2.2 Mergulhando
Voltei do quarto de
short e camiseta. Ao me ver, Tiago fez menção de procurar a sunga para
vesti-la, mas logo se lembrou do que eu dissera e continuou deitado. Esse
contraste entre nós já bastou para recomeçar a me excitar. Ele havia posto uma
almofada sob a cabeça e estava folheando uma revista. Seu longo membro agora
repousava sobre a virilha, voltado para cima, a glande já recoberta. Instantaneamente
tornei a desejá-lo, mas me contive para analisar mais profundamente essa
atração quase incontrolável. Afastei-me um pouco e, de pé, continuei olhando
para aquele corpo moreno, tão jovem e de compleição frágil, prefeitamente
compreendido entre os braços do sofá de tecido areia. De vez em quando, Tiago
me olhava de rabo de olho e voltava, sorrindo, para a revista, achando graça na
minha atitude de observador passivo. Seu corpo inteiramente liso me excitava
por si só, seu longo corpo moreno claro, sem nenhum pelo exceto a fina
cobertura de cabelos crespos, raspados à máquina 1. Ele se depilava. Do umbigo
à pélvis, testículos, ânus, nada, nenhum pelo. Foi só quando ele ergueu um
braço para passá-lo por trás da cabeça que reparei nas axilas, apenas aparadas.
Sua pele era mate, refletia a luz foscamente, mas era jovem, uniforme, lisa,
sem rugas nem descontinuidades. Ele herdou os traços faciais finos do lado
branco da família. Lábios grossos mas não projetados e um nariz curto e
retilíneo tornavam-no quase puramente moreno. O que o traía era o cabelo, cujo
corte revelava a sua insatisfação.
À certa altura,
Tiago começou a bocejar um pouco e virou-se para o encosto do sofá, adormecendo
logo. Nessa atitude tão desguarnecida, a bunda pequena mas saliente destacou-se
do corpo delgado. Aproximei-me e toquei a pele perfeitamente lisa da superfície
curva que despontava das costas, sentindo meus dedos invadirem ligeiramente o
rego. Tiago reagiu oferecendo-se, virando-se completamente de bruços e
entreabrindo as pernas, deixando-me ver o volumoso saco de pele mais escura,
que eu gentilmente envolvi com a mão enquanto, com a outra, pus-me a acariciar
a pele fina das costas. Tiago ajeitou-se como um gato, curvando-se mais,
empinando-se mais, oferecendo-se mais, entregando-se às minhas carícias. Separei
os dois gomos da bundinha deliciosa, expondo o orifício que eu já penetrara com
tanto gosto. Tiago retribuía, empinando-a, pedindo. Não havia dúvida de que era
um corpo em uso. Do orifício,
cuja obturação natural já revelava um certo hábito da expansão e contração,
irradiavam-se pregas maleáveis e extensíveis, algumas falhadas, sinal de que já
houvera expansão desmesurada. Obviamente, nessa profissão, não há como recusar
no meio do caminho, entre as quatro paredes de um motel sórdido ou trancafiado
na casa do cliente. Mais uma vez, porém, era a juventude que salvava o quadro. Os
entornos do ânus eram de uma pele tão lisa e uniforme e a carne tão firme e
elástica, que a visão do todo me levou a uma sólida ereção e a um desejo
intenso. Aproximando-me mais, passei a língua no fundo do rego, sentindo o
relevo do orifício ainda dilatado pela minha penetração e o cheiro do nosso
sexo recente. Tiago empinou-se todo, colando-se a mim, gemendo e sussurrando,
"Isso, tio... Assim...". Lambi gulosamente, forçando as nádegas para
fora com os polegares e expondo o cuzinho que, relaxado, desabrochou, exibindo
o início do interior vermelho vivo. Minha saliva se tornou tão espessa que
minha língua deslizava por toda a região, descendo pelo períneo e chegando ao
ponto em que brota o saco, o que arrancou um gemido mais forte de Tiago. Passando
a mão por baixo de seu corpo, senti o mastro novamente armado, mas como ele
balançava sem cessar a bunda, não havia dúvida de que, pelo menos comigo, Tiago
se sentia 100% passivo. Voltando a massagear seu saco, toquei a parte carnuda
do polegar da outra mão no orifício e afundei-o, fazendo-o deslizar para dentro
graças à saliva espessa. Tiago gemeu forte, empinando-se agora completamente,
descolando a pélvis do sofá e franqueando-me o caminho para o seu pau, que
encontrei pulsante, colossal. Tirei o polegar e enfiei dois dedos. Tiago gemeu.
