9. Cupido peralta
– Um, dois, três, quatro... Está faltando qual? pergunta a garota,
rodando em volta da irmã nua.
– Dá um tempo, Angie! Você está me atrapalhando... como sempre! grita
Rebeca, irritada.
– Ai, deixa de ser chata! Só estou olhando as tatuagens! Só está
faltando mais uma, não é?
– ...
– Fala!
– É! É! Agora sai daqui.
– É a do cupido, que eu sei! Vai ser aonde?
– Não te interessa?
– Ah, me fala!
– Some daqui se não quiser apanhar, Angie!
– Eu sei que vai ser bem na...
– Vai, fala! Fala para ver só o que vai te acontecer! ameaça Rebeca,
exasperada.
– Vai ser na...
– Experimenta.
– Vai ser na...
– Você é que sabe.
– Vai ser na bu-ce-ti-nha! sussurra a garota sapeca, ja saindo em
disparada do quarto, às gargalhadas.
Rebeca faz que vai persegui-la mas desiste e volta para o quarto,
imaginando que a irmã tenha escutado alguma conversa entre ela e Cátia. Isso a
preocupa um pouco, mas ela não pretende desistir da sua última tatuagem. Muito
bem depilada, ela apalpa a região que deverá recebê-la e sorri ao descobrir que
o nome "monte de Vênus" é perfeitamente apropriado à cena de um Eros
apontando seu arco e flecha para a fenda do amor. Ela escolhe uma calcinha
nova, uma blusa bem bonita, uma saia fácil de tirar e sai para a sua última
sessão no estúdio de tatuagem. Agora acostumada e segura, ela decidiu ir
sozinha, mas já sabe que sua amiga Cátia não vai perdoá-la por não ter sequer
sido avisada da data.
– Tchau, mãe! Estou indo! grita ela, já com a mão na maçaneta.
– Tchau. Telefona, hein! Quero saber onde você está! responde a mãe, da
cozinha.
Na porta entreaberta, Rebeca olha ameaçadoramente para a irmã e promete
a surra do ano se ela revelar alguma coisa aos pais.
– Pode deixar, não vou contar não, jura a menina, beijando os dedos
cruzados com o ar menos confiável do mundo.
– Se contar, já sabe, vai apanhar como daquela vez que você quebrou o
meu espelho.
– Ai, pára, Rê! Também não é assim!
– Bom, depois vai dizer que não avisei, ameaça ela, fechando a porta.
Rebeca chega ao estúdio na hora. Henrique interrompe o papo com uma
colega para olhar o relógio de parede.
– Hum! Pontual! E cadê a amiga?
– Vim sozinha, hoje, diz ela, sorrindo um pouco sem jeito.
– Ah! Muito bem, perdeu o medo! Então vamos, convida ele, dando uma
piscadela bem-humorada para a colega.
De fato, Rebeca não sente mais a apreensão inicial, mas o local da
tatuagem a inibe um pouco. Quando ela termina de tirar a saia, sente-se um
pouco encabulada.
– Como é que eu fico?
– Hoje é o cupido?
– É.
– Na virilha, não é isso?
– É, responde ela, corando.
– Então você vai ter que deitar, mas sem nada, Rebeca.
– É, eu sei, mas posso tirar a calcinha depois?
– Pode, claro. Aliás, você não precisa tirar tudo; é só baixar bem.
– Ah, que bom! diz ela, já subindo na cama de tatuar.
Por mais hábito que Henrique tenha de ver corpos femininos, ele não pode
deixar de vibrar a cada vez que um deles se destaca pela beleza, e o de Rebeca
é um desses. Vê-la deitada diante dele apenas de blusa e calcinha, tão
vulnerável e submissa, deixa-o num estado de agradável entusiasmo que o faz
adorar a profissão que exerce já há quase dez anos.
– Você sabe que vou ter que tocar praticamente em toda a área em volta
da tatuagem, não sabe?
– Hum-hum, responde ela, olhando-o nos olhos.
