Bendita ladeira! Só
mesmo falando assim da rua que dá acesso ao meu prédio. Ontem não foi a
primeira vez e nem será a última que esses duzentos metros tão íngremes e
penosos me presenteiam - quando não me torturam - de maneira sublime. Aí vai
uma historinha curta, meio masoquista, mas não desprovida de encanto.
"Arre! Como puxa, essa maldita rampa!" vinha
eu murmurando, ranzinza, na volta do trabalho, de corpo inclinado como o de um
saltador de esqui, o rosto a três palmos do asfalto. Ela me corta caminho, não
discuto, mas é preciso muita motivação para fazer isso todo dia! O hábito me
ensinou a andar olhando para o chão porque assim experimento uma deliciosa
sensação de surpresa e alívio ao final. Cravo os olhos no asfalto negro e só
tiro quando percebo pela visão periférica o último poste antes da rua plana.
Mas às vezes é diferente, e ontem foi uma delas. Ao
exclamar "arre!", interjeição nada carioca, embora eu seja um deles e
esteja em plena "Cidade Calamitosa", olhei para cima e qual não foi a
minha surpresa ao constatar que não estava sozinho. Na outra calçada e pouco
adiante, duas jovens caminhavam lado a lado, igualmente às voltas com o
gradiente da rua. Logo percebi que eram dignas do maior interesse, com sus
corpos esguios e as saias curtíssimas. Ora, a prática me ensinou que quando
isso acontece, se eu me aproximar um pouco mais sem chamar a atenção, consigo
às vezes descortinar uma paisagem capaz de aliviar as agruras da ascensão. Portanto,
esqueci o cansaço, acelerei o passo e continuei discretamente a segui-las do
meu lado da calçada até que, de fato, a inclinação da rua me permitiu ver não
só as coxas, mas o terço inferior de um par de bundinhas absolutamente
encantadoras.
Nesses momentos, o predador analisa o terreno e estuda
a viabilidade de um ataque. A primeira etapa era transpor a rua sem ser notado.
Coincidentemente, um taxi subiu e começou a segui-las lado a lado, o motorista
cafajeste fazendo mil agrados, convidando as gatinhas a subir no carro
prometendo levá-las de graça aonde quisessem. Aproveitei o momento de distração
para atravessar.
Longe de se irritarem, elas descartaram com muito bom
humor meu adversário e continuaram ladeira acima. Vi-me a vinte metros das
duas gazelas que subiam penosamente, ofegantes, mas rindo ainda da abordagem. Que
delícias! Uma delas estava usando meias de seda pretas que deixavam de fora
dois nacos de coxas bem torneadas na convergência das quais eu via a
concavidade de uma calcinha, espremida entre elas. A outra era puro esplendor,
de coxas totalmente nuas até embaixo da saia, onde uma tanguinha mais escura e
igualmente diminuta sumia no rego da bunda branca e rechonchuda, de redondeza
perfeita.
Eu ia atrás delas, mantendo uma distância regular de
cerca de vinte metros, o que foi me excitando e enchendo de desejo, como já
aconteceu outras vezes. Nem sempre a abordagem é possível, mas os poucos êxitos
me encorajam até hoje a ir em frente sem receio. O pior que pode me acontecer é
ouvir uma negativa ou uma enxurrada de palavrões, como já foi o caso, mas o
melhor é insubstituível, quando não o troféu máximo! Nunca me esqueço do dia em
que aquela mulatinha deliciosa, de calcinha enterrada no rego, vendo-me
insistentemente atrás dela, ergueu a sainha para exibir a bunda mais linda do
mundo, depois me presenteou com uma felação inesquecível e justificou-se
dizendo que não podia me dar, não porque não quisesse, mas porque estava com
pressa. E de outra vez, uma loura ainda mais sexólatra que eu atraiu-me até a
entrada de uma escadaria e, mantendo-se de costas para não me ver, chegou a
calcinha para o lado, entregou-me uma camisinha e me mandou meter. Portanto,
sei que não tenho nada a perder e vou até o fim nessas aventuras rampeiras.
Ontem, à certa altura — literalmente! — as duas
delícias acabaram por descobrir-me vinte metros abaixo. Uma delas olhou,
cochichou com a outra que olhou em seguida, mas continuaram subindo, sem tocar
nas sainhas, até pararem, como se quisessem me deixar passar para prosseguirem
mais à vontade. Lamentei um pouco a perda do visual estimulante, mas não me fiz
de rogado e passei entre elas, dizendo um "obrigado". Mas recusei
caminhar mais rápido; seria o cúmulo perder a paisagem e ainda chegar suado em
casa! Portanto, reduzi o passo e continuei subindo a menos de cinco metros à
frente delas. Inicialmente, elas ficaram caladas, mas logo recomeçaram a falar
e, para minha maior satisfação, o assunto era sexo, que uma delas tinha feito
com um tal de Jorginho, aparentemente ontem mesmo. A outra estava numa agitação
só com o assunto, provavelmente sentindo aquela invejazinha benigna que só faz
desejar ter a mesma coisa que o outro, mas sem por isso querer que ele deixe de
tê-la.
