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O Talentoso Jaime


Ana e Gilberto são um casal de professores universitários, ambos dinâmicos e antenados na atualidade. Ela ensina artes visuais numa universidade federal e ele história numa universidade particular. Ana tem uma afinidade toda especial com um dos seus alunos, que além de considerar promissor, ela acha bonito e atraente. Jaime não só é educado como tem um jeito cativante que a seduziu desde o primeiro dia de aula. Quando ele lhe pediu para ser seu bolsista, Ana não hesitou nem por um segundo. O que vou contar aqui é o extraordinário encontro entre ele e meus dois amigos professores. A própria Ana relatou-me o episódio e deu-me toda liberdade para divulgá-lo  com outros nomes  no Erotexto. Espero que ele seja do agrado do leitor assíduo e do visitante.

M.F.

**********


 Assim que a campainha toca, Ana levanta-se do sofá da sala e precipita-se até a porta para acolher seu aluno bolsista predileto. Ele estende-lhe um buquê de flores do campo e ela atira-se em seu pescoço para abraçá-lo mais do que calorosamente e dar-lhe dois beijos ruidosos no bonito rosto corado e imberbe, beijo que ele retribui discretamente, em respeito ao marido que acaba de levantar-se para ir até o hall do amplo apartamento de prédio antigo da Zona Sul do Rio de Janeiro.
— Então esse é o famoso Jaime! diz o marido, bem-humorado.
— O próprio! responde Ana, elétrica, abraçada ao rapaz.
— Muito prazer, professor, diz o convidado, estendendo-lhe a mão.
— Vamos deixar os títulos de lado, está bem? Meu nome é Gilberto, diz ele amistosamente.
— Está bem, Gilberto. Muito prazer.
— O prazer é todo meu. Mas vamos entrando!

    Na mesinha da sala, Ana dispôs pratinhos com tira-gostos variados: chips, azeitonas, castanhas do Pará e salaminho em fatias finas. Ela se senta numa poltrona em diagnonal com os dois homens que ocupam o sofá. Gilberto já está informado sobre Jaime, mas provoca nele o desejo de explicar seu percurso até a obtenção da tão cobiçada bolsa de pesquisa sob orientação da sua esposa. Enquanto o rapaz conta tudo em detalhes, ele não pode deixar de admitir que tem diante de si um belo espécime do sexo masculino. Jaime tem cerca de um metro e oitenta e a particularidade de ser moreno claro de olhos verdes muito vivos. Um nariz afilado e sobrancelhas retas dão ao rosto um ar inteligente e os lábios espessos um caráter sensual à sua linguagem corporal. Gilberto também observa o quanto Ana contempla o rapaz enquanto este vai contando entusiasmado tudo que ela e ele já estão cansados de saber. O relato chega ao fim e o casal faz algumas perguntas voltadas para o que Jaime tem em vista quanto ao futuro. Em seguida, Ana troca a música suave para algo mais dançante e atenua a luz da sala. Certificando-se de que a bebida já fez seus efeitos, ela puxa os dois homens para dançar com ela e o trio se agita durante algum tempo ao ritmo de dois ou três sucessos dos anos 90.

    Gilberto é o primeiro a retornar ao sofá. Ele enche ritualisticamente um cachimbo de bom tabaco e recosta-se no amplo sofá de couro dando baforadas sonhadoras enquanto Jaime e Ana continuam a dançar perto da janela francesa que dá para um longo balcão.
— Vem, vou te mostrar a vista, diz Ana puxando Jaime pela mão.
— Uau! É espetacular! exclama ele, vendo-se diante de uma extensa vista noturna por sobre os prédios de Botafogo e Flamengo com, à direita, parte do Pão de Açúcar. Uma lua quase cheia paira no meio do céu, acima deles.
— São as vantagens de morar em andar alto! diz Ana, sorridente, puxando-o até o final do balcão.

    Sabe-se que a lua sempre dá um empurrãozinho a favor daqueles que se atraem. Ao apontar para o Pão de Açúcar, Ana recua e colide com Jaime, e os dois corpos não tardam a unir-se pela pura força do magnetismo. Tomando as mãos do rapaz, ela se enlaça em seus braços, forçando um contato estreito.
— O Gilberto não vai ficar zangado? pergunta ele, apreensivo, mas sem repeli-la.
— Acho que não. Se ele não tivesse gostado de você, não teria ido fumar cachimbo.
— Ah, esse é o sinal?
— É, é um dos sinais.

