Muitas vezes, certas ousadias acontecem
inopinadamente, após um evento que nos faz despertar para uma faceta da
realidade que nos era até então insuspeitada. Foi graças a isso que tive a sorte de poder iniciar-me de um
modo menos comum, mas sem dúvida mais cômodo que a maioria dos jovens.
Passei toda a
infância, adolescência e início de juventude numa mesma rua, toda de velhas
casas, de uma pequena cidade do interior do Estado do Rio. A casa em que eu
morava com meus pais, dois irmãos mais velhos e uma irmã mais nova, ficava
entre outras duas, onde havia também casais com filhos. Crescemos juntos e, a
partir de uma certa idade, não se passava um dia sem que nos víssemos nas horas
vagas. À direita morava uma família grande, com cinco filhos e à esquerda, uma
família pequena com um filho único chamado Giovani, que acabou tornando-se o
meu melhor amigo da rua. Durante quase vinte anos, nos vimos diariamente, e só
nos separamos quando o estudo e o mercado de rabalho nos obrigaram a deixar a
cidade.
Giovani e eu
crescemos como quaisquer meninos educados em lares perfeitamente comuns. Nossos
pais e mães trabalhavam, a vida não era das mais faceis, mas tínhamos um certo
conforto de classe média interiorana: estudávamos em escolas particulares, não
nos faltava dinheiro para ir ao cinema, lanchonetes, e íamos para a casa de
praia nas férias de verão. Conhecíamos todos os meninos do bairro, jogávamos
pelada quase diariamente, pertencíamos ao clube burguês local e, chegada a
adolescência, só falávamos em meninas bonitas, beijos e namoro. E como todos os
demais, começamos a ter nossos namorinhos sem compromisso e sem muitos avanços
porque as meninas eram quase todas muito arredias, incentivadas pelas famílias
conservadoras a preservar-se para o casamento. Nos limitávamos aos beijos,
apalpadelas, e esfregações que muitas vezes nos levavam a lamentáveis
desperdícios de esperma em antológicos mela-cuecas de murinho.
Giovani e eu
conversávamos muito sobre nossos relacionamentos. Sempre frustrados com o
máximo que conseguíamos alcançar, vivíamos nos perguntando quando teríamos a
primeira experiência completa. Ocasião não faltava e lugar também não, já que
tínhamos ambos pais e mães que trabalhavam fora. Lá em casa, era um pouco mais
complicado porque eu tinha irmãos, mas o Giovani, sobretudo a partir de certa idade,
ficava sozinho na dele da volta da escola até quase as seis da tarde. Nós
passávamos horas arquitetando planos mirabolantes e irrealistas que resultariam
na nossa tão almejada iniciação.
Eu estava no último
ano do segundo grau e era visível que alguns dos meus colegas já haviam feito
sexo. Maria Cláudia pertencia a um grupinho que parecia já ter-se emancipado. Ela
sentava-se atrás de mim, na quarta fileira de carteiras e não sossegava, sempre
buliçosa, trocando bilhetinhos com as amigas e recebendo outros tantos dos
meninos mais ousados. Ela era bonita com seu cabelo castanho até o meio das
costas, lábios bem desenhados, narizinho gracioso e grandes olhos cor de mel,
sempre atentos. A primeira coisa que a víamos fazer ao chegar era disparar para
o banheiro com o seu bandinho e voltar, como elas, com a saia mais curta do que
tínhamos visto ao entrar. Vez por outra, eu me sentava com outro colega na
quarta fileira e podia ver suas coxas completamente descobertas. Isso me
deixava num estado de excitação que bloqueava completamente a minha
concentração naquelas que seriam as últimas aulas da minha escolaridade.
Certo dia do mês de
agosto, logo depois da volta às aulas, por uma série de manobras quase
enxadrísticas associadas à ausência simultânea de alguns alunos que ainda não
haviam voltado das férias de julho, acabei vendo-me sentado ao lado da Maria
Cláudia. Ela, sempre agitada e sabendo que eu pertencia ao grupo dos virgens,
não poupou esforços para me torturar de todas as maneiras possíveis e imagináveis,
ora olhando-me nos olhos como se me paquerasse, ora pondo a mão na minha perna
enquanto me pedia uma informação sobre a matéria, ora encostando a coxa desnuda
na minha. Eu sabia que ela estava fazendo aquilo tudo para me provocar, ciente
de que nada teria consequências porque eu fazia parte do clã dos
"inofensivos". À medida que as aulas do dia iam se sucedendo, eu
ia ficando mais excitado. Minha ereção há muito que não desarmava e as
tentações da Maria Cláudia começaram a me deixar realmente nervoso, mas
principalmente zangado comigo mesmo por não ser capaz de fazer como os meninos
mais ousados, que eu via dizendo-lhe coisas, fazendo gestos e até propostas
abertas. A gota d'água viria quando ela disse a frase fatídica. O professor de
geometria saíra por alguma razão, a sala de aula estava tomada por um tumulto
infernal e a Maria Cláudia, entediada, soltou a sua provocação mais exasperante.
