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O Pedido


Dois homens discutem numa sala imersa na penumbra. Um deles fuma um cigarro, confortavelmente instalado em sua poltrona; o outro está sentado à beira de um longo divã, os antebraços apoiados nas coxas e o olhar atento.

— Que homem já não se viu na iminência de pedir um favor sexual a um vizinho, colega, amigo ou até parente na época em que os hormônios fervilhavam em suas veias? Insisto no termo "iminência" porque é minha opinião pessoal que 99% dos homens tenham sido assaltados por algum desejo homossexual, ainda que jamais se tenha manifestado neles qualquer tendência homófila, isto é, de apego afetivo a pessoas do mesmo sexo. A iminência do pedido pode ter provindo de uma proximidade excessiva em situações como, por exemplo, a de estarem nus no mesmo lugar ou de estarem conversando a sós sobre temas sexuais. Sabe-se que no homem jovem, a excitação vem como uma onda que o assalta de súbito e o toma obsessivamente, daí a expressão "possessão erótica". Nessas circunstâncias tão comuns na vida dos jovens machos da espécie humana, aquele que tem consciência de possuir certos atributos reconhecidamente atraentes – uma beleza fisionômica mais delicada, o desenvolvimento de partes do corpo habitualmente mais notáveis nas mulheres, uma voz mais fina... – tenderá provavelmente a ser mais receptivos às manifestações marcadamente masculinas de um outro. E opostamente, este outro terá mais tendência a ser aquele que faz o pedido, como se o fizesse a alguém do sexo oposto e, de modo geral, a fim de aplacar esse súbito apelo do corpo e não, como eu disse, em resposta a uma tendência homófila. Foi precisamente o que aconteceu com seu filho Fabrício, Seu Moacir.
— Ou seja, nem com tanto sexo heterossexual na Internet, esses meninos de hoje em dia conseguem se satisfazer como se deve, doutor! Por que é que o bobalhão do meu filho não foi procurar uma menina?
— Simplesmente porque não havia nenhuma disponível! Será que essa realidade é tão diferente daquela que o senhor viveu, Seu Moacir?
— Bom, o problema aqui não sou eu, mas toda essa confusão que o Fabrício arrumou por ter se engraçado com o tal... Betinho.
— Seu Moacir, por que esse tom tão pejorativo?
— Porque está na cara que o menino é um v...! Bom, o senhor sabe do que estou falando.
— Eu tive a impressão de ter explicado tão bem o mecanismo pelo qual essas coisas se produzem, Seu Moacir! Mas pelo visto, o senhor não entendeu nada.
— Eu vim aqui porque minha mulher insistiu que a explicação fosse dada por um psicanalista, mas já sei que não vou sair convencido.
— Seu Moacir, o senhor tem tempo disponível durante a semana?
— Tenho, mas por que a pergunta?
— O senhor aceitaria vir aqui, digamos, na quinta-feira, por volta das 11h30? Eu tenho duas horas livres e gostaria muito de ter uma chance de convencê-lo.
— Duas horas de conversa em vez de um almoço? Não sei...
— Faça uma forcinha pelo seu filho. Garanto que o senhor vai sair daqui convencido, e não vai ser por uma lavagem cerebral, prometo!
— Bom, vamos ver. Posso ligar para confirmar, na quarta?
— Claro, claro. Vou deixar essas duas horas à sua disposição.
— Então está bem assim.
— Muito obrigado, seu Moacir. Até logo, então.
— Até logo.

    Moacir sai do consultório perplexo. O que será que o psicanalista tanto quer explicar? Para ele, é tão simples: o filho "pegou" um menino que já tinha tendências, fez sexo com ele e ponto final! Não importa se foi porque a Mariazinha ou a Teresinha não topavam. Com a sua própria verdade na cabeça, ele sai do metrô e volta, rabujento, ao seu escritório de contabilidade no imenso prédio da avenida Presidente Vargas, que ele considera o gigante viário mais desnecessário e repulsivo de todo centro do Rio de Janeiro.

