Ana e Gilberto são um casal de professores
universitários, ambos dinâmicos e antenados na atualidade. Ela ensina artes visuais numa universidade
federal e ele história numa universidade particular. Ana tem uma afinidade toda
especial com um dos seus alunos, que além de considerar promissor, ela acha
bonito e atraente. Jaime não só é educado como tem um jeito cativante que
a seduziu desde o primeiro dia de aula. Quando ele lhe pediu para ser seu
bolsista, Ana não hesitou nem por um segundo. O que vou contar aqui é o
extraordinário encontro entre ele e meus dois amigos professores. A própria Ana
relatou-me o episódio e deu-me toda liberdade para divulgá-lo — com outros
nomes — no Erotexto. Espero que ele seja do agrado do leitor assíduo e do
visitante.
M.F.
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Assim que a campainha toca, Ana levanta-se do sofá da
sala e precipita-se até a porta para acolher seu aluno bolsista predileto. Ele
estende-lhe um buquê de flores do campo e ela atira-se em seu pescoço para
abraçá-lo mais do que calorosamente e dar-lhe dois beijos ruidosos no bonito
rosto corado e imberbe, beijo que ele retribui discretamente, em respeito ao
marido que acaba de levantar-se para ir até o hall do amplo apartamento de
prédio antigo da Zona Sul do Rio de Janeiro.
— Então esse é o famoso Jaime! diz o marido,
bem-humorado.
— O próprio! responde Ana, elétrica, abraçada ao rapaz.
— Muito prazer, professor, diz o convidado,
estendendo-lhe a mão.
— Vamos deixar os títulos de lado, está bem? Meu nome
é Gilberto, diz ele amistosamente.
— Está bem, Gilberto. Muito prazer.
— O prazer é todo meu. Mas vamos entrando!
Na mesinha da sala, Ana dispôs pratinhos com
tira-gostos variados: chips, azeitonas, castanhas do Pará e salaminho em fatias
finas. Ela se senta numa poltrona em diagnonal com os dois homens que ocupam o
sofá. Gilberto já está informado sobre Jaime, mas provoca nele o desejo de
explicar seu percurso até a obtenção da tão cobiçada bolsa de pesquisa sob
orientação da sua esposa. Enquanto o rapaz conta tudo em detalhes, ele não pode
deixar de admitir que tem diante de si um belo espécime do sexo masculino. Jaime
tem cerca de um metro e oitenta e a particularidade de ser moreno claro de
olhos verdes muito vivos. Um nariz afilado e sobrancelhas retas dão ao rosto um
ar inteligente e os lábios espessos um caráter sensual à sua linguagem
corporal. Gilberto também observa o quanto Ana contempla o rapaz enquanto este
vai contando entusiasmado tudo que ela e ele já estão cansados de saber. O
relato chega ao fim e o casal faz algumas perguntas voltadas para o que Jaime
tem em vista quanto ao futuro. Em seguida, Ana troca a música suave para algo
mais dançante e atenua a luz da sala. Certificando-se de que a bebida já fez
seus efeitos, ela puxa os dois homens para dançar com ela e o trio se agita
durante algum tempo ao ritmo de dois ou três sucessos dos anos 90.
Gilberto é o primeiro a retornar ao sofá. Ele enche
ritualisticamente um cachimbo de bom tabaco e recosta-se no amplo sofá de couro
dando baforadas sonhadoras enquanto Jaime e Ana continuam a dançar perto da
janela francesa que dá para um longo balcão.
— Vem, vou te mostrar a vista, diz Ana puxando Jaime
pela mão.
— Uau! É espetacular! exclama ele, vendo-se diante de uma extensa vista noturna por sobre os
prédios de Botafogo e Flamengo com, à direita, parte do Pão de Açúcar. Uma lua quase cheia paira no meio do céu, acima
deles.
— São as vantagens de morar em andar alto! diz Ana,
sorridente, puxando-o até o final do balcão.
Sabe-se que a lua sempre dá um empurrãozinho a favor
daqueles que se atraem. Ao apontar para o Pão de Açúcar, Ana recua e colide com Jaime, e os dois corpos não tardam a unir-se pela pura força do
magnetismo. Tomando as mãos do rapaz, ela se enlaça em seus braços, forçando um contato estreito.
— O Gilberto não vai ficar zangado? pergunta ele, apreensivo, mas sem repeli-la.
— Acho que não. Se ele não tivesse gostado de você,
não teria ido fumar cachimbo.
— Ah, esse é o sinal?
— É, é um dos sinais.
