Toda vez que, sem
ninguém em casa, Nina ficava à vontade para descobrir seu corpo, passava longos
momentos diante do espelho examinando-se e conjeturando que, sendo cilíndrico o
sexo dos homens, o acesso mais logicamente projetado para acolhê-lo não seria a
linha, mas o círculo. Ora, os grandes lábios não só dificultam o acesso à vulva
como formam um traço vertical quando fechados. Nada menos intuitivo para, por
exemplo, um homem das cavernas, pensava ela, do que imaginar ali uma entrada
oculta e ir separá-los para ter acesso a ela! O orifício anal, pelo contrário,
explicitamente circular, evoca a forma cilíndrica do pênis, como num jogo de
blocos de encaixar para crianças. Disso ela concluía que na prehistória os
homens teriam inaugurado a aventura do prazer sexual humano pela penetração
anal e relegado a penetração por via vaginal à procriação. Ademais, conjeturava
Nina, a mulher não precisa ser penetrada na vagina para ter orgasmos; ela
própria masturbava-se desde os tempos em que ainda era virgem. Portanto, a
procriação nada tem a ver com o prazer, e isso encerrava o argumento.
À medida que ela
foi convencendo-se dessa sua verdade geométrica, Nina passou a dar mais
atenção, em suas sessões de masturbação, ao orifício anal, tocando-o e testando
sua elasticidade, em seguida penetrando-o um pouco mais profundamente, primeiro
com uma caneta fina e, quando ficou mais habituada, com o mesmo cabo cilíndrico
e liso da escova de cabelo que ela usava quando não podia saciar-se com algum
namorado. Ela sempre negara o sexo anal porque todas as suas amigas mais
permissivas adquiriam sistematicamente uma péssima fama no bairro e na escola,
o que a deixava apavorada. Sem falar nas opiniões da família, que ela era
obrigada a ouvir quase diariamente, em geral durante o almoço e sob forma de
sábios conselhos emitidos pela voz da experiência dos mais velhos.
— Eu só fiz depois
que casei, e olhe lá! O Oswaldo que não se atrevesse a me pedir para fazer
sempre! declarava a tia Estela, olhando Nina bem nos olhos para que retivesse a
lição.
— Com namorado, nem
pensar! exclamava a irmã Julia, fazendo careta.
— É, maninha, você
não pode dar esse gostinho para os caras! reforçava o Mário, seu irmão,
hipocritamente. Nina sabia o quanto ele aprontava com as meninas fáceis do
bairro.
— A Nina tem bom
senso, gente! Não é, filha? dizia a mãe, dando um sorriso gentil e cúmplice,
penalizada com o bombardeio.
— Filha minha não
faz essas coisas com namorado. Isso assusta os pretendentes e gera maus
casamentos, arengava o pai, engrenado no esvaziamento mecânico do prato de
comida.
Era portanto bem
claro para Nina que ela não teria interlocutor na família para discutir sua
geometria do prazer sexual. Ela se calava e os deixava entregues às suas
opiniões. O assunto vinha à baila como tantos outros e como ela amava a
família, esforçava-se para não deixar transparecer a impaciência e esperava que
o próximo assunto entrasse em
pauta. E assim se passavam as refeições cotidianas na mesa
grande da cozinha.
Entretanto, Nina
precisava falar com alguém sobre esse assunto que pipocava em sua mente pelo
menos uma vez por dia. Procurando dentre seus amigos aquele que mais lhe
parecesse afeito a esse tipo de conversa, ela acabou optando por não se abrir
com as meninas e foi tocar no assunto com um vizinho e amigo seu que ela
considerava inteligente, sério, calmo e sobre a sexualidade do qual ela tinha
uma opinião muito sua e que ela jamais revelara a ninguém. Ela apresentou-lhe
seu argumento geométrico em defesa da penetração anal como origem intuitiva do
prazer sexual humano e, para espanto seu, encontrou plena afinidade nesse amigo
chamado William que ela tratava carinhosamente de Wil.
— É sério, Wil? Ufa!
Não estou mais sozinha!
— Para mim, a coisa
ainda era mais evidente para o homem, porque nós só temos um buraco, e é
circular!
— Você está
querendo me dizer que...
— Isso mesmo, que o
homem também deve ter descoberto o prazer anal na prehistória e deve ter
praticado muito com os amigos. Essa história de "sodomia" inspirada
na Bíblia e criminalizada só surgiu milhares de anos depois por razões que nada
tem a ver com o sexo em si.
