Assim que passei para o primeiro semestre de
engenharia na UERJ, em 2013, comecei a procurar nos quadros de avisos alguém
com quem rachar apartamento. Fazia
tempo que eu queria sair de casa e a ideia de morar com um(a) colega de curso
logo passou a me parecer importante. Por sorte, encontrei um lugar no final do
mês de março e, no início de abril, eu me mudava para o décimo andar de um
prédio em São Cristóvão ,
com vista para o campus! Nesta primeira semana de abril de 2015, me mudei para
outro apartamento, agora em Botafogo, com a minha namorada, mas ter passado os
dois anos do básico no apartamento de S. Cristóvão foi a coisa mais certa que
fiz até hoje. Isso mudou completamente os rumos da minha sexualidade e é sobre
essa experiência que quero escrever. Meu nome é Carlos.
Eu não me considerava calouro porque já tinha cursado
três anos de Letras, ainda que à toa. Adoro escrever, mas a área humana no
Brasil é tão fraca que a gente nem se sente estudando, e como eu vinha do
ensino militar, precisava de rigor e profundidade. Aos vinte e três anos, meio
geek, mas bom jogador de frescobol e vôlei de praia, fui recebido com simpatia
pelo anunciante do apartamento, na lanchonete do nono andar.
Embora alto e corpulento, Bóris me pareceu muito mais
jovem que a maioria dos caras de vinte e um anos. O rosto imberbe, de um
bronzeado dourado típico dos louros, lhe dava uma aparência de adolescente. Mas
ele logo se mostrou maduro e sério em relação ao apartamento, explicando-me
alguns dos seus hábitos e preferências. Basicamente, ele passava a semana
sozinho, mas a namorada ia para lá nos fins de semana. Na época, eu estava sem
namorada, mas como eu ainda tinha (e tenho) o meu quarto na casa dos meus pais,
eu poderia facilmente deixar o apê para eles se quisessem ficar mais à vontade.
O Bóris gostou muito dessa flexibilidade minha porque geralmente, quem procura
apartamento mora em outra cidade e passa muitos fins de semana no apê. Ele me
convidou a ir lá no mesmo dia para visitar e eu gostei muito; era um
quarto-e-sala claro todo mobiliado e equipado — tinha até máquina de lavar —,
espaçoso, com uma cama de casal no quarto e um sofá-cama confortável na sala,
destinado ao colocatário. As janelas davam vista direta para a UERJ. Era
possível até ver algumas das salas de aula que eu frequentava. O ótimo preço
pesou ainda mais na minha decisão e um aperto de mão selou o compromisso. Dias
depois, no início de abril de 2013, eu me mudava para lá com uma mala de
livros, outra de roupa e meu inseparável laptop.
O dia-a-dia com o Bóris era divertido. Logo descobri o
cara descontraído e bem-humorado, que dormia nu e tomava café pelado,
tête-à-tête comigo, na nossa mesinha de um metro quadrado. Embora eu não fosse
completamente careta, meus hábitos eram diferentes, mas ele não me criticava
por isso e não mudava os seus. Ele não demonstrava o menor constrangimento de
parar na minha frente para conversar, muitas vezes com a mão nas "partes",
que ele depilava completamente porque, dizia ele, se é para ter dez pentelhos,
é melhor não ter nenhum. Aos poucos, fui gostando de ver aquele corpanzil nu
zanzando pelo apê e não tardei muito a começar a praticar sozinho até que, uns
dois meses depois, surpreendi o Bóris ao surgir na cozinha para preparar e
tomar o café da manhã tão nu quanto ele. Demos boas gargalhadas nesse dia.
Mas preciso voltar atrás um momento porque logo no
primeiro fim de semana, fiquei conhecendo a namorada do Bóris, e isso foi um
evento importante. Ela se chamava Bianca — Bibi — e logo me pareceu ser uma
menina de muito bom nível, educada com desinvoltura. Ao contrário do Bóris, era
a carioquinha típica, morena de cabelo ondulado até os ombros, olhos castanhos,
sensual no vestir... e gostosa, muito gostosa, os peitinhos e a bundinha
devidamente valorizados pela roupa. Me lembro que esse primeiro fim de semana
não foi dos mais fáceis, porque choveu muito e ficamos os três em casa, mas
isso nos permitiu travar conhecimento e conversar muito, o que foi positivo. Bibi
passou os dois dias lá e isso trouxe um pouco de delicadeza e ao ambiente tão
masculino. Saímos os três para fazer compras e, com a ajuda dela, preparamos
verdadeiros banquetes!