    Jaime então puxa-a com mais força para si e ela o sente pela primeira vez.
— "Alguém" acordou, sussurra ela com voz cantarolada, balançando os quadris.
— Eu devia estar envergonhado? pergunta ele, afastando-se um pouco.
— De jeito nenhum! Fui eu que provoquei, e assumo, retruca ela, voltando a enlaçar-se.
— Acho que é melhor voltar para dentro, pede ele.
— Como quiser, diz ela, com uma ponta de frustração na voz.
— Euh… Só um segundinho, pede ele, sorrindo e apontando para baixo.
— Claro! retruca ela, achando graça.

    Assim que eles reentram na sala, Ana vai para a cozinha providenciar os últimos detalhes para o jantar enquanto Jaime é irresistivelmente atraído por uma estante de livros de parede inteira. Gilberto supõe sem qualquer reprovação que um primeiro contato possa ter acontecido entre eles, no balcão. Ele analisa o corpo do rapaz que lhe dá parcialmente as costas e tenta adivinhar as coxas e as nádegas, partes que ele privilegia na relação com homens. Sendo bissexual, ele já tem alguma prática e é bastante exigente quanto à forma e o estado do corpo dos parceiros de cama. Jaime passa pelo seu crivo, o que o deixa animado.

    Ainda que o jantar consistisse de néctar e ambrosia, os convivas teriam sido comedidos. Em cada um deles, cada um ao seu modo, germina a idéia de que aquela noite tem tudo para tornar-se excepcional. Portanto, os três comem bem menos que o previsto por Ana, mas ela não avança o menor reproche. O café é tomado na sala de estar, mas o efeito etílico logo é restituído por uma profusão de digestivos: Grand Marnier, Baileys, vinho do Porto, xerez. Ana, cujo pileque amplificou seu amor universal, une os dois homens no sofá, senta-se entre eles e pegando suas mãos, sapeca-lhes alternadamente beijos nas bochechas. Em seguida, ouvindo o início de uma música flamenca, sobe na mesinha de centro e põe-se a dançar e sapatear, erguendo a frente do vestido sem dar-se conta de estar exibindo mais do que deve. Jaime sente-se ébrio, mas é capaz de apreciar o belo corpo que tem diante dos olhos. Os trinta e cinco anos da sua orientadora poderiam facilmente ser subtraídos de cinco ou sete, pensa ele. A pele das coxas é jovem, firme, sem estrias ou celulite e Ana tem traços fisionômicos dignos de uma retrato a ser exposto nos melhores museus. Ele a contempla embevecido.

    Quando a música chega ao fim, Ana desce da mesinha e inesperadamente deixa-se cair deitada nos colos dos dois homens, rindo e ofegante, a cabeça voltada para Jaime. Gilberto faz um sinal de aquiescência ao rapaz enquanto invade com as mãos o vestido da esposa. Ana puxa o seu pupilo pelo pescoço e beija-o lascivamente na boca enquanto seu marido tira-lhe a calcinha. Mais um sinal deste último basta para que o rapaz introduza a mão no vestido dela para baixar o sutiã e acariciar-lhe os seios. Ana ondula voluptuosamente, entregue aos caprichos dos seus homens. Gilberto ergue-lhe o vestido até a cintura e contempla pela enésima vez a região rigorosamente depilada que ele venera, diante do olhar ainda desorientado do jovem parceiro de aventura. Ele pega a mão do rapaz a pousa sobre a pélvis da esposa, que abre as pernas num ato reflexo. Jaime aprofunda-se então na carne macia. Seus dedos delizam no sumo do entrelábios e atingem o botão bem palpável que espera por eles já entumescido. Ao primeiro toque, Ana solta um longo gemido e agita a cabeça. Seu rosto colide com a protuberância na calça do rapaz. "Eu quero!", geme ela, levando ao mão ao cinto dele para abri-lo.

    Jaime olha mais uma vez para Gilberto e lê em seus olhos o consentimento irrestrito. Ao mesmo tempo, Ana ergue a cabeça para que o rapaz se livre da calça e quando torna a repousar em sua coxa, descobre um sexo monumental que parece emergir dos testículos perfeietamente depilados, a poucos centímetros do seu rosto e elevar-se num cilindro ligeiramente achatado, encimado por uma sólida cabeça cujas bordas ultrapassam de muito o diâmetro do tronco. Não podendo conter-se, ela abocanha a base desse tronco maciço, provando-o com a língua o seu sabor levemente salgado. Jaime suspira fechando os olhos, mas logo surpreende-se com uma poderosa pressão no corpo do pênis. É Gilberto, que tomou a liberdade de empunhá-lo e o mantém tenazmente enquanto sente as pulsações que o fazem expelir pequenas porções de líquido transparente.

