Como
faço diariamente, desde que me mudei para esta cidadezinha litorânea com meu
marido que tomou asco pela cidade grande brasileira, saí hoje às 8h da manhã
para correr. Contei dezessete pessoas ao longo do meu primeiro percurso pelos
cerca de mil metros de areia fina e fresca, a maioria mães com filhos pequenos,
homens de meia-idade e nativos catando mariscos. A praia era toda minha.
É
a terceira semana, desde a adolescência, em que me sinto à vontade para correr
de biquíni. Meu corpo se desenvolveu muito cedo, portanto vi-me precocemente às
voltas com os homens e suas gracinhas, ora assoviando, ora fazendo comentários
inconvenientes. Isso me inibiu, fez-me retrair procurando maiôs discretos em
vez de biquínis bonitos e coloridos. Foi aqui, há menos de um mês e já aos
vinte e três anos de idade que tive coragem de comprar e usar biquínis que
respondem ao meu verdadeiro gosto: modernos, coloridos e bonitos, mas sem
dúvida, "minimalistas". Ainda incomoda um pouco o meu marido Jonas
que eu não vá de short por cima do biquíni, mas eu o convenço dizendo que como
não gosto de ficar parada na praia, teria que me preocupar com o short se o
deixasse na areia a cada vez que entrasse n'água. E, verdade seja dita, ele sai
para trabalhar ao mesmo tempo que eu para correr e raras têm sido as vezes em
que o nosso encontro matinal na cozinha não tenha resultado numa intensa
"rapidinha", como ele gosta, fazendo-me debruçar na mesa e até mesmo
untando-me de manteiga quando tem um desejo um pouco mais hard. Depois
disso, ele vai saltitante para o trabalho, o que prova que o incômodo causado
pelo meu biquíni é muito relativo na cabecinha do meu marido. Hoje, contudo,
ele não me procurou e saiu de cenho franzido, recomendando-me cautela. Ainda
que moremos numa cidade pacata de menos de dez mil habitantes, Jonas trouxe
consigo o estresse profissional e a responsabilidade de fazer com que toda essa
gente deseje intensamente possuir um telefone celular da marca que ele promove.
Atribuí a isso a mudança na nossa gostosa rotina matinal.
Habitualmente,
tenho corrido cerca de quatro quilômetros, o que corresponde a quatro idas e
voltas pela beira d'água. Em seguida, me banho, me bronzeio um pouco e volto
para casa para começar meu dia de trabalho de administradora de sites
comerciais online. No primeiro quilômetro, costumo contar as pessoas, depois me
concentro na música do meu leitor mp3 e me abstraio completamente da presença
humana. Hoje, contudo, talvez porque a abstinência do meu marido tenha-me posto
a pulga atrás da orelha, esqueci o aparelhinho em cima da mesa. Não dei maior
importância ao fato, mas isso fez-me ficar mais ligada ao que ocorria na praia.
Foi
no terceiro percurso que o vi. Ele estava bem afastado da praia, mas água é
rasa até cerca de cinquenta metros e a sunga de um branco resplandecente em
contraste com o corpo escuro e o mar azul chamou-me a atenção. Sempre correndo,
olhei sem virar a cabeça para não ser notada, mas percebi que ele me
acompanhava, explicitamente voltado para mim. A água chegava-lhe ao final das
coxas, quase em contato com a sunga. Cheguei à extremidade da praia e comecei
meu último percurso sentindo-me continuamente observada. Na minha cabeça, a
história se repetia: bastava usar uma roupa mais sexy ou um biquíni para que os
homens se excedessem. Tentei pensar em outra coisa, mas como ele era a única
pessoa dentro d'água, era impossível não vê-lo enquanto eu ia na mesma direção.
Resolvi então agir ao contrário do que eu sempre fizera e aproveitar a
possibilidade de olhar sem que ele soubesse. Aguçando a vista, percebi que se
tratava de um homem de mais de trinta anos, alto e robusto, a pele de um
bronzeado escuro, quase negra e o cabelo quase raspado, à moda dos que preferem
desfazer-se do cabelo a mostrá-lo. Aqui houve índios, depois fazendas com
portugueses e escravos, portanto a presença desse tipo miscigenado é bastante
comum. Mas no meu imaginário esse aspecto era um tanto misterioso e até um
pouco assustador. Sendo assim, ao passar pelo trecho mais em frente a ele,
procurei fazer-me o mais discreta possível, correndo do modo mais
"técnico" que eu conhecia, para não despertar qualquer fantasia de
natureza sensual.
