[Início de
fragmento]
"...enquanto
tomavam banho no chafariz, percebi meu filho Cesare olhando gulosamente para as
nádegas dos primos Luigi e Pietro. Eu sabia que vê-los nus o excitava porque já
o surpreendera duas ou três vezes a espiá-los enquanto acariciava-se
discretamente. Cesare só estava esperando o momento propício para
atacar e eu sabia que isso não tardaria porque me parecia óbvio que a demora em
sua iniciação estava se tornando insuportável para o seu corpo pronto a cumprir
os desígnios da carne.
Excepcionalmente desocupado naquele longo feriado
pagão, resolvi seguir Cesare pela vasta propriedade familiar nos arredores de
Roma e tentar descobrir qual seria a sua estratégia de ingresso na vida
adulta. Minha espera foi logo recompensada. No dia seguinte ao banho no
chafariz, Cesare topou com Luigi, o primo mais novo, no pomar, tentando
derrubar com uma vara uma cereja imensa num galho alto. Ele tomou-lhe a vara e,
com uma pancadinha certeira, arrancou a fruta. Luigi precipitou-se sobre ela e
devorou-a com avidez.
— Não me dás nada em troca, primo? perguntou-lhe meu
filho com malícia.
— Te empresto a vara para pegares algumas, queres?
retrucou o outro.
— Não. Quero outra coisa.
— O quê?
— Vamos até ali que te mostro.
Luigi seguiu meu filho até o pomar repleto de árvores
frutíferas perfeitamente alinhadas. Chegando lá, Cesare abriu a calça e
mostrou-lhe uma exuberante ereção. Que espetáculo! Eu ainda ignorava o quanto
meu filho fora dotado pela mãe Natureza.
— Por que estás assim?, perguntou o rapazote, inibido,
mas curioso.
— É grande, não é? Podes pegar, retrucou meu filho,
oferecendo o membro ao primo sem tocá-lo.
Luigi estava a cerca de um metro de Cesare, olhando
fixamente para o longo membro oscilante. Foi a pura curiosidade que o levou a
avançar de um passo e empunhá-lo como se desse a mão a alguém, espantando-se e
fazendo comentários sobre as dimensões, a rigidez e a temperatura do sexo do
meu filho. Com efeito, o membro de Cesare está atingindo dimensões consideráveis,
em nítido contraste à sua estatura ainda modesta. Assim que ele sentiu o toque,
suas coxas se contraíram e seu primo reagiu intensificando o aperto. Essa
manipulação foi suficiente para levá-lo a um orgasmo em vários jatos que foram
cair palmos adiante. Luigi ficou estupefato, olhando ora para o pênis
encharcado, gotejante e ainda pulsante em sua mão, ora para os rastros de
esperma deixados no chão. Depois, desembestou a fazer perguntas que forçaram
Cesare a dar-lhe uma verdadeira aula sobre o órgão sexual masculino e suas
funções. Longe de me parecer satisfeito, meu filho saiu do pomar com ar de que
aquele investimento preliminar fora alto e exigiria retorno rápido. Os dois
primos voltaram juntos para casa, porém calados. Não tive dúvida de que meu
filho já estava elaborando algum estratagema para fazer com que a situação
evoluisse mais rapidamente em seu favor.
No dia seguinte, tomando café da manhã no amplo jardim
dos fundos da casa, vi Cesare afastandos-se numa direção que poderia levar ao
celeiro. Desta vez, ele estava com Pietro e pareciam conversar animadamente. Resolvi
segui-los. Pus no bolso o meu bloco de anotações e fui atrás deles, mantendo
uma boa distância e ocultando-me para não ser visto. E, de fato, eles foram
para o celeiro. Assim que encontrei um lugar seguro para observar, entendi que
Pietro estava pedindo explicações ao meu filho sobre o episódio da véspera. Aparentemente,
Luigi contara-lhe tudo. Um tanto constrangido, Cesare fez-se de desentendido,
tentou desconversar, mas Pietro insistiu e ameaçou contar tudo aos pais. Meu
filho acabou contando detalhadamente, com profusão de gestos ilustrativos muito
enfáticos, o que o "simples toque" de Luigi havia desencadeado em seu
órgão hiper-sensível.
