Novela em 14 capítulos
Capítulo I – Primórdios
Idílicos
Ela foi uma autêntica filha
do campo durante os anos de infância. À medida, porém, que seu corpo e as
reações suscitadas por ele foram modificando sua maneira de interpretar as
pessoas que a cercavam, no ambiente inautêntico de fazenda de latifundiários em
que ela nasceu e cresceu, Bruna foi desenvolvendo uma percepção atípica do
relacionamento afetivo. É da história da transformação do caráter dessa jovem
camponesa e das consequências disso para a sua vida que trata a presente
narrativa.
Desde cedo, Bruna chamara a
atenção pela beleza dos traços e pela expressividade do olhar. Sempre cercada
pelas pessoas que tanto enfatizavam o aspecto físico em detrimento das
qualidades mais sutis, freqüentemente levada à sede da fazenda para que todos a
vissem, mimassem e para que fosse o "brinquedo preferido" das
patroazinhas, quando estas vinham da cidade, ela foi sentindo-se amada e segura
de si. Todos sorriam, todos a solicitavam, todos queriam sua companhia. Ela
raramente era repreendida, e se porventura acontecesse um incidente, a
repreensão ia para aquele que, dentre os filhos ou filhas do proprietário,
estivesse com ela no momento. Bruna se sentia crescendo como a filha adotada de
um riquíssimo dono de indústria que vinha à sua propriedade rural improdutiva
unicamente para descansar do estresse urbano. Mal sabia ela que esse homem que
ignorava tudo da verdadeira vida de fazenda nem sequer cogitava do que se
passava na cabeça dessa filha de empregada que se tornara como parte do
mobiliário.
Aos poucos, como toda
menina, Bruna foi tomando corpo, mas o seu desenvolveu-se com uma excepcional
harmonia de proporções, o que a poupou da fase em que a maioria das
adolescentes se sentem desgraciosas, algumas desenvolvendo complexos por vezes
irreversíveis. Aos doze, Bruna "virou mocinha" e aos treze já tinha
formas de mulher. De um moreno da pele muito claro, cabelo cor de milho, denso
e naturalmente trançado como cordas, olhos de um raro tom de verde, lábios bem
feitos e uma pele que despertava o desejo de acariciar, a menina do campo
sempre sorridente e tranquila seduzia quem quer que a encontrasse.
Mas a expressão do olhar de
Bruna revelava uma inteligência vivaz e determinada, servindo inconscientemente
– e talvez trabalhando contra ela – como uma barreira que inibia a maioria dos
camponeses que a cercavam e levando-a a desejar relacionar-se exclusivamente
com os donos da fazenda. Por donos entenda-se "Seu" Rodrigo
Albuquerque e Dona Flora, sua esposa, assim como os seus oito filhos: cinco
meninos e três meninas. No ano em que Bruna fez catorze
anos, Tiago e Flávio, sempre tratados conjuntamente de "os gêmeos",
tinham quinze anos, Caio tinha dezesseis, Luciano dezoito e Augusto vinte e um.
As meninas, Julia, Clara e Isabel, tinham onze, doze e catorze anos
respectivamente. Foi entre os bem nascidos membros dessa família, "os
Albuquerque", como sua mãe lhe ensinara a tratá-los, que Bruna se habituou
a crer que transitasse com toda naturalidade e que estivesse criando suas
primeiras relações.
Nos primeiros anos, Bruna
se sentira como a amiga inseparável das meninas, principalmente de Clara, a do
meio. Com o passar do tempo, ela foi entrosando-se com os meninos,
principalmente com Caio, muito reservado e quase sempre solitário, e com os
gêmeos. Luciano e Augusto, sobretudo este último, por ser bem mais velho, a
deixavam um pouco inibida. Sempre que a família vinha à fazenda, imediatamente
mandavam sua mãe ir chamá-la em casa e ela passava os dias inteiros com eles,
fazendo as refeições na sede da fazenda e por vezes dormindo lá, no quarto das
meninas.
Como não poderia deixar de
ser, a educação mais aberta e liberal recebida pelos filhos dos donos da
fazenda ia sendo passada subrepticiamente para Bruna. A cada vinda da família,
Isabel tinha algo a contar-lhe e os meninos se mostravam diferentes em relação
à vez anterior. Completados treze
anos, Isabel e Bruna passavam longos momentos conversando. Ela falava do
comportamento dos meninos da cidade e das suas próprias reações. Bruna conhecia
apenas a franqueza abrupta e simplória dos meninos da escola pública do
vilarejo e isso a fazia desejar cada vez mais distanciar-se deles. Isabel lhe
contava como os meninos a assediavam, descrevia os beijos de língua, as
primeiras "mãos bobas", e tentava explicar como se sentia quando
estava com algum que a agradasse mais. Isso foi dando a Bruna o desejo de ser
iniciada no amor.
Desde sempre, Bruna tivera
com Caio uma relação peculiar: discreta, quase silenciosa, mas muito íntima.
Assim que ficaram um pouco mais velhos, eles passeavam pelas alamedas do jardim
que cercava a imensa sede colonial retangular, branca, com duas fileiras de
janelas azuis. Eles colhiam jaboticabas, iam ver os animais no pasto e
passeavam a cavalo. Quando ela fez catorze e ele quinze, foram autorizados a
trocar a piscina da casa pela cachoeirinha, que ficava a uns oitocentos metros
da casa pela estrada de terra batida. Antes, porém, de prosseguir, proponho
darmos um passo atrás para que a visão em perspectiva enriqueça a compreensão
dos fatos.
Até então, quando era
convidada a ir brincar na piscina com as outras crianças, Bruna simplesmente
despia-se e ficava de roupa de baixo, não se importando de ser a única a não
possuir maiô, mas assim que seu peito começou a se diferenciar do peito dos
meninos e os primeiros pêlos pubianos despontaram, ela não se sentiu mais à
vontade e passou a recusar sistematicamente os convites para ir à piscina dos
Albuquerque. Percebendo isso alguns anos depois, Isabel, sua coetânea, chamou-a
um dia ao seu quarto, abriu uma das gavetas da cômoda repleta de biquínis e
maiôs e lhe pediu que escolhesse aquele que preferisse. Quando Bruna se despiu
para experimentá-los, Isabel ficou boquiaberta diante do esplendor do seu
corpo. Num instante, ela percebeu o quanto o seu próprio corpo era
"desengonçado" em comparação às formas perfeitamente harmoniosas da
sua amiga camponesa. Embora muito bonita de rosto, Isabel era alta e filiforme,
sem cintura definida, e os seios ínfimos limitavam-se quase aos mamilos. Bruna
já tinha seios, coxas e nádegas não só proporcionais, mas realmente invejáveis
quanto à forma e dimensão. Era um corpo de mulher numa menina de um metro e
meio! Isabel aproveitou a ocasião para dar várias dicas de cuidados e higiene à
amiga, começando pelos pêlos em geral, que deviam ser eliminados, com exceção
talvez dos pubianos que, no entanto, deviam estar sempre bem aparados e
cheirosos. Contudo, ela revelou a Bruna que uma das fantasias dos meninos era
vê-las totalmente depiladas porque eles gostavam de passar a língua bem ali.
Bruna torceu o nariz e achou de muito mal gosto que eles quisessem ficar com
sabor de xixi na língua. Por fim, ela escolheu um ou dois biquínis, dentre os
quais um de padrão estampado que combinava cores vivas e outonais, em perfeita
consonância à sua cor de pele e cabelo. Era esse o seu preferido.
No início, Isabel ia sempre
à cachoeira com o seu irmão Caio e Bruna, mas foi-se aos poucos desinteressando
e preferindo ficar no Rio para ir às festinhas de fim de semana, cujos convites
começavam a pulular. Bruna habituou-se a ir sozinha com Caio, um programa que
lhes era especialmente agradável. Um belo dia, ele surpreendeu-se a reparar
nela, caminhando ao seu lado vestida apenas de roupa de banho. O sutiã do
biquíni lhe pareceu mais "cheio", uma linha quase invisível de
pelinhos alourados agora descia do umbigo, a calcinha justa sutilmente sulcada
agora esposava o corpo, a cintura esculpira-se, a curvatura das costas
acentuara-se… Tudo isso, Caio descobriu no mesmo dia e sentiu no baixo-ventre
as repercussões dessa descoberta. Com o passar do tempo, ao ir secar-se e tomar
sol na rocha tépida, Bruna foi instintivamente assumindo a atitude das meninas
da cidade, deitando-se com os braços por trás da cabeça e elevando um pouco uma
das pernas, virando a cabeça para um dos lados e fechando os olhos. Isso tudo
"perturbava" Caio. Por trás do véu transparente da queda d'água,
mergulhando para dar algumas braçadas na parte mais funda ou catando pedrinhas
na parte rasa, Caio e Bruna haviam até então brincado como irmãos, mas a partir
daquele dia, Caio não conseguia mais olhá-la do mesmo modo.
Sentado de pernas
esticadas, apoiado com as mãos na rocha porosa e quente, Caio constatou pela
enésima vez o volume na sunga e decidiu que não ia mais ocultá-lo. Instantes
depois, Bruna perguntava por que é que "aquilo" estava daquele jeito.
Ele respondeu que o motivo era ela. Isso aguçou a curiosidade da menina e ele
autorizou-se a mostrar o efeito que o corpo de uma mulher produz no corpo de um
homem. Era a primeira vez que Bruna via o sexo masculino daquele jeito. Ela já
vira seus primos nus, mas eram todos muito mais novos que ela e por mais
curiosa que ela ficasse, o que eles exibiam abaixo da cintura era-lhe
completamente insignificante. O que o seu amigo lhe mostrava pareceu-lhe como
um estranho dedo que despontava de um invólucro flácido recoberto de uma densa
floresta de pêlos escuros e crespos, um dedo mais longo e mais grosso que os
demais, desagradavelmente curvado para o lado.
— Pode tocar, se quiser.
— Assim? Bruna empunhou-o
como quem dá a mão.
— É, fez Caio, maravilhado
com a novidade.
— É torto! comenta ela,
tentando endireitá-lo.
— Pode apertar que não dói.
— É duro!
— Tem que ser. Senão não
entra.
— Aqui, né? fez ela,
apontando para si mesma.
— É.
— O que tem nesse saquinho?
— Dois ovos.
— Ovos? Pra quê?
— Ah, sei lá. Tem a ver com
fazer filho...
— Posso tocar também?
— Pode.
— É gozado!
— Ai!
— Que foi? Aí dói?
— Você nunca viu ninguém
levar um chute no saco?
— Ah, já! Uma vez, o meu
primo rolou no chão de dor.
— Então!
— Credo! Não toco mais.
— Pode tocar, mas devagar.
— Prefiro pegar no pinto.
— Quer ver uma coisa?
— Quero.
Caio retomou seu sexo e
começou aplicadamente a masturbar-se diante dos olhos interrogativos da amiga.
— O que você está fazendo?
— Tocando punheta.
— Pra quê?
— Pra gozar, ué!
— Gozar? O que é isso?
— É uma sensação deliciosa
que vem enquanto sai um líquido branco.
— Xixi?
— Não.
— Mentira!
— Juro!
— Mostra!
— Quer fazer?
— Tá bem.
E Bruna reempunhou o tal
dedo branco e torto, reproduzindo os gestos de Caio, observando suas reações,
os olhos se fecharem e as mãos se crisparem sobre a superfície rochosa.
— É tão gostoso assim?
— Demais! Não pára que eu
já estou quase.
Caio pôs a mão por cima da
sua para ensinar-lhe a pressão ideal. Boa aluna, Bruna não tardou a levá-lo ao
clímax.
— Vou gozar. Ahhh!
— Nossa! fez ela,
impressionada.
— Continua!
— Mas está espirrando na
tua barriga!
— Não faz mal, é assim
mesmo! Só não pára!
A explosão inicial
surpreendeu Bruna, mas vendo o prazer na expressão de Caio, ela logo se
acalmou, voltando a sorrir e a olhar com curiosidade para aquele fenômeno que
ela via pela primeira vez na vida. Quando a ejaculação se esgotou, ela tirou a
mão, mas continuou olhando para aquele estranho verme pulsante e para as
pocinhas na barriga e peito de Caio. Ele tocou numa delas e lhe ofereceu a
cheirar. Ela hesitou, teve um pouco de nojo, mas consentiu. O odor lhe pareceu
indescritível… e fétido.
— Ruim, né?
— Bom é que não é, haha!
— Tem mulher que engole. Eu
já vi vários vídeos.
— Não conta mentira!
— É sério! Aparece a mulher
chupando, depois ela fica de boca aberta e o cara faz na boca dela.
— Que nojo!
— Eu já vi cara de nojo,
mas geralmente elas gostam.
Bruna olhou para longe para
desconversar, mas continuava curiosa. Enquanto Caio puxava a sunga, conformado
com o fato de que nem tudo ia poder ser feito no mesmo dia, ela esfregava a mão
na rocha áspera, meio sem saber como entrar num assunto.
— Sabe de uma coisa? ousou
ela.
— O quê?
— É… Ah, não sei explicar!
— Agora que já começou, tem
que falar!
— Quando eu passo o dedo…
— Passa o dedo aonde: na
pedra?
— Não! Ah, você sabe!
— Sei nada! Explica
direito!
— Aqui, ué! diz ela,
apontando para si mesma.
— Ah sei! O que é que tem?
— Dá um tipo de nervoso,
que nem um choque, mas depois é gostoso.
— Eu sei. Mulher goza que
nem a gente.
— Igualzinho? Espirra longe
também?
— Sei lá, não sou mulher.
— Se quiser pode fazer em mim. Quer tentar?
— Quero.
Bruna então soltou um laço
da calcinha do biquíni e Caio pôde ver os pelinhos castanhos que começavam logo
abaixo da marca do elástico. Sentando-se sobre uma das pernas, ele se virou de
frente para ela, olhou atentamente e, com a mão livre, tocou-a, sentindo a
estranha textura dos lábios. Ao primeiro contato, Bruna teve um sobressalto,
mas logo deu liberdade à nova sensação. Ela já se acariciava no banho e na
cama, e gostava disso, mas era precisamente naquele momento que o seu corpo
parecia estar pronto a responder a esses estímulos pela primeira vez de maneira
plena. Do clitóris, Caio sabia vagamente que ficava no alto, mas nada ali
chamava a sua atenção mais do que qualquer outra parte dessa estranha fenda no
corpo feminino tão bonito. Sendo assim, ele se concentrou no movimento,
pressionando e esfregando os dedos em toda a extensão da coisa, enquanto Bruna
respondia com tremores nas coxas e um movimento instintivo da pélvis, logo
começando a gemer baixinho, respirando forte e guiando a mão de Caio como ele
fizera.
— Está gozando? perguntou
ele, olhando-a nos olhos.
— Ainda não. Continua.
Curioso, Caio acabou
ensaiando introduzir a ponta do dedo no lugar certo, mas Bruna soltou um berro
e o interrompeu bruscamente, puxando-lhe a mão. Ele não precisou de maiores
explicações para inferir o significado de virgindade para uma jovem do campo e
voltou a acariciá-la superficialmente. Mas por mais que ele se esforçasse, ela
não chegava ao mesmo estado que ele. Caio foi perdendo a motivação.
— Não vai gozar?
— Calma! Continua.
Carinhosa, ela aproximou-se
para beijá-lo, enquanto voltava a tocá-lo para, de alguma forma, compensá-lo
pelo seu empenho e reduzir sua frustração. Ela sabia que não chegaria ao
orgasmo assim. Muito excitado, foi Caio que teve um novo orgasmo, desta vez
molhando sua mão.
— Nossa! Tem muito disso aí
dentro?
— Sei lá! retrucou ele,
divertido. Mas dizem que mulher goza muito mais forte que a gente. Homem goza
rápido, só enquanto o esporro sai.
— Esporro?
— O nome certo é 'esperma',
mas ninguém diz. Tem gente que diz 'porra', mas eu não gosto dessa palavra. E
'leite' não tem nada a ver.
— Nada mesmo! E o da mulher
se chama como?
— Sei lá, acho que é só
'gozo' mesmo.
É claro que Bruna desejava
que Caio fosse mais longe, mas sua consciência de que o prazer poderia ser
infinitamente maior quando tudo acontecesse "como se deve" a mantinha
lúcida. Esse primeiro orgasmo pelas mãos dele viria um dia, pensou ela, mas as
sensações provenientes da simples carícia já lhe pareciam ser evidência
gritante de que o seu corpo era afeito a esse tipo de prazer.
— Hum… está tão gostoso!
Quando eu… Bom, quando eu… gozo, lá em casa, sinto uma coisa no corpo
inteirinho, como um arrepio forte, daí vem uns choques e molha tudo!
— Eu queria ver.
— Outro dia. Hoje não está
dando certo.
— Se você quiser, a gente
faz tudo, propõe Caio.
— Tudo como?
— Tudo, ué! Tansar. Só não
dá pra transar e ficar virgem, você sabe, não é? E tem que ser de camisinha.
— Eu sei. Eu não ligo, mas
a minha mãe não ia poder ficar sabendo, senão morreria de tristeza. Ela vive
dizendo que vai me casar virgem.
— Você tem que pensar bem
antes de fazer.
— Você é legal, Caio. Por
isso eu te adoro.
Uma onda de paixão
percorreu os dois corpos e Bruna puxou a cabeça do amigo querido para um novo
beijo. Ela agora era sua namoradinha da fazenda, estaria à sua espera e à sua
disposição. Depois de um longo banho de cachoeira, eles voltaram de mãos dadas
para casa, brincando de dar formas estranhas às imensas sombras longilíneas
projetadas pelo por do sol sobre a terra batida.
Capítulo II — Promessas do
Campo
Entre uma vinda e outra dos
donos da fazenda, Bruna passava a maior parte do tempo em casa, com seus pais. Ela
ia à escola, encontrava vizinhos, mas tinha uma relação de pouco envolvimento
com qualquer pessoa que não fosse da família dos proprietários. Muitos a
consideravam pretensiosa — "metida", como se dizia na região — e
acabavam evitando sua companhia, o que não a entristecia, pelo contrário: isso
lhe dava tempo para passear sozinha em torno da sede, imaginando-se casada com
Caio, Luciano ou ou até — por que não? — Augusto. Durante o seu flerte à
distância com Caio, Bruna alimentava esse sonho e passou a desejar intensamente
que ele se realizasse.
Porém, o estatuto de
"namoradinha da fazenda" não garantia nada a Bruna. Caio tinha sua
vida no Rio e sequer hesitava em trocar a lembrança de que ela estava à sua
espera na fazenda por uma nova experiência com alguma menina da cidade. Pelo
contrário, essa lembrança lhe dava a segurança que faltava para vencer sua
introversão natural. Logo nas vindas seguintes à fazenda, Bruna já o sentiu
outro, cada vez mais distante, desinteressado, ocupado com suas próprias
coisas, até que eles não estiveram mais juntos, não foram mais à cachoeira, não
andaram mais de mãos dadas, não mais se beijaram. Bruna passou o feriado da
Semana Santa inteiro enfurnada em casa, calada e triste. Algumas semanas
depois, descobrindo que Caio não tinha vindo com o resto da família nem lhe
mandado um recado, ela se convenceu de sua insignificância aos olhos do
patrãozinho.
Na turma da escola, Bruna
tinha um colega que se comportava de modo selvagem com as meninas, o Tonho.
Certa vez, ele chegou a abrir a calça, exibindo-se em plena ereção para uma
delas, que recuou horrorizada ao som das gargalhadas do resto da turma. Por
essa época, Bruna já tinha vivido sua história com Caio, na cachoeira, e a cena
na escola despertou a libido nascente que ela reprimira um pouco depois da
decepção sofrida. Ela se tornou receptiva a Tonho, sorrindo para ele e
encorajando-a a uma abordagem, que não tardou muito a acontecer. Na sala de
aula, o rapaz deu um jeito de se tornar seu vizinho de carteira e não perdia
uma oportunidade para olhar as coxas que a sainha plissada da garota mal cobria
até a metade. Bruna não o impedia e até olhava discretamente para o colo dele,
percebendo na calça de tergal desse vizinho irrequieto o efeito produzido por
ela.
Como Bruna não o deixasse
ultrapassar o limite do olhar, Tonho foi ficando visivelmente agitado ao seu
lado, ajeitando o sexo indisciplinado vezes sem conta por causa de alguma
tremenda ereção que perseverava às vezes por aulas a fio. Isso despertou nela o
desejo de testar até onde Tonho manteria a compostura. Num dia em que o número
de ausentes foi tal que a carteira deles era a única ocupada de uma fileira de
cinco, Bruna esperou que Tonho a olhasse e assim que notou o volume formando-se
na calça, começou a passar distraidamente a mão pela própria coxa, forçando a
sainha a subir ainda mais. A respiração do Tonho alterou-se e Bruna viu
delinear-se uma barra pulsante sob o tergal da calça. O desconforto do rapaz
foi tamanho que ele teve que pedir ao professor para ir ao banheiro. Durante a
sua ausência, Bruna imaginou-o masturbando-se e vertendo o líquido leitoso e
fétido que Caio lhe mostrara na cachoeira. Quando Tonho voltou, estava calmo e
pôde enfim prestar atenção a uma aula, mas a cabeça de Bruna estava em
ebulição; aquilo tudo começava a despertar-lhe um interesse fora do comum.
Ir à escola começou a
tornar-se, para Bruna e Tonho, sinônimo de ir excitar-se. Essa era a única
motivação daquele filho de agricultores e da filha de empregados de fazenda
recém saída de uma primeira frustração amorosa. Nada, nenhum sonho ou objetivo
mais elevado os impedia de prosseguir nessa espiral de erotismo que
literalmente bloqueava sua concentração e os impedia de progredir no estudo.
Certo dia, cansada de apenas provocar, Bruna esperou que a rigidez insistente
do sexo de Tonho começasse a incomodá-lo e, ao intuir que dentro de poucos
segundos ele rogaria ao professor que o deixasse ir ao banheiro, pousou a mão
sobre a protuberância que animava a calça de tergal. O rapaz manteve-se
impassível para não chamar a atenção, mas olhou-a pelo canto dos olhos e sorriu
um sorriso nervoso e cheio de malícia que dizia tudo. Bruna sentiu as pulsações
em sua mão e, notando que Tonho voltara a olhar para suas coxas, abriu-as em
sinal de convite, recebendo a manopla do camponês em cheio em seu sexo, já
úmido por trás da calcinha. Um dedo pressionou a fenda, o que lhe deu a certeza
de que seu vizinho já tinha alguma experiência. A sensação do contato com
aquela mão forte foi tão intensa que ela teve que fechar as pernas. Tonho, por
sua vez, sentindo-se masturbado por fora da calça, agitava-se, apreensivo com a
possibilidade de ter uma ejaculação tão farta que pudesse transparecer em sua
calça de uniforme — a única. Para evitar o desastre, ele tirou a mão de entre
as pernas de Bruna, sendo seguido por ela. Os dois estavam tão perturbados que
não se olharam mais até o fim da manhã.
Aos poucos, Bruna foi
percebendo que não podia continuar a torturar Tonho sem dar-lhe nada de
compensatório em troca. Ela
tinha certeza de que ele se masturbava quando pedia para ir ao banheiro, mas
notou que o remédio foi perdendo o efeito; em vez de aliviado, ele voltava
acabrunhado para o seu lado. Sem saber o que fazer, ela parou bruscamente de
provocá-lo. No mesmo dia em que isso aconteceu, Tonho, cujo caminho de casa era
oposto ao seu, tomou a mesma direção. Durante as primeiras centenas de metros,
Bruna não deu muita atenção, mas acabou perguntando aonde ele ia. Sem dizer
palavra, o rapaz saiu da estrada de terra batida, andou até um arbusto e,
certificando-se de que não vinha ninguém, baixou a calça até o meio das coxas,
respondendo à pergunta de Bruna da maneira mais eloqüente. Entendendo que
chegara a hora de dar o passo seguinte, ela foi juntar-se a ele, que continuava
lá, de calças arriadas, exibindo simploriamente o estado em que se encontrava.
Eles caminharam um pouco
juntos, procurando um lugar onde pudessem enfim dar vasão a pelo menos parte da
energia sexual reprimida por tanto tempo. Chegando a uma área não cultivada por
trás do milharal que ladeava a estrada, Tonho procurou uma árvore, recostou-se
nela e baixou novamente a calça até os pés, abrindo a camisa do uniforme. Bruna
não se fez de rogada e se aproximou, olhando diretamente para o volume na
cueca, depois para as coxas grossas e musculosas, a barriga e o peito, já tão
fortes naquele futuro peão que a excitava tanto. Aos dezoito anos incompletos,
com seu rosto imberbe de descendente de alemães, Tonho já era um homem e isso o
tornava ainda mais desejável aos seus olhos. Abrindo também a blusa do
uniforme, ela foi colar-se ao corpo do rapaz, deixando as costas da mão
resvalarem no membro duro por fora da cueca. "Pega nele", pediu ele.
Ela obedeceu, recobrindo a protuberância com a mão. Ao mesmo tempo, Tonho a
envolveu pela cintura e puxou-a para si agarrando-a pelo alto das coxas. O
vigor do puxão deu a Bruna uma idéia do risco da aventura. Ela precisava pensar
rápido se não quisesse se arrepender amargamente.
Tonho subira seu sutiã e
começara a acariciar seus seios com força, pressionando os mamilos entre os
dedos de uma mão enquanto, com a outra, por trás, apalpava-lhe corpo por dentro
da calcinha, percorrendo o sulco até a entrada da vagina e roçando o ânus ao
voltar, quase arrancando-lhe um grito. Bruna logo sentiu-se insignificante nas
mãos daquele camponês rude acostumado a lidar com o gado, cavalos, cabras e
galinhas que ele via copular livremente. Ele a fez desvencilhar-se da calcinha
enquanto livrava-se da cueca. Depois, como a sainha curta não atrapalhasse,
ignorou-a ao erguer Bruna pelas coxas para tentar espetá-la no membro em riste.
— Espera! exclamou ela,
espalmando-lhe uma mão no peito e empurrando-o.
— Que foi, sô?
Tonho se deteve e ficou
olhando-a nos olhos, enquanto Bruna se debatia para ser posta no chão,
sentindo-se ao mesmo tempo encharcada e pronta, cheia do desejo quase
imponderável de ser penetrada por aquele animal indócil, mas também
amedrontada, hesitante. Ela não podia pôr tudo a perder! E Caio? E a família
dos patrões, que ela tanto queria que fosse a sua futura família? Ela não podia
entregar-se a Tonho, arriscar-se a engravidar e arruinar o futuro que ela
idealizara para si! Ela tinha que procurar outra solução, capaz de satisfazer o
desejo imediato de ambos sem comprometer seus projetos. Puxando Tonho pela mão,
ela fez com que ele trocasse de lugar com ela. Um pouco espantado, ele a viu
dar-lhe as costas, apoiando-se no tronco maciço da árvore e oferecendo-lhe o
corpo nessa nova posição, olhando para trás e seduzindo-o pelo canto dos olhos.