Foi
em vão. Pouco
antes de cruzar a linha imaginária após a qual eu estaria de costas para ele, o
homem baixou a sunga e exibiu o sexo, que avaliei enorme porque estava
perfeitamente visível, oscilando solto enquanto o homem fazia movimentos
pélvicos com a mão na cintura. Acelerei até ver-me enfim de costas para ele,
sentindo gosto de sangue na boca, de tanto pânico. Mas a imagem do membro
imenso já não desgrudava das minhas retinas e fui com ela até a extremidade da
praia, decidida a ir embora rápido para não pensar mais no assunto.
Numa
das extremidades dessa praia há uma elevação rochosa que compõe o cantinho
eleito por mim para o banho final e os minutos de bronzeamento diário sob o sol
saudável de antes das dez da manhã. Fiz como todo dia: entrei n'água de corpo
inteiro, dei algumas braçadas e parei para olhar em volta. O homem ainda
estava lá, mas parara de me olhar. Supus que fosse porque cerca de quatrocentos
metros nos separavam. Sentindo-me segura, fiquei mais alguns minutos n'água e
fui deitar-me na areia. Fechei os olhos e meu pensamento se voltou novamente
para a manhã, em casa, o cenho franzido do Jonas, seu ar já ausente e a
excepcional ausência de libido. Ele deve mesmo estar tenso com o trabalho,
pensei, antes de ser assediada pelas imagens mais recentes, que preencheram-me
a mente sem deixar espaço para mais nada e foram completadas por uma onda
sensual que logo tomou-me o corpo.
—
Está gostoso? Uma voz grave retumbou no meu cérebro.
Lutei
contra a sonolência, venci e quando abri os olhos, focalizou-se imediatamente a
sunga branca. O homem que se exibira no mar estava de pé, ao lado ddo meu
corpo, olhando para baixo e sorrindo com os dentes mais incrívelmente brancos e
perfeitos que eu jamais vira. Ergui-me num sobressalto para sentar, mas isso só
fez aproximar-me ainda mais da sua cintura.
—
Estava gostoso? ele repetiu.
—
Como assim? respondi, zangada. Gostoso o quê?
—
A sirirca, ué! disse ele, estendendo a mão em direção ao meu corpo.
—
Olha, se você não me deixar em paz, eu grito, hein! ameacei.
—
Você estava com a mão na buceta! Está precisando de homem, disse ele, simplório.
—
Eu não estava fazendo nada disso! repliquei, furiosa, mas mortalmente
encabulada por começar a entender a natureza da sensação que me tomara momentos
antes.
—
Você estava com a mão dentro da calcinha do biquíni, passando o dedo no
grelinho. Eu vi!
—
Está bem, digamos que eu estivesse fazendo isso; o que é que você tem a ver com
isso? Eu estou sozinha aqui!
—
Nada, mas eu mostrei o pau para você e isso te deixou com tesão. Vai dizer que
não foi?
A
situação me pareceu tão surrealista, que comecei a levantar-me, decidida a ir
embora. Como ele tinha falado comigo, eu não estava propriamente com medo, mas
um certo receio me dizia que o melhor seria ir embora dali o mais rápido
possível. Ocorre que o homem estendeu a mão para me ajudar, o que desmontou
completamente a idéia do grosseirão animalesco que eu construíra até ali. Mas
ele estendeu a mão e a burra qui não aceitou, é claro! Resultado: vi-me
ajoelhada na areia com a cabeça a centímetros da sunga branca... e cheia, muito
cheia. O homem não pestanejou; baixou o elástico com o polegar e descobriu o
monstro que eu já vira à distância.
—
De perto é mais bonito, não é? fez o sujeito.
Eu
não queria, não podia dizer nada. E a verdade é que nada nos ameaçava, tudo era
propício. Não há policiamento e havia menos de vinte gatos pingados na praia,
hoje de manhã. Terminei de me levantar, mas fiquei bem perto do homem.