Terminada a grande explicação, que me pareceu ter
convencido Pietro da insignificância do episódio, os dois primos começaram a
conversar, mas tão baixinho que só pude inferir que Pietro pedira a Cesare que
lhe mostrasse o objeto da discussão, o que meu filho fez prontamente e sem se
acanhar, exibindo orgulhoso o seu belo monumento de volumosa glande rubra, já
semi-ereto, pendendo em arco fora da calça. Seu primo olhou admirado por alguns
instantes e abriu a calça para mostrar o seu, que não me pareceu estar em
grande desvantagem, considerando-se o fato de que, sendo mais jovem, ele terá
mais tempo ainda que o meu filho para desenvolver-se. Os dois compararam
longamente os seus atributos, segurando-os em várias posições para examiná-los
de todos os ângulos possíveis. Em seguida, ergueram as calças e pude ouvir um
fragmento de diálogo:
— Dizem que penetrar é muito prazeroso, mas difícil
entre varões, por isso é preciso praticar. Vamos tentar? propôs Cesare.
— Só se eu também puder, respondeu o primo.
— Sem dúvida, anuiu Cesare, para espanto meu.
Por coincidência, Cesare apontou para a direção onde
eu me encontrava, um canto do celeiro onde havia velhos sacos de grãos
encostados num tapume. Confortavemente instalado atrás dessa parede de tábuas,
a única coisa que me seria exigida para não ser notado é o mais absoluto
silêncio. Eles ficaram a centímetros de mim; eu os via através das fendas entre
as tábuas. Cesare pediu ao primo que baixasse a calça, o que ele fez
prontamente. Como eles estavam de perfil em relação a mim, pude ver mais uma
vez as nádegas do meu sobrinho, duas meias-luas de carne alva e firme
despontando da calça que ele baixou até os joelhos. Cesare fez o mesmo, em
seguida cuspiu várias vezes na mão, espalhou bem a saliva pela glande e começou
a forçar a entrada, sob os protestos do primo logo ao primeiro contato. Impaciente,
Cesare assegurou-lhe ser normal que doesse um pouco. Em seguida, cuspiu saliva
grossa na região do contato e, segurando firmemente o primo pela cintura,
forçou vigorosamente a entrada, provocando um berro de dor seguido da ordem de
parar que, sendo ele quem é, obviamente não obedeceu, limitando-se a afrouxar
momentaneamente a pressão, permanecendo contudo colado ao primo até que ele se
acalmasse.
— Dói muito! choramingou o outro, olhando para trás e
encontrando o olhar frio e distante do meu filho.
— Eu disse que era assim mesmo, não disse? Dói no
começo, mas depois fica bom, garantiu Cesare.
Eles ficaram grudados e imóveis durante alguns
instantes e, assim que Pietro se acalmou, Cesare voltou a aplicar-se na penetração.
Eu estava excitadíssimo com a visão do sexo do meu filho encaixado entre as
duas nádegas redondas do primo, invadindo lentamente aquele corpo que se
contorcia sem querer render-se. Senti que o êxito era imperativo para Cesare.
Aos poucos, vi a grossa verga branca do meu filho ir diminuindo entre os dois
corpos, que acabaram estreitamente unidos.
— Entrou tudo, sussurrou Pietro sufocando um gemido.
— De fato. Estás apreciando mais, agora?
— Melhorou, respondeu o outro, acomodando-se.
A total privacidade fez seu trabalho e, pouco depois,
pude desfrutar de uma bela cena de sexo entre meu filho e o primo. Pietro
chegou a dizer que estava adorando os vaivéns e as pancadinhas da pélvis do
primo contra suas nádegas, que ele empinava em resposta, ficando quase na ponta
dos pés. Cesare olhava de cima o seu longo pênis desaparecer e ressurgir entre
as duas nádegas apertadas, logo obtendo um ritmo constante e sussurrando:
"Delícia!" "Inebriante!" "Perfeito!" Pietro
permaneceu bem silencioso, soltando de vez em quando um som aspirado. A certa
altura, Cesare anunciou seu clímax e começou a acelerar os vaivéns. O aumento
da fricção, a dureza e a dilatação máxima do membro devem ter causado em Pietro
um verdadeiro turbilhão de sensações. "Não pares!" implorou ele,
começando a contribuir com movimentos opostos para empalar-se completamente a
cada arremetida. Quando Cesare começou a ter os espasmos do orgasmo, os dois
corpos estavam numa sincronia tão perfeita que não me contive e precisei
masturbar-me diante daquela cena de rara beleza. Esvaí-me junto com meu filho,
que desfechou seus golpes finais sem sair de dentro do primo, enchendo-o com
todo o precioso líquido que o mais novo o fizera desperdiçar. Ele terminou
completamente enterrado em Pietro, fortemente agarrado a ele, exibindo o
traseiro branco, tão bonito quanto o dele, porém maior, de nádegas mais
estreitas e alongadas com pronunciadas concavidades laterais.
