Certa vez, já em
fins de adolescência, vendo que ia acabar passando as férias de verão
inteirinhas sem sair do Rio, consegui a duras penas "descolar" um
convite para passar alguns dias na casa de praia de uns amigos de um amigo meu,
o Serginho. Assim que chegamos, fiquei sabendo que a casa estava cheia e que se
eu quisesse dormir numa cama teria que dividir a cama de casal de uma suíte com
um sobrinho do dono da casa. Aceitei, mais satisfeito por escapar de passar
quinze dias dormindo no chão do que por não ficar sozinho.
Ricardo era um
pouco mais alto que eu, magro mas fortinho, usava uns "oclinhos" que
o deixavam com cara inteligente e levou numa boa quando o tio ofereceu a um
desconhecido a metade da cama que era só dele desde o início das férias. Assim
que ficamos sozinhos, ele me ofereceu uma parte do armário para colocar a
mochila, me deu roupa de cama e foi logo perguntando se eu queria ir direto
para a praia, explicando que a galera dele já estava toda lá. Aceitei e, quando
olhei para o lado, ele já estava tirando a roupa. Eu costumo demorar
um pouco a me sentir à vontade, mas ele se despiu com tanta naturalidade que
não me chocou. Pregiçosamente ele empurrou bermuda e cueca até abaixo dos
joelhos, deixou-os cair até os calcanhares, ergueu um dos pés para tirá-lo
delas e, com o outro, chutou-as certeiramente no armário. Em seguida,
dirigiu-se peladão para o banheiro. Não pude evitar a visão da a bundinha curta
e carnuda moldada por cada passo displicente e as coxas grossas (talvez ele
jogasse vôlei ou futebol, pensei) bem mais peludas que as minhas. Quando ele
saiu do banheiro, já pronto, eu estava ajustando o meu short de banho. Lembro-me
de ter notado que aquela Speedo vermelha ficava bem justa nele e lamentado um
pouco a minha falta de coragem para usar roupas de banho curtas. Embora tivesse
um corpo bem proporcional e, pelos meus critérios, atraente, eu não era nada
exibicionista. Ricardo enfiou os pés nas havaianas e foi saindo do quarto sem
esperar que eu terminasse de enfiar as minhas. O primeiro de quinze dias de
férias na praia estava começando.
Chegando à areia, Ricardo se aproximou de um grupo — umas
12 pessoas — e só disse: "Aí, galera, esse é o Fernando." Cada um
respondeu como quis e eu, ainda meio inibido, retribuí sorrindo e fui para a água.
De longe, observando as brincadeiras do grupo, pude ver que eles tinham
intimidade e que Ricardo era querido e mulherengo. Não era exatamente a minha
tribo, mas não dei maior importância e tratei de me divertir como, no fundo, eu
mais gostava: sozinho. Nadei debaixo d'água, olhei para o mar aberto, provei
água salgada, dei umas braçadas além da rebentação, corri na areia e catei
conchas para a minha amiga Cris que as coleciona. Acabei me sentindo tão
bem assim, livre e independente, que resolvi não me integrar ao grupo do
Ricardo. A propriedade on de estávamos hospedados ficava a 100m da praia e
se compunha basicamente de quatro casas num enorme gramado com árvores
esparsas, quadra de esporte, churrasqueira, piscina e uma sauna com um anexo em construção. Por
educação, eu dedicava alguns momentos à família dos anfitriões, ajudando em
tarefas domésticas como varrer, lavar a louça do café ou jogar o lixo fora, mas
de modo geral, só aparecia para as refeições e para dormir. Quanto ao Serginho,
nos esbarrávamos aqui e ali, mas sempre muito rápido. Como a maioria dos
hóspedes, ele passava o dia por ali mesmo e só saía à noite para ir encontrar
amigos e ver gente nova na cidade.
