[Um texto em maiúsculas desfila lentamente pela tela de uma
televisão.]
"Quantas vezes, depois do banho, ainda nua, me
deitei de bruços por cima da colcha e olhei para trás, para o espelho do
guarda-roupa, contemplando a pele branca e lisa das minhas coxas, o sulco que
separa os dois gomos brancos da minha bunda desejável e o risco sombrio que
separa os lábios carnudos do meu sexo cuidadosamente depilado. Ultimamente,
nesses momentos, me dou conta de que bem poucos sabem o que eu faço do meu
corpo; bem poucos dessa minha família grande, ruidosa, atrasada, fofoqueira e
hipócrita de subúrbio carioca. Para todos, sempre fui e continuo sendo a menina
certinha, comportada, caseira e estudiosa que está terminando o colegial na
escola pública do bairro e que "com certeza" (como odeio essa
expressão!) vai arrumar um marido evangélico e ter um casal de filhos
exemplares.
Acontece que tenho a minha própria vida, e já faz
tempo, desde quando comecei a descobrir que existe gente da minha idade mais
livre e muito mais feliz que eu. Fiz amizade com os "piores" alunos
da escola e descobri que eram pessoas maravilhosas. Com elas descobri o amor e
o sexo. Minha liberdade chamou a atenção de outras pessoas e acabei me
relacionando com gente de fora da escola. Tive namorados de outros bairros,
estudantes universitários, saí com caras mais velhos, homens adultos, dois ou
três até casados e com filhos. Eu vinha mantendo essa minha "segunda
vida" em segredo, mas agora, quero que saibam que sou completamente
diferente daquilo que todos pensam e, principalmente, que fiquem conhecendo
certas pessoas que me cercam, hipócrtitas, fingidas, algumas asquerosas, que se
aproveitaram dessa minha maneira de ser para se aproximarem de mim e me usar. Foi
por isso que decidi fazer esse filme e mandar cópias a vocês. Quando começarem
a ver, já vou estar longe e - espero - para sempre.
Meu único agradecimento vai para um amigo sem nome,
única pessoa que enxergou o que estava me acontecendo e que me cedeu sua casa,
preparou o equipamento, editou e fez cópias do filme que vocês vão ver a
seguir."
Segue-se uma sucessão de cenas gravadas com data e
hora.
10 de outubro de 2010,
12h30
Ruído de chave na fechadura. Marina entra sozinha no
pequeno conjugado, deixa seu material escolar na mesa e vai até a geladeira
pegar um refrigerante em
lata. Entre um gole e outro, ela se aproxima dos lugares onde
estão dissimuladas as duas câmeras, uma delas entre duas malas, sobre o
guarda-roupa; a outra, na última prateleira da estante, por trás dos ramos da
samambaia. Ela abre completamente a janela e fecha apenas a cortina. Depois, se
despe do uniforme e, mantendo apenas a calcinha, coloca uma camiseta curta, sem
mangas, que ela tira da mochila. Cerca de quinze minutos depois, o interfone
toca. Ela atende e manda subir. Ao ouvir a campainha ela abre a porta e deixa
entrar um homem de cerca de trinta e cinco anos, alourado, com entradas na
testa e uma camisa polo surrada.
— Oi, Jorge. Conseguiu se liberar, então?
— É, mas não foi fácil! Um cliente me segurou até agorinha.
— E a Neusa?
— Está tudo bem. Mas não vamos falar na tua irmã, não
é?
— Eu devia contar que o maridão dela trepa com a
cunhadinha.
— Não fala isso nem de brincadeira, Marina! Se a gente
se separa, são os teus sobrinhos que levam a pior.
— Tira a roupa logo, anda, que a gente tem pouco
tempo. Trouxe o que eu te pedi?
— Não consigo entender por que você mudou tanto. Pagar
pra transar contigo!
— A gente não transa, Jorge; a gente trepa. Sempre foi
assim e eu é que fui burra de ter demorado a entender. Você só quer o meu
corpo, então vou cobrar pelo uso.
— Ah, também não é assim, Marininha. Você sabe que eu
te ad...
— Tá legal. Agora tira a roupa e cala a boquinha que é
melhor.