—
Guarda isso, anda, falei, passando a mão pelo longo e curvado tronco cor de
chocolate.
Ele
fez o que eu disse e uma barra preencheu a sunga branca, esticando-a e
afastando o elástico do corpo. Minha boca estava seca, meu coração aos pulos e
a cabeça a mil, sem encontrar solução para o meu dilema. Trair ou não trair não
era a questão; o Jonas e eu somos suficientemente inteligentes para saber que
um casamento não pode reduzir definitivamente a uma só as possibilidades de
relacionamento sexual de um homem e de uma mulher. Assim mesmo, a questão era
tripla: onde, quando e como? Se a resposta fosse "aqui, agora e sem
camisinha", eu não relaxaria e seria uma droga. Se fosse "lá em casa,
daqui a pouco, com proteção", alguém poderia ver, o Jonas poderia voltar
intempestivamente, etc. Eu também não ficaria tranquila. Eu não tinha solução,
mas estava tão excitada que minha mão foi passear sozinha pelo volume roliço
que preenchia a sunga enquanto o homem olhava francamente para os meus seios.
—
Você tem lugar para ir? Eu não tenho e não quero aqui, disse eu, aflita.
—
O que não falta aqui é lugar, a não ser que você tenha alguma coisa contra
foder no mato.
—
Você precisa falar desse jeito, é? disse eu, roçando meus dedos abdomem acima
sem tirar os olhos da massa pulsante.
—
E como é que eu tenho que falar se o que eu quero é trepar com você?
—
Está bem, já entendi. Então vamos para algum lugar porque eu já estou ficando
maluca com tanta demora, supliquei, me sentindo molhada e ansiosa.
O
homem me pegou pela mão e levou para fora da praia por um caminho de areia
entre plantas rasteiras. Nada se via que pudesse nos ocultar. À certa altura,
ele me fez caminhar na frente.
—
Que bunda gostosa tu tem, hein mulher! disse ele, aplicando-me um sonoro tapa.
—
Aiê! Não precisa ser grosso! respondi, sentindo-me ainda mais molhada.
—
Vou querer morder essa bunda e lamber o cuzinho que está escondido no meio
desse rego fundo, continuou ele, aproximando-se para me tocar.
—
Já falei que você vai me deixar louca desse jeito! Para onde você está me
levando?
— É logo ali.
A
vegetação rasteira foi-se transformando e o que eu via agora à minha frente era
o início de uma elevação com mato e árvores. O mesmo caminho embrenhava-se
no frescor de uma flora diferente, mais próxima da mata atlântica, mas de
características transicionais onde se via areia e terra. Adentrando cerca de
cinquenta metros, o homem me fez parar e puxou-me, esfregando-se contra mim. Eu
estava elétrica. Livrei-me do sutiã do biquíni e me virei para ter novamente
acesso à sunga. Vendo meus seios, o homem me puxou e colou a boca berta num
deles, sugando e esfregando a língua no mamilo como se já fosse um clitóris. Minha
mão apertava nervosamente o membro grosso, empunhando-o e puxando ainda por
fora da sunga, enquanto ele chupava-me alternadamente os seios.
—
Hum! Você é toda tesuda, loira! Não quero perder nem um pedacinho desse corpo.
—
Me dá, anda, supliquei, baixando-lhe a sunga e me ajoelhando na areia enquanto
percorria com ela suas longas coxas musculosas.
O
homem se livrou da sunga branca e me deixou descobrir com calma o que ele
estava para introduzir em
mim. Era uma serpente escura de cerca de dezenove centímetros
de comprimento por seis de diâmetro, ligeiramente encurvado para cima e com uma
volumosa cabeça descoberta e inchada. Nada sequer parecido com aquilo jamais me
penetrara. Além de miúda — tenho menos de um metro e sessenta —, sou magra,
portanto estreita de perfil; amigas minhas dizem que não entendem onde está meu
estômago. A impressão que tive foi a de que quando ele me penetrasse, eu sentiria
na barriga e nas costas a fricção do membro dentro de mim. Com senso de humor,
encostei o rosto nele; era maior que a minha cabeça da ponta do queixo ao topo.
—
Agora chupa, vai, ordenou o homem, falando sério e baixando o membro duro com a
mão.
