3. Que ciúme é esse?
O dragão na omoplata acabou ficando pronto em três
sessões muito esparsas. Levou um mês para que Rebeca pudesse enfim mostrá-lo a
Dan, ex-namoradinho, grande amigo e fuck
friend predileto.
– Uau! Ficou "um estouro", exclama o geek
grandalhão, recorrendo ao seu estoque de expressões arcaicas enquanto toca na
obra de mestre, toda em negro e tons de cinza, exceto pelos olhos verdes e as
chamas vermelhas que o monstrinho mal-encarado expele da goela aberta.
– Ai! Você está pesado, Dan! protesta Rebeca,
sentindo-se esmagada pelo rapaz corpulento, que distraiu-se mais uma vez e
soltou o peso do corpo para observar de perto a novidade em suas costas.
– Desculpa, menina frágil! zomba ele, voltando a
apoiar-se nos joelhos para mover-se dentro dela.
– Ahn...! Assim é melhor, diz ela, sentindo o prazer
voltar com o vaivém reengrenado.
– Acho que esse dragão está com ciúmes porque sou eu,
e não ele, que estou comendo essa bucetinha deliciosa, Rebeca. Ele está olhando
para mim de cara feia!
– Só pode. Mas eu vou encher minha pele de amigos para
ele. Logo, logo ele vai deixar de se sentir tão sozinho. Ahn... Assim, Dan...
Está tão gostoso!
Rebeca e Dan se conhecem desde o primário e
descobriram juntos os primeiros beijos e carícias. Ensaiaram um namoro
convencional, mas eram tão íntimos que não deu certo, então resolveram resumir
seus encontros ao sexo e a solução tem provado ser a melhor. Dan tem dezenove
anos e divide um apartamento com dois amigos que como ele estudam informática.
Rebeca o frequenta quando ambos estão "solteiros" e os encontros
ocorrem até mesmo quando Dan liga avisando que o apartamento será seu por
algumas horas.
– Essa "coisa" está ficando mais grossa,
Dan! protesta ela, agora de joelhos no chão, interrompendo momentaneamente uma felação
para olhar o membro do amigo sentado na cama.
– Tomara! diz Dan, empunhando-o para olhá-lo.
– Uma coisa é certa: ele cresceu muito. Minha boca não
se cansava como agora!
– Normal, né, Rebeca! O importante é você gostar.
– Não, eu gosto, mas é estranho comparar com a
lembrança que eu tenho dele quando a gente começou, elucubra ela, puxando o
pênis pelo tronco e voltando a pô-lo na boca.
– Você chupa tão gostoso! suspira o rapaz, assistindo
à cena e afagando os cabelos da menina que devora, aplicada, o seu sexo.
Rebeca aprecia levar seu amigo ao orgasmo assim, com a
boca. Ela preme os lábios e trabalha intensamente com a língua até sentir as
coxas do rapaz enrijecerem e sua respiração tornar-se entrecortada. Alcançado
esse estágio, bastam-lhe alguns vaivéns para fazê-lo disparar em sua boca mais
alguns jatos do esperma que ele já verteu fartamente ao penetrá-la, momentos
antes. Ela adora quando ele a puxa pelo cabelo para ver sua boca, que ela
mostra aberta, exibindo o fluido gelatinoso sobre a língua antes de fazê-lo
descer garganta abaixo.
– O teu sempre teve gosto de ostra, comenta ela,
passando a língua nos lábios e engolindo o resíduo.
– Adoro te ver engolir, diz ele, curvando-se para
beijá-la já de língua de fora.
– Que horas são, Dan? pergunta ela, logo depois do
beijo.
– Ah, umas sete. Ainda é cedo.
– Cedo nada! Eu tenho uma pesquisa sobre mitologia
celta a fazer na Internet e ainda não escrevi uma linha! diz ela, saltando da
cama e precipitando-se para fora do quarto para ir tomar banho.
– E o analzinho final, Rê? grita ele.
– Vai ficar sem, dessa vez! responde ela, abrindo a
ducha.
Mais isso é inaceitavela para Dan. Dizer que uma
sessão de sexo vai chegar ao fim sem ao menos uma penetração anal lhe soa como
um sacrilégio. Mais que depressa, ele pula da cama e vai juntar-se a Rebeca no
banho, puxando-a para si e esfregando-se lascivamente nela.
– Ai Dan, para! Parece um cachorro!
– É exatamente assim que eu estou me sentindo, retruca
ele, cada vez mais excitado com o contato do membro entre as nádegas dela. Uma
vezinha só, vai! implora ele.
Rebeca sabe que não vai conseguir desvencilhar-se dele
sem conceder o que ele pede. Habituada, ela fecha as torneiras e agarra-se a
elas pedindo ao amigo que seja gentil. Dan então ensaboa fartamente as suas nádegas,
elogiando-as como sempre faz nesse momento, e começa a inserir-lhe o pênis no
ânus, sob a saraivada habitual de palavrões e protestos de dor.
– Aiê! Monstro! grita ela.
– Calma, Rê! Você sabe que assim que entrar tudo fica
melhor e você gosta.
– Eu sei, mas não precisa enfiar tudo de uma vez!
– Mas você não disse está com pressa?
– Ah Dan, não começa!
Quando as nádegas dela se chocam contra o seu
corpo, Dan separa-as com as mãos e lhe pede que faça força para trás, afim de ganhar mais alguns
centímetros de penetração. Ele fica assim, profundamente enterrado nela,
durante alguns instantes, beijando-a e ouvindo-a gemer baixinho, sinal de que
o prazer começou a substituir-se ao desconforto. Ele acaricia-lhe os
seios, desce pela barriga até a fenda e esfrega o clitóris, iniciando um lento
e profundo vaivém por trás dela. Enfim invadida pelo prazer, Rebeca deixa-se
levar, gemendo muito com novos orgasmos e um prazer anal que a ainda a intriga. Vez por outra, Dan retira-se completamente dela,
agacha-se e, separando-lhe bem as nádegas, contempla e lambe o ânus aberto em tunel,
cospe dentro dele e volta a penetrá-lo. Ele sabe que isso amplia ainda mais
a excitação de Rebeca, que quase perde as forças; ela desabaria, não fossem as
torneiras onde agarrar-se firmemente. Sentindo outro orgasmo aproximar-se, Dan aperta-a contra a parede ladrilhada e dá as últimas estocadas, vertendo dentro dela o
esperma que lhe resta. Quando ele se afasta, Rebeca se vira,
empunha-lhe o membro ainda fremente e o abocanha uma última vez. Apesar dos protestos iniciais, ela sabe recompensá-lo por esses últimos minutos de
prazer. Dan afaga-lhe o cabelo molhado enquanto geme com as carícias da boca
quente e molhada em seu sexo. Assim que ela se levanta, ele a beija lascivamente, puxando-a pelo cabelo e procurando a vagina para despedir-se dela com os dedos.
– O dragão ficou muito bem feito, diz Dan,
contemplando-a enxugar-se.
– Deu um trabalhão para fazer as sombras! Tive que
voltar lá duas vezes.
– É um cara que faz as tatuagens?
– É. Ele se chama Henrique e é muto fera. Ele é todo
tatuado.
– Vê lá hein, Rê!
– Vê lá o que?
– Ah, sei lá, esses caras vêem um monte de gente nua.
Vai que ele te canta numa dessas!
– Vai ficar com ciume agora, Dan?
– Não, não é isso. É que...
– Bom, outra hora a gente conversa. Agora estou sem
tempo nem paciência. Tchau Dan.

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