Toda vez que Breninho fica nu diante do espelho do
quarto e redescobre o seu corpo liso e feminino, percorrendo-o a partir da nuca
até chegar às duas covinhas sensuais que apresentam com tanto charme as curtas
nádegas salientes e voluptuosas seguidas de um par de coxas inegavelmente bem
torneadas, ele se certifica de que é isso, e não seus belos olhos azuis de
menino louro, ou sua simpatia, ou sua gentileza, o que atrai tanto os seus
congêneres. Sejam os rapazes da vizinhança, os colegas de escola ou da natação,
e até desconhecidos e mais velhos, há anos ele vive o assédio diário dos que
lhe assoviam maliciosamente, passam-lhe a mão, esfregam-se nele no ônibus e
metrô... Quando não lhe fazem propostas explícitas! "Eles devem ter mil
fantasias!", conjetura o menino, embevecido como um Narciso com seu reflexo. E o
espelho do quarto começa a convencê-lo de que, às vésperas do seu décimo oitavo
aniversário, ele deveria amadurecer e parar de oferecer resistência a tudo e a
todos, como tem feito sistematicamente. Breninho sente que é hora de assumir de
uma vez por todas que o desejo deles é, muitas vezes, perfeitamente
correspondido.
Mas como liberar seu corpo sem virar o "viadinho
de plantão" nos meios que ele frequenta? Tal é o maior fator de angústia
desse jovem sensível que começa a ver com clareza a necessidade de obedecer a
um imperativo físico que vem impondo-se com intensidade crescente. Como não há
em jogo qualquer sentimento — nem sequer amizade —, raciocina ele, algum
engraçadinho poderia difamá-lo logo após satisfazer-se, o que seria
catastrófico. Ele precisa pensar numa estratégia segura.
Enquanto Breno não chega a uma solução, os dias de
aula se sucedem e os encontros com os meninos que o assediam, por mais breves
que sejam, vão tornando-se um verdadeiro suplício. Eles dão um jeito de
tocá-lo, fazem gestos obscenos de convite ao sexo, esfregam-se nele
propositadamente... Um deles chegou até a puxar a sua cueca até o meio das
costas! Ao senti-la aprofundar-se entre as nádegas, repuxando seu sexo e
chegando tão fundo no sulco que roçou-lhe o ânus, Breninho não pôde evitar um
"Aiê! Pára, garoto!" que ele mesmo reconheceu ter soado um tanto
fanho e de modo claramente suspeito. Por sorte, só havia meninas em volta,
senão seus dias estariam contados! As meninas são suas cúmplices; gostam dele
pela doçura, pela voz melodiosa, pela fineza dos seus traços, pelo brilho
dourado do cabelo fino e sedoso, pelos olhos azuis, pelos lábios em flor e,
claro, pela afinidade quanto ao principal assunto: os meninos. Como Breninho
está mais perto deles, é um precioso agente infiltrado sem o qual elas jamais
conseguiriam obter certas informações sobre o que dizem e fazem os colegas do
sexo oposto, seu objeto de desejo. Breninho se desencumbe generosamente dessa
tarefa essencial, trazendo-lhes notícias vitais como, por exemplo, quem está
namorando e quem está disponível; quem está interessado em quem; quem já foi
para a cama com alguma menina ou, pelo menos, já recebeu uma felação; quem tem
as dimensões maiores; e assim por diante.
Em plena aula de ginástica no pátio da escola, Sanson,
um colega de último ano do secundário, de rosto vincado e mãos de campônio,
notório pela selvageria e falta de educação, está sentado no chão, a alguns
metros de Breninho, exibindo propositalmente o sexo, que ele deixou escapar da
cueca e que se insinua pela boca escancarada do short azul. É um corpo escuro e
longo; deve ter um palmo, avalia Breno. E grosso, de cabeça arroxeada e — ao
contrário da maioria daqueles que ele já viu, inclusive o seu próprio — totalmente
descoberta, o que lhe permite vê-la inteira, inchada, com sua espessa borda
arredondada ultrapassando o diâmetro do tronco. Sanson olha alternadamente para
Breninho e para o ele, em seguida sopesa-o na mão para enfatizar sua
importância. Seu olhar é de convite, sua boca entreaberta forma um sorriso
impregnado de malícia vulgar. Breninho, constrangido, porém incapaz de
disfarçar o interesse, retribui ao escárnio com um sorriso inocente e
encabulado ao marmanjão insolente que, entendendo a mensagem, convida-o para a
hora da saída, rolando os dedos indicadores para a frente e apontando com o
nariz para o local do encontro. Breninho não dá resposta, mas já tem certeza de
que não faltará ao compromisso. Sua concentração à aula de ginástica vai por água
abaixo e a expectativa o deixa tão tenso que ele pede ao para ir ao banheiro a
fim de se acalmar. Ao voltar, falta tão pouco para o término da aula que o
instrutor o deixa de fora, reprimendando-o. Já em classe, as explicações dos
professores entram por um ouvido e saem pelo outro. Breninho conta os segundos
para o seu primeiro encontro. Seus ouvidos zumbem e sua boca está seca. Quando
por fim o sinal toca, ele se precipita até o local marcado, no pátio, e vai
esperar impaciente pela primeira proposta concreta à qual ele está decidido a
assentir.
