Há algum tempo, encontrei o Hugo, um ex-vizinho com
quem eu me entendia muito bem no condomínio onde moramos até pouco depois da
adolescência. Hoje casado como
eu, ele me convidou para falar da vida, num dia em que ele estivesse sozinho. Dias
depois, sentados na sala da casa dele, tomando um Martini e conversando,
acabamos nos lembrando de um episódio que aconteceu no prédio, nas férias
de verão de 19..., cujo desfecho fiquei sem saber.
— Que história foi aquela, afinal, Hugo? Nunca cheguei
a entender, perguntei, sinceramente interessado.
— Pois eu me lembro muito bem e você vai cair para
trás quando ficar sabendo de tudo.
— Só me lembro de ter ficado intrigadíssimo, na época.
— Você se lembra da chegada do Zeca, o filho do
"Jorge porteiro", no condomínio? Um dia ele apareceu para ajudar o
pai com a faxina e em menos de 20 dias foi despedido pelo síndico e expulso do
prédio pelo pai a cascudos e tabefes calçada abaixo.
— Aquilo foi estranhíssimo. Ele comeu o Luizinho e
descobriram, não foi isso?
— Mais ou menos. Vou contar tudo o que sei e depois a
gente compara.
E Hugo começou a contar a história que ele dizia
conhecer integralmente. Agora que também a conheço, posso contá-la com minhas
próprias palavras, completá-la com minhas lembranças e até imaginar diálogos
provavelmente ocorridos em algumas situações. Antes porém, quero advertir meu
caro leitor de que este não é um conto como os outros, pois revela um aspecto
extremamente humano e por isso não pode ser exclusivamente pornográfico.
Naquele condomínio composto de dois enormes blocos
horizontais que ondulavam entre pátios, jardins e piscina, éramos um bando de
meninos e meninas com idades de dez a vinte e poucos anos. Vou estabelecer que
o subgrupo que Hugo, Luizinho, Gabriel, Rafael, Conrado, Kleber, eu e
mais uns cinco integrávamos se situava na casa dos dezoito, mas o leitor
perspicaz saberá aplicar as devidas nuances e definir em cada caso a margem que
poderá conceder à sua fantasia. Éramos muito jovens, saudáveis, alguns muito
bonitos, a maioria tinha corpos que hoje qualifico de exuberantes e tínhamos
todos aquela maravilhosa indefinição sexual que às vezes ultrapassa a
adolescência, entra conosco vida adulta afora e — mal julgada e mal aceita — causa-nos
por vezes tanto sofrimento. Alguns de nós, como M. (a inicial é real) e talvez
eu mesmo, éramos de uma ambigüidade que beirava a androginia e isso nos tornava
mais propensos ao sexo equívoco, que nos fazia ir em busca do prazer em todas
as gamas e sabores.
Luizinho, como já tive oportunidade de dizer em outras
narrativas protagonizadas por ele, era dono de um corpo excepcionalmente bem
feito, mas era o seu temperamento de "porra louca" (não vejo
expressão mais adequada, embora a deteste) que o tornava um particular objeto
de desejo. Ele simplesmente não se incomodava de nos conceder certos favores
que outros meninos e meninas só concediam – quando era o caso – ao preço de
meses de sedução ou de inconfessáveis humilhações. Como toda turma que coexiste
num espaço fechado, a nossa formava uma "república hormonal" onde as
transações para obter um pouco de alívio eram exigentíssimas, quando não
impraticávies. Luizinho era o alvo daqueles que precisavam do "sexo
mudo", com o mínimo de perguntas e o máximo de ação libidinosa. Ele
mostrava sua bunda perfeita, autorizava-nos a passar a mão nela, deixava-se
agarrar por trás durante os jogos, não negava sentar-se no colo, empunhar
membros e até masturbar algum mais afoito por vezes até o orgasmo. E quando no
quarto de algum de nós houvesse alguma coisa que despertasse a sua curiosidade
ou cobiça, não era difícil convencê-lo a conceder-nos favores mais amplos como
o de permitir que provássemos por alguns segundos o tesão incrível gerado pelo
contato direto dos nossos membros duros contra sulco incrivelmente sensual da
sua bunda carnuda e empinada que, por falta total de referencial verdadeiro,
considerávamos gostosa como a das mulheres da Playboy.