No meu primeiro dia, devo ter ido dormir por volta das
10h, exausto e, como sempre, queimado demais para um início dia de férias. Ricardo
voltou muito mais tarde, acordou-me sem saber, mas não o deixei perceber. Notei
que ele estava todo vestido, sinal de que estivera na cidade. Ele sentou-se na
beira da cama, tirou os sapatos e a camiseta, depois levantou-se, tirou a
calça, e foi de cueca para o banheiro. Curioso, fiquei esperando acordado. Ele
tomou banho e saiu do banheiro completamente nu e segurando o pinto, que me
pareceu estar entre o mole e o duro. Ele caminhou até o armário, abriu com todo
cuidado uma das portas, pegou alguma coisa na mochila e deitou-se ao meu lado,
nu e por cima dos lençóis. Eu estava desperto e ansioso. Assim que o silêncio
voltou ao quarto, ouvi um ruído muito leve de papel celofane ou algo assim. Ricardo
estava abrindo alguma coisa, muito lentamente para não fazer barulho. Achei que
fosse um chiclete ou bala, mas assim que me acostumei ao pouco de luz que
entrava pela janela, distingui o que me pareceu ser uma forma circular,
amarelada e translúcida. Antes que eu me desse conta do que era, vi Ricardo
erguer seu membro que repousava duro sobre a barriga e pô-lo na vertical. Exaltado,
sentindo o coração aos pulos, preparei-me para o showzinho privado.
Pressionando o biquinho de látex com dois dedos,
Ricardo foi desenrolando a camisinha completamente, até a base, depois balançou
o membro embrulhado, espichando o pescoço para contemplar a obra como se fosse
um totem. Eu estava à direita dele, fingindo-me de morto e olhando através da
menor fenda que eu era capaz de produzir com os olhos. Sua respiração era
forte, ele foi ficando muito excitado e vi seu corpo ondular à medida que a
manipulação ia tomando ares de masturbação. Ainda me lembro da vontade que tive
de pedir para fazer aquilo por ele, mas desisti do projeto quando revi
mentalmente as imagens dele com a galera na praia, tão... hétero. Era arriscado
demais, o melhor era esperar. Resignado a não interferir, vi Ricardo
masturbar-se enquanto, com a mão livre, acariciava o peito, a barriga, a
virilha. Pude ouvir o roçar dos dos dedos nos pelos pubianos. Foi uma punheta
tranquila e silenciosa que nem sequer fazia ranger a velha cama de casal. De
vez em quando, Ricardo olhava para certificar-se de que eu estava dormindo, mas
eu conseguia prever seu gesto a tempo de fechar os olhos e fingir sono
profundo. Ele ficou bons dez minutos brincando assim, até começar a acelerar um
pouco e massagear o saco com mais vigor. Depois, imobilizou a mão e foi com o
corpo, arqueando-o repetidas vezes, que ele porovocou o orgasmo, como se sua
mão fosse uma boca ou outro orifício que o incitasse a fantasiar. Quando veio o
orgasmo, ele não pôde evitar um ruído gutural retido na garganta, que me fez
imaginar a intensidade do seu prazer e desejar ser o receptáculo do que me
pareceu estar fluindo aos borbotões daquele membro tão duro que se curvava para
trás. Discretamente, acariciei meu próprio sexo e torci para que alguma coisa
acontecesse entre nós. Ricardo saiu da cama para ir ao banheiro e, quando
voltou, deitou-se de bruços e adormeceu instantaneamente. Adormeci olhando suas
costas e a redondeza da bundinha branca que se elevava da concavidade delas,
iluminada pela luz diáfana que entrava pelos vidrilhos da veneziana.
De manhã, fui o primeiro a acordar e, como Ricardo
estava novamente de bruços, abraçado ao travesseiro e com as pernas
negligentemente abertas, pude ver muito bem o sulco profundo e sombrio
delimitado pelas duas elevações da bunda curta porém carnuda e, entre as coxas,
o saco espalhado como um pequeno balão desinflado. Não consegui ver mais nada.
Olhei o quanto pude, sentindo o desejo no meu corpo, mas tive medo de que ele
acordasse e fui logo para o banheiro. No lixo, só havia a camisinha, mal
embrulhada numa folha de papel higiênico. Sentei-me no vaso, peguei-a, olhei
contra a luz e comprovei o quando ele devia estar excitado. Não resistindo,
esvaziei o conteúdo nos dedos e, por entre as pernas, espalhei um pouco do
esperma em eu orifício, introduzindo nele a ponta do dedo molhado. Meu membro
reagiu na hora, erguendo-se e pondo-se a pulsar. Com alguma dificuldade, vesti
nele a camisinha e entreguei-me a uma punheta delirante em que eu me via
misturando o meu sêmen ao do Ricardo, como num ritual. Eu estava tão excitado
que teria sido capaz de fazer uma loucura se não me houvesse aliviado ali
mesmo, naquele momento! Reembrulhei a camisinha agora cheia do meu conteúdo e a
repus no cesto de lixo. Em seguida, tomei banho e saí sem acordar o Ricardo. As
sensações da véspera e da manhã estavam mais do que vívidas em minha cabeça e à
flor da minha pele sensível.