Minutos depois, Sanson chega ao ponto de encontro, com
seu ar insolente e um sorriso de escárnio na boca, dirigindo-se a Breninho sem
encará-lo.
— E aí, cara, gostou? Vai querer ver de perto?
— Sei lá, responde Breno, evasivo, tentando disfarçar
seu incontrolável interesse que transparece sob o mal estar evidente.
— Sei lá não é resposta, pô! Vai querer ou não?
— Vou, cara! Mas onde?
— Eu sei de um lugar onde dá para ficar numa boa, mas
não pode ser agora.
— Fala aonde, pede ele, ansioso.
— No ferro-velho do meu tio. Mas só fecha às seis; a
gente tem que enrolar uma hora.
— Eu posso chegar mais tarde em casa. É só eu avisar,
responde Breninho já pegando o telefone.
— Então liga logo, pô!
Dado o telefonema e autorizado o pedido, Breninho
segue Sanson até a praça central da cidade, mantendo-se alguns passos atrás,
sentindo que sua presença incomoda o colega e entendendo lucidamente que aquela
relação não foi motivada pela amizade e jamais resultará em amizade. Sanson
senta-se a cavalo no meio de um banco de cimento e ele fica de pé, inibido,
remoendo areia com a ponta do pé. Não há nada a dizer, a natureza já deu o seu
comando e só não segue o seu curso porque precisa esperar que um ferro-velho
feche as portas. Sanson se apóia no banco com as mãos para trás e Breninho
observa de rabo-de-olho o colo que oculta o objeto de sua curiosidade. Será que
fica sempre duro e grande como na aula de ginástica? Será que nunca amolece?
indaga ele, sentindo um leve arrepio partir da nuca, esfriar-lhe a espinha e
diluir-se no final das costas, levando-o a sentir o roçar da roupa com essa
parte do corpo que ele está para desvelar ao colega à sua frente. Toda vez que
Sanson faz menção de virar a cabeça em sua direção, ele desvia o olhar e finge
estar entretido com as marcas que o seu pé fez na areia.
Finalmente, o sino da igreja toca uma, duas... seis
vezes e os dois podem encaminhar-se para o ferro-velho. Quando o Tião, um
empregado do tio de Sanson, negro como piche, termina de fechar o imenso portão
deslizante e atravessa a rua, eles disparam em direção à rua lateral e pulam a
grade. Ninguém os vê. Sanson na frente, Breninho atrás, os dois caminham entre
os montes de ferro-velho triado, garrafas, peças enferrujadas, até um local onde
se vêem enormes cubos de papel para reciclagem, amarrados com cintas de ferro e
empilhados dois a dois, formando um espaço central de paredes altas e
completamente inacessível. Ao cair da noite, iluminado apenas pela tênue luz de
uma lâmpada de abajur metálico que balança acima deles, Breninho mal consegue
ocultar a sua apreensão quando, por fim, Sanson rompe o silêncio.
— Quer ver de novo? pergunta ele, já com a mão na
calça, encarando-o com desprezo.
— Mostra, ué! responde Breninho, sentindo-se intimidado
e ainda apreensivo com o lugar.
Com o mesmo sorriso maldoso nos lábios, Sanson abre o
botão da calça e, olhando diretamente nos olhos de Breninho, vai descendo
lentamente o zíper, expondo a cueca de nylon barata esticada pelo membro teso,
rebatido sobre o lado. O espetáculo devolve instantaneamente a curiosidade e o
desejo a Breninho, que não esconde a impaciência de ver bem de perto a
virilidade do seu colega.
— Anda, mostra logo!
— Quer ver mesmo? brinca o outro, fazendo que vai
fechar a calça. Então pede "por favor".
— Tá legal... Por favor.