Luizinho se "apaixonava" ora por um ora por
outro de nós. Na verdade não se tratava de paixão, mas de empolgação,
entusiasmo. Seu temperamento o levava à emulação desinibida; ele literalmente
"grudava" no seu ídolo da hora e o imitava em tudo, fosse praticando
o mesmo esporte e comendo os mesmos cereais de manhã, fosse imitando o seu
jeito de falar e sua linguagem corporal. Quando o Zeca, filho do seu
Jorge-porteiro, chegou ao condomínio, a sorte estava lançada: Luizinho vidrou. O
menino de cabelo black power (ninguém ainda tivera a idéia brilhante
de ser careca aos 18 anos, adotada há alguns anos) que apareceu por lá vestindo
uma jeans rota e camiseta branca sem manga, encardida e cheia de furos podia
ser "de causar pena", mas hoje em dia, eu seria capaz de apostar que
o seu rosto bonito, os braços bem talhados, terminados por duas mãos fortes, o
peito largo, a barriga plana e dura e as coxas musculosas não passaram despercebidas
de ninguém no prédio e chamaram muito mais atenção que o estado da sua roupa.
Ficamos conhecendo o Zeca no mesmo dia, durante os
intervalos do seu trabalho. Logo vimos que ele era sexualmente bem mais
experiente que nós, filhinhos-de-papai que namorávamos ou ficávamos com meninas
de família e nos aliviávamos sozinhos no quarto ou no banho. Ele tinha coisas
para contar e nós o esperávamos passar por onde estivéssemos para fazê-lo
falar. Ele não só tinha "comido mulher", como não se acanhava de
dizer que tinha traçado muitos viadinhos que cruzaram o seu caminho. Quando nós
o forçávamos a dar detalhes, ele contava um caso e nós nos transportávamos para
o seu bairro pobre, onde a promiscuidade era fácil e — ao contrário do que
ocorria no nosso — todos chegavam rapidamente à plenitude sexual. Luizinho
ouvia em silêncio, de olhos cravados em Zeca, tomando suas posturas e gestos,
embevecido com seu novo ídolo. Hoje me lembro que eu percebia essa sua atenção
exacerbada.
Zeca explicava que tinha dado início à sua atividade
sexual comendo os viadinhos e meninas fáceis do seu bairro, no mato, em casas
abandonadas e às vezes na casa da pessoa quando não tinha ninguém. Sua
estratégia consistia em 1: descobrir quem "dava"; 2: tentar a
comunicação através de um conhecido comum dele ou dela; 3: marcar a hora e o
local do encontro e 4: créu! Para nós, a facilidade crua desses encontros era
quase inimaginável. Como é que o Zeca conseguia, em dois ou três dias, se
aproximar de um desconhecido e comê-lo? Às vezes tudo era tramado indiretamente
e eles se aproximavam pela primeira vez na vida na hora H! Enquanto Zeca ia
narrando os detalhes das suas aventuras, meu sexo pulsava violentamente e me
lembro de ter precisado ocultar algumas ereções quando estava de sunga ou short
de banho. Eu me sentava com os braços sobre as coxas para que os outros não
notassem.
Num dia de piscina, o grupo que cercava o Zeca para
ouvi-lo entrou numa tal sintonia, numa tal intimidade, que nos sentimos à
vontade para pedir que ele mostrasse o que nos deixava tão curiosos. Precisávamos
comparar nossas ferramentas "de vitrine" com a dele, já bem
manuseada. Ele concordou e fomos todos para a escada de serviço de um dos
prédios. Chegando lá, cada um de nós baixou o elástico da sunga enquanto Zeca
abria calmamente o botão da calça, descia o zíper e puxava o elástico da cueca
para exibir um longo e volumoso corpo roliço, de cabeça arroxeada e tronco um
pouco mais escuro que o resto da sua pele, e quase mole. Era grande, bem maior
e mais grosso que os nossos. Era um pau de negro e Zeca se orgulhava muito
dele, olhando-o todo prosa sem tocá-lo. Com o devido recuo, assumo que desejei
pegá-lo ali mesmo e avaliar na mão suas dimensões. Outros além de mim queriam
vê-lo duro, e isso começou a gerar uma certa tensão e mal-estar. Mas o clima
logo se descontraiu porque alguns caíram na pele do Luizinho ao descobri-lo
literalmente hipnotizado pelo sexo do Zeca, e sem manifestar o menor
acanhamento, já que não via na zombaria a menor conotação "viado",
que de fato não existia. Como eu disse antes, nós nos "aliviávamos"
nele, mas o respeitávamos como integrante da turma e como um amigo que tinha
uma incrível personalidade que lhe permitia fazer o que lhe desse na telha sem
ter medo do julgamento alheio. Naquele dia, eu sei que ele olhou para o Zeca
como nós todos olhamos, com uma curiosidade palpitante pela coisa espantosa que
víamos pela primeira vez fora das páginas de uma revista pornô ou da tela de um
computador.
