Em meio à intensa atividade de um grande torneio de
tênis, bem poucos são os que dedicam sequer um minuto do seu tempo
a imaginar o que se passa no âmbito do batalhão de "boleiros"
contratados para enviar as bolas aos jogadores, tirá-las de seu caminho em
tempo mínimo e executar uma série de outras tarefas, de maneira coordenada. É inspirada nessa massa de vida jovem e
fervilhante que coexiste enquanto dura o torneio que se desenrola a presente
narrativa.
*************
Filha de brasileiros
radicados na França há vinte anos, Fabiana está exultante: ela acaba de ler a
carta comunicando a sua aprovação no recrutamento de boleiros para o torneio
anual de Roland Garros. Juntamente à carta, o entregador deixou um pacote
contendo um par de tênis e três uniformes. Ela joga tudo numa mochila e voa até
a casa do namorado, na mesma rua.
— Consegui, Kevin! Fui aceita para trabalhar no
torneio!
— Uau! Parabéns! Passou por um triz, hein!
— Mais quinze dias e eu seria recusada por idade. Hoje
é sexta, o treinamento da gente começa amanhã e torneio na segunda-feira.
— Você vai tirar de letra.
— Eu trouxe o uniforme para você ver.
— Hum! Aquele uniforminho é sexy!
Eles vão para o quarto de Kevin e Fabiana lhe pede
para se virar de costas para não estragar a surpresa. Ela se despe e veste uma
a uma as peças do uniforme azul.
— Pode virar!
— Uau! Acho que você vai precisar de guarda-costas!
Fabiana não é grande, mas aos dezessete anos,
trezentos e cinquenta dias, suas formas são voluptuosas. O saiote das boleiras,
neste ano de 2023, é de tecido mole levemente plissado, muito bem combinado à
camiseta clássica do torneio, mas curta a ponto de chamar a atenção do rapaz,
que olha boquiaberto para a porção inferior do corpo da namorada.
— Caramba, Fabiana! Vai dar para ver tudo pela
televisão, quando você se abaixar.
— Também achei, mas ela é tão curta que nem dá para
botar um shortinho por baixo. Mas não vou desistir por causa da roupa, não é? Todas
as meninas vão estar assim, então tudo bem.
— É, já vi que boleira sexy também ajuda a vender
ingresso, elucubra o namorado, um pouco insatisfeito. Por mim, você não ia, mas
não posso fazer nada para impedir.
— Não pode mesmo, Kevin! Relaxa porque não tenho a
menor intenção de fazer nada para te deixar triste, ok?
— Eu sei. Vem cá.
Eles se abraçam e Kevin procura com as mãos a sua
parte preferida, que Fabiana empina para oferecê-la como ele gosta, ficando
ligeiramente na ponta dos pés. Ela não tem muito tempo, mas resta-lhe o
suficiente para um presentinho. Ela lhe pede que sente na mesa e vai
encaixar-se entre suas coxas, já abrindo os botões da bermuda enquanto o beija
profundamente. Muito excitado, ele quer mais e ali mesmo, mas ela nega,
alegando que a menor mancha no uniforme poderia comprometê-la. Ela então o tira
sensualmente e, puxando Kevin pela mão para levá-lo até a cama, vem cravar-se
em seu colo, procurando a boca enquanto sente o sexo pulsar e mover-se dentro
dela. Além de fazer do jeito que ela gosta, Kevin é divertido e sabe
surpreendê-la. Não se trata de uma grande paixão, mas ela tem um imenso carinho
por ele e não pretende ser infiel durante o fim de semana de formação. O que
ele ignora ainda é que desde que o torneio passou a incluir jogos noturnos, há
dois anos, os novos recrutas passam o fim de semana inteiro no complexo
esportivo, inclusive as noites, a começar pela noite da sexta-feira.
— Você tem que ir para lá hoje?
— No máximo até as 7h da noite. Eles querem que a
gente coma e durma bem porque o fim de semana vai ser super carregado.
Kevin se conforma, eles passam mais alguns momentos
juntos e Fabiana vai para casa tomar banho e se preparar. Ela escolhe a dedo
calcinhas novas e sexy, mas não indecentes, nada de string. Chegando em Roland Garros com o
pai, ela é encaminhada sozinha para o centro esportivo onde estão reunidos os
futuros boleiros. As apresentações são feitas, e durante o jantar, eles
assistem a um vídeo que mostra flashes da tradicional formação dos boleiros do
torneio. Às 9h em ponto, todos estão no dormitório e às 9h30 as luzes se
apagam. É hora de sonhar com o que será uma das experiências mais interessantes
das vidas desses meninos e meninas.