— Eu costumo pensar
que o raciocínio é o mesmo que as crianças usam para encaixar blocos de madeira
em formas vazadas.
— É por aí mesmo: a
criança pega um cubo de madeira e vai procurar a forma quadrada onde encaixá-lo.
— Eu não tive essa
intuição muito cedo, mas ela veio que veio!
— Pois é, a gente
precisa entender melhor a própria anatomia para chegar a essa conclusão. Comigo
aconteceu num dia em que um colega nosso resolveu baixar a roupa e mostrar o
cu. Nós estávamos num vestiário depois de um jogo quando, de repente, ele se
curvou, escancarou a bunda com as mãos e nos chamou em voz alta. Vendo pela
primeira vez em outro que não eu aquela estrutura circular convergindo para o
misterioso orifício que levava ao interior do corpo, tive de estalo a idéia de
que a excitação que alguns colegas e eu mesmo mostramos assistindo à cena era
perfeitamente natural porque cada um de nós era dotado da "peça" que
se encaixava naturalmente ali e que permitiria não só explorar o desconhecido
mas obter um prazer que ultrapassaria de longe o do orgasmo pela masturbação. Depois
desse dia, meus bloqueios se dissiparam milagrosamente e tive várias
experiências de penetração com amigos.
— E você não é gay.
Pelo menos não tem fama aqui no bairro, posso te garantir! diz Nina, dando-lhe
um tapinha no braço.
— Não, não sou gay,
mas tenho atração sexual por mulheres e homens por causa da bunda e do sexo
anal.
— Você já fez… de
tudo? pergunta Nina, delicadamente.
— Dar e comer? Fiz.
— Tem preferência?
— Boa pergunta,
Nina, porque ela tem a ver com a nossa teoria. Para o homem, a penetração anal
é muito mais intensa que a vaginal, podendo chegar até a causar dor.
— Quem penetra
sente dor?
— Os inexperientes
sentem.
— Mas quem tem
prática...
— Exatamente, são
os homossexuais. Na minha opinião, os homens prehistóricos praticavam sexo anal
por prazer com homens e mulheres, mas por algum motivo, talvez porque os homens
morressem nas guerras e era preciso procriar, essa prática foi proscrita e interrompida.
Só alguns não conseguiram parar, os homossexuais e gays, e daí surgiu o
preconceito.
— Você faz
diferença entre homossexuais e gays?
— Faço porque a
distinção é importante. O homossexual é o homem ou mulher que aprecia o sexo
com gente do mesmo sexo. O gay é o homem ou mulher que sente amor por gente do
mesmo sexo e quer dividir sua vida com alguém do mesmo sexo.
— Eu nunca tinha
pensado nisso, disse Nina, reflexiva.
— Mas esse é outro
assunto. O assunto que você trouxe é o de que a forma do pênis inspira o homem
a procurar um orifício redondo. Eu concordo plenamente com essa idéia e sei de
um elemento que a reforça ainda mais.
— Ah é? O quê?
— Para você, o que
é que chama mais atenção do homem numa mulher nua?
— Os seios e a
bunda.
— Exatamente, mas
em que ordem você acha que os meninos aprendem a se excitar com o corpo da
mulher?
— Sei lá, alguém já
me disse que isso é cultural. Aqui no Brasil é certamente primeiro a bunda e
depois os seios.
— Acertou. Aqui,
quando o menino chega aos onze ou doze anos, começa a ser bombardeado pelos
vizinhos e colegas de quinze ou dezesseis com a idéia de que é a bunda que
determina se uma mulher é "gostosa" ou não. Ele não entende muito bem
por quê, mas compra a idéia feita e vai descobrindo através de conversas,
historinhas e principalmente imagens que a mulher de "bunda boa" é a
mulher gostosa que deve servir de modelo na busca do sexo. E é aí que se opera
um fenômeno importantíssimo que vai derminar a distinção entre dois grupos de
meninos.
— Ah é? Estou
curiosa!
— Você sabe que
nessa idade, entre doze e dezesseis, a espessa maioria dos meninos está longe
de ter acesso à relação sexual com as meninas da sua turma e com a mulher em
geral.
