34. Um Passo Adiante ou Um Passo Atrás?
Na quinta-feira da primeira semana de sua
nova vida, Aninha decide adquirir um computador. O apartamento de Kleber tem
wi-fi, mas é muito desconfortável utilizar a Internet pelo telefone para tudo. Ela
volta feliz da vida com um finíssimo laptop prateado comprado de uma senhora de
Copacabana mesmo, com quem ela se entendeu muito bem por telefone, e passa o
final da semana grudada em seu novo brinquedo. Ela reabre a conta no FB que ela
desativara quando foi morar em Cabo frio. É uma alegria ver pipocarem as
saudações dos velhos "amigos" dessa rede, a maioria ex-clientes com
quem ela se entendia bem a ponto de conversarem entre dois encontros. Embora
ela se lembre que Kleber tem uma proposta a fazer-lhe, ela quer sentir-se livre
para não aceitar, mas para isso, é preciso que ela vislumbre alguma fonte de
renda, e esses clientes haviam-se tornado bem regulares pouco antes que ela
decidisse sair do Rio. Há um bom número de mensagens privadas. Assim que ela
começa a ler, descobre que alguns contatos estão conectados.
"— E aí, gata
sumida!
— Oi, Gilson! Nossa,
que bom! Que prazer te ver aqui!
— Quando é que a
gente se vê, linda? Estou com saudade!
— Calma, gatinho. Estou acabando de voltar
pro Rio.
— Tá, mas você vai
continuar como acompanhante?
— Ainda não sei, gato. Mas pode deixar que
eu te aviso assim que eu souber, tá legal?
— Tô na fila então,
linda. Bjo.
— Bj."
Sorrindo à toa, Aninha resolve responder a
mais uma ou duas mensagens.
"— Armando?
— Ah, resolveu
responder né!
— É que eu estava
falando com outra pessoa.
— Surpresa boa te
encontrar de novo. Tudo bem? Por que você sumiu do FB?
— Eu me mudei, aí
achei que não tinha nada a ver continuar com essa conta. Voltei
para o Rio essa semana.
— Ah tá, mas não
some não. Vamos ver se a gente se encontra. Ainda
estou livre nas quartas lá pela hora do almoço.
— Xi, mas ficou
longe para mim, Armando. Estou morando em Copa agora.
— Copa? Que chique! Bom, vou ter que arrumar
mais tempo então. Mas está tudo bem?
— Está sim, estou
feliz de voltar para o Rio.
— Legal então. Gata, estou no trabalho. Adorei
te ver. Assim que eu arrumar um dia com mais tempo, te ligo para gente retomar
o nosso lance, está bem?
— Tá legal, meu amor. A gente se fala. Bj."
Velhas imagens começam a voltar à mente de
Aninha. Ela gostava dos encontros com clientes como o Gilson e o Armando,
homens casados que davam uma "fugidinha" para uma transa rápida
durante o almoço ou logo depois do expediente. Eles eram gentis, a tratavam bem
e muitas vezes lhe davam prazer, como daquela vez que o Gilson a surpreendeu
fazendo-a entrar num orgasmo súbito e inesperado só porque começara a
cochichar-lhe coisas no ouvido enquanto a penetrava na posição papai-e-mamãe. Ela
percorre as fotos desses homens, lembrando-se pouco a pouco de cada um deles,
dos seus gostos, fantasias, preferências e por vezes manias. Ela responde a
outra mensagem de um amigo conectado.
"— Romero? Está fazendo o que aqui a
essa hora, gato?
— Oi Ana! Sumiu do mapa, moça! Mudou de
profissão, não é mais acompanhante?
–Mais ou menos. Eu morei fora do Rio e estou
voltando, faz só uma semana.
— Mmm, manda uma
daquelas fotos que você mandava, vai! Estou com uma saudade do teu
corpo, menina!
— Só se for uma que
eu já tinha, Romero. Faz um tempão que eu não tiro foto minha.
— Pode ser qualquer uma. Você sabe que eu
vejo e apago, para não me arriscar, né?