Sábado às 8h da manhã, os recrutas estão em fila na
quadra central. Seu chefe é um ex-boleiro que deu a volta ao mundo participando
de torneios. Os novatos se sentem num batalhão, alguns não escondem seu temor
e, de saída, uma menina franzina de maria-chiquinha cai em prantos e é levada
embora pela mãe, que sabiamente resolvera dar uma volta pelas famosas quadras. Fabiana
avalia seus colegas; embora a faixa etária média seja inferior à sua, há
meninas com caras simpáticas e meninos com um jeito legal, alguns também
beirando os dezoito anos como ela. Isso a anima, ela está pronta para o desafio.
O treinamento é duro, ignora as intempéries e, muitas
vezes, os horários das refeições; um jogo pode durar várias horas e todos têm
que estar preparados para isso. Na hora do banho, Fabiana sente seus músculos
relaxarem enquanto a água lava a poeira do saibro. Eles tomam dois banhos, um
ao final do treinamento da manhã, outro ao final da tarde, antes do jantar. São
momentos preciosos e já na manhã de sábado, ela travou conhecimento com algumas
meninas do grupo.
Rachel é uma descendente de árabes não praticantes,
exótica e de corpo exuberante, semelhante à mulher brasileira. Isso a aproxima
de Fabiana e as duas logo se entendem. Quando estão juntas conversando no
chuveiro, as demais não conseguem deixar de olhar para os seus corpos já
formados, a estatura definitiva, as coxas bem torneadas terminando em bundas
consistentes, os seios já mais volumosos e proeminentes. Olhares ariscos
registram os pelos curtos e aparados em triângulo perfeito na convergência das
coxas de Rachel ou o púbis completamente depilado de Fabiana. As novas amigas
percebem isso, sentem-se observadas e admiradas pelas mais jovens ou pelas
menos privilegiadas no aspecto físico.
— Já conversou com algum menino, Rachel? pergunta a
brasileirinha enquanto ensaboa os seios e axilas.
— Estou de olho no Soleil, responde a amiga, vendo a
água esbranquiçada de champú passar entre os seios, encobrir o umbigo e ir
atravessar a densa fronteira castanha de pelinhos rasos.
— Soleil... Soleil... Ah, sei, o menino africano, o
mais alto?
— É. Ele nasceu em Durban, parece. Tenho um fraco
pelos africanos, sabia? Músculos, lábios carnudos...
— Bota carnudo nisso! diz Fabiana, carinhosamente
divertida.
— E isso sem falar do "resto", não é?
— Ah é, isso já me disseram!
— E pode acreditar! Já tive namorados negros.
— Sério? Grande mesmo?
— Já vi "assim", olha!
— Uau! Será que o do Soleil é um desses?
— Tomara! Não quero investir à toa, e só temos o fim
de semana porque durante o torneio não vai dar nem para olhar para os lados. E
você, já conheceu alguém?
— Conversei rapidinho, mas não estou procurando; tenho
namorado.
— E daí? Eu também tenho, mas ele não precisa saber do
que eu faço aqui, não é? Aproveita! Não banca a freirinha que aqui não é
convento.
— Hi! Hi! Hi! Hi!
As meninas continuam conversando em tom bem-humorado,
sempre observadas pelas outras, algumas das quais as tomam como modelos do que
serão em breve. O
grupo das ocidentais típicas se destaca um pouco do grupo "étnico" e,
embora não haja propriamente preconceito, se reúne também em torno de dois
chuveiros. Fabiana se sente dividida. Filha de uma descendente direta de
noruegueses, mesmo tendo a tez morena clara e alguns traços latinos aparentes,
herdados do pai, ela se sente próxima das meninas louras de olhos azuis e pele
cor de neve que ela vê do outro lado do grande banheiro retangular de ladrilhos
cor de saibro, agitando-se com seus corpos mais delgados, seios pequenos e
bundas bonitas, mais largas do que salientes. Ela se pergunta porque os grupos
se subdividem tão rápido e segundo as aparências mais do que segundo as
afinidades.
O treinamento é exaustivo, mas eficiente. Ao fim da manhã,
todos já conhecem o posicionamento em quadra e as técnicas de lançamento e
entrega das bolas. Houve outra desistência, mas os recrutas são numerosos,
cerca de cinquenta, e o entusiasmo geral reina. Fabiana troca mensagens rápidas
pelo celular com a mãe e a irmã mais nova, que ela adora.
