Dentre as minhas lembranças mais vívidas estão aquelas
que evocam certos episódios envolvendo a minha prima Marlene, filha de um dos
meus tios por parte de pai. Eu
a achava linda, com seu cabelo castanho e cheio, o narizinho pontudo, os lábios
carnudos na medida certa e um olhar vivo, carregado de malícia. Eu mal tinha
entrando na puberdade quando ela já estava em cheio na
"aborrescência", insuportável em casa, geniosa, mal-humorada,
impaciente com pai, mãe e irmãos. Quando eu ia à casa dos meus tios, era imediatamente
abduzido por ela, que me levava ao seu quarto e me submetia ao que agora sei
ser um verdadeiro bombardeio erótico, mas que na época despertava em mim apenas
uma certa condescendência para com a prima entediada. Em minha paciência
infinita, eu a assistia vestir-se e despir-se interminavelmente para desfilar
com suas roupas mais exóticas, quando não em topless e algumas vezes
completamente nua. Eu me limitava a tentar comparar seu corpo moreno e
harmonioso aos de amigos que eu já vira nus, especialmente atento ao triângulo
de pelos escuros cuidadosamente aparados acima da região que no corpo deles e
no meu próprio não é plana, que despertava-me mais a atenção do que os seios
bicudos e saltitantes ou a bunda bem feita, ou até mesmo que a fenda que eu via
entre as coxas bem torneadas dessa minha prima em plena efervescência hormonal.
Às vezes, ela me puxava da cama onde eu me sentava para assistir ao espetáculo
e tirava-me para dançar, colando-se ao meu corpo. De menor estatura que
ela, eu a abraçava como podia e acabava com as mãos pousadas no alto de cada
gomo saliente e firme que eu encontrava no final de sua pronunciada curva
dorsal, ao mesmo tempo que ouvia o roçar dos pelinhos pubianos na trama da
minha camiseta ou suéter e, de orelha colada no osso esterno, o martelar do seu
coração. Esse era o programa que me esperava invariavelmente nos dias de visita
com meus pais à casa da prima Marlene, e a vergonhosa confissão que me vejo
aqui obrigado a fazer é que eu saía de lá mais entediado do que tinha entrado,
e sem muito desejo de voltar.
Certa feita, meus tios, os pais de Marlene, deram uma
grande festa, durante a qual brinquei febrilmente com meus primos e os filhos
de outros convidados sem dar muita atenção à minha prima, que eu via
conversando aqui e ali, ora com um ora com outro dos rapazes um pouco mais
velhos que ela. Eu só interrompia a minha correria pelo jardim e em volta da
piscina para pedir uma Coca num copo longo com bastante gelo a alguma tia ou à
minha mãe. Naturalmente, à certa altura tive que dar a mão à palmatória e ceder
à premência fisiológica, mas como os banheiros do andar de baixo estivessem
impraticáveis, resolvi ir até a suíte dos meus tios, no andar de cima.
Para um menino, tudo é motivo de suspense, e caminhar
no segundo andar vazio tranformou-me instantaneamente no grande detetive que eu
era nessas circunstâncias. Pé ante pé, fui até o quarto dos meus tios, empurrei
a porta, caminhei pelo carpete fofo até o canto direito oposto a ela e, ao
chegar à porta do banheiro, que encontrei ligeiramente entreaberta, a supresa:
havia alguém.
Ela estava sentada no vaso, de pernas escancaradas,
curvada, observando sua "grutinha" – era esse o apelido
carinhoso que Marlene dava ao seu sexo quando estávamos juntos – que ela abria
amplamente com os dedos, exibindo o que na época me chamou a atenção pela cor
de rosbife. A cena não me espantou sobremaneira; fiquei apenas curioso por
saber o que é que a interessava tanto, ali. E, claro, não tardou muito para que
ela me descobrisse parado diante da estreita abertura da porta.
— Está fazendo o quê parado aí, menino?
— Nada! Quero fazer xixi, só isso, respondi
honestamente.
— Então entra, ordenou ela.