    Enquanto isso, em casa, numa vila de Botafogo, Fabrício tenta pelo terceiro dia consecutivo passar uma tarde normal. Às vésperas do vestibular, ele tem toneladas de matérias a revisar, e não é o mero fato de vislumbrar a possibilidade de ser um universitário precoce que o dispensa de meter a cara nos livros. Mas a concentração lhe é impossível desde o tal incidente com o vizinho. O clima em casa não poderia estar pior porque a notícia veio à baila de maneira inesperada: o tal Betinho, que já não é mais nenhuma criança, se abriu com o pai, que foi queixar-se direta e unicamente ao pai do nosso jovem atormentado, e na presença deste. O homem parece ter abordado o assunto com tato, mantendo-se controlado e educado, mas desse momento em diante, a cabeça do Fabrício tornou-se um turbilhão vivo. O menino simpático, dócil e quietarrão anda exprimindo seu desconforto interior contra tudo e contra todos. No quarto dele, cadernos, livros e canetas voam pelos ares e chocam-se contra a parede acompanhados de gritos de ira.
— Eu também estou estudando! grita a irmã, do quarto ao lado.
— Ah, cala a boca! retruca ele em igual volume.

    O problema maior com o cérebro humano é que ele adora a idéia fixa, e é precisamente dessa característica que o Fabrício está sendo vítima. Por mais que ele tente pensar em outra coisa, o cérebro insiste em trazer-lhe à tela da mente as imagens que o assediam e enchem de vergonha. Se é bem verdade que ele agora se sente outro, mais maduro e mais informado porque teve a famosa "primeira vez", uma culpabilidade extremamente constrangedora parece-lhe ter-se instalado definitivamente em seu ser pelo fato de tratar-se de alguém do mesmo sexo. O único recurso que ele encontrou para tentar dissolver esse sentimento foi ceder à máquina e reviver reiteradamente na memória, passo a passo, a cadeia de eventos que, julga ele, se não for interpretada da maneira correta, isto é, da maneira que a justifique, pode até mesmo vir a comprometer seu ingresso na universidade. Pela enésima vez, ele refaz todo o percurso da desventura. É a mente de Fabrício que toma a palavra na cabeça e no quarto em rebuliço.

"Eu devo estar esquecendo alguma coisa, mas uma coisa é certa, o Beto veio aqui com aquele short... aquele short... aquele short..."

    Na mente do rapaz, "aquele short" desenha-se como uma peça de um preto gasto e desbotado com cerca de um palmo de largura e bocas tão largas que dependem de uma cueca interior solidária dotada de elásticos para ocultar o sexo e as nádegas. Dele surgem, acima, o tronco branco e desnudo, e abaixo, um par de coxas e um traseiro que todos na vila concordam em julgar digno de um corpo de menina. "Olha a bunda do Betinho!" É a voz do Marcelo que ressoa na mente galopante do Fabrício, uma reminiscência que lhe ficou de uma ocasião em que o vizinho abusou do direito de usar roupas curtas.

"Eu estava sozinho em casa. Nós entramos para jogar na sala e jogamos até cansar. Fomos para o quarto. Fiquei fazendo embaixadinha com a bola nova e ele se deitou na cama para brincar com o celular... com aquela bunda dele... com aquela bunda... aquela bunda..."

    A imagem mental que Fabricio agora revê com nitidez absoluta é a do amigo e vizinho deitado de bruços em sua cama. Isso chama sua atenção, sempre chamou, a cada vez que o Beto deitou-se em sua cama de bruços. Alguma coisa na curvatura das costas, nas proporções do corpo e na forma das nádegas sempre o despertou e aquele instante não é exceção. Instintivamente, ele alterna as embaixadinhas com olhadas subreptícias precisamente direcionadas. Pela primeira vez, isso o desperta para uma realidade que Fabrício ignorava: a cena o excita. Ele continua a brincar com a bola, mas já não está concentrado nela.