Jaime então puxa-a com mais força para si e ela o sente pela primeira vez.
— "Alguém" acordou, sussurra ela com voz
cantarolada, balançando os quadris.
— Eu devia estar envergonhado? pergunta ele, afastando-se um pouco.
— De jeito nenhum! Fui eu que provoquei, e assumo,
retruca ela, voltando a enlaçar-se.
— Acho que é melhor voltar para dentro, pede ele.
— Como quiser, diz ela, com uma ponta de frustração na voz.
— Euh… Só um segundinho, pede ele, sorrindo e apontando para baixo.
— Claro! retruca ela, achando graça.
Assim que eles reentram na sala, Ana vai para a
cozinha providenciar os últimos detalhes para o jantar enquanto Jaime é
irresistivelmente atraído por uma estante de livros de parede inteira. Gilberto
supõe sem qualquer reprovação que um primeiro contato possa ter acontecido
entre eles, no balcão. Ele analisa o corpo do rapaz que lhe dá parcialmente as
costas e tenta adivinhar as coxas e as nádegas, partes que ele privilegia na
relação com homens. Sendo bissexual, ele já tem alguma prática e é bastante
exigente quanto à forma e o estado do corpo dos parceiros de cama. Jaime passa
pelo seu crivo, o que o deixa animado.
Ainda que o jantar consistisse de néctar e ambrosia,
os convivas teriam sido comedidos. Em cada um deles, cada um ao seu modo, germina a idéia de
que aquela noite tem tudo para tornar-se excepcional. Portanto, os três comem
bem menos que o previsto por Ana, mas ela não avança o menor reproche. O café
é tomado na sala de estar, mas o efeito etílico logo é restituído por uma
profusão de digestivos: Grand Marnier, Baileys, vinho do Porto, xerez. Ana,
cujo pileque amplificou seu amor universal, une os dois homens no sofá,
senta-se entre eles e pegando suas mãos, sapeca-lhes alternadamente beijos nas
bochechas. Em seguida, ouvindo o início de uma música flamenca, sobe na mesinha
de centro e põe-se a dançar e sapatear, erguendo a frente do vestido sem dar-se conta de
estar exibindo mais do que deve. Jaime sente-se ébrio, mas é capaz de apreciar
o belo corpo que tem diante dos olhos. Os trinta e cinco anos da sua
orientadora poderiam facilmente ser subtraídos de cinco ou sete, pensa ele. A
pele das coxas é jovem, firme, sem estrias ou celulite e Ana tem traços
fisionômicos dignos de uma retrato a ser exposto nos melhores museus. Ele a
contempla embevecido.
Quando a música chega ao fim, Ana desce da mesinha e
inesperadamente deixa-se cair deitada nos colos dos dois homens, rindo e ofegante, a cabeça voltada para
Jaime. Gilberto faz um sinal de aquiescência ao rapaz enquanto invade com as
mãos o vestido da esposa. Ana puxa o seu pupilo pelo pescoço e beija-o
lascivamente na boca enquanto seu marido tira-lhe a calcinha. Mais um sinal
deste último basta para que o rapaz introduza a mão no vestido dela para baixar
o sutiã e acariciar-lhe os seios. Ana ondula voluptuosamente,
entregue aos caprichos dos seus homens. Gilberto ergue-lhe o vestido até a
cintura e contempla pela enésima vez a região rigorosamente depilada que ele
venera, diante do olhar ainda desorientado do jovem parceiro de aventura.
Ele pega a mão do rapaz a pousa sobre a pélvis da esposa, que abre as pernas
num ato reflexo. Jaime aprofunda-se então na carne macia. Seus dedos delizam no
sumo do entrelábios e atingem o botão bem palpável que espera por eles já
entumescido. Ao primeiro toque, Ana solta um longo gemido e agita a cabeça. Seu
rosto colide com a protuberância na calça do rapaz. "Eu quero!",
geme ela, levando ao mão ao cinto dele para abri-lo.
Jaime olha mais uma vez para Gilberto e lê em seus
olhos o consentimento irrestrito. Ao mesmo tempo, Ana ergue a cabeça para que o
rapaz se livre da calça e quando torna a repousar em sua coxa, descobre um sexo
monumental que parece emergir dos testículos perfeietamente depilados, a poucos centímetros do seu rosto e elevar-se num cilindro ligeiramente
achatado, encimado por uma sólida cabeça cujas bordas ultrapassam de muito o
diâmetro do tronco. Não podendo conter-se, ela abocanha a base desse tronco
maciço, provando-o com a língua o seu sabor levemente salgado. Jaime suspira
fechando os olhos, mas logo surpreende-se com uma poderosa pressão no corpo do
pênis. É Gilberto, que tomou a liberdade de empunhá-lo e o mantém tenazmente
enquanto sente as pulsações que o fazem expelir pequenas porções de líquido
transparente.
