para cima, de cima para baixo, abocanha
a cabeça, sentindo-se enlouquecer de tesão com o dedo em seu cu e a boca quente
em seu saco, oferecendo-se mais e mais sobre o rosto de Wanderlei. Ele anseia
pelo momento em que seu mentor decidirá que é hora de por fim às preliminares e
comecar uma vez mais penetrá-lo fundo com esse verdadeiro cabo de enxada que
ele tem na mão.
— Num tô mais güentando, sô! diz o Davi, olhando pra
trás.
Praticamente no mesmo instante, Wanderlei lhe dá um
empurrão lateral que o tira de cima dele. Divertido e excitado, David se apruma
e fica de quatro na relva, oferecendo ao homem a bunda redonda e lisa que coroa
seu belo par de coxas firmes e musculosas. Wanderlei vem cobri-lo como um
cavalo, pondo-se de joelhos por trás dele, empunhando o membro em riste e
imediatamente aplicando a grossa cabeça molhada na entrada. Davi flexiona os
braços e cola a orelha na relva, como se quisesse escutar alguma coisa. Relaxando
completamente as costas, ele aguarda ansiosamente o momento tão desejado. Wanderlei
não se faz esperar e assim que sente seu membro bem acoplado ao orifício,
começa a empurrar lenta mas continuamente. Davi aperta os olhos para suportar
essa primeira incursão e sente a poderosa glande abri-lo. Assim que ele se
sente firmemente encaixado, Wanderlei puxa Davi pela cintura. Duas lágrimas
grossas enchem os olhos do peãozinho, mas ele já aprendeu que a etapa seguinte
compensa largamente o sofrimento inicial. Seus olhos choram mas sua boca sorri
e ele ajuda o seu homem com as mãos, mantendo as nádegas bem abertas. Wanderlei
sente o coração bater e o freio da glande repuxar-lhe a gorda cabeça que acaba
de entrar completamente no cu que a devora com sofreguidão, pulsando
incessantemente. Ele redobra de excitação ao vê-la desaparecer pelo buraco
dilatado cerca de cinco centímetros. Davi sabe que em segundos o trabalho da
lubrificação será perfeito e não haverá mais nenhuma resistência. Um último
tranco obriga-o a firmar-se com as mãos no chão e Wanderlei colide com ele
anunciando que entrou tudo. Davi leva uma das mãos atrás para tocar nesse
corpo que o invade, conjeturando que seria possível amarrar uma ovelha furiosa
aos poucos centímetros que restam fora dele, de tão duro. Voltando a pousar as
mãos na relva fresca, afrouxando todo o seu corpo para que nada seja obstáculo
ao trabalho do seu homem, ele fecha os olhos e espera. Wanderlei inicia
então movimentos de cintura até que o seu pau comece a deslizar dentro de Davi.
Os amplos movimentos de vaivém que Davi tanto aprecia não tardam a se iniciar. De
rosto colado na relva, ele tem uma bizarra visão do campo, de patas de ovelhas,
de arbustos, do rio ao fundo, embalado pelo doce balanço provocado por
Wanderlei que, nesta fase, torna-se lento e suave como a paisagem que os cerca.
Nas primeiras penetrações, Davi sempre sente como se seu corpo ainda não
estivesse pronto a acolher o avantajado membro do amigo. Em seguida, o prazer
toma conta e custa-lhe a acreditar que ele possa ficar por vezes dias sem
experimentar essa sensação tão única.
Embalado pelo
movimento, Wanderlei entra numa espécie de delírio e diz coisas irrealizáveis,
revela sonhos, faz projetos fantasiosos sobre Davi em sua vida. Ele já lhe
disse que se pudesse sustentá-lo, não o deixaria trabalhar e o mandaria para a
escola fazer o secundário ainda que muito atrasado. Falou-lhe de uma idéia de
reconstruir uma casinha que uma enchente destruiu há anos, agora em ruínas. Falou até de
largarem as ovelhas para ir vaquejar de verdade nalguma outra fazenda. Durante
os longos momentos como esse, que podem chegar a quase uma hora, Wanderlei já
lhe fez confissões, já lhe falou de seus aborrecimentos, de suas frustrações,
de sua falta total de perspectiva. No início, Davi pensava que essa fosse uma
maneira de manter-se excitado sem gozar, mas logo reparou que o rosto de
Wanderlei se transfigurava, atingindo uma calma que não era a habitual, uma
calma que lhe permitia falar de tudo, de bom e de ruim, sem parar de provocar-lhe,
a ele, Davi, um prazer indizível e crescente. De joelhos, as coxas peludas
contra as suas, ele parecia poder ficar ali, naquele movimento oscilatório, por
uma eternidade. Havia dias em
que Davi suportava mais, outros menos. Às vezes isso o deixava
impaciente e ele queria que o orgasmo irrompesse e Wanderlei o agarrasse com
força até enchê-lo como um afluente caudaloso, fazendo-o gozar também, no
finalzinho, junto com as últimas estocadas. Ah! Como é gostoso
senti-lo todo dentro e gozar! Mas hoje Davi está num dia de paciência, com
vontade de sonhar junto com o seu homem que o penetra infinitamente.
— Você é melhor que muita mulher, peãozinho!
— O moço acha mesmo?
