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Entre Mar e Montanha 2


2. Marta

Um ruído áspero e chiado de cascalho chamou-me a atenção; o elegante LTD Landau hidramático branco, apenas empoeirado mas extremamente bem conservado ia parando poucos metros à minha frente. Levei alguns segundos para me lembrar que estava nu e fiz que ia correr para dentro, mas era inútil porque a porta do carro já se abrira e uma bota de couro já tocara o chão. Quando ergui a cabeça, qual não foi minha surpresa: era uma mulher. Procurei em volta e vi Tomás parado do outro lado do carro, tapando o sexo com as mãos e olhando-me com ar interrogativo. Mas eu também não sabia o que fazer. Banhado de sol e relaxado pelo calor, deixei que a misteriosa visitante tomasse a iniciativa.
— O que é que vocês estão fazendo aqui? Isso é propriedade particular; essa fazenda é do meu pai.
— Nós só tiramos a roupa, mais nada. Nós somos do Rio e passamos as férias em Cabo Frio, na casa dele, perto da Praia Grande, respondi gentilmente.
— Eu também moro no Rio, mas passo todas as férias aqui desde pequena.
— Eu sou o Marcos e ele é o Tomás. A gente não queria invadir suas terras.

    Ela olhou para trás e deu uma risadinha quando viu o Tomás se tapando e retribuindo com um sorriso amarelo.
— Podem relaxar; ninguém mais vem aqui hoje. Só vou trocar a água dos animais e mexer um pouco a palha. Meu nome é Marta.
— Se você quiser ajuda...
— Tudo bem, não vou recusar.

    Olhei para Tomás e fiz mímica de vestir a parte de baixo. Ele fez que sim com a cabeça e nos seguiu até o estábulo. Para surpresa nossa, quando peguei minha sunga no chão e me preparava para vesti-la, percebi que a nossa anfitriã havia soltado a fivela do seu cinto e, com toda a naturalidade do mundo, ia tirando a calça. Com um pé enfiado na boca da sunga, olhei para ela com ar espantado.
— Me recuso a ser a única vestida aqui!

    Olhei novamente para Tomás, em seguida para ela, sentindo um sorriso involuntário distender-me o rosto e relaxamento tomar meu corpo. Mal pude acreditar que aquela tarde estivesse acontecendo de verdade.

    Marta era desinibida, simpática e de um grande senso prático. Ela fora ao estábulo com a finalidade de renovar a água dos animais e mexer a palha, e ia fazer isso. Apenas de calcinha e botas, sem seios grandes com que se preocupar e com um jeito de andar um tanto masculino, ela foi até uma bica, abriu a torneira e seguiu até a extremidade a mangueira presa a ela. Em seguida, soltou a água de uma espécie de longo tanque de cimento — certamente o bebedouro do gado —, tornou a tapá-lo e prendeu a mangueira de modo a enchê-lo sozinha.

    Enquanto isso, pudemos descobrir o corpo da nossa visitante. Magra e forte, de cabelo castanho longo e denso chegando à altura dos seios, Marta tinha feições bem marcadas e um olhar horizontal, inteligente, que lhe conferia uma fisionomia andrógina. A pouca curvatura das ancas permitia uma transição harmoniosa do tronco às coxas perfeitamente lisas, fortes e bem torneadas, e a curvatura sensual da coluna empurrava sua pélvis para trás empinando a bunda carnuda na posição perfeita. A calcinha de algodão branco bem justa definia atrás duas polpinhas sensuais e revelava, na frente, a convexidade do monte de Vênus com o discreto sombreado da fenda. Marta logo se tornou para nós um incontestável objeto de desejo.

    Quando olhei para Tomás, ele reagiu como um comandante que ordena um ataque. Seu sexo já não pendia apenas, mas assumira aquele aspecto arqueado de vara de pesca, como se uma simples corrente de ar bastasse para armá-lo numa ereção indefectível. Quanto ao meu, não dava sinal de vida, mas por pura inibição, já que a excitação fazia-se mais presente que nunca e a intuição de que teríamos a tarde de iniciação sexual mais incrível que um adolescente pudesse desejar pipocava no meu cérebro deixando-me em estado de semi-euforia.

