Eu soube instantaneamente, através da expressão que brotou de sua boca, nariz e
olhar, assim que ela se virou para me ver percorrendo o corpo que ela ia
revelando aos poucos. Ela tirara a calcinha já no cinema e caminhara um bom
trecho sem ela, de mãos dadas comigo, comentando a textura do meu sexo e o
sabor do esperma que ela provara em vez de assistir ao filme. Ainda não
tínhamos feito sexo e muito menos amor. Seu corpo era deslumbrante e eu estava
em fogo.
Cláudia tinha a
pele do sexo, as curvas do sexo, o cheiro do sexo, as olheiras do sexo. Quando
nos beijamos pela primeira vez, na véspera, vi-me assediado e não apenas
beijado. Sua língua abriu espaço entre meus lábios e invadiu-me a boca
procurando minha língua, trazendo-a para fora e sugando-a até a dor enquanto
meu sexo endurecia e tentava quase em vão expandir-se na jaula dos seus dedos. À
noite, no bistrô com amigos, a cada vez que a via livre, Claudia capturava-me a
mão para pousá-la em sua coxa desnuda, fazendo-me percorrê-la rápido para ir
aliviar o incêndio do seu sexo, que seu próprio fluido era incapaz de aplacar. Mas
não pudemos passar a noite juntos e foi com uma espécie de ira no olhar e um
sofrimento nos lábios que ela se despediu de mim com outro beijo voraz, quase
canibal.
No dia seguinte,
pudemos nos encontrar à tarde e obviamente o cinema foi a primeira coisa que
ocorreu à minha nova namorada. Ignoramos as pipocas, a multidão animada e a
tela equivalente a quatro andares. Claudia queria me oferecer sua boca e seus
seios, suas coxas e seu sexo ardente em troca da minha saliva e do meu esperma.
Sua mão controlava a minha, guiando-a ao seu bel-prazer pela parte do corpo que
ela desejava sentir estimulada. Ora um seio, ora outro, ora por dentro
das coxas, ora o rosto, ora a boca. Estávamos sentados num dos cantos do cinema
num dia de semana, os ingressos custavam uma fortuna e o filme era cativante; o
silêncio era total e nossa privacidade estava garantida. Cláudia arregaçou a saia já curta exibindo
uma calcinha justa, colada ao monte de Vênus e olhando-me com cara de quem diz:
"Já sabe o que fazer, não é?" Colei a mão na calcinha encharcada,
sentindo o relevo dos lábios no tecido quente e sendo imediatamente embalado
por um movimento pélvico estudado a fundo. Cláudia pôs as pernas por cima dos
braços da poltrona, abriu a calcinha como uma cortina e repousou a cabeça no
encosto, deixando bem claro o seu desejo. Percorri o entrelábios com um dedo,
massageei um clitóris que me pareceu dos mais salientes e fui mergulhar pela
primeira vez no interior daquele poço de águas termais, com dois dedos e bem
profundamente, enquanto Cláudia reprimia um grito e para total assombro meu,
irrompia num furioso orgasmo, agarrando minha mão com ambas as suas para
impedir que eu sequer tivesse a infeliz idéia de retirar-me. O terceiro dedo
que acrescentei aos dois primeiros levou Cláudia, agora de blusinha sem manga
acima dos seios, a esmagá-los e torcer os mamilos. Eu estava tão impressionado
com a cena que mal me dava conta da minha própria ereção.
Foi então que ela
tirou a calcinha, saindo da posição ginecológica e pondo-a na bolsa,
deixando-me estarrecido com a ousadia. Por um instante, achei que fosse ter que
esperar pela minha vez; me parecia natural que ela quisesse retomar fôlego e
descansar um pouco assistindo ao filme. Mas não, ato contínuo, ela debruçou-se
em mim beijando-me muito e agradecendo com voz felina, já se atracando com o
meu cinto para abri-lo e à calça. Meu sexo estava, sim, todo duro, embora eu
quase o tivesse ignorado, e ela gostou de descobri-lo assim pela primeira vez.
Claudia sequer olhava para a sala, inteiramente concentrada em si. Quanto a
mim, volta e meia dava uma olhada rápida para me certificar de que ninguém nos
observava de esguelha e foi precisamente numa dessas vezes que ela capturou meu
membro e o enfiou todo na boca, colando os lábios na minha barriga e voltando
para trás, devolvendo-o ao ar como num filme de trás para frente. Tudo foi tão
rápido que me assustei e pus a mão em sua cabeça como para impedi-la, mas só
tive tempo de dizer um tímido "não foi nada" quando ela me olhou com
aquela expressão de insaciabilidade. O resultado foi que ela me masturbou com a
boca, num aterrador "deep throat" que esfregou-me repetidamente o
membro do talo à cabeça fazendo-me gozar diretamente em sua faringe e passar
vários segundos tentando controlar a respiração para não resfolegar. Cláudia
passou o resto da sessão evitando que meu membro amolecesse.
Quando o filme
acabou, ainda me perguntei se ela recolocaria a calcinha, mas logo descobri que
não e pela primeira vez na vida caminhei com uma menina de minissaia e nada por
baixo. "Vento não levanta jeans, relaxa." disse ela, andando de mãos dadas
comigo sem se abalar. Ela me contou que andava sem calcinha desde quando
descobrira que isso a excitava, por volta dos quinze anos. Ela voltava para
casa molhada e se masturbava relembrando as expressões dos homens que a tinham
olhado. Era um hábito que ela não pretendia abandonar. Embora muito jovem, não
me importei com isso; muito pelo contrário: achei excitante imaginar os homens
fantasiando sem saber que sua fantasia estava sendo realizada. Cláudia gostou
disso.
Me lembro que
quando chegamos à sua casa, Cláudia me chamou diretamente à cozinha e comemos
morangos com creme. E foi lá que ela caminhou até uma parede ornada apenas com
um friso e, dando-me as costas, começou a erguer a saia olhando-me lascivamente
por cima do ombro. Ela queria mais, e viria a querer mais e mais e mais, sempre
mais e muito mais. Depois daquela primeira vez na cozinha, entre morangos
vaginais e creme peniano, chegamos a fazer sexo oito vezes num mesmo dia. E
quando adormecíamos num motel, exaustos após quatro horas de sexo contínuo, ela
acordava dizendo ter passado o tempo todo atormentada por sonhos dos mais
exóticos e precisando aplacar imediatamente uma excitação irreprimível.
Claudia e eu
passamos três meses juntos. Saí dessa experiência alguns quilos mais magro e
bem menos afeito ao sexo por demais intenso, ansioso por retomar minha vida,
meus hobbys, voltar aos meus livros. Ela, ao contrário, talvez por despeito,
revelou-me que durante os noventa dias da nossa relação, teve mais de vinte
encontros esporádicos com homens diferentes, alguns dos quais, enfatizou ela,
muito mais dignos de tê-la na cama do que eu fora. Dei-lhe o benefício da
última palavra.

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