Uma das coisas que eu não sabia, mas meu amigo Hugo
sim — ele soube pelo próprio Zeca — foi que, naquele mesmo dia, pouco depois
que o grupo se dissipou, o Luizinho foi procurá-lo para pedir que ele
"mostrasse de novo". Zeca afirmou ter negado inicialmente, mas
acabado por concordar (posso confirmar que o Luizinho era muito insistente) e,
desta vez no banheirinho de serviço, deixado Luizinho olhar e até examinar de
bem perto. Segundo ele, Luizinho quis pegar, ele negou, mas acabou não
resistindo à nova insistência e – ele admitiu – sentiu-se excitado. Ele cedeu,
mas, percebendo que a brincadeira estava causando um impacto anormalmente forte
no Luizinho, mandou-o parar e sair do banheiro. Ninguém sabe se isso é verdade,
se eles realmente pararam por ali. O que todos pudemos constatar é que a
empolgação do nosso amigo por ele só fez crescer; ele só tinha palavras para
falar da força do Zeca, dos músculos do Zeca, das histórias do Zeca.
Conrado era outro que ficava muito impressionado com
as histórias do Zeca, fazendo perguntas e querendo saber de tudo, mostrando muita
empolgação e chegando a despertar estranheza nos mais observadores do grupo. Certa
vez, ele conseguir fazer com que o Zeca nos contasse a sua mais recente
aventura, que vale a pena relembrar.
Conforme a rotina, o Zeca ficara sabendo que uma tal
de Amandinha "dava" e procurou saber quem a conhecia. Ele logo
descobriu que o seu amigo Fernando tinha ficado com a prima da menina e assim,
de contato em contato, ficou sabendo que a tal Amandinha já sabia quem ele,
Zeca, era, e até da sua fama de garanhão. Ele tomou conhecimento da
"acessibilidade" da Amanda numa quinta-feira e no sábado já se
encontraram na casa da avó dela, enquanto a inocente senhora estava na feira
entregue a frutas e legumes.
Mal podendo acreditar, Conrado quis saber o que o Zeca
disse à menina para criar o clima. "Nada, ué! Dizer o quê?", foi a
resposta. Zeca disse que tocou a campainha e uma "morena" (como ele)
que ele nunca tinha visto na vida surgiu por trás das grades da janelinha da
porta, reconheceu-o imediatamente, abriu a porta e o atendeu de rosto
iluminado, um sorriso para lá de malicioso, shortinho de lycra vermelho e top
preto. De fato, o que dizer diante disso? Ela o deixou entrar e perguntou se
ele estava com fome, já dando as costas e indo para a cozinha, rebolando provocantemente.
Zeca foi atrás, olhando para a cinturinha, para a bunda gostosa, profundamente
sulcada pela lycra apertada e para as dobrinhas das duas maravilhosas coxas
alternando-se a cada passo. Ela ofereceu uma empadinha e guaraná, que ele
aceitou. Depois foram para o sofá da sala e, sempre sorrindo, ela chegou bem
perto dele, disse que eles tinham uma hora inteirinha para
"aproveitar" e procurou sua boca para lascar-lhe um beijo molhado
enquanto sua mão ia direto ao lugar certo, ainda por fora da bermuda. Ele
retribuiu o beijo introduzindo-lhe a língua bem fundo. Excitada, Amanda passou
uma perna por cima da dele e puxou sua mão para fazê-lo sentir a fenda úmida e
quente entre os lábios carnudos espremidos na lycra. Gemendo e sem parar de
beijá-lo, Amanda começou a se livrar do top, depois puxou Zeca até os seios. Ele
viu num relance as marcas triangulares de bikini e mergulhou de boca aberta nos
bicos escuros que despontavam já bem eretos no centro, chupando e mordiscando
enquanto tentava atabalhoadamente livrar-se da própria roupa.
Assim que o pau pulou para fora da cueca e foi
colar-se à barriga dele, Amanda precipitou-se entre as coxas do Zeca e,
ajoelhada no chão, procurou o monstro pulsante que dançava de um lado para o
outro, abocanhou a cabeça e soltou um gritinho de entusiasmo, como o atleta que
toca no troféu pouco antes do jogo. Afinal, de seu ponto de vista, era ela que
tinha atraído Zeca; ela o merecia! Amanda começou a chupar com força e
massagear o saco vigorosamente ao ponto de forçar o Zeca a empurrá-la para
fazê-la ir com menos sede ao pote, tentando evitar uma foda nervosa. Mas foi
inútil; a avidez da Amanda era tamanha que ela o fez gozar em poucos minutos
enchendo a boca para em seguida, brincando de gargarejar, engolir tudo olhando
Zeca direto nos olhos com um sorrisinho mais que safado.