Enquanto ele tira lentamente a camisa, a calça, as
meias e a cueca, colocando tudo no espaldar de uma cadeira, Marina tira a
camiseta e se deita com uma das pernas flexionada e expressão indiferente. Jorge
vai sentar-se ao lado dela, tenta beijá-la, mas ela desvia o rosto. Ele então
se debruça sobre ela e beija um dos seios, enquanto sua mão passeia entre suas
coxas e acaricia-lhe o sexo por fora da calcinha. Ela brinca com seu membro até
senti-lo duro e começa a masturbá-lo lentamente. Ele geme enquanto lambe e suga
alternadamente os dois seios cônicos. Ela tira a calcinha, ele acaricia seu
monte de Vênus depilado, procura a fenda e, ao primeiro gemido, monta-a,
afastando-lhe as pernas com as suas e penetrando-a de uma só vez.
— Aiê, seu grosso! E não vai gozar dentro, hein!
— Tá legal!
— "Tá legal", mas já aconteceu.
— Cala a boca, Marina! Assim você me corta o tesão!
retruca ele, já ofegante.
Ele acelera enquanto faz com que ela erga as pernas e
se enrosque nas suas costas. Depois, inicia uma série de estocadas vigorosas
que lhe arrancam gemidos fortes.
— As-sim... Mais forte... Me f-faz gozar...
Mas ele interrompe bruscamente, vai sentar-se sobre
seu peito e, masturbando-se com força, termina ejaculando fartamente em seu
rosto. Ela recebe impassível as emissões de esperma, de lábios apertados.
— Ué! Vai dizer que hoje não quer leitinho? diz ele,
passando-lhe o pênis ainda gotejante pelos lábios, tentando introduzi-lo.
— Mmpf! faz ela, repelindo-o.
— Ah é? Então vai lamber o meu saco. Raspei hoje, está
lisinho.
Imobilizada sob o peso do corpo de homem, Marina
obedece e lambe-lhe os testículos enquanto ele volta a masturbar-se, ainda
muito excitado.
— Ahhh! Que delícia de linguinha, cunhadinha. As-sim...
Lambe gostoso... Mordisca... Assiiiim! Vou fazer uma coisa para você.
Sempre sentado sobre ela, Jorge passa uma mão para
trás e começa a esfregar energicamente o dedo médio entre os lábios carnudos,
muito úmidos e entumescidos, masturbando-a. Isso a distrai e ele aproveita pra
introduzir seu membro em sua boca.
— Chupa gostoso o teu cunhadinho, vai...
Enfraquecida pela excitação involuntária, Marina não
consegue mais repeli-lo e acaba cedendo ao vaivém que o leva a uma segunda
ejaculação, desta vez integralmente em sua boca.
— Vai dizer que não gosta mais, Marininha? Você sempre
bebeu o meu leite! Engole tudo, vai.
O esperma escorre pela boca de Marina, que se recusa a
engoli-lo. Ao mesmo tempo, seu próprio orgasmo se desencadeia. Ela segura
fortemente a mão de Jorge, deixando que os espasmos cuidem de fazer com que
seus dedos a penetrem profundamente. Ele desfecha golpes de pélvis em sua boca
causando-lhe ânsia e forçando-a a engolir esperma. Quando ele termina, joga-se
de costas ao seu lado, ofegante.
— Nossa! Foi bom, hein?
— Hãhã, você é o máximo! faz ela com ar debochado. E
agora, banho, senão vai se atrasar.
— Puxa, Marininha, você mudou tanto! Que frieza!
— É mesmo? Pois você continua igualzinho, o que é uma
pena. Fora da minha cama!
Jorge vai para o banheiro e sai cinco minutos depois,
com ar vitorioso, de cabelo molhado e pênis amolecido, porém ainda grosso e
armado. Marina entrega-lhe peça por peça da sua roupa, seus pertences e vai
abrir a porta. Eles se despedem sem mais, ela desvia de uma tentativa de
"estalinho", tranca a porta à chave e vai tomar banho de porta
aberta. O box fica fora do ângulo de cobertura das câmeras; só se vê a porta,
uma porção do chão de pastilhas brancas e parte da pia com os ladrilhos azuis
da parede ao fundo. Minutos depois, ela sai do banheiro, repõe a camiseta sem
manga e vai debruçar-se na janela para ver o movimento da rua barulhenta.