    Quando Marta terminou de instalar sua mangueira, recostou-se no tanque com as mãos para trás (provavelmente para não sujar a calcinha imaculada) e, olhando de alto a baixo os nossos corpos nus, aprovou com a cabeça, fazendo um "Hum!" muito significativo. Ela era mais velha que nós cerca de cinco ou sete anos e visivelmente provinha de uma família abastada. Desenvolta e dona do lugar, era ela que comandava a situação.

    Eu ainda estava um tanto perturbado pela presença de uma mulher seminua e Tomás começara a interpretar o papel de adolescente "descolado", iniciado e emancipado que eu já estava farto de conhecer da escola e do convívio com amigos comuns. Orgulhoso do seu atributo de dimensões privilegiadas, ele se aproximara um pouco mais da Marta e começara a conversar, desinibido.

    Os dois corpos à minha frente me pareceram extremamente sedutores. Desejei mais do que tudo vê-los juntos, mas Marta parecia não ter pressa.
— Agora quero saber por que vocês estavam nus. Rola algum lance entre os dois?
— Não! precipitou-se Tomás. É só porque está quente. Dá vontade de ficar sem roupa, não dá? Até você tirou!
— Isso porque vocês estavam sem! E não tirei tudo!
— Mas se quiser, pode. Até que eu queria ver.
— Dois! acrescentei sorrindo.

    Soltando um suspiro de lassidão fictícia, Marta foi baixando a calcinha, tirou-a completamente e ficou com ela amassada na mão. Assim que ela se ergueu e pude vê-la toda nua de frente, senti meu sexo pulsar fortemente e devo ter revelado a minha fala de jeito, mas ela me chamou descontraidamente para junto deles. Quando cheguei ao lado de Tomás, ela nos puxou pelos membros e, grudados nela, começamos a trocar beijos e carícias. Senti meu órgão roçando em sua coxa e o flanco de Tomás colado ao meu. O teor de excitação disparou e logo Marta pôde acariciar nossas ereções enquanto nos beijava alternadamente.

    Vendo que Tomás acariciava um seio que preenchia a sua mão na medida certa, ousei ir pousar a minha em seu púbis depilado, liso como o de uma garotinha. Ela entreabriu as pernas franqueando-me a passagem de um dedo, que instalou-se entre os lábios e foi instintivamente procurar o acesso ao seu recanto mais íntimo. Minha sede de exploração era palpável. Senti o sexo de Tomás resvalar-me as costas da mão enquanto meu dedo untado de fluido deslizava para o fundo da vagina, arrancando um gemido e fazendo a Marta redobrar de voracidade com língua e mãos. Uma vaca veio languidamente beber da água recém-trocada, ignorando a cena que se desenrolava ao seu lado. Acariciei os pelos curtos do seu dorso malhado enquanto continuava a sentir em toda a extensão do dedo o calor úmido e viscoso da Marta.

    Em dado momento, Marta tomou minha mão e a conduziu a diretamente ao sexo do Tomás, induzindo-me a empunhá-lo em seu lugar enquanto ela ia acariciar-lhe a barriga e o peito. Um olhar sorridente bastou para fazer-me entender que a Marta dispensava maiores explicações sobre a extensão da intimidade que unia seus novos conhecidos.

    Tomás não deu mostras de perceber que as mãos haviam-se multiplicado em seu corpo. Empunhando firmemente o seu membro, eu o sentia avançar e recuar entre meus dedos, num vaivém lento e ritmado, como se Tomás tivesse encontrado uma forma provisória de saciar sua ânsia de penetração.

    Continuávamos a nos alternar em beijos lascivos com a nossa deliciosa anfitriã. O sexo quente e molhado do meu amigo pulsava vigorosamente em minha mão. Movimentos de pélvis cada vez mais insistentes propulsavam-no com firmeza crescente enquanto o meu próprio membro, colado à coxa esquerda da Marta, parecia querer explodir em gozo a qualquer momento. Estávamos os três muito ofegantes. Era hora de passar à etapa seguinte.

"O elegante LTD branco ia parando
poucos metros à minha frente."

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