— Aposto que você nunca botou uma camisinha.
Fiquei paralizado
assim que me dei conta do que acabava de ouvir, mas pela primeira vez, ainda
que tomado pelo calor até as orelhas e com a voz quase minguando, consegui
controlar-me para desfechar uma resposta à altura, e o resultado foi inesperado
até mesmo para mim.
— Já botei, mas estou precisando de alguém pra
inaugurar.
Quando terminei
minha frase, meus ouvidos se fecharam e a única coisa que eu ouvia era um
zumbido de tensão. Maria Cláudia olhava ora para mim, dando um sorrisinho
sarcástico com o canto da boca, ora para o meu caderno, que ela enchia de
pontinhos com a caneta.
— Sei. Mas será que você sabe usar? tornou ela, em tom
de escárnio.
Meus ouvidos
apitavam tanto que eu devo ter entendido o que ela disse por pura leitura
labial. Mas Vênus estava do meu lado e consegui outra dose de presença de
espírito.
—Isso a gente vai saber na hora, retorqui, fazendo um
esforço inaudito para manter-me olhos nos olhos.
Eu estava esperando
outra réplica no mesmo teor que as primeiras, mas a Maria Cláudia apenas caiu
na gargalhada, o que chamou a atenção de colegas próximos e até rompeu um pouco
o tumulto reinante. Me preparei para ser oferecido em sacrifício: ela ia falar
da nossa conversa e todos cairiam na minha pele. Para sorte minha, o professor
voltou e daquele momento em diante, até a hora da saída, a Maria Cláudia não me
provocou mais.
Mas antes
tivesse! Naquele dia, saí da escola transtornado de excitação,
perguntando-me o que é que eu havia feito para estragar um "diálogo"
que poderia ter-me levado a uma primeira transa. Assim que cheguei em casa,
dediquei quase todo um banho à masturbação, contemplando meu sexo no esplendor
de suas máximas dimensões e ejaculando em vários jatos vertiginosos. Almocei e
fui para a casa do meu vizinho Giovani. Chegando lá, contei em detalhes o
inferno astral que eu vivera durante a manhã, enfatizando que eu quase
"chegara lá" e que por pouco eu não teria trazido a Maria Cláudia
para "nós". O Giovani, entusiasmado, não despregou os olhos de mim
enquanto eu repetia interminavelmente os detalhes excitantes do meu contato com
a menina mais "rodada" da sala. O efeito foi tão poderoso que o meu
estado passou para ele.
— Me deixou de pau duro, cara! fez ele, pondo a mão
entre as pernas.
— E eu, que estou assim desde cedo! Já até bati uma no banho.
— Eu ainda não, mas esse jeito vou precisar. Olha só isso! disse ele, baixando o elástico
da bermuda.
— Caraca! Vai lá
que eu te espero aqui.
Isso era comum
entre nós, interromper uma conversa porque um dos dois se excitara e precisava
se aliviar. Eventualmente, nos masturbávamos juntos, vendo revistas ou filmes,
mas naquele dia, o Giovani levantou sozinho e foi para o banheiro. Enquanto
isso, minha mente repassava interminavelmente o flashback do que eu vivera
naquela manhã e eu me censurava por não ter sido suficientemente esperto para
convencer a Maria Cláudia a me dar. Eu revia o seu rosto, os peitinhos moldando
a blusa do uniforme e principalmente suas incríveis coxas morenas ao alcance
das minhas mãos, mas que eu não toquei. A frustração estava me corroendo como
nunca. Eu me sentia como se tivesse perdido uma oportunidade única de me livrar
da tão incômoda e constrangedora virgindade de rapaz.
Quando o Giovani
voltou, estava de sunga e me atirou outra para que eu vestisse.
— Vamos lá para fora, anda. O sol não está muito quente. A piscina deve
estar uma delícia.
— Beleza, respondi, já tirando a roupa.
