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Vizinhança tórrida I


1. Francis

A casa do meu vizinho Francis tinha um enorme quintal que ia gradativamente tornando-se mata fechada morro acima. Aqueles eram nossos domínios, o paraíso das aventuras de um bando que cresceu junto e chegou junto ao final da adolescência. A presente série se abre na casa do Francis e é dedicada a essa fase fronteiriça aos dezoito anos, passada com amigos que nunca mais revi, mas que foram essenciais à definição da minha sexualidade futura.

****************

    Certo dia como tantos outros, resolvi ir à casa do Francis. Ninguém atendia, mas como eu tinha certeza de que ele estava em casa, dei a volta e fui diretamente entrando pelo portão lateral. Não vi ninguém no quintal logo atrás da casa. Continuei um pouco mais em direção à mata e ouvi ruídos. Eu queria surpreendê-lo, então me esgueirei para não ser visto. Quando o avistei, a surpresa: Francis estava de camiseta sem manga, meia, tênis e... mais nada! Estava sozinho no jardim, andando para lá e para cá, murmurando ou cantarolando sozinho. Fiquei espantado com a cena e meus olhos dirigiram-se espontaneamente para parte desnuda do seu corpo. Descendente de europeus, Francis era um desses louros de pele escura, já curtida do sol. Intimamente eu o achava bem mais bonito que eu, que me considerava totalmente sem graça, o moreninho tipicamente brasileiro e banal. O corpo liso e o rosto bonito do Francis, com os olhos muito azuis e cheios de vida, lhe davam um jeito andrógino que me despertava a curiosidade e, claro, a libido de adolescente tardiamente virgem. Vendo sua bunda branca, lisa e muito bem feita, com a marca da cueca ainda mais branca impressa nela, comecei a ficar excitado. Ele estava distraído, ora andando para lá e para cá, ora apoiando-se num tronco de árvore, quase sempre de costas para mim. A certa altura, ele se deitou no chão para olhar e apontar para o céu, murmurando coisas indecifráveis. Passados alguns momentos assim, ele virou-se de bruços. Seus pés estavam na minha direção, o que me deixava à vontade para contemplar os dois grandes gomos firmes que formavam duas belas curvas bem nítidas no encontro com as coxas. Ainda que não houvesse o menor de sinal de excitação sexual em Francis, estremeci ao vê-lo assim e não pude me conter: masturbei-me ali mesmo, lentamente para aproveitar todo o espetáculo. Francis pôs-se a brincar com as pernas, agarrando os tornozelos por trás e puxando-as o mais possível; depois fingia que nadava, fazia um rolamento lateral completo e voltava à mesma posição, dando tapas na bunda para retirar a terra sem parar de cantarolar ou murmurar. Depois de um orgasmo breve mas intenso, limpei-me na própria cueca e me preparei para sair de mansinho; eu não podia aparecer e dizer-lhe que estava por perto. Assim que me recompus, fui embora deixando meu amigo e sua nudez na santa ignorância da minha presença tão próxima e participativa.

    Voltei para casa, mas não consegui fazer mais nada. Ver televisão, ler, ficar na janela, nada me distraía do que eu vira. A imagem do Francis estava fixada em minha mente e eu sabia que só me livraria da obsessão se desse um jeito de me aproximar dele de um ponto de vista sexual. Seria a primeira vez, portanto não haveria de ser tarefa fácil. Resolvi voltar à casa dele e fingir que estava chegando pela primeira vez. Fui direto até o portão e chamei: "Francis! Francis!" Ele demorou para atender, mas acabou vindo abrir, com seu jeitão desligado, agora vestido e com uma das mãos enfiada no bolso de uma bermuda cáqui. Entrei e fomos diretamente para o quintal. Enquanto caminhávamos, perguntei-lhe o que estava fazendo e ele respondeu com um "nada" evasivo. Não satisfeito, perguntei-lhe onde ele estava antes de atender à porta: "Por aí" foi a resposta. Lembro-me de ter insistido para tentar arrancar alguma coisa, algum tipo de confidência, digamos assim, mas só obtive respostas lacônicas. Enquanto caminhávamos, percebi que ele cantarolava uma melodia, mas não pude descobrir qual porque ele era totalmente desprovido de ouvido musical.

    Chegamos ao lugar preferido da turma, sentamos no chão, falamos um pouco de coisas habituais (provavelmente vestibular ou o feriado mais próximo) mas, como não houvesse muito a dizer e minha ansiedade não me largasse, acabei tomando coragem e decidindo arriscar tudo para dizer que eu tinha ido até lá antes e visto o que tinha visto, sem dizer nada, claro, sobre minha excitação e muito menos sobre a masturbação. Ele corou ligeiramente e, olhos cravados no chão, começou a arrancar mato. Lembro-me de ter-lhe dito que se eu tivesse uma casa com um jardim daqueles eu também ficaria pelado ao ar livre, todo dia. Ele me olhou sorindo, confessando que adorava ficar nu quando não tinha ninguém em casa. Perguntei por que, mas ele não soube ou não quis encontrar explicação, limitando-se ao clássico "sei lá". Sorri e resolvi dar mais um passo adiante, comentando, como quem não quer nada, que tinha achado a bunda dele bem bonita. "Viado!" exclamou ele, rindo e enchendo-me o braço de socos.