Philippe e Max, que já se conheciam e se candidataram
juntos, tentaram uma primeira aventura já na sexta à noite, no dormitório. Eles
avaliaram a possibilidade de usar a cama de um ou de outro, mas isso lhes
pareceu temerário e o preço a pagar alto demais, caso fossem descobertos. Enquanto
os jogos entre eles não passaram de beijos e carícias, não foi difícil
disfarçar com um bye-bye quando algum dos outros os via deitados juntos, mas ir
além seria expor-se a um perigo desnecessário. Sendo assim, eles combinaram de
tentar alguma coisa no dia seguinte e trocaram o imediatismo arriscado por uma
noite de sonhos eróticos. Na hora do primeiro banho, antes do almoço de
sábado, os dois amigos ocupam o mesmo chuveiro.
— Ah, se eu pudesse! sussurra Philippe, olhando
discretamente para todos em volta.
— Se pudesse o quê? pergunta o outro, concentrado em
ensaboar-se.
— Ficava de quatro ali no meio e deixava todo mundo me
montar. Você viu aqueles caras, ali? pergunta ele entre os dentes, apontando
discretamente para o grupo de meninos africanos, dentre os quais Soleil, o
mesmo que despertou a atenção de Rachel.
— Vi, vi, mas cala a boca se não quiser ser linchado. Eles
já nos viram no dormitório, é melhor não escancarar demais.
Philippe dá propositalmente as costas para o grupinho
de quatro afro-franceses que se banham ruidosamente a dois chuveiros do seu. Ele
sabe que há chances de que algum deles, mesmo sem ser homossexual, aceite uma
aventura unicamente pelo prazer ou para se autoafirmar como macho. Seu corpo
delgado, liso e feminino já atraiu rapazes bem másculos, então não há por que
não tentar a sorte. E a estratégia não tarda a surtir efeito.
— Pára, Philipe! sussurra seu amigo, que tem o
grupinho em seu ângulo de visão. Eles já perceberam e um dos caras não para de
olhar para a tua bunda!
— Sai do banho e me deixa aqui com eles. Não quero
perder essa chance por nada nesse mundo.
— Está louco? E se eles resolvem te bater?
— Se eles quisessem violência, já tinha acontecido lá
no dormitório, ontem mesmo, ou você acha que eles não nos viram juntos na cama?
— Pode ser, mas...
— Além disso, mesmo que eles topem alguma coisa, olha
para eles. Você vê algum passivinho entre esses quatro? Eu não! Então sai do
banho que depois eu te conto tudo.
— Bom, vou sair então, mas cuidado, ok?
— Relaxa.
Philippe remancha no banho, ensaboando inúmeras vezes
a bundinha branca e rechonchuda, deixando cair o sabonete e curvando-se para
apanhá-lo, exibindo-se para os quatro, que começam a cochichar.
— Esse cara está mostrando a bunda para a gente,
comenta um deles.
— Eu não dispensaria, declara o primeiro a notá-lo,
apertando o membro já meio endurecido para evitar que suba.
— Com tanta menina, você vai olhar para a bunda de um
cara? Não te entendo, diz Soleil, num tom já audível para Philippe, todo
ouvidos.
— Eu também não dispenso não, diz o último. Ele está
aqui, e provocando; as minas, a gente precisa ganhar primeiro!
— Pois eu estou fora, declara Soleil, já saindo.
Sempre de costas, Philipe adivinha que os três
africanos caminham em sua direção. Eles o cercam e o primeiro que o viu já
chega roçando-lhe a mão. Quando ele se volta...
— Psss! Não fala nada, diz outro, já forçando-o pelo
ombro para que se incline e oferecendo-lhe o membro grosso e arqueado.
Philippe está um pouco amedrontado com a possibilidade
de que a coisa degenere, mas seu desejo de ser possuído pelos três o faz vencer
o medo e ele se aplica a chupar competentemente. Instantes depois, ele sente
outra mão espalhar sabão diretamente entre suas nádegas e um dedo penetrá-lo
sem a menor cerimônia. Ele exclama um "Ai!" e olha para trás com ar
zangado, mas os três riem zombeteiramente enquanto um deles já começa a
penetrá-lo.
— Continua chupando, branquinho, ordena o primeiro,
passando-lhe no rosto o membro agora totalmente ereto.
Philippe oscila para frente e para trás enquanto o
terceiro rapaz dirige sua mão para que o masturbe. Ele geme, sentindo prazer e
dor, mas espera que tudo se transforme em puro êxtase em poucos minutos. Sua
única preocupação é que algum supervisor vá aos banheiros e os surpreenda, mas
por hora, nada acontece e os três jovens garanhões começam a revezar-se para
ser chupados por ele e penetrá-lo. Um deles, extremamente bem dotado, quase
arranca-lhe um berro ao penetrá-lo pela primeira vez, mas quando a glande passa
e ele incia o vaivém, colide com seu corpo, o prazer é tamanho que Philippe
desabaria no chão se o rapaz não o agarrasse fortemente pela cintura.