— Fode, tio...
— Que cuzinho guloso você tem, Tiago.
— Quero rola, tio. Mete outra vez, vai.
Ele disse isso se remexendo todo e era exatamente o
que eu queria ver. Eu não queria comê-lo de novo já, queria vê-lo excitado,
contorcendo-se, cheio de tesão. O sexo padece do mesmo problema da paisagem: ou
você fica de longe e contempla, ou você invade e não vê mais nada. Naquele
momento, eu queria contemplar a jovem paisagem que eu tinha diante dos olhos.
Tirei lentamente os dedos, me desconectando de Tiago,
que ficou balançando o traseiro para frente e para trás, num vaivém puramente
reflexo, olhando para trás para indagar por que eu tinha parado. Mas eu não
tinha parado e vê-lo daquela maneira estava sendo uma das experiências mais
excitantes da minha vida. Acho que não há nada mais erótico do que ver uma
pessoa alucinada de prazer, oferecendo-se. Ele estava tão receptivo que suas
nádegas ficaram abertas, com o cu exposto e pulsante. Havia sem dúvida uma
componente de vício nessa atividade. Certas coisas desencadeavam outras, abriam
novos estágios que, quando não eram percorridos, geravam expectativa, ansiedade
e frustração. Tiago estava num estágio desses. A maioria dos homens o teria
penetrado naquele estágio e esse teria sido o gesto natural e esperado da
sequência. Sem isso, ele ficou desorientado, perdeu o poder de previsão e com
ele o poder tout court sobre mim.
Rapidamente, seu enorme e pesado pau começou a arquear
e amolecer, ao mesmo tempo que Tiago fez menção de voltar a se deitar
completamente de bruços. Com toda a gentileza, passei a mão por entre as pernas
dele e, segurando o mastro pela base, puxei-o para trás ajeitando-o entre as
duas coxas lisas alongadas no sofá. Quem não está acostumado a essa posição
sente repuxamentos e uma certa inquietude de que seu pau vá se condicionar a
ficar para baixo. Mas Tiago mostrou estar perfeitamente ciente de que
essa é uma das posições clássicas dos gays e se deixou conduzir sem
resistência. Soltando completamente seu peso no sofá, ele me deixou estender
seu pau longitudinalmente, como se fosse uma terceira perna entre as pernas
reais. Essa primeira visão comparativa foi impressionante. O enorme falo de
vinte e um centímetros realmente chegava ao meio das coxas.
— Você já meteu isso em alguém, Tiago? Digo
completamente.
— Mais raro é eu não meter, tio! A maioria quer ele
todinho do rabo.
— Engraçado, não tenho a menor vontade, mas me excita
demais olhar para ele.
Eu disse isso enquanto acariciava a verga, sentindo-a
já macia entre os dedos. Paus grandes amolecem rápido porque é preciso muito
sangue para mantê-los eretos. É por isso que nos filmes pornô as atrizes chupam
e manipulam durante tanto tempo os paus dos superdotados.
— Você certamente consegue chupar seu próprio pau.
— Sempre fiz "selfisuque", tio. (Ele queria
dizer "selfsuck"). Desde novinho.
— Em todas as posições?
— Qualquer uma, mas eu gostava sentado, para gozar na
boca e deixar a porra escorrer pelo pau.
— E jogando as pernas para trás, a gente perde o
tesão, não é isso?
— É. Você também fazia isso, tio?
— Andei fazendo minhas tentativas, mas quando novo.
— Safado, você!
Ele disse isso enquanto se virava para se deitar de
costas com os braços por trás da cabeça. Sua nudez ainda tão adolescente
causou-me um arrepio. Tudo era tão simples naquele corpo liso em perfeito
funcionamento. Aos dezoito anos, era uma máquina de sexo, sempre pronta a
recomeçar. Acariciei-lhe a região pubiana, sentindo imediatamente as breves
pulsações do membro predisposto, e me ajoelhei no chão ao seu lado.