— O Jorginho tem um pauzão, disse a sortuda.
— Caraca! Você deu pra ele de que jeito?
— Bom, no carro, só deu pra montar nele. Ele sentou no
meu lugar e eu subi no colo dele de frente pra gente ficar se beijando.
— Você tirou a calcinha?
— Tá louca?! Cheguei pro lado, só.
— E ele ficou agarrando a tua bunda?
— É, e metendo gostoso.
— Ele botou camisinha, espero!
— Claro! Do jeito que ele goza, a essa hora eu estava
grávida!
— Ai, Lu, eu queria dar pra ele! Ele é muito gostoso,
né?
— Gostoso ele é. Pena que seja tão galinha.
— Hãhã. Mas conta, não dói nadinha?
(...)
Esse era mais ou menos o teor da conversa. Pela
direção das vozes, concluí que a que tinha dado para o Jorginho era a das meias
sensuais, e pareceu-me óbvio que a outra, um pouco mais nova, estava às
vésperas de iniciar sua vidinha sexual. Tudo indicava que ela estava morrendo
de vontade de ceder o cabacinho, e todos sabem que não há nada mais excitante
para um homem, muito embora eu estivese perfeitamente ciente de que quanto a
isso, eu teria, por mil razões, que limitar-me à fantasia, mesmo que por algum
milagre ela me chamasse para aliviá-la desse incômodo. Vi-me portanto forçado a
restringir meu escopo e concentrar-me na menina das meias sensuais, um pouco
mais velha. Estávamos sozinhos os três na ladeira, ninguém atrás, ninguém à
frente. Eu estava livre para agir e, como disse, não tenho mais por que temer
as consequências em caso de confronto. Resolvi partir para a segunda etapa da
minha tática.
A idéia em si era simples: retardar o passo e, uma vez
entre elas, puxar papo. Comecei a me arrastar até que ficou iminente que elas
teriam que me ultrapassar. Elas se calaram, o que revelava certa impaciência,
mas pedi desculpas e assim que me vi ligeiramente atrás das duas, perguntei as
horas. Obviamente, a das meias apontou para o meu relógio, revelando não ter
nascido ontem e conhecer todas as manhas dos homens, mas aleguei o forte atraso
do meu relógio, e a outra acabou me dizendo as horas.
— Dez pras nove, disse ela, saidinha, olhando bem para
o relógio digital masculino, provavelmente ganho de algum namorado.
— Caramba! Já? exclamei, para fazê-las rir.
— A esposa tá esperando? zombou a mais velha.
— Não, meus bisnetos! respondi, no mesmo tom, ofegante
com a puxada da ladeira. Ela deu um risinho, mas o papo parou por aí.
Como a calçada é estreita, retardei um pouco o passo e
voltei a andar atrás delas, o que me permitiu vê-las na escala real e constatar
mais uma vez que a exposição do corpo era o que menos as preocupava. Com a
inclinação da ladeira, minha cabeça ficou na altura das panturrilhas das
meninas, e o movimento das saias me permitia breves flashes excitantes. De vez
em quando, a mais nova passava a mão na saia, como para me fazer crer que se
esta não balançasse, cobriria a "paisagem". Quanto à outra, parecia
até fazer questão de curvar-se um pouco para mostrar-se claramente destemida.
— Vocês moram por aqui? lancei.
— Ela mora na Maria Cândida, logo ali em cima,
respondeu a do relógio, espevitada.
— Ah! Fica atrás da minha rua. Eu moro naquele
conjunto da Marinha, de vinte blocos, que acabaram de construir.
— Você mora ali, é? Desapropriaram um monte de gente
pra construir aquele horror. A minha vó teve que vender a casa e foi morar lá
com a gente! disse a mais descolada, dando uma paradinha para respirar.
— Que chato! Mas não é minha culpa, hein, gente! A
única coisa que eu fiz foi comprar um apê ali. Mas... vocês moram na mesma
casa? perguntei, para desconversar com uma incoerência.
— É claro que não, né! soltou a novinha esperta e
insolente. Aliás, tchau! acrescentou ela, dirigindo-se para o portão da casa
seguinte, uma das boas casas da rua. Talvez para provar alguma coisa à amiga
emancipada, ela se espichou exageradamente para tocar a campainha, olhando para
nós e conferindo as nossas reações ao vê-la com meia bunda de fora, a calcinha
sumida no rego. Lamentei um pouco que ela nos deixasse.