—
Está bem, respondi, obediente, e pus me a chupar da melhor maneira que eu
conhecia, relaxando os lábios ao máximo e usando saliva abundante.
Foi
a primeira vez da minha vida que fiz sexo em local público e com um
desconhecido, portanto eu estava me sentindo corajosa, aventureira e, vendo
aquele homem tomado de desejo por mim, inegavelmente gostosa. Ali, de joelhos,
meu sexo encharcado espremido entre as coxas, eu me perguntava qual seria a
etapa seguinte. O que eu tinha na boca e entre as mãos já não tinha mais para
onde crescer, inchar e endurecer. Estava pronto para mim e eu sentia o momento
próximo. Empunhando-o com força, lambi de cima a baixo algumas vezes e quando
olhei para cima, o homem me fez levantar. Ficamos frente a frente por alguns
momentos e, para surpresa minha, ele me deu um beijo mais que ardente,
vasculhando-me a boca e sugando-me a língua.
—
Uau! Assim, logo depois de...? perguntei, um pouco espantada.
—
O pau é meu, posso chupar por tabela, foi a resposta.
Ele
então começou a baixar minha calcinha do biquíni e a tirou gentilmente,
colocando-a por cima da imaculada sunga branca. Estávamos ambos nus. Ele me fez
caminhar dois ou três passos para ir apoiar-me num tronco de árvore, agachou-se,
separou-me as nádegas com as mãos enormes e iniciou uma longa sessão de sexo
oral que me deixou entregue às baratas. Sua língua percorria-me da vagina ao
ânus com tanta voracidade que tive um primeiro orgasmo assim, abraçada à
árvore, sentindo meus seios roçarem no tronco. Pela primeira vez pude gemer e
gritar no volume que eu quis, dizer palavrões, exprimir-me com toda a
espontaneidade e sinceridade. E o homem parecia perfeitamente familiarizado com
essa forma de expressão duranto sexo.
—
Isso, gostosa, fala tudo, geme e goza para mim!
—
Me faz gozar muito, seu puto! Assim! Mhm...
De
pernas abertas e forçando o corpo para trás, eu me entreguei à boca ávida
daquele homem que me fazia sexo com a língua sem dó nem piedade, enfiando os
polegares no orifício desocupado pela língua como se dedilhasse uma ocarina ou
instrumento semelhante. Acabei literalmente sentada em seu rosto e fomos parar
no chão, onde nos entregamos a um selvagem sessenta-e-nove.
Eu
estava pronta e mais que pronta, sentindo meus lábios, meus seios e meu sexo
intumescidos. Não havia mais razão para prolongar as preliminares e meu homem
sabia disso. Deitado de costas no chão, ele me fez virar e por-me a cavalo
sobre ele. Com as mãos espalmadas em seu peito, esfreguei-me em seu membro
deitado sobre a barriga, sentindo-o deslizar entre meus pequenos lábios. Ele
então me puxou pelas coxas fazendo-me ficar de quatro por um momento, empunhou
seu sexo e o dirigiu para a minha vulva. Quando voltei a recuar, mal pude crer
na sensação de repuxamento causada pelo alargamento pela cabeça.
—
Vai me matar! exclamei, gemendo de dor.
—
Não vai entrar? ele indagou.
—
Não sei, respondi, dando um sorriso desesperado.
Ele
se deteve e me pôs sentada em suas coxas. Com a mão, ele pôs o sexo na vertical
diante da minha barriga; ele ultrapassava de longe meu umbigo e o diâmetro era
assustador.
—
É enorme, eu disse, meio assustada.
—
Mas entra sim, disse ele, seguro de si.
Tirando-me
de cima dele e pondo-me deitada de costas, ele abriu-me as pernas, entrou de
joelhos entre elas, empurrou minhas coxas para cima e para trás e cuspiu
abundantemente em minha vagina e na cabeça do pênis. Em seguida, deu uma série
de pinceladas com ela em minha fenda, olhou-me nos olhos para obter meu
assentimento e começou a empurrar lentamente. O alargamento foi mais suportável
e instantes depois, o tronco imenso começava a deslizar para dentro de mim.
—
Eu não disse? lançou ele, cheio de si.