Tudo parecia favorável, da serenidade que reinava
entre nós à luminosidade e quietude do cômodo. Chegando o mais perto possível
do corpo de Tiago, envolvi seu saco por baixo, contendo-o completamente na mão,
sentindo nas pontas dos dedos o calor da parte inferior. Tiago ajeitou-se no
sofá, contraindo as coxas e soltando um suspiro. Olhei para ele sorrindo e
continuei a acariciá-lo, apertando com cuidado, mas profundamente, aquele
envólucro de pele espessa, tão bem cuidado e liso quanto o resto do corpo, e
observando os efeitos no pau, que ia lentamente avolumando-se, armando-se, sem
contudo assumir aquela rigidez férrea dos paus pequenos. O pau grande tem uma
majestade que lhe outorga o direito de ter tempo para endurecer. Era
precisamente o que me seduzia naquele momento. Como eu disse, a experiência da
felação só me atraía quando eu a imaginava praticada num pau grande e
semi-ereto, de modo algum num curto membro em riste e rígido como aço. O que me
excitava, nas cenas de felação, era imaginar a sensação táctil do corpo
volumoso e ainda macio endurecendo lenta mas não completamente na boca. O estado
de languidez de Tiago naquele momento favoreceu essa configuração e não tive
dúvida de que era a ocasião que eu esperava.
Empunhando seu membro pela base, ergui-o da barriga
plana onde ele ele ainda repousava e lentamente repuxei o prepúcio. A imponente
glande rubra despontou, inchando-se mais e mais, desenvolvendo-se ao máximo,
ocupando seu volume no espaço e esticando completmente a pele folgada da
extremidade do prepúcio. Continuei puxando, até fazê-la chegar ao diâmetro
máximo para, no instante seguinte, ultrapassar a borda da glande, fechando-se
sobre a verga. Isso arrancou um gemido sibilado de Tiago, que vinha
acompanhando cada passo com uma expressão sonolenta e relaxada. Agora eu
empunhava seu longo membro ainda arqueado e macio, sentindo suas pulsações de
gigante e desejando-o com água na boca. Erguendo-me um pouco nos joelhos e
debruçando-me sobre o corpo de Tiago, envolvi a glande com a boca, sentindo na
língua o seu contorno, a sua textura, a rigidez, a temperatura e, logo depois,
o sabor único do fluido espesso que a envolvia completamente. Suguei-a e
saboreei esse sumo, desejando engoli-lo. Mas me contive e, rompendo uma
primeira barreira, fui depositá-lo na boca de Tiago, num beijo que o
surpreendeu mas ao qual ele respondeu sem reservas, fazendo-me sentir na mão o
quanto isso o excitara. Rapidamente voltei à felação. Eu não queria perder o
ponto exato. Repondo a tora na boca, pus-me a sugá-la, apertá-la, mordiscá-la,
num vaivém suave mas profundo que foi levando Tiago a um intenso estado de
excitação, que se manifestava por contrações das coxas, por longos gemidos e
por curtas frases, entrecortadas de suspiros, como: "Assim... chupa
gostoso, tio... Mama tudinho... Engole meu cacete... É tudo teu..."
Embora o diâmetro da verga não fosse tão grande, o
volume da glande de Tiago ocupava uma parte considerável da minha boca,
cansando-me os maxilares e forçando-me a fazer algumas pausas, durante as quais
eu beijava e sugava seus mamilos, a barriga, o umbigo. Ele gostava dos beijos.