14h25
O interfone toca; Marina atende. A campainha toca; ela
abre a porta. Um homem aparentando quarenta anos, corpulento e muito mais alto
que ela, com um pacote na mão, dá um passo para dentro já tentando abraçá-la
com a mão livre e beijá-la na boca. Ela não não se opõe e o beija gentilmente,
sorrindo logo após.
— Que bicho te mordeu, Bernado?
— Você está linda! Toma.
— O que é?
— Você vai gostar. Abre!
— Então fecha a porta e entra.
Enquanto ele tranca a porta, ela vai até a mesa e
rasga o pacote.
— Pudim de claras!
— Você adora, não é?
— Amo. Como é que você sabe?
— Lembrei do dia de Ano Novo.
— Ah..., faz ela, secamente, ficando imediatamente
séria.
— Vai ficar chateada?
— Bernardo, você era o meu gerente e não fez nada para
me manter naquela loja, poxa!
— Esquece isso, vai! Foi no início do ano. Além disso,
você estava detestando aquele emprego.
— É, mas você conhece alguém que goste de ser
despedido?
— Não pude fazer nada, Marina! Você namorou o filho do
dono e começou a transar com o irmão ao mesmo tempo! A gente já falou nisso
milhares de vezes. Foi o próprio Célio que te mandou embora, o dono! O que é
que eu podia fazer? Nem sei como é que eu topava continuar saindo com você,
sabendo que você estava envolvida com eles. Eu arrisquei meu emprego, isso sim!
— Vai dar uma de vítima agora, Bernardo? Pra cima de
mim? Sou nova mas não sou burra!
— Pronto, lá vamos nós...
— Bernardo, assume que foi você que me fez sair da
loja! Você teve medo que o Célio descobrisse que eu saía com você e te
despedisse por botar chifre no filho dele. Diz logo a verdade que eu já sei de
tudo; a Antonieta me contou.
— A Antonieta? Aquela velha só inventa!
— Sabe de uma coisa? Você deveria ir embora e nunca
mais me procurar.
— Mas eu te amo, Marina! Não quero te perder, nunca! Olha,
eu trouxe mais do que você pediu. Não sei por que você quer dinheiro, mas não
interessa, nem vou perguntar. Está aqui, olha.
Bernardo enfia a mão no bolso e tira um maço de notas,
que ele folheia diante da jovem. Ela o interrompe, pega o dinheiro e deixa na
mesa. Em seguida, ela o puxa pela mão até a cama, põe-no diante de si e abre
seu cinto, solta o botão de cima, desce lentamente o zíper e baixa o elástico
da cueca. Bernardo olha para baixo com ar embasbacado enquanto ela traz para
frente o seu membro em curso de ereção, um pênis longo e grosso com uma
volumosa glande descoberta. Ela o empunha com força, olhando o homem nos olhos
com um sorrisinho malicioso, em seguida lambe a glande por baixo e,
escancarando a boca, envolve-a. Ato reflexo, o homem leva a mão à cabeça dela
e, amparando-a por trás, inicia um vaivém lento enquanto fecha os olhos e geme
baixinho. Marina acaricia-lhe os testículos enquanto admite com certa
dificuldade um terço do grosso membro entre seus lábios carnudos.
— Isso... Chupa gostoso... Assim... Engole mais... Mais...
Com a habilidade de uma profissional, Marina permite
que o monstro lhe invada a garganta provocando uma ânsia suficiente para que,
ao retirá-lo da boca, um denso fio de saliva desça em arco sem se romper. Ela
parece saber que é isso que leva Bernardo ao delírio. O homem traz
carinhosamente sua cabeça para frente e torna a mergulhar o membro encharcado
em sua boca, copulando com ela como se fosse um terceiro órgão sexual. A cada
vez, ele parece comprazer-se vendo o fio translúcido ligando o pênis à boca bem
feita. Após cinco ou seis repetições, ele convida Marina a por-se de quatro na
cama, baixa a calça até os tornozelos e empunha o pênis, cujo comprimento
ultrapassa de longe o seu punho fechado, enquanto fica admirando os dois gomos
brancos e salientes que Marina lhe oferece sem pudor enquanto olha para trás,
encarando-o com o mesmo sorrisinho nos lábios. Ele a chicoteia com sua longa
verga, depois encaixa-a no rego, grudando-se lascivamente ao seu corpo e
passando as mãos enormes em suas costas.