Isso também era
comum entre nós, o Giovani me emprestar uma sunga. Ele sabia que se eu fosse em
casa, ficaria remanchando com meus irmãos ou abrindo a geladeira para pegar
Coca-Cola e só voltaria uma hora depois. Como tínhamos mais ou menos o mesmo
corpo, a sunga dele ficava ligeiramente apertada em mim, mas nada que causasse
muito desconforto. Eu ficava apenas com uma protuberância — que
chamávamos de "bola" — maior do que a dele, mas estávamos
sozinhos, então não havia o menor problema.
Naquele dia, nos
sentamos lado a lado para continuar conversando e, é claro, o assunto foi a
Maria Cláudia. Entre uma caída n'água e outra, fantasiávamos sobre o que
faríamos se ela estivesse ali conosco. Giovani só a conhecia através das minhas
descrições, então sua imaginação disparava, levando-o a ver-se virando-a do
avesso, comendo-a em todas as posições mais mirabolantes e gozando fartamente
dentro e fora do seu corpo gostoso. Eu contribuía inventando situações a três
com meia-nove, dupla penetração, anal e oral simultâneos, sentadas
homéricas, deep throat, etc. Isso deixava o Giovani mais empolgado
ainda. Quando nossos paus aprisionados nas sungas começavam a incomodar,
dávamos um mergulho e voltávamos mais calmos, mas o assunto logo voltava à
baila e tudo recomeçava. Aquele dia estava marcado pela ereção.
Como eu disse no
início, muitas vezes, as ousadias sexuais acontecem depois de um evento que nos
revela uma faceta da realidade que não víamos antes. Giovani e eu nos
conhecíamos desde sempre, crescêramos juntos e jamais tivéramos qualquer
contato sexual. Nos vermos nus era como se víssemos alguém da família. Quando
fazíamos algum comentário sobre o corpo ou a roupa um do outro, jamais havia
conotação erótica e se uma observação incidisse sobre o sexo, era zombeteira. Portanto,
naquele dia, quando ele disse, ao ver-me tomando sol de bruços na
toalha, que a sunga que ele me emprestara deixava a minha bunda
"gostosa" respondi à altura.
— Isso é porque você ainda não viu meu pau, viadinho!
Mas o fato é que a
sunga que ele me emprestara era realmente uma das que ficavam mais apertadas em
mim, e o assunto rendeu.
— To falando sério,
cara! A tua bunda está que nem de mulher com essa sunga enfiada no rego.
— E você vai dar uma de gayzinho agora por causa
disso? perguntei, vendo que já não se tratava mais de pura implicância.
— Pô cara, bunda é bunda! A tua, empinadona desse jeito, até que eu...
Ele continuava de
pé ao meu lado, olhando para baixo e insistindo naquele assunto que era puro
resultado da nossa excitação mútua por causa do meu relato. Sem pensar nas
consequências, resolvi acrescentar humor picante, coisa que eu já costuma fazer
por ser o mais desinibido dos dois. Baixei a sunga até descobrir completamente
a bunda e rebolei um pouco.
— A bichinha tá a fim da bunda do macho, é?
Inesperadamente, numa
fração de segundos, o Giovani estava deitado por cima de mim, me enforcando com
o braço mas totalmente colado ao meu corpo. Sem ter tido tempo de subir a
sunga, senti a dureza e o calor do pau dele contra a minha bunda. Me debati,
mas estava completamente imobilizado pelo braço que me enforcava. Giovani,
ofegante, com a cabeça colada à minha, tentava a todo custo me penetrar,
direcionando o pau com a mão livre; mas agitado, tenso e agindo contra a minha
vontade, é claro que não conseguiu... e foi o desastre: ele teve um orgasmo.
— Está louco, cara! gritei, levantando-me de um salto
e indo até a mangueira para me lavar.
— Desculpa, pô! Não
sei o que aconteceu comigo, não consegui me controlar, disse ele, consternado,
vindo atrás de mim.
Nos lavamos e repusemos
rapidamente as sungas. Eu estava disposto a ir para casa e deixar que o tempo
apagasse o efeito do incidente. Mas sem que estivéssemos conscientes disso,
instalara-se entre nós uma assimetria inaceitável que deixava o meu vizinho e
amigo a léguas de distância, disparado à minha frente: enquanto eu me
contentara em me masturbar no banho, ele ejaculara em mim! Embora me sentindo
humilhado, eu não conseguia sair dali porque era preciso resolver essa
diferença recém-instaurada. Então, num gesto que correspondia mais a um clamor
por justiça do que outra coisa, enfiei a mão por dentro da sunga dele com a
intenção de tocar o cu. Ele reagiu como esperado, afastando-se bruscamente, mas
eu estava me sentindo tão em desvantagem que precisei falar.