— Não quero ter filho,
Tonho. Você sabe fazer por trás?
— Ara! Claro que sei! Tem
certeza que você quer desse jeito?
— Tenho.
Tonho se aproximou, passou
uma das mãos por baixo da sainha para agarrar Bruna pela cintura, cuspiu várias
vezes na glande e introduziu-a entre as duas nádegas redondas, que se empinaram
para franquear-lhe a passagem. Em seguida, apalpando o orifício para situá-lo,
ele encostou-lhe a glande e começou a pressionar. Sentindo o início da
expansão, Bruna franziu a testa, apertou os olhos, respirou fundo e esperou
pelo pior. Mas Tonho sabia o que fazer; ele deu cutucadas curtas e leves até
que o ânus relaxasse para acolher a extremidade da glande. Excitada, mas
apreensiva, Bruna passou a acariciar-se entre as pernas, esfregando o ponto
sensível que lhe dava tanto prazer durante as fantasias solitárias. Isso a
distraiu um pouco e contribuiu na lenta conversão da dor em prazer. Sentindo
o ânus ceder pouco a pouco, Tonho agarrou Bruna pela cintura com as duas mãos e
começou a empreender o esforço contínuo para introduzir-se.
— Vai, mete! ordenou ela,
sofrendo atrozmente.
— Fala umas coisas pra mim,
Bruna.
— Tá. Mete no meu cu, fez
ela, sumária, olhando para trás para tentar ver a penetração, mas só
conseguindo ver o corpo de Tonho e muito vagamente o tronco claro, reto e
grosso que ele se aplicava a afundar-lhe entre as nádegas.
Entretanto, o suor dos
corpos e a lubrificação oriunda da excitação de Tonho acabaram facilitando um
pouco a tarefa e Bruna pôde enfim sentir a glande de grosso calibre deslizar
para o interior, o que a aliviou um pouco. Ela pediu a Tonho que ficasse por um
momento imóvel dentro dela, mas ele a puxou para si para penetrá-la ao máximo,
arrancando-a literalmente da árvore, que ela agarrara. Tirada do chão e
agarrada com toda força pela barriga, Bruna sentiu o enorme corpo invasor
avançando em suas entranhas. Seus dedos quase histéricos atacaram o clitóris quando
Tonho, incapaz de controlar-se mais, iniciou um vaivém furioso, grunhindo e
arfando atrás dela, molhando a sua nuca e ombro com saliva e impregnando o ar
de um hálito quente e ofegante. Essa ação combinada levou-a a um grau de
excitação que transcendia tudo que ela extraíra de sua modesta imaginação.
Assim que ela sentiu a estocada fortíssima que precedeu a primeira emissão de
Tonho, ela recebeu no sexo o choque que desencadeou o seu próprio orgasmo, que
veio em ondas crescentes e se apoderou do seu corpo, terminando nas pernas, que
perderam completamente o controle. Tonho dava-lhe ruidosos golpes de pélvis,
mas a lubrificação era tão abundante que ela agora só o sentia entrar e sair
sem nenhum atrito. Num instante de lucidez, Bruna viu que continuava acima do
chão, as pernas soltas e separada da árvore cujo largo tronco lhes projetava
sombra. Tonho, robusto e mais alto que ela, encontrara um modo cômodo de
penetrá-la fundo enquanto a mantinha estreitamente junto a si. Foi só quando
tudo acabou e que os movimentos cessaram, que ele a pousou no chão e pareceu
enfim atender ao pedido de ficar imóvel dentro dela. Passando uma mão por entre
as coxas, Bruna foi apalpar os testículos colados às suas nádegas e a verga
profundamente cravada em seu corpo, enquanto Tonho ainda resfolegava em seu
pescoço sussurrando-lhe coisas que lhe brotavam da lembrança de revistinhas
pornográficas. Com o coração aos trancos, mas satisfeita, ela retribuiu
voltando-se para trás, procurando os seus lábios e dando-lhe um beijo molhado.
Enquanto repunham a roupa,
Tonho jurou que se ela quisesse ter filhos com ele, não precisaria pedir duas
vezes; ele se casaria de papel passado. Bruna sorriu, olhando-o nos olhos e
descobrindo-o bondoso e sincero. Depois passou a mão em seu rosto imberbe e
vermelho, beijou-o de leve nos lábios e caminhou de volta para a estrada. Tonho
soube que não devia segui-la nem tampouco procurá-la para tentar dar
continuidade ao que acabara de se passar à sombra daquela árvore.
Capítulo III — Os Gêmeos
As semanas se passaram. Na
escola, Bruna passou a sentar-se sozinha e a voltar diretamente para casa após
as aulas. Numa tentativa de continuar sendo a menina caseira e comportada
malgrado a recente experiência com Tonho, intensa e inegavelmente precoce,
Bruna voltou-se para a mãe, ajudando-a em todas as tarefas domésticas, muito
prestativa e disponível, evitando até mesmo suas amigas na vizinhança.
Num fim de tarde de
terça-feira, cerca de um mês e meio depois do último encontro de Bruna com
Caio, sua mãe voltou da sede da fazenda com a notícia de que os patrões
passariam o fim de semana na fazenda. Mesmo sem esperar muito de Caio, Bruna
não coube em si de felicidade; ela reveria as pessoas de que ela mais gostava
no mundo, a família à qual ela intimamente esperava pertencer um dia. E os
minutos escoaram gota a gota, embora não faltasse o que fazer. Era preciso
limpar e abastecer o casarão para todo o fim de semana. De quarta-feira à manhã
de sexta, elas não pararam de esfregar varrer, encerar, espanar, lavar e arrumar.
Toda a família viria, portanto uma faxina em regra se fazia necessária, e Bruna
foi a primeira a empenhar-se de corpo e alma.
Finalmente o dia chegou e
por volta das 14h da sexta-feira, Bruna reconheceu as buzinadas alegres ao
longe, na estrada de terra. Ela escolhera as roupas mais novas que Isabel lhe
dera e sentia-se como alguém da família ao postar-se por trás do enorme portão
azul pronta para abri-lo. Como de costume, Seu Rodrigo vinha na frente e D.
Flora atrás, cada um com o seu carro. Bruna abriu as duas pesadas grades, eles
entraram, estacionaram, mas só os gêmeos saíram da van verde garrafa dirigida
pelo pai. Bruna foi invadida por uma decepção nauseante. Nem ela mesma
sabia o quanto contava com a vinda de Caio.
— Oi, Bruna! Você está
linda, exclamou o patrão, pondo as mãos em seus ombros e afastando-a para
olhá-la, depois dando-lhe dois calorosos beijos no rosto.
— Você cresceu mais um
pouco desde a última vez, Bruna! disse D. Flora, carinhosamente, beijando-a e
caminhando abraçada com ela até a escada de acesso ao varandão da casa.
Tiago e Flávio eram
assustadoramente idênticos. Mediam um pouco menos de 1,70m, tinham a pele muito
clara contrastando com o cabelo preto liso constamente desabando diante dos
olhos, forçando-os a ajeitá-lo com um movimento brusco da cabeça que os tornava
ainda mais iguais. Bruna os achava muito bonitos, mas esquisitos, meio
intimidantes com seus sorrisinhos sarcásticos que surgiam do repuxar de uma das
comisuras dos lábios. Ela preferia o Caio, com seu jeitão de bom menino tímido,
mas ele não viera e isso significava que talvez nem a chamassem à casa durante
o fim de semana porque ela não tinha intimidade com os gêmeos. E de fato, a
sexta-feira terminou e a mãe de Bruna voltou para casa sem nada para dizer-lhe.
Bruna foi dormir triste, com saudades de Isabel, Julia e Clara, de Caio, da
animação da casa e da voz de comando, forte, mas sempre amistosa do Seu
Rodrigo. Ela acabou tendo um pesadelo, dormindo mal e arrependendo-se do muito
que concedera a Tonho.
No sábado de manhã, porém,
Bruna reconheceu as vozes dos gêmeos chamando por ela fora de sua casa. Eles
estavam de bicicleta, iam passear e queriam que ela fosse junto. Embora sem
muita empolgação, Bruna aceitou. Vestiu uma saia curtinha, sua camiseta
preferida, o tênis All Star — presentes de Isabel –, foi para frente do
espelho, olhou-se de todos os ângulos, alisou a saia, deu uma última boa olhada
e saiu. Os gêmeos acharam-na bonita e atraente, mas limitaram-se a
entreolhar-se, sorridentes. Os três enveredaram de bicicleta pela estradinha de
terra que levava ao que restava da velha sede da fazenda da época dos engenhos.
No caminho, como quem não
quer nada, Bruna perguntou por Caio, e os gêmeos a fustigaram com perguntas
sobre o que é que ela e o irmão deles haviam aprontado. Bruna desconversou, mas
logo percebeu que Caio havia revelado alguma coisa sobre a última ida à
cachoeira, o que a magoou muito, embora ela nada tenha deixado transparecer.
A sólida casa de pedra
perdera há muito o telhado, roubado pouco a pouco desde a mudança para a nova
sede, e tudo que se apoiava no madeirame desabara. Os três adolescentes subiram
a escadinha de pedra que desembocava na longa varanda ladrilhada, entraram
juntos no salão e foram logo explorar os demais cômodos. Viam-se ninhos de
pássaros nos furos onde os antigos caibros se encaixavam para sustentar o
segundo piso, que desmoronara sobre o térreo. Eles percorreram a ruína,
brincaram de esconder e quando se cansaram, foram sentar-se na grama maltratada
do que outrora fora um vasto jardim circundante. Bruna começou a sentir-se
menos insegura entre aquelas duas cópias humanas, porém o assunto não podia
deixar de voltar à baila e os gêmeos alternaram-se na saraivada de perguntas.
— Agora conta o que rolou
com o Caio, vai, Bruna! disparou Tiago.
— Contar o quê, menino?
respondeu ela, arrancando grama do chão.
— A gente já sabe do dia da
cachoeira, disse Flávio, provocativo.
— Se vocês já sabem, eu não
preciso falar!
— É, mas diz pelo menos se
gostou!
— Fala se gostou, Bruna!
insistiu Tiago.
— Ai, está bem,gostei,
pronto!
— Não quer fazer de novo?
— Ah, sei lá… respondeu
ela, evasiva.
— Aposto que quer! lançou
Flávio. Mostra para a gente como foi.
— Ah, não!
— Por que não?
— Sei lá! Não quero.
— Você só faz com o Caio? Está
gostando dele, é?
— Para com isso, menino!
retrucou ela, encabulada.
— Vamos lá pro banheiro da
casa, sugeriu Flávio, lembrando-se do único lugar ainda relativamente
preservado na ex-sede.
— Isso! animou-se o irmão,
já se levantando.
— Nem morta!
— Por quê, Bruna? Não tem
mais ninguém aqui e a gente pode se divertir a valer, argumentou o gêmeo mais
esperto.
— E ninguém precisa ficar
sabendo, reforçou o outro, já de pé.
— Poxa, topa aí, Bruna! Dá
para aprender muita coisa juntos!
— Ah, não sei...
— A gente só faz se você
quiser, garantiu Flávio, mas vamos até lá, por favor!
Bruna estava ao mesmo tempo
tentada e temerosa. Temerosa porque consciente de ser muito mais adiantada que
eles na matéria, e de que isso poderia prejudicá-la se eles abrissem a boca
assim como Caio fez com eles. Por outro lado, a tentação era grande porque o
clima de excitação promovido pelos gêmeos era indiscutível, os três estavam
sozinhos, eles garantiam discrição e, principalmente, não havia dúvida de que
seria uma oportunidade para ela de aproximar-se ainda mais da querida família
dos patrões. Eles iriam embora no domingo e sabe-se lá quando e de que jeito
voltariam. Depois de refletir um momento, Bruna forjou um suspiro
condescendente, levantou-se sem olhá-los e caminhou com eles para a velha sede.
Assim que os três
reentraram na casa pela entrada principal, Flávio e Tiago foram saltando pelo
reticulado de caibros do imenso salão agora sem tábuas corridas até o único
cômodo ainda guarnecido de teto. Pondo a cabeça para dentro, Bruna reviu o amplo
banheiro situado numa das extremidades da casa e ocupando toda a largura. O
chão estava praticamente intacto e ainda se viam alguns azulejos decorativos, a
imensa banheira branca com pés de leão, a pia e o bidê, todos de um branco
encardido. Ao entrar, Bruna deparou com Flávio sentado no parapeito da janela e
Tiago de pé, ambos olhando para fora.
— Vem ver, Bruna! Rápido!
sussurrou Flávio.
A cerca de 50m da casa,
junto ao cercado, uma égua estava sendo coberta por um garanhão. Quando este se
erguia sobre as patas traseiras, exaltado, arfando e relinchando, via-se o
colossal membro ereto e seguia-se a impressionante penetração. Bruna, que havia
visto a cena centenas de vezes, sorriu ao vê-los tão impressionados e
flagrantemente excitados. Ela aproximou-se e Flávio passou-lhe um braço em
torno da cintura. Ela tentou desvencilhar-se, mas a mão insistente foi parar em
sua coxa, em movimento ascendente. Bruna tentou interceptá-la, mas como Flávio
insistisse e Tiago parecia distraído com o espetáculo da intimidade eqüestre,
acabou deixando-o livre, sentindo a mão chegar-lhe ao traseiro e apalpá-lo por
cima da calcinha justa.
Tiago, empolgadíssimo,
exclamava um "caraca!" a cada arremetida do garanhão na égua submissa
e vez por outra ajeitava o próprio membro, cuja ereção não programada lhe
causava incômodo. Bruna e Flávio acabaram percebendo e se entreolhavam
sorrindo. Em determinado momento, o incômodo se tornou tão desagradável que
Tiago lhes deu as costas e enfiou a mão por dentro da calça para tentar corrigir
definitivamente o problema.
— Está tão duro assim?
Perguntou Flávio, zombeteiro.
— Não é isso, panaca!
retorquiu Tiago, enrubescendo. É que dói quando roça na roupa.
— Então bota pra fora,
respondeu o irmão, com toda a naturalidade.
Embora consciente de que
algo deveria desencadear o que eles se haviam proposto a ir fazer naquele
banheiro, Tiago olhou espantado e incrédulo para esse irmão idêntico a ele mas
de temperamento tão diferente, e foi só então que ele percebeu a mão
acariciando Bruna por baixo da saia e ela olhando-o com um sorriso
condescendente, como se tivesse se juntado ao seu irmão para gritar-lhe
"Acorda, bobão!" Vendo-se encurralado, suspirando e fazendo uma
expressão conformada, Tiago abriu a bermuda e baixou a cueca. De fato, devido à
ereção, meia glande ultrapassara o prepúcio e causava-lhe a desconfortável
fricção.
Dando um sorriso de júbilo,
Flávio empurrou Bruna na direção do irmão, acomodando-se na janela para ver
como ele se sairia. Deixando-se colidir com Tiago, Bruna fingiu horror quando o
membro tocou em sua coxa, e afastou-se olhando para Flávio um pouco
desorientada.
— Pega nele para a gente
ver, pediu ele.
Fingindo impaciência, Bruna
apoiou-se com uma mão no ombro de Tiago e levou a mão livre até seu sexo,
sentindo-o pulsar e enrijecer entre seus dedos. As faces de Tiago
incendiaram-se imediatamente e seus olhos foram procurar aprovação na
maturidade da atitude do irmão enquanto Bruna sorria, achando graça da
temperatura fria dos testículos e contemplando com olhar curioso o membro — o
terceiro que ela via em tão pouco tempo — que dançava ao sabor das pulsações.
Bruna logo notou as
diferenças entre Tiago e Caio. Embora fosse um ano mais novo, Tiago era mais
corpulento e possuía um sexo mais volumoso, que ela comparou a uma salsicha
branca com uma das extremidades abertas, por onde se insinuava uma porção bem
maior da glande, talvez pelo excesso de "punheta" (ela agora sabia o
que era isso). E as diferenças se somavam: o de Tiago era curvado para cima e
não para o lado, e seu diâmetro era bem maior que o de Caio.
— Não quer provar, Bruna?
perguntou Flávio, sempre sentado à janela, em tom brincalhão, mas visivelmente
excitado.
— Ah, sei lá... respondeu
ela, dando um sorriso um pouco tímido, mas na verdade menos acanhada do que preocupada
em parecer fácil demais aos meninos da famíla que ela venerava.
— Dá um beijinho nele, vai!
insistiu o gêmeo desinibido.
— Isso, Bruna! aderiu
prontamente o outro, aceso. Só um beijinho!
Bruna hesitou por um
momento, mas sentindo o sexo pulsando na mão colou seus lábios nos dele. Tiago
correspondeu à altura, introduzindo a língua em sua boca e procurando grudar-se
em seu corpo. Quanto a Flávio, caiu na gargalhada.
— Que foi? Perguntou ela,
interrompendo o beijo sem entender nada.
— Pirou, cara? perguntou o
irmão, tão intrigado quanto ela.
— Vocês não entenderam
nada: o beijinho não era na boca!
Os dois inocentes
entreolharam-se e Tiago, com o olhar perdido, ficou parado, sem saber quem
deveria tomar uma iniciativa. Sem se fazer de rogada, Bruna puxou seu prepúcio
para trás, expondo completamente a glande que, sendo de considerável volume,
provocou uma fortíssima fisgada em Tiago.
— Ai!
— Que foi? perguntou ela?
— Assim dói! Tem que ser
devagar.
— Ah, tadinho! fez ela,
fazendo um carinho no tronco duro.
— Agora é que vai ter que
dar beijinho mesmo, lançou Flávio, aproveitando a deixa.
Pondo-se bem de frente para
Tiago, Bruna curvou-se e soprou na glande para fingir que fazia a dor passar. Em
seguida, admitiu-a entre os lábios, provando pela primeira vez com a boca o
tamanho, a textura e o sabor de um sexo. Tiago fechou os olhos, e começou
espontaneamente a afagar-lhe o cabelo, iniciando ao mesmo tempo um lento
movimento pélvico. Flávio acompanhou fascinado, dividido entre a felação e as
dobrinhas das coxas de Bruna que ficaram expostas quando ela curvou-se. Pela
primeira vez, ele notava a perfeição do corpo da menina que ele vira desde
sempre e que agora aplicava-se à tarefa de dar prazer ao seu irmão. O cabelo,
denso, forte, mas brilhante e saudável de Bruna movia-se ao sabor do ritmo do
tronco. Ela lhe pareceu tão bonita e sensual que Flávio não conseguiu mais
permanecer como mero espectador. Saindo da janela, ele foi encostar-se em
Bruna por trás, dando uma piscadela para o irmão que continuava em êxtase. Como Bruna
não se opusesse, ele levantou sua saia, rebatendo-a sobre as costas. Ela deu
uma olhada para trás, mas sorriu e continuou concentrada no que estava fazendo.
Então Flávio baixou e a cueca para esfregar-se nela. Vez por outra, Bruna se
erguia para descansar e ele a agarrava pela cintura, passando as mãos por
dentro de sua camiseta. Ela retribuía esfregando-se nele, procurando seus
lábios para beijá-lo; Flávio a excitava muito, deixando-a toda quente e corada,
com a respiração ofegante. Quando ele passou a mão entre suas coxas, ela gemeu
e isso despertou ainda mais Tiago, que subiu sua camiseta e o sutiã, expondo os
dois seios e pondo-se a acariciá-los e chupá-los alternadamente. Tomada pelos
dois lados, Bruna foi sentindo-se tão excitada que esteve por várias vezes
prestes a entregar-se aos gêmeos sem mais pensar, mas a razão trazia de volta à
mente os seus objetivos e a impedia de comprometer sua realização.
— É melhor a gente parar,
gemeu ela.
— Ah, Bruninha, dá para a
gente, vai! pede Flávio, explícito pela primeira vez.
— Nunca!
— Vai dizer que não deu
para o Caio?
— E não dei mesmo! Ele
disse isso? perguntou ela, incrédula.
— Não, sou eu que estou
dizendo, admitiu ele.
Mais impulsivo, Tiago se
despira completamente, sentando-se nu no bordo da banheira e abrindo bem as
pernas, em atitude de espera. Flávio, por sua vez, tentava dar um jeito de
baixar a calcinha de Bruna, mas ela o impedia.
— Então tira pelo menos a
camisa e o sutiã todo, pediu ele.
— Eu tiro, mas a gente só
vai brincar, está bem?
— Está legal, responde o
mais esperto, cruzando os dedos com a mão às costas.
Não pensem que isso não era
um esforço para Bruna; ela não estava mais agüentando de desejo de ir além,
principalmente com Flávio! A única coisa que a preocupava de verdade era a
virgindade, que ela não queria perder numa brincadeira inconsequente. Quanto à
razão principal, era de ordem puramente estratégica: os gêmeos não lhe pareciam
ser a melhor maneira de ingressar na família Albuquerque.
Vendo o desconsolo dos dois
porque o joguinho parecia estar virando água com açúcar, Bruna levou as mãos à
camiseta e começou a tirá-la, depois o sutiã, diante dos olhos esbugalhados dos
gêmeos, que não pouparam elogios à sua cor, às suas formas, aos seus seios, às
nádegas lindas, empinadinhas, às coxas, à barriga plana com seu fio de penugem
dourada que descia do umbigo para desaparecer na calcinha justa e cavada, de
bolinhas, presente de Isabel. Eles estavam literalmente em contemplação e isso
fez muito bem a Bruna, que começou enfim a sentir-se mais admirada do que
assediada por eles. Ela voltou a acomodar-se entre as pernas Tiago, que logo a
abraçou pela cintura, enquanto ela observava Flávio que resolvera também
despir-se. Embora eles fossem idênticos, havia algo de mais firme e ágil na
atitude dele, que tornava seu corpo mais desejável aos seus olhos e que a
excitava muito mais. Assim que ficou nu, ele aproximou-se e colou-se a ela,
beijando-a na boca, acariciando seus seios e sentindo seu sexo roçar no seu
corpo. Bruna não tardou a presentear o seu favorito com o que concedera ao
irmão. Flávio arrepiou-se todo ao sentir o hálito quente descer pelo seu corpo
enquanto mãos suaves acariciavam-lhe as coxas e acolhiam seus
testículos. Quando Bruna envolveu seu membro com os lábios, Flávio já
estava tão excitado que teve instantaneamente um orgasmo, o mais forte que ele
tivera até então. Suas nádegas se contraíram, seu corpo foi impelido para a
frente e ele disparou dois ou três jatos que Bruna não pôde evitar,
assustando-se e desviando o rosto.
— Aaah! Que é que
aconteceu? gritou ela, cuspindo, enojada.
— Desculpa, Bruna! Eu juro
que não queria, mas estava com tesão demais, respondeu ele sinceramente, às
voltas com um fim de orgasmo que se esvaía desperdiçado entre os dedos.
Nesse momento, um motor de
carro se fez ouvir. Tiago foi até a janela e, para horror seu, avistou a mãe
que fora certamente procurá-los porque estava na hora de almoçar. Ela viera com
a van para carregar as bicicletas. Quando eles saíram da sede em ruínas,
vestidos e com a expressão mais inocente do mundo estampada no rosto, e foram
acolhidos com o sorriso amoroso de uma mãe feliz por vê-los bonitos e corados,
os gêmeos estavam tão tensos que mal puseram as bicicletas no carro e entraram,
adormeceram imediatamente no amplo assento traseiro. Quanto a Bruna, ainda em
choque pelo incidente com Flávio, não tivera tempo de recompor-se e permaneceu
no banheiro, recomendando-lhes silêncio. Por sorte, sua bicicleta estava atrás
de uma moita e escapou ao olhar de D. Vera, que acabou ignorando para sempre
que os gêmeos estiveram com ela naquela manhã.
Sozinha no caminho de volta
para casa, Bruna desejou que Flávio não a esquecesse assim que chegasse ao Rio
e visse a primeira menina que o atraísse. Mas o silêncio entre eles durante o
resto do fim de semana lhe soprava que entre os seus desejos e a vida real das
pessoas daquela família que ela tanto queria integrar, havia uma zona obscura
que ela ainda não entendia bem e que talvez ela jamais fosse capaz de transpor.
Capítulo IV — Precocidade
Arriscada
Ainda que intencionalmente
incompletas, as experiências de Bruna incorporaram nela a necessidade do sexo. Era
flagrante que algo mudara nela. Pouco a pouco, suas atitudes e até seu
semblante passaram a chamar a atenção de homens experientes. Os agricultores,
os comerciantes do vilarejo, os professores da escola e até o vigário passaram
a dirigir-se a ela com uma atenção inusitada. Bruna estava desinibida com os
homens. Ela agora sabia do gosto e da fraqueza deles pela mulher jovem, bonita
e bem feita.
Quando fazia compras para
sua mãe, Bruna ia principalmente ao armazém do seu Jorge e era atendida pelo
Gabriel, filho dele. Poucos meses antes, ela dizia o que queria de cabeça baixa
e já corando, mas ultimamente ela o olhava bem nos olhos e quem corava era ele,
desviando o olhar. Gabriel era um rapagão de 19 anos, não muito alto, mas forte
de tanto carregar peso. Sendo "galego" como Tonho e tantos rapazes da
região, ele era quase louro de olhos muito azuis, mas Bruna notava em seu olhar
um fundo sombrio que ela não conseguia explicar. Foi fácil convencê-lo de que
ele a interessava. Rapidamente, os dois começaram a se agarrar e beijar nos
fundos do armazém quando não havia cliente ou em fim de expediente. Bruna ia de
vestido solto e Gabriel a devorava com os olhos assim que ela entrava,
imaginando seu corpo nu. Quando os dois chegavam ao fundo da loja, Bruna
encostava-se numa pilha de sacos de cereais e deixava-se apalpar e beijar
ardentemente, sentindo a ereção pulsante do rapaz contra o corpo.
No início, Bruna só pedia a
Gabriel que tirasse a camisa, para que pudesse ver e apalpar seu peito, barriga
e braços musculosos, mas não tardou a desejou ver suas coxas, que pareciam ser
fortes e bonitas, as nádegas, que ela adivinhava firmes e bem feitas e, claro,
o sexo que ela apenas sentia comprimido contra o seu corpo, sempre aprisionado
na velha calça de trabalho. Decidida a realizar esses desejos, Bruna foi ao
armazém com uma lista grande de compras, dez minutos antes do fim do
expediente. Irritado, seu Jorge deixou por conta do filho e foi embora. Gabriel
exultou ao ver o ar maroto da menina, já adivinhando a intenção oculta. Eles
foram para os fundos e, assim que ele encostou-se nela para apalpar-lhe os
seios e beijá-la, Bruna começou a abrir-lhe calça. Olhando-o bem nos olhos, ela
desafivelou o cinto, o botão do cós, baixou o zíper até o final e puxou o
elástico da cueca, mantendo-o afastado para que o membro assumisse sua posição
natural. Gabriel ainda estava um pouco sem jeito quando Bruna inclinou-se e
abocanhou a glande por inteiro, engolindo ruidosamente o fluido que se diluiu
na saliva abundante e pondo-se a chupá-lo com gosto, sem dar qualquer sinal de
asco.