Ainda me lembro nós, imóveis e mudos, ouvindo o relato
com tanta atenção que tínhamos a impressão de ser espectadores-fantasmas do
episódio vivido pelo Zeca naquela sala de casa popular. Ainda vejo o Conrado
lívido, de boca aberta, provavelmente estarrecido, como todos nós, diante da
possibilidade que alguns têm de viver precocemente aventuras como aquela.
Zeca mandou que Amanda tirasse o shortinho bem devagar
enquanto ele, quase deitado no assento do sofá e completamente nu, acariciava
lentamente o sexo, esperando-o recuperar-se do orgasmo. Ela se levantou, ficou
a um metro dele, foi baixando sensualmente o shortinho vermelho, exibindo o
cofrinho, depois um pouco mais e mais, até liberar dois maravilhosos gomos cor
de chocolate e deixando o short parado logo abaixo das polpinhas. Zeca
descreveu Amanda como uma menina de 1,60m de lábios e curvas voluptuosas, a
curvatura das costas peculiar às mulatas, o que lhe empinava a bunda composta
de dois gomos firmes e sem sinal de estria, nem grandes nem pequenos, mas
suficientemente volumosos para permitir que o pau se encaixasse completamente
entre eles. Amanda os separou com as mãos e, curvando-se para frente até ser
capaz de ver Zeca por entre sa pernas, puxou o fio da calcinha para o lado e
deixou-o ver a buceta e o cu.
Sentindo seu pau voltar a latejar, Zeca tentou
atraí-la com ele, mas Amanda caminhou rebolando até a mesa quadrada, tirou a
toalha e a fruteira de cerâmica e debruçou-se, abrindo as pernas e apoiando a
cabeça nos braços, suspirando. Zeca levantou-se, aproximou-se da mesa e,
empunhando o pau, contemplou o corpo gostoso, os lábios fechados da buceta recém-depilada,
o orifício raiado do cuzinho e ouviu-a chamar por ele: "Ai, Zeca, mete que
eu estou doidinha..." Ele colou-se a ela, chupou o polegar para molhá-lo,
espalmou a mão em suas costas e procurou o buraquinho com o dedo ensalivado,
massageando-o por fora. Sem surpreender-se, ela empinou-se toda e gemeu quando
o dedo começou a alargar o anelzinho para mergulhar no cu ainda bem fechado. Zeca
afundou o dedo, depois empunhou o membro já bem duro. Quando ia encostando a
cabeça na fenda, Amanda reagiu prontamente, olhando para trás e pegando nele
para levá-lo mais acima.
"— Aí não, gato... Quero primeiro no cu!
— Ah, é? fez ele.
— É, ué! Você não é o "arrombador" do
bairro? Pelo menos foi o que me disseram...
— Deve ter sido a piranha da Suélem! Foi ela que te
falou de mim?
— Foi, mas não vai falar pra ela que eu te contei!
— Fica fria, mas só se deixar eu meter na xana antes.
— Pô, Zeca! Tá legal, mas vou querer no cu. Dá só uma
metida na buceta e tira.
— Beleza, então."
Zeca voltou a apontar o pau para a entrada da rachinha
molhada e brilhante, pincelou os lábios para afastá-los e deixou seu pau
mergulhar até o saco na buceta da menina. Amanda deu um pulo e gemeu forte,
agarrando as bordas da mesa. Embora acostumada, quase vinte centímetros não é
bem o que se vê todo dia! Zeca ia começando voltar a entrar, mas...
"— Agora tira! Mete no meu cu.
— Calma, gata...
— Não fode, pô! Vai gozar de novo e me deixar na
vontade!
— Vou não, gata, sou resistente, respondeu Zeca sem se
alterar.
— Ah, é? Então não tem mais! disparou ela, fazendo-o
sair dela.
— Pô, não faz isso comigo gata! reagiu ele, olhando
para o colosso pulsante.
— Então mete no cu!
— Tá legal, tá legal, eu meto..."