— Te ligo depois, Lu, disse ela, desaparecendo pela
grade.
— Toma banho gelado! brincou a outra, já menos à
vontade por ver-se sozinha comigo.
— Por que o banho frio? perguntei, para quebrar o gelo.
— Ah! Nada. É uma coisa que a gente estava falando.
— Agora fiquei curioso! Não posso saber?
— Não né! retrucou ela, mais irritada do que sem jeito.
— Quando eu era adolescente, tomava banho frio quando
alguma menina me deixava "nervoso"! lancei, fazendo as aspas com a
mão desocupada.
— É por aí, concedeu ela, lacônica.
— Ela está apaixonada?
— Que nada! É fogo no rabo mesmo!
Dei uma gargalhada, mas percebi que ela não ia me
falar espontaneamente do tal Jorginho. Agora estávamos subindo lado a lado e
constatei uma vez mais que os nossos corpos eram perfeitamente compatíveis. Ela
era cerca de meia cabeça mais baixa que eu, tinha ombros finos, peitinhos no
tamanho certo apertados num top preto que deixava um palmo de barriga de fora e
aquelas coxas impressionantes que eu já não via por estar ao seu lado. E o
detalhe extremamente erótico: ao que tudo indicava, ela tinha trepado há poucas
horas, o que dava à coisa uma conotação de fantasia que me convenceu
definitivamente da propriedade do meu intento. Não faltava muito para chegarmos
à esquina de uma rua à esquerda, a mesma onde eu conseguira os favores
integrais de algumas das minhas "presas".
— Posso dizer uma coisa?
— Fala.
— Não vai zangar, hein!
— Depende; você ainda não falou.
— Eu ouvi um pouco do papo de vocês.
— Ah é? Além de chato é curioso.
— Ah, que é isso! A gente é vizinho, pôxa! Mas hein,
já sei que a tua amiga está a fim de um tal de Jorginho. Aliás, qual o nome
dela?
— Alessandra. Eu chamo de Alê.
— E você é Luciana?
— Não, Ludmila, mas Lu é mais fácil.
— Ludmila é bonito. Você é descendente de Russos?
— Não, minha mãe gostava desse nome e me botou.
— Mas voltando ao assunto, Lu, eu acho que a Alê está
bem acesa por esse Jorginho.
— É, mas ele está comigo agora.
— Só é pena que seja um galinha, não é isso?
— Você ouviu isso também?
— Dava para ouvir tudinho. Rua vazia...
— Nossa, então você está sabendo até que a gente...
— Transou hoje? Estou. Aliás, ele tem muito bom gosto,
acrescentei, olhando diretamente para o rosto moreno da Lu, muito bonito,
ultrapassando o corte reto do cabelo castanho claro.
— Obrigada, respondeu ela, baixando a cabeça para
espantar um inseto da barriga nua.
— Quando eu vi vocês duas lá de baixo, só pensei em
chegar perto.
— Para olhar a bunda da gente, né, sem-vergonha!
— Mas vocês sabem que homem olha, não sabem?
— Eu não vou deixar de botar a roupa que eu gosto por
causa da ladeira. Quem quiser que olhe!
— Se eu te fizer uma pergunta, você me responde
sinceramente?
— Depende.
— Bom, lá vai: você gosta de se sentir desejada? Eu vi
o taxi parar para vocês, agora há pouco. Vocês levaram numa boa, mas ele queria
levar as duas para a cama, estava na cara!
— Isso acontece direto. É claro que é bom saber que os
caras te acham gostosa; toda menina gosta. Só não precisa taxista ou lixeiro!
— Você já fez alguma loucura com caras que te seguiram
ou algo assim?
— Se eu dissesse que não, estaria mentindo.
— Mas chegou a...
— Mm-hm.
— Chupar? Transar?
— Mm-hm.
— Uau! E a Alê?
— A Alê está começando a ficar saidinha, mas eu tomo
conta dela.
— Ela tem um corpo lindo também.
— É, e ela sabe disso porque os carinhas ficam dando
em cima direto.
— Virgem?
— Ela é.
— E você, deixou de ser há muito tempo?
— Ei, que pergunta!
— Ah! Responde, vai. A gente está só conversando.
— Posso te dizer que faz tempo; vou fazer vinte e dois.
— É, cabacinho com vinte e um seria demais, hahah!
— No teu tempo tudo era mais tarde, né?
— Não sou tão velho assim, mas era mais difícil, sim.
— O meu pai transou com puta, da primeira vez. Foi um
tio, irmão dele, que me contou.
— Isso era comuníssimo. Em alguns lugares, no
interior, os pais ainda levam os filhos ao puteiro, da primeira vez.