Entretanto, a excitação
fizera o seu trabalho e, assim como ocorrera com Flávio, Gabriel teve um um
espasmo intensíssimo seguido de uma emissão que inundou a boca de Bruna com um
primeiro jato incisivo e denso. Bruna mal teve tempo de direcionar os jatos
seguintes para fora da boca. Seus olhos, testa, uma orelha, o pescoço e até o cabelo
foram atingidos, enquanto Gabriel, zonzo, olhava para ela sem saber o que
fazer, tomado por uma sucessão de espasmos menores que o forçaram a terminar
masturbando-se nervosamente. Quando ele pôde enfim locomover-se, foi até o
balcão segurando as calças pelo meio das coxas e voltou limpando-se com um pano
e entregando outro a Bruna, que o recebeu com um traço de decepção nos lábios.
Naquele dia, ela lhe pediu suas compras e foi embora calada, incapaz de
entender como era uma relação sexual completa, se o orgasmo dos homens podia
desencadear-se tão violentamente antes mesmo do ato propriamente dito.
Uma semana e meia se passou
sem que Bruna desse a Gabriel qualquer sinal de interesse. No armazém, ele
procurava por um olhar seu, mas ela se fazia de desentendida e concentrava-se
nas compras. Domingo de manhã, caminhando por uma calçada, ela o viu atravessar
a rua e vir na sua direção. Sem tentar detê-la, ele lhe disse que queria que
ela fosse ao armazém no mesmo dia, por volta das cinco da tarde. A frente estaria
fechada, mas a porta de trás não. Um pouco amolada, ela hesitou, mas como seu
corpo já estivesse reclamando seus novos direitos, acabou decidindo dar uma
chance ao rapaz, prevenindo-o de que não poderia ficar mais do que meia hora e
acrescentando cinicamente: "Mas isso é tempo de sobra para você!"
Gabriel se afastou, parecendo-lhe satisfeito. Ela foi para casa e passou o
resto do domingo tomando sol no quintal. Quando chegou a hora, ela disse à mãe
que ia à casa de uma colega para pegar os deveres da segunda-feira e saiu.
Chegando ao armazém do seu
João, Bruna avistou Gabriel à porta dos fundos e entrou rapidamente para não
ser vista. Assim que a porta se fechou, o rapaz mostrou-se mais seguro, tomando
a iniciativa de despir-se e oferecendo-se à Bruna numa prodigiosa ereção. Animada,
ela o empurrou até uma cadeira, ajoelhou-se entre suas pernas e pôs-se a
lambê-lo lascivamente enquanto acariciava suas coxas. Gabriel estava
resistente e isso não lhe passou despercebido. Ela o olhou admirada, perguntando-lhe
com sarcasmo se ele "treinara" em casa antes de marcar esse novo
encontro. Ele deu um risinho e a mandou calar-se e prosseguir. Ela pôs-se então
a chupá-lo gulosamente, tão concentrada que não percebeu os ruídos estranhos no
depósito habitualmente silencioso. Ela só se deu conta de qualquer diferença
quando sentiu um par de mãos fortes como tenazes imobilizar-lhe os braços, mas
antes que pudesse esboçar qualquer reação, uma mordaça tapou-lhe a boca e um
saco de pano desceu-lhe pela cabeça.
Os longos minutos que se
seguiram foram de silêncio absoluto, mas de ação incessante. Bruna foi
agarrada por trás e colocada de bruços sobre uma pilha de sacos de cereal.
Depois, tiraram seu vestido, o sutiã e a calcinha. Ela sentiu seus seios
contra o saco de fibra áspera. Duas mãos rudes a agarraram pela cintura e uma
terceira mão, untada com o que poderia ser óleo de cozinha ou azeite,
percorreu-lhe as nádegas, por dentro e por fora, depois a vulva e o interior
das coxas. Debatendo-se inutilmente e já prevendo o etapa seguinte, Bruna fez
um esforço sobre-humano para abrir a boca ao máximo, até poder abocanhar a
mordaça, mastigá-la e tentar gritar algo de compreensível aos seus captores.
"Na frente não! Na frente não, pelo amor de Deus!", gritou ela, soluçando.
Houve um silêncio, ela os imaginou comunicando-se por gestos e, momentos
depois, ainda com medo, porém mais aliviada, sentiu um contato seguido da lenta
expansão do ânus pelo que parecia ser um dedo habilmente manejado. Gabriel fora
covarde para planejar aquilo daquela maneira, mas não perverso o suficiente
para negar um pedido seu, pensou Bruna. Bem lubrificado, o dedo entrava e saía,
evocando uma sensação que ela já conhecia.
Eles eram três. Bruna ouviu
murmúrios em três timbres de voz diferentes. Enquanto o primeiro começava a
penetrá-la lentamente, provavelmente controlado por Gabriel, os outros
limitavam-se a acariciar suas coxas, suas costas, suas nádegas, seus ombros...
Isso foi acalmando-a, ela foi parando de soluçar e acabou por aquietar-se,
esforçando-se para acreditar que tudo não passava de um golpe infantil de
Gabriel com amigos, alguns dos quais ela conhecia e sabia não serem
marginais. Vendo que ela não pretendia reagir, eles acabaram soltando suas
mãos. Bruna queria vê-los, mas eles não lhe tiravam o saco de algodão da
cabeça. Seus mamilos estavam doloridos em virtude do atrito. Bruna fez que
desejava erguer o tronco para aliviá-los e logo sentiu duas mãos começando a
massageá-los com energia. Através da mordaça, Bruna chamou baixinho por Gabriel
e só então descobriu que não estava sendo penetrada por ele. Gabriel
aproximou-se e cochichou-lhe: "Está vendo o que acontece com quem zomba de
mim, menina?" Bruna quis responder, mas a mordaça entre os dentes a
impedia de articular. Gabriel resolveu soltá-la, sem contudo decobrir-lhe a
cabeça. Ela tentou explicar que não zombara dele, que só tinha ficado
decepcionada com aquela ejaculação tão rápida e que sua atitude era uma maneira
de "descontar". Ele então ofereceu-lhe o sexo todo duro, que ela
aceitou.
Penetrada
"respeitosamente" no orifício de sua escolha e sentindo-se à vontade
com a felação para um Gabriel ainda em desvantagem, Bruna começou pouco a pouco
a perder o medo e a distender-se. Por trás dela, o comparsa que a penetrava não
se comparava ao Tonho; seu sexo pareceu-lhe muito longo e fino, produzindo uma
ação relativamente indolor e cujo vaivém foi-se intensificando até
estabilizar-se dentro dela e transformar-se em pequenos trancos enquanto
pulsava e vertia uma série de jatos mornos.
Momentos depois, novos
cochichos fizeram-se ouvir e outra glande veio encaixar-se no mesmo orifício,
porém expandindo-o bem mais que a primeira. Bruna gemeu forte e interrompeu a
felação em Gabriel, novamente apreensiva. Seu segundo agressor era mais rude e iniciou
estocadas que se intensificavam rapidamente. Um arrepio percorreu-lhe o corpo,
enrijecendo-lhe os mamilos e alagando-lhe a vagina intacta. O membro a
penetrava fundo, friccionando as paredes do reto, enquanto mãos ásperas
puxavam-na pela cintura, fazendo-a chocar-se fortemente contra duas coxas duras
como troncos de árvore. Os gemidos saíam espontaneamente de sua boca, agora
ocupada pelo membro do primeiro rapaz que a possuíra, empenhado agora em
empurrá-lo até o fundo de sua garganta. Gabriel, apaixonado e contemplativo,
dedicava-se às suas costas, acariciando-as até o final, descendo pelas nádegas,
percorrendo as coxas e observando de perto a penetração. Subitamente, os
jatos quentes na boca. O esperma descia pela garganta enquanto outros jatos se
sucediam, na língua, nos lábios, no rosto, sem parecer ter fim. Bruna tentou
tirar o saco de algodão da cabeça, mas foi impedida. Logo em seguida, as mãos
que agarravam-na pelas ancas crisparam-se, as estocadas se intensificaram e ela
sentiu pela segunda vez várias descargas quentes inundarem-lhe as entranhas.
Ofegante, sentindo seu ânus dolorido voltar ao diâmetro normal e o esperma quente escorrer-lhe pelas coxas, Bruna rogou por uma trégua. Alguns minutos lhe foram concedidos, até que ela ouviu a porta abrir e tornar a fechar-se. Imaginando com horror que uma quarta pessoa houvesse entrado, ela pôs-se a gritar e contorcer-se. Mas o saco de algodão foi arrancado da sua cabeça e ela se viu sozinha diante de Gabriel. "O que é que eu vou fazer com você?", perguntou ele, ainda cheio de revolta na voz. Ela lhe respondeu que faria o que ele quisesse desde que ele a deixasse virgem. Ele quis saber por quê. "Por causa da minha mãe!" Gritou ela, recorrendo à desculpa habitual, forçando o choro, mas cada vez mais consciente de que a virgindade era a chave que lhe permitiria um dia livrar-se daquela vida e daquela gente para ingressar no mundo da família Albuquerque, o mundo que ela merecia. Custasse o que custasse, ela queria se preservar para um deles, mas isso ela não podia contar a Gabriel, daí o recurso à desculpa com a mãe. Ela estava nua, desamparada diante daquele rapaz ofendido e tão mais forte que ela, sentindo seu corpo dolorido e naquela posição humilhante. Ela tentou erguer-se, mas Gabriel pôs uma mão pesada sobre suas costas. "Agora é minha vez", disse ele, dando um risinho e afagando-lhe as nádegas, admirando-lhes o moreno claro, o perfeito arredondado da forma, a textura lisa e uniforme, o profundo sulco entre elas… e, pouco abaixo, a fenda proibida.
— Você se depila, é?
— Não está vendo?
— Mas depila para quê? Você
não é virgem?
— Sou, e daí?
— Eu não sabia que mulher
virgem se depilava.
— Ah, não? Então ficou
sabendo agora!
Gabriel levou um dedo aos
grandes lábios e sentiu sua maciez, a separação entre eles, aprofundando-o
ligeiramente. Bruna fechou as pernas com força e lhe pediu que parasse. Isso
aguçou o desejo do rapaz, que sentiu um novo tranco do membro novamente rígido.
Não suportando mais, ele agarrou Bruna, virou-a de frente, separou suas coxas e
mergulhou o rosto entre elas. Ela tentou espernear, fechar as pernas, mas ele
as segurou com tanta força, rebatendo-as completamente contra o corpo,
escancaradas, que isso a imobilizou. Essa posição expôs a vagina e ele pôde
distinguir os dois pequenos lábios discretos e rosados. Gabriel deu uma
primeira linguada, do períneo ao final da fenda, depois voltou para trás,
iniciando no ânus a segunda linguada molhada e justa, depois uma terceira, uma
quarta e uma quinta. Bruna não pôde resistir por muito tempo e acabou cedendo,
relaxando as pernas, vendo seus joelhos quase tocarem o saco de milho de cada
lado do tronco. A cada linguada, Gabriel sentia o contorno dos lábios, a
textura da vagina, seu sabor tão especial, ligeiramente tendente ao salgado.
Quando ele se afastou, viu que a tinha aberto um pouco mais e descobriu o botão
do clitóris, volumoso e entumescido no ângulo superior. Ele o colheu com os
lábios e pôs-se a lambê-lo, causando em Bruna um tremor que foi pouco a pouco
tomando todo o corpo. Agora, era ela que, segurando as próprias pernas,
mantinha-as escancaradas para facilitar a ação de Gabriel que, debruçado nos
sacos de milho picado, literalmente sorvia seu clitóris com os lábios. O
orgasmo não tardou a vir, um orgasmo fulminante e farto, sob forma de espasmos
fortíssimos que se manifestavam com golpes de pélvis. Gabriel continuou a
lamber com força, recolhendo o líquido quente que encharcava a vulva. Quando
tudo terminou, Bruna ficou estendida sobre os sacos de milho, inerte, muito
ofegante, as pernas trêmulas.
— Você é mesmo encapetada!
exclamou ele, observando-a.
— Encapetada? Por quê?
— Daqui a pouco, ninguém
vai poder com você!
Bruna se sentou, olhando
sorridente para Gabriel. Como Tonho, ele também era bom e ingênuo, e ela sabia
disso.
— Por que você fez isso?
Por que chamou aqueles dois? Quem eram?
— Eu queria dar uma lição
em você, mas estou arrependido. Foi muito ruim?
— Adivinha, Gabriel! Eles
podiam ter me machucado muito!
— Que nada! Eu estava do
lado o tempo todo para não deixar. Mas não posso te contar quem eram. Talvez um
dia...
— Você acabou ficando de
fora.
— É... Fiquei na vontade. Todo
mundo aproveitou, menos eu!
— Bobo!
Bruna se aproximou de
Gabriel, que estava de pé diante dela, sentindo o pênis ainda duro resvalar seu
corpo.
— Ué! Mudou de idéia?
— Não, seu bobão. Vou
deixar você fazer, mas que nem os outros.
— É?
— É. Mas presta atenção:
que nem os outros!
Gabriel posicionou-se atrás
dela, que voltou a debruçar-se sobre um saco de milho, e deixou o resto por
conta do peso do corpo, enquanto ela se preparava para ser mais uma vez
penetrada, agora com pleno consentimento. Seu ânus ainda sensível acolheu esse
terceiro homem, agora tragando-o com desejo até o fim. Virando-se para ele com
olhar meigo, ela sorriu quando Gabriel lhe pediu desculpas com toda a
sinceridade que encontrou dentro de si. Ela o beijou-o com carinho e eles
fizeram amor pela primeira vez, assim, do modo imposto por ela para não
prejudicar seus projetos, mas assim mesmo com amor.
Capítulo V — A Noiva
Como o "tratamento de
choque" preparado por Gabriel e seus amigos teve um desfecho, por assim
dizer, não traumático, Bruna concordou em ter um tipo de namoro com Gabriel,
que se revelou profundamente apaixonado, atencioso e seriamente intencionado a
seu respeito. Bruna sabia que ele não seria seu companheiro definitivo, mas sua
presença era tão agradável e sempre carregada de erotismo que ela se sentia
preenchida e realmente feliz. Toda tarde, por volta das 5h, ela ia ajudá-lo a
fechar a mercearia e eles passavam uma ou duas horas descobrindo e explorando o
sexo de todas as maneiras possíveis, não obstante a condição de que a
virgindade de Bruna fosse preservada.
Narcisista, Gabriel gostava
de ir para o depósito e fechar a porta para que Bruna o encontrasse completamente
nu, de pé no meio do amplo cômodo abarrotado de produtos e se despisse diante
dele, olhando seu membro avolumar-se e subir até quase colar no umbigo. Bruna
se aproximava, beijava-o da boca à pélvis e colhia entre os lábios a glande
encharcada e brilhante, sorvendo, engolindo, fazendo Gabriel fremir de desejo
de penetrá-la. Nada o excitava mais do que vê-la olhando-o diretamente nos
olhos e, pouco abaixo, seu pênis deslizando entre os lindos lábios projetados
da namorada. Invariavelmente, isso provocava uma primeira ejaculação, muito
farta, que Gabriel direcionava para onde quisesse ou simplesmente deixava Bruna
engolir enquanto contemplava o seu rosto. Sempre sorridente, Bruna já se
acostumara ao seu esperma sem visco e sabor ligeiramente adocicado. Em seguida,
eles se amavam, trocando palavras sensuais, carícias íntimas e beijos, até que
Gabriel estivesse novamente cheio de desejo.
Bruna gostava de
proporcionar ao namorado o prazer mais agradável possível. Gabriel habituara-se
à exigência de penetrá-la exclusivamente por trás. Ele respeitava essa
exigência, embora isso o intrigasse e entristecesse um pouco, pois ele não
podia deixar de indagar a quem ela concederia deflorá-la. Bruna gostava de
sentir-se profundamente penetrada pelo grosso membro que a abria e preenchia
enquanto as duas poderosas coxas premiam-na com força contra os sacos de cereal
em que ela se debruçava. Era um momento em que, ao contrário do seu caráter,
ela se sentia frágil e indefesa. Enquanto Gabriel a possuía, ela se masturbava até
o orgasmo, sempre muito intenso porque as preocupações estavam ausentes dessas
relações obrigatoriamente anais.
Os meses do décimo-sexto
ano de Bruna foram se passando, até que, um belo dia, sua mãe recebeu um
telefonema de D. Flora. A família viria em peso à fazenda, chegando na
sexta-feira da mesma semana, à noitinha. Inebriada de felicidade, Bruna foi à
sede todo dia, depois do colégio, ajudar a mãe a preparar tudo. Ela se
encarregou dos quartos. Ao fazer a cama de Caio, ela se lembrou do menino bonito
de olhos serenos, de sua tranqüilidade e do sexo longo e curvo, o primeiro que
ela vira e tocara, objeto de seu primeiro contato íntimo. Em seguida, no quarto
dos gêmeos Tiago e Flávio, veio-lhe a imagem nítida da aventura a três no
banheiro da sede velha. Ela tentou imaginá-los da mesma maneira, ambos nus
diante dela, porém mais crescidos, com corpos mais desenvolvidos e membros
ainda maiores. Talvez eles quisessem "brincar" com ela durante a
próxima estada, conjeturou ela.
Depois de passar longos
momentos relembrando essas primeiras experiências, que os meses iam carregando
para longe, Bruna seguiu para os quartos das meninas. Primeiro o das mais
novas, Julia e Clara, ainda decorado de maneira infantil, depois o de Isabel,
sua confidente. Como estaria a menina linda e esguia que lhe dera as primeiras
dicas sobre os meninos, sobre sexo e até sobre higiene feminina? Bruna mal
podia esperar para rever sua amiga coetânea, torcendo para que ela não
estivesse mudada.
Os dois quartos seguintes
lhe inspiravam mais respeito. Luciano devia estar com dezenove anos e Augusto
com vinte e dois, mas Bruna nunca tivera contato com eles, nem quando mais
jovens. Augusto era sete anos mais velho que ela e sempre demonstrou
considerá-la uma "pirralha", mal percebendo-a na casa, quando ela ia
brincar com seus irmãos. Ela nunca o vira na intimidade, mas se lembrava bem do
corpo já adulto estendido numa espreguiçadeira, tomando sol na piscina. Ela
reparava discretamente a diferença entre seu sexo e o dos demais, tentando adivinhar,
através do volume da sunga, o seu tamanho e indagando-se que tamanho poderia
atingir um pênis.
Luciano era mais acessível
que Augusto, mas Bruna o considerava inatingível. Extraordinariamente bonito,
com seu corpo fino, o cabelo mais claro que o dos irmãos, longo e levemente
ondulado, os olhos tão claros que pareciam transparentes, as sobrancelhas retas
e inteligentes, Luciano era o mais legítimo representante do pai. Desde cedo
enfronhado nas coisas da fazenda e interessado por tudo que ia nela, ele não
deixava dúvida de que seria o herdeiro mais ativo do Seu Rodrigo. Bruna se
lembrava dele andando a cavalo pela propriedade, e de um episódio único
relacionado a ela. Cerca de um ano antes, num desses passeios a cavalo, Luciano
passara pela casa dela e a surpreendera bronzeando-se no quintal, deitada de
bruços sobre uma toalha, usando o menor biquini que Isabel lhe dera.
Encabulada, Bruna fez menção de levantar-se ou de virar-se de frente, mas ele,
do alto do cavalo, lhe disse: "Está ficando linda, Bruna!" Ela se
lembrou bem do olhar dele, diretamente pousado sobre suas costas, e se lembrou
que ela o evitara durante o final de toda aquela estada da família, com
vergonha. Mas Luciano pareceu não dar a menor importância ao fato, e aquela foi
a única ocasião em que ele se dirigiu a Bruna.
Por último, já na
sexta-feira e com o máximo de cuidado, Bruna preparou o quarto de Seu Rodrigo e
Dona Flora, fez a enorme cama de casal de jacarandá com baldaquim e deu por
encerrada a sua participação na arrumação da fazenda. A casa estava limpa e
arrumada, pronta para receber a família.
Os carros chegaram por
volta das seis da tarde. Bruna e a mãe estavam no portão quando todos passaram,
os mais novos fazendo algazarra e caretas. Assim que Isabel saiu, quis puxar
Bruna pela mão e levá-la para o seu quarto dizendo que tinha montes de coisas
para contar. Isso não impediu Bruna de cruzar de relance o olhar de Caio, que
lhe sorriu. Os gêmeos passaram por ela gracejando, Tiago soltou um "Oi,
gostosa!" quase sussurrado e levou safanão de Isabel, que se mostrou
chocada, sem entender, ao contrário de Bruna, o porquê daquele tratamento.
Constatando o quanto eles haviam crescido, Bruna dirigiu breve e
incontrolavelmente o seu olhar para a cintura deles, num relance, mas indiferentes,
eles já disparavam escada para entrar na casa. Dona Flora deu-lhe um beijo
muito afetuoso e simpático, elogiando sua beleza e mostrando-se admirada com
seu desenvolvimento. Seu Rodrigo se deteve diante dela, perguntou como iam os
estudos e "os namoros". Bruna sentiu-se percorrida pelo olhar do
patrão de quase cinqüenta anos e reteve essa impressão sem se acanhar nem se
zangar. Por último, Julia e Clara vieram tentar tirá-la de Isabel. Bruna não
pôde deixar de notar como as meninas, agora com treze e catorze anos, estavam
crescidas e haviam tomado corpo. Julia estava inacreditavelmente linda. Seus
seios recém-despontados harmonizaram seu corpo, suavizando a curva das nádegas
que sempre foram pronunciadas. Clara estava longe de ser o patinho feio da
família, mas ainda era muito nova. Na verdade, Bruna não tinha críticas a essa
família à qual ela sempre quisera pertencer. Isabel puxou-a pela mão e
arrastou-a para dentro de casa.
Chegando ao quarto, Isabel
abriu sua bolsa e tirou dela um embrulho, entregando-o a Bruna. Era um vestido
lindo e novo. Isabel confessou tê-lo usado uma ou duas vezes, mas garantiu que
decidiu dá-lo a Bruna assim que o pôs no corpo. Era um vestido azul, de alças
finas, sem decote. Bruna precisou pô-lo na hora. Assim que ela se despiu,
ficando só de calcinha e sutiã, Isabel soltou um "Uau!", mais uma vez
admirada com o prodigioso desenvolvimento da amiga. Bruna deixou o vestido
descer pelo corpo, sentindo-o tomar suavemente as suas formas. O tecido
finíssimo revelou imediatamente a bela ondulação da cintura. Isabel ficou tão
satisfeita que pulou no pescoço da amiga, dando-lhe um beijo forte na bochecha,
sentindo a pele morna e a firmeza sensual daquele corpo de menina do campo.
Quando Bruna retribuiu, seus lábios esbarraram na comisura dos de Isabel, que
tentou demorar-se, mas logo recuou, um pouco embaraçada ao não constatar
reciprocidade. Bruna levantou os braços, deu uma volta e agradeceu,
deslumbrada. As amigas conversaram até as oito da noite, quando a mãe de Bruna
bateu à porta para chamá-la. Antes de se despedirem, Isabel convidou Bruna para
uma festa que haveria na casa domingo à tarde e lhe disse para vir com o novo
vestido. Bruna foi para casa exultante, atropelando as frases para relatar à
mãe tudo que Isabel lhe contara.
Às três horas em ponto do
domingo, Isabel colou o nariz no vidro da porta da frente da enorme residência
colonial. Quem atendeu foi Caio, dando em Bruna dois beijos carinhosos, que ela
retribuiu timidamente, sem conseguir se livrar da imagem dos gêmeos, postados
pouco atrás, desta vez com ar amistoso, mas o mesmo olhar cheio de malícia que
ela conhecera bem. Quando Bruna deu o segundo passo para dentro, foi
surpreendida por um altíssimo “Feliz Aniversário!” gritado em uníssono por toda
a família. Como evitar a cara de espanto? Não era seu aniversário! Foi Isabel
que explicou tudo. Eles queriam ter festejado seus quinze anos, mas fora
impossível no ano anterior, então ofereciam-lhe aos dezesseis uma festa de
quinze anos. Bruna não cabia em si de felicidade. Festejar um aniversário com a
"sua" família era o maior presente que ela poderia receber. Ela foi
levada ao salão de festas, onde a longa mesa ostentava um lindo bolo branco.
Bruna se sentiu como uma noiva. Para ela, aquele não era um bolo de aniversário,
mas um bolo de noivado, o bolo do noivado dela com a família dos seus sonhos. E
foi como noiva que ela percorreu o imenso salão, agradecendo a cada um com um
beijo sincero. Ela estava quase febril quando foi beijar as mais novas e, por
fim, Isabel. Abraçadas, as duas amigas se emocionaram juntas e, embora um pouco
transtornada, Bruna não deixou de perceber o beijo no pescoço, quente, sensual,
úmido, que lhe deu Isabel com os lábios entreabertos. Ela não teve dúvida de
que fora intencional.
A festa transcorreu normalmente.
Música, salgadinhos, bolo, refrigerantes... e até champanhe! A família ficou
reunida durante cerca de duas horas, até que D. Flora e Seu Rodrigo subiram e
alguns dos filhos se dispersaram. Bruna ficou sentada com Isabel no divã do
salão, observando as brincadeiras de menino entre Caio, os gêmeos e, vez por
outra, Luciano. Ela logo reparou como, no fundo, o eixo central é sempre o
sexo. Se a brincadeira é de lutar, os golpes "baixos" logo acontecem
e as mãos protegem as partes genitais como para chamar atenção sobre elas. Se a
brincadeira é de tocar ou fazer cócegas, um logo procura a coxa ou as nádegas
do outro. Quando os gêmeos tentaram destacar sua virilidade com Luciano, ele
respondeu: "Não estou vendo nada aí!" e morrendo de rir. Bruna não
pôde evitar o pensamento de que Luciano nem podia imaginar o quanto estava
enganado! Ela e Isabel riam uma para a outra, divertindo-se com as brincadeiras
bruscas e imorais dos homens da casa.
Aos poucos, eles se
cansaram e cada um foi para o seu lado. Isabel olhou Bruna fixamente nos olhos.
— Você percebeu?
— Percebi. Por que você fez
aquilo?
— Porque você está linda.
— Que nada!
— É sério, Bruna. Você é a
menina mais bonita que eu já vi.
— Eu é que acho você
linda!
— Se é verdade, minha
opinião tem que pesar muito para você.
