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Odisseia Emergente 38

38. Recebendo a pasta

"Cadê a droga do celular?" grunhe Aninha, apalpando nervosamente os bolsos de todas as calças do guarda-roupa, enquanto ouve as vibrações insistentes. Finalmente, ela o encontra.
— Alô?
— Ana Cristina?
— Ela mesma.
— Oi, Ana, é Débora, secretária do Dr. Max, para avisar que você foi selecionada. Você está livre na segunda que vem para passar a manhã comigo e almoçar? Assim eu posso explicar tudo a você.
— Nossa, Débora! Calma, me deixa respirar primeiro até passar o susto da notícia!
— Meus parabéns! Está contente?
— Nervosa mas contente. É claro que eu posso ir na segunda.
— Às nove está bem para você?
— Claro, Débora! Nem que fosse às 5 da manhã!
— Haha! Então às nove. Talvez você nem veja o Dr. Max. Vai ser mais para eu te apresentar aos outros e explicar tudo que você vai fazer aqui.
— Tudo bem, eu entendo. Ai, o que é que eu ponho para ir Débora?
— Vestido bonito justo, menina, sempre! Isso aqui é empresa de homem e a gente tem que impressionar.
— Ja sei até qual. Valeu, Débora!
— Tchau então. Até segunda.
— Beijo!

Ao desligar o telefone, Aninha sabe que vai passar o fim de semana mais ansioso de sua vida. De menina de subúrbio a secretária de um diretor de empresa na Barra! Encostada no guarda-roupa, sentindo o coração a mil por hora, ela custa a acreditar que isso possa estar acontecendo com ela. A primeira coisa a fazer é ligar para o Kleber agradecendo, depois fazer uma grande arrumação nas roupas e sapatos para não titubear na segunda-feira. Em seguida, ela vai cuidar do corpo, etc., etc. Seus pensamentos turbilhonam a tal ponto que ela tem a impressão de não poder dar conta de tanta preparação até a segunda de manhã. Mas sendo quem ela é, Aninha dá conta de tudo e muito mais. Às sete horas da segunda feira, ela enfia um vestido num tom de azul perfeitamente adequado à sua pele clara e cabelo escuro, ajusta a calcinha para evitar qualquer marca, os seios no sutiã, maquia-se, coloca o necessário numa delicada bolsa de couro preto e às sete e meia está na rua tomando o ônibus para a Barra da Tijuca.

Ao chegar à Sincrotec, é Débora que a recebe, olhando-a mais uma vez de cima a baixo, mas agora com um sorriso distendido, admirando o lindo corpo da sua sucessora. Ela a leva diretamente ao seu escritório e inicia a longa passagem de serviço que durará toda a manhã e o início da tarde. A única interrupção acontece por volta das onze horas, quando ela decide que é o bom momento para apresentar Aninha aos demais funcionários do seu andar. As mulheres julgam-na pela atitude, pelo tom de voz, pela linguagem corporal e, claro, pela roupa. As mais velhas a consideram vulgar em seu vestido que deixa as coxas todas descobertas; as mais novas, oportunista e consciente demais da importância estratégica de um corpo feminino num posto de secretária. Aninha não se deixa abater e cumprimenta-as todas com um sorriso nos lábios e o mais respeitosamente que a sua educação permite. Ela sabe perfeitamente que tratamento dispensará mais tarde àquelas que não forem simpáticas. Quanto aos homens, todos sem exceção ficam boquiabertos com o esplendor físico da recém-chegada e fazem questão de aproximar-se para apertos de mão e até mesmo beijinhos de boas vindas, o que lhe permite fazer uma primeira avaliação do staff masculino da empresa. Alguns rostos e corpos a agradam mais do que outros e no total, sua impressão sobre os homens da Sincrotec é boa. Aninha volta para o escritório mais do que segura de si.
— Você viu como eles ficaram assanhados? diz Débora.
— É, acho que agradei aos homens, mas as mulheres...
— As mulheres, você tira de letra. E depois, mulher, aqui, não dura muito.
— Ai, não diz isso, Débora!
— Não estou falando de você, que acabou de chegar. Você tem pelo menos três anos de tranquilidade, se fizer tudo o que eu estou explicando.
— Três anos? Isso é pouco, não é não?
— Bom, vamos voltar para o trabalho porque eu tenho muita coisa a mostrar antes do almoço, e vamos almoçar tarde!
— Está legal, chefe!