— "Ela" dá gostoso! comenta o dotado, rindo
para os outros, dando estocadas fortes.
— E chupa que nem uma patricinha! diz outro, de pé,
braços cruzados, vendo Philippe de boca escancarada quase engasgar com o membro
do amigo sendo forçado em sua garganta.
— Aaaah! faz o primeiro, entrando em orgasmo e
ejaculando em vários espasmos, colidindo com força contra o corpo de Philippe,
que geme de boca cheia.
— É minha vez, diz o espectador.
— Então eu vou na boquinha, porque não estou aguent...
Ahhhhh! faz aquele que lhe dá de mamar, enchendo sua boca esperma, que ele
cospe tão-logo, assistindo-o ser levado para o ralo.
Philippe goza discretamente, masturbando-se enquanto
recebe o orgasmo copioso do seu último parceiro. Eles sorriem, sarcásticos,
ouvindo seus gemidos contidos enquanto seus jatos de esperma se sucedem, tão
fortes e densos quanto os deles. Quando
os três estão satisfeitos, dividem a ducha com ele, cercando-o e encostando
nele seus sexos amolecidos, sem nada a lhe dizer, mas tratando-o como sua
propriedade.
— Se não quiser se
dar mal, isso fica entre nós, ouviu, branquinho? diz o mais mal-encarado. Se a
gente quiser mais, você vai saber.
— Pode deixar, não
tenho interesse nenhum de contar. Aliás, eu não queria perder o contato com
vocês, pode ser?
— Por mim.... diz
um deles, rindo.
— Quer
meu Face, gata? diz o outro, debochado.
— É, vai esperando!
diz o mal-encarado.
— Valeu, galera,
curti ficar aqui com vocês, diz Philippe, dando um sorriso amarelo para os
três, que já se afastam para sair do banho.
— O Soleil perdeu,
diz um deles.
— Ele não gosta de
viado, diz o outro. A essa hora, já deve estar dando em cima de alguma mina.
Philippe ouve esses últimos comentários e baixa a cabeça, um pouco triste, mas a euforia do contexto logo lhe vem à mente e o impede de se deprimir. Ele varre o negativismo da cabeça e termina seu banho dizendo a si mesmo que conseguiu o que queria. Apercebendo-se de cada sensação que ainda perdura em seu corpo, ele está mais do que convencido de que fez a opção que lhe convinha.
A tarde de sábado
foi de prática de coordenação em quadra e especialmente dedicada aos menores,
que compõem 95% do pelotão de futuros boleiros. No final, um jogo permitiu a
todos uma primeira aplicação prática dos ensinamentos do dia. A hora do banho é
menos tumultuada que a da manhã e dura menos, devido ao cansaço. Soleil está
sozinho num chuveiro adjacente ao do seu grupo habitual. Ele já notou Rachel
durante o treinamento e está com o pensamento fixo em seu corpo, cujas imagens
o excitam e o deixam na constrangedora situação de uma semi-ereção. Sob o
chuveiro, ele se tapa com ambas as mãos, tentando desesperadamente pensar em algo
fúnebre para abater a rigidez insistente do seu membro avantajado. Mas é tarde,
ele foi descoberto.
— O Soleil está de
pau duro, galera! grita um dos seus amigos.
— Haha! Não vai dar
para esconder quando subir tudo, com a trolha que ele tem! zomba o outro.
Os três olham rindo
e o pobre Soleil se volta para eles abrindo os braços pendentes com as mãos
espalmadas para frente, em sinal de que não pode fazer nada; o monstro subiu e
pulsa quase contra a sua barriga esculpida pelos músculos. São cerca de dezenove
centímetros de comprimento por quatro e meio de diâmetro, na extremidade dos
quais a glande descoberta dança no ar, arroxeada como uma ameixa. Não há como
evitar essa visão exuberante e o assunto sob as duchas se torna único. Um
burburinho exaltado se forma e todos se perguntam se terão a mesma sorte,
comparando-se e comentando o prodígio à sua frente. Alguns mais tímidos ou
discretos fingem não prestar atenção; outros visam não o atributo mais
chamativo, mas a bunda de Soleil que, molhada e lisa, reflete as luzes do teto,
dividida em dois gomos projetados e firmes como se também estivessem eretos; os
mais machistas manifestam descontentamento pelo espetáculo, taxando Soleil de
exibicionista; e três ou quatro, dentre os quais Philippe e Max, esforçam-se
para não revelar por demais entusiasticamente as suas preferências. Max
sobretudo, que já está informado em detalhes do episódio ocorrido entre os
amigos de Soleil e Philippe, não esconde sua impaciência.
