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A Geometria do Prazer


Toda vez que, sem ninguém em casa, Nina ficava à vontade para descobrir seu corpo, passava longos momentos diante do espelho examinando-se e conjeturando que, sendo cilíndrico o sexo dos homens, o acesso mais logicamente projetado para acolhê-lo não seria a linha, mas o círculo. Ora, os grandes lábios não só dificultam o acesso à vulva como formam um traço vertical quando fechados. Nada menos intuitivo para, por exemplo, um homem das cavernas, pensava ela, do que imaginar ali uma entrada oculta e ir separá-los para ter acesso a ela! O orifício anal, pelo contrário, explicitamente circular, evoca a forma cilíndrica do pênis, como num jogo de blocos de encaixar para crianças. Disso ela concluía que na prehistória os homens teriam inaugurado a aventura do prazer sexual humano pela penetração anal e relegado a penetração por via vaginal à procriação. Ademais, conjeturava Nina, a mulher não precisa ser penetrada na vagina para ter orgasmos; ela própria masturbava-se desde os tempos em que ainda era virgem. Portanto, a procriação nada tem a ver com o prazer, e isso encerrava o argumento.

    À medida que ela foi convencendo-se dessa sua verdade geométrica, Nina passou a dar mais atenção, em suas sessões de masturbação, ao orifício anal, tocando-o e testando sua elasticidade, em seguida penetrando-o um pouco mais profundamente, primeiro com uma caneta fina e, quando ficou mais habituada, com o mesmo cabo cilíndrico e liso da escova de cabelo que ela usava quando não podia saciar-se com algum namorado. Ela sempre negara o sexo anal porque todas as suas amigas mais permissivas adquiriam sistematicamente uma péssima fama no bairro e na escola, o que a deixava apavorada. Sem falar nas opiniões da família, que ela era obrigada a ouvir quase diariamente, em geral durante o almoço e sob forma de sábios conselhos emitidos pela voz da experiência dos mais velhos.
— Eu só fiz depois que casei, e olhe lá! O Oswaldo que não se atrevesse a me pedir para fazer sempre! declarava a tia Estela, olhando Nina bem nos olhos para que retivesse a lição.
— Com namorado, nem pensar! exclamava a irmã Julia, fazendo careta.
— É, maninha, você não pode dar esse gostinho para os caras! reforçava o  Mário, seu irmão, hipocritamente. Nina sabia o quanto ele aprontava com as meninas fáceis do bairro.
— A Nina tem bom senso, gente! Não é, filha? dizia a mãe, dando um sorriso gentil e cúmplice, penalizada com o bombardeio.
— Filha minha não faz essas coisas com namorado. Isso assusta os pretendentes e gera maus casamentos, arengava o pai, engrenado no esvaziamento mecânico do prato de comida.

    Era portanto bem claro para Nina que ela não teria interlocutor na família para discutir sua geometria do prazer sexual. Ela se calava e os deixava entregues às suas opiniões. O assunto vinha à baila como tantos outros e como ela amava a família, esforçava-se para não deixar transparecer a impaciência e esperava que o próximo assunto entrasse em pauta. E assim se passavam as refeições cotidianas na mesa grande da cozinha.