As duas estavam sérias,
olhando-se ininterruptamente. O olhar de Isabel era tão intenso e sincero que
Bruna não teve dúvida da seriedade daquele momento e da veracidade do que ela
dizia.
— Acho melhor a gente sair
daqui, Isabel.
— Também acho, respondeu a
lourinha, já saindo do divã e oferecendo uma mão a Bruna.
As duas amigas subiram
silenciosamente a escada central da casa e caminharam pelo longo corredor até o
quarto de Isabel, que fez a amiga entrar e trancou a porta atrás de si. Depois,
caminhou até a cama, onde Bruna já estava sentada, pondo-se ao seu lado.
— O que é que eu faço?
perguntou Bruna, desorientada.
— Nada, respondeu a outra,
procurando sua boca.
Bruna se retraiu um pouco,
mas Isabel insistiu e foi colher seus lábios. Bruna então consentiu e elas se
beijaram profundamente, misturando suas línguas e salivas. O corpo de Bruna
logo atendeu ao chamado e começou a acender-se. Isabel livrou-se do vestido e
começou a tirar o da amiga, acariciando suas coxas, a cintura, as costas, os
seios, a nuca, o cabelo... Depois ela se virou para que Bruna abrisse o seu
sutiã e fez o mesmo para ela, pegando um seio em cada mão, acariciando-os,
sentindo o enrijecer dos mamilos. Só de calcinha, elas se deitaram e passaram
longos momentos se beijando e acariciando. Isabel não cessava de elogiar as
lindas formas de Bruna, a cor da sua pele, a trama forte do seu cabelo, seus
seios de mamilos morenos... "Você pode, Isabel", sussurrou Bruna,
quase num gemido, sentindo em seguida lábios quentes e molhados pressionarem
com doçura o seu seio, a língua indo em busca do bico. Sua excitação foi
crescendo e induzindo-a a soltar-se cada vez mais, liberando os movimentos do
seu corpo e sentindo os de Isabel se tornarem também cada vez mais voluptuosos.
Foi Bruna que tomou a iniciativa de acariciar o sexo da amiga. Para não marcar
o vestido, Isabel pusera uma calcinha fio-dental preta que envolvia
praticamente apenas o par de lábios carnudos de uma vagina generosa. Bruna
sentiu o tecido liso bem molhado contra os seus dedos e começou a friccioná-lo
lentamente no sentido da fenda, causando contorções em Isabel, que passou a
devorar sua boca com vigor crescente, escancarando as pernas e fazendo
movimentos de pélvis. Bruna acariciou-a assim durante algum tempo, mas, não
ousou ir mais longe. Isabel, então, ajoelhou-se na cama e começou a baixar-lhe
sensualmente a calcinha. Bruna viu o encanto em seus olhos quando ela descobriu
seu sexo. Num impulso, Isabel deu um beijo no pequeno triângulo de pelinhos
rasos, o que fez Bruna relaxar-se e abrir mais as pernas, revelando lábios
carnudos como os seus, porém menos extensos. Em seguida, ela ajoelhou-se
entre as pernas da amiga, contemplando demoradamente o sexo discreto e fechado,
dividido apenas pelo fino traço sombrio que surgia de um dos vértices do
triângulo pubiano. Ela se deitou de bruços e, após olhar sorridente para Bruna,
deu uma longa lambida na fenda que ela já imaginava intocada. Bruna retribuiu
acariciando-lhe o cabelo, os ombros, sentindo as pernas leves e nervosas
querendo levitar, tentando oferecer-se ao máxmo para Isabel, cuja avidez ia
aumentando num crescendo. A lourinha deu as últimas lambidas generosas e em
seguida separou com os polegares os lábios macios, exibindo as duas pétalas
rubras, encharcadas e, na extremidade inferior, o orifício ainda obstruído.
— Nunca, Bruna? perguntou
Isabel.
— Nunca. Quer dizer... Aí,
nunca.
— Só aí?
— É.
— Eu sinto muita dor atrás,
confidenciou a amiga.
— Eu acostumei. De tanto
fazer. O Gabriel adora.
— Gabriel?
— É. A gente fica junto às
vezes. Ele diz que é doido por mim.
— E você não fez tudo com
ele por quê?
— Sei lá. Para isso, tem
que ser alguém especial, não acha?
— Eu não! Não dou a mínima
para virgindade.
Isabel passou a língua pela
fenda aberta e ouviu um gemido em resposta. Em seguida, cutucou com a ponta da
língua o orifício vaginal, forçando-o um pouco para tocar o hímen. Bruna sentiu
uma ondinha de prazer invadi-la, mas não permitiu à amiga uma longa exploração
do lugar, puxando-a carinhosamente pela cabeça. Isabel então subiu ao clitóris,
que ela descobriu generoso e saliente, sinal da super feminilidade dessa amiga
que tanto a atraía. Bruna, com a cabeça numa almofada alta, conseguia ver o
contorno de seus lábios vaginais e, entre eles, a língua de Isabel pincelando o
clitóris. A sensação foi ficando tão intensa que ela teve que puxar suas pernas
para trás com as mãos, para que elas não despencassem. Ao afastar-se, Isabel
via a vagina inteira e, logo abaixo, separado dela apenas por um estreito
períneo, o outro orifício, o único que Bruna dizia conceder aos seus namorados.
Isabel afastou-se e contemplou-o, não vendo nele nenhuma irregularidade, mas
admitindo em silêncio que, de fato, ele lhe parecia já ter sido
"visitado". Afundando a cabeça ao máximo entre as pernas de
Bruna, ela retomou suas linguadas a partir dele, passando pelo períneo,
percorrendo o interior dos lábios e chegando ao clitóris, repetindo a operação
e levando Bruna ao delírio, fazendo-a morder a almofada para conter gemidos que
despertariam a atenção da casa. Vez por outra, ela ia beijar-lhe os seios,
mordiscar-lhe os mamilos, beijá-la, e quando regressava ao sexo, Bruna
estremecia, rogando-lhe que a fizesse gozar.
Isabel levou Bruna ao mais
intenso orgasmo que ela jamais sentira masturbando-se. A insistência das
lambidas, o calor, a fricção contínua causaram espasmos tão fortes que Bruna
chutava o ar e balbuciava coisas sem nexo. No paroxismo da excitação, limiar da
dor, ela achava que Isabel devia parar, mas Isabel não parava, sugando e friccionando
mais e mais aquele órgão eréctil que havia chegado ao seu volume e rigidez
máximos, chegando a impressioná-la. Bruna esmagava os próprios seios e torcia
os mamilos com força, numa aflição deliciosa e infinita. Quando Isabel deixou
por um momento o clitóris, foi para percorrer com a língua a fenda aberta e
molhada e sorver-lhe sumo, que passara a escorrer francamente, mas quando
voltou a ele, Bruna sentiu um fortíssimo espasmo, sendo em seguida arrastada
numa torrente orgásmica que lhe era desconhecida até então e que a fez perder
totalmente o controle. Pressionando-lhe as coxas contra o corpo para abri-la ao
máximo, Isabel recolhia com a língua as suas descargas e espalhava pela vagina
a porção não engolida. Bruna, entregue a uma sucessão interminável de espasmos
mais curtos, empreendia um supremo esforço para não começar a gritar.
Constatando a intensidade e a duração do orgasmo da amiga, Isabel decidiu
passar das lambidas aos pequenos beijos nos lábios, na pélvis, nas coxas e na
barriga de Bruna, para que o orgasmo chegasse suavemente ao fim sem que o
prazer fosse bruscamente cortado. Aos poucos, o orgasmo cedeu.
— Que loucura, Isabel!
Nunca senti isso com tanta força.
— Vou te dizer uma coisa:
me deu até inveja!
Para descansar da posição,
Bruna virou-se de bruços e Isabel conversou com ela acariciando-lhe o final das
costas.
— Você tem uma bunda linda,
Bruna.
— E você está me deixando
encabulada, falando assim!
— Mas é verdade! retrucou
Isabel, beijando-a.
As duas amigas conversaram
e trocaram carícias por alguns minutos. Entretanto, Isabel não se saciara,
portanto havia muita excitação e desejo em seu corpo e mente. As carícias
superficiais aprofundaram-se e levaram-na a sentir na língua leves pulsações
anais de Bruna, que lhe pareceu novamente receptiva, sua respiração fazendo-se
ouvir, além de pequenos gemidos. Estimulada por isso, Isabel, com muito
carinho, tentou introduzir-lhe um dedo, mas isso incomodou Bruna, e ela se
deteve.
Calada, Bruna tentou
analisar sua própria recusa e concluiu que por mais que Isabel a excitasse com
suas mãos e língua, nada se comparava ao vigor com que Tonho ou Gabriel a
penetraram tão profunda e intensamente. Por mais excitada e molhada que ela
estivesse, nada se igualava aos sexos dos rapazes preenchendo-a, nem aos espasmos
que faziam seus sexos duros e inchados disparar jatos quentes em seu ventre, em
seu rosto, em sua boca. Embora Isabel tivesse provocado nela um orgasmo intenso
masturbando-a, jamais seria capaz de fazê-la sentir o mesmo que eles.
Bruna se deixaria acariciar e beijar por ela durante mais aluguns minutos,
mas seria incapaz de retribuir o prazer que a amiga lhe proporcionara. Seu
corpo era era aberto ao homem, próprio a acolher o corpo do homem, e destinado
a dar prazer ao homem.
Ao despedir-se de Isabel,
Bruna estava perfeitamente consciente de que havia deixado uma insatisfação.
Meses antes, isso a teria perturbado, mas agora ela associava essa lacuna a
mais uma conquista. A insatisfação criada indicava uma certa dependência de
Isabel para com ela. Essa dependência lhe convinha, pois poderia vir a ser-lhe
útil no futuro. Não é que ela não sentisse uma grande afeição por Isabel, mas
agora ela sabia separar sentimento e interesse, e ela jamais sacrificaria nada
ao seu interesse maior, que era o de vir a pertencer à família de Isabel e
passar enfim para o mundo que ela julgava merecer. Ter estado com Isabel
naquele dia simbolizou a concretização do seu "noivado" com a família
toda. Bruna não era lésbica, mas, caso quisesse alcançar seu objetivo, sua
opção sexual teria que passar para segundo plano, porque seu objetivo poderia
vir a ter que ser alcançado através de Isabel ou de uma de suas irmãs. Naquele
dia, Bruna teve mais uma comprovação de que nada se interporia ao seu projeto.
Capítulo VI — Já Que os
Olhos não Viram…
Eram seis da tarde. No bar
do Seu Quinzinho encontravam-se alguns rapazes saídos do trabalho e sedentos
por uma "gelada" jogando um totó ou uma sinuquinha antes de ir para
casa. Dois deles eram Amadeu e Pedro, os amigos que Gabriel chamara para
ajudá-lo a dar uma lição em Bruna.
— É… pelo visto, o Gabriel
não vai chamar a gente pra outra não. Foi só aquele dia mesmo, lamenta-se
Pedro, tocando a bola 7.
— Qual é, rapaz! Queria
comer a Bruna todo dia, é? Ele só queria dar um pega nela, mas agora estão de
namoro sério.
— Namoro sério, nada! Você
acha que ela quer alguma coisa com o Gabriel? Ela não sai da fazenda dos
Albuquerque quando eles estão aí! Dizem que ela já deu pra todos os filhos do
coroa, até pros mais mais novos. Aposto que hoje mesmo ela apronta com algum!
— Conversa! Ela foi
praticamente criada lá dentro.
— Olhaí, Paulinho! O Amadeu
aqui não está sabendo de nada, disse Pedro a um rapaz entretido num jogo
solitário de sinuca.
— "Pior cego é aquele
que não quer ver!" citou Paulinho. Eu vi os dois se pegando na cachoeira.
— Os dois quem? perguntou
Amadeu, em tom incrédulo.
— Ela e o Caio, o filho
mais novo dos Albuquerque! Eu passei pela trilha e eles nem me viram, de tão
entretidos. Só precisei me agachar para ver tudo.
— Ver tudo o quê? insistiu
o rapaz.
— Ela tocou uma punhetinha
pro sortudo!
— Que é isso! exclamou
Amadeu, mais incrédulo ainda.
— E eu ia mentir para quê?
retorquiu Paulinho, golpeando a bola branca. Ela é rampeira de nascença, não
tem jeito! Vai dizer que você também não sabe que ela toma banho de sol
quase pelada no meio quintal da casa dela, quando a mãe está para a fazenda
trabalhando?
— É, disso eu sei,
respondeu Amadeu. Mas o que eu sei mesmo é que eu comeria aquela delícia todo
dia, isso sim! Êta corpo danado de bom que essa menina tem! Eu só não entendo
por que o Gabriel não rebenta o cabacinho dela. Se fosse comigo, ela já tinha
até emprenhado!
— Aí que tá o mistério,
respondeu Pedro. Ela só dá atrás mesmo. Deve estar querendo casar virgem!
Os três rapazes riram e,
quando iam voltar aos gracejos, foram interrompidos pela irrupção, no bar, de
ninguém menos que... a própria Bruna.
— Oi, seu Quinzinho. Eu
quero uma Coca grande, faz favor.
— É pra já, Bruna,
respondeu o sexagenário, amigo de longa data do pai.
Bruna estava vestindo um
shortinho de lycra verde claro apertadíssimo e um top preto que deixava a
barriga toda de fora, presentes de Isabel. Os rapazes não sabiam mais para onde
olhar, se para o lindo rosto de olhos verdes e cabelo cor de milho, para os seios
firmes ou para as nádegas que enchiam o short e o dividiam em dois gomos
generosos e bem feitos. Bruna nem se incomodou de olhá-los e menos ainda
cumprimentá-los, pois sabia que, embora fossem amigos de Gabriel, quando
estavam juntos eram só mais um bando de tarados. Ela sabia que Pedro e Amadeu
eram amigos do seu namorado, mas ignorava que fossem eles seus dois comparsas
na realização daquela infeliz idéia que ele tivera de puni-la. Ironicamente,
ela tinha até uma certa atração por Pedro, que resplandecia do alto dos seus
1,85m e um corpo apolíneo. Ele a excitava, com suas calças sempre justas que
deixavam perfeitamente adivinhar o tamanho do "documento". Bruna já
se masturbara sonhando que se atracava com ele no mato. Quanto a Amadeu, franzino,
de cabeça raspada para evitar o cabelo ruim e de voz de taquara rachada, ela o
ignorava solenemente.
— Sua Coca, menina. disse o
proprietário do bar, colocando a garrafa plástica sobre o balcão.
— Obrigada, Seu Quinzinho.
A mãe pediu pra pôr na conta.
— Não tem problema,
belezura!
Bruna pegou a coca e foi
embora, limitando-se a olhar de relance para Pedro antes de dar as costas. O
rapaz percebeu, ficou pensativo durante alguns minutos e, depois de esvaziar
seu copo de cerveja, despediu-se dos amigos com o máximo de naturalidade,
tomando a mesma direção que Bruna, que ele logo avistou. Apressando o passo,
ele se aproximou do corpo que o excitava tanto e que ele já conhecia profunda
mas secretamente. Ele decidiu ser o mais direto possível.
— Oi, Bruna, disse ele, pouco
atrás dela.
— Oi, respondeu ela,
reduzindo o passo sem olhar Pedro no rosto.
— Você está muito bonita
com essa roupa.
— Obrigada! disse ela,
iluminando-se.
— Está indo para casa?
— Estou.
— A Coca é para o almoço de
vocês?
— Só o meu. A mãe está
trabalhando na fazenda que os patrões estão aí. Eu só vou lá depois.
— E o que você está fazendo
em casa?
— Tomando banho de
mangueira no quintal, só. Está um calorão!
— Está mesmo! E você já
está toda queimada de sol.
— Vou queimar muito mais.
Quero ficar preta nesse verão!
— Vai ficar linda! exclamou
o moço, já sentindo a excitação despontar.
— Obrigada! respondeu
Bruna, desta vez olhando para ele bem nos olhos e constatando mais uma vez o
quanto também o achava bonito e atraente, com seu nariz curto e reto, os olhos
grandes muito vivos e dentes deslumbrantes.
Eles caminharam conversando
sobre o verão, o calor, as férias. Chegando em frente de casa, Bruna parou, sem
querer muito se despedir.
— Bom... a gente se vê,
então, disse ela.
— Você vai voltar para quintal?
perguntou o rapaz, nada disposto a entregar os pontos.
— Vou botar o biquini
agorinha! Ele nem deve ter secado! respondeu ela, com um sorriso radiante.
— Então está bem, a gente
se vê, disse o rapaz, curvando-se para lhe dar dois beijinhos no rosto, que ela
retribuiu com prazer.
Bruna entrou e fechou a
porta enquanto Pedro ficou imaginando sua casa. Ele sabia que o quintal era
aberto porque a casa ficava no interior da propriedade dos Albuquerque. Era um
terreno grande que se abria para o nada a partir dos fundos da casa simples,
mas de bom tamanho. Os empregados moravam todos nessa alameda de casas, cada
uma com 10m de cerca viva de cada lado e um longo terreno de cerca de 100m de
profundidade, onde eles plantavam o que quisessem. A casa de Bruna era a última
da alameda e era a que mais tinha árvores, porque desde que seu pai morrera ou
fora embora (é o grande mistério da família), ela e a mãe cultivavam bem pouca
coisa. Havia uma pequna horta logo atrás da casa e o restante era um vasto
pomar, com bananeiras, nespereiras, pitangueiras, goiabeiras e outras tantas
árvores. Pedro deduziu que Bruna tomava sol na porção esquerda do final do
terreno, onde só os proprietários passavam a cavalo de vez em quando e onde os
vizinhos não podiam vê-la de casa, porque à direita, entre aquele canto desnudo
e a segunda casa, havia muitas árvores. Ele decidiu, portanto, contornar o
terreno pela esquerda, "invadindo" a fazenda pelo mato, e ir
conferir.
Pedro estava certo. No
canto direito do terreno havia uma toalha estendida no chão e, fora dela, o que
parecia ser um short e uma camiseta, além de um tubo de bronzeador. Ele se
escondeu no mato e não teve que esperar muito para ver Bruna despontar das
últimas árvores, toda molhada, usando um minúsculo biquini amarelo que, à
distância de 20 metros, resumia-se a três pequenos triângulos de tecido,
recobrindo o mínimo dos seios e do sexo. Ele logo entendeu o porquê da roupa no
chão. Se a mãe dela a visse usando aquele biquini, seria a guerra! Bruna sabia
que fazia coisas que sua mãe desaprovaria se descobrisse.
De seu posto, Pedro viu
Bruna deitar-se de costas na toalha e recomeçar a queimar ao sol. Quando ela
secou do banho de mangueira, passou bronzeador no corpo todo e ficou imóvel,
como se dormisse. O corpo de Pedro logo respondeu à visão do pequeno triângulo
perdendo-se entre as coxas entreabertas. Decidido a agir, ele avançou e ficou
de pé a poucos metros de Bruna.
— Oi, disse ele, baixinho
para não assustá-la.
— O que é que você está
fazendo aqui?, perguntou ela, totalmente surpresa, sentando-se na toalha de
pernas fechadas e já puxando a camiseta para vesti-la.
— Não, Bruna, fica assim,
disse o rapaz, gesticulando. Vou falar com toda a sinceridade: eu vim te ver.
Eu queria te ver de biquini.
A franqueza de Pedro acalmou-a
imediatamente. Ela desistiu de pôr a camiseta e ficou olhando para o seu belo
visitante.
— Eu estou de sunga, disse
ele. Se estiver tudo bem, a gente pode tomar sol junto.
— Não sei... respondeu ela,
mais indecisa do que descontente.
— Sua mãe está para chegar?
— Não, não é isso, ela só
deve voltar à noite. Eu é que ia até a fazenda daqui a pouco.
— Você tem que ir?
— Não tenho, mas quero,
respondeu ela, implicante.
— Ah, fica, vai! fez ele,
dando um sorriso que o tornava ainda mais bonito e já fazendo que ia abrir o
primeiro botão da calça.
— Tá bom, mas só um pouco.
Eu tenho que ir lá à tarde.
Radiante, o rapaz tirou a
camiseta e foi baixando a calça, revelando a sunga preta de lateral muito
estreita. Bruna engasgou intimamente ao ver o membro rebatido à direita; ele
estivera duro momentos antes e Pedro não teve solução senão acomodá-lo assim.
Mas isso não o embaraçou. Pelo contrário, ele estava todo orgulhoso de exibir
um dote digno do corpo maravilhoso de Bruna. Aliás, Pedro não estava nem um
pouco interessado no banho de sol e não pretendia enganá-la quanto a isso.
Olhando-a fixamente, observando a marca dos mamilos nos triângulos amarelos do
biquíni ainda molhado e o estreito fio de penugem loura descendo do umbigo ao
interior da calcinha cavada e estreitamente ajustada, Pedro sentiu as primeiras
pulsações dentro da sunga. Seu membro logo começou a forçar a pequena peça
elástica, chamando a atenção de Bruna.
— Nossa! Isso aí está
ficando assim por quê?
— Por tua causa, Bruna. Por
causa desse teu corpinho delicioso, respondeu o rapaz levando a mão à sunga.
— Então a culpa é minha?
— É sim. Você deixa todo
mundo doido, menina, respondeu ele, acariciando seu membro completamente duro.
— É? Mas eu não faço nada,
sou tão quietinha! retrucou ela com um sorrisinho malicioso e olhar inocente.
— Pois é, as quietinhas são
as piores, retrucou o rapaz, esperando por uma reação mais concreta.
Bruna logo começou a arder
por aquele corpo. Seu coração estava a mil e sua vagina umedecia-se sob o
tecido fino que a escondia. Pedro tinha coxas perfeitas, longas e musculosas,
barriga plana mas não descarnada, peito e braços fortes, uma bela cor de cobre
e feições agradáveis. Ela sempre o considerara atraente, e naquela atitude, em
pé diante dela, acariciando o sexo para provocá-la explicitamente, ele lhe
pareceu irresistível. Ela resolveu não inibi-lo. Aproximando-se dela,
Pedro baixou o elástico da sunga e seu membro armou-se, reto e claro, a cabeça
rubra e bem feita quase totalmente descoberta. Empunhando-o pelo tronco, ele
fez recuar o prepúcio e exibiu a glande em seu esplendor total. Sentada, Bruna
o via de baixo como se despontasse do espesso e redondo envólucro dos
testículos encaixados no vértice das coxas. Ela podia ver também a parte
inferior das nádegas do rapaz, lisas, salientes e firmes. Pondo-se de joelhos,
ela percorreu-lhe as pernas com as mãos, acariciando suas coxas, sentindo os
pelos roçarem nas palmas das mãos, e abocanhou-lhe o saco que se destacava em
primeiro plano. Assim que sentiu o contato, Pedro reagiu pondo-lhe a mão na
cabeça.
— Isso, Bruninha, lambe meu
saco... Assim...
Bruna podia tanto focalizar
o rosto transfigurado de Pedro quanto a verga que dançava centímetros acima dos
seus olhos enquanto ela lambia e mordia a pele rugosa e macia daquela estrutura
exótica. Escalando as coxas de Pedro com as mãos, ela foi espalmá-las sobre a
sua barriga enquanto começava a lamber o tronco do pênis e tentava mordê-lo sem
usar as mãos. Seus seios roçavam nas coxas do rapaz, que contemplava isso com
excitação redobrada, abaixando-se para acariciá-los e pressionar os mamilos.
Excitada, Bruna empunhou com força o tronco pulsante, premendo-o e colhendo na
língua um fio denso do líquido que já brotava abundante da glande, saboreando-o
e engolindo-o com gosto. Deslumbrado com a cena, Pedro embrenhou-se no cabelo
espesso de Bruna, puxando-a para si e convidando-a a admitir todo o seu sexo na
boca.
— Chupa todo, vai... Engole
o meu pau... Assim... sussurrava ele, gemendo e fazendo amplos movimentos de
pélvis.
Bruna, de joelhos, passara
a apoiar as mãos no final das costas de Pedro, já na curvatura das nádegas.
Como ele não desse sinal de descontentamento, ela foi descendo e, excitada com
a felação, começou a acariciar os dois gomos salientes, sentindo nasn pontas
dos dedos o calor da entrada no sulco. Isso aumentou ainda mais a excitação de
Pedro, que assistia deslumbrado ao espetáculo do seu sexo mergulhando quase até
o talo na linda boca da menina.
— Você chupa bem demais,
Bruna...
— Está gostando? perguntou
ela, retirando por um momento o grosso membro da boca e olhando-o nos olhos com
um sorriso molhado.
— Demais, respondeu ele,
aproximando-se para beijá-la.
Bruna aproveitou para ficar
de pé e se sentiu envolvida pelos braços fortes do rapaz, que acariciou suas
nádegas, percorrendo o sulco e chegando até a borda da vagina encharcada. Num
reflexo, ela recuou um pouco, mas teve tempo de perceber que ele não tentara
penetrá-la com os dedos, como se adivinhasse que ela fazia questão de manter-se
virgem. Isso a intrigou, mas a excitação impediu que ela desse maior
importância ao fato no momento. Ela viu-se colada àquele corpo tão viril,
sentindo o membro duro deslizar em sua barriga para ir acomodar-se entre suas
coxas, deslizando pelos lábios molhados do seu sexo. Ela fechou as pernas e
permitiu que ele se masturbasse assim entre suas coxas. Pedro lhe pareceu
resistente. Quantas vezes ela levara Gabriel a ejacular apenas com isso! Mas
Pedro a puxava para si e friccionava vigorosamente o sexo entre suas coxas bem
fechadas, sem mostrar qualquer sinal de luta contra um orgasmo iminente. Bruna
sentia sua vagina em chamas em contato com a verga grossa e molhada que
percorria-lhe a fenda por inteiro, indo e vindo incessantemente. Seu estado de
excitação chegou ao máximo. Caberia a ela a iniciativa de propor a penetração.
Era um momento delicado, dada a condição que ela mesma se impusera quando
decidira manter-se virgem.
— Pedro... cochichou ela,
entre gemidos, pendurando-se no pescoço do rapaz e mordiscando-lhe a orelha.
— Que foi? respondeu ele
sem parar de roçar-se nela.
— Quero dar pra você,
completou ela, ofegante.
— É tudo o que eu mais
quero na vida, Bruna, respondeu o rapaz, ciente da cláusula secreta, mas sem se
arriscar a mencioná-la.
— É que...
— Fala, Bruna, respondeu
ele, estimulando-a a proferir o que ele já sabia. Ouvi-la dizer o excitaria
ainda mais.
— É que tem que ser... por
trás, disse ela quase engolindo as duas últimas palavras.
— Atrás do quê, Bruna?
perguntou ele, fazendo-se de desentendido, sem parar de esfregar-se entre suas
coxas, sentindo-a bamba de excitação.
— Atrás, ora! Vai dizer que
nunca fez!