E assim, uma rotina saudável foi-se estabelecendo, com
muito estudo durante a semana e bons momentos de descontração aos sábados e
domingos. Às vezes, sem abusar, eu aceitava o convite do Bóris para ir com ele
e a Bibi à praia, à pizzaria, tomar um chope ou ir dançar. Outras vezes, eu
ficava em casa quando eles não estavam ou ia para a casa dos meus pais quando
sentia que eles gostariam de ficar sozinhos. Meu início de período básico me
ocupava com centenas de derivadas e integrais para resolver, o que não me
deixava muito tempo para pensar em arrumar namorada, mas eu não estava infeliz
com isso e queria me dedicar aos estudos.
Alguns meses se passaram sem nada digno de maior
atenção. Bóris viajou com a Bibi em julho e eu fui para a casa de praia da
minha família, em Arraial do Cabo. As aulas recomeçaram, o segundo semestre
logo mostrou ser muito mais puxado que o primeiro e o Bóris, embora mais novo
que eu, já havia ultrapassado o básico e me ajudava bastante, sobretudo com a
geometria analítica e a eletricidade. Foi numa dessas sessões de estudo que ele
entrou com uma estranha conversa, que vou tentar reproduzir. Era bem tarde,
estávamos sentados à mesa com os livros e cadernos abertos quando ele parou e
olhou bem para mim.
— Carlos, você gosta de mulher, não gosta?
— Gosto, claro. Por quê? respondi, intrigado.
— Você repara na Bibi?
— Na Bibi, tua namorada?
— É. Você acha a Bibi gostosa?
— Bom, não dá para não achar, né!
— Hum..., fez ele, pensativo.
— O que é que está pegando, cara? Estou voando!
— Você está aqui nesse fim de semana?
— Se vocês não precisarem do apê...
— Não, não... A Bibi vem, mas não é isso...
— Desembucha, pô!
O Bóris olhou para a mesa, brincou com a caneta,
depois jogou o corpanzil para trás, dando um suspiro.
— É o seguinte: ontem a Bibi me disse que te acha
"interessante".
— "Interessante"...
— Na língua dela, isso significa atração; ela está com
tesão em você.
— Ai, ai, ai... Isso é bom ou ruim?
— Não é bom nem ruim, é recaída.
— Recaída de quê? Vocês já brigaram ou se separaram
por isso e depois voltaram?
— Não é bem isso, Carlos. É que... Pô, como é difícil
explicar assim!
— Tenta, senão a gente não sai mais daqui hoje, haha!
— Bom, lá vai então.
(...)
O Bóris então me contou em que circunstâncias conheceu
a Bibi, e isso me fez vê-lo sob um novo prisma. Menino bonito, louro de olhos
azuis e feições delicadas, ele entrou na adolescência desencadeando paixões por
todo lado, inclusive as masculinas, e não se privou de nenhuma delas. Quando a
Bibi o viu pela primeira vez, ele estava atracado com um cara, aos beijos, mas
longe de repeli-la, isso a atraiu, e ela o conquistou dizendo que gostava dele
exatamente por esse aspecto andrógino e bissexual. Encantado pela beleza dela,
o Bóris embarcou na relação aos dezesseis anos. Mas nem tudo são flores porque
a Bibi passa por fases de intensa atração por heterossexuais. E como se não
bastasse, o primeiro a saber é sempre o Bóris porque ela costuma se sentir
atraída por amigos dele e se abre com ele. Para ele, isso é como uma
"recaída" porque ele acaba tendo desejos, quando não dando vasão a
certas fantasias em encontros da namorada com
esses straights ocasionais.
— Mas isso não é bom para você? Por que é que você
quer virar hétero se sempre foi bi? perguntei seriamente.
— Carlos, eu namoro a Bibi há mais de cinco anos e sei
que ela me ama, mas sou eu que corro o risco de ficar a fim de um cara desses,
terminar com ela e ficar sem nenhum dos dois. É isso que eu quero evitar, para
que a gente não fique infeliz. Cada aventura dela é como derrubar um vespeiro,
para mim.
— Entendo. Isso acontece muito com ela?
— Umas quatro ou cinco vezes por ano. No começo, ela
dava uns beijos, depois passou para uma ou duas trepadas, mas não passava
disso. O que complica é que às vezes ela quer o carinha na nossa vida, dia e
noite com a gente, e isso é uma tortura para mim porque eu fico louco para
transar com os caras também, mas são héteros, então rola humilhação, tipo
"eu deixo você pegar" ou "eu deixo você
chupar" e, é claro, nem passa pela cabeça deles perguntar o que me dá
prazer. No início não era tão ruim, mas agora, ela já curte caras bem mais
velhos que a gente, e às vezes é duro não poder nem chegar perto.