    A única coisa que impede Jaime de opor-se à situação é o álcool em suas veias. Ele jamais viveu nada semelhante, não se considera bissexual e muito menos homossexual. Há, contudo, nos recônditos de seu inconsciente, uma experiência de primeira juventude que certamente é levada em conta pelas cerebrações imperceptíveis que o permitem admitir o prosseguimento da aventura. Certa feita, um vizinho um pouco mais velho convenceu-o a baixar as calças e submeteu-o a uma penetração, que ele não apreciou de pronto, mas desejou reproduzir duas ou três vezes, por pura teima, até fazer as pazes com o inimigo, como tantos jovens fazem com a matemática, a física ou a química. Depois disso, ele pôs uma pedra em cima do tema e recalcou as lembranças a ponto de acreditar piamente não ser capaz de lembrar-se de nada relacionado a esse tipo de experiência no entanto tão comum. Seu cérebro trabalha certamente com esses dados à sua revelia.

    Quando Jaime abre os olhos e topa com a mão de Gilberto em seu sexo, descobre ao mesmo tempo um sorriso maroto nos lábios da sua orientadora. Agora é ele que se sente à mercê de dois seres ávidos de lascívia. Ana alcança na mesinha o seu copo de xerez e ordena que ele o esvazie num trago. Jaime obedece e sorri para o casal, num sinal de que não se importa com mais nada. Gilberto então baixa-lhe o pênis à altura da boca da esposa para que ela possa saboreá-lo deitada. Com a ajuda do marido, ela só precisa erguer um pouco a cabeça para abocanhar a glande e prová-la como se fosse um babá au rhum, salivando muito e engolindo a calda espessa. Jaime delira, entregue às sensações e considerando-se eleito de Vênus, até que não resiste às manipulações de Gilberto e à intensidade da felação; um orgasmo explosivo e em vários jatos enche a boca da mulher com o seu primeiro esperma. Imediatamente, Gilberto se precipita para beijá-la e compartilhar com ela do sabor primevo desse encontro, diante da surpresa do convidado.
— Levemente adocicado, comenta Gilberto, olhando a esposa nos olhos.
— Liso e uniforme como o teu, acrescenta ela, com expressividade.
— E copioso! observa o homem.
— Encheria um copinho de Porto! brinca ela.
— Devíamos ter pensado nisso! lança o marido, aos risos, batendo na coxa.
— A próxima vai ser no copo, Jaime!
— Por mim tudo bem, acho que nunca fiquei tão excitado na vida, mas duvido que tenha sobrado a mesma quantidade!
— Isso vai depender de nós três, meu caro, declara o anfitrião, levantando-se do sofá.

    Muito excitado, o membro em riste, Gilberto convida a esposa a acomodar-se a cavalo em Jaime que continua sentado em plena ereção. Em seguida, vai penetrá-la por trás, lubrificando-a com um pouco da manteiga usada para passar em biscoitinhos do aperitivo. Ela geme, mas aceita bem a penetração que ela conhece há quase dez anos. É quando eles começam a mover-se em conjunto que Ana irrompe numa sucessão de gemidos fortes em meio a beijos lascivos que ela dá em Jaime enquanto o agarra pelo pescoço com força, ingressando num orgasmo que a avassala poucos minutos depois. Jaime sente sua longa verga sendo percorrida de alto a baixo pela vagina bem lubrificada que a comprime deliciosamente devido à presença do outro pênis no ânus. Ana e Gilberto harmonizam seus movimentos para que ela possa subir e descer ritmadamente e desfrutar do novo pênis em todo o seu potencial. Quando, sentada sobre as coxas de Jaime, ela se detém um momento para sentir toda a extensão do membro em seu sexo, Gilberto acelera e amplifica seus próprios movimentos até ejacular em suas entranhas. Com um longo gemido, ele desaba nas costas da esposa e, por cima do ombro dela, procura a boca do seu convidado, mas Jaime declina gentilmente, voltando-se para Ana. Inteligente, Gilberto deduz desse gesto que não vale a pena insistir.
— Você está pronta? pergunta o marido.
— Acho que sim, responde ela. Quer que eu tente agora?
— Quero, diz o homem, indo instalar-se confortavelmente na poltrona diante deles.

