21. Fugindo do Inferno
O jantar em tête-à-tête com Kleber foi
agradável, mas Aninha prefere voltar para casa em vez de ir com ele para o
apartamento do Peró. A verdade é que a idéia do tal "encontro de
esclarecimento" a incomoda; ela não está acostumada a dar satisfações
sobre sua vida. À noite, ela se abre com Soraya, confidencia-lhe que a presença
de Gabriel a incomoda e comunica a decisão de tentar se afastar por uns dias. Na
manhã seguinte, enquanto trocam de roupa para começar a trabalhar na butique,
ela pergunta a Rômulo se não poderia passar uns dias com ele.
— Se você não se incomodar de
morar com mais dois caras naquela zona de apartamento, por mim está ótimo! diz
ele, bem-humorado.
— Qualquer coisa para sair de perto do
Gabriel, Rômulo. Não sei porque, não estou conseguindo olhar
para cara daquele menino.
— Estranho
mesmo, Aninha. Espero que um dia você me conte o que está acontecendo.
— Conto assim que a poeira
baixar, mas por enquanto, eu... Caramba, já tem gente na
porta!
— Eu estou pronto. Vou lá
abrir.
Rômulo abre a porta
diante dos olhos embevecidos das clientes que deparam com ele numa sunguinha
preta toda estampada de pequenas conchas. Algumas, até mesmo desconhecidas,
passam por ele já tratando-o pelo nome, dando um jeitinho de tocá-lo, quando
não de cumprimentá-lo com dois beijinhos. Um jovem acompanhado de dois amigos
aponta discretamente para dentro da loja, onde Aninha já está a postos, num
biquíni que chama a atenção pelo brilho resplandecente de um branco de neve que
envolve e destaca as formas ocultas do seu corpo moreno e escultural. Os
clientes entram e mais um dia de sucesso se inicia para a Conchas e Crustáceos.
Stéphanie aparece
por volta das 11h da manhã, com ar cansado, seguida por Gabriel, que olha para
Aninha com ar apalermado.
— Que foi, menino? cochicha-lhe ela.
— Nada! Estou só matando a saudade de ver você
de biquíni, posso? Faz um tempão que a gente não vai à praia junto; eu já
estava esquecendo!
— Muito engraçado, faz ela, com ar de nojo. E
aí, virou empregadinho da francesa, é? Empregadinho ou cachorrinho?
— Não estou entendendo, Ana. Eu fiz alguma
coisa para você estar desse jeito?
— Deixa para lá, Gabriel. Vai atrás dela, vai.
Ela deve estar precisando de você.
E com efeito,
Stéphanie logo chama por ele, mostrando-lhe caixas vazias e mercadoria a ser
devolvida a serem levadas para o carro. A antipatia que Aninha sente por ambos
naquele momento só confirma o acertado de sua decisão. Depois de fecharem a
loja, ela vai com Rômulo até o apartamento, enche uma bolsa com o necessário
para passar pelo menos duas semanas fora, deixa um recado para Soraya e eles
seguem para a rua dele, bem mais central e convenientemente próxima do
trabalho.
— Puxa, vocês moram pertinho da butique!
— É, eu vou a pé todo dia. Bom, daqui a uns
dias não vai mais ser todo dia porque a faculdade vai recomeçar. Já falei com a
Steph e ela vai empregar mais um.
— É, você tinha me falado... Espero que ela
arrume alguém legal.
— Eu indiquei um amigo meu e acho que ela
gostou. Bom, chegamos. Bem-vinda ao caos!
Uma ampla sala de
paredes nuas e cortina improvisada com um cobertor; um sofá-cama que virou cama
desfeita; latas de cerveja e copos por todo lado; havaianas e tênis no chão;
uma mesa com cartas de baralho espalhadas e dois cinzeiros cheios; a televisão
ligada e música vinda do quarto, um odor carregado de cinza de cigarro fria
misturado com macarrão instantâneo e banho recém-tomado. Quando a porta se
fecha atrás de Aninha e Rômulo e um "Cheguei, galera!" ecoa, duas
vozes graves interrompem uma conversa em curso entre quarto e banheiro e uma
cabeça molhada e despenteada surge do corredor.
— E aí, Rômulo!
Menos de cinco
minutos são necessários para explicar a Sávio e Mateus que Aninha passará duas
semanas com eles. Os três amigos se conhecem desde sempre não é a primeira vez
que a namorada de um se integra ao grupo por um período. Aninha é bem-vinda,
mas fica bem óbvio que eles não vão mover uma palha para mudar de hábitos. Eles
voltam ao que estavam fazendo e retomam o papo por sobre um som de vozes,
bateria e guitarras que não se poderia propriamente chamar de fundo musical.
Mas Aninha está
relaxada. Os meninos são simpáticos, bonitos e Rômulo se desdobra em atenções
por ela, visivelmente empolgado por essa relação que tem tudo para ser
extremamente erótica. Ela não se ilude, não há amor, mas há afinidade
profissional e muita atração mútua. E o fato de estarem ambos fora do seu
habitat natural, longe de cidade e família, torna tudo muito interessante. Motivada
e autônoma, ela toma a iniciativa de ir explorar o apartamento composto de uma
boa sala de cerca de 20 metros quadrados, um quarto um pouco menor, banheiro,
cozinha e uma pequena área de serviço com vista para a rua de trás e
comportando um minúsculo banheiro com chuveiro e um quartinho de 4 metros
quadrados equipado apenas de uma cama com gavetas soterrada numa enorme pilha
de objetos de todo tipo: mochilas, cobertores, jornais velhos, etc.