— Pelo menos não sou um desses! soltei, tentando
aliviar o clima com humor.
— Não é um dos que humilham ou dos mais velhos?
— Pensei na idade, respondi, meio sem jeito.
— Quer dizer que se rolasse alguma coisa entre a
gente, você também ia dizer eu deixo você isso ou
eu deixo você aquilo?
— Claro que não, mas sinceramente, nem sei te dizer se
rolaria alguma coisa entre a gente.
— A Bibi só fala em você e está doida que o fim de
semana chegue.
— Você está me deixando nervoso, cara! É melhor eu não
ficar, nesse fim de semana.
— Tá, mas você não vai poder fugir sempre. Você mora
aqui, nós somos amigos e ela está interessada em você.
— Que tal a gente continuar o papo amanhã, Bóris? Vamos
dormir, que é tarde, e amanhã a gente pensa em alguma coisa.
— Tudo bem, mas eu precisava te preparar porque no fim
de semana, a Bibi vai estar contando com isso. Ela gosta do jogo aberto: topo
ou não topo. Se você disser que não quer, ela vai te evitar e...
— E eu teria que acabar saindo do apê por causa do
clima.
— Como já aconteceu uma vez.
— Isso não é justo, concorda?
— É, não é justo, mas é assim.
— Bom, vamos dormir e eu prometo que dou uma resposta
amanhã ou na sexta.
— Valeu, cara.
— Euh... só uma coisa... Você não está a fim de mim
não, né?
— Relaxa, cara, não.
Como a natureza é sábia! A primeira coisa que me veio,
ao adormecer, naquela quarta-feira, foi como um grito de "ACORDA!"
dos mais eloquentes. Eu estava diante da eventual possibilidade de ter a
primeira experiência bissexual da minha vida sem ter que abdicar da minha
heterossexualidade! A Bibi desejava um hétero e graças à sua mentalidade
avançada, a integração do Bóris na brincadeira não implicaria a
"releitura" do hétero como homo. Eu sairia do jogo melhor do que
quando entrei: um macho orgulhoso daquilo que tem entre as pernas e, de quebra,
de horizontes ampliados! Me lembro de ter dormido como um anjo, com o
"sim" na ponta da língua, prontinho para sair no café da manhã da
quinta-feira.
Encontrei o Bóris na cozinha, fazendo café, pelado
como em toda manhã. Ele já havia posto a mesa e eu era encarregado do resto:
torrar pão e pegar manteiga, queijo de Minas e geleia na geladeira. Seu
tratamento não mudou, mas involuntariamente, as coisas tinham mudado para mim. Aquele
corpo nu não era mais um corpo igual ao meu porque tinha estado com homens. O
Bóris não entrara em detalhes, na véspera. Que mais ele teria feito além de
beijar: chupado, dado, comido? Pela primeira vez, me peguei olhando para o
corpo dele de um outro modo, meio às escondidas, como quando se olha um cara de
bunda mais lisa ou empinada no vestiário da escola ou da academia.
Eu já disse
que o Bóris era liso de pêlos, mas tenho dito que ele era grande, corpulento. Quero
tentar descrevê-lo melhor. Ele tinha cerca de um metro e oitenta, cabelo curto
louro e a pele sempre bronzeada, mas não era malhado e não tinha corpo
atlético. Ele era, por assim dizer, "carnudo", sem ser gordo ou ter
barriga. A sensação, ao toque, era de que a derme dele era mais espessa e
esticada que a minha. Isso certamente indicava que ele estava a caminho de se
tornar gordo, mas aos vinte e um anos, praticando esporte, nada transparecia no
físico além dessa textura meio "fofa" da carne. O animal que me vem à
mente quando eu penso no Bóris é um porco, um leitão, mas apenas por ser cheio
e de modo algum por ser gordo, se é que o leitor me entende! Fim da digressão.