    Entretanto, Nina precisava falar com alguém sobre esse assunto que pipocava em sua mente pelo menos uma vez por dia. Procurando dentre seus amigos aquele que mais lhe parecesse afeito a esse tipo de conversa, ela acabou optando por não se abrir com as meninas e foi tocar no assunto com um vizinho e amigo seu que ela considerava inteligente, sério, calmo e sobre a sexualidade do qual ela tinha uma opinião muito sua e que ela jamais revelara a ninguém. Ela apresentou-lhe seu argumento geométrico em defesa da penetração anal como origem intuitiva do prazer sexual humano e, para espanto seu, encontrou plena afinidade nesse amigo chamado William que ela tratava carinhosamente de Wil.
— É sério, Wil? Ufa! Não estou mais sozinha!
— Para mim, a coisa ainda era mais evidente para o homem, porque nós só temos um buraco, e é circular!
— Você está querendo me dizer que...
— Isso mesmo, que o homem também deve ter descoberto o prazer anal na prehistória e deve ter praticado muito com os amigos. Essa história de "sodomia" inspirada na Bíblia e criminalizada só surgiu milhares de anos depois por razões que nada tem a ver com o sexo em si.
— Eu costumo pensar que o raciocínio é o mesmo que as crianças usam para encaixar blocos de madeira em formas vazadas.
— É por aí mesmo: a criança pega um cubo de madeira e vai procurar a forma quadrada onde encaixá-lo.
— Eu não tive essa intuição muito cedo, mas ela veio que veio!
— Pois é, a gente precisa entender melhor a própria anatomia para chegar a essa conclusão. Comigo aconteceu num dia em que um colega nosso resolveu baixar a roupa e mostrar o cu. Nós estávamos num vestiário depois de um jogo quando, de repente, ele se curvou, escancarou a bunda com as mãos e nos chamou em voz alta. Vendo pela primeira vez em outro que não eu aquela estrutura circular convergindo para o misterioso orifício que levava ao interior do corpo, tive de estalo a idéia de que a excitação que alguns colegas e eu mesmo mostramos assistindo à cena era perfeitamente natural porque cada um de nós era dotado da "peça" que se encaixava naturalmente ali e que permitiria não só explorar o desconhecido mas obter um prazer que ultrapassaria de longe o do orgasmo pela masturbação. Depois desse dia, meus bloqueios se dissiparam milagrosamente e tive várias experiências de penetração com amigos.
— E você não é gay. Pelo menos não tem fama aqui no bairro, posso te garantir! diz Nina, dando-lhe um tapinha no braço.
— Não, não sou gay, mas tenho atração sexual por mulheres e homens por causa da bunda e do sexo anal.
— Você já fez… de tudo? pergunta Nina, delicadamente.
— Dar e comer? Fiz.
— Tem preferência?
— Boa pergunta, Nina, porque ela tem a ver com a nossa teoria. Para o homem, a penetração anal é muito mais intensa que a vaginal, podendo chegar até a causar dor.
— Quem penetra sente dor?
— Os inexperientes sentem.
— Mas quem tem prática...
— Exatamente, são os homossexuais. Na minha opinião, os homens prehistóricos praticavam sexo anal por prazer com homens e mulheres, mas por algum motivo, talvez porque os homens morressem nas guerras e era preciso procriar, essa prática foi proscrita e interrompida. Só alguns não conseguiram parar, os homossexuais e gays, e daí surgiu o preconceito.
— Você faz diferença entre homossexuais e gays?
— Faço porque a distinção é importante. O homossexual é o homem ou mulher que aprecia o sexo com gente do mesmo sexo. O gay é o homem ou mulher que sente amor por gente do mesmo sexo e quer dividir sua vida com alguém do mesmo sexo.
— Eu nunca tinha pensado nisso, disse Nina, reflexiva.
— Mas esse é outro assunto. O assunto que você trouxe é o de que a forma do pênis inspira o homem a procurar um orifício redondo. Eu concordo plenamente com essa idéia e sei de um elemento que a reforça ainda mais.
— Ah é? O quê?
— Para você, o que é que chama mais atenção do homem numa mulher nua?
— Os seios e a bunda.
— Exatamente, mas em que ordem você acha que os meninos aprendem a se excitar com o corpo da mulher?
— Sei lá, alguém já me disse que isso é cultural. Aqui no Brasil é certamente primeiro a bunda e depois os seios.
— Acertou. Aqui, quando o menino chega aos onze ou doze anos, começa a ser bombardeado pelos vizinhos e colegas de quinze ou dezesseis com a idéia de que é a bunda que determina se uma mulher é "gostosa" ou não. Ele não entende muito bem por quê, mas compra a idéia feita e vai descobrindo através de conversas, historinhas e principalmente imagens que a mulher de "bunda boa" é a mulher gostosa que deve servir de modelo na busca do sexo. E é aí que se opera um fenômeno importantíssimo que vai derminar a distinção entre dois grupos de meninos.
— Ah é? Estou curiosa!
— Você sabe que nessa idade, entre doze e dezesseis, a espessa maioria dos meninos está longe de ter acesso à relação sexual com as meninas da sua turma e com a mulher em geral.
– É claro. A mulher mais velha não se interessa por eles e as colegas e vizinhas da mesma idade estão se descobrindo como eles, têm seus medos e acabam rejeitando os avanços.
— Exatamente. O que acontece então é que, transbordando de hormônios, trabalhado por imagens eróticas fundamentadas nas delícias da bunda e vendo-se diante dessa barreira entre ele e o sexo oposto, o novato se volta naturalmente para o corpo dos colegas do sexo masculino, que ele vê nus nas mais diversas circunstâncias, e descobre – muitas vezes instigado por outros – que a idéia da "bunda boa" também se aplica alguns deles e que isso os torna interessantes do ponto de vista sexual. Com a notória promiscuidade entre meninos, o acesso a certas práticas sexuais entre eles se torna muito mais fácil do que a obtenção dos favores femininos, e assim se cria o numeroso grupo dos meninos que viveram suas primeiras experiências sexuais com outros meninos, obviamente através do sexo anal.
— Caramba! Eu nunca parei para pensar em meninos não gays que descobrem o sexo uns com os outros!
— Pois é, Nina, mas esse é um recurso extremamente comum, o que vem reforçar a tua teoria, já que a abordagem mais intuitiva do sexo não somente se faz por via anal, como não se faz necessariamente com pessoas do sexo oposto.
— Você é menino e deve saber do que está falando. Acredito em você e concordo que isso reforça a minha teoria. Mas, você sabe, minha família faz a maior campanha contra o sexo anal.
— Mas você já desobedeceu à sua família, não?
— Eu não.
— E por que não?
— Na verdade, se eu ainda não fiz, foi mais por medo de ficar mal falada. Tenho amigas mal vistas na escola porque fazem sexo anal com os namorados. Eles acabam contando aos amigos e o falatório é insuportável. Eu não aguentaria, morreria de vergonha.
— Mas você tem vontade de experimentar?
— Claro, mas não com um idiota que saia contando para todo mundo. Não quero achar que estão todos olhando para mim como uma vagabunda porque eu experimentei o que me parece ser a coisa mais natural do mundo!