Pedro ouviu essa resposta
com um certo sentimento de culpa. Se ela soubesse o quanto ele já
"fizera", e especificamente com quem! pensou o rapaz, em suas
próprias palavras. Mas ele logo rechaçou esses pensamentos em prol da
realização desse sonho de estar sozinho com Bruna e ser desejado por ela.
— Pega a toalha, Bruna,
comandou ele.
Assim que ela obedeceu, ele
a pegou no colo como se fosse uma pluma e levou até uma árvore grande e copada,
de tronco grosso e generosa sombra. Chegando lá, ele a pousou no chão,
disse-lhe para estender a toalha e ficar de quatro. Bruna obedeceu,
empinando-se toda para que não pairasse nenhuma dúvida quanto ao ponto exato.
— Já disseram que a tua
bunda é linda, moça?
— Já, bobo! respondeu ela
com sorriso na voz.
Antes de pedir que Bruna
abrisse um pouco mais as pernas, Pedro quis contemplar por alguns instantes a
perfeição que tinha diante dos olhos. Em seguida, ajoelhando-se por trás dela e
separando carinhosamente as suas nádegas, ele reviu o orifício que ele
explorara sem que ela suspeitasse. Extasiado, quase com emoção, colou a língua
nele, pondo-se a lambê-lo com devoção. Mal se aguentando de tanto desejo, Bruna
ofereceu-se, abrindo as pernas e movendo-se para senti-lo o mais possível. Seu
sexo encharcou-se e ela desejou loucamente que Pedro o penetrasse, mas
controlou-se uma vez mais, dizendo a si mesma que não podia por tudo a perder.
Empunhando o membro
completamente duro, Pedro aplicou a glande contra o orifício, deixou um longo
fio de saliva viscosa cair sobre o tronco, espalhou a saliva na região e,
pedindo a Bruna para firmar-se bem, começou a forçar, cuspindo para manter a
entrada lubrificada. Embora acostumada, Bruna teve dificuldade de acolher sua
glande, bem mais ampla no sentido do diâmetro. Num átimo, ela se lembrou de uma
dificuldade semelhante, quando do "castigo" de Gabriel, mas não foi
capaz de associar Pedro ao que se passou naquele dia, no armazém. Quando a
saliva fez seu trabalho, Bruna pôde sentir a grossa glande começar a deslizar
para dentro ao mesmo tempo que ampliava a abertura.
— Aaaaaai! fez ela. Está me
rasgando!
— Está doendo muito?
preocupou-se o rapaz.
— É grande, exclamou ela.
— Nem tanto. É que está muito
duro.
Esse diálogo só fez
estimular a excitação dos dois. Bruna firmou-se bem com as mãos e joelhos.
— Mete, Pedro. Estou louca
para te dar.
O rapaz não precisou ouvir
duas vezes. Puxando Bruna pelos flancos e soltando o peso do corpo, ele
consegiuiu fazer com que a glande mergulhasse. Em seguida, a verga dura como
aço deslizou, só parando quando o seu corpo se chocou contra o dela.
— Pronto. Agora você é
minha putinha, brincou Pedro.
— Ai, para com isso!
retrucou ela, chocada.
— Você não gosta de ser a
putinha de quem te come?
— Não é isso... É que falar
assim é gozado... Mas é verdade. Se eu estou dando para você e a gente não é
nem namorado, santa é que eu não sou. Mete, vai... Está gostoso e eu não
conhecia essa posição, pediu ela depois que Pedro tomou uma variante para
penetrá-la em que ele praticamente montou em suas costas.
— Eu chamo de posição da
"escavadeira", porque o pau entra reto e eu soco que nem escavadeira
de mão.
— No-ossa, Pedro! É demais!
Eu sinto ele todinho dentro de mim e entra com muita força. Quase não estou me
agüentando nas mãos! Ela disse isso já se apoiando nos antebraços, ficando com
a coluna completamente envergada.
— Caramba! Assim é demais,
vendo a tua bunda toda empinada e o meu pau entrando e saindo.
— Mais forte... Fode
gostoso, Pedro… Ai, assim… pediu ela quase choramingando.
— Vou poder gozar dentro,
Bruna?
— Va-ai, Pedro... Eu deixo,
mas mete com força!
Pedro conseguiu fazer com
que seu membro saísse completamente para tornar a penetrá-lo fundo, solicitando
a elasticidade do ânus, que se dilatava e relaxava em pulsações contínuas. Isso
associado à fricção começou a causar uma sensação tão intensa que pareceu a
Bruna estar ingressando num orgasmo anal. Na verade, um orgasmo vaginal estava
sendo desencadeado pelo excesso de excitação e pela natureza da posição, mas a
intensidade da sensação anal impediam-na de localizá-lo.
— Es-es-tou go-goz-zando,
Pedro..., gemeu ela, baixinho, dominada por um prazer avassalador.
— Você está esfregando o
grelo? A pergunta dele foi espontânea.
— Na-não... Nem estou
entendendo! Ela disse isso quase perdendo as forças.
Pedro confirmou que Bruna
não estava usando as maõs, e a mera suposição de que ele pudesse estar
provocando um orgasmo anal, embora quase certo de que isso não existia, elevou
sua excitação a tal ponto que ele não pôde retardar seu próprio orgasmo. Seu
membro pôs-se a pulsar com mais freqüência e ele sentiu a descarga se
aproximando. Ele conseguiu não parar de pistonear, sempre na vertical, forçando
seu pênis, até que os primeiros jatos o obrigaram a permanecer dentro dela,
puxando-a com força pelas ancas, sentindo seu púbis contra a pele das nádegas
dela, seu próprio ânus exposto, seus testículos livres, suas coxas anestesiadas
pelo excesso de esforço contínuo, o calor do seu corpo, o suor...
Languidamente, Bruna levou
uma mão à vagina para friccionar o clitóris. Isso desencadeou imediatamente o
orgasmo "clássico" e ela entendeu que o estímulo anal fora tão forte
que o iniciara.
— Ahhhh... Estou gozando
mais, Pedro..., gemeu ela, soltando-se completamente em suas mãos.
— E eu estou enchendo a tua
barriga com o meu leite, respondeu o rapaz entre gemidos, voltando a dar
estocadas, desta vez mais suaves, sem parar de ejacular.
— Então me dá... Me dá o
teu leite todinho... Quero ficar com ele pra mim, dentro de mim, gemeu ela com
a voz minguando na garganta, sentindo seu reto quente e inundado, e o longo e
grosso membro deslizando para dentro e para fora do seu corpo, quase
livremente, quase sem atrito.
Assim que Pedro retirou-se
dela, Bruna sentiu seu ânus retrair-se e, para evitar que o esperma saísse
logo, deitou-se de bruços sobre a toalha, pediu a Pedro que se deitasse ao seu
lado e começou a beijá-lo carinhosamente, lambendo seus lábios, procurando sua
língua, chupando-a e engolindo sua saliva. Ela também lhe disse que jamais um
rapaz tinha lhe dado tanto prazer. Essa foi sua maneira de agradecer. Quando
Pedro lhe perguntou por que ela namorava Gabriel, por que ela não fazia sexo
vaginal, por que ela tinha tanto apego aos donos da fazenda, e tentou fazer-lhe
outras perguntas que intrigavam os rapazes do vilarejo, ela colou dois dedos
nos lábios dele e o fez calar-se. Ele entendeu que não devia insistir, deu-lhe
um último beijo e os dois tornaram a vestir-se, ele a roupa, ela o biquíni.
Foi com um carinho raro que
Bruna se despediu de Pedro, prometendo-lhe mais dias de prazer, mas
desencorajando-o quanto a qualquer tentativa de uma relação mais séria.
Intimamente, ela continuava inflexível em seu propósito de ingressar na família
Albuquerque e não permitiria que sentimento algum a desviasse de seu objetivo.
Capítulo VII — Ganhando uns
Trocados
Um belo dia, a mãe de Bruna
acordou com a idéia de que era hora, para a filha, de procurar emprego. Aos
dezessete anos, Bruna limitava-se a ajudá-la nas tarefas domésticas em casa e
na fazenda dos Albuquerque. Se ela pudesse trazer um dinheirinho a mais para
casa, elas teriam um pouco mais de conforto. Poderiam até, quem sabe, comprar
uma televisão nova! Ela conversou com a filha e Bruna começou a assuntar.
Na escola, a notícia se
espalhou rapidamente e alguns filhos de comerciantes correram até às lojas dos
pais, durante o recreio, para perguntar se havia lugar para Bruna, imaginando
que, se conseguissem colocá-la no negócio do pai, poderiam obter alguma
retribuição afetiva dessa colega tão atraente e, quem sabe, até um namoro.
Consciente das razões ocultas que os motivavam, Bruna recusou as ofertas e
procurou sozinha. Inteligente, ela foi direto ao mercado do seu Modesto, que
empregava vários jovens do vilarejo e que a recebeu com toda a gentileza.
— Eu era muito amigo do seu
pai, sabia?
— Não sabia não, seu
Modesto. Então, o senhor vai me dar o emprego?
— Claro, Bruna! Só não tem
lugar de caixa. Você se importa de trabalhar dentro da loja, arrumando,
etiquetando, desembalando mercadoria no estoque, arrumando e limpando?
— Não, faço qualquer coisa.
Preciso ajudar com as despesas em casa.
— Ótimo. Você vai trabalhar
de 1h às 6h da tarde, para não atrapalhar os estudos. Se quiser, pode começar
amanhã mesmo.
— Começo sim! Obrigada, seu
Modesto.
— Até amanhã, Bruna.
No dia seguinte, à 1h da
tarde, Bruna já estava de guarda-pó verde, no estoque, sendo apresentada aos
empregados pelo patrão. Ela já conhecia todos de vista, mas se surpreendeu com
a presença de três deles. Ana era uma mulatinha centrada no próprio umbigo que
tinha fama de "fácil" e se gabava de conhecer segredos de muitos
homens do vilarejo. Vitor, "Vitinho", um branquela frágil e
fofoqueiro, não fazia muita questão de esconder sua preferência por homens mais
velhos, mostrando-se todo solícito a tudo que o seu Modesto pedia. Rui, o
menino bonito, forte e desinvolto, esnobava as meninas locais — inclusive Bruna
–, que ele tratava de "caipiras". Ele só saía com meninas de cidade
grande, especialmente as veranistas do Rio. Quanto aos outros empregados, mais
três rapazes e três meninas, Bruna os considerava comuns e tinha com eles uma
relação cordial. Os nove empregados tinham menos de vinte anos e seu Modesto,
largamente quarentão e no auge da ambição, os empregava ilegalmente, negando-se
a assinar carteiras e evitando assim os encargos sociais, exceto para as duas
caixas, visíveis demais. Quando eventualmente mandavam um fiscal da cidade, ele
dava um jeito de ser avisado e mandava a turma sumir até que o inconveniente
fosse embora. Seu Modesto explorava esses jovens, que ele punha para trabalhar
pesado. Mas o ambiente era descontraído. Bruna logo se entendeu com a maioria e
aprendeu os segredos da vida no mercadinho. Ela chegava em casa cansada, mas
contente, o que alegrava sua mãe.
De vez em quando, Bruna
encerrava seu expediente dez ou quinze minutos depois do horário porque seu
Modesto fazia questão que ela terminasse o que tinha que ser terminado. Numa
dessas ocasiões, ao aproximar-se do vestiário, Bruna ouviu cochichos e resolveu
não abrir imediatamente a porta. Ela pensava estar sozinha, mas, pelo visto, se
enganara. Colando a orelha à porta, ela ouviu uma voz sussurrada de homem
dizendo algo como: "Isso, deixa bem limpinho... Assim... Um pouco
mais..." Ela também ouviu algo que lhe pareceu serem soluços de choro. Ela
não entrou e, cinco minutos depois, seu Modesto saiu apressado do vestiário,
dizendo que tinha ido verificar se havia mesmo um vazamento no banheiro dos
empregados, mas não tinha. Bruna entrou e viu Rosa, que fora admitida alguns
dias depois dela, sentada no longo banco, com cara de desânimo e cansaço.
— Está tudo bem, Rosinha?
— Está, respondeu ela, sem
olhá-la, tirando o guarda-pó para repor a roupa.
— Está gostando do
trabalho?
— Estou, respondeu ela,
lacônica.
Bruna não quis insistir.
Diante do armarinho de madeira, ela também começou a se despir para para ir
embora. Do canto do olho, ela pode constatar discretamente a beleza do corpo da
colega, que usava o guarda-pó sobre a roupa de baixo. O sutiã barato e
transparente revelava completamente os seios redondos, muito bem feitos, e
embora ela estivesse usando calcinha fio-dental, Bruna não a julgou porque não
parecia haver ninguém menos malicioso que ela. Quando ela se despediu e ia
saindo, Rosinha chamou.
— Espera.
— Hã? Que foi?
— Posso sair com você?
— Claro. Está com medo de
alguma coisa?
— Não é isso... É que..., e
desatou a chorar.
— Ele abusou de você, não
foi?
Bruna ajudou-a a terminar
de se vestir e saiu com ela. Caminhando pela calçada, Rosinha lhe contou que
tinha dezoito anos e acabara de sair de casa porque não aguentava mais o
padrasto, e que embora seu Modesto só tivesse aceitado empregá-la em troca de
favores sexuais, estes eram de longe mais leves que aqueles aos quais ela era
submetida já há anos pelo novo marido da mãe. O trato era que seu Modesto a
procuraria quando lhe desse vontade. Geralmente, pedia para ver seu corpo,
tocava ou beijava seus seios. No máximo, ele lhe pedia sexo oral e costumava terminar
sozinho, mas naquele dia, ele exigira que ela ela engolisse o seu esperma e
isso lhe causara um nojo extremo. Ela quis negar, mas ele avisou que ela fosse
se preparando porque ele iria "bem mais longe" com ela. Ela estava
infelicíssima, mas não podia largar o emprego porque agora tinha que pagar o
aluguel de um quarto na casa da D. Eulália, uma respeitável moradora do
vilarejo. Bruna prometeu fazer alguma coisa e se despediu carinhosamente
recomendando-lhe que descansasse bem.
No dia seguinte, Bruna
vestiu o guarda-pó e foi imediatamente ao escritório do patrão revelar o que
descobrira por acaso na véspera, ouvindo atrás da porta o que ele dissera a
Rosinha. Assustado, Modesto ouviu atentamente. Bruna lhe disse que ele podia
levar a vidinha sexual dele no vestiário, desde que o que ele fizesse fosse
consentido. Ela acrescentou que ouvira Rosinha chorar e que, portanto, tinha o
bastante para denunciá-lo e sujar o nome dele no vilarejo, mas não faria nada
se ele aceitasse certas condições. Nervosíssimo, o homem fez-se todo ouvidos e
dispôs-se a aceitar qualquer exigência. Bruna lhe pediu que assinasse as
carteiras de todos, aliviasse a carga de trabalho e desse mais autonomia aos
empregados. Ela explicou que essa autonomia era uma condição para que ela não o
denunciasse por abuso sexual. Ele concordou com tudo e, como todo bom tarado e
cara-de-pau inveterado, pediu a Bruna que lhe fizesse um "agrado"
para compensar o susto que ela lhe dera. Ela olhou para ele com um misto de
pena e desprezo: Modesto estava em suas mãos.
Com a autonomia
recém-adquirida, as idéias fervilhavam na cabeça de Bruna. No fim do expediente
do mesmo dia, ela reuniu os colegas de trabalho. Ela queria abrir um serviço de
entrega em casa cujos ganhos — uma certa percentagem sobre a compra — fossem
integralmente revertidos aos empregados. Dois dias depois, a informação sobre o
sistema de entrega em casa estava aprovada pelo patrão e afixada no quadro de
promoções. Os clientes mais abastados não tardaram a usar o serviço,
mobilizando os oito jovens do mercadinho. Uma nova era começara. Durante três
meses, o serviço de entrega do Mercadinho Modesto funcionou normalmente. As
compras podiam ser feitas até por telefone e chegavam no máximo em meia-hora. A percentagem
paga ia para uma caixa comum e era equitativamente dividida. No fim de cada
mês, isso representava um bom adicional para os jovens.
Num belo dia de sol, em
meados do quarto mês, Bruna anotou a encomenda de uma cliente habitual, encheu
um carrinho e foi fazer a entrega. Chegando à casa, D. Rita a fez entrar pela
portinhola do jardim, mas estava de saída e disse que o filho receberia as
compras e acertaria as contas com ela. Assim que a mulher saiu, Bruna ouviu uma
voz de rapaz vindo do quintal: "Estou aqui atrás!" Contornando a casa,
ela foi até os fundos, onde o Jader, que ela logo reconheceu, estava debruçado
na borda da piscina, olhando em sua direção com meio corpo dentro d'água.
— Ah, é aqui que você mora?
Está aqui a nota. São três reais da entrega, disse ela, laconicamente assim que
avistou o rapaz cuja fama ela já conhecia bem dos rumores que ela ouvia na
escola.
— Pra que a pressa? Chega
aí, Bruna. Vamos conversar um pouco.
— Não dá. Estou trabalhando
e tenho que vol...
O rapaz ia saindo da água.
Jader tinha um tipo indígena, moreno, de cabelo preto comprido, mas era alto.
Assim que seu corpo ultrapassou a borda, Bruna notou que ele estava nu em pelo.
— Está nu por quê?
Perguntou ela, encabulada.
— Porque está quente,
porque estou sozinho e porque estou na minha casa. Não gostou?
— Não é isso. É que...
Bruna não conseguiu evitar
olhar abaixo da cintura do rapaz que ia em sua direção sem qualquer
constrangimento. Como ela ainda precisava receber o pagamento pelas compras, a
única coisa que lhe ocorreu foi pedir água e eles foram para a cozinha
caminhando lado a lado. Assim que Jader passou-lhe o copo d’água, foi até a pia
e sentou-se nela.
— Vai ficar com frio na
bunda! brincou Bruna.
— Tenho mais frio nas
bolas, respondeu ele, olhando para baixo e em seguida para ela.
Não resistindo à
curiosidade, Bruna dirigiu o olhar para as coxas entreabertas de Jader e
foi-lhe impossível negar o interesse despertado pelo que ela via.
— Eu sei que você gosta,
Bruna. Sou amigo do Gabriel, esqueceu? Pega um pouquinho "nele", vai!
— Se o Gabriel fica
sabendo…, disse ela, já decidida, mas meneando a cabeça, sem se dar conta de
que seu namorado revelava sua intimidade aos amigos.
— Não tem mais ninguém
aqui, Bruna. Me faz feliz, vai!
Com a boca ainda seca,
Bruna esvaziou o copo sem tirar os olhos de Jader. Entre as duas coxas
musculosas e curtidas de sol, ela viu o membro erguer-se, endurecer
completamente e ir colar-se à barriga. A glande exposta quase tocava o umbigo.
Jader o empunhou e ficou olhando para ela com ar provocante. Ela sorriu, ainda
um pouco acanhada, mas acabou aproximando-se e indo colocar-se entre as pernas
do rapaz, que lhe passou orgulhoso o bastão.
— Toma, Bruninha... Faz o
que quiser com ele.
— É grande, disse ela,
empunhando-o firmemente pelo tronco, sentindo-o pulsar, os olhos fixos nele.
— Maior que o do Gabriel?
fez o rapaz, provocativo.
— Ah, pára com isso! Não
tem nada a ver comparar.
Mas Bruna sabia que a
resposta era afirmativa. Na sua opinião, Jader possuía o pênis sonhado por toda
jovem: longo mas grosso, ligeiramente envergado para cima. Quando ela o puxou
para si e o olhou de topo, a cabeça se destacou no primeiro plano, ampla e
vermelha. Após uma olhadela em Jader, ela envolveu-a com os lábios e provou o
fluido que já descia copioso. De seca, sua boca começou a salivar
abundantemente.
- Ah! Isso, Bruninha… fez
ele, suspirando, sentindo o calor úmido propagar-se pelo membro.
Embora encantada com a bela
ferramenta de Jader, Bruna sabia que não podia mimar demais aquele garanhão tão
cheio de si. Ela não queria ser mais uma conquista submissa.
- Ei! Quer me fazer gozar
logo, é? disse ele, se contorcendo todo ao sentir a língua friccionar
intensamente o freio da glande.
- Você não gosta assim?
perguntou ela, erguendo a cabeça.
- Adoro, mas não lambe aí
com muita força senão eu gozo rápido demais e eu queria que a gente fosse lá
para dentro.
Decidida a dominar a
situação, Bruna passou a submeter Jader ao segundo grau da deliciosa tortura.
Apoiando-se com os braços nas coxas dele, ela admitiu o membro ao máximo,
deixando a glande ir bater no fundo da garganta. Seus lábios se fechavam a três
dedos dos testículos, ela jamais conseguiria tê-lo inteiro na boca, mas era o
suficiente para provocar sobressaltos no rapaz, que agonizava sentindo-se levar
ao orgasmo em segundos.
Em dado momento, ouviu-se
uma voz masculina gritar da rua: "Jadinho! Chega aê!" Era um amigo.
Bruna parou. Jader não queria parar, mas sabia que se não atendesse a porta,
ele entraria, porque era um amigo íntimo. Ele olhou consternado para Bruna e
ela, radiante, deu-lhe três últimas chupadas profundas e intensas. O outro se
esgoelava na calçada enquanto Jader, não podendo conter-se, sentiu o orgasmo se
desencadear. Mas Bruna já se afastara e ele só teve tempo para se virar de lado
e, masturbando-se aflito, por puro reflexo, deixar que os jatos se perdessem na
pia. Bruna se despediu rindo, pedindo a Jader que quando estivesse menos
"atolado" passasse no mercadinho para pagar a despesa e os três reais
da comissão dela.
— Bruna, espera! pediu o
ele, desconsolado, entregue aos espasmos.
— E vê se não esquece os
três reais! reiterou ela, rindo e saíndo da cozinha pela mesma porta por onde
entrara.
Bruna pegou o carrinho do
mercado e passou pelo amigo inoportuno, que a salvara de uma provável situação
complicada. Ela logo o reconheceu.
— O que é que vocês estavam
fazendo? Estou chamando há um tempão! protestou ele, olhando-a de cima a baixo.
— Pode ir direto até a
piscina, Oswaldo. O Jader está esperando, respondeu ela, rindo.
No caminho de volta, Bruna
se lembrou das suas experiências iniciais com os filhos dos Albuquerque, tão
isentas de grosseria, de malícia e de oportunismo. Isso lhe trouxe de volta à
mente o propósito de pertencer à família dos patrões da sua mãe, que se
esmaecera nos últimos tempos. Ela chegou ao mercadinho em silêncio e sem
vontade de contar às amigas a sua aventura recente.
Capítulo VIII — Querido
Diário…
Enquanto narrador, tenho
omitido uma informação que doravante passa a assumir uma relevância sem
precedentes. Trata-se do fato de que, desde muito cedo, Bruna manteve um diário
com certa regularidade. Quem lhe sugeriu a idéia foi Isabel, a filha mais velha
dos patrões da sua mãe. Uma vez por ano, Isabel lhe trazia do Rio um diário
novo, encadernado e delicadamente ilustrado, como um presente dado com muita
afeição. Por um concurso de circunstâncias, a coleção dos diários de Bruna
chegou-me às mãos e o seu conteúdo inspirou-me a escrever essa história, por
razões que serão esclarecidas mais adiante.
O que me levou a narrar em
terceira pessoa e no passado, em vez de me servir do diário, foi o fato de que
Bruna precisou de muito tempo, sempre sob a orientação de Isabel, para elaborar
um texto propriamente dito. No início, eram frases de menina, escritas mais
pelo prazer de por em prática a ortografia recém-adquirida em letra grande e
redonda do que pela mensagem. A partir dos catorze e isso até os dezesseis
anos, Bruna limitava-se a anotações breves e lacônicas, nomes ou pequenas
frases que denotavam algum fato marcante, sem narrar ou explicar e, muito
menos, dialogar com seu diário, como se aprende nos filmes estrangeiros, e ela
com Isabel. Mas a partir daí e aos poucos, percebe-se que, apesar das falhas
gramaticais, das limitações lexicais, da carência estilística e da
simploriedade do conteúdo, Bruna foi adquirindo um vocabulário urbano e
aprendendo a redigir pequenos parágrafos, a dar coesão ao seu texto e,
finalmente, a verdadeiramente narrar os episódios marcantes do seu dia-a-dia. A
tal ponto que ela enchia páginas de caderno, que ela colava às do diário. A
influência de Isabel no estilo dos últimos volumes parece ter sido determinante
para que Bruna chegasse a escrever razoavelmente bem e para que eu decidisse
que era hora de passar a caneta à protagonista de sua própria história e cessar
de romanceá-la a partir do que julguei ser capaz de inferir de suas parcas
anotações. Porque foi o exatamente o que fiz: criar uma história como um
investigador que estuda pistas e evidências! Isso, bem sei, dá muita margem a
erros. A partir deste capítulo, portanto, a narrativa será redigida pela
própria autora dos diário, em primeira pessoa, o que, tenho certeza, tornará a
leitura mais cativante e, sem dúvida alguma, excitante, já que — e isso me
surpreendeu — a imagética de Bruna é das mais realistas!
Para estabelecer uma
continuidade entre o ponto em que parei de criar e o texto original, tomei a
liberdade de começar a reproduzir o diário a partir do momento em que Bruna anotou o
seu encontro com Jader, episódio que data de há sete anos atrás. Essa estreita
superposição facilitará a vida do leitor que tenha interrompido a sua leitura
no sétimo capítulo.
Quero lembrar que, por
tratar-se de um diário - objeto sujeito a cair em mãos estranhas -, a autora
omitia certas palavras, grafava outras apenas com as primeiras letras,
modificava nomes, colocava entre parênteses indicações que só ela entendia,
criava analogias não-eróticas, etc. Ela fez isso até ter encontrado o que lhe
pareceu ser o "esconderijo perfeito" para o seu diário, o que se deu logo
após a época que tomei para início da publicação ipsis litteris do mesmo. Tenho
certeza que o leitor terá o mesmo prazer que eu tive de decifrar elementos do
"código brunaico".
Resta-me dizer que as
transcrições que se seguem concentram-se em 2007, tratam quase exclusivamente
da vida sexual e afetiva de Bruna (em meio a centenas de anotações da mais
variada natureza) e correspondem às últimas confidências deixadas por ela em
seu diário, cujo conteúdo retrata fatos que foram decisivos para o rumo que
tomou sua vida e que o leitor poderá articular ao resto da narrativa afim de
julgar por si as implicações psicológicas e morais dessa história.
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Quarta-feira, 28 de
fevereiro de 2007
Ai ai, Diário, eu já
fiz entrega na casa do J várias vezes e ele nunca está. Eu nem sabia que ele
morava lá. Por que é que logo hoje eu tinha que entrar? Que raiva! Ainda bem
que o amigo dele chegou porque eu não quero nada com ele.