Às duas da tarde, Débora dá por concluída a sua tarefa oficial; Aninha está preparada para manter a agenda do Dr. Max, atender e transferir telefonemas, receber e encaminhar clientes em visita, marcar viagens, reservar hotéis, copiar-colar modelos de cartas, sem contar as pequenas tarefas como fazer e servir café, providenciar flores, etc. Elas vão ao banheiro para retocar a maquilagem e se preparar para ir ao restaurante onde Débora quer lhe transmitir certas instruções oficiosas e não obstante essenciais ao trabalho que Aninha está para iniciar.
— Estou tão curiosa para saber o que você vai me dizer, Débora! diz Aninha, diante do espelho, ajustando a calcinha com o vestido erguido até a cintura.
— Relaxa, menina. Acho que você vai se dar bem na empresa. Puxa, gostei da tua calcinha!
— Eu adorei, mas ela me incomoda um pouco. Não é tanto o fio, mas tenho que ficar ajustando na frente.
— Escapa para o lado?
— Não, a frente é tão estreita que entra.
— Ah, isso é horrível. Já me aconteceu.

Aninha recobre cuidadosamente os grandes lábios com a tirinha preta, posiciona o elástico no lugar que ela sabe coincidir com a costura do vestido e baixa este último, alisando-o no corpo todo.
— Ele é bem curto, não é, Ana? comenta Débora, acompanhando tudo pelo espelho.
— É um terror tomar ônibus com isso, mas fazer o quê?
— Se você gostar do trabalho, vai parar de tomar ônibus rapidinho. Mas vamos andando porque eu tenho uma hora e meia de almoço. A gente conversa pelo caminho.
— Vamos.

No restaurante, já sentadas e servidas, Débora lança de chofre uma primeira pergunta.
— Ana, você é boa de cama?
— Acho que sou, mas para que você quer saber disso?
— Eu vou te contar umas coisinhas e você vai entender.
— Está me deixando nervosa, isso sim!
— O que eu vou te contar vai servir para te ajudar a não tomar susto quando algumas coisas acontecerem.
— Fala logo!
— Então presta atenção. Quando eu comecei a trabalhar para o Dr. Max, ele era bem na dele, só falava de trabalho e era muito exigente. Assim que ele chegava, queria um café quente, que eu preparava fresquinho e levava até a mesa dele. Depois disso, ele pedia mais um café por volta das três da tarde e trabalhava até depois que eu já tinha ido embora. Acho que eu nunca vi o Dr. Max ir para casa antes de mim.
— Isso é que é chefe!
— É, mas escuta. Um dia, eu trabalhava lá há um mês mais ou menos, ele recusou o café às três horas, mas ligou quase no fim do meu expediente pedindo para eu levar um café para ele quando eu estivesse indo embora, um pouco antes das cinco. Deixei tudo pronto para levar o café dele e ir para casa logo depois. Quando eu coloquei o café do lado dele e ia me despedir, ele me segurou pela mão e perguntou se eu podia ficar mais um pouco. Achei aquilo meio estranho, mas disse que podia, pensando que ele fosse me mandar fazer algum trabalho depois da hora e já me alegrando porque a empresa paga bem a hora extra. Só que em vez de largar minha mão, ele me puxou para perto dele e começou a passar a mão pelas minhas coxas.
— Caramba, Débora! Deu sorte logo no primeiro mês!
— Haha! Eu sabia que você ia reagir assim.
— Conta mais! Conta tudo!
— Vou contar, calma. Ele começou a passar a mão pelo meu corpo e eu gelei. Hoje eu sou casada, mas na época eu ainda era noiva, e ele sabia muito bem disso. Eu era apaixonada, mas também não podia negar que o Max me atraía.
— Aquele homem é um gato!
— Pois é, também acho, mas eu não queria trair o meu noivo, então tentei me soltar do Max dizendo que eu tinha que voltar para casa porque o meu noivo ia para lá mais tarde. Mas ele não quis saber de nada, disse que estava precisando demais e que eu não podia deixar ele "na mão".
— Haha! Bem isso mesmo, senão ele ia se acabar na punheta! exclamou Aninha, deixando aflorar o mais natural de si mesma.
— Ah, ia mesmo! Mas ele se levantou e começou a se esfregar em mim, levantando o meu vestido e passando a mão entre as minhas coxas até me deixar molhada, não aguentar mais e ceder.
— Você deu para ele, então!
— Na mesa dele. Ele mesmo tirou minha calcinha, me sentou na escrivaninha, perguntou se podia gozar dentro e quando eu disse que sim, foi até o fim.
— E o pau? indagou Aninha, toda interessada.
— O dele é mais ou menos "assim", olha, fez Débora, delimitando cerca de dezessete centímetros com as duas mãos.
— Bom tamanho. Você gozou?
— Não, eu estava nervosa demais da primeira vez, mas das outras, às vezes eu gozava sim.
— Quer dizer então que se o Dr. Max adiar a hora do café, eu posso me preparar?
— Não é sempre, mas é bom você desconfiar quando ele mudar a hora para o fim do expediente.
— Mas Débora, você perguntou se eu era boa de cama. Para isso não precisa ser boa de cama.
— Calma, vou contar outra historinha. Escuta só.
— Estou ouvindo.