A única coisa que impede Jaime de opor-se à situação é
o álcool em suas veias. Ele jamais viveu nada semelhante, não se considera
bissexual e muito menos homossexual. Há, contudo, nos recônditos de seu
inconsciente, uma experiência de primeira juventude que certamente é levada em
conta pelas cerebrações imperceptíveis que o permitem admitir o prosseguimento
da aventura. Certa feita, um vizinho um pouco mais velho convenceu-o a baixar
as calças e submeteu-o a uma penetração, que ele não apreciou de pronto, mas
desejou reproduzir duas ou três vezes, por pura teima, até fazer as pazes com o
inimigo, como tantos jovens fazem com a matemática, a física ou a química. Depois disso, ele
pôs uma pedra em cima do tema e recalcou as lembranças a ponto de acreditar
piamente não ser capaz de lembrar-se de nada relacionado a esse tipo de
experiência no entanto tão comum. Seu cérebro trabalha certamente com esses
dados à sua revelia.
Quando Jaime abre os olhos e topa com a mão de
Gilberto em seu sexo, descobre ao mesmo tempo um sorriso maroto nos lábios da
sua orientadora. Agora é ele que se sente à mercê de dois seres ávidos de
lascívia. Ana alcança na mesinha o seu copo de xerez e ordena que ele o esvazie
num trago. Jaime obedece e sorri para o casal, num sinal de que não se importa
com mais nada. Gilberto então baixa-lhe o pênis à altura da boca da esposa para que ela possa saboreá-lo deitada. Com a ajuda
do marido, ela só precisa erguer um pouco a cabeça para abocanhar a glande e prová-la como se fosse um babá au rhum, salivando muito e engolindo a calda
espessa. Jaime delira, entregue às sensações e considerando-se eleito de Vênus, até que não resiste às manipulações de Gilberto e à intensidade da
felação; um orgasmo explosivo e em vários jatos enche a boca da mulher
com o seu primeiro esperma. Imediatamente, Gilberto se precipita para beijá-la
e compartilhar com ela do sabor primevo desse encontro, diante da surpresa do convidado.
— Levemente adocicado, comenta Gilberto, olhando a esposa nos olhos.
— Liso e uniforme como o teu, acrescenta ela, com expressividade.
— E copioso! observa o homem.
— Encheria um copinho de Porto! brinca ela.
— Devíamos ter pensado nisso! lança o marido, aos risos, batendo
na coxa.
— A próxima vai ser no
copo, Jaime!
— Por mim tudo bem, acho que nunca fiquei tão excitado
na vida, mas duvido que tenha sobrado a mesma quantidade!
— Isso vai depender de nós três, meu caro, declara o
anfitrião, levantando-se do sofá.
Muito excitado, o
membro em riste, Gilberto convida a esposa a acomodar-se a cavalo em Jaime que
continua sentado em plena ereção. Em seguida, vai penetrá-la por trás,
lubrificando-a com um pouco da manteiga usada para passar em biscoitinhos do
aperitivo. Ela geme, mas aceita bem a penetração que ela
conhece há quase dez anos. É quando eles começam a mover-se em conjunto que Ana
irrompe numa sucessão de gemidos fortes em meio a beijos lascivos que ela dá em
Jaime enquanto o agarra pelo pescoço com força, ingressando num orgasmo que a
avassala poucos minutos depois. Jaime sente sua longa verga sendo percorrida de
alto a baixo pela vagina bem lubrificada que a comprime
deliciosamente devido à presença do outro pênis no ânus. Ana e Gilberto harmonizam seus movimentos para que ela possa
subir e descer ritmadamente e desfrutar do novo pênis em todo o seu potencial. Quando, sentada sobre as coxas de Jaime, ela se detém um momento para sentir toda a extensão do membro em
seu sexo, Gilberto acelera e amplifica seus próprios movimentos até ejacular em
suas entranhas. Com um longo gemido, ele desaba nas costas da esposa e, por cima do ombro dela, procura
a boca do seu convidado, mas Jaime declina gentilmente, voltando-se para Ana. Inteligente, Gilberto deduz desse gesto que não vale a pena insistir.
— Você está pronta? pergunta o marido.