— Tá, seu tarado. Espera um pouco então."
Rindo, Aninha percorre as pastas e procura
uma das fotos que ela usava para a sua própria publicidade. Ela se lembra que
Romero gostava de vê-la de costas e lhe manda uma em que ela finge que vai
passar por uma porta e dá uma olhadinha para trás antes de sair.
"— Me lembro dessa. Maravilhosa! Tesão!
Já tô que tô aqui! Quando é que a gente se vê?
— Ainda não sei, amor. Eu só não queria
perder o contato, mas ainda não sei o que eu vou fazer da vida. Tudo mudou
muito.
— Tá, mas
acompanhante você pode fazer até tendo outra profissão, não?
— É, posso, por isso é que eu reabri essa
conta. Vamos ver. Mas gostei de falar contigo.
— E eu! Vou ficar esperando o teu recado
dizendo que a gente pode marcar, tá legal?
— Assim que eu souber, te falo, gato. Bj.
— Beijo nessa bunda linda!
— Bj."
Aninha lê mais algumas mensagens e se sente
relaxar; ela não precisará mendigar com Kleber. Levada pela associação de
idéias, ela vai até o armário, pega o pacotinho de fotografias da misteriosa
loura "em ação" que ela encontrou ao tentar desbloquear a gaveta de
baixo e revê uma por uma. Não resta dúvida de que não foi ela que instalou um
aparelho num tripé para tirar as fotos. Há fotos dela com os mesmos
"clientes" tiradas de ângulos diferentes, o que prova que alguém se
deslocou pelos cômodos para tirá-las. Talvez fizesse parte do trato com esses
homens ser fotografados com ela. Aninha adormece repassando as fotos e, ainda
cansada, dorme profundamente até ser despertada pelo telefone. É Kleber.
— Sexta-feira à noite, Ana! Já está de
vestido me esperando? Vamos sair!
— Uau! Isso é que é convite. Você me dá uma
hora? Vou tomar um banho e me visto. Bom, a casa é tua, você pode subir quando
quiser.
— OK, Ana. Como eu já estou no trânsito, de
repente chego um pouco mais cedo.
— Não tem problema, Kleber. Vou tentar fazer
tudo rapidinho.
Espantando o sono, Aninha se despe e olha
para o seu corpo no longo espelho do guarda-roupa. As marcas nos seios se
foram. Ela sabe que Kleber é bissexual com preferências passivas, então há
chances de que ele não queira nada, mas nunca se sabe. Ela arrasta a
poltroninha do quarto até quase colá-la ao espelho, senta-se e eleva as coxas
abertas, logo separando os grandes lábios. "Deixa eu olhar para você,
bucetinha", diz ela fazendo voz infantil enquanto percorre os pequenos
lábios com a ponta do indicador, separa-os, dá alguns toques no clitóris e
observa atentamente o perímetro do orifício vaginal. "Ah, está tudo bem!
Os homens maus não conseguiram te estragar, lindinha." Em seguida,
erguendo ainda mais as pernas e quase deitando-se na poltrona, ela examina mais
abaixo. "E você, cuzinho? Será que a bolinha saiu?" Ela puxa as coxas
para exibir o ânus. Não há mais sinal da pequena fístula que se formara após a
noite fatídica da festa do Norberto. "É, acho que está tudo bem com você também.
Se o Kleber quiser ver vocês, não vai se assustar. Vamos para o banho."