Como eu disse, me peguei olhando para o corpo do Bóris com outros olhos. Aliás,
vou reformular: me peguei olhando para o corpo do Bóris, coisa que eu não
fazia; vivíamos nus pela casa e nem percebíamos mais isso. Pela primeira vez,
aquele corpo completamente liso me chamou a atenção e eu procurei discretamente
olhar para ele, especialmente as coxas e a bunda. Sendo na frente, o pau era
visível a toda hora, mas com toda a sinceridade, não me despertava a menor
curiosidade, a não ser pelo fato de que o Bóris depilava os poucos pelos que
brotavam no saco, porque acima era liso como bumbum de bebê. Mas a bunda era
bem feita e saliente devido à acentuada curvatura das costas. Ao prestar
atenção, descobri que ela formava dois vincos realmente sensuais com as coxas e
me passava a mesma sensação que eu tenho diante de uma bela bunda feminina. Quanto
ao resto, peito, barriga, pés, rosto, francamente, não me despertava nada. A
verdade é que, na iminência de dizer "sim" a uma eventual situação a
três, procurei no Bóris elementos que eu procuro nas mulheres.
— E aí, cara, pensou? perguntou ele, assim que nos
sentamos para comer.
— Pensei, e a resposta é sim.
— Tem certeza? Posso falar com ela, então?
— Eu não tenho nada a perder, Bóris. Você é que
deveria dar um basta nisso.
— Já tentei, mas a Bibi diz que pira se não tiver um
hétero de vez em quando, e não quer fazer isso escondido de mim com estranhos...
— Porque ela te ama.
— É isso aí.
— Vou ter que dizer "amigo é para essas
coisas" porque a parte em que você entra pode exigir muita amizade mesmo! Aposto
que vários caras não toparam por isso.
— Todos toparam, mas os mais escrotos conseguiram me
manter à distância, só isso. Era o mais duro, porque eu me sentia levando
chifre.
— Eu te prometo que a gente vai dar um jeito de evitar
isso.
Bóris ligou para a Bibi depois do café da manhã e eu
pude ouvi-la do outro lado, exultante, tentando fazer com que ele gostasse da
idéia. Ele não me pareceu nada entusiasmado, mas estava satisfeito por ser eu o
amigo da vez.
— Ela ficou toda contente, disse ele, dando um sorriso
conformado.
— Ela vem amanhã?
— É, amanhã à noite.
— Amanhã eu saio cedo da facu. Pode deixar que eu
compro cerveja e tira-gosto.
— E camisinhas, disse ele em tom sarcástico.
— Sabe o que me deixa mais nervoso, nisso tudo?
— Fala.
— Não saber como começar. A Bibi vai chegar e eu não
vou saber o que fazer.
— Relaxa. A gente vai conversar normalmente, ouvir
música, comer e beber. Só bem tarde, eu vou para o quarto com ela e a gente vai
te chamar quando chegar a hora.
— Uau! É tudo esquematizado assim?
— Levou tempo, mas com a prática, ficou assim. Sempre
que os caras se obrigavam a tomar iniciativa, era horrível para todo mundo, daí
a gente inventou essa maneira. A gente chama e quando cara chega no quarto
pouco iluminado, já com várias cervejas e caipirinha correndo nas veias, tudo
fica tranquilo.
— E você fica junto?
— Eu fico junto. A Bibi nunca me deixou sair de perto
quando ela está com um outro cara.
— Bóris, cara, vai ser a coisa mais diferente de tudo
que eu fiz até hoje.
— Então te prepara porque vai ser intenso. E agora eu
vou me vestir porque eu tenho uma aula cabeluda daqui a pouquinho.
— Eu vou nessa também. Não perco a aula da gostosa de
Resmat II por nada nesse mundo!
Não me lembro mais do que fiz, além de ir às aulas,
para relaxar até a sexta à noite, mas uma coisa é certa: cuidei do corpo. Na
banho final, me barbeei, aparei a virilha, raspei o saco e caprichei na
higiene. O Bóris também gostava de estar limpo e apresentável para receber a
Bibi. Quando ela chegou, por volta das nove e meia da noite, tínhamos baixado a
luz da sala e posto um disco do Sigur Rós. Ela me cumprimentou normalmente, mas
senti que os beijinhos no rosto foram mais íntimos, como se ela estivesse feliz
por saber que eu sabia do interesse dela e do que estava para rolar. Preparei
caipivodka, depois passamos para a cerveja, comendo, conversando, ouvindo
música e até dançando um pouco. Estávamos tendo uma noite muito agradável.