— Ai, Philippe,
como é que eu faço para conseguir um passivinho? Será que eu vou sair desse
treinamento sem conhecer ninguém?
— Que nada! Já
tenho uma super dica para você. Está vendo aquele menino ali? O nome dele é
Alain e é exatamente o que você procura. Já dei um toque nele e vocês podem
conversar daqui a pouco, na hora do jantar.
— Sério? Você fez
isso por mim?
— Fiz, e assim
estamos quites. Agora cala a boca e me deixa olhar aquela maravilha! voltando a
olhar o exuberante rapaz negro.
Vencido pela ereção
incontrolável, Soleil acabara deixando a vergonha de lado e assumindo seu
estado. Todos podem vê-lo ensaboar o corpo sem dar mais atenção aos caprichos
do seu sexo. Por fim, aplacada a ereção, ele sai caminhando como se nada fosse,
ostentando entre as pernas o longo e farto membro pendente que causou uma
pequena revolução nesse banho de fim de dia.
São 20h de sábado.
Fabiana terminou de jantar e passeia pelas quadras de Roland Garros com alguns
colegas. Com exceção da quadra central, a maioria delas lhe parece bem comum,
mas a atmosfera do lugar lhe parece excepcional, talvez porque ela esteja
ciente da quantidade de grandes campeões que o frequentam há tantos e tantos
anos. Ao se afastar um pouco do grupinho que passeia e sentindo-se imersa no
silêncio e na sombra, ela chega a sentir um arrepio, mas avança sem medo pelas
longas alamedas. A certa altura, ela avista o que lhe parece ser um dos colegas
vindo na direção oposta, bem visível em sua bermuda e camiseta brancos. Quando
eles se encontram, ele para. Ela não o reconhece de pronto e ele se antecipa.
— Oi, Fabiana! E
aí, está gostando do curso?
— Demais! Estou
doida para que o torneio comece.
— Você torce por
quem?
— Pelo Andrew
Forbes, mas não sei se ele tem chance.
— Ele é o quinto do
ranking aos dezenove anos; tem chance, sim. Se ele bater o Li, tem tudo para ir
até a final. Tomara que te escalem para algum jogo dele!
— Puxa, ia ser
demais! Mas qual é teu nome? Você sabe o meu, mas não estou te reconhecendo.
— Mathieu. Você não
me vê porque não sou recruta, já venho aqui há alguns campeonatos.
— Ah, entendi. Me
disseram que ia ter gente antiga.
— É, a gente não
consegue desgrudar disso aqui!
A simpatia toma
imediatamente conta de Fabiana. O rapaz de farto cabelo cor de cobre a seduz de
estalo. Ele tem corpo atlético, braços fortes e, ao contrário da maioria dos
meninos que entraram com ela, pelos nas pernas. Eles passeiam lado a lado. Ele
parece conhecer um pouco da história daquelas quadras e conta a ela alguns
encontros antológicos, ascensões e quedas de grandes jogadores e episódios
saborosos que marcaram o lugar. Fabiana chega a sentir pequenos frissons quando
seu braço roça no dele. O ambiente é propicio aos encontros ocasionais sem
compromisso. Ela se sente a léguas de Kevin e começa a desejar que seu novo
amigo seja sedutor e tome alguma iniciativa bem impetuosa.
A cerca de
meio caminho de uma alameda transversal bem sombria, eles encontram um banco. A
noite está convidativa, o céu estrelado, Fabiana acelera o passo e se instala,
dando um risinho de satisfação por ter encontrado um lugar para sentar. Ela
está usando uma saia tão ou mais curta que a do uniforme que recebeu, suas
coxas ficam expostas quase até a calcinha, ela se sente sexy e deliciosamente
vulnerável. Mathieu se senta ao lado dela com as pernas esticadas para a
frente. Agora é Fabiana que rompe o silêncio.
— Eu gosto dos teus
braços, diz ela, acariciando-o com o olhar.
— Obrigado, ele
responde com olhos que parecem ter luz própria.
Fabiana espera em
vão por uma iniciativa; o rapaz volta a olhar para frente, cruzando os braços e
olhando a lua, com voz sorridente.
— Por que é que
você se candidatou? Você joga tênis?
— Um pouco...