Aninha gosta desse reencontro diário com seu
corpo no banho. Ela o percorre e apalpa centímetro por centímetro, verificando
a firmeza dos seios, das coxas, da bunda, a textura da pele de todas as partes,
a cor dos mamilos e das mucosas, retocando por vezes a depilação da vagina e
das axilas. Ela verifica também a pressão dos orifícios, introduzindo dois
dedos e testando a musculatura vaginal. Ela repete o processo por trás, ciente
de que o objeto da preferência nacional merece um cuidado a mais. Livre do
desconforto causado pelo pequeno edema que se formara numa das pregas, ela pode
imprimir toda a força possível, "mordendo" seu próprio dedo
profundamente enterrado nesse orifício indispensável ao sexo à brasileira. Quantas
vezes ela usou essa aptidão como tática para produzir o orgasmo que a livraria
de uma interminável sessão de sexo por algum cliente super-resistente, ou
simplesmente para enganar um inexperiente nocauteando-os vinte minutos depois
de entrarem no quarto! Alegando razões de higiene, ela os convencia facilmente
ir para o chuveiro, e uma vez lá, ela se tornava dona da situação, literalmente
exaurindo-os, esfolando-lhes o membro e levando-os a um inevitável orgasmo final.
Aninha ouve o próprio riso ressoar no banheiro enquanto recorda momentos
cômicos. Findo o banho, ela liga o secador apenas para ajudar a secagem do
longo cabelo preto sem ressecar os fios, em seguida maquia levemente os olhos e
lábios, dá uma última olhada no espelho e sai do banheiro.
— Já cheguei, Ana! avisa Kleber, da sala.
— Oi, meu lindo! exclama ela, sinceramente
feliz.
Aninha não tem inibições para com Kleber. Ela
lhe deve sua instalação em
Cabo Frio e o emprego de gerente da Conchas e Crustáceos que,
mal ou bem, lhe propiciou um bom pé de meia, mas mimou-o com uma noite de sexo
em que ela realizou as fantasias mais ousadas desse milionário cheio de
caprichos. O fist fuck que ela lhe fez no apartamento do Peró
deixou-o tão alucinado de prazer que entre eles não há a relação credor-devedor
que se poderia esperar devido à disparidade econômica. Ela vai até a sala ainda
nua e Kleber se levanta para abraçá-la e dar-lhe um beijo.
— Você está linda, Ana! exclama ele,
pegando-a pelas duas mãos e afastando se para olhá-la.
— Obrigada! Consegui descansar bem durante a
semana.
— É, eu quis deixar você livre nesses
primeiros dias, mas sexta é sexta, não é? Espero que você não prefira ir para a
cama dormir!
— Não, não, estou louca para sair! Me dá
dois minutinhos, só para passar um vestido. Aliás, vem comigo e me ajuda a
escolher.
Kleber caminha atrás de Aninha admirando
suas curvas e a alternância das curvinhas da bunda a cada passo. Ele não resite
e vai tocá-la, passando-lhe a mão.
— Taradinho! diz ela, acariciando-lhe a mão.
— Você está mais gostosa que nunca, Ana.
— Deve ser porque estou aqui vivendo vida de
freira há uma semana, hahah!
— Vamos cuidar disso, hein! diz ele,
dando-lhe um tapinha carinhoso que mal faz estremecer a bunda firme.
Aninha abre o guarda-roupa e pega um
"pretinho" bastante sóbrio.
— Este?
— Por que não o do lado, sugere Kleber,
apontando para um vestido estampado com motivos abstratos em cores vivas:
amarelo, vermelho, azul e verde, em vários tons.
— Para sair com você? Achei que eu tivesse
que bancar a menina de classe.
— Esquece a classe, Aninha. Quero ver você
sendo você mesma. Vou te levar à Lapa.
— Ah, então está certo. Mas esse que você
escolheu é minivestido, reparou? Dá para ver até a calcinha quando eu sento.
— Não faz mal, Ana. Você está acostumada com
homens, eu vou estar com você e vai ter um segurança nos olhando de longe.
— Nossa, Kleber! Precisa disso?
— E como! Meu irmão mais novo já foi
sequestrado aqui no Rio.
— Sério. Há três anos. Te conto no caminho.
Aninha escolhe uma calcinha que se insere
nas dobras e reentrâncias e não deixa marcas no vestido. Kleber acha graça de
vê-la acomodando a minúscula peça de roupa entre os gomos da bunda linda e
ajustando-a sobre o monte de Vênus, depois puxando-a para que se adapte
perfeitamente às formas.
— Isso é confortável, Ana?