    Depois que cessaram os meus protestos e gemidos de dor, subimos um pouco mais em direção ao morro, até um pequeno platô de onde se tinha uma vista incrível da região, que era toda verde naquela parte da cidade. O isolamento era perfeito, estávamos completamente sozinhos num raio de 500m. Tomei a iniciativa de tirar a camisa e os tênis, ficando só de bermuda, com o intuito de fazer com que o Francis me imitasse, mas foi inútil. Eu estava obcecado pela idéia de vê-lo nu novamente e resolvi investir com tudo. Encarando-o, pedi com toda franqueza que ele me deixasse ver sua bunda, explicando que ela tinha me impressionado demais e — resolvi confessar — tinha me levado a me masturbar. Acho que nunca falei com tanta sinceridade como naquele momento. Francis ficou me olhando de rabo de olho, franzindo o sobrolho como se tivesse acabado de descobrir alguma coisa estranha em seu amigo mais próximo. Eu estava visivelmente embaraçado e, depois desse acesso de franqueza, mal o encarava. De repente, ele se levantou e disparou mato adentro. "Ei! Onde é q'cê vai?" gritei, vendo-o desaparecer. Sem resposta. O silêncio voltou a reinar e fiquei sentado no chão, imóvel, pensando no que eu acabara de fazer, conjeturando se poderia ser motivo de fim de amizade. Um ou dois minutos se passaram até que senti uma presença. Quando me virei para trás, olhando para o alto da rocha que havia atrás de mim, lá estava o Francis, exatamente da mesma maneira como eu o vira uma hora antes: camiseta, tênis e mais nada. Fiquei imóvel, observando-o assim. "Desce!", gritei.

    Ele deu a volta e desceu por trás da rocha, vindo ficar de pé ao meu lado. Minha tensão disparou mas eu não queria abrir totalmente o jogo. Mas — e é esse o aspecto peculiar da aventura — Francis era inteligente e entendeu perfeitamente o meu estado. Dando alguns passos, ele parou a uns dois metros de mim, de costas. Pude então contemplar mais uma vez os dois gomos rechonchudos, que surgiam sob a borda da camiseta do meu amigo. Minha pulsação estava a mil e uma ereção mal assumida me fez encolher as pernas. Francis me olhou pelo lado, zombeteiro e intrigado com essa súbita irrupção erótica de que eu o tornara objeto, mas como se quisesse redimir-se do bombardeio de socos, ele ainda curvou-se para frente e olhando-me por entre as pernas, agarrou as nádegas com as mãos abriu-as e exibiu-me sem pudor tudo o que restava de escondido. Eu estava sentado no chão, abraçando minhas pernas com as mãos, queixo sobre os joelhos, olhos fixos no espetáculo e, pradoxalmente, uma indizível paz de espírito, talvez porque Francis me houvesse provado não dar a mínima para tudo aquilo e o fizesse sem demonstrar nenhum constrangimento. Ele me deixou ver seu corpo como eu desejava, sem restrições. Depois, quando calculou ter-me dado o tempo suficiente, virou-se, sempre sorrindo e perguntou cinicamente se eu tinha gozado. Foi minha vez de chamar: "Viadinho!" Indiferente, ele estendeu uma mão, induzindo-me a fazer o mesmo e, num gesto firme, puxou-me para ficar de pé. Quando repenso em tudo isso, creio que Francis havia dado a coisa por encerrada naquele ponto. Estávamos preparando-nos para voltar para casa e ver televisão ou jogar botão, videogame ou brincar no computador. Mal sabia ele o quanto aquilo havia despertado em mim um desejo sexual irreprimível.

    Caminhamos até a casa e entramos pela porta dos fundos, que dava diretamente na cozinha. Eu havia recalçado meus tênis, mas como estávamos sozinhos, Francis nem se incomodou em recolocar a bermuda. Fomos para o seu quarto e eu segui diretamente até a cama para sentar-me. A cada vez que eu olhava a sua nudez, eu sentia um tranco no baixo-ventre e como que um arrepio que me percorria toda a espinha debaixo para cima até a cabeça. Ainda sinto a mesma coisa hoje em dia, quando estou excessivamente excitado. Tive a impressão ele não se vestia de propósito, teimando em ficar para lá e para cá no quarto ou pegando coisas sobre no armário, ficando muito mais de costas do que de frente para mim. Mas não era de propósito; de repente, ele pegou uma cueca e vestiu. Desesperado, respirei fundo e tomei outra das minhas loucas decisões de dar um passo adiante. "Cara...", chamei. Ele se virou prontamente e, no mesmo instante, abrindo meu zíper e puxando a cueca para baixo, continuei: "...olha só como é que você me deixou!", e mostrei-lhe a minha ereção. "Eu?!" disse ele, com a cara mais surpresa do mundo. "Que é que está acontecendo com você, cara, está tarado por bunda de homem?!" Eu empunhava meu membro enquanto me virava da melhor maneira para explicar meu desejo, que era de que, de alguma forma, ele me satisfizesse. O que eu queria era o contato físico e estava disposto a negociar tudo para consegui-lo. Mas para minha surpresa, não foi preciso grande aparato argumentativo: Francis sentou-se na beira da cama, ao meu lado, com as pernas juntas e perguntou o que eu queria exatamente. Titubeando muito, sem poder encará-lo, pedi que ele sentasse no meu colo. Ele torceu o nariz, ficou imóvel por alguns instantes, depois se levantou em atitude de espera, com uma mão na cintura, mandando-me ficar na posição desejada. Acomodei-me na beira da cama com as pernas bem abertas, apoiei-me sobre os cotovelos.
— Você vai ficar assim? perguntou ele, referindo-se à minha bermuda aberta.
— Cara, por mim eu tirarva a bermuda toda! exclamei.
— Sem chance! Pode vestir isso aí, retrucou ele firmemente.