    William olhou para frente por um longo instante, calado, o olhar vago, como se estivesse deixando o assunto morrer no horizonte longínquo. Quando Nina ia abrir a boca para agradecer pela conversa e se despedir, ele voltou a falar.
— Bom, não sei muito bem como dizer isso, Nina, mas se você quiser, eu mostro tudo que sei e a gente dá um jeito de ter prazer um com o outro. Por mim, fica tudo entre nós.
— Eu quero aprender e quero gostar.
— Eu já gosto e acho que posso passar esse gosto para você, então está combinado. Só falta encontrar o dia bom para os dois. Pode ser lá em casa.
— Hoje é terça... Na quinta e na sexta estou à toa a tarde toda.
— Sexta vou sair à noite e vai ter muita gente lá em casa. Na quinta, então. Aparece lá por volta de uma da tarde.
— Por mim tudo bem, disse a Nina, brincando de fechar o acordo com um aperto de mãos.

    A campainha tocou exatamente às treze horas da quinta feira. William atendeu e convidou Nina a entrar. Quando ela cruzou a porta, os dois riram ao constatar que a ambos estavam de cabelo molhado do banho recente.
— Os dois preparados, brincou ele!
— É mesmo! retrucou ela, rindo e passando.
— Hum! Toda sexy! disse ele, olhando-a de cima a baixo.
— Obrigada!

    Nina vivia de calça jeans, tênis e camiseta, mas como a ocasião pedia roupas mais práticas, ela escolhera uma saia mole bem curta e uma camiseta de tecido espesso que ela podia usar sem sutiã de maneira discreta.
— E unhas de marciana! brincou William ao chegar aos pés.
— Pois é, como eu não queria vir de tênis, pintei de verde, mas não caprichei muito, não.
— Combina com a blusa, disse ele, para prolongar a introdução.
— É verdade! fez ela, igualmente carente de iniciativa.
— Como você pode ver, não tive a mesma criatividade, disse ele, olhando para a bermuda, sua única peça de roupa.
— Eu gosto de você sem a parte de cima. Você tem peito e barriga bonitos. Aliás, braços e pernas também.
— Uau! Assim eu fico encabulado de tanto elogio!