"Para que é que eu fui sentar ao lado dele?" pensa ele, furioso.

    De fato, Fabrício foi sentar-se ao lado do amigo deitado, e este permaneceu como estava, de bruços, mexendo no celular, apoiado no travesseiro coberto pela colcha colorida. Será que a presença de Fabrício foi desejada ou sequer notada? Não se sabe, mas o fato é que instantes depois, os dois amigos estavam lado a lado deitados na cama com seus respetivos celulares, mostrando um ao outro comentários e fotos de aplicativos de redes sociais, como fazem tantos e tantos amigos em fim de adolescência.

"Quem começou? Quem começou?"

    Ninguém começou, mas como em milhares e milhares de casos, o contato dos corpos levou pernas e pés vizinhos a entrarem em choque e degladiarem-se ludicamente enquanto os dedos ágeis percorriam as telas dos telefones. E quando a luta acabou, uma perna de Fabrício encontrava-se sobre o corpo do amigo e lá ficou sem que este se sentisse minimamente incomodado.

    "E eu fiquei de pau duro!" A frase ressoa como uma martelada que ecoa contra as paredes do crânio de Fabrício.

    A ereção renovou-se espontaneamente depois que cessara a primeira, durante as embaixadinhas. Por um momento, ele esquecera o corpo do amigo e concentrara-se nos celulares, mas sua coxa em contato com o relevo do vizinho alimentou o fogo, e isso não passou despercebido.

"Eu fiquei de pau duro e ele não ligou... Ele não ligou! Ele não ligou!", repete a mente de Fabrício, acentuando o seu tormento.

    Seu gesto foi impensado, instintivo, espontâneo. Em um segundo, ele estava por cima do outro, em contato estreito com seu corpo. Não houve protesto nem oposição nem reação violenta. Ele sentiu-se livre para dar vazão a essa pulsão repentina e sua excitação atingiu o limite. Foi quando um orgasmo estava a ponto de deflagrar-se que...

    "Eu pedi. Eu poderia não ter pedido, mas pedi, fui sincero. E ele deixou porque quis. Ele poderia ter negado, mas não negou. E não só quis, como qui fazer como nos vídeos! Foi ele que pediu para fazer como nos vídeos!"

    O outro baixou o short até o final das nádegas e essa imagem foi irresistível para Fabrício que pôde acariciá-las, apalpá-las, premê-las com ambas as mãos espalmadas, os polegares invadindo o sulco profundo entre elas. Não havia mais como nem por que recuar. Bastou-lhe despir a parte de baixo para consumar o ato que, talvez por sorte sua ou graças à anatomia do outro, ou ainda por uma espécie de prática visual proveniente das centenas de vídeos assistidos, não lhe pareceu tão árdua. Contando apenas com a lubrificação natural acrescida de um pouco de saliva, Fabrício encaixou-se profundamente em seu amigo.

    "Ele gemeu um pouco e disse que tinha entrado: 'Entrou!' Ele disse 'entrou' e ficou parado, quietinho, deixou tudo por minha conta."

    Não foi preciso muito para que o orgasmo se desencadeasse e uma abundante ejaculação inundasse as entranhas daquele que estava por baixo. Fabrício saiu de cima dele ainda um pouco transtornado e sem saber o que dizer. O outro subiu o short e, sem mais olhá-lo nos olhos, encontrou rapidamente um pretexto para ir embora. Faz três dias que eles não se vêem.

    "Por que é que ele foi contar para o pai? Por que é que ele não veio falar comigo? Tudo teria sido tão mais fácil!" murmura Fabrício, angustiado.