— Todos os meus amigos começaram faz tempo, tipo com
quinze, dezesseis.
— E você com vinte e um, não tem vontade de fazer com
caras mais experientes?
— O Jorginho tem trinta anos. A gente chama ele de
Jorginho mas ele não é mais criança não.
— E pelo visto, ele trepa bem.
— Nossa, nem fala! Ele sabe tudo.
— Foi hoje?
— Hoje, não, agora há pouquinho! Faz menos de uma hora
que ele me deixou na casa da menina onde a Alê estava, e a gente veio andando,
eu e ela. É por isso que ela estava toda acesa daquele jeito.
— E vendo vocês, fui eu que fiquei todo aceso! Você
gosta desse Jorginho? É amor?
— Amor nada! Aquilo é um galinha. Mas a gente já
namorou então de vez em quando ele me procura.
— E você vai.
— Ele é gostoso, não tenho nada a perder.
— Você nem imagina o tesão que me dá só de saber que
você acabou de transar há tão pouco tempo.
— Credo! Sério?
— Sério, eu tenho dessas fantasias. Sabendo disso e
vendo você assim, nessa saia tão curta... Uh!
— Haha! Que doideira!
— Lu, você... faria uma coisa pra mim?
Pois é, leitor, resolvi atacar e lasquei a pergunta
crítica na lata. A Lu ficou em silêncio, deu um ou dois passos a mais na
ladeira íngreme e acabou comprando o papo.
— Que coisa?
— Eu queria ver um pouco mais do teu corpo.
— Mais do que já viu? Só se eu tirar a calcinha!
— Levanta a saia para mim, Lu, só uma vez.
— Está louco? Sai dessa! Parece tarado, pô!
— Nâo vejo nada de mais. A gente está chegando na
esquina. Não mora ninguém na primeira casa e a entrada é bem escondida. A gente
podia dar uma chegada lá. Por favor, vai, não custa nada!
Para mim, já estava óbvio que depois de uma tarde de
transa com o tal Jorginho e uma conversa nesse teor, ela estivesse mais do que
nunca com a cabeça voltada para o sexo. Ela queria continuar um pouco o
joguinho erótico com os homens que ela excitava com o seu corpo delicioso. Estávamos
a poucos metros da esquina onde a casa em construção há séculos tem uma longa
entrada em corredor entre dois horríveis muros de tijolo que levam a um
vestíbulo já coberto. Mostrei isso à Lu assim que chegamos à esquina e ela
parou, o que interpretei como interesse ou, no mínimo, hesitação. Ficamos os
dois parados, eu fingindo conversar para não dar na vista, ela sem ter o que
dizer, mas muito inclinada a ir. Era preciso agir rápido porque para quem
passasse ou olhasse da janela, a cena do homem de quase quarenta anos parado
diante da supergata de vinte e um, vestida numa minissaia de parar o trânsito
seria no mínimo suspeita. Explorei rapidamente a vizinhança e não encontrei
nenhum curioso à janela. Jà estava escuro e a ladeira continuava deserta.
— Mas já é tarde, manhou a Lu.
— Cinco para as nove. Você tem hora para chegar?
— Não é isso, mas os meus pais sabem que eu estou
chegando... e daqui a pouco a Alê vai me ligar.
— E daí que a Alê ligue? Você atende e pronto. Você
não está complicando as coisas? Confessa que também está a fim.
Toda hesitante, parada mas movendo-se como se quisesse
ir para várias direções ao mesmo tempo, ela me olhou pela primeira vez bem no
rosto, como se para ter certeza de que não estava se metendo com algum
Quasimodo, depois olhou para a entrada que indiquei, olhou em volta para se
certificar de que não havia curiosos, e avançou na minha frente em direção à
casa às escuras. Caminhei atrás dela à luz da generosa iluminação pública,
admirando uma vez mais suas pernas envoltas naquelas curiosas meias de seda sem
ligas, que deixavam de fora um palmo da porção mais larga das coxas.
Chegando ao vestíbulo da casa em construção, colei a
orelha à porta provisória para me certificar de que não havia algum operário
ocupando a obra, em seguida me virei para Lu, esperando que ela realizasse o
desejo que formulei pouco antes. De pé no centro da área de cerca de quatro
metros quadrados, ela se virou para mim e, dando um sorriso ainda tímido,
ergueu a barra da sainha com as duas mãos, revelando completamente a calcinha
cavada e justa.
— Uau! Que corpo lindo você tem, Lu.
— Obrigada, sussurrou ela, exibindo as coxas divinas e
a calcinha vermelha, elástica, bem ajustada sobre o monte de Vênus, e atrás,
enfiada entre os dois gomos salientes de um bumbum perfeito.