Quando o elástico da cueca desce e o membro salta para
frente, já armado e na plenitude da ereção, Breninho sente sua boca invadida
por uma descarga de saliva. Ele engole bruscamente e se prepara para um acesso
de riso nervoso, mas, como por encanto, um relaxamento absoluto toma conta do
seu corpo e mente, como se aquela fosse para ele a situação mais familiar do
mundo. Ato contínuo, sentindo-se calmo e sereno, ele leva a mão à frente e
empunha o membro do colega como se lhe desse um aperto de mão, experimentando
pela primeira vez o relevo, o calor, a textura, a rigidez e a umidade de outro
sexo que não o seu. Sanson abre-se num sorriso de vitoriosa satisfação e,
aproximando-se, deixa sua calça cair até os pés.
— Chupa, ordena ele, pondo as mãos na cintura e
contemplando as violentas contrações do seu sexo quase colado à barriga.
Breninho obedece em silêncio, agachando-se sem largar
o tronco maciço que lhe preenche a mão. Ele nunca fez uma felação na vida, mas
a forma da glande lhe parece tão adaptada à boca, que ele a coloca sobre a
língua, fecha os lábios e instintivamente a encaixa no céu da boca, pondo-se a
esfregá-la levemente por baixo, proporcionando a Sanson uma sensação que ele
imediatamente reconhece e aprecia. Vendo seu membro brotar dos lábios
projetados do colega, ele põe-se a grunhir, dizendo coisas obscenas admissíveis
unicamente nesses momentos.
— Chupa, vai... Chupa gostoso... Assim... Chupa,
viadinho...
— ...
Sem reagir às palavras que ali, ditas só a ele, não
lhe soam como insultos mas não deixam de incomodá-lo um pouco, Breninho
prossegue, auferindo secretamente um enorme prazer da sensação de ter a boca
preenchida pelo sexo daquele menino-homem que o seduziu e o chamou ali para
fazer coisas cujo alcance ele ainda ignora.
— Você vai chupar meu pau sempre que eu quiser, não
vai?
— ...
— Vai ser a minha putinha particular, não vai?
— ...
— Vai me deixar meter na tua bundinha?
— Ai, não sei! responde Breninho, afastando-se para
responder e descuidando momentaneamente da entonação, que soa mais que
efeminada.
— Vai sim, sua bichinha! Vai me dar o cuzinho, e vai
ser hoje.
— ...
— Não vai não? faz ele, segurando Breninho pelo cabelo
e afastando-o.
— Ai... faz Breno, desorientado.
— Fala! ordena ele, zombeteiro mas incisivo, puxando-o
de volta para enterrar profundamente o membro em sua boca.
Sentindo-se engasgar, Breninho tenta resistir
empurrando as coxas do outro, que não pára de puxá-lo. Ele é obrigado a
controlar-se e permitir que a glande avance. Ela chega a roçar-lhe a campainha.
A primeira vez é quase insuportável, mas à medida que o membro vai entrando e
saíndo, sua boca se acomoda, tornando-se um verdadeiro órgão sexual. Um ritmo
se estabelece e Breninho descobre que consegue acolher o membro de Sanson
praticamente até a base, sentindo o odor forte dos pelos que roçam-lhe o buço e
a pele fria do saco tocar-lhe o lábio inferior. Ele não tarda a desejar essa
penetração profunda, que lhe parece ser a forma plena da felação, e entrega-se
de corpo e alma a esse primeiro exercício.
Subitamente, Sanson o agarra com toda a força pela
cabeça e intensifica seus movimentos num vaivém quase frenético. Seu sexo agora
pulsa na boca de Breninho, que se agarra às suas coxas, imaginando o que está
por vir. E de fato, os espasmos se iniciam e com eles os jatos que vão colidir
no fundo da garganta, privando Breno da opção de não engolir. Sua boca logo se
enche de esperma quente e viscoso, que ele sente escapar pelos cantos da boca e
escorrer pelo queixo. Por fim, Sanson solta a sua cabeça e o deixa ajoelhado no
chão, cuspindo e ofegante, fitando-o seriamente enquanto puxa a calça com a
cueca para tornar a vestir-se.
— Se não quiser me dar agora, saio fora e acabou,
mano. É pegar ou laragar.
— Está legal, eu dou, mas, e se chegar alguém?
pergunta Breninho, sinceramente aflito.
— Quem vai vir aqui de noite? Ferro-velho só funciona
de dia, né otário!
— Mas aqui, em pé?
— Que é que tem? Vai dizer que nunca deu assim!
— Eu não! Nunca dei pra ninguém, não.
— Ah, é cabacinho, é? Agora é que eu vou querer mesmo!
exclama o outro, agarrando a cueca pela calça ainda aberta para sacudir seu
volume.