Distraído pelos desenhos do meu próprio sêmen na terra
do celeiro e pelas considerações nas quais me lançara a cena que eu acabara de
presenciar, não prestei atenção ao que os dois disseram enquanto se lavavam
numa tina próxima. Eles vestiram-se e saíram conversando baixo, amigavelmente.
Pensei, orgulhoso: "Não há dúvida, este também saiu ao pai!"
Na manhã seguinte, tive a grata surpresa de encontrar
Cesare sentado à mesa do café. Olheiras sulcavam seu rosto e o cansaço era
visível. Logo suspeitei de que a noite havia sido bem mais do que ocasião de
dormir e sonhar. Fiquei vendo-o molhar indolente o pão no leite. Ele percebeu
que eu o observava, mas não se mostrou disposto a conversar. A certa altura,
não podendo resistir, decidi provocá-lo.
— Pelo que vejo, não dormiste bem, meu rapaz.
— Assim assim, respondeu ele de olho grudado na mesa.
— Podes abrir-te, Cesare. Não vou dar-te lição de
moral. Tenho-te visto com teus primos e sei que essa relação não se
limita às conversas e brincadeiras.
— E o que o senhor meu pai teria visto além disso?
— Tudo, respondi, lacônico.
— Vou ser trancado na torre?
— Não. Mas quero saber mais; que me contes essas
aventuras a três. Bem sabes como relatos dessa natureza me interessam.
— Seja. Mas não creio que eles apreciem, caso venham a
desobrir que alguém mais sabe disso.
— E não precisam descobrir; fica entre nós. Agora
conta-me a razão do teu cansaço matinal!
Cesare olhou em volta, certificou-se de que estávamos
sozinhos, pegou uma maçã no cesto, recostou-se na cadeira e começou, numa
discurso claro e bem encadeado, a narrar-me a sua noite.
"Ontem, quando fui para o quarto dormir, topei
com o Luigi em minha cama. Eu já ia começando a enxotá-lo quando ele ergueu o
lençol mostrando-se completamente nu e oferecendo-se despudoradamente. "Não
queres?" perguntou ele, olhando para trás e lançando-me um sorriso diabólico.
Fechei a porta para que ninguém nos ouvisse e fui sentar-me ao lado dele pondo
a mão na protuberância firme que já se armara em meu baixo-ventre. Minhe ereção
foi imediata e tirei a roupa num átimo. Quando tornei a sentar-me na cama,
Luigi logo puxou-me pela verga para que eu me aproximasse. Acabei ajoelhado por
cima de sua cabeça, penetrando-lhe a boca molhada como se fora o sexo de uma
donzela."
— Muito bem narrado. Prossegue, ordenei.
"Luigi gemia tanto que cheguei a preocupar-me com
o barulho, que poderia alertar algum soldado ou servo. Ele estava ansioso,
fazendo movimentos bruscos como se quisesse chegar a algum ponto preciso. Tive
que parar e perguntar o que estava havendo. Ele acabou por dizer-me que seu
irmão contara tudo sobre o que fizéramos no celeiro. Perguntei se Pietro
apreciara. Ele respondeu que sim e que isso o deixara curioso, voltando a
deitar-se de bruços, o traseiro mais saliente ainda e um sorrisinho malicioso
no rosto. Não precisei de desculpa para deitar-me sobre ele esfregando-me lascivamente, ao que Luigi retribuiu ondulando como uma
serpente, gemendo, excitado, exortando-me a continuar."
— Diabólico! exlamei. Por menos que isso, mandei
centenas de homens à fogueira. Vai em frente, continua, filho.