A segunda noite Ricardo não dormiu em casa. Senti uma ponta
de inveja por não ser sociável como ele, mas o vi durante o dia, num churrasco
que os donos da casa ofereceram aos convidados e vizinhos. Ele estava com uma menina
loura, muito bonita de rosto e de corpo, mas que me pareceu um pouco vulgar por
causa da calcinha do biquini toda enfiada na bunda, que ela tornava mais
provocante empinando-a artificialmente. Só um cego não veria que eles estavam
excitados; a sunga do Ricardo não poderia estar mais cheia e o seu desconforto
era flagrante. Os bicos dos peitos da menina quase furavam o sutiã do biquini. Logo
notei que eles estavam procurando algum lugar para ir, e não deu outra: minutos
depois, eles disfarçaram, deram a volta à churrasqueira e entraram furtivamente
no anexo em obras da sauna. Com todo o cuidado para não ser notado, dei uma
volta grande pelo jardim, procurando um ângulo que me permitisse ver entrada da
obra, que ainda se resumia a um corredor sombrio e cheio de entulho. Assim que
encontrei um lugar discreto, avistei o Ricardo encostado na parede de tijolos e
a menina esfregando-se nele de costas enquanto ele a acariciava por dentro da
calcinha e amassava-lhe os peitos. Ela parecia delirar de prazer, jogando a
cabeça para trás para procurar sua boca. Eles passaram alguns minutos assim,
até que ela virou-se de frente para ele e, lançando-lhe um olhar malicioso,
deu-lhe um "estalinho" para, ato contínuo, ir agachando-se até ficar
completamente de cócoras com as pernas escancaradas. Em seguida, apoiada com as
mãos nas coxas dele, ela puxou o elástico da sunga dele com a boca e, assim que
o membro saltou para fora, começou a persegui-lo sem tocá-lo com as mãos, para
lambê-lo e chupá-lo lascivamente. Salivei de desejo, desolado por sabê-lo toda
noite ao alcance da minha mão. Tive vontade de masturbar-me, mas eu não podia
permanecer ali por muito tempo. Assim que me acalmei, voltei para onde estavam
os outros e servi-me de churrasco e cerveja. Minutos depois, os dois estavam de
volta, clmos, mas sérios em comparação ao que eu vira antes.
Permitam-me uma pequena digressão reflexiva. O que eu
sentia naquela época e em ocasiões similares não era propriamente ciúme. Era
algo mais sutil, sem essa componente tão sórdida contida no ciúme: o desejo que
o outro fracasse. Eu descreveria meu sentimento como um desejo puro e simples
de estar no lugar do outro em certas circunstâncias. Eles formavam um casal
bonito, desejável e o que fizeram com tanta liberdade foi algo que me excitou
muito e, de certa forma, ultrapassou-me pelo caráter ousado e aventureiro. Mas
isso não me fez desejar que o Ricardo não fosse o que era ou não vivesse esse
tipo de aventura. Eu queria apenas ser incluído nela, tornar-me um personagem
dela e, de preferência, contracenar com o protagonista!