Amanda se preparou para ser penetrada mantendo as
pernas abertas e juntando um pouco os joelhos para abrir as nádegas e franquear
ao máximo o acesso a Zeca, que direcionou seu pau com a mão e começou a
empurrar. Assim que sentiu a pressão da glande, Amanda gemeu, se derretendo
toda e xingando-o meigamente: "Isso, seu puto... Mete gostoso! É aí mesmo
que eu quero!" Zeca disse que a ouviu engolir em seco várias vezes e
crispar as mãos, mas não falou em
dor. Só quando a glande se encaixou, apertadíssima, ela
exclamou "Porra!" e empinou excepcionalmente a bunda, como se
procurasse um ângulo de penetração mais confortável. Assim que cabeça passou
toda, Amanda agarrou Zeca por trás das coxas e o puxou para si, fazendo-o
entrar nela todo de uma vez. Ele a trabalhou gostoso, socando com firmeza e
provocando estalos ao bater com as coxas nas dela, depois trazendo suas
maõs para trás e deixando-a imobilizada e indefesa bater com os peitinhos no
altar do sacrifício. "Mete gostoso no meu cu!" ordenou ela, agitada,
desafiando-o para que ele lhe desse o seu melhor desempenho. Zeca julgou que
ela quisesse ser arrombada pelo "pauzão" do bairro para competir com
as amigas mais velhas. Havia entre elas uma competição do gênero "quem
aguenta o maior". E foi ela que decidiu que iam gozar juntos, desferindo
golpes de bunda contra ele enquanto introduzia dois dedos na buceta e esfregava
furiosamente o clitóris até começar a sentir as pernas bambas e ser vencida
pelo orgasmo que a fez desabar na mesa enquanto Zeca esguichava dentro dela
pela segunda vez em menos de meia hora. Ele permaneceu sobre ela por alguns segundos,
depois foi até o banheiro se limpar. Ela ficou na sala esperando por ele nua.
Ele voltou, se vestiu e se despediu dela com um beijo molhado na boca enquanto
passava a mão na bucetinha ainda bem úmida para em seguida enfiar-lhe dois
dedos na boca e fazê-la saber quem manda.
Foi preciso que o Zeca quase gritasse um
"Acabou!" para nos tirar do transe em que estávamos mergulhados. Me
lembro de ter ficado impressionadíssimo e me masturbado durante alguns dias
pensando no relato. No banho, eu imaginava a tal Amanda me oferecendo seu
corpinho gostoso, querendo chupar meu pau, me dando o cu... Eu também tentava
imaginar o Zeca em ação, seu corpo, sua bunda, seu pau duro entrando e saindo,
como deveria ser chupá-lo, seu saco... Luizinho sorria de satisfação e olhava
para nós, mostrando que nada era mais natural do que esperar aquele desempenho
do seu novo herói. Quando Conrado "acordou", com a mão no bolso, num
visível combate a uma incontrolável ereção e — como saber? — a eventual
ejaculação, só faltou ficar de joelhos e implorar que o Zeca lhe apresentasse a
Amanda. Seu comportamento me pareceu estranho, exagerado ou um tanto forçado,
mas como o relato tinha nos deixado a todos com tesão, consideramos sua reação
aceitável. Zeca sorriu todo prosa, arreganhando os dentes brancos para
responder "sem chance, Mané!" ao Conrado, que ficou todo vermelho e
sem jeito.
PARTE II
Os dias de verão iam se sucedendo, cada um de nós
tinha sua vida, seus esportes, seus amigos, mas nos víamos diariamente no
prédio, fosse na piscina, de manhã, ou nos jardins, à noitinha. O Zeca ajudava
o pai na faxina e ia se entendendo muito bem com todo mundo no prédio. Os
moradores lhe pediam para fazer pequenos serviços, como ir comprar cigarro no
bar da esquina, pão na padaria ou trazer compras do supermercado no dia
seguinte, quando chegasse para trabalhar. Às vezes uma mãe pedia até que ele
ficasse "de olho" num dos seus filhos menores, que ficaria no prédio
enquanto ela dava uma saidinha para fazer compras. Em suma, confiavam no Zeca,
que começou a se tornar "de casa".
Um belo dia, uns 20 depois daquele em que ele chegou
radiante, na sua jeans rota e camiseta furada, eu estava na piscina com outros
quando se ouviu uma gritaria entre uma mulher e alguém. Fomos todos ver o que
estava acontecendo e encontramos a mãe do Luizinho exigindo aos berros que o
síndico expulsasse sumariamente o Zeca. Minutos depois, o seu Jorge botava o
filho para fora a cascudos e safanões, dizendo que "conversariam" em casa. Ficamos todos
curiosos para saber o que tinha acontecido de tão grave, mas não conseguimos
arrancar a menor informação de ninguém, muito menos do seu Jorge, que reduziu
ao mínimo a sua comunicação conosco. O síndico não tinha filhos jovens,
portanto não tínhamos informantes sobre o que ele comentava com a esposa, em casa. Tudo que os mais
espertos dentre nós pudemos inferir, na época, foi que, como o Luizinho — fã
maior do Zeca — fora posto no carro e levado pelos pais logo depois do
escândalo que a mãe aprontou, ele estava muito provavelmente envolvido na
história. Começamos a indagar se o Zeca não teria se aproveitado desse
entusiasmo do seu fã por ele. Isso nos levou naturalmente a um período em que
as conversas giravam em torno da permissividade sexual do Luizinho e sobre o
que alguns de nós e ele fazíamos ou fizéramos alguma vez (quero evitar a forma
"fazíamos com ele" porque tudo com o Luizinho era consentido).