– Ótimo, porque já me aconteceu de a cliente tomar o maior susto quando
sente o peso da minha mão "lá".
– Não, não, eu entendo. Vou deixar você trabalhar.
– Ótimo então. Você já pode baixar a calcinha para eu decalcar o desenho.
Rebeca obedece, mas não sem antes puxar lençol até acima do umbigo.
Henrique ri e baixa-o até a altura da calcinha, que ela desceu até o meio das
coxas, admirando pela primeira vez a nudez frontal da sua cliente.
– Você quer que ele aponte a flecha para a "entrada", não é
isso, diz ele, malicioso.
– Isso, e o mais perto possível.
– Eu só tenho que evitar o triângulo pubiano porque como você se depila,
a lâmina vai acabar empalidecendo as cores. Você deu sorte de ter pelos que
despontam bem baixo. Bom, o cupido vai ficar deste lado, perto da coxa, como se
fosse atirar bem "lá".
– É isso que eu quero, aprova Rebeca, olhando atentamente.
– Então vou começar.
O decalque da imagem se faz sem dificuldade e Henrique logo pode concentrar-se
na tatuagem propriamente dita, enquanto o zumbido do motor camufla gemidinhos
discretos da sua cliente. O contorno do cupido de cerca de quatro centímetros
fica rapidamente pronto e Henrique decide dar a Rebeca uma trégua de alguns
minutos.
– Está ficando bom? pergunta ele, com uma mão negligentemente esquecida
no alto da coxa dela enquanto limpa a área com algodão.
– Vai ficar uma gracinha! exclama ela, erguendo a cabeça para ver.
Henrique vai até a estante procurar as tintas e quando volta para
retomar o trabalho, Rebeca estende-lhe a mão contendo algo no punho fechado.
– Você coloca isso na cadeira para mim? pede ela, abrindo a mão para
passar-lhe a calcinha que ela acaba de tirar.
– Preferiu tirar tudo? pergunta ele, sorrindo.
– É, estava me incomodando.
– Quanto mais nu o cliente, mais fácil para o tatuador!
Henrique faz o que ela pediu e volta ao trabalho. Livres da pressão do elástico
da calcinha, as coxas de Rebeca repousam na cama naturalmente entreabertas. Ele
agora vê de muito perto o contorno carnudo dos grandes lábios, a transição
sutil de um tipo de pele para outro e, meramente visíveis entre eles, as bordas
rosadas dos pequenos lábios, úmidas e brilhantes como ficam na maioria das suas
clientes que se tatuam nessa região.
– Vou ligar a máquina, está bem?
– Hum-hum, faz ela, acomodando-se para ficar imóvel por longos momentos.
Quando a tatuagem a fazer não é de maior complexidade, Henrique se
permite conversar durante o trabalho, e é o que ele faz com Rebeca. Consciente
da dificuldade que o novato enfrenta para expor seu corpo, ele vai buscar um
tema que pode ajudá-la a relaxar e ao mesmo tempo relativiza as coisas.
– Você gosta de pintura corporal, Rebeca? pergunta ele.
– Eu gosto. Me dá até pena de pensar que tanto trabalho vai sair com
água.
– É, tem verdadeiras obras de arte. Você já foi a algum evento?
– Não, só vi em revistas e videos do YouTube.
– Você já viu algum em que o artista pinta as partes íntimas da pessoa?
– Vi sim! No outro dia, vi um passado em Nova Iorque , em que o
pintor ficava o tempo todo pegando no "treco" de um cara que ele
tinha pintado de azul da cabeça aos pés, para dar retoques. Parecia até que ele
estava interessado!
– Pois é, tem disso também. Eu perguntei porque em pintura corporal, é muito
comum a pessoa ficar nua e ter muita gente observando. Você encararia isso?
– Agora, depois de ter feito algumas tatuagens, acho que sim. No fundo,
todo mundo é um pouco exibicionista, não é?