Para decepção minha, Ricardo ficou entretido com a
amiguinha por vários dias, aparecendo para dormir às 4h da manhã e acordando à
1h da tarde. Eu tinha outro regime de sono e outro ritmo de vida; sempre tive
hábitos diurnos. Excepcionalmente, na véspera da minha volta para o Rio, quando
fui para o quarto dormir, o Ricardo estava lá. Ainda não eram 11h da noite. Ele
estava deitado e olhando para o teto. Ainda me lembro de ter soltado uma
piadinha, mas não me lembro se houve resposta. Ele estava sereno, gentil como
sempre, mas sério e calado. Tomei banho, escovei os dentes e ele continuou lá, em silêncio. Quando
voltei ao quarto, sentei-me na beira da cama e perguntei o se alguma coisa
estava "pegando". Ele disse que sim e, pela entonação, entendi que
tinha a ver com a menina do dia do churrasco. Ele contou-me tudo que eles
estavam vivendo, disse que a atração entre os dois era tão forte que paravam a
cada dez metros para ficar agarrando-se pelos cantos, atrás das árvores, dentro
d'água, rolando na areia... Chegou até a mencionar a cena que eu vira
parcialmente na obra da sauna. Mas havia um porém, e ele foi direto: ela não
queria penetração. Ele não entendia por quê, mas ela limitava-se ao sexo oral e
isso o estava deixando louco. Simplório, ele até mostrou-me o
"estado" em que ficava só de tocar no assunto, apontando com o queixo
para a própria sunga. Meio sem jeito, dei uma rápida olhada, mas logo forcei-me
a olhá-lo diretamente nos olhos, perguntando se a menina tinha explicado por
que não queria ir além do sexo oral. Ele me disse que ela dera uma desculpa
esfarrapada, recorrendo ao receio de estar num período fértil. Por mais que ele
insistisse, era inútil, o máximo que ela permitia era que eles se esfregassem
um no outro seminus, mas nada de penetração. Ela quase brigou seriamente
quando, num momento de descontrole, ele tentou forçar a entrada por trás. Enquanto
Ricardo ia contando, eu o via passar a mão por fora da sunga e ajeitar o membro
atravessado nela para evitar que escapasse pelo elástico. Aquela excitação tão
persistente era a marca da desorientação em que ele estava mergulhado. E, como
se não bastasse, a menina iria embora no dia seguinte, o mesmo dia que eu. Ainda
conversamos um pouco, mas senti que meu esforço era inútil.
Foi então que resolvi tentar uma
"estratégia", que eu ponho entre aspas porque não era um plano
consciente mas apenas a busca semi-intuitiva de uma solução paliativa para a
situação que o Ricardo estava vivendo. Apaguei a luz do teto, acendi o abajur
da mesinha e anunciei que em vez de ir para a cama iria arrumar minhas coisas
para ter menos trabalho no dia seguinte. Não me lembro ao certo quanto tempo,
mas o Ricardo ficou lá, deitado, monologando em murmúrio, até que, a certa
altura, talvez cansado de olhar para o teto, ele veio sentar-se na beira da
cama, de frente para mim, que estava para lá e para cá pegando coisas e
enchendo a mochila numa mesinha a meio caminho entre o armário e o banheiro. Essa
proximidade começou a deixar-me ansioso, com a sensação de ser obrigado a dizer
alguma coisa. Até então, Ricardo estivera falando para o teto, mas senti que
ele agora estava procurando conversa. Minha estratégia parecia estar surtindo
efeito, mas como era mal dominada, não me deixava seguro e abria espaço à
intuição e ao improviso. A única coisa que me veio à cabeça foi a cena que eu
vira no dia do churrasco. Uma necessidade imponderável de falar nisso
assaltou-me e acabei dizendo, de chôfre, o que eu vira. Ricardo ficou surpreso,
mas aproveitou para contar a cena toda e completar a descrição do que eu sabia
incompletamente: eles abraçaram-se muito, beijaram-se muito, ela o chupara,
depois baixara o biquini para deixá-lo esfregar-se nela por trás e masturbá-la.
Foi naquele episódio e, depois de levá-la ao orgasmo, que o Ricardo tentara
forçar uma penetração anal. Ele estava tão molhado do seu próprio líquido e da
excitação dela que, na primeira oportunidade em que ele sentiu sua glande
pronta para encaixar-se na entrada, puxou a menina pelas ancas e tentou
transpô-la. Mas assim que ela sentiu o início da dilatação, deteve-o e
afastou-se, furiosa. Tudo mudou depois daquele dia, e era isso que explicava as
expressões de ambos ao saírem da construção, bem como o estado atual do
Ricardo, que estava experimentando uma mistura de culpa e de extrema
expectativa frustrada. Seu rosto bonito e fino inspirava carinho e intimidade.
Acho que ainda me lembro exatamente de algumas coisas que dissemos.
"— É estranho ela não querer transar, mas foi
vacilo teu tentar meter assim mesmo, meio que à força, comentei.