    Faz três dias que Moacir Souza, o pai contador, volta do trabalho irritado além de cansado, com todo esse problema. Nesse terceiro dia, ao abrir o portão da vila, ele percebe que vai passar pelo Beto, que ele avista sentado nas escadas de casa lendo um gibi. "Só me faltava mais essa!" pensa ele, visivelmente amolado. Ele quer passar direto, mas o jovem o olha expressivamente, como se perscrutasse o seu interior atrás de alguma notícia sobre seu filho que ele não vê há três dias. Moacir decide parar. Ele caminha em direção ao rapaz, que o acolhe com um sorriso tímido nos lábios.
— O Fabrício está péssimo. diz ele, no tom cansado de quem faz uma confidência por mero desgaste.
— Eu ia justamente perguntar por ele. Faz três dias que a gente não se vê.
— Você gosta dele? pergunta o pobre homem.
— Gosto. A gente se conhece há tanto tempo, nasceu aqui, foi criado junto.
— Por que é que você contou para o teu pai?
— Ah, sei lá... Me senti perdido e precisei de ajuda.
— E ele te ajudou?
— Ele me disse que foi falar com o senhor. Ele estava zangado?
— Zangado, não. Preocupado. Eu também estou preocupado.
— Vocês acham que a gente...?
— Não foi essa a impressão que ele me passou, mas eu estou confuso, não sei o que pensar de vocês.
— Aquilo não foi nada, Seu Moacir. Pode ficar tranquilo, que nem eu nem o Fabrício gostamos de homem.
— Bom, vamos ver. Você, vê se toma juízo, então.
— Pode deixar. Tchau, Seu Moacir.

    Esse encontro acalmou o homem. Embora não completamente convencido, ele entra em casa com nova disposição, desejando ver a família e principalmente o filho "desviante". Pela primeira vez em três dias, o jantar se passa sem discussões nem mau humor, e todos assistem à televisão juntos. Na hora de dar boa noite aos filhos, ele se detém no quarto de Fabrício.
— Chegando em casa, eu vi o Beto.
— Ah é? E aí?
— Ele está calmo, me disse para não me preocupar com vocês.
— É, pai, você não tem um filho gay.
— Eu sei, eu sei. Eu...
— Você o quê?
— Nada, nada. boa noite, filho. Dorme bem.
— Boa noite, pai.