– É, quem gosta dessas coisas é sim, mesmo sendo tímido no começo. Vi
muita gente tímida sair daqui curada.
– Sério? Mas curada mesmo?
– Bom, pelo menos sem medo de ficar sem roupa aqui na loja e com muita
vontade de sair mostrando a tatuagem para todo mundo.
– É, já é muito. Eu tenho um amigo horrivelmente tímido. Vou dizer a ele
para vir aqui!
– Pode mandar; ele vai querer sair daqui de sunga!
– Haha!
Com gestos rápidos, Henrique limpa os excessos de tinta passando o
algodão pela pele de Rebeca. Ela observa os movimentos da mão que
negligentemente resvala na carne macia do monte de Vênus. Isso a excita e ela
está consciente da sua umidade. Um pouco encabulada, ela procura o rosto de
Henrique e seus olhares se cruzam. O sorriso dele diz tudo e lhe confirma que ela
foi descoberta, mas é um olhar terno e estabilizante que a encoraja. Olhando-o
nos olhos, ela afasta um pouco as pernas permitindo que um joelho chegue à
borda da cama. Ela está séria, apreensiva, com as mãos espalmadas na cama,
junto ao corpo. Henrique acompanha o movimento dos seios com a respiração que
vai ficando mais e mais ofegante. A boca de Rebeca se entreabre num sorriso
apenas esboçado, os lábios tão úmidos quanto os outros, mais abaixo. Ela
procura com a mão o corpo de Henrique e encontra a lateral da calça. Ao
primeiro toque, ele se curva para beijá-la, introduzindo-lhe a língua entre os
dentes para provar-lhe o sabor. As pernas de Rebeca abrem-se instintivamente
aos dedos certeiros que vão percorrer-lhe a fenda melada e separar os pequenos
lábios até atingir o vértice, provocando-lhe um primeiro sobressalto
acompanhado de uma rápida inspiração de susto. Ela encolhe ligeiramente as
pernas sem fechá-las e Henrique a invade com dois dedos, profundamente. Ela
fecha os olhos e geme, abrindo-se mais e mais a essa mão que inicia um vaivém
regular e profundo enquanto o beijo se eterniza e afoga as duas línguas nas
salivas que se misturam. Às apalpadelas, Rebeca desafivela o cinto de Henrique,
abre o botão, baixa o zíper, puxa o elástico da cueca e libera o membro que
salta duro e molhado. Após uma breve olhada com o canto dos olhos, ela o
empunha com força enquanto o rapaz continua a penetrá-la com os dedos e a
esfregar-lhe vigorosamente o clitóris ao tirá-los da vagina. Ele não quer
cessar de beijá-la, mas a certa altura, talvez pressentindo que a manipulação
vai levá-lo ao orgasmo, interrompe o beijo para oferecer-lhe discretamente o
que ela já tem na mão. Rebeca olha-o nos olhos, sorri e abocanha sem mais temor
a glande encharcada. Um ritmo se estabelece entre esses dois corpos em cruz e
um ruído molhado se eleva na sala de tatuagem. Rebeca não tarda a ser assaltada
por um orgasmo intenso que a faz solicitar mais a mão de Henrique com o reforço
da sua. A excitação agita-a e impede de continuar chupando, então ela põe-se a
masturbá-lo até que, por sua vez, ele se esvai num orgasmo não menos explosivo
que deixa em seu rosto longos e espessos traços de esperma, alguns dos quais transpõem
o nariz para ir escorrer pela face, outros se instalam entre os lábios fechados
e outros ainda escolhem o caminho do queixo rumo ao pescoço. Henrique procura
em seu olhar um sinal de repulsa, mas nada vendo, começa lentamente a recolher
com os dedos cada um desses traços para levá-lo à boca de Rebeca, que os acolhe
sem asco, chupando-lhe os dedos até com certa gula. Eles riem. Ela precisa ir
se lavar. Cupido terá que aguardar uma outra sessão para ser terminado.

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