Como a Bibi se sentia de casa, não ficamos o tempo
todo colados ou só na sala, mas à certa altura, por volta das onze e meia,
percebi que ela e o Bóris estavam sozinhos no quarto há vários minutos, então,
relaxado pela cerveja e pela descontração da noite, acabei indo até lá para dar
uma espiada. Pela porta entreaberta, vi os dois se beijando, a Bibi deitada na
cama e o Bóris ajoelhado no chão com a mão dentro do short dela, que gemia
baixinho enquanto ele parecia masturbá-la profundamente e cochichar coisas que
eu não conseguia ouvir. Do lado de fora, eu assistia me perguntando se devia
entrar ou esperar que eles me chamassem. Decidi voltar para a sala, mas não
precisei esperar muito. Instantes depois, eu ouvia a voz do Bóris.
— Carlos, chega aí!
— Estou indo, respondi, meio timidamente.
Quando cheguei ao quarto, a Bibi estava de bruços
conversando baixinho com o Bóris, que continuava sentado no chão, agora fumando
um cigarro. A cintura fina e a blusa curta muito aderente destacavam
a bunda gostosa da Bibi, cujas polpinhas surgiam das bocas do short. Entrei
com naturalidade e fui me sentar na cama, perto deles.
— Fica aqui com a gente, Carlos, disse ela, lânguida,
se virando de lado, pondo a mão na minha coxa e me fazendo carinho no sentido
dos pelos.
— Vocês já estavam aqui há um tempinho. Eu não queria
atrapalhar.
— A gente já namorou um pouquinho, né Bi, disse o
Bóris olhando para ela com jeito maroto.
— Ai, gente, está tão gostoso aqui, só nós três!
Bibi disse isso já puxando o Bóris para beijá-lo e
levando a mão até o alto da minha bermuda. Não havia dúvida de que era o sinal.
O beijo se prolongava propositadamente para que eu tomasse uma inciativa. Sem
pensar muito, abri a bermuda sem evitar a mão da Bibi para que ela percebesse o
meu gesto e comecei a acariciar sua coxa, invadindo o shortinho e tocando a
bunda. Em segundos, nossas respirações ficaram audíveis e ficou óbvio para mim
que o Bóris sabia que o processo havia sido desencadeado, mas graças ao álcool,
isso não me intimidou.
Quando o longo beijo acabou, o Bóris viu a mão da Bibi
na minha bermuda aberta, olhou para mim sorrindo e tirou a camisa. Eu fiz o
mesmo e, num gesto quase telepático, nós nos voltamos para a Bibi como quem
diz: "Agora é tua vez!" Ela se virou de frente, sentou na cama e fez
que sim para mim. Tirei gentilmente a blusa dela pela cabeça e o Bóris soltou o
sutiã, que ela manteve no lugar com as mãos. Eles então se entreolharam, ele
assentiu sorrindo e ela retirou as mãos levando o sutiã com elas e exibindo
dois seios lindos, redondos e pesadinhos, com os bicos elevados e já bem
despertos. Olhei maravilhado por alguns instantes e assim que ela se deitou,
fui beijar e chupar um deles enquanto acariciava o outro, sentindo o mamilo
rígido entre os dedos.
Enquanto eu alternava entre os seios e a boca da Bibi,
sentindo as ideias vagas e o corpo entorpecido pela bebida, o Bóris se levantou
e tirou o short dela, deixando-a só de calcinha. Assim que me dei conta disso,
deixei que a minha mão deslizasse pelo corpo dela até entre as coxas, e senti
pela primeira vez o relevo da buceta através do tecido fino e úmido. Bibi gemeu
forte e chamou o Bóris, que sentou ao lado dela já completamente nu e
ofereceu-lhe o pau a chupar. Foi a primeira cena impressionante da noite. Eu só
tinha visto isso em filmes e clipes de internet, nunca a dois palmos de
distância. Olhei um pouco, observando como ela devorava o pau do namorado
deixando-o ir tão longe que uma elevação se formava em sua garganta, depois
livrei-a da calcinha e comecei a me ocupar da buceta, passando os dedos entre
os lábios e descobrindo o clitóris, miúdo mas bem visível, e o orifício aberto,
de forma irregular, mas de modo algum deformado. Um dedo entrou facilmente, mas
a reação foi imediata: Bibi começou a mover a cintura. Fiz alguns vaivéns e
constatei o quando ela estava excitada. O interior estava quente e liso, e meu
dedo voltava encharcado.
— Vem, Bo... pediu ela, gemendo muito.
Bóris deu a volta e foi meter nela na posição
papai-e-mamãe enquanto ela me fez a clássica mímica de que queria chupar. Como
eu era o único que ainda tinha roupa no corpo, me levantei para me desfazer do
resto. De pé vendo a cama de cima, o contraste entre o corpanzil do Bóris e a
Bibi me pareceu descomunal; ela desaparecia embaixo dele! Eu só via suas pernas
envolvendo as dele e a cabeça de fora. Assim que fiquei nu, ela me chamou.