Débora olhou em volta e baixou o volume da voz.
— Como eu te falei, você vai viajar muito com o Dr. Max porque ele não vive sem secretária. Por exemplo, ele vai a Miami como a gente vai à feira. Você não precisa falar inglês porque ele não pede para a gente falar com os gringos, mas ele vai mandar você anotar um monte de coisas durante as reuniões dele lá.
— E o que isso tem a ver com a cama?
— Calma, apressada!
— Conta logo que eu estou curiosa!
— Isso aconteceu logo na primeira vez que eu viajei para Miami com ele. Eu tinha reservado o hotel pela Internet e chegando lá, ele ficou uma fera quando descobriu que os nossos quartos eram separados. Ele queria dois quartos, mas dois quartos colados e com porta entre eles.
— Ah, eu não sabia que tinha disso em hotel.
— Pois é, tem para famílias grandes, amigos, etc. O que eu sei é que ele fincou pé e só sossegou quando nos deram os tais quartos colados.
— Já vi tudo! exclamou Aninha, cheia de malícia.
— Já viu, não é? Nós tomamos banho, mudamos de roupa e saímos, mas não voltamos muito tarde porque a reunião ia ser no dia seguinte de manhã cedo. Na volta, eu fui para o meu quarto, ele foi para o dele, e não deu meia-hora, ouvi a tranca entre os quartos se abrindo e o Max entrar só de cueca no meu quarto.
— Nossa, o homem acha que é o teu dono!
— Exatamente. Eu estava de camisola de nylon – Miami é quente como o Rio – e ele já foi me pegando pela mão e me puxando como ele faz no escritório. Primeiro, ele pegou minha mão e botou direto "lá", por cima da cueca mesmo, dizendo para eu sentir como ele estava precisando de "carinho". Eu tentei dar minha opinião, mas ele não deixou, ficou insistindo sem parar, e dois minutos depois eu estava sentada na cama com o pau dele na boca.
— Melhor que ir molhar o pé na areia, não é, Débora?
— Você não ia reclamar, não é, Ana?
— Claro que não! Mas conta.
— Eu só perdoo o Max porque ele é educado. Por exemplo, nesse dia, ele disse que estava a fim de gozar no meu rosto, mas só gozou porque eu deixei. Se eu tivesse negado, ele não teria feito.
— Quem dera que homem fosse sempre assim!
— É, não dá para acusar o Max de ser grosso porque ele não é.
— Estou curiosa; ele goza muito, Débora?
— Ele estava numa secura tão grande que eu resolvi dar um presente a ele: abri a boca. Ele deu uns três jatos fortes e ainda deu uns dois no rosto. Quando engoli, ele sorriu, me pegou pelas duas mãos para me ajudar a levantar e me deu um beijo na boca dizendo que eu era maravilhosa por entender o jeito dele.
— Depois treparam a noite toda?
— A noite toda, não, porque a reunião era de manhã cedo, mas ele sempre pede sexo no hotel – foi por isso que eu fiz aquela pergunta – e adora mulher boa de cama. Eu só queria que você soubesse esse lance da porta ligando os quartos porque se você esquecer, ele vai se zangar.
— Entendi. Você está sendo legal de me passar essas dicas. Mas me fala um pouco como ele faz, do que ele gosta.