    Jaime não entende de pronto a conversa dos dois. Ele olha interrogativo para Gilberto, que lhe faz um sinal de que espere e, quase ao mesmo tempo, Ana ergue-se, apoiando-se em seus ombros e fazendo com que o pênis saia da vagina. Em seguida, ela o empunha com uma mão, posiciona-o na vertical e o esfrega entre as nádegas. Só então Jaime entende que ela deseja empalar-se mais uma vez nele, mas agora por trás. Ele teme por ela porque seu calibre já provou muitas vezes ser extremamente penoso para as que tentaram a relação anal, mas ela insiste e, vencendo pouco a pouco o incômodo do repuxamento que lhe chega ao meio das coxas, consegue descer até o fim, olhando Jaime nos olhos, as lágrimas descendo pelas faces. A dois metros deles, Gilberto masturba-se energicamente, superexcitado com a visão da esposa que começa a mover-se sobre o grosso membro que apequena a normalidade de suas próprias proporções. Surpreendentemente, no entanto, ela acaba conseguindo cavalgar Jaime com tanta perfeição que suas nádegas se chocam contra as coxas dele. Ele sente-se livre para acariciar-lhe os seios, a cintura, as coxas, e até beijá-la com paixão diante do marido que os observa extático. Quando o orgasmo de Gilberto se anuncia, ele sai da poltrona e vai oferecer seu membro à esposa, que o acolhe na boca. Ela trota em Jaime por mais um ou dois minutos, até que os dois homens ejaculam quase simultaneamente. Gilberto deixa no rosto da esposa o produto do seu segundo orgasmo e começa a espalhá-lo com a glande, quando ouve Jaime grunhir e o vê irromper numa série de movimentos que amplificam o trote da mulher sobre ele. Ana, que passara a masturbar-se há alguns momentos, intensifica os seus movimentos e por sua vez sucumbe a um orgasmo intenso, fustigando o clitóris e expirando ruidosamente com a cabeça jogada para trás como se estivesse possuída por alguma entidade do mundo erótico subterrâneo. O esperma do marido que escorre do seu rosto parece querer gotejar nos seios, mas a densidade e a coesão o impedem; uma espessa gota de vários centímetros detém seu curso pouco abaixo do queixo da mulher. Armando-se de toda a coragem de que é capaz, Jaime aproxima-se e colhe com a língua essa longa gota indecisa, passando-a em seguida a Ana, que a sorve e deglute sem a menor relutância. Gilberto exulta, dando tapinhas de felicitação no convidado, que retribui sorrindo, ainda sem saber ao certo se apreciou ou não o que acaba de fazer.

    Saciados os corpos e relaxadas as mentes, Gilberto vai tomar banho enquanto Ana e Jaime ficam conversando na sala. Brincando com o pênis amolecido do rapaz, ela confidencia-lhe que aquela primeira visita, tão refrescante devido ao vigor da sua idade, inaugurou um capítulo a mais na vida do casal e que ela está convencida de que o marido fará muito gosto em recebê-lo para novos encontros da mesma natureza, encontros esses durante os quais ele poderá inclusive, enfatiza ela, amadurecer certos tipos "heterodoxos" de relação sexual. Jaime mal ouve, deslumbrado que está com a sensação de ver-se tão à vontade nu após uma intensa sessão de sexo com um casal de estranhos. Ele não vê mais limites para o seu potencial, e isso o enche de prazer e orgulho. Ele se volta para Ana olhando-a profundamente nos olhos.
— Vou dizer uma coisa e você não vai dizer nada, promete?
— Euh... Prometo, mas..., faz ela, intrigadíssima.
— Eu nunca estive tão feliz quanto hoje, mas vocês nunca mais vão me ver. O que aconteceu aqui, hoje, me convenceu a tomar uma decisão que eu deveria ter tomado há muito tempo. Amanhã mesmo, vou comprar uma passagem para Berlim, para ir morar com meu pai e estudar música, que foi o que eu sempre quis, e vou ser eternamente grato a vocês pelo insight que eu tive aqui.

    Pondo um dedo sobre os lábios em sinal de refoço ao silêncio exigido, ele se veste, dá um beijo afetuoso em Ana e desaparece porta afora. Para sempre, como prometido.




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