— Você é gostosa demais! Não consigo ficar muito tempo
sem te ver!
— Sei! ironiza ela, dando uma reboladinha.
— É sério! Quando a gente fica sem se ver uma semana,
eu começo a ficar nervoso. Essa bundinha empinada pra mim me faz falta demais.
E essa bucetinha depilada, então, já me fez gozar não sei quantas vezes no sono!
— Então anda logo que ela tá prontinha pra você.
Excitado, ele pincela a vagina, separando as bordas
dos grandes lábios que afloram, carnudos, logo abaixo do botão anal. Ajustando
a glande à entrada, ele segura Marina pela dobra das coxas e vai abrindo
espaço, penetrando-a lentamente, arrancando-lhe gemidos entrecortados, mistura
de prazer e dor. Encaixado nela pelo máximo diâmetro da volumosa glande, ele
começa a oscilar num vaivém curto, lento e ritmado, até que a lubrificação
libera o movimento. A cada entrada, Marina emite um gemido que parece misturado
ao susto, como se cada penetração a surpreendesse. Mas o prazer está lá,
indubitavelmente. O modo como ela contribui com o movimento, respondendo aos
vaivéns de Bernardo, a maneira como ela mexe a cabeça e rebate o cabelo com a
mão, a aflição com que ela acaricia um seio ou leva a mão à vagina para
estimular o clitóris, tudo isso indica prazer. E o homem resiste bem, sem dar
sinal de orgasmo próximo. Ele saboreia cada penetração, olhando para o seu
membro que acaba por desaparecer completamente no corpo ondulante e voluptuoso
colado a ele. Como ele parece orgulhoso e seguro de si tomando-a assim, pelas
ancas, ele de pé, ela de quatro na cama! Periodicamente ele deixa cair um longo
fio de saliva no tronco do membro para lubrificá-lo. À certa altura, os gemidos
de Marina vão se aproximando. Ele então cospe de novo, desta vez, não sobre seu
membro, mas pouco acima. Em seguida, ele massageia a região com o polegar e vai
lentamente afundando-o. Marina desaba sobre os antebraços e grita, mordendo a
colcha: "Seu puto!" Ele aprofunda o dedo em seu ânus. O orgasmo da
menina se anuncia; ela geme, se contorce, choraminga.
— Me fode, anda! Soca mais forte! Me faz gozar muito!
— Então goza, minha princesa! É tudo que eu mais quero
ver.
Acelerando o vaivém, Bernardo leva a Marina a um
orgasmo tão intenso que ela parece perder os sentidos na cama. Só sua mão
crispada agarrando a colcha continua a mover-se voluntariamente. O resto do
corpo é literalmente arremessado para frente pelas estocadas do homem que, a
cada uma delas, precisa puxá-lo para trás com seus braços poderosos.
— V-vou gozar! ele anuncia.
Marina, aos soluços, está entregue a um orgasmo
contínuo. Bernardo retira o seu membro para, masturbando-se vigorosamente,
disparar cinco ou seis jatos que a atingem no alto das costas, em um ombro, no
cabelo. Ele enxuga a glande na parte plana logo acima do rego e, por fim,
deita-se completamente sobre Marina, beijando-lhe a cabeça e cochichando coisas
inaudíveis enquanto se encaixa novamente nela, certeiramente, por entre as
coxas. Ela não o repele e ambos ficam imóveis por alguns momentos, ele
movendo-se lentamente dentro dela.
— Vai embora, Bernardo, diz ela, após alguns instantes.
— Mas...
— Toma banho e vai embora.
O homem sai de dentro dela ainda em final de ereção. Marina
está imóvel na cama, de bruços, voltada para o lado oposto à porta do banheiro.
Com uma mão para trás, ela se apalpa, como se para verificar a integridade do
seu sexo.
— Está estranha, menina. Aconteceu alguma coisa?
— Volta para a loja, Bernardo. Teu amigo Célio já está
sendo muito legal de te deixar tirar hora de almoço tão tarde. Já basta uma
posta na rua.