Enquanto ela mamava gulosamente, o Bóris, sem parar de meter, começou a passar
lascivamente a língua em seu rosto, a centímetros da boca ocupada com o meu
pau.
Mesmo "alto" por causa da cerveja, me lembrei das confidências
que ele me fez dois dias antes e me preparei psicologicamente para evitar
sustos. E de fato, momentos depois, percebi que aquela língua masculina me
tocava de vez em quando, muito sutilmente, quando a Bibi recuava. Por sorte — foi
assim que interpretei a coisa, naquele ponto —, a Bibi decidiu que tinha
chegado a hora do seu "momento hétero". Ela parou de me chupar,
cochichou alguma coisa bem baixinho no ouvido dele e deu-lhe um tremendo beijo
molhado, que ele retribuiu sem o menor asco, muito pelo contrário. Não havia
mais dúvida, concluí ali, o Bóris era bissexual.
Assim que ele saiu de cima dela, a Bibi atacou
vorazmente as minhas bolas com a boca, me masturbando e me acariciando as
coxas, a barriga e o peito. Logo percebi que o tratamento dispensado a mim era
diferente, mais vigoroso, que o que ela dava ao Bóris. Ela me chupou mais um
pouco, depois nos beijamos e ela se pôs de quatro na cama, a bunda voltada para
fora. Vendo essa posição, meu gesto instintivo é o de espalmar a mão no final
das costas da mulher e encostar o polegar no cu enquanto pincelo a buceta com o
pau para lubrificar. Esse toque provocou na Bibi um tesão que me pareceu fora
do normal. Assim que pressionei um pouco o dedo, ela gemeu forte e parecia que
ia desabar.
— Não pode tocar nesse cuzinho que ela desmonta. Né,
Bi? brincou o Bóris, sentado na cama de frente para ela.
— Mete, Carlos... Isso está me deixando doida,
suplicou ela.
— Viu só? disse o Bóris, olhando para mim e passando a
mão pelo cabelo da namorada.
Assim que a cabeça do meu pau passou, a Bibi jogou o
corpo para trás e colou a bunda na minha barriga, soltando um gemido longo que
mais parecia um suspiro de alívio, como se ela estivesse ansiando por um macho
há um tempão. Não precisei mais do que isso para iniciar um vaivém forte,
enterrando a cada vez o meu pau até o talo e fazendo um barulhão de coxas
colidindo enquanto olhava extasiado para a cintura fina e a curvatura das
costas da Bibi, que davam à bunda uma forma deslumbrante. Logo engrenamos num
ritmo que, associado ao estímulo do cu pelo meu dedo e à fricção do clitóris
pelos dela, foi levando a Bibi às estrelas.
Eu estava viajando na Bibi quando senti um peso nos
ombros e uma mão me dar tapinhas no peito. Era o Bóris, exultante, com uma
cerveja na mão e me abraçando com a outra, o flanco colado ao meu. Era a sua
forma de me agradecer. Bibi olhou para trás, rindo e meneando a cabeça sem
parar de gemer. Bóris me fez beber da cerveja dele e brincou de me ajudar a comer
a Bibi, empurrando-me pela cintura. Eu nunca havia permitido que outro cara me
tocasse tão lá embaixo, mas dadas sa circunstâncias e o efeito da cerveja,
deixei para lá. Estava gostoso meter na Bibi e o astral era de pura harmonia;
não havia por que estragar isso. Quando o Bóris resvalou a mão na minha bunda
para empunhar o meu saco, eu estava pronto para ingressar no sexo a três.
Em termos de tesão, tudo muda com um terceiro
integrante. As sensações se desdobram, se estendem pelo corpo a partir de vários
pontos em vez de um ou dois. Meter na Bibi enquanto o Bóris acariciava o meu
saco me fez desejar instantaneamente que uma foda fosse sempre assim e quando
ele se sentou no chão para lamber a buceta da namorada enquanto eu metia nela,
chupando meu pau quando escapava do buraco, concluí que aquilo era
indispensável. Bóris ficou em torno de nós, estimulando um e outro com mil
mãos, seus toques mudando ao sabor das nossas posições. Quando a Bibi quis
sentar no meu colo, de costas para mim, ele lhe deu de mamar, depois
ajoelhou-se para chupar-lhe os seios, a buceta e lamber-me as bolas. Quando ela
se virou de frente para mim, ainda no colo, para me beijar enquanto eu a
penetrava profundamente, ele nos empurrou com jeito, deitando-nos com ela por
cima de mim para lamber-lhe o cuzinho e prepará-la para uma DP, depois meteu
nele com voracidade. "Meus dois machos", gemeu a Bibi, espremida
entre nós.