— Ah, faz tanto tempo que eu uso calcinha
dentro do rego e justa na frente que já acostumei. Mas no começo era estranho,
eu me sentia puta sem querer ser!
— Haha! Quem foi o primeiro que te viu
assim? Um namorado?
— Nada! Um garoto lá do bairro. Eu fui
encontrar com ele toda vestida, de calça jeans não muito apertada, mas eu tinha
colocado uma calcinha menor que essa. Quando eu baixei a calça, o menino endoidou.
Atrás só se via a bunda e na frente ela ficava enfiadinha.
— Imagino. E foi assim a primeira vez.
— Ele trepou comigo o dia inteirinho e eu
dei para ele de tudo que é jeito! Eele foi a primeira pessoa que me disse que
com o corpo que eu tinha, não podia virar "freirinha".
— Um inspirador, por asim dizer.
— Tipo, ele me fez entender que eu podia
ganhar dinheiro com o meu corpo, entende?
— Entendo, entendo, Ana, fez ele, sem querer
entrar no mérito da questão.
Aninha coloca um sutiã de alças
transparentes e o vestido desce pelo seu corpo escultural deixando as coxas
completamente de fora. Kleber logo constata que, de fato, a calcinha fica
praticamente na mesma altura que a extremidade.
— Eu avisei que era curto! Quando eu sentar,
vai dar para ver tudo.
— Tudo bem, Ana. Você não vai estar muito
diferente das outras.
Aninha calça um sapato de salto, pega uma
bolsinha apenas para celular, lenço, maquilagem e, por via das dúvidas,
preservativos, dá uma última volta diante do espelho e vai sentar-se na
poltroninha do quarto.
— Só para te dar uma idéia, Kleber.
— Uau! Haha!
Assim que Aninha se senta, o vestido escala
as coxas revelando completamente a calcinha.
— É claro que eu cruzo as pernas, não é!
— É claro! exclama ele, divertido.
Ao cruzar as pernas, não se vê mais a
calcinha, em compensação o vestido não esconde mais nada das coxas, que passam
a deixar adivinhar a bunda. É como se Aninha estivesse usando apenas uma blusa
estampada comprida. Kleber está satisfeito e não tem dúvida de que estará com a
mulher mais atraente da noite do lugar onde vai levá-la. Eles saem e já na
saída do prédio, parada enquanto espera por ele com o carro, Aninha chama a
atenção dos passantes. A maioria olha, outros assoviam e alguns não poupam
comentários.
— Olha que gostosa! comenta um passante
quarentão com um amigo.
— E aí, tesão! Grita um motorista, reduzindo
a velocidade e buzinando.
— Vamos lá pra casa, gata! Tem 20cm te
esperando! berra outro de um carro abarrotado de jovens em alvoroço.
O porteiro, coroa nordestino habitante do
Rio há décadas também se anima e vem para a frente do prédio puxar conversa ao
lado dela.
— É você que está no apartamento do seu
Kleber, não é?
— É, sou eu, responde ela, lacônica, sem
olhá-lo.
— Se precisar de alguma coisa, é só pedir,
ouviu?
— Mm-hm, pode deixar, faz ela para cortar o
assunto.
Quando Kleber para a mercedes esporte em
frente ao prédio antigo e decadente, as pessoas chegam a olhar para trás,
perguntando-se provavelmente porque é que um cliente tão abastado viria buscar
uma garota de programa. Aninha percebe que o contraste é grande e que ela ainda
não se educou o suficiente a ponto de ser confundida com uma companhia normal
para um Kleber. Ela se promete continuar progredindo, e entra no carro pinçando
os lábios para não se sentir ofendida.
— Putos! diz ela entre os dentes, ao bater a
porta.
— Que foi, Ana?
— Ah, esses caras que não tem o que fazer e
não podem ver mulher.
— Te disseram grosserias?
— É, alguns, mas deixa para lá. Estou
acostumada.
Kleber não pode impedir-se de olhar para as
coxas de Aninha, completamente expostas.