— Eu não aguentei, cara! Ela me deixou encaixar a
cabeça, era só empurrar! Chegou a começar a entrar!
— Aposto que na frente teria entrado mole e ela só
teria percebido quando estivesse lá dentro.
— Sei lá, mas na frente ela também não queria.
— Confessa que você quis meter atrás.
— Cara, não vou negar, mas..."
Nosso curto diálogo sobre sua ação temerária retirou
Ricardo da meditação sombria e o trouxe de volta. Ele entrou em detalhes sobre
seus corpos e sobre o grau de excitação de ambos naquele corredor em construção. Notei
que de vez em quando ele ainda ajeitava o pau duro na sunga. Continuei sondando.
"— Você já fez anal alguma vez? perguntei,
fingindo indiferença, de costas para ele, colocando as últimas coisas na
mochila.
— Só com uma menina, que pedia para eu meter atrás, no
banho, até depois de transar muito. A gente chegou a gravar um clipe só de anal
para botar na Internet.
— Me dá o link depois? Adoro anal! declarei, sabendo
que ele não perceberia de que ponto de vista eu estava falando.
— É bom demais, cara! Terminar uma transa com aquela
pressão no pau é a melhor coisa do mundo.
— E na hora de gozar, então!
— Nem fala!"
De costas, olhei para ele por cima do ombro, sorrindo,
e o surpreendi com o elástico da sunga baixado, olhando melancolicamente para
aquela ereção sem fim. Ele parecia querer convencer-me da gravidade do seu
estado e, sem mover a cabeça, olhava alternadamente para mim e para o membro
armado e grosso que eu via repousando obliquamente em sua barriga, molhando-a. Intimamente,
eu estava pronto a cair de joelhos entre as coxas dele e fazê-lo gozar todo o
gozo que ele não havia podido liberar com a menina do churrasco, mas nada me
parecia menos realístico. O que fiz foi virar-me com a maior tranqüilidade
possível e olhar com a naturalidade dos cúmplices para o que ele estava me
mostrando.
"— Estou assim direto, só de pensar nela! Isso
nunca aconteceu.
— Anda até tocando punheta na cama, não é? lancei,
para ver no que dava.
— Hã? Você viu?
— Hum-hum.
— Ficou puto?
— Não! Por que é que eu iria ficar puto?
— Sei lá... Um cara tocando punheta do teu lado..."
Nunca vou esquecer que foi essa resposta que levou-me
a decidir encarar o risco. Estávamos conversando numa atmosfera de perfeita
intimidade e entendimento. Ricardo estava precisando de alívio. Eu estava ávido
dele e podia aliviá-lo, ao menos em parte. Hoje em dia, em termos analíticos que eu
não dominava na época, vejo como tudo parecia propício e como tive a
consciência disso da maneira puramente intuitiva que é própria do adolescente. Saí
do meu lugar, sentei-me na beira da cama, ao lado do Ricardo, que continuava
sentado com os braços para trás, exibindo uma ereção que teimava em não
desmontar. Sério, mas com toda a amabilidade do mundo, olhei para ele nos
olhos, depois para baixo e, sentindo certeza de que o contexto era propício,
pus a mão.
"— Cara, o que é que vo...? ele ia começando.
— Não diz nada, interrompi, olhando-o de relance e
voltando ao que estava fazendo."
Foi no momento certo. Ricardo não ofereceu resistência
e abandonou-se. Assim que fechei a mão em torno do seu membro, notei que ele
acalmou-se e senti o mais profundo alívio. Ele deitou-se um pouco mais,
repousando sobre os cotovelos, depois completamente, deixando só as pernas para
fora da cama. Debrucei-me um pouco e massageei seu saco, o interior das coxas,
voltei ao pau e comecei uma lenta masturbação enquanto via a glande inchar e
sentia o tronco cada vez mais duro e pulsante. Ricardo começou a respirar mais
forte, depois olhou para mim, intrigado, mas cheio de consentimento. Imaginei
uma possível pergunta íntima dele: "O que é você, cara?", mas
procurei não pensar no assunto. A realidade é que eu estava dando a ele
exatamente o que ele precisava naquele momento.