Fabiana olha para
as próprias coxas para ver se há algo de errado com elas, mas só constata que
elas estão incrivelmente sexy, assim, tão descobertas e disponíveis. Muito
discretamente, ela olha de rabo-de-olho para o lado, na tentativa de perceber
alguma pulsação que denuncie no rapaz o efeito de toda essa disponibilidade,
mas nada; na bermuda branca, a paz reina, inabalável. Ela elucubra que se Kevin
a visse assim, já estaria em ponto de bala, certamente com a mão em sua coxa e
a língua em sua boca. Ela decide provocar mais um pouco e se levanta, caminhando
lentamente até a cerca da quadra em frente e debruçando-se para dar ao rapaz a
oportunidade de descobri-la de costas. Mas – surpresa – quando ela se volta,
ele não está mais, evaporou como por encanto.
— Que cara doido!
sussurra ela, meneando a cabeça e caminhando de volta apressadamente.
Chegando à área
social do complexo, Fabiana vai direto para os dormitórios. São 21h. Ela tem
tempo de escovar os dentes, conversar um pouco mais e ir para a cama. Quando
ela começa a ler, recostada no travesseiro, Rachel chega, afobada mas elétrica,
o cabelo escorrendo de um banho recente.
— Que cara é essa?
— Nem te conto!
responde a outra, abrindo a cama ao lado e despindo a roupa já semi-aberta.
— Pode tratar de
começar!
— Ainda bem que
você já está sentada porque... se prepare!
Fabiana pousa o
livro nas pernas e cobra com os olhos o relato da amiga, que vem sentar-se à
beira de sua cama enquanto termina de vestir o pijama.
— Vou te contar
tudinho, mas você tem que jurar que ninguém vai ficar sabendo, ok?
— Jurado. Agora
começa porque daqui a pouco a gente vai ter que parar de falar. Eu também tenho
um lance incrível para te contar, mas posso deixar para amanhã.
— Você vai cair
para trás.
— Fala!
— Bom, posso te
dizer que se eu não estivesse de patch, estaria grávida agora.
— Caramba! O que
aconteceu?
— Transei com o
Soleil.
Fabiana tapa a boca para não gritar.
— Está brincando!
Como? Quando? Onde?
— Tem uns quinze
minutos. A gente se separou e eu fui direto para o chuveiro. Você não vai
acreditar, mas foi no túnel de entrada de uma quadra; a gente chegou a pular
uma cerca!
— Não! E aí? Fala!
— Ele me encostou
na parede e foi logo me beijando e passando a mão entre as minhas pernas com
força. Assim que a gente começou a se beijar, eu vi que ele ia querer tudo. Ele
me empurrou para baixo e quando eu cheguei na altura da cintura dele, o treco
já estava lá, todo duro, esperando por mim.
— Coube tudo na
boca?
— Está brincando?
Consegui botar a cabeça e o comecinho, mais nada.
— Mas ele te forçou?
— Um pouco, com a
mão, mas não cabia mesmo, comecei a enjoar e mandei parar. Chupei um pouco até
ele me levantar e dizer que queria meter.
— E aí, foi em pé
mesmo?
— De saída, foi.
Tinha uma rede enrolada e eu fiquei de costas para ele, apoiada nela. Ele só
precisou baixar a minha calcinha e levantar a saia. Gelei quando ele encostou o
pau duro em mim.
— Imagino! Entrou
rasgando tudo?
— Haha! Mais ou
menos, mas eu estava com tanto tesão que me encharquei e ele logo começou a
mexer. Menina, nunca vi um cara aguentar tanto, sem brincadeira!
— Ficou um tempão
metendo, é? Que tesão!
— Sem parar! E ele
ainda meteu a mão por dentro da minha blusa e soltou os meus peitos para ficar
pegando. Foi a primeira vez que eu gozei tanto.
— Ele falou alguma
coisa enquanto te comia?
— Eu é que falei!
Não parei de dizer: "Mete, mete, mete!" Eu disse que queria gozar
muito... Fiquei até com vergonha depois.
— Besteira, na hora
a gente nem pensa no que está dizendo. Eu também falo um monte de coisas com o
Kevin. Mas fala mais. Ele ficou um tempão metendo, mas só na mesma posição?
— Não, não, ele me
botou sentada na rede e meteu de frente, depois chegou até a me levantar. É uma
loucura transar assim; entra tudinho! Mas o cara tem que ser muito forte. Ele
me carregou como uma pluma.
— Hum! Nunca fiz
assim. Acho que o Kevin não me aguenta não, brinca Fabiana, sonhadora.
— Quando ele me colocou
de novo sentada na rede enrolada, o tesão era tanto que tornei a chupar o pau
dele e ele gozou uma vez.
— Tudo na tua boca?