— Deixa de ser sarcástica. Até parece que sou o único
culpado!
— Não quero mais falar disso. Vai embora.
Acabrunhado, ele vai para o banheiro e toma um banho
rápido. Ele se veste em silêncio e se despede de Marina com um beijo paternal
na testa, recebendo dela um beijo no rosto mas inegavelmente afetuoso. Ele sai
do apartamento praticamente sem dizer palavra, visivelmente abalado. Marina se
levanta, tranca a porta, se detém por alguns segundos com a mão na chave e vai
para o banheiro enxugando os olhos.
15h30
Marina zanza pelo apartamento. Ela se deita, vai até a
janela, reconta o dinheiro, abre o guarda-roupa, volta à janela, abre a
geladeira, mexe no material de escola, folheia cadernos sem abri-los
completamente, volta à janela, liga a televisão...
16h15
O interfone toca, ela atende e manda subir. Ela abre a
porta e espera. Um homem de cerca de 30 anos, camisa xadrez de manga arregaçada
para fora da calça jeans aparece, sorridente, mas com ar apreensivo.
— Oi, Marina.
— Oi. E aí, teve que procurar substituto?
— É, o teu telefonema me deixou preocupado. E este
endereço estranho... Não tinha outro jeito, né? Mas o Castro estava me devendo
uma; ele vai dar essa aula no meu lugar.
— Pois é, não tinha outro jeito. Pelo menos eu te
avisei. Eu poderia nem ter dito nada e sumido na poeira. Bom, você nem ia se
importar. Tanta aluninha dando em cima, né?
— Para com isso, Marina. Você sabe que você é especial
para mim.
— Hãhã. Especial se eu não quiser sair com você, ir ao
cinema, conhecer seus amigos.
— A gente já conversou tanto sobre isso, Marina. Pega
mal, um professor ser visto com uma aluna.
— Sem essa, Ricardo! Todo mundo sabe que você queria
mais é que todos vissem vocês, só porque ela é loura-de-olho-azul!
— Pára, Marina! Não é nada disso.
— Pára você! Eu estou sabendo que você não me dispensa
porque eu nunca recusei transar. Você pegou a "virgenzinha liberal"
da sala. Que burra que eu fui.
— Marininha, você está sendo injusta. E você nem era
virgem.
— Era quase. O canalha do meu cunhado estava mais
perto de mim, vivia lá em
casa. Foi mais fácil para ele. Mas você veio logo depois; eu
ainda me sentia virgem.
— Não exagera, vai. Ele diz isso aproximando-se,
beijando-a nos lábios, enquanto as mãos passeiam pelas nádegas salientes.
— Você vai ter o que gosta pela última vez, Ricardo.
— Ah! Deixa disso! Última vez por quê?
Sem tirar a camiseta, ela se vira para a mesa,
dando-lhe as costas. Ele a garra por trás, esfregando-se sofregamente nela e
apalpando seus seios.
— Sssss! Adoro essa bundinha!
— Anda, tira a roupa, ordena ela.
— Pra que tanta pressa?
— Tira logo! Estou mandando.
Ele se despe. Seu corpo é magro, com pouco pelo no
tronco, mas as coxas bem recobertas. Um membro de cerca de 17cm desponta já
rígido da cueca e se instala contra o corpo dela, que se empina oferecendo-lhe
o que parece ser o objeto máximo do desejo do professor. Ele põe um joelho no
chão e, com os polegares, afasta os dois gomos carnudos começando imediatamente
a passar a língua pelo interior do sulco. Marina fecha os olhos e geme. Cerca
de dois minutos depois, o homem se levanta, lambe o dedo médio e o introduz
lentamente no ânus umedecido pela saliva. Ela geme, segura-lhe a mão, mas não o
impede. Ele permanece dentro dela por alguns instantes enquanto a beija
enfiando-lhe profundamente a língua na boca, fazendo-a gemer enquanto movimenta
sua mão por trás dela. Um gemido mais forte leva a crer que ele tenha
introduzido outro dedo em seu ânus ou, pelo menos, tentado, mas as mãos
encobrem a cena, que escapa à câmera. Pouco depois, Ricardo aplica a glande
contra o orifício, pergunta se Marina está pronta e inicia um vaivém externo,
pressionando a zona elástica do ânus, num vaivém paciente, mas intenso e eficaz
porque a glande logo desliza para dentro. Marina sufoca um berro. Ricardo cospe
no membro para lubrificá-lo e logo começa a aprofundá-lo, até unir seu corpo ao
dela, puxando-a bem para si e penetrando-a ao máximo com movimentos circulares.