— Mas como é que a gente vai fazer? pergunta Breninho,
olhando em volta.
— Eu ja fiz um monte de vezes aqui. É só você virar e
baixar a calça.
Como numa alucinação, a mente de Breninho é
momentaneamente preenchida pela imagem do seu corpo refletido no espelho do
quarto. Ele o acha sedutor, mas nunca o mostrou a ninguém. Pelo fato de ter uma
irmã, não se habituou a tirar a roupa na frente dos outros. Ele não previu essa
situação quando decidiu ceder aos assédios dos meninos, e está com vergonha.
— Não vai tirar não? impacienta-se o outro.
— Calma! responde ele, remanchando para abrir o cinto.
Vendo que Breninho precisa de estímulo, Sanson aproxima-se
e o agarra por trás, esfregando-se nele. Breninho dá um riso forçado e
entrega-se ao prazer de ser sarrado pelo colega tão grosseiro, que começa a
boliná-lo voluptuosamente, puxando-o para si com força enquanto cochicha-lhe ao
pé do ouvido.
— Vai me dar sim, seu viadinho! Vai me dar essa
bundinha, e vai dar agora!
— ...
Breninho limita-se a continuar sorrindo, desejando que
o outro tome todas as iniciativas, o que não tarda a acontecer. Ele logo sente
as duas mãos de Sanson desabotoando sua calça, baixando-a até o meio das coxas
e colando o corpo quente ao seu. A sensação causada pelo membro duro é tão
excitante que ele decide não recusar mais nada. Contudo, resquícios de um
desejo ingênuo de reciprocidade o fazem procurar a mão de Sanson e trazê-la
para o seu próprio sexo, também bastante duro, mas não completamente. Ao
perceber o intento, Sanson faz que não, resiste uma, duas vezes, mas acaba
admitindo que o gesto não é desprovido de sentido. Ele está consciente de que
já entrou em jogos eróticos bem mais ousados com outros meninos, embora não
pretenda revelar isso à sua nova conquista. Ele concede, portanto, em deixar
uma mão levemente pousada sobre a cueca de Breninho enquanto se esfrega
lascivamente em suas costas, mal se contendo de excitação. Satisfeito, Breno
entrega-se, empinando-se todo em franca retribuição.
A tensão sexual não tarda a atingir um nível que torna
inevitável a etapa seguinte. É o próprio Breno que, baixando a cueca, convida
Sanson a grudar-se nele sem anteparos, sentindo pela primeira vez entre as
nádegas nuas um membro duro e fremente.
— Morde... pede ele, baixinho, com receio.
— Hã? Fala mais alto, pô! ordena o outro.
— Morde... o meu pescoço. Por favor, vai!
Sanson está tão embriagado de prazer que hesita até
processar o pedido, mas consente uma vez mais, colando seus lábios entreabertos
na nuca de Breninho, que retribui empinando-se. Sua glande desliza encharcada,
roçando os dois gomos firmes, entumescida ao ponto de parecer explodir. É o
sinal para Sanson. Empunhando com força o membro pronto, ele o aponta para o
interior do sulco e o encosta na entrada. Breninho sente um choque.
— Agora relaxa bem o cuzinho que eu vou meter,
cochicha-lhe Sanson.
— Tá, ele responde, quase desmilinguindo-se de
apreensão, apoiando-se nas caixas à sua frente.
Empunhando o membro pela base, o experiente Sanson
joga com o peso do corpo, pressionando a glande contra o orifício para fazê-lo
ceder um pouco. Breninho dá um
gemido baixo, sussurrado, feminino, enrijecendo os braços contra seu apoio e
oferecendo-se o mais que pode. Enquanto Sanson volta à carga repetidamente,
Breninho, sonhador, tenta amenizar o desconforto imaginando seu ânus como uma
flor que deve desabrochar para acolher um zangão ávido de pólen. Isso lhe
traz uma intuição. Apoiando-se com o peito e o rosto na parede à sua frente,
ele libera as mãos e usa-as para separar as nádegas. Isso permite que a glande
entre um pouco, expandindo a entrada e encorajando Sanson a prosseguir. Ele
empurra mais um pouco e, quando se sente encaixado, volta a segurar Breno pela
cintura, puxando-o firmemente, enterrando-se nele e iniciando-o num prazer que
só pode ser descrito por quem o experimenta. Breninho sente o membro alargá-lo
e penetrá-lo, deslizando ainda com dificuldade para dentro do seu corpo cheio
de desejo. Ele quer sentir nas entranhas o grosso membro roliço e duro que ele
teve na boca momentos antes, por isso relaxa-se ao máximo e o deixa lentamente
avançar, quase desmoronando quando a glande termina de atravessar os
esfíncteres para expandir-se em suas entranhas.