"Quando minha ereção atingiu o máximo, preparei-o
para a penetração, prevenindo-o de que o início poderia ser bastante doloroso. Ele
não se importou, respondendo que queria me sentir dentro dele porque o irmão
lhe dissera que isso causava um prazer indescritível. Ajoelhei-me, afundando o
membro encharcado entre suas nádegas, que abri para ver a entrada. O orifício
era tão fechado que limitava-se a um ponto no centro raiado da pele de um tom
róseo mais escuro. Quando o vi em contraste à minha glande, achei que não seria
possível introduzi-la ali. Falei disso com Luigi, mas ele insistiu e, separando
bem as nádegas, pediu-me que enfiasse um dedo, o que fiz após untá-lo de saliva
espessa. À medida que fui introduzindo o indicador no orifício, fui sentindo a
pressão crescente. Luigi contorcia-se, gemendo mas rogando-me que não parasse. Foi
só quando meu dedo chegou ao final que me convenci de que a penetração seria
possível. Tirei o dedo e obstruí a entrada com a extremidade da glande,
começando em seguida a forçar. Luigi opôs resistência para ajudar-me e cuspi
abundantemete sobre a glande para lubrificá-la ao máximo. Em seguida, fui
aplicando vaivéns lentos para dilatar a abertura. Pouco a pouco, fui sentindo a
extremidade do meu membro encaixar-se na passagem inviolada do meu primo, que
se comportava exemplarmente, mordendo o travesseiro para não gritar. A
prodigiosa constrição que eu sentia dava-me impressão de estar sendo esmagado
por um aparelho de tortura e a dor era viva em minha verga."
— Os caminhos de Satanás são tão imprevisíveis como os
do Senhor. Adiante, filho. Estás indo bem.
"Quando, passados minutos que me pareceram uma
eternidade, vi que a primeira metade da glande estava bem encaixada na entrada,
detive-me por um instante e perguntei se estava tudo bem. Luigi fez que sim,
mas vi lágrimas escorrendo dos seus olhos. Cuspi mais no ponto de contato e fui
em frente, até ver o restante entrar com dificuldade. Mas não permiti que a
glande passasse inteiramente, receoso de que isso provocasse muita dor e o
fizesse descontrolar-se. Fiquei precariamente encaixado, esperando um sinal
seu. Instantes depois, senti seu traseiro empinar-se e reclamar minha ação. Soltei
um pouco mais do peso do corpo e finalmente senti minha glande ser tragada,
depois uma segunda vaga de pressão, tão forte que a imaginei toda esmagada por
aquela verdadeira prensa de carne. Luigi transpirava. Essa etapa durou alguns
instantes, mas logo veio o alívio que me fez entender que a glande transpusera
enfim o duplo anel de carne e encontrava-se livre do outro lado. Agora era
a verga que sofria a incrível pressão enquanto Luigi, com uma mão espalmada no
meu baixo-ventre, se contorcia, tentando empurrar-me para trás e contendo
soluços. A reação dele era natural; seu orifício atingira quase três dedos de
diâmetro para acolher-me! Ele devia estar sentindo quase o mesmo que aquele que
padece de prisão de ventre, e o senhor meu pai sabe como conheço bem isso!"
— Claro, sofreste um bocado na infância. Mas
continua, Cesare, estás relatando muito bem esse episódio tão ilustrativo da
irresistível tentação pelo Mal.
"Não iniciei
de pronto o vaivém. A visão extasiante sob meus olhos provocava pulsações no
meu membro e essa dilatação a mais maltratava em dobro o meu primo, mas
"allea jacta est", como se diz; retroceder significaria causar mais
desconforto e mais dor com a reinserção da glande. Negando minha índole,
resolvi apelar para a gentileza e, pondo-me mais de joelhos do que deitado,
acariciei as costas de Luigi, apoiando-me bem nelas e fazendo-o sentir o peso
do meu corpo. Isso parece tê-lo agradado e o relaxou de tal modo que
meu membro começou lentamente a deslizar para dentro até o final. Pronto, eu
estava completamente encaixado e mal podia acreditar nisso! Luigi olhou para
trás procurando meu olhar e dei uma piscadela em sinal de que o mais difícil
havia passado. Daquele ponto em diante, o prazer reinou absoluto. Entrei e
saí dele repetidamente, forçando-o o a morder o travesseiro para abafar urros
de prazer. Minha verga passou a ir e vir como o aríete impelido por doze
infantes hábeis. Mudamos algumas vezes de posição, prolongando o encontro por
mais de uma hora e pude atestar que até mesmo durante o curto intervalo entre
duas posições Luigi mostrava-se aflito para voltar a ter-me em suas entranhas.
— Esta criatura está sem dúvida alguma reservada à
servidão eterna ao senhor das Trevas, aduzi.