Mas
eu estava sem voz. A sensação era tão intensa e minha excitação tamanha que eu
me contorcia já ingressando em novo orgasmo antes mesmo que os movimentos se
iniciassem. Senti um misto de languidez e agressividade.
—
Agora fode. Fode! gritei, puxando minhas coxas com força sobre o corpo.
—
Sente esse pau gostoso entrando na buceta.
De
fato, a sensação não tinha fim; era como se uma serpente mitológica estivesse
invadindo-me pela vagina. E a sensação de dilatação era indescritível. Como eu
ainda acreditasse ser possível controlar alguma coisa, pus a mão no tronco
maciço, mas só pude acompanhar sua entrada até o fim, até nossas coxas se
tocarem, as dele por cima, as minhas por baixo, e eu ver-me a centímetros da
boca daquele homem, que mais uma vez veio procurar a minha. Eu estava
completamente imobilizada pelo corpanzil que pesava sobre meu para manter-se
encaixado nele.
Foi
então que, num lampejo, veio-me pela segunda vez um instante de lucidez. Desgrudei-me
da sua boca e olhei aterrorizada dentro dos seus olhos.
—
A gente esqueceu!
—
Que foi, mulher?
—
Camisinha!
Ele
sorriu um sorriso imenso, exibindo a dentição de marfim, perfeita, e
desembestou num vaivém vigoroso e rápido.
—
Camisinha é pra criança, mulher! gritou ele, fazendo-me sentir toda a extensão
do seu membro mergulhar profundamente em mim.
—
Estou... ahn... falando sério... balbuciei sem convicção, desejando tudo e mais
ainda e caminhando para um novo orgasmo, agora poderosíssimo.
—
Dá nada não, loira! Já fodi muito nessa vida e nem gonorréia eu peguei.
Ele
esmagava meus seios com o peso do corpo sobre minhas coxas. Eu podia sentir seu
membro colidindo em minhas paredes internas, mas a excitação pela fricção
vaginal era tamanha que fui lançada numa sucessão de orgasmos que foram
tornando o meu corpo num órgão integralmente sexual. Vez por outra, ele saía de
mim e vinha dar-me o pênis encharcado a chupar. Minha vagina então começava a
retomar a abertura normal, mas ele logo voltava à carga nas mais diversas
posições. Acabei vendo-me novamente a cavalo e sendo, desta vez, capaz de
empalar-me até sentar-me completamente. Ele me possuiu de lado, de quatro, de
pé e trepada nele, agarrada em seu pescoço...
A
idéia do sexo seguro agora atravessava-me o espírito como os aviõezinhos de
propaganda atravessam a praia de Copacabana. Será que não era importante,
diante do prazer que aquele homem me dava? Eu já podia morrer feliz? Acho que
sim. Homem nenhum me fez sexo tão intensa e tão longamente como ele. A
impressão que eu tinha era de que ele não precisava de orgasmo, que era uma
máquina de dar prazer. Quando ele me dava o membro a chupar, dizendo
"agora mama" e enterrando-o em minha boca, eu me preparava para o
encerramento, conformada, mas não, ele queria apenas lubrificar a ferramenta
para prosseguir melhor na prospecção sem fim à qual ele se entregara. E ele me
comia contra a árvore, de costas, depois de frente erguendo-me uma coxa, depois
outra, depois ambas. E o orgasmo não vinha, como se não existisse para
ele. Em dado momento, novamente no chão, empalada em seu colo e de
frente para ele, que se recostara no tronco da árvore, resolvi arriscar a
pergunta, acariciando seu peito forte.
—
Você... não goza nunca? Não precisa gozar?
A
resposta veio sob forma de gesto. Puxando-me bem junto a si, ele precorreu
minha coxa com a mão e foi mergulhar profundamente um dedo em meu ânus.
—
Ai, filho da puta! Isso dói! protestei, tentando detê-lo com uma mão e socando-lhe
o peito com a outra, séria pela primeira vez desde a praia.
—
Só gozo aqui, mulher. O resto é fraquinho pra mim.