    Nina sentou-se numa poltrona velha, inclinada em relação ao sofá e voltada como ele para a televisão. De pé entre ela e o retângulo negro da tela, sentindo-se ridículo por ter promovido um encontro tão insólito sem estar realmente preparado para ele, Will passou os olhos pelas coxas descruzadas da menina, vislumbrou a calcinha branca negligentemente à vista entre elas e voltou rapidamente aos olhos dizendo que tinha refrigerante e suco na geladeira. Mas Nina não quis, com a cabeça ligada no que eles haviam combinado.
— Quer que eu tire a roupa, Wil? disse ela, séria e repentinamente.

Foi o suficiente para religá-lo ao mundo factual.
— Também vou tirar a minha, respondeu ele, já abrindo a bermuda, impaciente para ver o resto da amiga morena de belas coxas.

    Nina levantou-se e abriu o botão lateral da saia, fazendo-a cair no chão e tirou a camiseta num movimento rápido e simples, mas manteve a calcinha, branca e ajustada. Em seguida, arrumou a roupa no assento da poltrona e virou-se para William, que já se livrara da bermuda e olhava admirado para ela.
— Francamente, não sei por que você só usa calça, Nina. Com esse corpo, você deveria viver de saia e short! lançou ele, incapaz de parar de olhá-la.
— Minhas amigas me dizem isso, mas para jogar bola com a galera da rua fica complicado, retrucou Nina com um risinho.
— É verdade! Já vi você jogando no campinho!
— E jogo mesmo, desde os dez anos!

    William estava boquiaberto com o corpo da menina meio "garçon manqué" diante dele. Ao contrário do que a habitual roupa larga e masculina deiaxava imaginar, seus seios e coxas chamavam a atenção pela forma e proporções perfeitas, e a calcinha branca em contraste com o moreno queimado da pele faziam de Nina uma menina realmente sedutora. Quando ele aproximou-se, seu sexo já começara a avolumar-se.
— Olha o que você já fez comigo! exclamou ele, apontando para a cintura.
— Eu? Mas eu estou tão quietinha aqui!
— "Ele" me disse que quer entrar num certo lugar..., disse William avançando, colando-se a ela e fazendo-a sentir pulsações rápidas na coxa.
— Ah é? Vocês conversam? retrucou ela, alisando a protuberância rígida.
—  Hãhã. Ele até me deu uma sugestão.
— É sério? Fala.
— Ele disse que eu podia pedir a você para fazer como o meu colega, como eu te contei.
— Aquele que mostrou o bumbum para vocês?
— É, ele mesmo, mas não foi só o bumbum...
— Eu sei, ele abriu e mostrou tudo. Você quer que eu faça isso?
— É um bom começo, não acha? Depois eu faço a mesma coisa para você ver.
— Quer dizer que vamos mesmo virar homens das cavernas? brincou ela.
— Não foi para isso que marcamos encontro? Você prefere que eu comece? Eu poss...

    Sem deixá-lo terminar, Nina o empurrou sentado no sofá e foi por-se diante dele, de costas. Ele mesmo baixou-lhe a calcinha, que ela terminou de tirar, curvando-se em seguida para frente e levando as mãos atrás para separar amplamente as nádegas.
— Está vendo? perguntou ela.
— Perfeitamente! excalmou William, encantado.
— Como ele é?
— Redondinho, um pouco raiado, com um furinho no meio que parece muito apertado!
— Nunca fiz sexo anal, mas já enfiei dedo, caneta e cabo de escova.
— Bah! Dedo e caneta, quem não mete?

    William aproximou-se para observá-lo bem de perto enquanto Nina esforçava-se para manter as nádegas o mais abertas possível.
— Assim fica parecendo um funil. Quando eu olho para ele e comparo com a b... Enfim, você sabe. Quando eu comparo os dois e olho para mim, esquecendo de tudo que aprendi, a vontade que eu tenho é botar nele e não na...
— Na buceta. Pode falar, Wil! Se a gente não der nome aos bois, vai ser difícil se comunicar.
— Está bem, na buceta então... Olhando para os dois sem pensar no que eu aprendi nas aulas de ciências, não é nela que eu sou inclinado a meter, mas no cu.
— Concordo plenamente com isso, e você vai poder meter, doa o que doer! exclamou ela, sorridente.
— Antes, eu queria fazer uma coisa que adoro, posso?
— O quê?
— Passar a língua.
— Pode. Eu tive um namorado que adorava. Ele era doido para fazer sexo anal. Eu ficava com pena e deixava lamber.