Acho que, por ele, nós ficaríamos nos beijando durante horas, nus, enquanto nos
acariciávamos e masturbávamos. Mas eu preferia explorar com a boca o resto do
seu corpo e o que me deleitou sobremaneira foi o saco, com o malabarismo de
erguer as coxas para expô-lo completamente. Quando Tiago fez isso, pulei para o
sofá e, empurrando suas pernas para trás, abocanhei aquele pacotinho de carne,
sentindo-o na língua, pressionando-o e provocando em Tiago os gestos nervosos
do receio da dor. Mas eu não sou adepto do sadomasoquismo. Concebo o sexo como
prazer puro, apenas limiar da dor. Enquanto eu me dedicava àquele saco róseo,
cheio, liso, eu imaginava o orifício logo abaixo, exposto, ligeiramente aberto,
provavelmente pulsante e novamente receptivo. Isso me fazia descer mais, ir
lamber o períneo já resvalando a entrada. Era nesse momento que eu sentia meu
próprio pau pulsar furiosamente, o que me lembrava da minha incontestável
tendência ativa. Meu desejo mais animalesco, nesses momentos, era meter, meter
até gozar, encher o reto de Tiago com todo o esperma que eu pudesse emitir,
sentindo-o espremido pelo meu corpo. Mas meu exercício me cobrava controle,
racionalidade, equilíbrio, para não pôr tudo a perder. Tiago puxou as próprias
pernas para junto de si, deixando-me de mãos livres para tocá-lo onde quisesse.
Ele estava lá, a centímetros do final do saco, aberto como uma flor no centro
do sulco claro e perfeitamente liso. A posição de Tiago o esticava, tornando-o
parecido com um funil que se formava pela conformação natural da curvatura da
pele ou, para tentar uma metáfora astrofísica extravagante, parecido com um
"buraco de minhoca". No fundo do rego, a parede interna das nádegas
se tornava mais escura nos arredores do ânus e, em sua periferia, ia-se
aprofundando até fechar-se num imperceptível orifício já bem interno. Mesmo em
pleno contexto erótico, não pude evitar de abrir a boca.
— Você já deu muitas vezes, Tiago?
— Foi assim que eu comecei.
— Porque a sua primeira vez foi com um ativo?
— Não. Porque eu comecei com os meus meios-irmãos,
mais velhos que eu.
— Ah, entendo. Você prefere não falar nisso?
— Tanto faz.
— Como você preferir.
— Não vou dizer que eu não queria porque seria
mentira. Mas às vezes eles me comiam a dois durante um tempão, isso quando não
levavam mais um ou dois amigos lá em casa.
— Entendo. Já não tem mais nada a ver com gostar.
Olhei Tiago bem nos olhos e senti que ele era forte
quanto a essa questão. Ao que tudo indicava, isso não o tinha traumatizado. Não
havia nele sinal de sofrimento ou revolta. Ele apenas respondera à minha
pergunta sobre sua conformação anal e me dei por satisfeito.
Durante o nosso pequeno diálogo, permanecemos na mesma
posição, mas o longo membro de Tiago saiu da rigidez absoluta que ele acabara
de atingir e voltou a repousar sobre a barriga. Vendo-o na minha consistência
predileta, tornei a empunhá-lo, disposto a ir até o fim. Introduzi o mais que
pude na boca e retirei-o pressionando-o com força, arrancando um grunhido de
Tiago, que se agarrou com as duas mãos ao meu cabelo. Em seguida, chupei um
dedo indicador para lubrificá-lo bem e introduzi-o suavemente no cu aberto,
enquanto pus-me a sugar o pau com vaivéns ritmados, sentindo na boca a mudança
rápida da consistência, de macia para completamente rígida. Tiago tensionou as
coxas, puxou meu cabelo, gemeu, contorceu-se, agitou a cabeça e gritou:
"Ai, tio! Porra, que tesão! Vai, mama esse caralho! Faz ele gozar! Quero
te dar leite!"
