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Sonho Espanhol 9


9. "Nórdicos são glaciais!"

Assim que os primeiros hóspedes chegaram, precisei de mais pessoal no hotel e não tive muita dificuldade para convencer Isabel a trabalhar para mim em seus momentos vagos. Ela escolheu o primeiro turno da manhã e logo começou a render o recepcionista da noite às 8h e ficar até meio-dia para ser rendida por sua vez por um rapaz que empreguei em horário integral, até às 20h. A fórmula B&B é excelente para estabelecimentos do tamanho do meu porque o movimento não dificulta a qualidade dos serviços e praticamente não há estresse. Portanto, as vantagens do meu novo negócio fizeram-se sentir desde o início.

Logo na primeira semana, recebemos um casal de jovens escandinavos atraídos pela praia e pelos esportes náuticos na Espanha. Fredrik, de 22 anos, e a moça, Anna, de 19, eram muito gentis e educados, mas logo percebi que o quarto dos dois era bastante "movimentado". Eles faziam sexo como coelhos, a cada vez que voltavam ao hotel, e noite adentro até quase as 4h da manhã, o que estava começando a incomodar certos hóspedes. Decidi pedir a Isabel que conversasse com eles com jeito. No terceiro dia, ela esperou que eles voltassem ao hotel à tarde, mas Anna voltou só e dirigiu-se a ela para avisar que um amigo seu viria visitá-la e que poderia ser autorizado a subir ao quarto. Como o tal visitante tardasse, ela resolveu ir ter com a Anna para ter a conversa que pedi. O que sei desse encontro me foi relatado pela própria Isabel durante o café da manhã que tomamos juntos, no sábado, e vou tentar recontar aqui revivendo os diálogos, por diversão.

Assim que Isabel bateu à porta, a voz da jovem ressou no quarto pedindo-lhe que entrasse. Ela obedeceu e topou com Anna de costas, praticamente nua diante do espelho de parede, experimentando uma calcinha vermelha cuja tira posterior se inseria estreitamente no sulco de um par de nádegas miúdas e brancas como a neve.
– "So?" perguntou ela, em inglês com sotaque, olhando Isabel pelo espelho.
– "Nice!", respondeu Isabel, em bom inglês.
– É para o Peter.
– Peter é o amigo que você está esperando?
– Hãhã. Não sei por que é que ele está demorando tanto. Ele mora na cidade!
– Dependendo do lugar, talvez seja o trânsito.
– É, pode ser, disse ela, virando-se sem o menor pudor de exibir os seios a uma desconhecida.
– Eu... Eu vim falar... Enfim, eu vim pedir uma coisinha, disse Isabel, um tanto intimidada.
– Vai falando, não presta atenção em mim, disse a outra tirando a calcinha nova e recolocando-a na caixinha de papelão da loja, revelando um púbis perfeitamente depilado.
– Bem, é que um ou dois hóspedes se queixaram um pouco do barulho que vem daqui, à noite, e eu queria que vocês "maneirassem".
– Ai, me desculpa! pediu ela, terminando com um risinho e atirando-se na cama de bruços.
– Está tudo bem, vocês têm todo o direito, de se divertir. O que eu faria se fosse vocês é evitar a cama para o sexo, à noite. É isso que faz barulho. Esse é o meu truque quando fico em hotel com um namorado.
– O Fred é insaciável. Quando eu penso que ele terminou, ele quer outra, outra e mais outra e varamos noite adentro.
– Durante o dia não tem problema algum, mas à noite...
– Droga! Logo hoje que o Peter vem.
– Mas ele pretendia ficar no hotel?
– Xi! Por quê? É proibido?
– Olha, durante o dia, aqui com você, até fazemos vista grossa, mas se ele quiser passar a noite, vocês teriam que ter reservado o quarto maior e...

Isabel estava em plena explicação quando alguém bateu à porta. Ela mesma atendeu e um rapaz alto de grandes olhos azuis contrastando fortemente com o cabelo negro como a noite apresentou-se como sendo o tal Peter. Isabel o deixou entrar e Anna continuou onde estava, deitada de bruços completamente nua. Eles se cumprimentaram na língua deles, sueco ou dinamarquês, não me lembro bem, e um silêncio se instalou, silêncio que Isabel interpretou como sinal de que era hora de se despedir.
– Vou indo, então, Anna. Pensa no que eu falei, está bem? E se o Peter for ficar com vocês, dêem um pulinho na recepção para trocarmos vocês de quarto. Com vocês três nessa cama, os outros hóspedes vão queimar o site do hotel com reclamações!
– Haha! Pode deixar, respondeu a lourinha.

Isabel saiu e foi em direção à escada. Mal tinha dado três passos, a porta se abriu novamente e Anna pôs a cabeça entre a porta e o batente.
– Você não quer ficar aqui com a gente um pouquinho?

Isabel me disse que quando se preparava para dizer não, Peter surgiu e acenou para ela. Isso a convenceu e os três passaram mais de duas horas no quarto. Precisei dissimular minha inveja numa bronca para continuar conversando com naturalidade. Ela fala de sexo como se falasse de um jogo de cartas entre amigos! Eu lhe disse que além de não ser de bom tom envolver-se com hóspedes, aquelas duas horas eram um tempo morto para o hotel. Ela entendeu, desculpou-se e me informou que trocara os jovens nórdicos de quarto e não recebera mais queixas de outros hóspedes. Olhei para ela procurando por algum vestígio daquelas duas horas de sexo e acho que encontrei nas olheiras um tanto inchadas, mas não havia sinal de cansaço, Isabel estava bem disposta como uma criança que desperta de um sono cheio de sonhos maravilhosos, impaciente para viver o novo dia. Eu a desejei como nunca naquele momento, vendo-a na minha frente, os seios espremidos num bustiê branco que ela provavelmente tirou sensualmente diante do recém-chegado Peter. Mas, saciada, ela só queria falar do seu trabalho no hotel, e com o entusiasmo de quem conseguiu seu primeiro emprego. Só passamos juntos o desjejum; Isabel tinha diante de si toda uma programação de fim de semana, e seus planos não me incluíam. Ela se levantou da mesa antes de mim, nos despedimos com dois beijinhos e fiquei sentado, sorvendo o que me restava de uma terceira xícara de café e imaginando alguma coisa que preenchesse a minha manhã de sábado.



"Precisei dissimular minha inveja numa bronca..."

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