"Quero chamar a atenção do senhor meu pai para o
que se segue. A certa altura, ajoelhado ao seu lado, vi que o membro Luigi
estava incrivelmente rígido e resolvi masturbá-lo. Ele se contorcia e gemia,
mas foi muito resistente. Quando enfim veio o clímax, ele ejaculou profusamente
na barriga, peito e até no rosto, de olhos fechados e gemendo baixinho,
ofegante, durante algum tempo. Sentei-me em seu peito e brinquei de dar-lhe
tapinhas no rosto com a verga amolecida até, que ele a pegou e abocanhou. Avancei
um pouco, ficando bem por cima de sua cabeça, copulando com sua boca, ouvindo o
barulho de saliva e vendo-a entrar e sair. Quando comecei a ejacular, muito forte,
em vários jatos, Luigi tentou empurrar-me para fora, mas minha excitação era
tanta que, atendendo à minha índole impulsiva, forcei e empurrei meu membro
todinho em sua garganta. Luigi ficou todo vermelho, tossiu, teve ânsia de
vômito, secretou uma gosma espessa, mas logo após, pediu-me para voltar e
aguentou bravamente os sucessivos golpes de pélvis que propulsavam meu pênis
profundamente em sua garganta. Ele recebeu novamente o meu sumo na boca,
relutou a engoli-lo, mas finalmente cedeu. Quando retirei-me dele, Luigi estava ofegante, dizendo-se um pouco tonto, mas de modo algum
descontente."
— Bravo, meu filho! respondi, estupefato com o teor e
a qualidade do relato. Estou convencido de que, chegado o momento, hás-de
dar-me inúmeros netos! E não te preocupes, pois ainda és jovem demais para que
o fato de teres cedido à tentação e ao pecado da sodomia pese contra ti no
momento da grande prestação de contas ao Altíssimo.
— Não decepcionei o senhor meu pai por ter masturbado
um varão? perguntou-me ele com sinceridade no olhar.
— De modo algum! Achei muito justo. O clímax é um
direito de todo aquele que verte a semente. Não só respeitaste esse direito do
teu primo como lhe mostraste que o fato de fazer o papel passivo não é
depreciativo. Se tivesses sentido nos teus primos o desejo real de estar no teu
lugar, terias aceito, não é mesmo, se isso fosse essencial à tarefa de
denunciar a luxúria, que te cabe, sendo meu filho?
— Claro, meu pai! Só não troquei de lugar com o Pietro
porque o senti saciado depois que o penetrei.
— Verdade que testemunhei, como já sabes! Não faltarão
ocasiões. Mas também quero ver teu desempenho com as mulheres, essas criaturas
feitas mais à semelhança do Diabo que do próprio Deus. Quero que meu filho
pratique o sexo na sua forma mais ampla e versátil para que possa arrancar
delas confissões que elas só fariam sob intensa tortura. Quero que aproveites
plenamente não só das vantagens da juventude, como também das prerrogativas da
tua condição. Estou orgulhoso de ti, Cesare!
— Obrigado! Não quero decepcionar o senhor meu pai,
respondeu meu filho, empunhando o florete junto ao seu flanco para levantar-se,
mas dando-me a perceber uma ponta de ansiedade.
— Que tens, Cesare? Queres dizer-me algo mais sobre a
tua aventura?
— É que...
— Desembucha! Sabes que não tolero hesitações num
homem.
— Bem, senhor meu pai, é que como eu disse, tudo
parecia estar bem quando terminamos, mas...
— Fala, por todos os diabos!
— O fato é que meu primo Luigi expirou poucos minutos
depois. Repousávamos lado a lado, ambos ainda ofegantes quando, subitamente,
sua respiração cessou, sem estertores. Deixei-o na cama e tranquei o quarto
porque não sabia o que fazer com o corpo. Foi por isso que cheguei cedo aqui:
preciso da ajuda do senhor meu pai.
Levantei-me sem dizer palavra. Olhando mais uma vez
para o meu filho tão jovem, meneei a cabeça com um sorriso condescendente,
pensando com meus botões: "É sem dúvida um Borgia, portanto há-de dar-me
muito trabalho." Em seguida, caminhei em direção à residência para tomar
as providências necessárias..."
[Fim de fragmento]*
--------------------------
(*) O
texto, incompleto, é interrompido neste ponto. Este relato foi extraído de um
manuscrito descoberto em Castel Gandolfo por arqueólogos no início do
século XXI e atribuído ao papa Alexandre VI Borgia. Tratar-se-ia
hipoteticamente de um diário íntimo desse papa de controvertidos princípios
morais.

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