À medida que a nossa transa a três progredia, com
curtas pausas de cada um para beber e mastigar algo, observei que uma
intimidade absoluta nos unia e tornava qualquer contato perfeitamente natural. Aos
poucos, com a alternância das posições, esbarrar no pau um do outro foi se
tornando mais frequente e o Bóris passou a repor meu pau na buceta da Bibi nas
posições mais complicadas. Eu sentia meu pau empunhado e reposto para dentro,
às vezes uma chupada intensa, meu saco acariciado, um toque nas coxas, um tapinha
na bunda, etc.
O gesto franco e explícito veio quando voltei da sala
com outra cerveja e encontrei o Bóris ajoelhado no chão e devorando a buceta da
Bibi, deitada na cama com as pernas escancaradas, maltratando os seios e
entregue a mais um orgasmo. Notei que ele se empinou todo assim que sentiu
minha presença e não pude deixar de ficar impressionado com a perfeição da
bunda dele naquela posição, toda lisa, o sombreado do cu entre os dois gomos
brancos. Fiquei por um momento assistindo de pé, por trás dele, à cena de sexo
oral, curtindo mais um orgasmo da Bibi e olhando aquela bunda espetacular
balançando na minha frente. De repente, ele vira para trás e me olha como se
dissesse: "Pô cara, se solta!" Eu olhei para a Bibi e tive cabeça
para pensar que talvez ela ficasse decepcionada se eu fizesse alguma coisa com
ele, já que ela procurava héteros. E se tudo mudasse no momento em que eu
encostasse no Boris com intenção sexual? E se ela perdesse o interesse por mim
e passasse a me ver como outro bi? Ela iria certamente à caça de outro hétero.
Decidi não fazer nada, mas cada vez que eu baixava os olhos e via aquela bunda
incrível, o tesão disparava. Um hétero penetra e a bunda do Bóris era não só
penetrável, como tinha uma forma mais sensual que a de muita mulher. Ele sentiu
quando eu decidi em mim não tocá-lo naquele momento de total franqueza da sua
parte, mas fez como se nada fosse e continuou de bom humor.
A mesa da sala, nossa mesinha de um metro quadrado,
era emblemática na casa. Nós fazíamos as refeições, estudávamos e conversávamos
nela. Nada mais tentador do que comer a Bibi ali, e foi o que propus, já quase
às duas da manhã. Confortavelmente debruçada, apresentando-nos a bundinha mais
linda do mundo, Bibi gemia enquanto nos alternávamos ora na buceta, ora no
cuzinho bem lubrificado de KY. Senti que era hora de dar uma boa gozada, depois
de muito me conter, e arranquei a camisinha para dar vasão aos meus jatos que
inundaram as costas morenas da Bibi. O Bóris, mais sortudo que eu, teve direito
a se esvair no rostinho dela enquanto eu a comia mais uma vez no colinho,
sentados no sofá-cama.
— Estou com inveja, falei, vendo-a às voltas com o
esperma que ele empurrava para a sua boca.
— Agora engole tudinho, Bi, pediu o Bóris.
— Ai, não gosto! disse ela, de boca cheia.
— Mas vai engolir para o Carlos ver.
— Está bom então, fez ela, engolindo ruidosamente,
estalando a língua e mostrando a boca vazia enquanto trotava no meu pau.
Naquela altura, precisávamos de um bom banho e cama. Bibi
nos puxou pelos paus até o banheiro e entramos juntos no box. Demos banho nela,
ensaboando a dois o seu corpo todo, demorando nos seios, na buceta e na bunda,
sem perder a chance de chupar e linguar tudo uma última vez e de fazer a DP
saideira com a Bibi agarrada ao pescoço do Bóris e descendo lentamente pelo meu
pau para fazê-lo entrar todo em seu cuzinho ardente. Depois disso, e um último
orgasmo da nossa princesa, ela nos deu banho, lavando com as mãos e com a boca
os nossos apêndices, saliências, dobras e reentrâncias, com profusão de
chupadas e carícias. Quando tudo parecia terminado e os três lavados e
cheirosos, ela olhou para nós dois e começou a falar, acariciando nossos paus
amolecidos.
