Minha curiosidade estava aumentando dia após dia, a um ponto tal que agora eu dava um jeito de ir junto quando algum dos meus amigos da vizinhança anunciava que estava indo "tirar água do joelho". Chegávamos ao lugar habitual, geralmente uma reentrância na parede dos fundos de um do meu prédio, abríamos nossas bermudas, baixávamos o elástico da cueca e jorrávamos juntos, rindo enquanto criávamos formas abstratas na parede cinzenta. Era nesse momento que, discretamente, eu aproveitava para olhar o que o meu vizinho tinha na mão. Na maioria das vezes a descoberta não tinha nada de mais e o que eu via era um membro quase exatamente como o meu. Um ou dois amigos tinham a glande descoberta, e isso me interessava. Dependendo quem fosse, eu até fazia perguntas diretas para saciar minha curiosidade: "Passou fácil pela cabeça?" "Dói quando roça na cueca?" etc. De modo geral, respondiam sem problema, mas às vezes algum mais grosseiro retrucava de maneira ofensiva: "Por quê? Gostou? Está querendo, é?" Nesses casos, eu me virava e ia embora sem dizer mais nada.
Um belo dia, um novo vizinho chegou, um pouco mais velho que nós, chamado João Batista. Ele logo se entrosou com os mais velhos e raramente me dirigia a palavra. Eu já tinha visto o pênis de todos os meus vizinhos mais próximos, então me concentrei nele. Eu o via de vez em quando ir aliviar-se, mas não tinha coragem de segui-lo. Logo percebi que no prédio seria impossível conseguir o que eu queria. Era frustrante porque eu via pela moldagem da bermuda que "o dele" devia ser bem maior que os de nós todos. Às vezes ele se ajeitava e eu percebia uma semi-ereção que empurrava a bermuda para frente, mas não passava disso e eu não conseguia arquitetar um plano para vê-lo de perto.
O que mudou o quadro foi que o João Batista jogava muito bem futebol e logo entrou no time dos mais velhos que, por sorte, nos autorizavam às vezes a jogar com eles quando faltava alguém. Foi num desses dias de desfalque que pude satisfazer minha curiosidade. Nós costumávamos jogar quadra de um colégio em frente, aos fins de semana. Naquele dia, havíamos jogado várias partidas e o João Batista quis ir ao banheiro. Como ele ainda não conhecia o caminho, adivinhem quem foi o guia? Pois é! Caminhamos juntos até os banheiros que serviam a área externa do colégio e entramos no dos homens. Fiquei um pouco preocupado de causar alguma estranheza se eu ocupasse o mictório adjacente ao dele, já que éramos os únicos usuários, mas ele me deu uma olhada sinalizando exatamente aquele. Fiquei exultante!
Um pouco envergonhado, comecei a "enrolar" para abrir a bermuda e o João Batista me deu uma ombrada para que eu acelerasse. Pude perceber que ele estava olhando para baixo e para nós dois, o que me relaxou. Olhando pelo canto do olho, vi que o pênis dele tinha uma cor bem mais escura que o meu e que era muito mais grosso, embora não estivesse duro. Ao mesmo tempo, notei que a extremidade era como a do meu, uma porção de pele escura e fechada.
— Você não operou de fimose? Eu acho que vou ter que operar.
— Besteira! Dá pra evitar. É só você forçar um pouco todo dia até ficar atrás da cabeça.
Ele disse isso e, diante dos meus olhos, puxou com facilidade o prepúcio para trás, descobrindo uma glande rosada e bem feita. Mostrei como o mesmo gesto não valia para mim e que a dor me obrigava a parar a meio caminho. João Batista sorriu diante da minha frustração, mas não parecia motivado pelo assunto, concentrando-se no jato dourado que colidia com a parede do mictório produzindo um ruido áspero. Ele parecia divertir-se regando o mictório como se fosse um canteiro.
— O teu é bem maior, exclamei, sem exagerar na ênfase, mas olhando francamente.
— Ainda bem, não é? Relaxa, o teu também vai crescer.
— Espero. Tomara que fique logo como o teu.
Como a minha vontade real de ir ao banheiro se resumia a quase nada, terminei rápido, mas permaneci na mesma atitude. Quando ele acabou, sacudiu um pouco o pinto, mas em vez de repô-lo na cueca, virou-se para o meu lado.
— Você acha grande? perguntou ele, mostrando-me o membro de cerca de dezessete centímetros, um pouco mais endurecido e inchado, mas ainda curvado para baixo.
Meu desejo imediato foi levar a mão até ele para comparar o que eu via com a sensação táctil, mas isso me pareceu arriscado demais. E se ele não tolerasse esse tipo de intimidades? Eu já tinha experiência de algumas masturbações com vizinhos e amigos mais próximos, mas nunca com alguém três ou quatro anos mais velho que eu. E se ele contasse isso a alguém que "espalhasse" o que fizemos sem mencionar o contexto? Com que cara eu ficaria, indo e vindo diariamente, jogando com os vizinhos e indo à casa deles? Não, eu não podia pegar no pau do João Batista!
— Bom... é bem maior que o meu, respondi, ainda zonzo com a avalanche de pensamentos.
— Quer saber alguma coisa, perguntar alguma coisa? ofereceu ele com aparente franqueza enquanto brincava com o pênis na mão.
— Quero, respondi de pronto. Você goza muito quando toca punheta?