— É que você é muito atraente, Ana.
— Mas pelo menos você diz coisas que eu
gosto de ouvir. Ah, sabe de uma coisa? Se os caras estão dispostos a pagar por
isso aqui, eu vou é continuar usando e tirando o dinheiro dos otários! proclama
ela, erguendo ainda mais a saia e dando reboladinhas vulgares enquanto olha
para a calcinha perfeitamente esticada sobre o monte pélvico.
— Calma, Ana, diz Kleber, sorrindo e pondo
uma mão em sua coxa para que ela se recomponha.
— Aproveita que eu fui tratada de puta,
Kleber, porque depois eu vou passar a noite toda certinha com você, diz ela,
sarcástica, puxando a mão dele até o meio das coxas.
— Não é assim que eu quero te ver, diz ele,
levando a mão à alavanca de marcha após ter sentido nos dedos o calor do seu
sexo.
— Desculpa. É que às vezes eu fico puta de
ver que os homens só olham para mim pensando em trepar. Tem tanta
menina vestida como eu na Zona Sul! Às vezes eu não quero parecer com uma
acompanhante.
— Ana, você já mudou muito. Quando nos
conhecemos, você, de fato, parecia uma menina "fácil". Eu vou te
ajudar, se você quiser. Aliás, uma coisa que eu queria fazer, durante o jantar,
antes de irmos dançar, era exatamente fazer a minha proposta.
— É verdade, você me disse que tinha uma
proposta.
— Eu disse rapidamente, mas você precisava
descansar primeiro.
— Eu também tenho que falar sobre uma coisa
que encontrei no apartamento.
— Ah é? Estou curioso. Já vi que não vai
faltar assunto durante o jantar!
Como em Cabo Frio , Kleber leva aninha para comer peixe e
frutos do mar, que ela adora. Eles conversam descontraidamente, ele quer saber
tudo sobre a primeira semana dela de volta ao Rio. Ela conta em detalhes tudo
que fez e entra por fim no misterioso assunto das fotografias. Kleber sorri.
— Ah, então você encontrou as tais fotos!
— Aposto que era uma gringa que
"atendia" no apartamento e alguém tirava fotos. Acertei?
— Está morno. Ela fazia programa mas não era
gringa.
— Me conta, Kleber! Estou coçando para saber.
— Bom, vou contar. Meu pai frequentava essa
mulher, que se chamava Maitê, nos anos 80, mas se apaixonou por ela e a
instalou nesse apartamento onde você está, que já era dele na época. Ele a
ajudava em tudo, mas ela não parou completamente de "atender" porque
gostava do que fazia. Só que meu pai era tão ciumento que queria conhecer todos
os clientes dela. Ele queria ver fotos deles. Como a Maitê gostava dele, ela
aceitou e passou a só ter clientes que aceitassem ser fotografados. Meu pai
contratou um fotógrafo que morava no próprio prédio para ir lá e tirar algumas
fotografias cada vez que ela recebia um cliente. E não pense que essa história
das fotos era algo de doentio e possessivo. Não! Tudo era feito com o maior
senso de humor e eles se davam muito bem. Ela era linda e eles foram realmente
apaixonados.
— Que história mais louca!
— Pois é. Um dia, meu pai me contou tudo,
disse que as fotos haviam sumido e que isso foi motivo de uma briga feia entre
ele e a Maitê.
— Imagino. Eles ainda se vêem?
— Ainda, mas ela não "atende"
mais, é claro.
— Bom, as fotos estão lá, comigo, à sua
disposição.
— Meu pai vai achar graça quando eu entregar
isso a ele. Quando eu levar você em casa, dou um pulinho lá em cima e pego.
— Tudo bem. Mudando de assunto, Kleber, você
tem notícias da Stéphanie?
— Pois é, essa é uma das coisas que eu tinha
para falar. Ela volta da França na semana que vem e já está avisada de que a
Conchas e Crustáceos está fechada. Falei com ela pelos Skype e expliquei tudo
que aconteceu. É claro que ela está furiosa com você, mas eu consegui
convencê-la de que você foi manipulada pelo Ernesto.