Queríamos tentar descobrir alguma coisa. Hugo chegou a levantar informações
precisas sobre alguns vizinhos. O resultado a que ele chegou foi que, por mais
longe que algum de nós pudesse ter ido, nunca houve penetração e muito menos
violência. A opinião de que tudo com Luizinho era consentido foi de consenso
absoluto. E de fato, eu me lembro que alguns de nós cobravam favores sexuais
como parte de brincadeiras em que o vencido paga castigos ao vencedor, mas me
lembro melhor ainda que, na maioria das vezes, o que acontecia era que o
Luizinho desejava coisas nossas, objetos (material esportivo, CDs e
eventualmente até roupas), e que às vezes os trocávamos por seus favores. Vou
enumerar muito brevemente alguns dos casos que o Hugo me disse terem vindo à
tona na época. Começo pelo próprio Hugo.
1) Hugo
Hugo nadava, portanto tinha várias sungas e óculos de
natação. O Luizinho era louco pelos óculos e vivia insinuando seu desejo. Um
dia em que eles estavam sozinhos na piscina, ele desafiou Luizinho a tentar ir
tomá-los dele dentro d'água. Os dois começaram a se atracar, mas como Luizinho
não conseguisse tomar-lhe os óculos, Hugo teve a idéia de "cobrar"
por eles. Feita a proposta, Luizinho não pensou duas vezes e meteu a mão por
fora da sunga dele, manipulando seu sexo, como ele já tinha feito outras vezes
e em tantos de nós. Mas Hugo não se contentou e baixou a sunga. Com a mente
fixa em seu objeto de cobiça, Luizinho masturbou Hugo até o gozo e levou os
óculos. Hugo garante que ele extraía prazer tanto dos desafios quanto da
situação sexual em si.
2) Rafael
Quando Rafael vencia Luizinho no videogame cobrava sob
forma de serviços sexuais. Ele tinha que sentar no seu colo (de roupa) e ficar
se esfregando até que o Rafael, agarrando-o pela cintura, gozasse até o fim. Ou
tinha que manipular seu pênis, ainda que por fora da calça. Ou deixá-lo passar
a mão na sua bunda, às vezes de calça arriada. Rafael sempre insistiu em dizer
que Luizinho gostava disso e nunca pedia para ser poupado ou para que a
brincadeira fosse interrompida.
3) Tiago
Tiago relatou dois contatos sexuais com Luizinho. Uma
vez, ele estava trocando de roupa depois do banho e o próprio Luizinho pediu
para ver seu sexo de perto e segurá-lo. Eles sentaram-se na cama e Luizinho não
só empunhou seu membro, como quis mostrar que sabia masturbar outro sem sujar a
mão. Ele o fez gozar na barriga. Na segunda vez, a iniciativa partiu do Tiago. Foi
muito algum depois, mas ainda sob o efeito da excitação da primeira
experiência. Novamente no quarto, ele pediu ao Luizinho para repetir a
experiência e, quando ele começou, Tiago se sentiu tão excitado que implorou
para que ele baixasse a calça e o deixasse colar-se a ele nu. Luizinho hesitou,
mas acabou deixando, baixando short e cueca, apoiando-se na mesa e deixando-o
esfregar-se nele. Tiago gozou rápido, ansioso porque havia gente em casa e na
própria mão para não sujar a colcha, nem o chão, nem melar o Luizinho, cuja
indiferença chegou a intrigá-lo.
4) Os irmãos "Metralha"
Dois irmãos que estavam no prédio passando férias, que
apelidamos de Metralhinha e Metralhão, se aproveitaram do consentimento fácil
do Luizinho e de um dia chuvoso para encoxá-lo repetidamente. Segundo Luizinho,
houve troca-troca; segundo os irmãos não. Há consenso quanto a terem os três se
masturbado juntos, mas cada um por si.
5) Eu mesmo
Sempre que ele me devia alguma coisa, eu pedia ao
Luizinho para se sentar no meu colo, na minha casa, inicialmente de roupa e
pouco a pouco os dois de cueca. Numa das vezes, eu pedi que ele se debruçasse
na minha cama e fiquei me esfregando nele por trás até o orgasmo, mas sempre de
cueca. Ele chegou a me dizer que gostava da sensação e que já tinha sonhado
comigo fazendo isso com ele. Minha experiência mais "extrema", por
assim dizer, aconteceu uma vez em que o venci no videogame e o
"preço" foi que ele se sentasse no meu colo sem roupa. Ele concordou,
eu gozei, tivemos que proceder a uma limpeza em regra, e isso não abalou em
nada a nossa relação de bons vizinhos e colegas.