— Porque vermelha? O Jorginho gosta?
— Foi presente de namoro.
— Ele deve adorar te ver com ela!
Ainda de costas, deixando-me contemplar mais
demoradamente a parte que me motivou a segui-la, ela fez um momento de
silêncio, mas a sorte estava lançada e precisei arriscar.
— Posso tocar, Lu?
— Na minha bunda?
— É, só passar a mão nela.
— Ai, ai, já vi tudo. Bom, tá legal.
Dei um passo na sua direção e ela olhou para trás
assim que comecei a acariciá-la. Tudo parecia sob controle. Cheguei mais perto
para afagá-la com as duas mãos e senti que ela teve um ligeiro sobressalto,
respirando fundo logo em
seguida. Seria uma uma primeira vaga de excitação?
— Hum! Gostei desse suspiro, Lu.
— É que eu adoro carinho no bumbum, fez ela, dengosa,
oferecendo-se um pouco mais.
Foi logo ficando evidente que não íamos parar por aí,
mas Lu assumiu isso com mais dificuldade. Por duas ou três vezes, ela quis
baixar a saia e propôs irmos embora, mas minhas mãos a dissuadiam. Eu queria
ver mais, queria vê-la nua e se possível fazer sexo com ela.
— Tira a calcinha para mim, vai, Lu.
— Tirar? Toda?
— Toda. Ninguém vem aqui.
— Ah não, sussurrou ela, receosa.
A verdade é que as janelas de alguns edifícios têm
ângulo suficiente para ver alguém, ao menos parcialmente, no vestíbulo da tal
casa, mas minha excitação já era tamanha que eu mesmo me convenci de que
estávamos completamente isolados do mundo. Isso me permitiu persuadir a Lu, que
acabou baixando a calcinha para tirá-la completamente e ficar com ela na mão. Vê-la
ainda vestida naquele top justo e sabendo-a nua sob a saia me transtornou ainda
mais. Num gesto de protagonista de conto erótico, peguei a calcinha vermelha e,
com ambas as mãos, levei-a ao rosto, respirando o odor íntimo dessa ninfeta de
corpo deslumbrante.
— Não faz isso, seu porco! Estou com essa calcinha
desde de manhã!
— Pois eu adoro, Lu. Você perfuma a xaninha, não é?
— Claro, eu uso perfume íntimo.
— Então! Ela está perfumada de sexo e flores!
— Bobo!
Ela se iluminou quando disse "bobo". Pela
primeira vez, tive a impressão de que ela estava começando a gostar. Fiz um
sinal com a cabeça, que ela entendeu prontamente, erguendo novamente a sainha,
um pouco encabulada, e elevando ligeiramente um joelho.
— Linda! exclamei, admirado com essa nova pose tão
sensual. Eu via as duas porções de coxas desnudas acima das meias e o traço
sombrio entre dois lábios claros e carnudos.
— Gostou? disse ela, olhando-me olhá-la.
— Posso chegar perto? pedi.
— Pode.
Ajoelhei-me diante dela e espalmei ambas mãos em suas
coxas, sentindo a fina textura da seda e o liso da carne firme e morna. Lu
chegou para trás e encostou-se no muro, entreabrindo ligeiramente as pernas. Olhei
para cima, sério, e vi que ela me olhava também séria. Não precisei de outro
sinal para colar o rosto entre as suas coxas. Como por reflexo, Lu ergueu uma
perna e pôs sobre o meu ombro, franqueando-me o acesso à fenda. Maravilhado,
pus-me a lamber os lábios perfeitamente depilados, separando-os com a língua e
logo provando o sabor único do fluido abundante. Lu começou a gemer para
dentro, deixando-me ouvir apenas breve expirações enquanto eu lambia o melhor
possível. Momentos depois, ela separava os lábios com as próprias mãos para me
dar acesso a um belo clitóris bem visível, que ataquei vorazmente. O contexto
fez o resto. Depois de um dia de sexo, estar ali com um estranho, um homem que
podia ser seu pai... ou seu tio, na rua, a dois passos de casa e próxima de uma
vizinhança populosa e conhecida eram fatores mais do que suficientes para levar
a excitação de Lu aos píncaros. Quando afundei o polegar na buceta encharcada e
apliquei mais pressão à língua, o orgasmo veio intenso, fazendo-a quase
arrancar-me o cabelo para colar minha boca à fenda e receber suas descargas.