O pau do Ricardo devia ter pouco menos de dezessete
centímetros e uns três dedos meus de diâmetro. A cabeça era de um rosado
uniforme, bem desenvolvida, longa e de contorno definido. O tronco do pau era
liso e a rigidez o repuxava para trás, formando um arco. O saco completamente
depilado me pareceu volumoso, redondo, inflado. Os únicos pelinhos, castanhos e
bem aparados, se concentravam acima da base do pau e um fio deles, pouco mais
claros, subia do baixo-ventre muito plano até o umbigo. Ricardo era desses que
deviam ter sido crianças muito magras e ganharam alguma massa muscular à custa
de esporte e malhação. Deitado assim, suas coxas ficavam mais grossas,
recobertas de pelos castanhos lisos e sedosos. Nesse primeiro momento de
avaliação, eu estava encantado com o seu corpo e minha excitação era grande.
Quando se escreve, tem-se a impressão de ampliar a
duração dos eventos. A fase de descoberta não durou mais que alguns minutos,
entre cinco e sete. Assim que senti Ricardo relaxado, cheguei mais perto e abocanhei
seu pau. Senti uma primeira pulsação vigorosa seguida do sabor suave do fluido
lubrificante espalhar-se em minha língua. Embora ele não me passasse
insegurança quanto a isso, olhei para o Ricardo com ar interrogativo e recebi
resposta afirmativa. Engoli confiante. Ele sorriu, senti as pulsações na mão e
voltei a chupar. Lembro-me de ter acariciado livremente as coxas dele, embora
ele não retribuísse minhas carícias com carícias. Em dado momento, ele saiu da
cama e disse que queria ver-me de quatro nela, mas eu ainda não estava pronto
nem satisfeito; preferi sentar-me na beira da cama, puxá-lo pela cintura,
procurar seu pau e deixá-lo deslizar entre os lábios. Ricardo quase
desequilibrou de prazer enquanto assistia o pau desaparer entre eles. Sem pedir
licença, levei as mãos à bundinha redonda e curta para controlar seus
movimentos por ela. Ficamos assim por alguns instantes e quando senti que isso
poderia levá-lo ao gozo deixei-o entrar e sair livremente apenas deslizando em
minha língua. Ele ia tão fundo que eu podia tocar o saco com a pontinha dela. Eu
não só acariciava o saco com a mão em concha, como o lambia todo, sugava e
mordiscava, levando Ricardo a apoiar-se em meus ombros para não desabar de
prazer. Em retribuição, ele me dava tapinhas com o pau no rosto, mas logo
voltava a invadir minha boca com ele, inundando minha língua de sumo cristalino
e forçando-a para baixo até chegar ao palato, onde a cabeça se encaixava tão
perfeitamente que parecia ter sido moldada ali. Contorcendo-se, Ricardo implorava-me
que parasse, alegando não querer gozar logo. Nesses momentos, ele
"descuidava-se" levando a mão à minha cabeça e afagando-me sem querer
o cabelo.
Cerca de uns dez minutos depois dessa felação na
vertical, Ricardo teve vontade de ir ao banheiro e eu fiquei deitado na cama,
muito excitado, tocando-me com a ponta do dedo, sentindo-me úmido e pronto para
recebê-lo. Quando voltou, ele mandou-me novamente ficar de quatro na cama,
afirmando não estar aguentando mais ficar nas preliminares. Dessa vez, obedeci.
Posicionei-me de joelhos na beira da cama, com as pernas bem afastadas e
deixei-o contemplar. Lembro-me de ter ficado espantado ao ouvi-lo elogiar minha
bunda, que ele achou não só "tesuda", mas bonita. De fato, eu tinha
cabelo farto, mas nenhum pelo no corpo, exceto um pouco nas pernas e uns fios
nas axilas que eu raspava criteriosamente. Minha bunda despontava logo depois
de duas covinhas no fim das costas, em dois gomos carnudos e salientes, cujo
peso formava dobras pronunciadas com as coxas. Desde a infância eu escutara
comentários sobre o meu traseiro, que era considerado empinado demais, o que o
tornava impróprio a um varão. No início, era considerado "bonitinho",
minha mãe, tias e primas beliscavam-me com carinho o bumbum assim como faziam
com as bochechas, mas depois que ficou claro que eu era inimigo dos pelos no
corpo, esse aspecto meu tornou-se um tormento e eu fugia dos vestiários para
não virar alvo de zombaria de mau gosto ou, ao contrário, de assédio quando eu
estava sozinho. Na época do encontro com o Ricardo, eu estava aprendendo a
conviver com a idéia de que o meu corpo excitava certos tipos de homens e eu já
vivera situações embaraçosas até com homens mais velhos, alguns dos quais já me
haviam feito propostas abertamente, propostas que eu rejeitara indignado pelo
fato, tão simples e facilmente compreensível, de que o jovem não tem uma
atração natural pelo adulto muito mais velho que ele.