    Sentado na beira do sofá, William puxou Nina um pouco mais para trás e começou a passar lentamente a língua pelo fundo do sulco, provando o sabor levemente salgado da pele e valendo-se desse órgão táctil para perceber a textura e as formas que entravam em contato com ele. Sentindo-se firmemente estabilizada pelas mãos do amigo, Nina levou uma mão entre as pernas e esfregou um dedo no entrelábios.
— Hmm... Estou ficando molhada, gemeu ela.
— Que bom, murmurou ele, passando a lambê-la amplamente para colher o fluido precursor que já despontava do orifício vaginal.
— Não estou aguentando, disse ela, por fim, virando-se, empurrando William para trás e montando em seu colo para beijá-lo lascivamente.

    Eles fizeram sexo convencional por alguns momentos nessa posição, beijando-se e acariciando-se como dois namorados, mas atentos a impedir que ele atingisse o orgasmo. O jeito calmo de William relaxou Nina a tal ponto que ela foi por ela mesma ajoelhar-se no sofá e convidá-lo a penetrá-la como homem prehistórico. Ele untou-lhe generosamente o orifício com lubrificante e quando a tocou com a glande no ponto exato, Nina virou-se, pousando-lhe a mão no baixo ventre, bem no ponto em que brotava a ponte rígida que os interligava.
— Será que vai doer muito, Wil? Ele é bem mais grosso que o cabo da minha escova! disse ela, empunhando o pênis e tentando ser divertida.
— Vou forçar bem devagarinho e você me manda parar se doer.
— Eu queria poder ver, como você.
— É bonito, retrucou ele, separando-lhe as nádegas para encaixar a glande na concavidade inicial e afundá-la um pouco nessa pele lisa.
— Ahn! Já abriu um pouco, gemeu ela, estabilizando-se melhor no sofá.
— Vou enfiar milímetro por milímetro e devagarinho, garantiu-lhe o rapaz, segurando-a pela cintura e puxando-a para si.
— Está entrando, mas muito apertado, disse ela, agarrando-o pelo antebraço.
— Tenta relaxar o cu, Nina, sugeriu o rapaz, sentindo o latejar do seu membro, impaciente para introduzir-se por inteiro no orifício que começava a premer intensamente a glande.
— Eu acho que aguento, Wil. Enfia um pouco mais.

    Ele forçou e aprofundou-se. Nina suportou corajosamente a expansão do orifício até que a glande ultrapassou a região elástica que fechou-se atrás dela envolvendo o tronco do membro com pressão uniforme.
— Pronto, a cabeça passou.
— Todinha? indagou ela, levando a mão novamente atrás para averiguar.
— Todinha. O "pior" já passou. Agora vou enfiar até o final. Assim está doendo?
— Estou sentindo mais um aperto do que dor, retrucou ela, passando a ponta do dedo pela lisa pele do ânus estreitamente amoldada ao pênis.
— É que o cu tende naturamente a fechar. Vou passar mais lubrificante e enfiar o resto. Você vai sentir prazer.

— Nina firmou-se no encosto do sofá, estabilizou-se uma vez mais nos joelhos e empinou-se como um felino para receber a porção principal da verga que o consciencioso William estava lubrificando criteriosamente. Quando ele terminou, tornou a agarrar Nina pelas ancas e avançou lenta mas ininterruptamente, arrancando-lhe um gemido longo, desta vez de pura excitação.
— Aaaah! Que loucura, Wil! fez ela, contorcendo-se toda e empurrando-se para trás com os braços para fazer-se penetrar até o fim.
— É gostoso, não é? Eu também adoro essa parte quando estou no teu lugar.
— É simplesmente alucinante! gemeu ela, contribuindo com o vaivém.
— Para mim também está gostoso. Apertado, mas solto por causa do lubrificante. A gente pode ficar nesse balanço um tempão.
— Agora estou achando uma delícia!