Ajoelhado no sofá, entre as pernas de Tiago,
empunhando com toda força a tora vertical e masturbando-a simultaneamente na
região da base, perdi a conta de quantos vaivéns foram necessários para levá-lo
ao orgasmo. Embora ele gemesse sem parar e manifestasse estar literalmente
subindo pelas paredes, sua resistência à felação era notável, coisa de um verdadeiro
profissional. Um terço do seu mastro, agora rijo como um... pau (!), saía
encharcado da minha boca, ligado a ela por um fio de saliva espessa, para
tão-logo voltar a desaparecer dentro dela. Ainda assim, foi só quando eu tive a
idéia de concentrar-me no freio da glande e massageá-lo fortemente com a língua
que o resultado começou a anunciar-se. Senti a mão de Tiago vir ajudar-me a
masturbá-lo com mais força e, instantes depois, seu rosto se desfigurou e sua
boca se escancarou num longo "Ahhhhhhhhhhhh!", enquanto os jatos
começaram a se suceder, longos jatos que eu direcionei para o seu próprio corpo
e que iam deixando rastros de esperma em seu cabelo, rosto, peito e barriga
enquanto o corpo inteiro de Tiago se convulsionava em espasmos titânicos. Quando
eu revejo na imaginação aquela extraordinária emissão de esperma, fico abismado
até hoje. Eu esperava algo vigoroso, sim, mas o que vi foram seis ou oito jatos
densos e longos, separados por intervalos não menos expressivos, que colidiam
com o corpo de Tiago formando generosos veios leitosos que logo se espalhavam e
escorriam pelas curvas do corpo. O que lhe atingia o rosto, ele recolhia com os
dedos e levava voluptuosamente à boca, dando um sorrisinho malicioso
convidando-me profissionalmente a imitá-lo. Servi-lhe os excessos, que fui
recolhendo pelo seu corpo e fazendo-o sorver, vez por outra introduzindo-lhe
dois dedos na boca, que ele chupava, deixando-os quentes e molhados, o que se
refletia nas pulsações do meu pau continuamente duro. Não tenho dúvida de que
aquele foi o mais prodigioso orgasmo a que já assisti.
Depois dessa longa sessão de felação, fomos ao
banheiro para mais um banho, o que me permitiu ver mais uma vez o corpo desnudo
de Tiago em pleno movimento, sua bunda, coxas, barriga, peito, ombros... Ao
vê-lo molhado sob o chuveiro excitei-me novamente e, compreensivo, Tiago
afastou as pernas para me deixar penetrá-lo uma vez mais. Não vou descrever uma
cena corriqueira a leitores tão exigentes a habituados ao texto erótico. Vou
apenas mencionar que comer Tiago de pé, voltado para os ladrilhos do box,
agarrando-o pela cintura e saindo dele apenas para o orgasmo — que escorreu
pelas suas coxas e perdeu-se nas águas do ralo –, sentir suas mãos esfregarem
as minhas e seu corpo empinar-se contra o meu, todo esse contato, somado aos
momentos que vivêramos antes, despertou em mim um sentimento de intimidade que,
embora presente em estado embrionário, ainda não havia dado mostras de
que ia evoluir. Foi naquele momento, naquele segundo banho, que senti a
primeira centelha de real afeição por Tiago. Quando saí dele, em vez de
afastar-me, deixei-o virar-se e ficar a centímetros do meu corpo. O beijo
aconteceu espontaneamente, um beijo longo e muito profundo que o deixou
visivelmente perturbado, um beijo que escapou ao seu controle de profissional e
ao meu de "curioso" científico e racional. Enquanto esse beijo
imprevisível se eternizava, minha mão passeou pelo corpo liso e fime e nossos
sexos pulsaram juntos. Ainda pude, uma última vez, percorrer o caminho que
surgia logo atrás do saco para adentrar o sulco, demorando-me no períneo e
terminando no orifício generoso, introduzindo um dedo nele, depois dois, e
entregando-me àquele beijo tão necessário e improvável.
O dia ia se escoou rapidamente. Por volta das cinco da
tarde, convidei Tiago a um shopping, onde poderíamos comer e — eu não lhe disse
isso — comprar roupas. Fomos ao Rio Sul, o mais próximo. Comemos carne
vermelha, tomamos um vinho, Tiago adorou o tiramisu e, em seguida, fomos
percorrer algumas lojas do shopping. Ele saiu de lá vestido da cabeça aos pés.
Voltamos para casa, conversamos um pouco, fizemos sexo mais uma vez, desta vez
na cama, e dormimos profundamente. Fui acordado pela felação que ele me fez de
manhãzinha, mas não me levantei e logo tornei a pegar no sono. De madrugada, eu
me levantara e pusera um bom presente em dinheiro em sua calça nova, com um
bilhete que dizia: "Você foi delicioso como uma amante. E acredite, sei do
que estou falando." Assinei com um beijo.
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