— Um pouco, mas
tirei e o resto foi no rosto. Mas você pensa que ele parou? Nada! Assim que eu
me limpei, ele me botou de novo sentada na rede, abriu bem minhas pernas e
recomeçou a meter com a mesma força até gozar de novo, e tudo lá dentro, dessa
vez. Ia tão fundo, menina! Chegava a dar uma dorzinha.
— É que bate no
útero. Você está mesmo usando o patch, não é, Rachel? Senão...
— Estou sim, não
estou nem preocupada com isso. O problema é que quando terminou, ele falou que
quer me encontrar de novo. E o que é que eu digo pro Omar?
— Xi, é mesmo, você
me falou dele! Ele acha que vai te levar para o Marrocos e casar com você lá onde
tem a família, não é isso?
— Pois é, só pensa
em ficar noivo, já me levou até para escolher anéis. Eu gosto dele, mas ainda
queria aproveitar muito, antes.
— E está certa. Mas
acaba de contar. Ele gozou de novo e vocês ficaram lá mais um pouco, de
beijinho?
— Que nada, menina,
ele me lambeu!
— Ah, não fala isso
que você me mata de inveja!
— Gozei que nem
doida com ele me lambendo. Ele me botou quase deitada na rede enrolada e apoiou
nas minhas coxas, daí começou a lamber forte, começando lá embaixo.
— Lá embaixo...
— Pelo cu, menina!
— Aaaaaaaaaaaaaaah!
Sortuda! Adoro quando o cara faz tudo assim, numa boa, em qualquer lugar e a
qualquer hora. O Kevin é cheio de onda para usar a língua.
— O Omar também; a
gente tem que tomar banho, ficar perfumadinho, coisa e tal. O Soleil, não. O
Soleil quer é fazer gozar e está na cara que ele já tem experiência com mulher.
Ele me fez subir pelas paredes com aquela língua dele, depois ainda meteu um
pouco, diz ele que para me deixar com o gostinho do pau dele e querer mais. E
isso sem falar daquele corpão negro todo musculoso em cima de mim! Eu mal
estava me aguentando em pé no banho, agora há pouco, de tanto que eu gozei.
— Cara, que
história doida! Que tesão! Vocês têm que continuar.
— É, ainda não sei
como vou fazer, mas é certo que a gente não vai parar por aqui.
— Meninas, agora
silêncio! comanda uma voz feminina vindo da porta, acompanhada de um bater de
palmas que ecoa no amplo dormitório. Quero todo mundo dormindo porque o domingo
vai ser carregado e na segunda-feira vocês têm que estar prontas para servir os
maiores jogadores de tênis do mundo. Vocês vão ser vistas por mais de um bilhão
de telespectadores do mundo inteiro, portanto é muito importante que vocês
estejam de carinha descansada e muito bem dispostas. Boa noite!
— "De carinha
descansada!" Ah, se ela soubesse! cochicha Fabiana na orelha da amiga,
dando-lhe um beijo de boa noite.
— Um sonoro e
disciplinado "Boa noite, Edith!" ecoa no dormitório feminino.
O treinamento do
turno matinal do domingo é intenso para todos os futuros boleiros de Roland
Garros. O tempo de banho é encurtado e seguido de um almoço leve, de saladas,
rosbife e refrescos hidratantes. Os menores estão em polvorosa e tagarelam
sem parar. Os maiores distribuem seu pensamento entre as novas conquistas
amorosas, potenciais ou realizadas, e um certo frio na barriga com a
proximidade da abertura do torneio. Mas há dois ausentes no refeitório, e isso
parece ter passado despercebido dos supervisores.
Num vestiário
masculino de uma quadra próxima do imenso complexo esportivo, o silêncio é
rompido por gemidos abafados.
— Calma! sussurra o
menino de cabelos longos e voz ligeiramente efeminada, uma face colada na
parede e a outra exibindo uma placa vermelha impressa na pele alva.
— Não consigo,
estou com tesão demais! responde o outro.
Graças ao talento
diplomático de Philippe, Max e Alain se encontraram no refeitório para almoçar,
mas por puro efeito da atração, quase sem palavras, foram procurar um lugar
para estarem a sós. Assim que entraram no vestiário às escuras, já aos beijos,
a excitação assumiu o comando e, após uma breve felação, encurtada por medo de
um orgasmo intempestivo, Max consegue enfim satisfazer seu desejo, movendo-se
dentro de Alain, que geme, um tanto aturdido com a intensidade da penetração,
mas igualmente excitado.
— Vou... vou gozar,
sussurra Max, agitado.
— Está legal....
mas faz forte... mete com força um pouco mais.
— Acho que dá para
aguentar, mas só um pouco.
— Ahh... Ahh...
As-sim...