— Vou lhe contar uma história…
E eles ingressam perdidamente no sonho erótico, ao longo
do qual Wanderlei garante que não há nada melhor do que poder ficar fazendo
aquilo em silêncio, só ouvindo o balanço das folhas ao vento e o balir
ocasional das ovelhas. Ele ilustra o que diz calando-se e deixando que a brisa
e a presença dos animais convençam o seu jovem interlocutor, que ele puxa para
si pelo alto das coxas como se pudesse enfiar mais de dezoito centímetros
dentro dele. Ele lhe diz que isso é impossível quando se deita com mulheres,
que não entendem a "mentalidade" de um homem. Davi mantém-se de olhos
fechados e não se esforça muito para tentar intepretar as lucubrações do
parceiro, deixando que sua voz se dilua no vento e no barulho das árvores para
concentrar-se na deliciosa sensação provocada pelo vaivém regular do corpo dele
no seu. Ele só volta a prestar atenção a Wanderlei quando este lhe diz coisas
que o excitam, como os elogios ao seu corpo tão jovem mas já tão forte,
especialmente a bunda, que ele afirma jamais ter visto mais gostosa. Aliás,
quando chega a esse ponto, ele costuma fazer uma interrupção, beija-lhe cada
banda da bunda linda, pedindo-lhe que permaneça na mesma posição, afastando-se
e contemplando embevecido. Davi aproveita a ocasião para estender-se na relva e
ficar languidamente deitado até que Wanderlei se jogue em cima dele e volte a
penetrá-lo assim, de bruços. Davi adora sentir o peso do seu corpo e sua voz
que lhe faz cócegas no ouvido. Ainda deitado, ele se apoia nos joelhos e empina
levemente o traseiro, apenas para elevar-se um pouco e facilitar a penetração. Wanderlei
entra nele com força e só pára quando o ouve gemer. Aí recomeça a mexer, desta
vez em estocadas intensas que dão a Davi o sinal de que o gozo está próximo.
Para o orgasmo, Wanderlei gosta de pô-lo de quatro e
penetrá-lo, quicando sobre a garupa enquanto o pau forçado para trás se perde
no cu, alargando-lhe as entranhas. Davi fixa-se no chão agarrando o mato e
deixa-se cavalgar assim até que o seu garanhão entre na fase que antecede o
orgasmo e lhe dê estocadas tão vigorosas que o fazem contorcer-se e gemer,
quando não berrar a ponto de despertar a atenção das ovelhas. Nessa etapa, seu
próprio sexo geralmente pende entre as pernas, momentaneamente esquecido. Wanderlei,
no auge da excitação, invade furiosamente o seu cu, por vezes saindo completamente
e voltando com carga máxima. Davi tenta empurrá-lo, mas é inútil; o magro porém
fortíssimo empregado de fazenda ignora a presença dessa mão, que acaba ficando
lá por puro carinho, a percorrer-lhe nervosamente as ondulações da musculatura
abdominal. Há momentos tão intensos entre eles que Davi só consegue repetir
"Mete! Mete! Mete, moço! Mete tudinho que é só seu!" E Wanderlei vai
até o fim, até o ponto de explodir, sem contudo jamais deixar de procurar seu
sexo de Davi para masturbá-lo e ter um orgasmo junto com ele.
Davi é sempre o primeiro, e assim que seu ânus começa
a contrair-se com os espasmos do orgasmo, Wanderlei multiplica as estocadas até
inundar-lhe tão copiosamente o reto que o esperma reflui para as bordas
enquanto o membro continua trabalhando. Completamente lubrificado, Davi sente
apenas o enorme tronco deslizando livro dentro dele a toda velocidade,
causando-lhe calor e levando-o a um estágio que ele chama de "gozo de
cu". Ninguém seria capaz de convencê-lo de que não existe orgasmo anal
mesmo que ele saiba perfeitamente que essa sensação acontece quando ele está
tendo mais um orgasmo convencional, peniano. Nesse momento ele chora, se
debate, geme, tenta olhar para trás, para dizer alguma coisa a Wanderlei ou
fazê-lo ver não-sei-quê, mas o homem está em transe e só o que faz é
desfechar-lhe golpes de cintura, que vão gradativamente decrescendo em
feqüência e intensidade. Ele fica admirado pela quantidade de líquido que brota
do orifício desmesuradamente aberto. Bolhas esbranquiçadas vão se formando e
espocando na saída, longos veios leitosos gotejam do saco ou escorrem pelas
coxas do peãozinho. Nesse momento, Wanderlei gosta de novamente afastar-se,
deixando-o repousar de quatro na relva, as pernas bem abertas, e contemplar o
orifício que retoma pouco a pouco o diâmetro normal enquanto Davi, desorientado
como uma égua após a curra, resfolega e arfa de cansaço e satisfação,
aproveitando esse momento para recompor-se, acostumado a essa posição animal
que lhe é tão familiar. Em seguida, lambendo-se mutuamente, eles se limpam
segundo as leis da mãe Natureza.
O peãozinho se levanta e caminha em direção ao arbusto
descascado onde ficou a peixeira e seu short. Quase não vale a pena colocá-lo,
pensa Wanderlei, olhando uma vez mais as nádegas brancas e salientes que os
rasgões da peça tão rota não permitirão ocultar. Por uma fração de segundo, ele
torna a desejar tirar Davi dessa vida mas, já fora do transe erótico, falta-lhe
coragem para expressar isso seriamente. Cansados, ambos se estendem na relva
para esperar as últimas horas de pasto e levar as ovelhas de volta ao cercado
antes de uma boa noite de sono.

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