    Nina levou uma mão à vagina e começou a masturbar-se, esfregando firmemente o clitóris já todo entumescido enquanto o vaivém regular do pênis pouco acima produzia uma deliciosa sensação de calor e formigamento. Um orgasmo veio, em seguida outro e mais outro, deixando-a de pernas bambas e voz lânguida.
— Você pode... gozar... atrás, sabia?
— Eu sei, respondeu William, achando graça do modo sério como ela dera à informação um caráter inédito. Aliás, não lhe faltava muito para atingir o clímax. Bastou-lhe acelerar um pouco para sentir a fisgada de advertência no períneo e com meia-dúzia de estocadas mais firmes, um orgasmo intenso e copioso desencadeou-se. Nina sentiu o calor do esperma inundando-lhe as entranhas e foi tomada de assalto por um último e longo orgasmo seu. Quando William terminou, ela caiu deitada no sofá, extenuada.
— Uhh! Estou morta! fez ela, numa expiração.
— Também cansei. Mas é bom, não é? Você continua achando que todo mundo praticava sexo anal por prazer, no início do mundo?
— Se eu continuo? Não tenho mais nenhuma dúvida!
— Haha! Nem eu, e faz tempo!

    Quando William disse isso, Nina ergueu-se e deu-lhe um empurrão pelos ombros. Comprando a brincadeira, ele agarrou-a e puxou-a para o chão. Eles rolaram juntos e acabaram deitados lado a lado, mas em posição invertida, a cabeça de um junto aos pés do outro. Talvez tenha sido inocentemente que William montou-a assim, brincando de lambê-la entre as coxas e oferecendo-lhe o traseiro e o sexo amolecido, mas Nina admirou-se diante da beleza das nádegas do rapaz, e do modo minucioso com que ele se depilara. Ela percorreu suas coxas com as mãos e separou gentilmente os dois gomos carnudos para descobrir nele o que ela revelara em primeiro lugar. William deixou-se explorar. No fundo liso do sulco jazia um botão róseo de bordas ligeiramente entumescidas no centro do qual o orifício pareceu-lhe ter o diâmetro de uma esferográfica comum. Nina aplicou-lhe o polegar e pressionou ligeiramente. William respondeu com um gemido e um pequeno sobressalto. Ela então decidiu lambê-lo, como ele fizera com ela. De quatro sobre ela, mas praticamente sentado em seu rosto, William foi tomado pelo desejo que o tornava tão especial e Nina pôde sentir pela primeira vez às famosas contrações anais enquanto o lambia vorazmente tentando introduzir a ponta da língua no estreito orifício.
— Mete o dedo… gemeu ele.

    Nina chupou o polegar para ensalivá-lo e enfiou até a base. William elevou-se um pouco, empinou-se o quanto pôde e empurrou seu membro para trás com a ponta dos dedos. Nina entendeu e pôs-se a chupá-lo, sentindo a pressão do pênis na língua.
— Mexe esse dedo, Nina! suplicou William.

    Ela concentrou-se em harmonizar o vaivém do polegar com a felação profunda que levava o membro até a entrada de sua garganta. Ela abrira as pernas e William devorava-a gulosamente. Misturando gemidos, eles não tardaram a atingir juntos um orgasmo apoteótico. Tendo recebido na boca todo o esperma de William, ela simulou um início de pânico, mas ele a socorreu vindo beijá-la e devolver-lhe a fala.
— Ufa! Foi por pouco! exclamou ela, aliviada, vendo-o deglutir sem o menor sinal de repulsa.
— Engolir não é fácil, não é?
— Isso eu ainda não consigo, admitiu ela, encabulada.
— É questão de prática.
— Você também chupa, Wil?
— Quem diz que dá mas não chupa mente, Nina.
— Ah é?
— É. Agora, saber se os homens prehistóricos se chupavam, aí é outra história!

    Carinhosamente abraçados, nossos dois teóricos da sexualidade humana cairam na gargalhada, e esse foi o início de uma longa e completa amizade. William continuou seu caminho, mais convencido do que nunca de ter feito a boa escolha, e Nina aderiu incondicionalmente à prática do sexo anal como forma de realização do prazer sexual na sua expressão pura, isto é, justificada pelas leis da geometria que ela tanto venerava.







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