— Tá tudo bem, cara? pergunta o outro, sempre rude.
— Tá s-sim. Não pára, diz ele, controlando-se para não
chorar, mas já sentindo uma lágrima escapar-lhe do olho.
Num último esforço, Sanson puxa Breninho e cola-se
completamente a ele, vendo seu sexo desaparecer por entre os dois gomos brancos
que o acolhem. "Mais um cabacinho para a coleção!" solta ele,
maldosamente. Breninho deve ser o quinto ou o sexto, ele não se lembra ao
certo. E ele inicia o vaivém, arrancando grunhidos de Breno, mistura de dor e
um pouco de desconforto, mas um inegável prazer. Seu sexo liberou e continua
liberando tanto líquido que seus movimentos logo se soltam e ele pode
intensificá-los, permitindo que Breno fique quase de pé, oscilando no sentido
inverso ao seu. Aos poucos, o desconforto vai cedendo e tornando-se prazer.
— Ai... Não pára... por favor... geme ele, apertando
os olhos, de rosto colado na parede de papelão.
— Está gostando de dar essa bunda pra mim, né,
viadinho? diz o outro, agarrando-o pela cintura para melhor aplicar-lhe golpes
intensos e profundos.
Em busca de compartilhamento, Breninho puxa uma vez
mais a mão de Sanson e, desta vez, o colega o surpreende, não só aceitando, mas
pondo-se a masturbá-lo devagar. Ainda que intimamente, Sanson sabe que a
sensação de empunhar o membro de quem ele penetra também o excita, mas sua
atitude de macho dominante sempre o impediu de assumir isso de pronto. Foi
preciso que o contexto tornasse o gesto mais natural. Finalmente embalado num
vaivém ritmado e confortável, Breninho se derrete, gemendo baixinho,
contorcendo-se e acariciando as coxas másculas do seu iniciador, tentando em
vão obter dele um gesto de afeto. Ele se sente vulnerável, e o fato de estar
sendo masturbado em nada implica que ele deseje impor-se a este que o penetra
com tanto ardor.
Em poucos minutos, Breninho é levado a um orgasmo
intensíssimo e ejacula em vários jatos fartos, alguns dos quais molham a mão do
colega e outros colidem contra a parede de papelão à frente. Isso excita tanto
o outro que seu próprio orgasmo — o segundo em menos de quinze minutos — se
segue, ainda mais intenso. Sanson enche-lhe as entranhas de esperma e penetra-o
tão profundamente que Breninho sente a ampliação das expansões anais ao ritmo
das pulsações intensas do membro desatinado. Ele ingressa num estado de êxtase
que o deixa completamente à mercê de Sanson.
— Ahn... Está gostoso... geme ele, lânguido.
A ereção de Sanson ainda é tão consistente que não se
desfaz e, mesmo após o orgasmo, a excitação de Breninho ainda tão intensa que a
permanência do membro do colega dentro dele continua proporcionando-lhe prazer.
Ele agora o tranca dentro de si, num carinho que Sanson parece dar mostras de
saber enfim reconhecer, acariciando-lhe o sexo ainda inchado e pulsante. Nesse
momento, Breninho aquire a certeza de que pode virar-se para encontrar o
diamante excepcional em meio à ganga bruta resultante dessa primeira aventura. E
de fato, os lábios dos dois juntam-se, num encontro de puro ímpeto erótico que
une as línguas, mistura os hálitos e funde as salivas. Eles permanecem
assim durante alguns instantes, até que o sexo de Sanson desliza amolecido para
fora do corpo de Breninho, fazendo-o experimentar pela primeira vez esse vazio
tão característico ao qual todo efebo que concede os seus favores acaba um dia
ou outro confrontado.
Enquanto Breninho devaneia sob o efeito do prazer tão
recente, Sanson puxa agilmente a calça com a cueca, vestindo-se num inistante e
já dirigindo-se para a grade do ferro-velho a fim de saltá-la para ir embora.
— Calma aí, cara! sussurra Breno, amedrontado.
— Vai dizer que não sabe pular uma grade, viadinho!
diz o outro, no tom de voz habitual e sem sequer olhar para trás.
— Não é medo, pô! Mas...
As palavras de Breno se perdem, absorvidas pelos
imensos cubos de papelão. Decidido a recusar a desilusão, ele bane o medo de
ficar sozinho e se veste devagar, tentando colocar algum lirismo nessa sua
primeira e tão protelada experiência.

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