Numa fração de segundos veio-me o pensamento completo
de que se ela gozasse tudo, ficaria saciada e eu iria embora frustrado, e que
portanto eu precisava inventar uma primeira posição que facilitasse as coisas. Ao
diabo com a roupa, pensei. Puxando Lu comigo em pleno orgasmo, me estendi no
chão de cimento poeirento e a fiz sentar no meu rosto. Inicialmente, ela ficou
de cócoras e se apoiou com as maõs nas minhas coxas, mas logo baixou um pouco
as meias e pôs os joelhos no chão. Sem parar de lamber-lhe os lábios agora
abertos como guelras, levei a mão à calça e mostrei que queria abrir o cinto. Interpretei
a falta reação como temor, mas não me deixei desencorajar e fui em frente,
abrindo o cinto, o zíper e baixando a cueca para expor meu membro, que eu podia
sentir verter líquido abundante.
— Nossa! exclamou a Lu, sem tocá-lo.
Eu não queria dizer nada, para que ela tomasse uma
iniciativa. Não gosto da atitude passiva da grande maioria da mulheres
brasileiras em matéria de sexo; sempre procuro estimulá-las a agir nessas
horas. Pareceu-me inconcebível que a Lu, tão nova, já tivesse adquirido o
triste hábito de se deixar conduzir 100% pelo homem. Então esperei, sem cessar
de lambê-la para levá-la ao máximo de excitação. Como nada mudasse e os segundos
fossem passando, resolvi dar um empurrãozinho. Abrindo-lhe bem a bunda pus-me a
lamber-lhe o cu, salivando-o profusamente e dando estocadinhas com a ponta da
língua no orifício. A tática logo surtiu efeito; Lu não tardou a empunhar
meu pau, empurrando-o para pô-lo na vertical enquanto eu iniciava um vaivém com
o corpo para instigá-la a pô-lo na boca. Mas em vez disso, ouvi sua voz.
— Ele é grosso e está todo molhado, disse ela, ao
expor a glande.
— Você está com nojo ou acha que não cabe?
— Não é isso, mas...
— Medo da aids? Não tenho.
— Tá legal, mas...
— Lu, você passou a tarde toda trepando e eu estou
aqui com a boca na tua buceta. Pensa bem.
— Hm...
Ela precisou de alguns segundos para tomar coragem,
mas acabou se decidindo a me conceder uma deliciosa felação, percorrendo
longamente o meu pau com seus lábios na pressão ideal.
— O do Jorginho é muito maior? perguntei, gemendo.
— O teu é mais grosso, respondeu ela, entre ruídos
salivares.
— Você chupa muito gostoso.
Precisei interromper a conversa porque Lu começou a se
concentrar e dar tudo de si, provando-me ser conhecedora da matéria. Acariciando-lhe
a bunda e as coxas, voltei a degustar-lhe a buceta enquanto ela me devorava o
pau até o talo, impressionando-me. Pouco a pouco, ela foi também perdendo o
medo e pude ouvir suas deglutições. Quanto a mim, fazia tempo que eu deixava
descer goela abaixo tudo que ela me enviava. Dane-se o Jorginho! pensei com
meus botões; ele usou camisinha. O único risco seria o da herpes e de outras
bactérias, mas se a gente for pensar em cada doença infectocontagiosa, não
trepa mais, não é mesmo?
Tudo estava tão macio e saboroso que eu poderia
ficar lambendo durante horas aqueles lábios cada vez mais intumescidos. Sou
muito resistente e costumo não correr o risco de ser pego de surpresa por um
orgasmo durante a felação. Em tese, portanto, podíamos ficar indefinidamente
ali, entregues a um 69 interminável. Ocorre, entretanto, que a Lu começou a se
comportar estranhamente, enfiando energicamente os dedos na buceta enquanto eu
a lambia. Entendi que ela queria ser penetrada, e bastava que ela avançasse e
se encaixasse em mim por si mesma, mas pelo visto, ela estava novamente com
receio de tomar a iniciativa.
— Vai até lá, disse eu, dando-lhe um tapinha no bumbum
e pondo-lhe na mão uma das camisinhas que eu sempre levo no bolso da calça,
essencialmente para o caso de masturbações intempestivas.
Ela animou-se toda, percorrendo o meu corpo e indo
instalar-se diante do meu pau. Pude sentir o calor úmido da buceta estatelada
contra a minha barriga enquanto ela desenrolava habilmente a camisinha.
— É pena ter que por isso nele, disse ela, alisando o
látex.
— É pena, mas é mais seguro. Assim você dorme
tranquila.
Erguendo-se nos joelhos como uma amazona, Lu encaixou
meu pau na entrada para deixar o peso do corpo fazer o trabalho, bem lentamente.
— Ai como é grosso! exclamou ela, num sussurro.
— Relaxa que entra bem, Lu.