Devo ter perguntado o que ela estava fazendo, mas só
me lembro que ela me puxou pelo braço e foi abrindo minha calça, que ela baixou
lentamente, depois a cueca, descendo-a até os pés e deixando-me assim, nu da
cintura para baixo, diante dela sentada e também nua da cintura para baixo. Em
seguida, voltando a escancarar as pernas, ela tornou a abrir a
"grutinha" expondo-me o seu interior cor de rosbife.
— Está vendo esse furinho? perguntou ela, apontando
para o minúsculo orifício do hímen.
— Hum-hum, respondi, me abaixando para ver de perto.
— Então, ele tem que abrir para a gente ter filho, e é
um menino com o pinto dele que tem que fazer isso, mas tem que ser um pinto
muito maior que o teu, senão não adianta.
Olhei para baixo e comparei minhas dimensões ao
diâmetro do orifício, não entendendo por que razão seria preciso um pinto muito
maior que o meu para entrar num furinho que mal se via.
— E para entrar, ele tem que ficar todo duro,
acrescentou ela, apontando com o nariz para a insignificante flacidez no meu
baixo-ventre.
— Mas o meu fica duro, quer ver? retruquei, na mais
santa inocência.
— Mostra.
Não precisei de muito tempo para obter uma ereção, mas
me concentrei em outras coisas porque aquele cenário de banheiro com a feia
grutinha da minha prima em primeiro plano não tinha nada de motivador. Alcançado
o resultado, ela avaliou, reflexiva.
— É, também não sei por que é que precisa ser grande,
mas é assim e pronto.
— Será que não dói? Eu já vi o do papai no banho e é
grandão. Você já viu o do tio? perguntei seriamente, aludindo ao pai dela.
— Não, só vi o do Pedro, um colega lá da escola, e
fiquei apavorada só de imaginar aquilo entrando em mim. Bom , mas é assim
mesmo e quando chegar a hora, deve dar certo, não é? fez ela soltando seus
lábios verticais e pousando os antebraços nas coxas.
— Deve, respondi, distraído, olhando meu pinto voltar
ao repouso e colando as coxas uma na outra, de vontade de fazer xixi.
— Vem, anda, você está apertado, disse ela, já se
levantando e puxando a calcinha enquanto eu suspirava aliviado, contemplando o
arco amarelo e farto formar-se e ir percutir na água do vaso.
A impressão que me ficou daquele dia é a de que quando
Marlene saiu do banheiro, também saiu da minha vida, porque a lembrança
seguinte que me relaciona pessoalmente a ela data de anos depois. Não que eu
tivesse deixado bruscamente de vê-la, mas os desfiles no quarto, as danças em
contato com o seu corpo nu e os eventuais encontros furtivos cessaram e não me
lembro de ter voltado a estar com ela em situações de proximidade como a
última. Eu a via passando, telefonando, despedindo-se para sair com amigos, mas
nada que me dissesse respeito, e pouco a pouco, deixamos completamente de nos
ver.
Minha família gozava de uma vida confortável e meu pai
sempre foi um homem responsável e clarividente, ao contrário do irmão, o pai de
Marlene, um estroina e beberrão habituado ao jogo. Ocorre que os maus hábitos
do meu tio acabaram levando-o à falência, ao divórcio, e meu pai, apiedando-se
da minha tia e dos meus dois primos, assumiu o encargo de pagar-lhes casa (o
aluguel de um pequeno apartamento), comida e estudo. Foi assim que voltei a ter
notícias da Marlene, que tinha então cerca de dezesseis anos e continuava
linda, agora com o cabelo à la garçonne e um corpo que me despertou
de estalo.
A primeira visão que me ficou desse reencontro é a da
Marlene atendendo a porta de uniforme escolar. Lembro-me de ter sido mandado lá
pelo meu pai assim que ele me julgou suficientemente crescido para ir buscar um
envelope contendo as faturas mensais, que ele pagava pela minha tia. Ao chegar,
antes de tocar a campainha, ouvi risos da Marlene e a voz de um rapaz que não
era o meu primo. Quando toquei, ela atendeu, mantendo a porta quase fechada e
com ar de quem pensa: "O que é que esse chatinho está fazendo aqui?" Eu
disse a que vinha e ela me mandou entrar dizendo que tinha que procurar o
envelope na gaveta, e que aquele era o Gilberto, um rapaz de uns vinte anos,
encostado na janela e também de cara amarrada. Logo percebi que eu tinha
interrompido alguma coisa.