— Meninos, estamos nos divertindo há horas e eu achei
a nossa noite incrível. Carlos, você sabe que eu curto ficar com caras héteros
de vez em quando e foi maravilhoso realizar isso com você. Mas eu devo o
sucesso desses encontros ao Bóris e sei que muitas vezes ele deixa de fazer o
que gosta para me agradar. Hoje, acho que foi melhor porque você tirou umas
casquinhas do Carlos, não foi, Bo?
— É, foi legal porque você é bem solto, disse ele me
olhando com simpatia.
— Me soltei aqui e com vocês; não sou assim não! Mas
foi super legal.
— Bom, mas deixa eu continuar, retomou a Bibi. O Bo
foi tão sensacional que deveria ter direito de realizar a fantasia que ele
quisesse, hoje. O que você acha, Carlos?
Eu não tinha argumento ou razão para negar. E afinal,
eu só não tinha feito nada com o Bóris por medo que a Bibi ficasse decepcionada
comigo. Minha resposta veio quase imediatamente.
— Não tenho como negar.
Na mesma hora, o Bóris se curvou e abocanhou meu pau
com muita gula. Bibi me olhou sorrindo, deu uma piscadela e me beijou na boca
enquanto acariciava a cabeça do namorado. Quando a minha excitação voltou e a
ereção foi total, ele se levantou e virou de costas, colando o peito na parede
de ladrilho e olhando para trás par oferecer-me a bunda molhada. Pela primeira
vez, pude satisfazer sem receio o meu desejo reprimido de passar a mão na bunda
tão gostosa do meu amigo. Bibi espalhou sabonete nela e levou minha mão até o
rego para que eu tocasse no cu do namorado. Bóris gemeu quando afundei um dedo
nele, oferecendo-se ainda mais, flexionando um pouco as pernas para ficar da
minha altura. Bibi pôs uma camisinha no meu pau e o dirigiu para a entrada,
depois ficou acariciando a minha bunda enquanto eu metia. Os gemidos do Bóris
soaram como uma mistura de prazer e alívio, como tinham sido os da Bibi da
primeira vez que a penetrei. Fiquei muito excitado vendo meu pau desaparecer
entre os dois gomos daquela bunda branca e tão lisa.
— Eu acho a bunda do Bo linda, comentou a Bibi,
constatando o meu tesão.
— É gostosa como bunda de mulher, acrescentei, incapaz
de evitar as gafes de hétero.
— Não é isso que eu queria ouvir, Carlos! gemeu o meu
amigo.
— Tá, desculpa: é uma bunda gostosa de homem. Satisfeito?
— Agora sim, disse ele, levando a mão atrás para tocar
no meu pau em movimento.
Eu estava disposto a masturbar o Bóris, mas quando o
toquei, notei que ele não tinha ereção enquanto eu o penetrava, então não
insisti. Meu orgasmo foi tão intenso que a Bibi ficou espantada e curiosa para
ver o conteúdo da camisinha. Quanto a retirei, ficamos os três de olhos
arregalados diante da quantidade, até porque não fazia muito tempo que eu tinha
gozado, na mesa, com a Bibi.
— Você gozou mais com o Bo do que comigo!
— Sei lá, mas foi muito mesmo, respondi, admirado.
— Bo, nada de dar para o Carlos todo dia, hein! Você
só pode fazer com ele na minha frente! E você, Carlos, se começar a querer
comer o Bo, eu procuro outro!
— Pode deixar, Bibi. Vamos ser fiéis a você. Né, Bóris?
— É, Bi, relaxa. Foi só porque você pediu.
— Sei!
E todos rimos a valer. Feliz ou infelizmente, a
realidade é mais complexa, e o que aconteceu foi que, morando como Bóris,
acabei entrando de cabeça no bissexualismo, namorando normalmente, mas sem
deixar de transar frequentemente com ele. Embora hoje em dia eu tenha a certeza
de que isso foi a melhor coisa que podia ter me acontecido e que foi graças a
esse casal incrível, durante esses quase dois anos, que encontrei minha
sexualidade definitiva, a Bibi acabou se desencantando do trio e recomeçou sua
busca insaciável por héteros. A consequência foi que tive que deixar o
apartamento e hoje estou aqui, escrevendo a minha história no apartamento que
estou rachando com uma namorada. A pergunta que tem sido recorrente em minhas
reflexões é: será que ela vai ser a minha "Bibi"? Só o tempo dirá.

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