    A quarta-feira foi um dia quase normal para Moacir Souza, ensombrecida apenas por uma leve apreensão quanto ao encontro com o psicanalista no dia seguinte. Na quinta, ele contou as horas, depois os minutos, até o momento de adentrar novamente o consultório imerso numa penumbra esfumaçada pelo cigarro.
— Está tudo bem, Moacir? Posso tratá-lo de você? pergunta-lhe o homem, instalado em sua poltrona privativa.
— Pode, claro. Estou melhor. Tive até uma conversa com o tal garoto.
— É sério? Muito bem! Foi produtiva?
— Para mim, foi. Ele tirou o peso do acontecido, disse que aquilo "não foi nada".
— E não foi mesmo, mas o que eu quero saber é o que você sentiu ao vê-lo.
— Como assim, o que eu senti?
— Moacir, você se lembra quando, no nosso primeiro encontro, eu perguntei se a realidade que esses meninos vivem era tão diferente assim daquela que você viveu?
— Me lembro vagamente, sim.
— Pois a pergunta procede, e eu gostaria que você a respondesse.
— O que eu senti ao ver o rapaz? Não estou entendendo a relação com o meu passado.
— Moacir, nós estamos em constante modificação, mas certas coisas em nós se modificam em ritmo mais lento que outras, algumas delas num ritmo tão lento que parecem inalteráveis. Quando você olha para esse menino, o Beto, hoje, aqui e agora, ele não lhe traz nenhuma recordação?
— Acho que ainda não captei onde você quer chegar.
— Todos nós tivemos um ou mais amigos de temperamento mais gentil, meigo, até um pouco feminino em certos aspectos. O Beto parece ser assim e eu gostaria de saber se ele não evoca para você alguma lembrança de um amigo, vizinho ou colega seu semelhante a ele.
— Ah! Agora entendi. Meu Deus, mas isso está tão longe no passado, doutor!
— É por isso que existe a piscanálise! Procure bem lá no fundo, reveja um por um dos seus conhecidos de final de adolescência e me diga se não encontra um com o perfil do Beto.
— Hum...
— Procure bem.
— Hum... Me lembro de um tal de Márcio. Ninguém entendia como ele podia ser tão boa praça, tão amável, num grupo de jovens enérgicos e muitas vezes grosseiros.
— Exatamente. Agora me fale dos atributos físicos desse Márcio. Ele era do tipo selvagem predominantemente masculino?
— Não, não, pelo contrário! Era um lourinho de olhos azuis que quando se vestia de mulher no carnaval chegava a confundir as pessoas. Nós saíamos na Banda de Ipanema e muitos se enganavam achando que ele fosse menina. Mas não era, não tinha nada de efeminado.
— Agora me responda com toda a sinceridade, Moacir: você chegou a ter algum tipo de pensamento, digamos, "malicioso" relacionado a esse amigo? Procure bem no fundo porque essas coisas podem estar recalcadas por preconceitos e autocensuras de toda ordem.
— Acho que não.
— Procure bem.
— Não. Não mesmo. Sei de outros que andaram se esfregando com ele, mas eu não.
— Estou falando de pensamento, fantasia, imaginação.
— Bem, nesse plano, talvez...
— Pense bem.
— É, não vou negar, tive sim. O jeito dele parecia permissivo e como ele tinha feições muito delicadas, eu e outros comentávamos que não recusaríamos se ele se fizesse de menina para nós.
— Está aí. Você chegou no ponto onde eu queria chegar.
— Mas isso não quer dizer...
— Moacir, o fato de você não ter concretizado suas fantasias eróticas com congêneres não implica que ninguém as concretize. Todo menino, desde a origem da humanidade, foi exposto a esse tipo de situação. Este é mais ousado, aquele mais retraído, aquele outro é carregado dos preconceitos, tradições e imposições familiares, outro ainda é todo imbuído de religião... São esses fatores que vão determinar o alcance desse tipo de relacionamento entre jovens machos da espécie humana. Você afirma que não foi muito longe, não saiu da esfera da fantasia, da imaginação. Já o seu filho Fabrício tem um temperamento que o leva a consubstanciar esses desejos e fantasias em ações reais. Não o censure por ter-se comunicado... e pedido. Tanto a fantasia quanto a realidade são modos de vivenciar experiências. Há pessoas que detestariam ter um intercurso carnal real com outros, mas que adoram as imagens e fantasias sexuais.
— Acho que entendi aonde você quer chegar.
— Pois fale!
— Como eu sou o pai do Fabrício, devo ter educado meu filho transmitindo também minhas censuras e preconceitos, e é por isso que ele está angustiado.
— Muito bem! Prossiga.
— Cabe a mim, não é, reconfortá-lo e devolver-lhe a auto-estima essencial para que ele se realize na vida?
— Acertou na mosca. Converse com o Fabrício hoje à noite, fale de você, conte suas próprias histórias e experiências e tire esse peso das costas do rapaz. Além de ficar eternamente grato a você, ele será seu amigo e confidente para sempre.
— É o que eu vou fazer.
— Muito bem. Podemos nos despedir, então.
— Doutor, uma última coisa. Na eventualidade remota de o Fabrício apresentar uma tendência, digamos assim... bissexual...
— Desculpe interrompê-lo, Moacir, mas nessa eventualidade, venha me ver e conversaremos. Só posso adiantar que você não teria com que se preocupar. A meu ver, a natureza humana é essencialmente bissexual.
— Xi! Vou embora antes que dê briga, doutor!
— Tudo de bom, Moacir, e cuide desse filho com amor!





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