— Aaaaaaaaaaah! Não
deu para aguentar mais, diz Max masturbando seu amigo sem sair de dentro dele.
— Tudo bem... tudo
bem... Ahn! Ahn! Está bom demais... pena que a gente tenha que parar.
— É, alguém já deve
ter dado por falta da gente no refeitório.
— É... arriscado...
— Podem eliminar a
gente; "só" isso.
— Vou go... Ahhh!
Que gostoso, gozar assim, com você dentro...
— Vou dar um jeito
de a gente se encontrar com mais tempo, prometo. Agora vamos voltar.
Alain vai até os reservados livrar-se dos excessos e em seguida, os dois improvisam uma higiene com a água da pia. Quando eles entram no refeitório, percorrem sozinhos a linha de servir e sentam-se para comer diante dos colegas — que já estão na sobremesa — olhares curiosos se voltam para eles. Por sorte não há, na mesa deles, engraçadinhos dispostos a fazer perguntas constrangedoras.
O treinamento da
tarde é igualmente intenso e Fabiana, que nada contou de sua estranha aventura,
anseia por um novo encontro com o misterioso Mathieu, ao anoitecer. Depois do
banho e do jantar, uma solenidade encerra o treinamento, todos os aprovados –
quase a totalidade – recebem a medalha de boleiro de Roland Garros e uma
palestra encerra o curso, exortando todos a trabalhar com entusiasmo e o
espírito de equipe necessário ao bom desempenho dessa atividade essencial ao
fluxo dos jogos, neste que é um dos torneios mais importantes do mundo.
Sobra-lhe uma hora
para se distrair um pouco antes da última noite que precede os primeiros jogos.
Fabiana toma a direção da alameda onde na véspera encontrou Mathieu. Ela está
usando um vestido curto como os das tenistas do campeonato, o que lhe dá a
consciência de suas formas. Os meninos que a veem afastar-se sozinha fazem
comentários sem tirar os olhos de suas pernas e dos seios que se destacam no
tronco fino. Ela passa olhando com desprezo, sentindo-se mulher e pronta para o
rapaz das pernas másculas e peludas, recordando a aventura que Rachel lhe
contou na véspera.
Ela não o encontra
no mesmo lugar, nem tampouco na transversal sombria onde se encontra o banco em
que estiveram conversando. Ela continua a se embrenhar pelos caminhos entre as
quadras secundárias até que avista, na linha de fundo de uma quadra, alguém que
lhe parece ser o seu novo amigo, servindo com muita força e precisão. Mas não
há adversário, ele serve e fica parado com a raquete pendente, já olhando em
sua direção, como se a esperasse.
— Você gosta de
praticar assim, sozinho, à noite? pergunta ela, intrigada, vendo-o caminhar em
sua direção quase cintilante em seu uniforme de um branco impecável.
— Mas eu estou
jogando, você não viu?
— Vi você, vi o
saque, mas sem ninguém do outro lado para devolver, não deve ter muita graça!
responde ela, franzindo o cenho.
Mathieu se aproxima
da cerca que os opõe. Sua fisionomia é neutra e seus olhos, muito abertos,
assustam um pouco Fabiana. Ele para, olhando-a fixamente nos olhos, depois
estende-lhe a mão como se fosse ajudá-la a transpor a cerca. Ela estranha – o
portãozinho está a três passos deles – mas lhe dá a mão assim mesmo. Assim que
ele fecha a mão na sua, ela sente um puxão e, agora sim, vê o adversário do seu
amigo, postado na linha de fundo oposta, voltado para eles e igualmente vestido
num uniforme branco que parece cintilar. Voltando um pouco a si do estranho
puxão, ela percebe que transpôs misteriosamente a cerca que a separava deles. E
não só isso; chamada à atenção por um burburinho vago mas muito vivo, ela olha
em volta e percebe que todas as quadras estão ocupadas com jogos e todas as
arquibancadas repletas de uma plateia atenta e animada. Fabiana começa a
apavorar-se, olhando aterrorizada para Mathieu, que lhe sorri todo satisfeito.
— Pronto, agora
você pode me ver sempre que quiser!
Ele se afasta,
voltando ao jogo. Fabiana olha para trás, procurando pelo seu mundo, mas seu
próprio corpo agora emite uma luminosidade tão sobrenatural que ela logo
entende que jamais regressará a ele.
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N.B. Mathieu
Montcourt é real; nasceu no dia 4 de março de 1985 e morreu aos 24 anos, vítima
de um ataque cardíaco, a 7 de julho de 2009. Foi um tenista francês muito
promissor. Uma quadra de Roland Garros tem o seu nome.

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