6) Kleber
Kleber admitiu ter pedido que o Luizinho estendesse
para que ele gozasse nela após masturbar-se. Luizinho concordou sem hesitar e
ele se masturbou até ejacular. Quando relatou isso ao Hugo, Kleber fez questão
de ressaltar que Luizinho se limpou prontamente e não pareceu nem um pouco
contrariado com a brincadeira.
7) Gabriel
Gabriel deu a Luizinho a trilogia do Matrix — que ele
tanto insistiu para ganhar — em troca de se deitar por cima dele na cama, os
dois nus. Não houve penetração, mas ele gozou no corpo do Luizinho e teve que
ir até a cozinha sem que ninguém percebesse, pegar toalhas de papel e voltar,
enquanto o Luizinho esperava imóvel, deitado de bruços na cama. Ele declarou
que Luizinho lhe pediu que o masturbasse e que tendo negado o pedido, não
percebeu qualquer frustração ou zanga da parte dele. Ele se lembrou ainda que
os dois ficaram juntos em sua casa por um bom tempo, jogando pingue-pongue
contra a parede.
8) Robson
Robson foi quem chegou mais perto da penetração. Luizinho
lhe devia dinheiro desde certa vez em que nós todos saímos juntos para ir ao
cinema e lanchar. Em troca da dispensa de pagar, ele marcou um encontro de
madrugada num banheiro de serviço e tentou realmente penetrar Luizinho após ter
sido autorizado a enfiar-lhe um dedo. A penetração fracassou por excesso de
nervosismo e um orgasmo intempestivo. Robson suplicou por uma nova tentativa,
mas Luizinho havia-se desinteressado e foi embora levantando as calças, sem
revelar o menor sinal de zanga.
9) Outros
Hugo também levantou dados sobre vizinhos menos
próximos do nosso grupo. Todos admitiram ter "passado a mão"
repetidamente em Luizinho e ter-lhe pedido que os tocasse por fora da roupa. A
maioria admitiu que ele também procurava esfregar-se neles e provocar ereções
em "retribuição". Alguns admitiram ter-lhe pedido que enfiasse a mão
em seus bolsos quando lhs vinha uma ereção. Um pequeno número admitiu ter-se
esfregado nele de calças arriadas. Dois admitiram ter-lhe pedido que
abrisse-lhes as calças, pegasse em seus membros dentro da cueca e os
masturbase. Um só admitiu ter-lhe pedido regularmente que baixasse a sunga na
piscina e o deixasse esfregar-se nele.
Todas essas informações levaram Hugo a concluir que
Luizinho tinha uma "vida sexual" mais ou menos discreta com vários
vizinhos e que não seria de espantar que ele tivesse se envolvido sexualmente
com o Zeca, seu "ídolo", que acabou pagando caro demais por não ser
morador. O caso parecia não ir mais além e, durante algumas semanas, não se
falou mais no assunto.
Lembro-me de um dia em que, querendo juntar o grupo
para uma caminhada, nos demos conta de que o Conrado não estava no prédio há
semanas e não comentara com ninguém que previa ausentar-se de casa por qualquer
razão. Como ninguém tivesse notícias dele, dois de nós resolveram ir à sua casa
para pedir notícias. O Hugo foi um deles e me disse que foram atendidos com a
maior frieza pela mãe do Conrado, habitualmente simpática, que se limitou a
dizer que ele não voltaria tão cedo e tornou a fechar a porta. Não demos maior
importância ao fato e fizemos nossa caminhada. Entretanto, voltamos do passeio,
as semanas se passaram, as férias iam terminar, e nada do Conrado! Zeca foi
expulso, Luizinho afastado, Conrado sumiu... Haveria ligação entre esses eventos?
Não sabíamos, mas chegamos até esse ponto e paramos de pensar no assunto. As
férias, como todas as férias, chegaram ao fim, Luizinho voltou em março já com
as aulas começadas e Conrado só voltou em julho, mas muito mudado, mais sério,
mais maduro, com os traços fisionômicos mais marcados. Quase não o víamos. Ele
ainda passou uns meses no prédio, mas a família acabou mudando-se e durante
anos ficamos sem notícias dele. Foi através do Hugo que eu finalmente soube o
que aconteceu naquelas férias de verão de 19...