— Você pode ficar aqui, lhe diz Rômulo,
abraçando-a por trás e dando-lhe um beijo na nuca. Depois que a gente der um
jeito na bagunça, claro!
— Adorei! Mas você vem me visitar toda noite,
não é? retrucou ela, envolvendo seus braços e empinando-se, esfregando-se nele
como uma gata e procurando sua boca para beijar.
Assim que Mateus
tranca a porta para Sávio, que sai para encontrar com a namorada, ele vai
espontaneamente juntar-se aos recém-chegados. Sabendo-os do lado de fora, ele
atravessa a cozinha já abrindo a boca para dizer alguma coisa quando, chegando
à porta da área de serviço, ele vê, no final, Rômulo com a bunda transparecendo
entre a bermuda e a camiseta, em plena atividade sobre Aninha de pernas
escancaradas na cama, onde eles apenas fizeram um espaço entre a bagunça. A
bunda branca e lisa se destaca num vaivém forte e ruidoso enquanto Aninha
sussurra com uma voz que se esgarça: "Fode, fode, fode, fode... Isso,
assim, fode gostoso..."
Mateus não sabe o
que fazer. Exitadíssimo, ele não recua, mas também não avança e muito menos
abre a boca. Seu sexo endurece no velho short de bocas largas e ele decide
assistir, pelo menos um pouco, em silêncio. Puxando a boca da cueca, ele faz
escapulir o membro e o empunha para masturbar-se enquanto observa. Detendo o
olhar entre as coxas de Rômulo, ele encontra o saco que colide a cada impacto
com o corpo de Aninha, mas o que mais chama a sua atenção é o rego, no fundo do
qual ele consegue ver o sombreado do orifício a cada vez que Rômulo se afasta
para preparar a arremetida seguinte. A distância que separa a porta da área da
porta do quartinho é de 3 metros; a cena inunda as suas retinas com riqueza de
detalhes. De tão excitado, esse calouro universitário dono de um histórico
ainda esparso de experiências sexuais vê-se obrigado a largar o membro para
evitar a ejaculação intempestiva. Ele o contempla ultrapassando a boca do
short, pulsando, todo duro e grosso, enquanto se esforça para ouvir os sussurros
no quartinho.
— As-sim eu v-vou gozar... geme ela.
— Então goza gostoso para eu ver,
retruca ele sem parar nem um instante de ir e vir dentro dela.
— Ahn...
A certa altura,
talvez buscando maior comodidade, Rômulo dá um jeito de subir de joelhos na
cama e Mateus pode ver seu membro penetrando Aninha quase na vertical,
estreitamente envolvido pela borda da vagina. A cena é alucinante e Mateus
retoma sua masturbação, embora mais cautelosamente. E a recompensa vem mais uma
vez através da voz de Aninha.
— Ahh... Ahh... Ai, Rômulo, está muito bom... Estou...
Estou gozando demais... demais...
— Então goza muito para eu ver. Quero te fazer
gozar muito.
Depois dos espasmos,
as pernas dela amolecem, a voz se esvai, gemidos moles tomam o lugar da tensão
e Aninha acaricia as costas de Rômulo, abraçando-o e beijando-o na boca. Chega
então a vez dele, e ele anuncia que vai gozar, mas ela o interrompe com a voz
lânguida.
— Me dá na boca... Quero na boca... pede ela,
empurrando-o gentilmente para trás.
— Na boca? Vai engolir tudinho? Está falando
sério, Ana?
— Quero sim. Vem.
Mateus mal acredita
no que acaba de ouvir. Ele daria tudo para estar no quarto com eles e assistir a
isso de um ângulo que lhe permitisse ver o que está para acontecer. Mas ele só
vê Rômulo de pé, de costas para ele, e as mãos de aninha afagando agora as suas
coxas. De mãos na cintura, seu amigo afortunado olha para baixo e acompanha
atentamente o desenrolar deste que é o sonho de qualquer jovem em se tratando
de orgasmo. Subitamente, sua cabeça vai para trás e seu corpo vacila.
— Ahhh! Ahhh! Ahhh! faz ele, assaltado pelo
orgasmo.
— Hm... Hm... faz Aninha, mostrando apreciar o
que lhe vem à boca enquanto acaricia suas coxas.
O pobre Mateus,
dividido entre a frustração e o êxtase, decide concentrar-se na bunda do amigo,
que ele vê em todo o seu esplendor e redondeza depois que este ergueu-se. Ela
oscila, balança, vai e vem, saltita. Mateus sente a fisgada no períneo e
dispara um primeiro jato que colide com o batente da porta da cozinha e escorre
enquanto outros se sucedem sem que ele se dê conta de que terá que apagar essas
evidências. Seu orgasmo é tão forte que ele é obrigado a apoiar-se. Em seguida,
atabalhoadamente, ele repõe o membro encharcado na cueca e, aí sim, repara o
"estrago" e vai à cata de algo para limpá-lo. Só lhe ocorre o papel
higiênico. Ele vai até o banheiro, não encontra papel no rolo, abre outro, pega
uma boa, mas quando volta, topa com Rômulo e Aninha passando precisamente pela
porta da cozinha para a área. Eles olham para o papel higiênico que lhe pende
da mão e para o seu inocultável ar de afobamento.
— Está tudo bem, Mateus? Está parecendo
nervoso.
— Não... é que eu esqueci de pegar uma coisa
lá no tanque.
Aninha e Rômulo se
entreolham, riem maliciosamente e continuam em direção à sala.
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