— Isso não está certo, cara. Você tem que me deixar fazer alguma coisa!
— Mas não foi de propósito! Foi mais forte que eu. Desculpa, pô! O que
você quer fazer?
— A mesma coisa, é claro: gozar na tua bunda.
A última frase
ecoou no quintal. Me dei conta de que bastava que alguém da minha família ou o
vizinho estivesse do lado de fora para nos ouvir. Fiz um gesto com a mão para
falarmos mais baixo.
— Vamos lá para dentro resolver isso, propôs o Giovani.
— Aceito, respondi, tenso, mas mais consolado por
vislumbrar a possiblidade de que justiça fosse feita.
Eu estava me
sentindo como um robô programado para o sexo. Caminhando atrás do meu amigo,
meus olhos se dirigiram naturalmente para a sua bunda e pela primeira vez na
vida tive um julgamento a respeito dela, que me pareceu tão ou mais digna do
qualificativo "gostosa" que a minha. Decidido a encontrar uma solução
que me acalmasse, Giovani entrou no quarto seguido por mim.
— Pode vir, disse ele, parando no meio do cômodo e
olhando-me por cima do ombro.
— Sem sunga! protestei.
— Está legal, pronto, fez ele, resmungando, mas
baixando a sunga até o meio das coxas.
Minha ereção foi
instantânea, não tanto porque eu o estivesse vendo nu, mas pela possibilidade
de fazer com ele o que ele fizera comigo, e jamais fôramos tão longe. Me
aproximei, baixei a sunga e me colei a ele, segurando-o pela cintura e fazendo
o movimento característico enquanto chupava ar para completar o quadro com a
sonoplastia do tesão. Sentir e ver meu pau instalado entre aqueles dois bulbos
brancos e quentes foi indiscritível, infinitamente mais intenso e voluptuoso do
que qualquer das minhas melhores sessões masturbatórias. Eu poderia ter gozado
assim, e teria sido um orgasmo mais que prazeroso, mas eu tinha a nítida
lembrança de que o Giovani havia tentado penetrar-me, e precisava fazer o mesmo
com ele se quisesse obter justiça. Empunhei meu pau e o forcei para
direcioná-lo, pressionando-o como ele fizera comigo.
— Ei! Tá fazendo o
quê, pô! protestou ele, esquivando-se.
— Você tentou meter em mim cara! Vai ter que me deixar tentar também.
Agora estávamos
frente a frente, eu em plena ereção, Giovani com o mastro a meio-pau. Parecíamos
dois machos brigando em época de cio das fêmeas. Mais uma vez, o espirituoso
fui eu.
— Tsk, tsk, tsk... E
tudo isso por causa da Maria Cláudia.
— É mesmo, a gente deveria estar fodendo com ela
agora, respondeu ele, pegando no saco.
A tensão parecia
ter cedido um pouco para dar lugar à nossa velha cumplicidade, mas continuei de
frente para ele com o pau oscilando ao sabor das pulsações. Giovani me olhou
nos olhos, depois visou diretamente entre as minhas pernas.
— Essa Maria Cláudia te deixou cheio de tesão, né?
— É, respondi, comprimindo o pau contra a barriga,
meio encabulado de vê-lo dançando.
Num gesto lento mas
decidido, Giovani tirou completamente a sunga e ficou nu. Em seguida, foi até a
janela, fechou a veneziana e, sem se voltar, apoiou-se no parapeito e me mandou
continuar. Quando colei meu pau em sua bunda, ele mesmo o empunhou e direcionou
para frente.
— Mete, cara. Os dois estão com tesão e ninguém vai
saber que rolou isso.
Eu estava pronto para ouvir o que ouvi. Lentamente, fui penetrando, mas recuando
sempre que ele protestava, até que me vi todo dentro dele e pude mover-me até o
orgasmo, ejaculando copiosamente apesar da masturbação recente. Giovani ficou o
tempo todo quieto, apenas gemendo em resposta às minhas estocadas mais firmes. Eu
era puro entusiasmo.
— Essa é a melhor sensação do mundo, cara! É bom demais gozar assim! exclamei,
agarrando-o pela cintura e fazendo os últimos vaivéns.