O Gabriel paga picolé para
mim e fica brincando de empurrar tudo na minha garganta! Dá vontade de vomitar!
Segunda-feira, 12 de março
de 2007
Aquele podre continua
magoando a flor, mas ela me fala que está tudo bem, então não me meto mais. O
cachorro nem agradece nem nada, maltrata, manda a pobre sair e continua a
trabalhar. Eu ainda mato esse velho! Ele que não venha de gracinha pra mim!
Por falar em vir de
gracinha, quem está arrastando asa pro meu lado é o Rui, o garanhão das
veranistas. Não sei o que ele quer comigo. Hoje ele veio perguntar se eu já
tinha visto algum cara de capa de chuva. Claro que já, mas eu não ia dizer isso
pra ele, né, Diário! Bom, eu sei que foi pura provocação porque ele sabe que eu
estou namorando com o Gabriel. Não é que ele me falou que se eu quiser ver ele
de capa é só pedir?! E o pior é que a bobona aqui ainda ficou em dúvida porque
ele é o maior gato. Mas eu vou aguentar, Diário, te juro! Pra ele, menina serve
só pra dizer que fez e depois joga fora. Ai Diário, eu falo isso tudo, mas por
dentro eu estou morrendo de vontade. O Rui é LINDO! E se ele já é lindo
vestido, imagina né! Ele é todo fortinho, deve beijar bem demais e o resto
então! Ah se ele soubesse que eu ainda…, aí é que ia querer mesmo! Aliás,
Diário, a gente tem que voltar a falar nisso, né? Está cada vez mais difícil
falar não para o Gabriel porque ele vive insistindo, mas eu só gosto dele como
passatempo. O meu namorado firme vai ter A no sobrenome. Eu vou sair dessa vida
e desse buraco! É isso que eu quero e vou conseguir! Por falar nisso, já estou
com saudade deles.
Quinta-feira, 15 de março
de 2007
Já sei que o Chico está
para chegar. Ainda bem que ele vem sozinho. A Isabel reclama quando ele vem. A
Ana não; ela me disse que já "fez" quando ele estava. Com quem será
que foi?
Segunda-feira, 19 de março
de 2007
Diário, não posso esquecer de
fazer uma coisa amanhã. O Vitinho me pediu para falar dele com o seu Modesto,
mas ainda não sei como eu vou fazer. Eu sei que o Vitor só está querendo
dinheiro. Ele quer vender chupeta para o seu Modesto mas o velho já tem
fornecedor, você entendeu, né? Bom, estou morrendo de sono. Boa noite,
Diário.
Capítulo IX — Jader
Insistente
Quarta-feira, 28 de março
de 2007
Já vai para mais de uma
semana que eu não te conto nada, Diário. Vou aproveitar a falta de sono para te
deixar em dia e sei que você vai clarear minhas idéias.
A primeira coisa é sobre o
Jader. Um dia desses, ele foi lá no mercado para pagar as compras que eu levei
na casa dele. Como ele também tinha ficado devendo os três reais da minha
gorgeta, pediu à Soninha do caixa para me chamar. Ele queria conversar comigo
depois do expediente. Aceitei porque ele estava bem sério. Aliás, ele estava
lindo, bronzeado, de bermuda e camiseta novas. Quando eu saí, ele estava me
esperando do lado de fora. Ele me chamou para sentar na praça para conversar. Estava
vazio, as pessoas só começam a chegar lá pelas sete e pouco. Foi engraçado, nós
dois sentados na beirinha do banco enorme, eu nervosa de curiosidade, ele
nervoso pra começar. Quando ele conseguiu falar, desembestou e soltou tudo de
uma vez: depois daquele dia na cozinha, ele não parava de pensar em mim e
queria que eu terminasse com o Gabriel pra ficar com ele.
Enquanto eu ainda estava
abestalhada, olhando pra ele sem saber o que dizer, ele pegou a minha mão,
botou bem entre as pernas dele e disse: "Está vendo o que você fez comigo,
Bruninha? Estou assim o tempo todo, dia e noite. Não consigo parar de
pensar em você. Acho que
é amor." Fiquei maluquinha, Diário, sem noção mesmo! Deixei minha mão lá,
com a dele por cima me fazendo sentir aquele calombo latejando sem parar. Ele
começou a procurar os meus olhos, cobrando uma resposta, e eu fui ficando
confusa, com vontade de me soltar, mas pensando no Gabriel. Só que foi ficando
tão forte, com ele me pressionando daquele jeito, que acabou num beijo. Diário,
nunca — mas nunca mesmo — um menino me beijou tão gostoso! Primeiro, ele abriu
a boca por cima da minha e começou a lamber os meus lábios fechados até me
fazer perder a vergonha e abrir a minha também. Daí a língua dele entrou
inteirinha na minha boca e procurou a minha. Tive que retribuir e foi um
tremendo beijão. Enquanto isso, ele fez minha mão passear pela bermuda dele,
sentindo aquele troço cada vez maior e mais duro. Eu fiquei foi abobada com o
jeito dele fazer as coisas, Diário! Por isso me senti indefesa. Fiquei sem ação
perto de tanta conviquição (é assim que se escreve?) e desejo. Nenhum dos dois
descolava do outro e a gente começou a se esfregar, ele passou a mão por baixo
da minha blusa... Fui ficando toda molhada. Ah, Diário, estava tão gostoso que
eu acabei resolvendo aproveitar pelo menos aquele momento. O Jader estava tão
carinhoso e com tanta vontade que eu resolvi ser boazinha. Sem parar de beijar,
botei a perna por cima da coxa dele. Assim que ele sentiu que eu estava de
perna aberta, tacou a mão. Eu estava com aquela sainha rosa plissada, curtinha
e rodada que a Isabel me deu de aniversário. Quando ele chegou lá e cobriu tudo
com aquela mão dele, apertando, quase desmaiei de aflição. Ele logo sentiu que
eu estava encharcada e começou a massagear com força. E isso tudo, Diário, sem
parar de chupar minha língua! Dava para ouvir quando ele engolia a minha
saliva! Você já adivinhou, né? Ele foi ficando tão doido que teve que abrir a
bermuda. Devia estar tão apertado! Eu ajudei, puxando a cueca pra deixar o
troço sair. Estava duro e tão molhado que eu nem toquei, fiquei olhando. Foi
nessa hora que o Jader parou de me beijar e cochichou no meu ouvido que, depois
daquele dia na casa dele, ele tinha ficado muito fissurado e queria que a gente
terminasse o que estava fazendo quando o colega dele chegou. Ele falou isso me
olhando nos olhos, respirando forte e sem parar de me esfregar.
Como a noite já tinha caído
e não vinha ninguém (nós ficamos naquele banco lá longe, que dá para a rua
Acre, sempre vazia), resolvi fazer o que eu nunca tinha feito: avançar o sinal
em lugar público. Sorri para o Jader, dei um estalinho na boquinha linda dele e
fiquei um tempinho com a cabeça no peito dele, segurando aquele troço enorme,
de cabeça molhada, olhando, cheia de água na boca, lembrando da chupetinha na
cozinha. Acho que isso relaxou o Jader. Ele se soltou todo no banco, abriu bem
as pernas e botou os braços por trás do encosto. Eu só tive que descer até a
altura do umbigo dele pra morder a fruta. A cabeça deslizou entre os meus
lábios e logo senti a vara grossa latejando neles. A coxa do Jader endureceu na
hora, a barriga também, ele começou a gemer baixinho, subindo e descendo
devagarinho. Fiquei com a mão meio para dentro da cueca dele, massageando as
bolas, apertando de leve, enquanto a minha boca subia e descia por aquele treco
grosso e duro que começou a soltar o melzinho transparente que eu adoro. O
Jader foi relaxando cada vez mais e me deixando mamar gostoso, me fazendo
carinho no cabelo e no pescoço, falando baixinho: "Chupa, Bruninha...
Assim... Chupa gostoso com essa boquinha maravilhosa..." Ele falou um
monte de coisas sensuais enquanto eu deixava o pau dele entrar todinho na minha
boca e sair todo molhado de saliva. Desta vez, Diário, deu pra sentir melhor
como o pau dele é gostoso, grosso e cabeçudo. É uma delícia ficar com ele
dentro da boca, sentindo o gosto do melzinho que sai sem parar. Como o Jader se
acalmou, a gente ficou nisso um tempão, parando para beijar às vezes e trocar
carinho. Só bem depois, ele começou a mexer um pouco e me pedir para fazer
pressão com a boca. Eu logo percebi que ele queria gozar e senti, pela pressão
da mão dele na minha cabeça, que ele queria que fosse na boca. Eu pensei um
segundinho e resolvi não negar. Assim que eu apertei a boca nele, sentindo cada
curvinha na língua, o Jader começou a se agitar e senti os jatos do leite dele.
Minha boca chegou a doer, de tanto que eu tinha que abrir! Mas não deixei
escorrer nadinha! Quando eu senti que ele tinha gozado tudo, cuspi e voltei a
lamber até deixar tudo limpinho. Ele falou que nenhuma menina tinha chupado tão
gostoso e me deu outro beijão, falou que estava gostando de mim de verdade e
repetiu que eu tinha que terminar com o Gabriel. Ah, Diário... estou numa
dúvida! Por mim, eu acho que aceitava, mas o Gabriel não vai entender nada e
vai ficar uma fera. Me ajuda a pensar, vai!
Para complicar as coisas,
os Albuquerque chegaram. Nem sei ainda quem veio dessa vez, porque quando eu
cheguei em casa, só tinha um bilhete da minha mãe dizendo que ia ficar lá
fazendo jantar e arrumando. Mas é claro que amanhã ninguém me segura aqui. Eu
vou lá de qualquer maneira, mesmo se não me chamarem! Se a Isabel tiver vindo,
ela me chama sem falta. Se forem só os meninos, vai depender quem. Já sei que
eu vou ter sono agitado...
Nossa, Diário, se alguém te
lesse agora, eu estaria morta! Ainda bem que descobri o esconderijo perfeito
pra você! De agora em diante, vou poder te contar tudinho sem ter que ficar
mudando as palavras.
Capítulo X — O Penúltimo
Irmão
Segunda-feira, 9 de abril
de 2007
Oi, Diário! Tenho tanta
coisa para contar que nem sei por onde começar. A última vez que escrevi foi no
finalzinho mês passado achando que todo mundo tinha vindo para a fazenda passar
o resto da semana, mas não foi bem assim; só o seu Rodrigo e a dona Flora
vieram para resolver umas coisas e eu acabei não indo lá. Mas na sexta passada
eles vieram de novo, dessa vez todo mundo, e a Isabel me chamou para ir lá
depois do trabalho. A gente ficou horas conversando na varanda do fundo, nas
cadeiras de balanço. A Isabel contou que está ficando com uma professora dela
super bonita e legal. Duas vezes por semana, ela vai direto da escola para a
casa da Lua (nome engraçado, né?) e elas ficam a tarde toda juntas, namorando.
Antes de ter ficado com a Isabel, eu achava tão esquisito isso de duas mulheres
juntas, mas agora sei como é carinhoso e excitante. Só não sei como elas
conseguem ficar sem homem de vez em quando.
Mas chega disso. Quero
contar o mais importante. Enquanto eu estava no varandão com a Isabel, o
Luciano, irmão dela, ficou entrando e saindo o tempo todo, como se quisesse que
a gente chamasse ele para conversar. Eu conheço o Luciano desde pequena e nem
acredito quando penso que ele está com quase 20 anos! Ele tem o mesmo jeito do
pai, parece o dono da fazenda. Nunca esqueço do dia em que ele passou a cavalo
quando eu estava tomando banho de sol no quintal — quase morri de vergonha –,
disse "Está ficando linda, Bruna!" e foi embora do mesmo jeito que
apareceu. Pois então, ontem ele ficou num entra-e-sai das 9h ao meio-dia. Eu
notei e falei com a Isabel. Ela prestou atenção e começou a estranhar também.
De repente, ela virou pra mim e disse: "Bruna, acho que é com você!"
Eu devo ter olhado pra ela muito espantada, porque, para mim, interessar o
Luciano era a última coisa do mundo que poderia acontecer. Mas a Isabel começou
a ter certeza e não deu outra: o Luciano acabou chegando perto da gente e
perguntando se eu não queria andar a cavalo com ele no sábado de manhã. A
Isabel riu e eu fiquei sem fala, Diário! Eu tinha dois problemas. Um deles é
que eu não monto nem morta sozinha num cavalo, mas quando eu disse isso para o
Luciano, ele riu e disse que a idéia era andar juntos no mesmo cavalo. Olhei
para a Isabel, ela fez que sim, eu aceitei e o Luciano não voltou mais ao
varandão. O outro problema é que eu trabalho aos sábados e, como você sabe,
querido Diário, pedir uma folga o seu Modesto nunca fica de graça. Tive que
recusar e o Luciano me perguntou se podia ser no sábado que vem. Aceitei, é
claro! Se o seu Modesto me der essa folga, faço tudo que ele quiser! Estou
brincando, Diário.
Quinta-feira, 12 de abril
de 2007
Logo hoje que eu ia pedir a
minha folga, parece que o seu Modesto estava mais safado do que nunca. A
Rosinha me contou que ele deu uma pegada nela de manhã e agora à tardinha quis
de novo. O gozado, nessa história, é que eu estou achando que a Rosinha não
está detestando tanto assim os apertos dele! Agora, quando ela fala, não parece
mais a menininha indefesa do início... Já pensou se eles viram amantes?
Novidade: terminei com o
Gabriel! Eu pedi para a gente conversar durante o meu almoço e expliquei
tudinho, disse até que eu estava interessada no Jader. Ele ficou mais chateado
do que zangado, mas acho que a gente já estava cansando dessa vidinha de
transar nos fundos do armazém. Ele só pediu para me dar um último beijo e
passar a mão por baixo da minha saia para se despedir do meu corpo. Eu deixei,
mas estou tão ligada no Luciano que, na hora, eu nem pensei nele... Aliás, nem
no Jader. Você me acha esquisita, Diário? Quando ele foi embora, fiquei olhando
para o corpo fortinho dele e lembrando daquele dia, no armazém, quando ele e os
dois amigos dele me pegaram, e me perguntando se algum dia eu descobriria quem
eram eles. Acho que perdi uma chance de ficar sabendo.
Sexta-feira, dia 13 de
abril de 2007
Consegui minha folga de
amanhã, Diário! E sabe o quê? Não precisei pagar muito caro. Seu Modesto só
queria que eu virasse e deixasse ele se esfregar em mim. Eu esperei um
pouco, olhando para aquela cara de tarado dele, e pensei no passeio a cavalo de
amanhã com o Luciano. Daí me virei e deixei. Ainda bem que eu estava de calça,
mas ele só levantou meu guarda-pó e se esfregou em mim, passando a mão com
força entre as minhas pernas, depois no meu peito, por fora da camiseta,
cochichando que me acha bonita e que eu devo transar gostoso com os meninos. Eu
não fiz nada, não falei nada, só fiquei parada até ele terminar. Se ele gozou,
foi na calada. Eu só senti que ele me apertou com mais força no final. Com a
Rosinha ele é bem mais sem-vergonha. De mim ele tem medo.
Xi! Acabaei de lembrar que
esqueci de falar com o seu Modesto sobre o Vitinho. Agora, que ele me contou
que quer conseguir um aumento "por fora" e que eu já sei que o nosso
patrão safado não recusa nada, não tenho mais desculpa para enrolar. É chato,
mas vou ver se falo disso na segunda.
Sábado, 14 de abril de 2007
Diário meu, esse dia eu não
vou esquecer!
Cheguei na fazenda hoje às
9h, o Luciano apareceu, me deu dois beijinhos e foi direto para a estrebaria.
Quinze minutos depois, ele apareceu montado naquela égua linda que eles têm,
rajada de branco e preto, com uma crina maravilhosa e o rabo quase até o chão.
Ela é grande, mas tão mansinha, que a gente se apaixona. O Luciano só pôs a
manta do estribo nela, sem sela. Assim que ele parou, apeou, me ajudou a montar
e tornou a montar, por trás de mim. Tive um pouco de medo, mas ele garantiu que
a gente não ia galopar. Esqueci de dizer que eu fui de vestido mesmo, um bem
largão que a Isabel me deu, todo estampado de florzinhas.
Assim que a gente se
afastou da casa, o Luciano começou a falar, me contar tudo sobre a fazenda. Ele
estava super animado, apontando para todas as direções, me mostrando várias
coisas que eu nunca tinha reparado e falando dos projetos dele para a fazenda.
Estava interessante, mas uma meia-hora depois, eu fui ficando cansada da
posição e rencostei todinha nele. Assim que ele sentiu que eu estava a fim, ele
chegou para frente e nós ficamos coladinhos um no outro. A conversa acabou ali,
Diário! Ele começou a respirar no meu pescoço, dizendo que gostava do meu
cheiro e logo me agarrou pela cintura, me fazendo sentir o corpo dele batendo
no meu a cada passo da égua. De repente, ele começou a cochichar no meu ouvido
e eu fui respondendo. Foi mais ou menos assim.
— Eu nunca tive a mesma
sorte que os meus irmãos com você.
— Sorte? Como assim?
— Ah, você sabe...
— Não sei não. Fala!
— O Caio, os gêmeos... Eu
estou sabendo.
— Nossa, que fofoqueiros!
— Vai me dizer que não sabe
que irmão conta tudo um para o outro!
— ...
Durante o papo, ele me
puxava cada vez mais forte pra junto dele e, como não tinha sela, comecei a
sentir tudo. Não tive mais dúvida sobre o motivo do convite para passear. Na
hora, fiquei um pouco decepcionada, porque eu tinha chegado a pensar que era
outro tipo de interesse, mas logo tirei essa idéia da cabeça e entrei no jogo:
comecei a fazer carinho nas pernas dele para mostrar que eu estava gsotando e
queria que ele ficasse bem coladinho comigo. De repente, ele começou a puxar o
meu vestido até a altura das coxas e me pediu para levantar um pouco para ele
passar a parte de trás do vestido por baixo. Assim que eu senti o corpo do
cavalo quase direto contra o meu, comecei a ficar molhada! Luciano acariciou
minhas coxas, depois entre elas, direto na calcinha. Aí não resisti e cheguei a
calcinha para o lado para ele esfregar bem "lá". Por várias vezes,
ele tentou enfiar o dedo na entradinha, mas eu não deixei. Ele ficou intrigado
e a gente teve outra conversa que eu me lembro bem.
— Você é virgem, Bruna?
— Sou, por quê?
— Por nada. Eu sei que os
meus irmãos não... Enfim, você não transou com outros caras, tipo... transa
mesmo, "completa"?
— Eu deitei com outros
meninos, mas não quero perder a virgindade assim... desse jeito... Ah, você
entendeu, né? (Eu não podia revelar os meus motivos pra ele, Diário!)
— Então, até hoje, você só
beijou?
— Não, bobo! A gente não
precisa perder a virgindade para transar, não é?
— Ah! Entendi. Então até
hoje, você só deixou atrás.
— É.
— Com muitos?
— Isso é pergunta que se
faça, seu moço?
Ele parou de perguntar, mas
ficou quieto. Senti que, ao mesmo tempo, ele tinha ficado mais aceso ainda, se
ajeitando no cavalo, passando a mão por dentro da calça pra ajeitar o
"coiso" que devia estar matando naquela calça apertada. Acabei
perguntando se ele não queria tirar a calça e não precisei perguntar outra vez.
Ele apeou, tirou a roupa e tornou a montar se colando em mim. Aliás , não tinha
nada de mais porque ele estava de sunga; ele queria ir até a cachoeira. Nós
cavalgamos um pouco, bem comportados, só para sentir o ventinho.Não tive
coragem de tirar o vestido todo porque algum peão podia passar eu não quero que
gente daqui saiba de nada sobre o que eu faço com os Albuquerque. Ninguém tem
nada a ver com isso. O único problema, Diário, é que é impossível ficar
cavalgando colada num cara como o Luciano, sem fazer nada! Até que ele começou
bem, mas fui eu que não agüentei e pedi para virar de frente para ele. Passei
as pernas por cima das coxas dele, como eu gosto, e comecei a beijar aquela
boquinha linda. Ele logo me puxou e fiquei grudada no troço dele, tão duro que
parecia um cabo de enxada na sunga. A gente ficou se beijando, ele fazendo
carinho nas minhas coxas e eu no cabelo dele. Fui ficando toda quente,
encharcada, doidinha pra dar tudo para ele.
Ah, Diário... Minha cabeça
que não pára disparou e comecei a me perguntar se não tinha chegado a hora
certa de realizar o meu sonho. Eu já sabia que ele não tinha me convidado para
aquele passeio por amor, mas nunca se sabe quando um rapaz se apaixona; poderia
ser ali, durante aquela troca de carinho entre a gente, que estava tão gostosa!
Cheguei a pensar que, se a gente transasse, e com um pouco de sorte, eu poderia
até engravidar do Luciano. Enquanto eu pensava em tudo isso, sentia o corpo
dele encostado no meu, separado só pelos tecidos fininhos de uma calcinha e de
uma sunga, a língua dele procurando a minha, a mão dele entrando pelo meu
vestido, apalpando os meus peitos, apertando os biquinhos doloridos de tão
duros. Me senti estranha. Acho que aquela indecisão me deixou meio tonta.
De repente, me senti
agarrada pela cintura e "acordei" achando que o Luciano tinha tomado
a decisão por mim. Entrei em pânico, olhando para ele sem saber o que dizer,
mas não consegui resistir quando ele me trouxe mais para o meio do cavalo e me
fez a levantar as pernas. Vi que ele estava pronto, mas em vez de baixar a
sunga, ele se afastou mais de mim, sentando bem atrás, na garupa, agarrou as
minhas coxas com força e mergulhou de boca na minha calcinha.
Ah, Diário, não sei se
consigo contar isso por escrito! O Luciano entrou de boca em mim, mordendo e
lambendo tudo junto com a calcinha de tudo que é jeito e maneira, juntando a
saliva dele com a minha gosma e deixando tudo empapado. Eu me agarrei com tanta
força na égua para não despencar lá de cima que nem sei como ela não sentiu
dor, enquanto o Luciano me lambia sem parar. Depois de um tempo fazendo isso,
ele parou, se afastou, puxou a minha calcinha para o lado e ficou olhando. Ele
nunca tinha visto mulher virgem. A gente teve outro papo gozado nessa hora.
— Não é tudo fechado, tem
uma carninha tapando, mas não tudo.
— Ainda bem! Se assim já
dói, imagina se fosse tudo fechado!
— Haha! É mesmo.
Aí, ele tocou com o dedo
bem na entrada e até tentou começar a enfiar a ponta do mindinho. Talvez
entrasse sem dor, sei lá, mas não deixei ele continuar. Ele adorou a minha
xoxota, falou que era linda, ficou um tempão olhando. Quando eu tirei a
calcinha e ele começou a me lamber, só faltei desmaiar de prazer! Aquela língua
quente começou a pincelar tudo, me deixando toda gosmenta. Ele lambeu os lados
dos lábios, forçou a entradinha com a ponta da língua, mordiscou, depois voltou
com vontade no meu grelo, esfregando que nem um gato, me segurando para eu não
cair do cavalo. Ah, Diário, ele lambeu tão bem que eu comecei a gozar. Faltou
pouco para eu falar para ele meter e acabar logo com isso. Acho que era tudo
que ele mais queria, mas eu consegui me controlar e em vez disso falei bem
baixinho que deixava ele botar atrás se quisesse. É claro que ele quis!
Acho que quando o Luciano
viu o meu bumbum, esqueceu a xoxota fechada. Não demorou um segundo para eu
sentir ele me puxando para trás. Abracei a égua, deitei a cabeça na
crina branca e fofinha e me preparei. Luciano cuspiu lá de cima e senti a
saliva bater no rego e escorrer devagar pelo cuzinho. Daí ele começou esfregar
o pau. Essa sensação eu já conhecia, então relaxei, abraçando e alisando o
corpo quente da égua, até que o pau foi entrando, devagarinho mas sem parar.
Foi gostoso, não senti dor, o Luciano gemendo alto, me chamando de gostosa e
mais um monte de coisas, falando como dava tesão ver o pau dele entrando e
saindo de mim. Daí a pouco, ele me agarrou com toda força, eu senti entrar o
restinho que faltava e ele começou a socar curtinho, colado em mim, até gozar.
Ele gozou muito enquanto eu me esfregava para gozar junto. A gente ficou lá, um
tempão, eu toda mole em cima da égua e ele desabado em cima de mim, até o pinto
escapulir sozinho. Acho que eu nunca te contei que eu já brinquei montada em
cavalo com o Gabriel, não é, Diário? Uma vez a gente se embrenhou no matão da
Jaqueira e eu fiquei pelada com ele a cavalo, mas eu não quis deixar ele fazer
nada. Ele ficou por conta Benedito! Com o Luciano, foi a primeira vez que eu
deixei. Não vou dizer que é ótimo, mas quando o tesão começa, a gente até
esquece da vida!
Depois de descansar um
pouco, a gente apeou para caminhar e o Luciano foi levando a égua pelas rédeas.
Ele ainda me me mostrou uma outra cachoeira que tem na fazenda (eu sabia onde
era, mas só tinha ido naquela de perto da casa) e o dia terminou com um banho
delicioso, os dois pelados. Lá, ele me pediu para fazer uma coisa que eu não
tinha feito e que ele gostava muito - chupar -, e isso ele adorou. Na volta,
ele veio conversando comigo, contando sobre a vida dele no Rio. Não sei se a
gente vai namorar, ele não tocou no assunto, mas a gente se beijou várias vezes
pelo caminho e aqui, pertinho de casa, ele me deu um beijo bem longo e
carinhoso. Quem sabe? Fiquei toda esperançosa!
Boa noite, meu Diário.
Dorme bem e toma conta de tudo que eu já te contei até hoje. É você que vai me
ajudar a escolher e descobrir o que é melhor para mim e para a minha vida.
Capítulo XI - Alguma Coisa
Tem que Mudar
Quarta-feira, 23 de maio de
2007
Querido Diário, faz muito
tempo que eu não te conto os meus segredos, e nem tudo que eu vou contar hoje é
bom. Muita coisa aconteceu e ainda acho que você é o único que me entende.
A primeira coisa é que o
porco do seu Modesto tanto fez que acabou engravidando a Rosinha. Ela me disse
que nos últimos tempos estava indo ao escritório dele praticamente todo dia
depois do expediente e que ele estava todo prosa porque conseguia tirar antes
de gozar. Ela implorava para ele botar camisinha, mas ele não queria mais. Ela
ficou dois meses sem menstruar e começou a ter enjôo. O médico só precisou
dizer o que ela já desconfiava. Ela contou tudo em casa, o padrasto quase matou
o seu Modesto e o mercado vai fechar por que a história se espalhou e ninguém
mais vai comprar lá. Acho até que o velho vai embora da cidade. A Rosinha vai
ser mãe e eu vou ficar sem emprego. Para onde será que eu vou? Tem uma vaga de
manicure na D. Palmira, mas eu não queria fazer unha!