Quando Zeca chegou ao prédio e Luizinho se empolgou
tanto por ele, Conrado começou a agir estranhamente, antecipando-se ao
interesse de Luizinho e interrompendo Zeca sem cessar. Para nós, aquele exagero
indicava apenas que Conrado estava fortemente impressionado pela precocidade do
Zeca. Ninguém inferiu vínculo algum dos comportamentos de Luizinho e Conrado. Mas
esse vínculo existia. Agora sei que no momento em que Zeca chegou ao
prédio, Conrado estava se apaixonando por Luizinho e vê-lo empolgado por Zeca
era um golpe duro. Ele não sabia o que fazer para chamar a atenção de Luizinho
durante as narrativas eróticas do Zeca, daí tanta ansiedade para saber de tudo,
até mesmo fingir querer conhecer as personagens das aventuras do Zeca. Luizinho,
por sua vez, estava tentando assimilar o amor do Conrado. Ele era mais jovem,
nunca estivera apaixonado e, para piorar as coisas, via em Conrado um ideal
inatingível. Além de muito bonito, Conrado era culto, viajava regularmente para
o exterior com os pais e era "segunda classe" em tênis, isto é,
semiprofissional. Havia nele uma serenidade e uma segurança que apavoravam
Luizinho porque lhe transmitiam uma idéia de coisa séria, de compromisso. Além
disso, ele já lhe dissera as palavras mágicas, dissera "eu te amo" e
o beijara. Isso só podia apavorar mais o Luizinho, que não estava preparado
para ser o objeto de um grande amor.
Então, o que aconteceu e que eu só viria a saber
através do Hugo foi que, na véspera do incidente que levou à expulsão sumária
do Zeca, Clemente esteve na casa do Luizinho na ausência dele e, lívido como a
morte, disse aos pais dele que amava o filho deles e que já haviam inclusive
feito amor (foi a expressão que ele usou). Os pais de Luizinho reagiram da
maneira mais inesperada, acolhendo o sofrimento do Clemente com todo respeito e
convidando-o a entrar para conversar seriamente. Nessa ocasião, Luizinho
confessou seu medo e disse que não estava preparado para amar. Inconformado,
aos prantos, Clemente disse que seria capaz de "fazer uma besteira",
que não responderia por seus atos. Estava muito nervoso e chegou a tentar
machucar-se com um corta-papéis. O pai do Luizinho o impediu, mas ao tentar
acalmá-lo, Conrado o empurrou e saiu desabalado do apartamento. Logo após o
incidente, a mãe do Luizinho telefonou para a mãe do Conrado e as duas chegaram
a uma solução comum: afastar seus filhos um do outro e do prédio para
preservá-los do escândalo e não só isso, mas de algua tragédia. Mas como fazer
isso sem "dar na vista"?
A mãe do Luizinho sabia do entusiasmo do seu filho
pelo Zeca e isso a deixava profundamente descontente. Se ela manifestasse
abertamente a sua reprovação, alegando que o Zeca era um mau exemplo para os
filhos dos moradores, qualquer mãe teria razão de afastar o filho por uns tempos.
E assim foi feito. No dia seguinte, ela ligou para o síndico, pediu-lhe que
descesse até a portaria e expôs seu descontentamento. Quando o seu
Jorge-porteiro contestou, ela elevou a voz e a encenação desenrolou-se quase
espontaneamente. Fingindo-se irredutível, ela conseguiu convencê-lo, fazendo-o
expulsar o Zeca na sua frente. Como tudo havia sido planejado, Luizinho estava
pronto para entrar no carro e sair minutos depois. Para não dar na vista, a mãe
do Conrado esperou alguns dias e também tirou o filho do prédio, sobretudo para
evitar as más línguas. O "crime" teria sido perfeito se não houvesse
cabeças como as do Hugo, que continuou a investigar por sua conta, estabeleceu
as relações pertinentes entre os fatos e solucionou o caso.
Lembro ao leitor dessa longa narrativa que estávamos
tranquilamente instalados no sofá da casa do Hugo, bebericando e relembrando,
quando ele me narrou em detalhes tudo o que sabia sobre o caso mais
"detetivesco" da história do nosso condomínio.
— Incrível, Hugo! exclamei. Você deve ser o único a
saber da história toda.
— Porque resolvi me interessar e investigar. Eu
gostava do Conrado, mesmo que ele não me contasse tudo. Ele nunca me disse que
considerava o Luizinho bem mais do que o "porra louca" permissivo que
era para nós.
— Acho que ninguém sabia nada sobre a intimidade do
Conrado. Ele era tão reservado, educado, secreto.
— Pois é, mas hoje eu sei que ele mora com um cara que
o ama profundamente, que o entende 100%, com quem ele divide tudo...
Um barulho de chave na porta da sala interrompeu a
conversa. Hugo me olhou sorridente.
— Olha quem chegou mais cedo hoje!
Eu já me virara na direção da porta, mas mal pude
acreditar quando me certifiquei de ter enxergado bem.
— Conrado?!
— Há quanto tempo, hein!
Passamos a noite inteira bebendo, beliscando e
conversando, matando as saudades e contando nossas aventuras depois que saímos
do condomínio que nos preparou para vida.

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