Segundos depois, minha prima voltou do quarto dizendo
que não encontrava o tal envelope e que "se eu quisesse" – ela frisou
bem – podia esperar pela minha tia. E ignorando-me solenemente, foi puxar o tal
Gilberto pela mão e se jogar em cima dele no sofá, aos beijos, enquanto eu
ficava de pé, completamente sem jeito. Não pude deixar de observar como a mão
dele percorria as coxas dela até mesmo por baixo da sainha xadrez e como os
beijos eram lascivos, as línguas mergulhando profundamente na boca um do outro.
Ela ria e fingia zanga, puxando-lhe a mão, quando ele tentava ir mais longe,
mas acabava cedendo e dava um gemidinho quando ele a tocava bem entre as
pernas. Ele, por sua vez, era obrigado a constantemente ajeitar-se através do
bolso para desfazer a protuberância que se formava na calça. Ele fazia isso
discretamente, durante os beijos intermináveis que eles davam medindo o tempo,
tentando quebrar os próprios recordes. Eu, que me encontrava no mesmo estado
que ele, acabei dando um jeito de, através do bolso, manter minha virilidade
rebatida contra o corpo. Eu não podia me sentar porque as duas poltronas eram
voltadas para o sofá que eles ocupavam. Fiquei perambulando pela sala, tocando
nos objetos de valor sentimental que minha tia conseguira salvar da derrocada
ou olhando o movimento pela janela, torcendo para ouvir o barulho de chave na
fechadura.
— Vai comprar uma Coca para a gente, priminho, vai. Por
favor!
Quando me virei,
Marlene estava me olhando com o jeito mais maroto do mundo enquanto se
esfregava no colo do Gilberto, de peito colado ao dele. Era óbvio que eles queriam
me ver fora dali. Não havia porque bancar o "cri-cri", e sair seria
um alívio igualmente para mim. Marlene me disse para levar a chave e lá fui eu,
arrastando o passo para dar tempo a eles. O bar era a dois prédios de lá, mas
levei cerca de vinte minutos para voltar. Quando abri a porta, eles não estavam
mais na sala. Pus a garrafa na geladeira, atravessei a sala e quando meti a
cabeça no espaço quadrangular que separa a sala, à guisa de corredor, do quarto
da minha tia, do banheiro e de um armário embutido que serve a todos, ouvi os
gemidos que denunciavam o que eu já previa. Eles estavam no banheiro, de porta
fechada. Marlene gemia baixinho e incitava o rapaz a ir ora mais rápido, ora
mais fundo. Também pude ouvi-la exclamar baixinho um "Aiê! Aí não, garoto!"
que suponho hoje ter resultado da imperícia da parte dele ou, ao contrário, de
uma tentativa subreptícia de penetrá-la por outro acesso. O fato é que eu
estava constatando pela primeira vez que a minha prima já tinha uma vida
sexual, e aquilo me abateu. Voltei para a sala, sentei-me numa poltrona e esperei.
Minutos depois, eles surgiram na sala andando agarrados, ela na frente, ele
atrás, em "trenzinho", aparentando uma certa falta de jeito.
— E aí, trouxe a Coca? perguntou ela, dando um
sorrisinho amarelo.