— E o que é que ela vai fazer?
— Diz ela que quer reabrir. Eu
desaconselhei, mas a Stéphanie é cabeça dura. Como o Rômulo e você não estão
mais lá e o Ernesto não conhece a Stéphanie, pode ser que ele passe uma esponja
nisso e procure outros pontos para espalhar a redezinha sórdida de
prostituição, a tal Happy Hour.
— Você tem notícias do chatinho do Gabriel?
— Ele volta com ela da França, não é?
— Sei lá, deve. Ele vai tomar um susto
quando descobrir que eu não estou mais em Cabo Frio. Se você
puder não dar o endereço do apartamento para a Stéphanie, eu te agradeço,
Kleber.
— Relaxa, menina. Você está começando uma
nova vida! E por falar nisso, posso fazer a minha proposta?
— Claro! Estou morrendo de curiosidade.
— A idéia é a seguinte. Você sabe que a minha
família é de São Paulo, mas nós temos uma empresa de informática aqui no Rio,
não sabe?
— É, você me disse. E é por isso que você
tem sotaque.
— Isso mesmo, haha! Bom, o que eu tenho
propor é que você seja secretária de um dos diretores da empresa. Você é
bonita, inteligente e, principalmente, não tem medo de homem. Ele é mulherengo
e eu preciso de informações sobre esse diretor porque nós temos suspeitas de
que alguma coisa, com a empresa, vai menos bem do que poderia ir, e isso por
causa dele. Nada de grave, mas quero saber. Você seria o meu contato. O que
você acha?
— Aninha, a espiã!
— É por aí. O trabalho não é difícil e de
quebra, você vai viajar um bocado pelo mundo com ele. Você vai ter direito a
fazer o curso de línguas que quiser e vai ganhar bem. Único risco: talvez ele
queira te levar para a cama. Mas o Max é um jovem executivo de 36 anos, muito
"boa pinta" e cheio de ambição, então…
— Então isso é o de menos?
— Sem querer te ofender, Ana. Nós somos
amigos, eu conheço a tua vida, é por isso que me dou essas liberdade.
— Eu sei, eu sei, estou brincando, Kleber. Você
me deixa pensar por uns dias? Não estou apavorada, mas preciso saber se eu
quero fazer esse tipo de trabalho.
— Claro! Não se entra numa coisa dessas às
cegas. A secretária atual ainda está no posto, mas vamos precisar preenchê-lo
assim que ela terminar o aviso prévio, daqui a quinze dias. Está bem para você?
— Ah, claro! Dou a resposta daqui a uns dois
ou três dias.
— Então está ótimo. Agora vamos aproveitar o
nosso jantar. O que você está achando do peixe e dos camarões?
— Uma delícia! Você já me deixou mal
acostumada.
Depois do jantar, Kleber leva Aninha a uma
casa noturna na Lapa, onde eles assistem a shows e dançam até às duas da manhã.
Lá, ela pode notar que o seu vestido não destoa em nada dos das outras
mulheres, e que o seu comportamento é até mais discreto. Ela se sente olhada e
admirada, o que lhe devolve um pouco da autoestima, tão abalada na última noite
passada em Cabo Frio. Na
volta, Kleber sobe para pegar as fotografias, mas sentindo-se bem no ambiente
aconchegante que Aninha já deu ao pequeno apartamento, resolve ficar um pouco
mais. Enquanto ele olha uma por uma as fotografias da linda Maitê e seus
homens, Aninha prepara uma caipirinha. Quando ela volta à sala e lhe entrega o
copo, reconhece em Kleber um olhar que ela já viu outras vezes.
— Que foi, "seu" Kleber?
— Você está mesmo um tesão nesse vestido,
Ana. Você reparou como ninguém tirava os olhos de você enquanto nós dançávamos?
— É, reparei, não vou mentir.