— Acho que sim, responde ela. Quer que eu tente agora?
— Quero, diz o homem, indo instalar-se
confortavelmente na poltrona diante deles.
Jaime não entende de pronto a conversa dos dois. Ele
olha interrogativo para Gilberto, que lhe faz um sinal de que espere e, quase
ao mesmo tempo, Ana ergue-se, apoiando-se em seus ombros e fazendo com que o
pênis saia da vagina. Em seguida, ela o empunha com uma mão, posiciona-o na
vertical e o esfrega entre as nádegas. Só então Jaime entende que ela deseja
empalar-se mais uma vez nele, mas agora por trás. Ele teme por ela porque seu
calibre já provou muitas vezes ser extremamente penoso para as que tentaram a
relação anal, mas ela insiste e, vencendo pouco a pouco o incômodo do
repuxamento que lhe chega ao meio das coxas, consegue descer até o fim, olhando
Jaime nos olhos, as lágrimas descendo pelas faces. A dois metros deles,
Gilberto masturba-se energicamente, superexcitado com a visão da esposa que
começa a mover-se sobre o grosso membro que apequena a normalidade de suas próprias proporções. Surpreendentemente, no entanto, ela acaba conseguindo cavalgar Jaime com tanta
perfeição que suas nádegas se chocam contra as coxas dele. Ele sente-se livre para acariciar-lhe os seios, a cintura, as coxas, e até beijá-la
com paixão diante do marido que os observa extático. Quando o orgasmo de Gilberto se
anuncia, ele sai da poltrona e vai oferecer seu membro à esposa, que o
acolhe na boca. Ela trota em Jaime por mais um ou dois minutos, até que os dois homens ejaculam quase simultaneamente. Gilberto
deixa no rosto da esposa o produto do seu segundo orgasmo e
começa a espalhá-lo com a glande, quando ouve Jaime grunhir e o vê irromper numa série de movimentos que amplificam o trote da mulher
sobre ele. Ana, que passara a masturbar-se há alguns momentos, intensifica os seus movimentos e por sua vez sucumbe a um orgasmo intenso, fustigando o
clitóris e expirando ruidosamente com a cabeça jogada para trás como se
estivesse possuída por alguma entidade do mundo erótico subterrâneo. O esperma
do marido que escorre do seu rosto parece querer gotejar nos seios, mas a
densidade e a coesão o impedem; uma espessa gota de vários centímetros detém
seu curso pouco abaixo do queixo da mulher. Armando-se de toda a coragem de que
é capaz, Jaime aproxima-se e colhe com a língua essa longa gota indecisa,
passando-a em seguida a Ana, que a sorve e deglute sem a menor relutância. Gilberto
exulta, dando tapinhas de felicitação no convidado, que retribui sorrindo,
ainda sem saber ao certo se apreciou ou não o que acaba de fazer.
Saciados os corpos e relaxadas as mentes, Gilberto vai
tomar banho enquanto Ana e Jaime ficam conversando na sala. Brincando com o pênis amolecido do rapaz, ela confidencia-lhe que aquela primeira visita, tão refrescante devido ao vigor da sua idade, inaugurou um
capítulo a mais na vida do casal e que ela está convencida de que o marido fará
muito gosto em recebê-lo para novos encontros da mesma natureza, encontros
esses durante os quais ele poderá inclusive, enfatiza ela, amadurecer certos
tipos "heterodoxos" de relação sexual. Jaime mal ouve, deslumbrado
que está com a sensação de ver-se tão à vontade nu após uma intensa sessão de
sexo com um casal de estranhos. Ele não vê mais limites para o seu potencial, e
isso o enche de prazer e orgulho. Ele se volta para Ana olhando-a profundamente
nos olhos.
— Vou dizer uma coisa e você não vai dizer nada,
promete?
— Euh... Prometo, mas..., faz ela, intrigadíssima.
— Eu nunca estive tão feliz quanto hoje, mas vocês
nunca mais vão me ver. O que aconteceu aqui, hoje, me convenceu a tomar uma
decisão que eu deveria ter tomado há muito tempo. Amanhã mesmo, vou comprar uma
passagem para Berlim, para ir morar com meu pai e estudar música, que foi o que eu
sempre quis, e vou ser eternamente grato a vocês pelo insight que eu tive aqui.
Pondo um dedo sobre os lábios em sinal de refoço ao
silêncio exigido, ele se veste, dá um beijo afetuoso em Ana e desaparece porta
afora. Para sempre, como
prometido.

Seu conto é excitante!
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