Quando me afastei,
Giovani virou-se para mim e estava visivelmente encabulado, como se agora fosse
ele a sentir-se em
desvantagem. Seu pau, duríssimo, fremia, quase colado à
barriga, e ele levara a mão à bunda para tocar o cu.
— Está meio aberto.
Será que isso fecha depois?
— Deve. Você não é
arrombado! brinquei.
Ele me deu um
empurrão no ombro e continuou de frente para mim, sem dizer nada, como se
esperasse alguma coisa. Interiormente eu já sabia que precisaria ceder. Giovani
não tinha nada de viado e estava na situação mais desconfortável de toda a sua
vida: ele tinha acabado de dar a bunda e deixar gozar dentro! Eu estava
saciado e exultante por ter-me iniciado. Graças a ele, eu deixara de ser virgem
naquele instante! Éramos amigos, não havia porque recusar uma solução
justa para ambos. Bastou-me uma palavra.
— Onde? perguntei, olhando o quarto em volta.
— Pode ser na cama?
— A dor é muito ruim? perguntei, atravessando o quarto
em direção à cama.
— É chatinha, cara.
— Vai devagar, então.
Tirei a sunga e
entrei na cama de joelhos com a bunda voltada para fora. Giovani parou atrás de
mim e pôs uma mão nela.
— Você tem bunda gostosa, cara, estou falando sério!
— Para com isso e anda logo! falei, tirando-lhe a mão
com um safanão, irritado com o que outros talvez tomassem como elogio.
Ele então grudou em
mim e foi logo ficando muito excitado e ofegante. Eu estava apreensivo e
concentrado, na expectativa de cada gesto. Enquanto senti seu pau apenas
deslizando pelo rego, tive esperança de que o Giovani tivesse uma nova
ejaculação precoce, mas logo senti o toque da cabeça na entrada e estremeci
pensando em desistir.
— Relaxa, cara! Eu deixei você meter e agora é minha
vez, disse ele, empurrando-me para qu eu voltasse a ficar de quatro.
Depois de algumas escapulidas, ele conseguiu encaixar
a cabeça do pau. Essa primeira
expansão já foi dolorosa, mas ele me agarrou pela cintura e começou a forçar. É
inútil descrever agora a mesma coisa que descrevi há pouco. A experiência de
ser penetrado é talvez a mais estranha que um homem possa ter na vida porque ao
mesmo tempo que a dor é aguda e intensa, o prazer daquele que penetra é tão
excepcional que contrabalança o sofrimento do penetrado. À medida que ele ia
dilatando o meu cu e me ouvindo protestar, Giovani gemia de prazer com a
compressão inusitada do seu pau. Eu sentia suas mãos ora puxando-me pela
cintura, ora abrindo-me a bunda, ora espalmadas no início das costas. Quando
ele conseguiu penetrar completamente e iniciar o vaivém, eram as suas coxas que
eu sentia e ouvia colidir contra as minhas. Por fim, a dor atenuou-se e meu pau
voltou a endurecer. Masturbei-me furiosamente, tomando cuidado apenas para não
sujar a colcha, coisa que, confesso, foi dificílimo evitar quando o seu orgasmo
veio e ele desferiu as estocadas finais, agarrando-me com força enquanto
ejaculava, gemendo, assaltado pelos espasmos. Se tive um momento de prazer, na
posição de penetrado, foi aquele, e o atribuo à intensidade dos instantes
finais.
Estava terminado, e
não só justiça fora feita, mas recebêramos o bônus da nossa iniciação sexual.
— Não foi com a Maria Cláudia, mas pelo menos
começamos pelo sexo anal que é mais difícil de conseguir! brinquei, sempre mais
bem-humorado.
— Isso é, respondeu o Giovani, caindo na gargalhada.
Encorajados por
essa primeira experiência, não tardaríamos a ir bem mais longe com as meninas
que namorávamos, contando um ao outro as nossas proezas a cada degrau galgado
da nossa evolução sexual. Longe de nos tornarmos exclusivamente homófilos
(muito embora tenhamos multiplicado os intercursos entre nós), continuamos nos
comparando como fazem os jovens garanhões ávidos de novas conquistas femininas.
E vivemos assim até que a vida adulta nos separou levando cada um para um lado,
primeiro ele, que encontrou vaga para estudar na UFMG, em seguida eu, bem mais
tarde, quando vim, já formado, ocupar um cargo público no Rio de Janeiro. Ainda
nos vemos de vez em quando e não se passa uma só vez sem que relembremos a
saudosa Maria Cláudia e as consequências da sua perversidade para a nossa
educação sexual.

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