— Isso varia. Já gozei uma gota e já gozei jatos. Dependo tesão e se eu já tiver gozado no dia.
— Você já comeu mulher?
— Claro que si... Ah cara, é besteira mentir pra você. Ainda não, mas estou muito a fim e estou quase lá.
— Então você toca punheta pensando em mulher como eu.
— É, vendo vídeo pornô como todo mundo.
— Você pode me mostrar?
— Vídeos pornô?
— Não! Como você toca punheta.
— Aqui?
— É, por quê?
João Batista olhou para trás procurando a porta para ver se continuávamos sozinhos no banheiro, em seguida virou-se para o mictório e iniciou uma masturbação ritmada. Notei que ele olhava para cima, como se buscasse concentração, mas o pênis dele endureceu rapidamente e espantou-me ver como o seu volume assumiu proporções impressionantes. Concluí que ele devia estar olhando para cima para conseguir gozar sendo observado. Agora uma boa porção do tronco do pênis era visível dos dois lados da mão dele e da glande escorria um fio translúcido que balançava como uma corda ao vento. A crença de que o meu próprio pênis cresceria como aquele ia me parecendo diluir-se diante da realidade à minha frente. A mão avançava e recuava habilmente provocando um ruído seco ao chocar-se com os testículos. Com a barra da camiseta entre os dentes para mantê-la erguida, ele acariciava a barriga plana com a palma da mão livre como se precisasse de um estímulo a mais. A bermuda aberta me permitia ver os pelos pubianos aparados, que recobriam a região de onde o pênis despontava, mas o saco permanecia parcialmente oculto pela cueca.
Em compraração à minha experiência de masturbação, o João Batista estava demorando demais a gozar, e estava me passando uma impressão de esforço mais do que de prazer. Ciente de que o excesso de atrito era desconfortável, dei vazão à minha empatia. Sem dizer nada, levei a mão até a dele. Ele parou, olhou para mim, hesitou um pouco, mas, por fim, deixou minha mão repousar sobre o seu membro em plena ereção. Assim que fechei a mão no tronco espesso senti uma pulsação forte e ouvi uma inspiração profunda. Sua excitação voltou com toda a força. Agora o João Batista estava olhando para baixo, aspirando entre os dentes, uma mão próxima da minha, ameaçando pegá-la para guiá-la ao seu gosto. Não precisei de muito empenho para fazê-lo gozar, talvez uns dez ou vinte vaivéns. Levado pelas contrações do abdomen, ele anunciou o orgasmo e, incapaz de prosseguir sem a própria mão, iniciou movimentos pélvicos pressionando a minha com força. Os espasmos se sucederam acompanhados de cinco ou seis jatos densos que foram projetados dentro e fora do mictório. Imobilizados sob a mão em tenaz do João Batista, meus dedos pareciam premer um duríssmio tronco pulsante que precisava livrar-se da seiva a todo custo e até a última gota. Resfolegante e sorridente, João Batista puxou-me amistosamente para si pelo ombro e em seguida saiu em direção às cabines para procurar papel higiênico.
— Você não estava conseguindo, então eu ajudei! declarei todo prosa, seguindo-o enquanto fechava a bermuda.
— E fez muito bem! Tentei esquecer que tinha alguém do meu lado, mas estava difícil.
— E gozou muito!
— Pois é, deu certo, graças a você! Agora temos que voltar. Os caras devem estar nos esperando para jogar.
— A gente não demorou muito. O que... uns dez minutos?
— É, por aí.
Esse primeiro contato com o João Batista não só satisfez minha curiosidade quanto me trouxe um novo amigo. Apesar da diferença de idade, ele e eu nos tornamos bons parceiros de jogo e de papo. Pouco tempo depois, ele teve as primeiras relações sexuais com uma namorada e tive a sorte de ser seu interlocutor privilegiado, o que me permitiu aprender muito e evitar certas inibições que impedem tantos jovens de extrair o máximo prazer das "primeiras vezes".
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| "Você goza muito quando toca punheta?" |

Li seu conto e gostei porque acredito nessa intimidade que contradiz a idéia tão propagada de que pessoas do mesmo gênero devam ter o asco do contato. É possível, sim, aprender entre amigos, e a sociedade deveria ver isso com bons olhos.
ResponderExcluirPois é, meu caro, e não só isso, mas eu quis enfatizar a ideia de que se a sociedade como um todo compreender que a bissexualidade humana é inata e cada homem, cada mulher começar a sentir-se à vontade com ela, a maneira de lidar com a sexualidade dará passos de gigante e entraremos numa nova era no que diz respeito ao relacionamento humano. Os protagonistas de O Recém-chegado são jovens que se enquadram nessa nova definição do ser humano bissexual "por natureza", mas eu quis retratá-los como se fossem pioneiros dessa nova sociedade. Daí a prudência e zelo do mais velho em relação ao mais novo. Ele quer ter certeza de não estar induzindo o mais novo a nada, de que a iniciativa dele é perfeitamente natural e espontânea.
ExcluirOi, Marc. Sou mulher, achei o texto ousado, mas fiquei zen porque o João Batista não forçou em nada o "admirador" dele. Não sei se esse tipo de experiência é frequente entre jovens do sexo masculino, mas posso dizer que as mulheres também tem alguns contatos na juventude que servem de aprendizado pela vida afora. Gostei da delicadeza com que você aborda a questão. Continue!
ResponderExcluirSilvia