Sexta-feira, 1 de junho de
2007
O Vitor virou meu melhor
amigo. A gente não desgruda mais. Eu queria tanto que ele fosse lá na fazenda
um dia para conhecer! Mas tem que ser quando os Albuquerque estiverem no Rio. O
Vitor me conta tudo. Eu já te contei que ele gosta de menino e que ele tinha
pedido ao seu Modesto para sair mais cedo às vezes porque arrumou um namorado,
não contei? Bom, se o mercado fechar ele vai poder ver o menino todo dia! Eles
transam sem parar. O nome do menino é Matias e ele pede pra comer o Vitinho em
tudo que é lugar. Uma vez, o Matias foi lá no mercadinho durante o expediente e
eu vi os dois. Eles foram lá para baixo. Te juro pela minha mãe mortinha,
Diário: o Vitor me pediu para tomar conta da porta! Eu fiquei do lado de
dentro, de orelha grudada na porta. O Vitor só baixou a calça, encostou num
armarinho e deu para o Matias assim, em pé. Os armários ficam entre a porta e o lugar de
se vestir, mas eu consegui ver muita coisa pelo espelho da parede. O Vitor
quase chora dando, geme tanto! Eu só via a bundinha do Matias pra frente e pra
trás, e o Vitinho gemendo, falando "Ai, me fode, vai!" com aquela voz
de mulherzinha que ele tem. Eles ficaram lá uns dez minutos. Agora que passou,
nem sei o que eu teria feito se tivesse chegado alguém! Imagina se fosse o seu
Modesto! Ia querer comer os dois... e eu junto!
Terça-feira, 5 de junho de
2007
Quero te falar da Aninha,
Diário. Você sabe como ela é piranhuda, né? Desde quando a gente começou a trabalhar
no mercado, ela já deve ter dado pra uns 20 clientes, sério mesmo! Ela ganha
uma nota fazendo entrega porque nem liga de beijar, deixar os caras passarem a
mão e até se esfregar nela. Eu acho que ela é amante do seu Braga, aquele coroa
que era sargento. Ele é tão feio e velho — eca! Ela não diz que sim nem que
não, mas quando eu aperto, ela ri. Acho que ele come ela e dá presente e
dinheiro, porque ela está cheia de roupa nova. O coitado do velho nem desconfia
que é amante cornudo! Se ele visse os caras agarrando a Ana lá no fundo do
mercado ia ter um ataque do coração! Você sabe como ela se veste, né? Ela bota
o guarda-pó por cima da calcinha e do sutiã. Todo mundo pensa que ela tá de
mini-saia ou vestido curto, mas que nada! Um dia, ela foi de calcinha
fio-dental só porque o aquele gato do Pedro ia lá logo depos do almoço, quando
não tem ninguém. Eles ficaram se agarrando lá no fundo. Teve uma hora que eu
passei e vi a mão dele toda atolada na bunda dela. A rampeira estava que não se
agüentava; aposto que ele estava enfiando o dedo na xoxota dela! O que estraga
a Aninha é que ela acha que todo mundo quer transar com ela. Todo dia ela me
conta como é que ela chupou o fulano na pracinha, como é que ela deixou o
beltrano mamar nos peitos dela durante o expediente, como é que o sicrano
encoxou ela na calçada... No começo era engraçado, mas agora está ficando até
chato. Só teve uma história dela que me deixou de cabelo em pé: a do Junior,
sobrinho do padre Amélio. Você sabe como aquele menino é a coisa mais linda,
né, Diário? Pois é, ela seduziu o garoto quando ele estava sozinho em casa para
receber as compras que o padre Amélio tinha encomendado. E eu sei que é verdade
porque depois o menino não parava mais de ir no mercado procurar a Aninha e a
malvada fazia que nem conhecia o pobre. Ele quase endoidou. Vou contar.
A Ana foi entregar as
compras e o Junior atendeu. Nem sei quantos anos ele tem, mas se for dezoito,
não parece, e morando com o padre, então, parece um bocó. Ela falou que sabia
que ele estava sozinho e que assim que ele abriu a porta ela vôou em cima dele
e deu-lhe o maior beijão de língua. Quando o menino deu por si, já estava no
chão da sala com ela por cima dele, tirando a blusa e mostrando os peitos. A
Ana falou que em menos de um minuto o pinto dele estava dentro dela! Ela
imobilizou o menino e não deixou ele fazer nada. Só ela podia mexer. Parece que
ele ficou todo acalorado, vermelho e com aquela cara de bobo. A Ana me disse
que só parou quando ele gozou, daí levantou, botou a roupa e ficou olhando para
ele, que ficou lá, deitado no chão, todo amuado. Quando ela perguntou por que é
que ele estava daquele jeito, ele respondeu que era porque ele nunca tinha
feito nada com mulher. Ela nem deu trela, virou as costas e saiu. Depois desse
dia, o Junior ia todo dia lá no mercado. Ele implorava para falar com a Aninha,
mas ela nem aparecia. Ele estava apaixonado de verdade! A gente chegou a achar
que ele fosse se matar de tristeza. Levou um tempão até ele desistir de ir lá,
e ele nunca mais foi o mesmo depois disso. A Aninha é malvada; se o mercado
fechar vai ser bem feito para ela.
Sexta-feira, 22 de junho de
2007
A escola está uma chatice
com tanta prova. Para piorar, o Tonho resolveu não falar mais comigo porque não
quero mais "sair" com ele (você sabe que para o Tonho, sair significa
sair da estrada para ir me espremer numa árvore!), mas converso com todo mundo.
Ele é bronco demais! Estou doida para terminar o colégio e poder só trabalhar.
Ah, se eu pudesse contar os meus sonhos para a minha mãe! Ela me tiraria do
colégio porque quando eu entrar para a família Albuquerque, não vou precisar de
estudo. Mas não adianta sonhar. Não posso contar e pronto. Enquanto isso, vou
enrolando, matando aula com os meninos e pedindo para ir ao banheiro um monte
de vezes durante a aula.
Por falar em matar aula com
os meninos, nem te contei que um dia desses a gente foi matar aula na igreja,
eu, a Soninha, o Anselmo e mais o Zeca! Não tinha ninguém e o padre Amélio não
estava. A gente sentou no último banco e os meninos começaram a passar a mão na
coxa da gente, o Anselmo na Soninha e o Zeca em mim. Eu fiquei toda
arrepiada, mas estava morrendo de medo do padre entrar porque se ele visse a
gente de uniforme ia mandar sair na hora e ainda falar com o diretor. Eu ficava
olhando para a porta enquanto o Zeca alisava as minhas coxas e apertava a minha
xoxota por fora da calcinha. Eu não conseguia me concentrar, de tanto nervoso!
Quando eu olhei para a Sonia, ela estava com o pau do Anselmo todo duro na mão
e ele com a mão enfiada entre as pernas dela. O Zeca virou pra mim e disse
"Viu só? Eles estão ganhando da gente!" Aí, Diário, eu nem pensei
duas vezes. Esqueci o padre Amélio, puxei o Zeca e grudei na boca dele. Ele
apertou minha xoxota com força e me deu um chupão que me deixou sem ar. A gente
ficou se beijando um tempinho e logo ele pegou a minha mão e botou na calça
dele. Com uma mão só, eu abri o botão de cima, desci o zíper e mergulhei na
cueca dele. Estava tudo melado e o pau que nem ferro em brasa de tão duro e quente!
Ele parou de me beijar e olhou para mim, sorrindo e fazendo sinal com a cabeça.
Entendi na hora e caí de boca no pau grossão do Zeca.
Eu estava lá, toda
concentrada quando, de repente - plaf! -, ouvi um estalo e senti minha bunda
arder: a Sonia tinha me dado o maior tapão que ecoou na igreja toda! Minha saia
deve ter subido quando eu me inclinei para chupar o Zeca e a minha bunda ficou
toda de fora, aí a vaca da Sonia aproveitou para aprontar uma das dela! Só sei
que eu virei para trás e disse: "Sua puta!" E ela: "Sou mesmo,
com muita honra!" e também começou a chupar o pau do Anselmo, que gemia e
pedia pra ela ir devagar senão ele ia gozar.
Enquanto a gente estava
chupando, os meninos estavam de cochicho e rindo, mas não era nada de mau não.
Teve uma hora que eu ouvi o Zeca dizendo: "Ela deve fazer mais gostoso que
a Vera!" Sabe quem é a Vera, né, Diário? É aquela morena grande da
farmácia, que só dá trela para homem mais velho e só se tiver casa, carro e
dinheiro. Ela é falada, já foi até amante e todo mundo fala que ela é boa de
cama. Se eu chupo melhor que ela, posso ficar toda prosa! Só sei que quando o
Zeca falou aquilo, comecei a chupar forte pra fazer ele gozar.
De repente, uma porta lá na
frente fez barulho e a gente teve que parar tudo para fingir que estava
rezando. Não deu nem tempo dos meninos fecharem a braguilha. Era o Tião
Sacristão. É claro que ele notou, mas ele é legal e não dedura quando a gente
mata aula para aprontar, mas mandou todo mundo sair. A gente acabou indo para a
praça, mais porque a Sonia queria continuar, senão eu não teria ido. Não fiz
nada lá, só fiquei me agarrando com o Zeca e fiz ele gozar na cueca. A Sonia
encostou o Anselmo na parede, botou o pau dele pra fora, agachou, chupou e só
parou quando engoliu tudinho que ele gozou! Só vendo a cara do menino quando
começou a gozar na boca daquela doida. A Sonia é muito vadia!
Você sabe, não é, Diário,
que eu faço essas coisas para passar o tempo? Eu sei o que eu quero e não vou
estragar tudo que eu sonhei e ficar falada. Essas meninas como a Sonia e umas
outras lá da escola vão acabar arrumando filho e virando mães solteiras. Eu não
quero isso para mim. Por falar nisso, bem que eu queria que acontecesse logo o
que eu sonho para mim. Já cansei dessa história de sair com os meninos, ter que
explicar que eu quero ficar virgem e só deixar botar atrás. Isso tem que
acabar, eu tenho que arrumar um Albuquerque, um Albuquerque só para mim, e o
Albuquerque certo! Quando eu paro para pensar, sei que não vai ser o Tiago nem
o Flávio nem o Caio. Os gêmeos são dois crianções que só querem saber de farra
e o Caio é um doce, mas muito desligadão. O Luciano é diferente, o dia do
passeio a cavalo com ele foi maravilhoso, mas acho que ele só pensa na fazenda.
Falta o Augusto, mas eu nem posso dizer que a gente se conhece. Fora que ele é
bem esquisito; a minha mãe diz que ele só vai na fazenda sozinho ou com algum
amigo e só pede a ela para ir lá fazer a comida. Aliás, isso mudou! Eu ia levar
o Vitinho para conhecer a fazenda no fim de semana, mas não vai dar para entrar
na casa, e sabe por quê? Porque o Augusto está lá! Bom, eu posso ir de qualquer
maneira, mostrar o lado de fora e deixar a casa para outra vez, né? Acho que
vou perguntar ao Vitinho amanhã mesmo! E quem sabe se o Augusto não é o meu
Albuquerque? Sei lá... Só sei que estou enjoada dessa vidinha chata. Alguma
coisa tem que mudar. Boa noite, Diário, dorme bem!
Capítulo XII - Férias
Domingo, 1 de julho de 2007
Oi Diário! É domingo à
noite, mas foi o primeiro dia de férias. E como eu não estou mais trabalhando,
vou ter férias de verdade!
Hoje, todo mundo da minha
turma foi nadar no lago porque a gente vai ficar sem se ver durante quinze
dias. Os meninos ficaram doidos vendo a Jessica de biquíni! Pudera, com aquele
bundão todo de fora! Você sabe que eu não sou despeitada, mas ela tem vinte e
dois anos, então não tem vantagem eles ficarem acesos com ela. Todo mundo viu o
Beto e o Juliano se agarrando com ela dentro d'água e quando ela pegou no pau
do Jeferson eu estava do lado deles. Vai ficar mal falada como a Débora! Aquela
lá mostra os peitos e deixa todo mundo fazer o que quiser. Já ouvi cada
história cabeluda com a Débora, Diário! Um dia vai aparecer grávida, pode
apostar! O Tião me contou que uma vez foram uns dez lá para a casa abandonada
que era da D. Lina mais o seu Euzébio e ela deixou os meninos botarem na frente
e atrás enquanto ela chupava o de outro! Todo mundo meteu e gozou dentro ou na
boca dela! Isso me dá um pouco de nojo.
O Clécio quis ficar comigo,
mas eu não estava nem um pouco a fim e ele acabou desistindo. Ele fala que quer
me namorar. Coitado, vai ficar querendo!
Quinta-feira, 5 de julho de
2007
Fiquei arrumando a sede com
a minha mãe. A família toda vem amanhã. Estou louca para ver todo mundo.
Sábado, 7 de julho de 2007
Dormi na fazenda de ontem
para hoje. É gostoso dormir com a Isabel porque ela é carinhosa comigo e me
respeita. Eu gosto de homem e não faço as mesmas coisas que ela faz em mim, mas
ela me faz gozar de um jeito tão diferente tão gostoso! Ela é tão legal e gosta
tanto de mim que eu não consigo dizer não para ela.
Não gosto muito dos gêmeos,
Diário. O Tiago e o Flávio não são como o Caio, a Isabel e os outros, que me
tratam como se eu fosse da família; são sempre meio distantes. Aposto que naquele
dia, na sede antiga, eles só queriam se aproveitar de mim. O Augusto não
conversa muito comigo porque é mais velho e não porque é antipático. Ele é
legal e sorridente comigo. Os gêmeos são metidos.
Eu e a minha mãe limpamos a
piscina ontem e hoje todo mundo pode entrar. Não sei se é cisma, mas parece que
todo mundo olha para mim quando eu estou de biquíni. Também pode ser porque os
meus biquínis eram da Isabel e eles se lembram deles. Hoje o Luciano disse que
eu estava linda. Fiquei toda prosa.
A Julia e a Clara estão
ficando tão bonitinhas! Acho que elas gostam de mim e já dá para conversar um
pouco com elas agora. Elas eram bebezinhas ainda no outro dia!
A Dona Flora deu tanta
roupa para a minha mãe que ela vai distribuir com os empregados. Já sei que vai
dar fofoca e inveja; vão achar que ela ficou com as melhores e deu o resto, mas
minha mãe não aprende!
Domingo, 8 de julho de 2007
Sempre fico triste depois
que eles vão embora, Diário. Dá uma coisa lá no fundo, não sei explicar.
Achei o Caio meio amuado.
Vai ver que ele terminou com alguma namorada lá no Rio. Eu queria perguntar,
mas sempre que eu chegava perto dele, vinha alguém, parecia de propósito. Ele
está lindo de cabelo mais comprido!
Terça-feira, 10 de julho de
2007
Hoje eu encontrei a
Rosinha. Estou achando que já dá para notar a barriga. Ela não está com cara de
infeliz não, mas eu acho uma pena que o bebê não vai ter pai. O covarde do seu
Modesto foi embora e ela vai ter que criar ele sozinho.
Você acredita que eu já
estou com saudade das aulas, Diário? Não tem nada para fazer e os Albuquerque
foram para a casa de praia passar o resto das férias. Estou enjoada de ficar à
toa!
Sexta-feira, 13 de julho de
2007
Credo, só faltou o gato
preto e o espelho quebrado, Diário! O Clécio veio aqui cedo me pedir para ir
com ele lá na fazenda do seu Bentinho pegar umas coisas para a mãe dele e a
boba aqui aceitou. A gente foi de bicicleta, mas no meio do caminho ele falou
que não era nada disso e o que ele queria mesmo era falar comigo. Aí ele veio
com uma conversa toda enrolada, dizendo que nunca tinha feito nada com mulher e
que já estava com dezenove anos. Eu perguntei o que eu tinha a ver com isso e
ele falo que eu podia "salvar" ele. Me deu uma raiva, Diário, mas uma
raiva! Raiva de mim de ter ido tão longe para ouvir besteira e raiva dele de me
levar lá para falar coisa sem pé nem cabeça. Só sei que eu fui falando não,
não, não, não para tudo. Mas você sabe como eu sou, né. No final, me deu tanta
dó que eu deixei ele passar a mão em mim e beijar. Ele é feinho, coitado,
queixudo daquele jeito, mas até que ele beija bem. Eu queria parar nisso, mas
ele mostrou que estava tudo duro na calça e pediu para me mostrar. Até aí tudo
bem, eu não ia fazer nada mesmo. Ele tem pau grande, do tamanho do pau do Tonho
ou um pouquinho menor só. Ele pediu para eu chupar, mas eu disse que nem morta,
daí ele implorou para eu pegar pelo menos e eu não consegui dizer não. E
foi aí que aconteceu a desgraça. Sabe a Silvana, mulher do Irineu? Ela passou
na horinha pela picada e viu a gente. Já sei que todo mundo vai pensar que eu
estou namorando o Clécio. Já pensou, Diário? Eu devo ter passado por baixo de
escada sem perceber! Vou chegar na escola morrendo de medo, na segunda-feira.
Eu não podia ter arrumado um jeito melhor para terminar as férias!
Capítulo XIII - Tocando a
Vida para Frente
Domingo, 5 de agosto de 2007
Apaga o que eu disse no
outro dia, Diário; quero voltar para as férias! Bem que eu falei: a Silvana
espalhou para todo mundo que me viu com o Clécio e eu levei a semana toda até
convencer todo mundo na escola que eu não estou namorando aquele menino. O pior
é que estão achando que eu fiz tudinho com ele, e você sabe que isso não é
verdade. A Fatinha veio até me perguntar como é que eu tenho coragem de dar
para ele. Quase dei um tabefe nela de desconfiar de mim! Mas você me conhece,
né Diário, espalhei para todo mundo que o Clécio nunca transou. Os meninos
caíram na pele dele.
Tomara que os Albuquerque
venham na semana que vem. Já estou sentindo falta.
Hoje eu fui no aniversário
da Vanda com aquele vestido de alcinha, todo colorido que a Isabel me deu.
Precisava ver como a peãozada olhou para mim, Diário, fiquei até sem jeito! A
família toda estava e até um tio dela bem velho veio puxar prosa! Me fez tanta
pergunta e me olhou de um jeito! Parecia até que queria casar. Credo e cruz!
Aliás se a Vanda não casar
com o namorado logo, vai arrumar filho sem querer! Eu vi os dois na maior
agarração no quintal. Ele estava escorado no muro e ela toda encostada nele.
Parecia que eles estavam fazendo porque ele estava mexendo muito e ela numa
gemedeira que só! De saia já não é difícil, e a dela não tinha como ser mais
curta!
Sexta-feira, 17 de agosto
de 2007
Arrumei emprego de caixa na
padaria da dona Lígia. Foi a tia do Zacarias que me apresentou. Vai ser bem
diferente do mercado, mas paga melhor. Eu preferia vender, mas só tinha vaga de
caixa. Começa na segunda.
Os Albuquerque não vão vir
de novo no fim de semana. Deve estar bom no Rio de Janeiro, é por isso.
Sexta-feira, 24 de agosto
de 2007
Estou voltando da sede.
Eles vieram, Diário! O Caio estava um doce comigo. A gente vai na cachoeira
amanhã. Nem sei se vou conseguir dormir, de tão agitada.
Sábado, 25 de agosto de 2007
A primeira semana de
trabalho foi legal. É fácil ficar no caixa e eu não fico tão cansada. A única
coisa chata é que eu não posso usar a máqina registradora toda hora e aí me
complica fazer cálculo. Dependendo da mercadoria eu não tiro nota, não entendo
bem isso e a dona Lígia não explica.
Hoje eu passei o dia
inteirinho na sede e estou voltando agora. A cachoeira acabou sendo sem graça
porque um montão de gente resolveu ir junto comigo mais o Caio. Aliás não
entendi nada porque a Isabel trouxe um amigo que não desgruda dela. Será que
ele sabe que ela gosta de menina? Ela quase não me deu atenção. O Luciano é que
estava todo bonzinho comigo. Teve uma hora que a gente até caminhou um pouco na
estradinha, mas as meninas vieram chamar para almoçar e quase pegaram a gente
se beijando. Foi pena porque ele estava bem aceso e eu morrendo de vontade de
ficar me agarrando com ele.
Sexta-feira, 7 de setembro
de 2007
Ai, ai, Diário, não sei o
que eu faço. Desde que eu comecei a trabalhar na padaria, o Everton não me
larga. Ele puxa conversa, me paga doce, me traz até em casa, me dá presentes...
Hoje a padaria abriu, mas a gente não trabalhou, então ele me convenceu a ficar
com ele depois da cerimônia na praça. De tardinha, ele insistiu tanto que eu
não aguentei e a gente voltou para a praça e ficou se agarrando num banco. Ele
é impossível! Assim que a gente sentou, logo no primeiro beijo, ele já foi
passando a mão no meu peito! Quando eu botei a mão no colo dele, estava tudo
duro e latejando! Acho que eu estava carente depois que não deu certo com o Luciano
na cachoeira e acabei afrouxando. Vou confessar, mas só para você, Diário: eu
peguei no pau dele e até chupei um pouco. Ele queria que a gente fizesse, mas
eu falei para ele que eu era virgem e não contei que eu já tinha dado atrás.
Primeiro ele ficou meio nervoso, depois ficou tristinho, aí eu falei que tocava
punheta para ele, e nisso ele se animou um pouco. Só vendo como ele gozou,
Diário! Mas foi muito mesmo! Eu tinha lenço de papel na bolsa e foi tudo embora
limpando a gente! Ele me trouxe para casa e falou que que não para de pensar em
mim e quer me namorar, mas eu estou tão indecisa! Você sabe que se eu ficar com
ele vai ser por passatempo porque eu não vou estragar os meus sonhos por causa
de um vendedor de pão! Mas não quero magoar o pobre dizendo isso a ele. Me
ajuda a pensar, Diário!
Domingo, 16 de setembro de
2007
Estou voltando da sede. Os
Albuquerque acabaram de ir embora para o Rio. Não contei para ninguém que estou
namorando com o Everton, mais foi difícil esconder da Isabel porque ela notou
que eu estou diferente, não sei como. Não contei por pouco! Dessa vez, ela veio
sozinha, então nós ficamos o tempo todo juntas, conversando. Aquele amigo dela
que veio aqui da outra vez não era nada não, era só amigo mesmo. Quando ela
explicou, me tirou a cisma. A gente até se beijou.
Os meninos passaram o fim
de semana todinho jogando na frente da televisão. Joguei um pouco com eles, mas
não tenho paciência e não gosto de ver tanto sangue.
Domingo, 30 de setembro de
2007
É, não tinha jeito mesmo, Diário,
o Everton queria tanto, estava insitindo tanto! Ele já estava me perguntando se
gente está namorando mesmo ou se eu estou enrolando ele. Foi hoje, na casa
dele. Os pais dele foram viajar e ele acabou me convencendo a deixar. É claro
que eu não deixei na frente, e isso ele entendeu e até gostou porque ele enfiou
na cabeça que a gente vai casar e ele queria casar com uma virgem. Foi bom
porque fazia tempo que eu estava de freira! Até doeu no começo, mas já
acostumei, então fico esperando ficar bom e dali a pouquinho fica bem gostoso.
A gente fez um monte de vezes, na sala, na cozinha, no quarto dele e até na
varanda que dá para o quintal. Ele me falou que já fez com várias meninas no
quintal e no mato. Fiquei morrendo de curiosidade, mas ele não quis dizer o
nome de nenhuma que ele comeu. Mas você sabe que eu sou inteligente e que vou
acabar descobrindo, né Diário! Uma coisa eu te digo: o Everton sabe fazer. Ele
me deixou doidinha! Quando foi a hora de terminar porque os pais dele podiam
voltar, a gente fez no chuveiro e ele quase me desmontou com aquela mão dele
entre as minhas pernas enquanto metia atrás. Eu já estava mole de tanto dar
para ele. Ainda bem que o dele não é grosso que nem o do Tonho, senão eu não ia
aguentar! Não sei como esse menino pode gozar tanto, nunca vi! Cada vez ele
gozava, a gente parava, ficava um pouco se beijando, daí ele queria mais e a
gente ia para outro lugar fazer de novo. Te juro que perdi a conta de quantas
vezes ele gozou. O Everton é alegre, eu gosto de ficar com ele, mas ele não vai
ser o homem da minha vida porque eu não quero viver enterrada aqui.
Sexta-feira, 5 de outubro
de 2007
Primeira briga. O Everton
acabou de sair daqui fulo de raiva porque eu não vou sair com ele no fim de
semana. E não vou mesmo porque os Albuquerque vieram e eu não vou para banco de
praça namorar, né! O pior é que a minha mãe está gostando dele e fica
contra mim. Isso não vai dar certo.
Domingo, 7 de outubro de
2007
Beijei o Caio! Mas beijar
não é trair, né Diário. Ele estava tão lindo com aquela carinha branca e o
cabelo muito preto tapando o olho que eu não restisti quando ele chegou perto.
Lá, tem um canto com um sofá fofinho e a gente ficou se beijando um tempão até
quase a hora deles irem embora para o Rio. Se alguém viu, não falou nada. Até
que eu queria que o seu Rodrigo me visse com um dos filhos dele. Visse e
gostasse, né!
Quinta-feira, 11 de outubro
de 2007
Eu sou mesmo doida, Diário.
Deixei o Everton botar em mim na padaria! Ele ficou o dia inteirinho me
azucrinando que queria porque queria e quando foi a hora de fechar, ele me
pediu para ficar com ele um pouco lá dentro. Eu fiquei do lado de dentro do
balcão como se eu estivesse atendendo uma cliente e ele ficou botando. Morri de
medo de alguém voltar porque esqueceu alguma coisa. Só teve uma coisa chata: a
gente teve que correr pro banheiro. Pudera, né! Fazer depois de trabalhar o dia
inteiro! O Everton não liga, diz que é assim mesmo e quer fazer mais na
padaria. Se alguém pega, a gente vai para a rua na mesma hora!
Sexta-feira, 26 de outubro
de 2007
Arre! Vai ser sempre a
mesma coisa! O Everton implica sempre que os Albuquerque estão aqui e eu não
quero ficar com ele no fim de semana. Será que não basta a gente trabalhar no
mesmo lugar? O dia foi um inferno por causa disso. De cinco em cinco minutos,
lá vinha ele me encher os ouvidos. Mas eu disse não até o fim e ele foi embora
sem se despedir de mim. Se ele ficar muito chato com isso, eu termino com ele,
Diário, estou avisando!
Sábado, 27 de outubro de
2007
Diário, você não sabe o que
me aconteceu: vi o Augusto pelado! É, o Augusto! Ele que nunca vem com a
família. Eu estava com a Isabel no quarto e me deu vontade de ir ao banheiro.