— Já entrou tudinho... geme ela, com certo desconforto
na voz.
— Eu sei, mas não quero deixar nenhum restinho de
fora. Quero dar todo o meu pau para você. Mexe a bundinha pra mim, vai.
— Tá, mas vai devagar.
— Posso gozar dentro?
— Ah não!
— Deixa, vai. Se é a última vez...
— Não, Ricardo. Você, não. Você é muito galinha.
— Ah, é isso que você pensa de mim, é? retruca ele em
tom jocoso.
— Não goza, hein!
Sem responder, Ricardo segura Marina firmemente pelas
ancas e intensifica o vaivém, produzindo um barulho forte a cada choque das
coxas. Ela percebe que ele não vai parar e tenta desvencilhar-se, mas ele é
muito maior, mais forte e a impede. Num último esforço, ela consegue sair da
mesa e ir para o chão, mas, sem sair de dentro dela, ele a imobiliza de bruços
penetrando-a violentamente. Ela se debate, tenta afastá-lo com as mãos e
pernas, mas é inútil. A luta parece transtorná-lo de excitação. Seu domínio é
total. Ele se apoia nela com as duas mãos espalmadas nas costas. Colada ao
chão, ela pode apenas erguer a cabeça enquanto o membro grosso e molhado emerge
brevemente para tornar a desaparecer entre os dois gomos brancos até que,
subitamente, o homem estanca com o membro totalmente inserido nela e, apertando
os olhos, numa expressão de prazer extremo, começa a ter uma série de pequenos
espasmos, pressionando seu corpo contra o dela, gemendo continuamente. Marina,
de olhos esbugalhados e queixo no chão, deixa-se dominar sem mais nenhuma
resistência. Findo o orgasmo, o homem permanece encaixado nela por alguns
momentos, afagando seu cabelo, tentando ver seu rosto e cochichando coisas que
o microfone é incapaz de captar. Por fim, ele sai dela e tenta convencê-la a
levantar-se, mas é inútil.
— Vai embora, Ricardo.
Ela diz isso sem se levantar, com a cabeça sobre os
braços cruzados. O rapaz sai do campo visual ao entrar no banheiro. Ela se
levanta e passa para a cama, ficando deitada, olhando para as mãos contra o
fundo branco do teto, com ar indiferente. Minutos depois, ele ressurge, todo
vestido, tenta falar com ela, mas ela se limita a estender a mão espalmada. Ele
pega no bolso um maço de notas previamente dobradas e presas com um elástico,
lhe dá o dinheiro e sai do apartamento. Marina se atira na cama e chora convulsivamente.
17h30
Já recomposta, de banho tomado e vestida, Marina está
sentada à mesa tomando outro refrigerante e comendo uma espessa talhada de
pudim de claras. Diante dela, um maço de notas. Ela começa a triá-las pelo
valor e, com um sorriso infantil, coloca tudo num saco plástico preto que ela
põe no fundo da mochila. Em seguida, escreve alguma coisa numa folha de papel,
que ela deixa sobre a mesa antes de ir embora. Esse texto é a última
manifestaçã de Marina aos seus familiares e conhecidos. Assim como o texto do
início, ele aparece em caracteres brancos, no final de cada uma das cópias
distribuídas do seu filme.
"Já chega desta vida traçada pelos outros!
Pais, irmãos, tios, primos, professores, vizinhos,
colegas, patrões... Todas essa gente me foi imposta, não foi escolhida por mim.
É impossível gostar de verdade quando a relação é imposta. Foi por isso que
alguns de vocês, que estão vendo este filme, agiram com tanto egoísmo e me
fizeram sofrer.
Vou embora. Não levo ressentimentos, mas quero traçar
minha própria vida para fazer o meu caminho com as pessoas que eu escolher.
Sei que vou ser feliz!
Marina"

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