Para
que é que eu tinha que perguntar se ele não gozava? Gelei, emudeci e não tive
como desconversar. A verdade é que era mais do que tempo, para ele, de chegar
ao tal orgasmo. Entendi a tática: ele faz sexo como um deus, leva a mulher ao
orgasmo mil vezes e assim a impede de negar o que quer que seja. Euzinha,
acostumada às dimensões humanas do meu maridinho Jonas, me vi a milímetros de
ser demolida pela máquina mortífera daquele semideus tropical que, de fato, não
me deu tempo nem de pensar numa estratégia. Substituindo o dedo pela cabeça do
monstro, ele me mandou sentar, relaxar o orifício e soltar pouco a pouco o peso
do corpo. Ele me deixou no comando, mas visivelmente não admitiria uma
desistência.
Nada
indicava que aquilo pudesse entrar em mim, mas entrou, e quando chegou ao fim,
me senti presa naquele homem por um gancho que se afundava em minhas entranhas,
sem coragem de me mover. Com as mãos em seus ombros, olhando para ele nos
olhos, eu tentava hipnotizá-lo para que ele também não se movesse. Ele então
pousou as mãos em minhas coxas, agarrou-as e começou a mover-me não para baixo
e para cima, mas para frente e para trás. Vi-me cada vez mais empalada nele,
até que não havia mais nada separando o anel esticado do meu ânus da pele
flexível do saco dele. Eu conseguira acolher integralmente o monstro em meus
intestinos e o sentia por dentro, ereto e duro.
—
Agora é contigo, mulher, disse ele.
—
O que é que eu faço?
—
Sobe e desce. Quero gozar.
—
Dentro?
—
Dentro.
Não
havia o que discutir. Eu era o peixe fisgado, a foca arpoada, e para sair do
anzol ou do arpão, eu ia ter que rebolar, como se diz. Vendo-me hesitante, o
homem levou uma mão ao meu clitóris e pôs-se a estimulá-lo, esfregando bem. Isso
reacendeu a excitação em mim e me animou a fazer o que ele queria. Apoiei-me em
seus ombros e elevei-me um pouco, apenas para testar o atrito. Era o limite do
suportável, mas era suportável. Iniciei então um curto trote e isso começou a
animar meu selvagem. Usando meu líquido vaginal para lubrificar seu membro, ele
me permitiu ir ampliando o movimento até que uma boa porção do arpão monstruoso
entrava e saía de mim. Quando eu levava a mão atrás para apalpá-lo, mal podia
crer na rigidez contra os meus dedos. Contudo, acabei atingindo o resultado
esperado e consegui até mesmo ficar quase de quatro sobre seu corpo para que
ele empreendesse a série de estocadas que o levariam ao orgasmo, proeza que só
consegui masturbando-me continuamente para distrair-me do repuxamento e do
atrito. Quando veio enfim o orgasmo monumental, o homem arqueou o peito, arfou
e, desferindo mais um sem número de curtas estocadas bruscas, ejaculou dentro
de mim, tornando-me uma espécie de lago viscoso e quente dentro do qual seu
membro deslizava agora com bastante facilidade. A masturbação levou-me a um
outro orgasmo quase simultâneo ao dele, aniquilando-me as forças e fazendo-me
desmoronar sobre seu corpo. Ele pôde então desfrutar desse meu momento de
inação para esvaziar o resto de conteúdo em meu reto com longos golpes finais. Procurando
a minha boca, ele colou seus lábios aos meus, procurou a minha língua, mas eu
já não tinha mais forças para nada.
Quando
ele saiu de mim, senti-me literalmente um trapo, um corpo frouxo e incapaz de
sair do chão. Descansei por alguns momentos enquanto, com a mesma gentileza
inesperada, meu homem abriu-me as pernas para lamber-me copiosamente os
orifícios, aliviando o ardor do atrito com uma saliva morna e viscosa. Em
seguida, ele vestiu-me a parte de cima do biquini, estendeu-me a parte de
baixo, repôs sua sunga branca e ajudou-me a levantar-me. Passáramos cerca de
duas horas naquele caminho de areia dissimulado pela vegetação.
Ao
chegar de volta à praia, eu quis contemplar a beleza da paisagem. Quando olhei
para o lado com a intenção de agradecer pela mais louca aventura da minha vida,
meu desconhecido da sunga branca não estava mais lá. São cinco da tarde, Jonas
está para chegar e é interessante e inovador ter essa certeza de que agora
tenho um segredo para com o meu marido.

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