Quando eu passei pela porta, estava só encostada e eu ouvi barulho de chuveiro.
Você sabe como aquele banheiro é enorme, né, Diário. Então, eu fiquei curiosa e
empurrei um pouquinho para tentar ver quem estava no banho. Só podia ser um dos
meninos porque as meninas estavam no quarto, eu estava com a Isabel e o seu
Rodrigo estava com a dona Flora lá embaixo, no salão. Quando eu botei a cabeça
para dentro, vi o Augusto no banho. Ele é um sonho! Já tem corpo de homem feito
com as coxas bem cabeludas, bastante pelo embaixo dos braços e um pouco na
barriga e no peito. Ele deve estar com uns vinte e três, vinte e quatro
anos. Não deu para ficar olhando um tempão, claro, mas deu para ver o
pinto que estava mole mas parecia bem grande. Ele é bem do meu tipo. Te juro
que se só a gente estivesse na casa ou se todo mundo estivesse dormindo, eu
teria entrado! Quando eu voltei para o quarto da Isabel, eu estava até meio
zonza de ver aquele deus. Eu quase nunca vejo o Augusto, então ver ele pelado
foi como ver um fantasma, e que fantasma!
Terça-feira, 6 de novembro
Acabou, Diário. Terminei
com o Everton e ainda pedi as contas na padaria. Uma: não quero transar com ele
todo dia na padaria depois do expediente, não tem mais graça. Duas: não aguento
mais ele no meu pé, querendo saber tudo que eu faço quando eu passo o fim de
semana na sede da fazenda. Eu tentei terminar bem, conversando com ele, mas ele
não quis saber, então fui falar com a dona Lígia e pedi as contas. Eu não
contei tudo para ela, mas falei que ia ficar difícil continuar depois de ter
brigado com ele e ela entendeu, me pagou e fez tudo direitinho. Estou meio
triste porque o Everton é legal e ficou arrasado, mas isso passa com o tempo e
ele logo arruma outra namorada. Eu não ia ficar com ele para sempre e ele já
estava cheio de idéias na cabeça.
Capítulo XIV - Final
Terça-feira, 27 de novembro
de 2007
Diário, Diário, vou te
deixar de queixo caído.
Como eu te disse que queria
fazer, levei o Vitinho para conhecer a fazenda. Resolvi levar ele lá ontem
porque nunca tem ninguém no começo da semana. Chegando lá, comecei a mostrar o
jardim, a piscina e a casa por fora, mas percebi que tinha alguém porque
algumas janelas estavam abertas. Podia ser o seu Rodrigo, então a gente
resolveu sair e voltar outro dia. Quando a gente ia voltando para o portão, o
Augusto chamou lá da porta. Ele tinha vindo sozinho.
Enquanto eu estava
explicando o que a gente estava fazendo lá, notei que ele estava olhando sem
parar para o Vitinho. Pudera, o Vitor não consegue falar sem desmunhecar, então
não precisou de mais de um minuto para o Augusto descobrir que ele é bicha. Mas
ele não falou nada e ainda foi um anjo, mostrou a casa todinha para o Vitor e
depois até serviu refrigerante para gente enquanto contava a história da
família. Ele parecia outra pessoa! A gente ficou umas duas horas lá e quando se
despediu, senti que o Augusto tinha gostado.
Agora vem a parte
interessante. Ontem mesmo, à noitinha, o Vitinho veio aqui em casa todo
esbaforido para falar comigo. A gente foi pro quintal e ele desandou a falar.
Ele disse quando a gente estava para se despedir, o Augusto aproveitou uma hora
que eu fui ao banheiro e convidou ele para voltar lá hoje de manhã. O danado
não me falou nada e foi! Ele me disse que assim que chegou, o Augusto atendeu,
mandou ele entrar e estava todo agitado olhando muito para ele. Sabe como é o
Vitor, né? Também foi ficando nervoso, sem entender nada. Daí a pouco, o
Augusto desembuchou. Disse que nunca tinha feito isso na vida, mas que não
podia deixar a chance passar. O Vitor ainda não estava entendendo direito, mas
começou a notar que o Augusto estava olhando com tanta insistência e de um
jeito tão estranho, que acabou desconfiando. E foi tiro e queda: o Augusto se
declarou para ele, dizendo que tinha achado ele bonito e até sonhado com ele à
noite. Quando o Vitor perguntou que tipo de sonho, ficou com ódio dele mesmo
mesmo só de imaginar a noite que ele teria passado com o Augusto se não tivesse
ido embora! O Vitor disse que dali em diante, eles começaram a se beijar, um
arrancou a roupa do outro, ficaram se agarrando um tempão e acabaram fazendo tudo.
Bem que a minha mãe acha estranho o Augusto vir para a fazenda sempre sozinho
ou com um amigo! Mas ela só sabe da missa a metade. Depois eu conto tudo que
eles fizeram, mas escuta só o que aconteceu.
Quarta-feira, 28 de
novembro de 2007
O Vitor prometeu para o
Augusto que ia de novo hoje lá tomar banho de piscina, mas queria que eu fosse
junto e o Augusto deixou. Ele disse que não queria que o Augusto pensasse que
ele estava interessado demais.
Devia ser umas dez e pouca
quando a gente chegou na sede. O Augusto já estava na piscina, sentado na
beira. A gente estava com a roupa de banho por baixo e eu reparei que ele olhou
muito para nós dois quando tiramos a roupa. O Vitor tirou primeiro. Ele foi com
uma sunga branca tão apertada que deixava tudo de fora, não sei como ele tem
coragem! Com aquele bundão que ele tem, a sunga entrava toda, que nem biquíni!
O Augusto quase engasgou quando o Vitor começou a desfilar para a gente na
borda da piscina. Mas como eu te disse, ele olhou para nós dois. Quando eu comecei
a tirar a blusa, quieta no meu canto, ele não parou de olhar e quando eu fui
andando para a escadinha da piscina, parecia que ele ia me comer com os olhos.
Ele até sorriu quando eu bati os olhos na sunga dele sem querer. Achei
estranho, mas me deu a impressão que ele não estava interessado só no Vitor.
Nunca te descrevi o
Augusto, não é, Diário? Ele tem vinte e três ou vinte e quatro anos, é
bem alto, forte porque faz
natação, tem cabelo castanho cortado curtinho, os olhos castanhos bem escuros,
nariz fino e a boca e o queixo dos homens da família. Como eu vi ele no banho,
naquela noite que te contei, eu já tinha visto como o corpo dele é gostoso, mas
ver de pertinho hoje foi outra coisa!
Eu fui com um biquini
estampado que a Isabel me deu, não muito indecente, mas cavado, bem justinho. O
Augusto olhou tanto para mim que o Vitor até estranhou, mas não disse nada e
foi sentar do lado dele para conversar. Eu entrei na água, que estava uma
delícia, depois fui tomar sol, olhando os dois conversando baixinho bem de
pertinho. De repente, eles levantaram e foram andando até desaparecerem do
outro lado da casa. Logo imaginei besteira, mas o sol estava tão bom que a
curiosidade perdeu. Só que eles começaram a demorar e eu fui ficando com uma
sede danada. Levantei, dei a volta à casa, mas nada de ver os dois. A porta dos
fundos estava aberta e entrei para ir até a geladeira. Quando comecei a subir a
escadinha, ouvi a voz do Vitor. Quer dizer, não a voz, mas uns gemidos ou
grunhidos, sei lá. Foi só quando eu pude ver a mesa grande da cozinha que eu
entendi. O Augusto estava sentado numa ponta com o Vitor entre as pernas. Eles
estavam se beijando, mas de vez em quando o Vitor abaixava, chupava o pau do
Augusto e voltava para a boca. Dava para sentir que os dois estavam com muita
vontade e que não iam sair dali sem fazer de um tudo.
De onde eu estava, dava
para ver bem os dois de lado. Fiquei quietinha atrás da parede onde eu estava
escondida, esperando para ver o que ia acontecer. Não demorou muito, o Augusto
desceu da mesa e ficou se esfregando no Vitor por trás, beijando a nuca dele e
falando umas coisas que eu não conseguia ouvir direito. O Vitor estava que nem
uma égua no cio, meio parado, de rosto todo vermelho. Daí a pouco, o Augusto
cochichou alguma coisa e o Vitor debruçou na mesa. O Augusto tirou a sunga e se
esfregou mais um pouco na bunda do Vitor, depois foi baixando devagarinho a
sunga dele até tirar toda. Só vendo a cara dele olhando para aquele bundão
branco apontado para ele! Nem parecia que ele já conhecia! Ele chegou para trás
para ficar olhando um pouco enquanto o Vitor olhava para ele com cara de safado.
Dali a pouco, Diário, o
Augusto pegou a mantegueira na mesa e espalhou manteiga no pau. Parei até de
respirar pra não fazer barulho! Depois, ele voltou para trás do Vitor e
untou o cu dele, enfiando o dedo várias vezes. O Vitor ficou doidinho, dizendo
que já estava que não se aguentava, gemendo sem parar e mandando ele meter
logo. Aí o Augusto apontou o pau e começou a meter. Só vendo como o Vitinho
fala as coisas quando está dando! "Mete gostoso no meu rabo! Fode o meu
cuzinho!" Até eu fui ficando molhada, Diário! Quando o Augusto começou a
mexer, botando e tirando, te juro que eu tive que enfiar a mão no biquini. De
vez em quando, o Augusto tirava o pau todo e ficava olhando para a bunda do
Vitor, fazendo carinho nela, apertando, beijando, lambendo, dando tapinhas, daí
voltava a meter com com toda força. O Vitor gritava, chamava ele de "meu
macho" e empinava cada vez mais a bunda. Isso foi deixando o Augusto
tão doido que não demorou pra ele falar que ia gozar. Só deu tempo do Vitor
falar "Então tira!" apavorado. Assim que o Augusto tirou, o pau dele
começou a cuspir e ele terminou assim, tocando punheta, gozando muito, tudo nas
costas do Vitor.
Eu aproveitei quando ele
foi pegar guardanapo para eles se limparem e voltei para a piscina. Quando eles
chegaram, eu estava deitada numa espreguiçadeira. Passado um tempinho, eu pedi
um refrigerante ao Augusto e ele voltou sozinho até a cozinha para pegar. Enquanto
isso, perguntei ao Vitor aonde eles tinham ido e ele riu para mim fazendo sinal
de que eles tinham transado. Eu ri, mas não disse nada. O Augusto voltou
trazendo Coca-cola e umas coisas para comer. A gente ficou um tempão
conversando. De vez em quando, um entrava na água e os dois outros ficavam
conversando. Quando o Vitinho ia para a água, o Augusto me perguntava um monte
de coisas e elogiava o meu corpo. Como ele é o meu tipo, resolvi dizer que
também achava ele um rapaz bonito. Pelo jeito dele me olhar, parecia que estava
interessado em mim. Quando
ele se esticava na cadeira e fechava o olho, eu disfarçava e olhava para aquele
calombo na sunga, torcendo para acontecer alguma coisa entre a gente. Mas aí
o Vitor voltava da água e queria saber do que a gente tinha conversado. O
Augusto inventava mil mentiras e eu achava graça.
Quando o sol parou de bater
na piscina, o Augusto convidou a gente a entrar para tomar banho e comer pizza
congelada. O Vitor voou para o chuveiro e eu fiquei na cozinha com ele,
escolhendo as pizzas no freezer e pondo a mesa. Teve uma hora que eu me
estiquei toda para alcançar um copo e o Augusto foi me ajudar, mas encostou em
mim por trás. Assim que eu senti o corpo dele encostar no meu, fiquei toda
arrepiada e me virei. Ele já estava esperando para me beijar. Não teve jeito,
Diário, a gente deu um beijão daqueles, o Augusto me abraçou e eu pude sentir a
vontade dele. Por mim, a gente teria subido para o quarto na mesma hora, mas
seria falta de consideração com o Vitor. Tive que me contentar com a mão do
Augusto acariciando a minha bunda e só retribuí com um carinho por fora da
sunga dele, que estava uma bola dura, enorme! Dali a pouco, o Vitor entrou
na cozinha todo perfumado e se rebolando todo, indo direto dar um beijo no Augusto.
Fiquei com um pouco de pena dele, mas pensando bem, Diário, a vida de quem
gosta de homem e de mulher, como o Augusto, também deve ser bem complicada!
A gente comeu pizza
conversando sobre o que cada um queria fazer na vida. Eu fiz muitas perguntas para
o Augusto sobre o Rio e descobri que ele gasta muito tempo com sexo. Ele
confessou que é meio viciado, que não consegue ficar um dia sem pensar nisso e
que precisa transar pelo menos três vezes por semana. Isso me animou toda,
Diário. Se eu pudesse, também transaria várias vezes por semana e se fosse com
um Albuquerque, ia ser como ganhar sozinha na loto. Perguntei como ele faz para
conhecer gente legal para isso e ele explicou que no Rio é fácil,
principalmente no fim de semana, porque as pessoas se encontram em festas,
barzinhos e são muito evoluídas. Não é como nesta cidade chata, onde nada
acontece e a gente é obrigada a sair com os mesmos meninos se quiser se
divertir. O Vitor disse que também adora sexo, mas é fiel e gosta de ficar um
tempão com a mesma pessoa. Enquanto ele falava, brincava com a mão do Augusto,
com jeitinho apaixonado. Acho que eu fiquei com pena porque logo vi que ele se
enganou: ele pensou que o apaixonado fosse o Augusto, mas quem estava caidinho
era ele!
Depois da pizza, o Vitor
foi para o salão e acabou pegando no sono num sofá. O Augusto ficou comigo para
lavar e arrumar a louça, mas a atração era tanta que a gente acabou se
agarrando na cozinha. Ele chegou a baixar a sunga e me pedir para pegar, e eu
não neguei, mas isso era pouco e a gente acabou indo lá para cima, subindo a
escada com todo cuidado para não acordar o Vitor.
Chegando no quarto do
Augusto, eu logo vi a cama enorme que eu já fiz um montão de vezes quando ajudo
a minha mãe a arrumar a casa. A gente entrou se beijando e ele puxou o laço do
sutiã do meu biquini. Ele pediu para ficar me olhando e repetiu que me achava
linda e que o meu corpo devia ser delicioso. Nunca ninguém me olhou como ele.
Fiquei toda boba, me olhando no espelho do guarda-roupa e sorrindo. Então ele
chegou pertinho e começou a fazer carinho nos meus seios, beijando e sugando os
bicos, depois beijou meu pescoço, minha boca, apertou e acariciou a minha
bunda, me abraçou com força e me disse coisas sensuais. Fui ficando doidinha de
vontade de dar para ele, Diário. Só precisei baixar a mão até o elástico da
sunga dele e soltar o pau que ficou colado entre a gente. Cochichando no meu
ouvido, Augusto perguntou se eu queria chupar um pouco. Respondi que sim e já
ia abaixando para abocanhar aquele cabeção brilhante quando ele me pegou no
colo e me levou até a cama. Diário, me senti como uma recém-casada chegando na
lua de mel!
O Augusto sentou na beira
da cama e tirou a minha calcinha do biquíni, depois tirou a sunga toda, deitou
no meio da cama e me pediu para vir por cima dele na posição de 69. Assim que
eu fiquei de frente para o pau dele, senti um puxão e um calor entre as pernas.
Era a língua dele colando na minha xoxota e começando a lamber com força. Eu já
devia estar ensopada e me molhei mais ainda, me sentindo toda quente e gemendo,
gemendo sem parar. Comecei a rebolar que nem doida em cima do rosto dele,
tentando engolir aquele pau gostoso e todo meu. O Augusto me lambeu todinha,
esfregando meu grelo e tentando entrar com a língua sem conseguir. Não sei se
ele percebeu de saída, porque tentou várias vezes entrar com o dedo e eu não
deixei, impedindo com a mão, mas tenho certeza que ele viu e resolveu não
comentar. Ele me lambeu com tanta força, com tanta vontade, que eu gozei muito
com a língua dele e o dedo esfregando o grelo. A ondinha vinha, minhas pernas
começavam a ficar moles, eu sentia um tipo de tonteira, vertigem, sei lá, daí o
gozo começava, me obrigando a fechar as pernas e quase espremer a cabeça do
Augusto, que parecia continuar com mais força, como se fosse de propósito, para
ver o que aconteceria se eu fosse ficando cada vez mais excitada.
Foi só quando ele parou um
pouco que eu pude parar de gemer e chupar o pau dele direito. Era grosso e de
cabeça bem grande, mas assim que ela entrou na minha boca, consegui mamar
direito, fazendo o Augusto gemer enquanto acariciava a minha bunda e as minhas
coxas, passando a língua no meu rego e até no cu, que não parava de piscar.
Fiquei mamando um tempão, sentindo aquela delícia deslizar na minha língua,
para frente e para trás, ouvindo o barulho da saliva, sugando e engolindo a
babinha deliciosa. Dos caras que eu chupei, o Augusto é o que mais aguenta. Ele
não reclamou, não me mandou parar ou chupar mais devagar ou mais fraco, e não
parou de me lamber e me fazer carinho enquanto eu estava chupando, como a
maioria faz. Pelo contrário, ele ainda ajudava mexendo a cintura, como se
estivesse transando com a minha boca!
De repente, o Augusto me
tirou de cima dele e me pôs deitada. Fiquei desarmada, olhando para ele, com um
medinho me gelando a espinha. Ele se ajoelhou entre as minhas pernas e veio me
lambendo e beijando do umbigo para cima, chupou meus peitos, me deu um beijo na
boca e disse: "Você é linda, Bruna. Quero ser o primeiro". Eu estava
pronta para ele, Diário, encharcada e pronta para deixar o Augusto abrir o meu
cabacinho, sentindo o calor do pau dele pertinho da minha gruta. Fiquei olhando
para ele bem nos olhos, decidida a entregar a ele o que eu tinha negado a
todos. Cada esbarrão do pau dele nas minhas pernas me dava um arrepio pelo
corpo inteiro. O momento era aquele, eu não podia e não queria desistir. O
Augusto ia ser o Albuquerque da minha vida. Joguei os braços para trás e me
preparei, sentindo o meu corpo pedir o dele. Olhei para baixo para não perder
nada do momento mais importante da minha vida.
Augusto botou minhas pernas
por cima das coxas dele e avançou um pouco, depois baixou o pau, encostou a
cabeça no lugar certo e empurrou uma, duas, três vezes, e nada: doía mas não
entrava. Tive que pedir para parar. Ele ficou là, ajoelhado, olhando entre as
minhas pernas, sorrindo e brincando que eu tinha um cabacinho
valente. Assim que a dor passou e eu tomei coragem, abri mais ainda as
pernas e pedi para ele voltar. Ele tentou de novo, mas continou não
conseguindo. Eu queria que fosse de frente porque queria ver o rosto dele
quando o pau dele entrasse em mim, mas estava começando a achar que naquela
posição ia ser complicado.
Me vendo sem saber o que
fazer, o Augusto pensou um pouco e me perguntou se o meu corpo era bem
flexível. Eu disse que sim, que sempre fui muito boa em ginástica. Ele
sorriu para mim e dobrou as minhas pernas por cima do meu corpo. Eu logo
entendi e ajudei, relaxando o corpo o mais que eu pude e deixando os meus joelhos
quase encostarem nos ombros. Eu estava toda arreganhada, então ele me lambeu
bastante a xoxota, deixando tudo bem molhado, depois chegou para frente e
tornou a encostar o pau, cuspindo e pincelando a entrada com a cabeça do pau.
Daí forçou. Diário, a única coisa que eu consegui fazer foi apertar os olhos e
engolir um grito, sentindo a dor chegar até o meio das coxas! Foi como se
estivessem me rasgando. Tive que pedir de novo para ele parar.
Contando assim, parece que
isso desanima e faz o tesão diminuir, mas não, Diário, a gente estava que era
fogo puro. Doido para conseguir, o Augusto disse que já sabia que eu era
flexível e agora queria saber se eu também era forte. Eu disse que era muito
forte, e sou mesmo! Aí ele se apoiou nas minhas coxas com as mãos, colando os
meus joelhos do lado dos ombros, me espremendo e me arreganhando mais ainda,
olhando bem nos meus olhos para me dar coragem. Fiz que sim para ele continuar
e só assim senti a cabeça me abrindo e começando a passar. Tive vontade de
berrar, mas o Augusto enfiou a língua toda na minha boca. Esse beijo aliviou um
pouco a dor e ele acabou engrenando, entrando e saindo, primeiro devagar,
depois mais rápido. Como era grosso! Quando chegava no final, eu não acreditava
que aquilo tudo estava dentro de mim, então o Augusto me mandava levantar a
cabeça e se afastava um pouco para me deixar ver como o corpo dele estava todo
colado no meu. Daí em diante, ele começou a fazer um vaivém rápido, corpo dele
batendo no meu com força, e eu fui sentindo uma coisa por dentro até começar a
gozar que nem uma doida. Foi a sensação mais maravilhosa que eu já senti na
vida até aquele dia. Cheguei a me arrepender de não ter dado para todos os
outros, mas logo me lembrei do meu objetivo e me agarrei no pescoço do meu novo
namorado Albuquerque, gemendo na orelha dele, dizendo que eu era dele e que eu
queria que ele me comesse muito porque era com ele que eu me sentia uma mulher
completa. Mais tranquilo, ele começou a meter mais rápido, entrando e saindo de
mim com vontade. Eu queria tudo, queria mais, queria ele todinho dentro de mim,
me abrindo, me alargando, me rasgando, me fazendo engasgar de tanto prazer, e
ele estava fazendo tudo isso.
Quando o Augusto cansou da
posição, me virou de costas, me pôs de joelhos e meteu por trás, agarrando na
minha cintura como ele tinha feito com o Vitinho. Nessa posição, ele socou tão
rápido que deixou a minha gruta dormente. Fiquei tão bamba que acabei deitada
na cama, sentindo aquele pau gostoso inteirinho dentro de mim. O tempo todo, ele
ficou dizendo que estava doido pelo meu corpo e que eu era a mulher mais
gostosa que ele conhecia. Ele me chamou de mulher, Diário! Cada vez que ele
dizia isso, eu ficava toda molhada.
A gente mudou de posição
várias vezes, o Augusto sempre metendo com a mesma vontade, mas nada de gozar.
Quando eu estava começando a achar que o Vitinho era o culpado, ele saiu de mim
e veio ficar com o pau pertinho do meu rosto, me pedindo para terminar tocando
punheta nele. Aceitei e ele aguentou um tempão, gemendo muito e me mandando
continuar, até que ele disse que ia gozar e queria que eu apontasse o pau dele
para a minha boca. Quando começou a esguichar, arregalei os olhos, sem saber o
que era para fazer, mas o Augusto olhou para mim sorrindo e perdi o medo. Aí
ele fez uma coisa que eu duvido que o Tonho, o Gabriel, o Pedro ou qualquer
outro tivessem coragem de fazer nessa hora: ele lambeu meu rosto melado e
engoliu um pouco, depois me beijou para me passar o resto. Até que achei bem
gostosinho. Pronto, Diário, não sou mais virgem e tenho certeza que não foi só
com a pessoa certa, mas com o Albuquerque certo.
O Augusto queria que eu
ficasse na casa com ele, mas não teria como explicar para a minha mãe porque
ela sabia que a família não estava lá. Então a gente tomou banho junto e desceu
para acordar o Vitor e contar tudo. Ele ficou sem fala, Diário, mas não ficou
chateado porque ele não é muito de se prender às pessoas, mesmo estando bem
apaixonado pelo Augusto. Eu disse a ele que o Augusto tinha adorado ficar com
ele e que não ia ser a última vez. A gente voltou conversando e eu contei tudo
em detalhes para ele.
Domingo, 2 de dezembro de
2007
Não te contei mais nada,
Diário, porque andei muito ocupada e chegava em casa exausta. Voltei na fazenda
todo dia para ficar com o Augusto. Eu passava o dia todo lá com ele e só
voltava à tardinha, dizendo à minha mãe que estava com amigas minhas. A gente
transou milhões de vezes todo dia até às 11h da manhã de sexta porque a minha
mãe ia lá para preparar tudo para o resto da família que ia chegar. Ela
estranhou de me ver lá, mas eu tinha arrumado um pouco para disfarçar e ela não
falou mais nada.
O Augusto vai me levar para
conhecer o Rio, mas a gente vai ficar num hotel porque não dá para ficar na
casa deles assim de saída. A gente conversa muito e ele é super sincero, diz
que sente tesão pelo Vitinho e não vai parar de sair com ele, mas quer me
conhecer melhor porque ele nunca se sentiu tão bem com nenhuma namorada como
ele se sente comigo. Ele acha que a gente combina e que pode até ficar junto
muito tempo. Diário, a sensação de namorar um Albuquerque é como ter chegado
numa montanha depois de ter passado um tempão só olhando para ela na paisagem:
parece que não é a mesma montanha, de tantos riachos, de tantas árvores bonitas,
de tantas flores... Isso me fez pensar nos meus sonhos e desejos com certeza de
que vou poder realizar todos. Os Albuquerque, para mim, não são mais paisagem,
viraram realidade. Acho que eu despertei.
*********************
Esta foi a última anotação
de Bruna em seu diário. Retomo portanto a pluma para traçar o epílogo de toda
essa história e esclarecer de uma vez por todas o mistério que certamente ainda
paira na mente do leitor.
Em janeiro de 2010, Bruna
Maria da Conceição Quintana casou-se. Em junho do mesmo ano, sua mãe, que não
quis deixar a fazenda, pediu-me autorização para ocupar uma casa de empregados
desocupada e reformada. A mudança foi feita e decidi também mandar reformar a
casa que ela ocupara por mais de 20 anos. Dias depois, um operário veio à sede
da fazenda trazendo um volume embrulhado em jornal e explicando-me que
encontrara o conteúdo sob uma tábua solta do assoalho da casa em reforma. Ao abrir,
deparei com os 6 diários escritos por Bruna. Curioso, entreguei-me à leitura
integral da coleção e foi assim que descobri o quanto o desenvolvimento sexual
e afetivo dessa jovem fora condicionado por uma verdadeira obsessão pela
família dos patrões de sua mãe, que ela certamente idealizava para fugir às
suas raízes, ao mau casamento do qual ela era o fruto e à sua própria vida
simples de menina do campo. O tema era digno de virar romance, mas como não sou
escritor, fiz o que pude para criar uma narrativa a partir das anotações muitas
vezes fragmentárias dos diários e, assim que possível, ceder a palavra à autora
deles.
O objetivo que norteou a
vida de Bruna foi alcançado em 2010 e estamos em 2014. Ela agora se chama Bruna
Albuquerque, já nos deu um casal de netos, tem amadurecido rapidamente,
aprendido muito e parece estar feliz com o meu filho Augusto.
Rodrigo Albuquerque
FIM