Minha glande é volumosa e, de fato, forçou a entrada,
mas uma vez no interior, o tronco do membro deslizou para dentro e logo a Lu
estava sentada em minha barriga. Abri sua bunda para ver o espetáculo. Como é
excitante ver a borda da buceta esticada em toda a circunferência de um pau
grosso! Lu gemeu até adaptar-se à abetura, mas logo começou a trotar
suavemente. Assim que a senti mais à vontade, comecei a massagear-lhe o cuzinho
com o polegar, com o intuito de enfiá-lo. Ela levou a mão ao meu pulso duas ou
três vezes para tentar dissuadir-me, mas acabou desistindo, tomada pela excitação.
Com as mãos firmemente apoiadas nas minhas coxas, ela engrenou num ritmo
regular que logo a levou a um novo orgasmo, agora com meu polegar enfiado em
seu cu até a almofada da mão.
— Está gostando assim, Lu? perguntei, tremendamente
excitado por vê-la gozando e sentindo-a "morder" meu dedo.
— Ahn... está bom demais... E esse pau grossão, hmm...
Ela estava um tesão, cavalgando-me ereta com aquele
top justo no tronco delgado, a sainha arregaçada até a cintura, as meias
baixadas até os joelhos e ainda calçada, lembrando-me que estávamos em zona
pública. Somando-se a isso a precariedade do cenário, senti-me vivendo a
própria idealização da "rapidinha". Enquanto ela trotava com
dignidade, eu acariciava-lhe as costas e vez por outra erguia a sainha para ver
a bunda linda e meu pau envolvido pelos lábios tensos da buceta faminta.
Eu estava entregue a essa contemplação extática quando
um telefone começou a vibrar. Seria o meu ou o dela? Eu deixara minhas coisas
no chão e o celular dela estava sobre o estojo do meu laptop, ao lado do meu. Sem
sair de mim e sem parecer ter a mesma dúvida que eu, Lu alcançou o dela pronta
a responder.
— Oi Alê...
Pobre menina! pensei eu, visualizando uma vez mais a
garota insolente. Ela já estava com ciúmes da amiga mais velha por causa da
tarde de sexo. Se ela souber o que está acontecendo a metros da casa dela, vai
ser a ruptura!
— Ela quer ir lá em casa! sussurrou a Lu, apavorada.
— Inventa alguma coisa, respondi, só com a mímica
labial.
A situação era das mais surrealistas. Instalada no meu
pau, a Lu começou a conversar com a amiga que anseia pela iniciação sexual,
tentando dissuadi-la de ir à sua casa porque já era tarde. E a coisa perigou!
— Nada, ué! respondeu a Lu.
— (...)
— Não estou fazendo nada. Estou aqui no quarto, só
isso, mentiu ela.
— (...)
— Claro que não, Alê! Agora, depois do jantar?
— Claro que não, Alê! Agora, depois do jantar?
— (...)
— Alê, estou cansada. Vamos conversar amanhã?
— (...)
— Não fica assim, Alezinha! Amanhã a gente se fala,
tá? Beijo.
— (...)
Assim que desligou, Lu levantou-se com ar sério e
virou-se para mim.
— Que foi? perguntei, vendo meu membro colidir com a
barriga para logo em seguida manter-se a dois dedos dela, fremente.
— Ela desconfiou, sabia? disse a Lu.
— De quê?
— De nós.
— Impossível! A gente ia terminar de subir a ladeira
juntos e cada um ia para sua casa. Ela nunca iria imaginar que...
— É, mas ela só pensa "naquilo", agora,
então ela não acreditou que eu estivesse realmente em casa. Estou com
medo que ela vá para lá só para conferir. Eu vou indo.
De surrealista, a situação se tornou ridícula. Estávamos
um diante do outro, eu de membro em riste, ainda muito excitado por não ter
gozado nenhuma vez; ela com as meias abaixo dos joelhos sujos, sem calcinha por
baixo da saia, sexualmente satisfeita, mas com ar tenso, pensando em ir embora.
"Como são egoístas!" pensei com meus botões. Me aproximei para que
ela ao menos pegasse o meu pau desamparado, mas ela parecia perdida. Resolvi
forçar um pouco a barra e invadi a sainha para passar a mão entre suas coxas.
— Não! fez ela, empurrando meu braço e recuando.
— Não estou acreditando que você vai me deixar voltar
para casa assim, Lu! sussurrei, olhando desesperado para o meu sexo encapado.
— Me dá a minha calcinha... Caramba, eu nem seu teu
nome.
— Marcos, prazer, fiz eu, sarcástico, arrancando a
camisinha vazia e jogando num canto.
— Me dá a calcinha, Marcos.
— Você vai me deixar sair daqui sem gozar, Lu?
— Se a Alê descobre, eu tô fú, cara, tenta entender.
— Nem uma punhetinha? perguntei, em desespero de causa.