Ricardo pôs as mãos na minhas nádegas, acariciou,
apertou, separou, agarrou-me pela cintura e esfregou-se sofregamente em mim,
murmurando o quanto isso o estava excitando. Eu estava à sua disposição e tão
excitado que ele podia fazer o que quisesse comigo. De repente, ele separou-se
de mim e foi até o armário, remexeu na mochila e voltou com uma camisinha. Colocou-a
e recomeçou a esfregar-se em
mim. Senti que ele estava excitado demais e que tudo poderia
acontecer rápido demais. Ele pediu-me que eu mesmo posicionasse seu pau e,
puxando-me pela cintura com as duas mãos, começou a empurrar muito lentamente. Naquele
momento, percebi que ele tinha alguma experiência. Senti várias vezes a glande
avançando e ampliando a entrada, até poder passar completamente. Levei a mão à
barriga dele quando seu pau começou a deslizar para dentro, mas a preparação
fora tão perfeita, que não senti dor. Logo a cócega agradável dos pentelhinhos
em contato com a bunda se fazia sentir, e as coxas do Ricardo se chocaram
contras as minhas. Cada vez que ele entrava e saía, ambos engolíamos gemidos e
isso foi-nos levando ao delírio, mas a casa estava cheia, portanto tínhamos que
nos controlar e sobretudo não fazer barulho com a cama.
"— Está gostando? perguntou ele, gentil, num
vaivém ritmado.
— Se eu soubesse que você era assim desde o início,
teria provocado você no primeiro dia! respondi com a fala entrecortada.
— Estou conseguindo meter até final. Ah, se eu pudesse
gozar dentro!
— Você é que sabe se pode ou não, respondi.
— Bom, só transei com menina de família.
— Ah é? E a menina da sauna?
— Ela não deixa meter, esqueceu?
— Haha! Tá legal, então pode tirar a capa."
Ricardo saiu de mim já expulsando a camisinha e,
cuidadoso, foi jogá-la no banheiro. Quando voltou, ficou surpreso vendo-me
deitado de costas com as pernas para cima e olhando para ele por entre elas.
"— Já comeu franguinho? brinquei, segurando meu
saco para melhor exibir o cu.
— Haha! Isso para mim é "papai e mamãe"!
— Não é não, mas já que você não quer..., respondi, já
baixando as pernas.
— Não, não, eu não disse nada! Além disso, sou aberto
a novas descobertas!"
Deitado de costas, abri bem as pernas, puxei-as quase
até o peito com as mãos e deixei Ricardo adivinhar o resto. Habilidoso, ele se
ajoelhou na cama comigo entre as coxas, espalhou saliva no pau, fez pressão
algumas vezes e penetrou.
"— E ainda diz que nunca provou! lancei, gemendo.
— A minha namorada gostava dessa posição no anal."
Sem a camisinha, cada detalhe do relevo do seu pau,
principalmente a borda da glande a cada passagem para dentro ou para fora me
enlouquecia de tesão. Tive a impressão de ser capaz de ter um orgasmo anal,
tamanho era o prazer causado pela fricção. Quase cara a cara, nós gemíamos de
prazer. Eu sentia que Ricardo não queria trocar carícias, mas senti-lo
comendo-me assim, de tão perto, foi inédito da parte de um hétero. Quando ele
se sentiu mais acostumado, segurou-me pelos tornozelos e socou tão forte e tão
bem que meu próprio pau liberou um espesso fio de esperma sem que eu o tocasse.
"— Ahn...!
— Que foi? perguntou ele, intrigado.
— Sei lá, parece gozo, mas não estou gozando. Continua,
vai..."