– É claro. A mulher
mais velha não se interessa por eles e as colegas e vizinhas da mesma idade
estão se descobrindo como eles, têm seus medos e acabam rejeitando os avanços.
— Exatamente. O que
acontece então é que, transbordando de hormônios, trabalhado por imagens
eróticas fundamentadas nas delícias da bunda e vendo-se diante dessa barreira
entre ele e o sexo oposto, o novato se volta naturalmente para o corpo dos
colegas do sexo masculino, que ele vê nus nas mais diversas circunstâncias, e
descobre – muitas vezes instigado por outros – que a idéia da "bunda
boa" também se aplica alguns deles e que isso os torna interessantes do
ponto de vista sexual. Com a notória promiscuidade entre meninos, o acesso a
certas práticas sexuais entre eles se torna muito mais fácil do que a obtenção
dos favores femininos, e assim se cria o numeroso grupo dos meninos que viveram
suas primeiras experiências sexuais com outros meninos, obviamente através do
sexo anal.
— Caramba! Eu nunca
parei para pensar em meninos não gays que descobrem o sexo uns com os outros!
— Pois é, Nina, mas
esse é um recurso extremamente comum, o que vem reforçar a tua teoria, já
que a abordagem mais intuitiva do sexo não somente se faz por via anal, como
não se faz necessariamente com pessoas do sexo oposto.
— Você é menino e
deve saber do que está falando. Acredito em você e concordo que isso reforça a
minha teoria. Mas, você sabe, minha família faz a maior campanha contra o
sexo anal.
— Mas você já
desobedeceu à sua família, não?
— Eu não.
— E por que não?
— Na verdade, se eu
ainda não fiz, foi mais por medo de ficar mal falada. Tenho amigas mal vistas
na escola porque fazem sexo anal com os namorados. Eles acabam contando aos
amigos e o falatório é insuportável. Eu não aguentaria, morreria de vergonha.
— Mas você tem
vontade de experimentar?
— Claro, mas não
com um idiota que saia contando para todo mundo. Não quero achar que estão
todos olhando para mim como uma vagabunda porque eu experimentei o que me
parece ser a coisa mais natural do mundo!
William olhou para
frente por um longo instante, calado, o olhar vago, como se estivesse deixando
o assunto morrer no horizonte longínquo. Quando Nina ia abrir a boca para
agradecer pela conversa e se despedir, ele voltou a falar.
— Bom, não sei muito
bem como dizer isso, Nina, mas se você quiser, eu mostro tudo que sei e a gente
dá um jeito de ter prazer um com o outro. Por mim, fica tudo entre nós.
— Eu quero aprender
e quero gostar.
— Eu já gosto e
acho que posso passar esse gosto para você, então está combinado. Só falta
encontrar o dia bom para os dois. Pode ser lá em casa.
— Hoje é terça...
Na quinta e na sexta estou à toa a tarde toda.
— Sexta vou sair à
noite e vai ter muita gente lá em
casa. Na quinta, então. Aparece lá por volta de uma da tarde.
— Por mim tudo bem,
disse a Nina, brincando de fechar o acordo com um aperto de mãos.
A campainha tocou
exatamente às treze horas da quinta feira. William atendeu e convidou Nina a
entrar. Quando ela cruzou a porta, os dois riram ao constatar que a ambos
estavam de cabelo molhado do banho recente.
— Os dois
preparados, brincou ele!
— É mesmo! retrucou
ela, rindo e passando.
— Hum! Toda sexy!
disse ele, olhando-a de cima a baixo.
— Obrigada!
Nina vivia de calça
jeans, tênis e camiseta, mas como a ocasião pedia roupas mais práticas, ela
escolhera uma saia mole bem curta e uma camiseta de tecido espesso que ela
podia usar sem sutiã de maneira discreta.
— E unhas de
marciana! brincou William ao chegar aos pés.
— Pois é, como eu
não queria vir de tênis, pintei de verde, mas não caprichei muito, não.
— Combina com a
blusa, disse ele, para prolongar a introdução.
— É verdade! fez
ela, igualmente carente de iniciativa.
— Como você pode
ver, não tive a mesma criatividade, disse ele, olhando para a bermuda, sua
única peça de roupa.
— Eu gosto de você
sem a parte de cima. Você tem peito e barriga bonitos. Aliás, braços e pernas
também.
— Uau! Assim eu
fico encabulado de tanto elogio!