Apontei para a cozinha e ela foi diretamente à
geladeira. Enquanto ela vertia o refrigerante nos copos, minha tia entrou. Suei
frio ao imaginar que ela poderia ter chegado cinco minutos antes e não só
surpreendido os dois em flagrante, mas me imaginado cúmplice ou até algo pior. O
comportamento execrável da minha prima diante da mãe me fez abreviar ao máximo
a visita. Peguei o envelope e saí, aliviado mas sexualmente transtornado. Eu
ainda era virgem, minha prima me excitava e estava a léguas de mim em matéria
de relacionamentos. Lembro-me de ter chegado em casa e ido diretamente me
masturbar no banheiro, evocando o corpo da minha prima, os seus gemidos e as
coisas que eu a ouvi dizendo àquele cretino sortudo. Passei dias de tortura,
obcecado, tentando imaginar os dois entregues ao sexo em todas as suas
variações. Voltei mensalmente à casa da minha tia para pegar o envelope de
contas, cheio de esperança de encontrar Marlene disposta a voltar a
"brincar" comigo, mas foi em vão; aquela foi a única vez em que
estive lá quando a minha tia não estava.
Os meses se passaram e graças à minha visita mensal,
me reaproximei um pouco de minha tia e do meu primo. Foi através dele que eu
soube que Marlene praticamente ignorava a escola e vivia para lá e para cá com
dois, três e até quatro namorados ao mesmo tempo, traindo todos e não se
apaixonando por nenhum. Ele, meu primo, também não se interessava mais pelo
estudo e virara uma espécie de gótico inculto motivado apenas pela roupa e
acessórios da tribo, naturalmente custeados pelo meu pai. Quanto à minha tia,
tornara-se uma espécie de espectro, indiferente à vida depois que fora obrigada
a arrumar o primeiro emprego em vista, de secretária de um advogadozinho de
terceira.
A vadiagem dos meus primos não demorou a cair nos
ouvidos do meu pai (não pela minha boca) e ele resolveu ir ter uma conversa
séria com os três. Por uma dessas coincidências únicas da vida, Marlene atendeu
do mesmo modo como fizera comigo, mantendo a porta quase fechada, mas meu pai
pôde notar movimento no apartamento e ouvir risadinhas. Quando ele forçou a
porta, topou com três rapazes na sala em atitude francamente debochada. Mais
dois estavam no quarto, praticamente nus. Meu pai saiu sem dizer palavra. No
dia seguinte, minha tia e meus primos receberiam um telefonema dos advogados
dele dizendo que a partir do mês seguinte, ele não se responsabilizaria mais
pelas contas.
Aos vinte anos, ignorando a realidade e julgando-se
eternamente jovem, Marlene passou a ser sustentada por homens. Enquanto minha
tia e meu primo foram morar num minúsculo apartamento de condomínio suburbano,
minha prima se mudou para o melhor bairro da cidade e mobiliou um apartamento
ao gosto do que ela aprendera na primeira juventude, quando morava na bela casa
que a família herdara dos avós. Ela ajudava a mãe e o irmão, mas não os queria
por perto para não ser criticada por eles. Eu era o único que ia visitá-la em casa. Quando de bom
astral, ela me levava para o quarto e desfilava para mim, como nos tempos de
criança, deixando-me vê-la nua e tocá-la, mas consciente de que agora meu corpo
reagia ao que na época não lhe era dado ainda perceber. Às vezes, ela me puxava
para dançar, mas o roçar dos pelinhos bem aparados do seu púbis não mais
faziam-se ouvir na malha da minha roupa; eu crescera e agora era o meu sexo que
pulsava acima do seu. Um dia, ela quis ver, e eu mostrei. Ela o achou grande,
bem feito e forte. E nua, ela sentou-se na cama, abriu bem as pernas e mais uma
vez mostrou-me o que ela apelidava carinhosamente de "grutinha" só
entre nós dois, em outros tempos. Não mais havia o ínfimo orifício que tanto a
intrigava quando virgem. Em seu lugar, o franco acesso ao ventre denunciava a
escolha tão precoce. Ao meu toque, sua mão convidou meus dedos e pela primeira
vez, minha prima gemeu para mim, penetrando-me tão profundamente os olhos
quanto meus dedos a sua carne, e beijando-me ternamente em seguida. Era tudo de
que eu precisava. Na mesma semana, tive a minha primeira experiência com uma
namoradinha da escola, sentindo-me inteiramente seguro para guiá-la na sua.

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