Ele toma um bom de caipirinha e coloca o
copo na mesinha, já puxando Aninha para o seu lado, no sofá. Ela o beija
percorrendo sua calça à procura do cinto, depois do zíper ou dos botões. Kleber
suspira, acariciando seu cabelo e explorando a sua boca com a língua. Assim que
o membro é liberado, Aninha o empunha, sentindo-o encharcado e pronto. Kleber
baixa a calça até o meio das coxas e ela se curva sobre seu colo. As sensações
se multiplicam com a visão das coxas completamente descobertas de Aninha. Ele
se levanta e fica diante dela, que continua entregue a uma ruidosa felação. Ele
aproveita para abrir seu vestido, baixando o delicado zíper de trás. Assim que
ela se livra dele, Kleber se ajoelha entre suas coxas e, erguendo-lhe as
pernas, que ela escancara completamente, penetra-a ávidamente até o fim,
emitindo um suspiro de puro alívio da tensão sexual. Aninha responde com um
gemido profundo. O vaivém se inicia.
— Fode... Isso… As-sim… Ahn! Mete…
— Você é gostosa demais, Ana. Quando estou
com você, só penso em trepar.
— Então trepa, meu lindo. Fode gostoso que
eu estou amando essa pica me abrindo toda.
Kleber engrena rapidamente num vaivém
rítmico e estável que dá à Aninha a certeza de que será premiada com um belo
orgasmo.
— Tua buceta parece feita para o meu pau,
Ana.
— E ele preenche a minha buceta todinha. Um
pouquinho mais forte, vai.
— Está gostando? pergunta ele, acelerando na
medida certa.
— Demais. Ahn… Fode, assim… Ahn… Me beija,
vem.
Kleber procura a boca de Aninha e eles
misturam as línguas e as salivas enquanto ele se move sem cessar. Ela está
praticamente deitada, envolvendo-o com as pernas enroscadas em seu corpo,
sentindo cada uma das vigorosas estocadas que ele desfecha sem parar. Enquanto
vai sendo levada ao êxtase, ela pinça os mamilos e esfrega o clitóris em busca
de mais e mais excitação. Subitamente, Kleber retém a respiração por uma fração
de segundos e solta bruscamente o ar numa série suspiros curtos, simultâneos a
uma farta ejaculação. Estendendo os dois braços no encosto do sofá, Aninha o
deixa Kleber submeter-se livremente aos espasmos que o forçam a grudar-se ao
seu corpo para enviar-lhe o seu sêmen através de uma série de estocadas curtas
mas intensas. Quando ele para, cola a testa na dela, encharcado de suor.
— Desculpa, Ana. Não consegui te esperar.
— Espertinho! Mais ainda tem jeito! brinca
ela.
Kleber sabe disso. Ele desce do sofá,
ficando de joelhos no chão entre as pernas de Aninha. Adivinhando, ela se
acomoda escancarando ainda mais as pernas, ficando com as plantas dos pés
viradas para o teto. Ele então põe-se a lamber generosamente a fenda com os
pequenos lábios vermelhos ainda entreabertos. Aninha geme, se debate, puxa seu
cabelo, chupa os dedos, espreme os seios, torce os mamilos, e o orgasmo não
tarda, tomando seu corpo em espasmos que a fazem perder o controle das pernas. No
final, Kleber acaricia a fenda com a língua, colhendo o líquido e mostrando a
Aninha o fio consistente que ele forma ao afastar a boca do sexo ainda alagado
e pulsante.
Exaustos e satisfeitos, eles dormem lado a
lado durante duas horas. Kleber acorda por volta das quatro e meia e vai
embora, tendo o cuidado de trancar a porta e passar a chave por baixo sem
despertar Aninha, que dorme como um anjo. Ela sonha com a primeira noite da sua
nova vida e com a proposta que ele lhe fez, já imaginando-se no papel da
detetive ou espiã de que o seu amigo precisa para salvar a empresa. Mas ao
despertar, ela precisará decidir entre a retomada segura da atividade que ela
conhece bem e o mergulho cego na aventura que acaba de lhe ser proposta.

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