Nina sentou-se numa
poltrona velha, inclinada em relação ao sofá e voltada como ele para a
televisão. De pé entre ela e o retângulo negro da tela, sentindo-se ridículo por ter
promovido um encontro tão insólito sem estar realmente preparado para ele, Will
passou os olhos pelas coxas descruzadas da menina, vislumbrou a calcinha branca
negligentemente à vista entre elas e voltou rapidamente aos olhos dizendo que
tinha refrigerante e suco na geladeira. Mas Nina não quis, com a cabeça ligada
no que eles haviam combinado.
— Quer que eu tire
a roupa, Wil? disse ela, séria e repentinamente.
Foi o suficiente
para religá-lo ao mundo factual.
— Também vou tirar
a minha, respondeu ele, já abrindo a bermuda, impaciente para ver o resto da
amiga morena de belas coxas.
Nina levantou-se e
abriu o botão lateral da saia, fazendo-a cair no chão e tirou a camiseta num
movimento rápido e simples, mas manteve a calcinha, branca e ajustada. Em
seguida, arrumou a roupa no assento da poltrona e virou-se para William, que já
se livrara da bermuda e olhava admirado para ela.
— Francamente, não
sei por que você só usa calça, Nina. Com esse corpo, você deveria viver de saia
e short! lançou ele, incapaz de parar de olhá-la.
— Minhas amigas me
dizem isso, mas para jogar bola com a galera da rua fica complicado, retrucou
Nina com um risinho.
— É verdade! Já vi
você jogando no campinho!
— E jogo mesmo,
desde os dez anos!
William estava
boquiaberto com o corpo da menina meio "garçon manqué" diante dele. Ao
contrário do que a habitual roupa larga e masculina deiaxava imaginar, seus
seios e coxas chamavam a atenção pela forma e proporções perfeitas, e a
calcinha branca em contraste com o moreno queimado da pele faziam de Nina uma menina
realmente sedutora. Quando ele aproximou-se, seu sexo já começara a avolumar-se.
— Olha o que você
já fez comigo! exclamou ele, apontando para a cintura.
— Eu? Mas eu estou
tão quietinha aqui!
— "Ele"
me disse que quer entrar num certo lugar..., disse William avançando,
colando-se a ela e fazendo-a sentir pulsações rápidas na coxa.
— Ah é? Vocês
conversam? retrucou ela, alisando a protuberância rígida.
— Hãhã. Ele até me deu uma sugestão.
— É sério? Fala.
— Ele disse que eu
podia pedir a você para fazer como o meu colega, como eu te contei.
— Aquele que
mostrou o bumbum para vocês?
— É, ele mesmo, mas
não foi só o bumbum...
— Eu sei, ele abriu
e mostrou tudo. Você quer que eu faça isso?
— É um bom começo,
não acha? Depois eu faço a mesma coisa para você ver.
— Quer dizer que
vamos mesmo virar homens das cavernas? brincou ela.
— Não foi para isso
que marcamos encontro? Você prefere que eu comece? Eu poss...
Sem deixá-lo
terminar, Nina o empurrou sentado no sofá e foi por-se diante dele, de costas. Ele
mesmo baixou-lhe a calcinha, que ela terminou de tirar, curvando-se em seguida
para frente e levando as mãos atrás para separar amplamente as nádegas.
— Está vendo?
perguntou ela.
— Perfeitamente!
excalmou William, encantado.
— Como ele é?
— Redondinho, um
pouco raiado, com um furinho no meio que parece muito apertado!
— Nunca fiz sexo
anal, mas já enfiei dedo, caneta e cabo de escova.
— Bah! Dedo e
caneta, quem não mete?
William aproximou-se
para observá-lo bem de perto enquanto Nina esforçava-se para manter as nádegas
o mais abertas possível.
— Assim fica
parecendo um funil. Quando eu olho para ele e comparo com a b... Enfim, você
sabe. Quando eu comparo os dois e olho para mim, esquecendo de tudo que
aprendi, a vontade que eu tenho é botar nele e não na...
— Na buceta. Pode
falar, Wil! Se a gente não der nome aos bois, vai ser difícil se comunicar.
— Está bem, na
buceta então... Olhando para os dois sem pensar no que eu aprendi nas aulas de
ciências, não é nela que eu sou inclinado a meter, mas no cu.