Ela se deteve por um instante, olhou para o céu,
suspirou e finalmente abriu a boca.
— Punheta tudo bem, mas rapidinho.
— Ah, sabe o que mais? Punheta também não quero,
retruquei emburrado, tirando a calcinha amarrotada do bolso.
— Vou voando para casa. Tenho certeza que a Alê vai
aparecer lá, disse ela, vestindo a calcinha vermelha e puxando-a pelas bordas
para ajustá-la sobre a buceta.
— Você fica um tesão com essa calcinha assim, Lu,
disse eu, fissurado, aproximando-me mais para levar a mão entre as coxas dela e
sentir a fenda através do tecido fino.
— Você é tarado mesmo, né?! Fez ela, olhando para
baixo e deixando-me acariciá-la, mas concentrada em ajustar a saia na cintura.
— Eu te dava o mundo para terminar de comer essa
bucetinha, Lu, disse eu, quase perdendo a razão e tentando agarrá-la.
— Quem sabe outro dia? A gente é vizinho, disse ela,
repelindo-me para improvisar uma limpeza dos joelhos e puxar as meias de volta
ao alto das coxas.
— Você vai me deixar louco, só isso, disse eu,
aproximando meu pau teso do seu corpo vestido.
— Isso não baixa mais não? disse ela, dando-lhe um
tapa para fazê-lo balançar.
— Fala pelo menos que gostou, Lu! implorei.
— E eu por acaso disse que não gostei? retrucou ela,
já saindo e tentando puxar-me pelo pau junto com ela.
— Pára! Não posso sair daqui assim. Já pensou se
alguém vê?
— Então tchau, Marcos. Não dá mesmo para eu ficar.
— Então tá legal, só uma punhetinha! reconsiderei,
agitado. Estou topando tudo para não me matar de desespero com essa frustração.
— Também não exagera! Você só não gozou porque não
quis.
— Porque eu achei que a gente fosse fazer muito mais.
— Mas aí a Alê ligou e você viu o que aconteceu.
— Punhetinha então, punhetinha! tornei a pedir,
horrorizado com a idéia de ter que me aliviar sozinho depois que ela fosse
embora.
— Tá legal, mas rapidinho, disse a Lu, apiedada,
tornando a empunhar meu pau que não desarmava nem por decreto.
Enquanto ela me masturbava com movimentos rápidos e
meio bruscos, eu acariciava suas costas, a nuca, o cabelo... Cheguei até a
descolar um beijo na boca e consegui passar a mão por dentro do top para
acariciar seus seios, o que me encheu ainda mais de desejo. Como eu disse, sou
resistente; eu mesmo custo a chegar ao orgasmo me masturbando. Mais um minuto
se passou e Lu foi ficando impaciente, olhando com cara de quem diz: "É
pra hoje?" Mas meu corpo estava contra mim, teimando em não deixar-se
satisfazer com paliativos. Resultado: ela desistiu.
Ela ajeitou os seios no top, deu uma alisada na saia,
puxou as meias, ajeitou o cabelo e já ia indo embora de vez, quando me ocorreu
a última cartada, a cartada dos desesperados, aquela que precede a falência
final do jogador inveterado.
— Me deixa bater uma te olhando, então.
Ela parou, se voltou, me olhou e cruzou os braços.
— Você não tem jeito mesmo. Rápido, anda!
— Mas colabora, né! Suspende a saia.
Parecia estarmos de volta ao ponto de partida, mas
agora, as diferenças eram cruciais. Lu ergueu a saia e expôs a calcinha
vermelha, mas agora, os dois lábios carnudos que ela sulcava haviam provado a
minha língua e dado acesso a toda a plenitude do meu sexo. Contemplei pela
última vez a sua bunda perfeita sabendo que agora eu conhecia intimamente o seu
sabor. Eu conhecia aquele corpo e sempre que passasse por ele na rua me
lembraria disso. Minha tensão sexual disparou frente à consciência dessa nova
realidade e o orgasmo veio, furioso, intensíssimo, diante de um par de olhos
estupefatos.
Talvez por sentimento de culpa, ela avançou
rapidamente para terminar o que eu iniciara. Sem medo, ela empunhou meu sexo
envolto em esperma abundante, masturbando-me em toda a extensão, ora com a
palma da mão para cima, ora para baixo, resvalando a glande e quase fazendo-me
urrar de prazer. Quando tudo terminou, novamente de pé à minha frente, ela
levou a mão à boca e pôs-se a lambê-la, dedo por dedo, depois as laterais e a
palma. Ela engoliu tudo de olhos fixos nos meus e foi embora deixando-me um
sorriso. Hoje é sábado, estou em casa e o único pensamento que me ocupa a mente
é o de um reencontro com a Lu.

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