    Vendo que ele estava falando sério, fechei o zíper e o botão de cima da bermuda, mas fiquei de pernas abertas esperando que ele sentasse.
— Vamos fazer outra coisa! soltou ele, inesperadamente.
— O quê?
— Não estou a fim de sentar no teu colo, mas eu deixo você me sarrar em pé se me deixar fazer também.
— Tá legal, respondi sem nem pensar.

    Francis caminhou até janela e parou de costas para mim, mas os bolsos da bermuda dissimulavam completamente seu corpo. Protestei e insisti para que fizéssemos de cueca. Ele aquiesceu, soltou o botão da bermuda, abriu o zíper e baixou-a até os pés. Fiz o mesmo e fiquei esperando que ele voltasse a me dar as costas. Ele apoiou-se no parapeito da janela, afastou ligeiramente as pernas e disse que estava pronto. Zonzo de tesão diante da forma que esticava a cueca branca deixando-a semi-transparente, aproximei-me e pude enfim sentir o contato tão desejado. Um pouco tímido, comecei segurando-o pela cintura e esfregando-me levemente, mas logo a excitação veio com a carga toda e agarrei-me a ele com mais força.
—  Está sentindo o que aí? perguntou ele.
—  O maior tesão! respondi com voz trêmula.
—  Então é gostoso? indagou ele, interessado.
—  Demais!
—  Depois é minha vez, hein! cobrou ele.

    Respondi resfolegando. Minha excitação era tamanha que eu sabia que só conseguiria parar depois de um orgasmo. Agarrei Francis fortemente pela cintura e comecei a fazer movimentos firmes. Ele oferecia certa resistência muscular e, claro, não retribuia absolutamente em nada, limitando-se a ficar parado naquela posição. Quando senti que o orgasmo vinha, fiquei com medo de molhá-lo, mas não pude parar e acelerei meus movimentos, agarrando-o mais e mais. Francis percebeu e tentou desvencilhar-se. Agarrei-o com mais força para impedi-lo e acabamos os dois indo parar no chão, eu agarrado a ele como um cachorro, ejaculando sem mais conseguir me conter. Assim que ele sentiu a umidade, repeliu-me com força.
— Pô, cara, gozar não!
— E você acha que dá para? respondi, ainda zonzo.

    Francis baixou um pouco a cueca para vê-la por dentro. Estáva molhada.
— Vai sair, disse eu timidamente.
— Vai é ficar amarelo! exclamou ele, um tanto inquieto.
— Você não pode jogar essa fora? lancei, esperançoso.
— É, posso. Está velha mesmo.
— Então! respondi sorrindo.

    Ele sentou-se no chão de pernas cruzadas e ficou me olhando.
— Imagina só se a gente tivesse feito sem roupa lá na cama, que nojeira!
— Que nada! respondi rindo.
— Agora é minha vez! cobrou ele.
— É, respondi, conformado, já me levantando para cumprir minha parte no trato. Para supresa minha, quando eu ia me virando de costas...
— Ah! Sabe o que mais? Deixa pra lá, disse ele voltando ao seu alheamento habitual.
— Legal! retruquei, eufórico e já fechando a bermuda.

    Francis tirou a cueca, embrulhou-a em dois sacos plásticos e jogou na cesta de papéis do quarto, depois vestiu outra e ficou assim, de cueca, comigo. Ele me perguntou se eu também perdia o tesão logo depois que gozava. Eu disse que sim e que era normal. Fiz umas perguntas sobre o que ele tinha sentido quando estávamos "fazendo" e constatei que ele não dera muita atenção a tudo aquilo. Acabei indo embora e passei uma semana me masturbando embalado pelas imagens do episódio. A indiferença do Francis me intrigara muito, mas como adolescentes vivem mudando de amigo da vez, andamos sem contato durante algumas semanas, talvez pouco mais de um mês e, com a agitação da escola, da preparação para o vestibular, dos esportes e das atividades paralelas, o assunto desapareceu da minha mente.




"Francis adorava ficar nu quando não tinha ninguém em casa."

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