— Ele adora beijo na boca e usa muito bem a língua, Ana. Quantas vezes ele me fez gozar só me lambendo! Depois ele costuma me pedir para deitar bem arreganhada para ele meter de frente um pouco e quando ele cansa, me bota quatro.
— Ele demora a gozar?
— Ah, ele faz tudo o que ele quer antes de gozar. Ele só goza quando está bem cansado mesmo.
— Ele gosta de gozar onde, Débora?
— Bom, como eu cheguei a engolir da primeira vez, comigo sempre foi na boca e no rosto, mas já aconteceu dele estar com muito tesão e tirar rápido para gozar nas costas quando eu estava de quatro. É raro ele gozar dentro, até quando eu digo que pode.
— Mas no escritório foi dentro.
— Porque não tinha jeito. Ele não tinha camisinha, nem eu, e a gente transou em cima da mesa dele.
— E como você fez depois?
— Peguei um chumaço de kleenex e botei na calcinha!
— Você tomava pílula?
— Direto, Ana. Meu noivo era o garanhão que só pensava em sexo e com ele, gozar fora, nem pensar.
— Ah, aí não tem jeito mesmo. Agora estou curiosa para saber uma coisa, Débora: você dava o cuzinho para o Dr. Max?
— Isso é sagrado para ele, Ana! Acho que não teve uma vez que a gente tenha transado sem terminar em anal.
— Como é que ele gosta?
— Geralmente no banho, no final de tudo, e ainda bem que eu tenho prática porque ele é fogoso nisso, viu!
— Ele goza de novo?
— Goza sim. Geralmente ele goza duas vezes e uma é atrás.
— Nossa, que homem gostoso! Você acha que ele se interessou por mim, Débora?
— Está na cara, não é, Ana! Você não tem experiência nenhuma de secretária.
— Te confesso que eu também estranhei. Mas, mudando de assunto, me fala, Débora, por que você está largando a Sincrotec?
— Por causa do meu marido. Ele não gosta que eu seja secretária executiva de um cara de trinta e seis anos.
— Mas ele ficou sabendo de alguma coisa?
— Não, Deus me livre! Mas ele é inseguro com essas coisas porque quando a gente namorava eu fiquei com um namorado da minha irmã, uma vez.
— Mas chegou a rolar sexo?
— Ah rolou sim, e ele fodia muito gostoso. A briga foi feia.
— Como é que o teu namorado descobriu descobriu?
— Quando o namoro da minha irmã terminou, o cara ficou uma fera e disse que a gente tinha transado.
— Isso não se faz.
— Pois é, mas ele fez e isso deixou o meu namorado muito inseguro. Ele quer que eu mude de emprego. Mas não é só isso, ele também quer que eu trabalhe mais perto de casa.
— Aqui é bem longe para mim também.

Aninha sabe perfeitamente por que foi selecionada, mas obviamente não revela nada sobre Kleber com Débora. O almoço transcorre até o fim sem incidentes e no mesmo clima amistoso. Elas se despedem afetuosamente prometendo entrar em contato para trocar notícias. Aninha volta para casa sentindo um frio na barriga com a perspectiva de iniciar uma nova vida. Ela tem o resto da semana para organizar-se e preparar-se para uma nova etapa. Na segunda-feira seguinte, ela será a nova secretária do Dr. Maximiliano Borges.




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