— Concordo
plenamente com isso, e você vai poder meter, doa o que doer! exclamou ela,
sorridente.
— Antes, eu queria
fazer uma coisa que adoro, posso?
— O quê?
— Passar a língua.
— Pode. Eu tive um
namorado que adorava. Ele era doido para fazer sexo anal. Eu ficava com pena e
deixava lamber.
Sentado na beira do
sofá, William puxou Nina um pouco mais para trás e começou a passar lentamente
a língua pelo fundo do sulco, provando o sabor levemente salgado da pele e
valendo-se desse órgão táctil para perceber a textura e as formas que entravam
em contato com ele. Sentindo-se firmemente estabilizada pelas mãos do amigo,
Nina levou uma mão entre as pernas e esfregou um dedo no entrelábios.
— Hmm... Estou
ficando molhada, gemeu ela.
— Que bom, murmurou
ele, passando a lambê-la amplamente para colher o fluido precursor que já
despontava do orifício vaginal.
— Não estou
aguentando, disse ela, por fim, virando-se, empurrando William para trás e
montando em seu colo para beijá-lo lascivamente.
Eles fizeram sexo
convencional por alguns momentos nessa posição, beijando-se e acariciando-se
como dois namorados, mas atentos a impedir que ele atingisse o orgasmo. O jeito
calmo de William relaxou Nina a tal ponto que ela foi por ela mesma ajoelhar-se
no sofá e convidá-lo a penetrá-la como homem prehistórico. Ele untou-lhe
generosamente o orifício com lubrificante e quando a tocou com a glande no
ponto exato, Nina virou-se, pousando-lhe a mão no baixo ventre, bem no ponto em
que brotava a ponte rígida que os interligava.
— Será que vai doer
muito, Wil? Ele é bem mais grosso que o cabo da minha escova! disse ela,
empunhando o pênis e tentando ser divertida.
— Vou forçar bem
devagarinho e você me manda parar se doer.
— Eu queria poder
ver, como você.
— É bonito,
retrucou ele, separando-lhe as nádegas para encaixar a glande na concavidade
inicial e afundá-la um pouco nessa pele lisa.
— Ahn! Já abriu um
pouco, gemeu ela, estabilizando-se melhor no sofá.
— Vou enfiar
milímetro por milímetro e devagarinho, garantiu-lhe o rapaz, segurando-a pela
cintura e puxando-a para si.
— Está entrando,
mas muito apertado, disse ela, agarrando-o pelo antebraço.
— Tenta relaxar o
cu, Nina, sugeriu o rapaz, sentindo o latejar do seu membro, impaciente para
introduzir-se por inteiro no orifício que começava a premer intensamente a
glande.
— Eu acho que
aguento, Wil. Enfia um pouco mais.
Ele forçou e
aprofundou-se. Nina suportou corajosamente a expansão do orifício até que a
glande ultrapassou a região elástica que fechou-se atrás dela envolvendo o
tronco do membro com pressão uniforme.
— Pronto, a cabeça
passou.
— Todinha? indagou
ela, levando a mão novamente atrás para averiguar.
— Todinha. O
"pior" já passou. Agora vou enfiar até o final. Assim está doendo?
— Estou sentindo
mais um aperto do que dor, retrucou ela, passando a ponta do dedo pela lisa
pele do ânus estreitamente amoldada ao pênis.
— É que o cu tende
naturamente a fechar. Vou passar mais lubrificante e enfiar o resto. Você vai
sentir prazer.
— Nina firmou-se no
encosto do sofá, estabilizou-se uma vez mais nos joelhos e empinou-se como um
felino para receber a porção principal da verga que o consciencioso William
estava lubrificando criteriosamente. Quando ele terminou, tornou a agarrar Nina
pelas ancas e avançou lenta mas ininterruptamente, arrancando-lhe um gemido
longo, desta vez de pura excitação.
— Aaaah! Que
loucura, Wil! fez ela, contorcendo-se toda e empurrando-se para trás com os
braços para fazer-se penetrar até o fim.
— É gostoso, não é?
Eu também adoro essa parte quando estou no teu lugar.
— É simplesmente
alucinante! gemeu ela, contribuindo com o vaivém.
— Para mim também
está gostoso. Apertado, mas solto por causa do lubrificante. A gente pode ficar
nesse balanço um tempão.
— Agora estou
achando uma delícia!