Sem sair de mim, Ricardo olhou para a minha barriga e
arregalou os olhos vendo a poça leitosa formando-se sob a minha glande. Meu pau
estava mesmo liberando esperma. Ejaculei sem espasmos, num orgasmo sutilmente
prazeroso. Hoje sei que isso acontece pelo estímulo direto da próstata e
procuro frequentemente por esse tipo de sensação. O líquido encheu meu umbigo e
ia descendo por um lado, mas Ricardo o impediu com a mão.
"— Ahá! Teve coragem de tocar! brinquei.
— Só pra não sujar a colcha, retrucou ele, sorrindo.
— Chegou pertinho "dele", continuei,
provocativo.
— É, mas não toquei, defendeu-se ele.
— Não vejo nada de mais, falei, fazendo com cara de
anjo."
Parando um pouco dentro de mim e ficando ajoelhado na
cama, Ricardo olhou durante alguns segundos para a minha barriga e, tomando
coragem, pegou meu membro e começou a masturbar-me. Descansei minhas coxas nas
dele, pus os braços atrás da cabeça e fiquei assistindo, sentindo-o pulsar
dentro de mim. O orgasmo "tradicional" veio em poucos minutos,
intenso, disparando ainda três ou quatro jatos que Ricardo direcionou para o
meu corpo, atingindo barriga, peito... e rosto!
"— Caraca! Você goza pra cacete!
— Não é porque dou a bunda que meu pau não funciona,
respondi!"
Excitado pelo meus orgasmo, Ricardo virou-me de
bruços, esfregou-se em mim, depois penetrou-me novamente e engrenou num vaivém
que parecia não precisar ter fim. Eu estava achatado na cama, sentindo o seu
peso e meu pau duro pulsar espremido entre o lençol e a barriga. Ricardo
acelerou, seu pau atingiu as dimensões máximas e o orgasmo foi desencadeado. Senti
os jatos quentes dispararem dentro de mim e enquanto ele me puxava para si com
toda a força e empreendia curtos movimentos ao sabor dos espasmos.
"— Não pá-á-ra! Soca com força! eu implorava,
baixinho.
— Se desse pra fazer filho, você já estaria grávido!
brincou ele, socando o mais forte que lhe era possível num fim de orgasmo."
O que eu senti é indescritível, mas vou defini-lo como
um tsunami de prazer que se expandiu até causar um tipo de arrepio dos pés à
cabeça seguido de uma moleza que me impediu de sair da cama. Adormeci e a única
coisa de que me lembro foi ter despertado brevemente no meio da noite para
permitir que o Ricardo me puxasse para junto de si para penetrar-me de lado,
muito suavemente. Devo ter tornado a pegar no sono com ele dentro de mim.
No dia seguinte, acordei com a voz do Serginho
chamando-me de fora do quarto para irmos embora. Ricardo acordou e ficou sentado
na cama.
"— E aí, vai ficar até o fim das férias?
perguntei, do banheiro.
— De repente. Agora que estou sozinho de novo, vai dar
pra fazer outras coisas, tipo pescar, mergulhar, surfar... Sei lá.
— Isso. Esquece essa menina. Ela devia ter motivos pra
fazer o que fez. Nem sempre dá para entender tudo.
— Eu sei, mas é f... Vai levar um tempo até eu digerir
isso tudo.
— Bom, vou nessa, mas queria te dizer que gostei de te
conhecer e espero que você goste de se lembrar de mim. Tem hétero que prefere
tirar essas coisas da cabeça, dizer que foi "acidente" de percurso.
— Claro que vou gostar, cara! E se você vier para cá
de novo, pode vir direto para o meu quarto e não vai ser de penetra!
— Beleza! Não precisa convidar duas vezes! Agora vou
nessa.
— Valeu, cara. Boa viagem!"
Nos despedimos com um abraço de amigos e, quando ia me
virando, senti um tapa na bunda. Olhei e topei com o Ricardo olhando para baixo.
— "Tem "alguém" aqui que vai sentir
muita saudade! soltou ele com olhar malicioso.
— Espero! respondi, piscando o olho e desaparecendo
porta afora."
Nunca mais vi o Ricardo, mas por algum tempo ainda,
quando eu transava com alguém muito simpático, lembrava-me dele e tinha certeza
de que se algum dia nos encontrássemos, daríamos um jeito de relembrar aquela
noite de férias em que fui "penetra penetrado" para levantar o moral
dele.

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