Nina levou uma mão
à vagina e começou a masturbar-se, esfregando firmemente o clitóris já todo
entumescido enquanto o vaivém regular do pênis pouco acima produzia uma
deliciosa sensação de calor e formigamento. Um orgasmo veio, em seguida outro e
mais outro, deixando-a de pernas bambas e voz lânguida.
— Você pode...
gozar... atrás, sabia?
— Eu sei, respondeu
William, achando graça do modo sério como ela dera à informação um caráter
inédito. Aliás, não lhe faltava muito para atingir o clímax. Bastou-lhe
acelerar um pouco para sentir a fisgada de advertência no períneo e com
meia-dúzia de estocadas mais firmes, um orgasmo intenso e copioso
desencadeou-se. Nina sentiu o calor do esperma inundando-lhe as entranhas e foi
tomada de assalto por um último e longo orgasmo seu. Quando William terminou,
ela caiu deitada no sofá, extenuada.
— Uhh! Estou morta!
fez ela, numa expiração.
— Também cansei.
Mas é bom, não é? Você continua achando que todo mundo praticava sexo anal por
prazer, no início do mundo?
— Se eu continuo?
Não tenho mais nenhuma dúvida!
— Haha! Nem eu, e
faz tempo!
Quando William disse
isso, Nina ergueu-se e deu-lhe um empurrão pelos ombros. Comprando a
brincadeira, ele agarrou-a e puxou-a para o chão. Eles rolaram juntos e
acabaram deitados lado a lado, mas em posição invertida, a cabeça de um junto
aos pés do outro. Talvez tenha sido inocentemente que William montou-a assim,
brincando de lambê-la entre as coxas e oferecendo-lhe o traseiro e o sexo
amolecido, mas Nina admirou-se diante da beleza das nádegas do rapaz, e do modo
minucioso com que ele se depilara. Ela percorreu suas coxas com as mãos e
separou gentilmente os dois gomos carnudos para descobrir nele o que ela
revelara em primeiro lugar. William deixou-se explorar. No fundo liso do sulco
jazia um botão róseo de bordas ligeiramente entumescidas no centro do qual o
orifício pareceu-lhe ter o diâmetro de uma esferográfica comum. Nina
aplicou-lhe o polegar e pressionou ligeiramente. William respondeu com um
gemido e um pequeno sobressalto. Ela então decidiu lambê-lo, como ele fizera
com ela. De quatro sobre ela, mas praticamente sentado em seu rosto, William
foi tomado pelo desejo que o tornava tão especial e Nina pôde sentir pela
primeira vez às famosas contrações anais enquanto o lambia vorazmente tentando
introduzir a ponta da língua no estreito orifício.
— Mete o dedo…
gemeu ele.
Nina chupou o
polegar para ensalivá-lo e enfiou até a base. William elevou-se um pouco,
empinou-se o quanto pôde e empurrou seu membro para trás com a ponta dos dedos.
Nina entendeu e pôs-se a chupá-lo, sentindo a pressão do pênis na língua.
— Mexe esse dedo,
Nina! suplicou William.
Ela concentrou-se
em harmonizar o vaivém do polegar com a felação profunda que levava o membro
até a entrada de sua garganta. Ela abrira as pernas e William devorava-a
gulosamente. Misturando gemidos, eles não tardaram a atingir juntos um orgasmo
apoteótico. Tendo recebido na boca todo o esperma de William, ela simulou um
início de pânico, mas ele a socorreu vindo beijá-la e devolver-lhe a fala.
— Ufa! Foi por
pouco! exclamou ela, aliviada, vendo-o deglutir sem o menor sinal de repulsa.
— Engolir não é
fácil, não é?
— Isso eu ainda não
consigo, admitiu ela, encabulada.
— É questão de
prática.
— Você também
chupa, Wil?
— Quem diz que dá
mas não chupa mente, Nina.
— Ah é?
— É. Agora, saber
se os homens prehistóricos se chupavam, aí é outra história!
Carinhosamente
abraçados, nossos dois teóricos da sexualidade humana cairam na gargalhada, e
esse foi o início de uma longa e completa amizade. William continuou seu
caminho, mais convencido do que nunca de ter feito a boa escolha, e Nina aderiu
incondicionalmente à prática do sexo anal como forma de realização do prazer
sexual na sua expressão pura, isto é, justificada pelas leis da geometria que ela
tanto venerava.


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