35. Uma Semana Para Pensar
Tendo em mente a proposta feita por Kleber,
Aninha se dá uma semana para tomar uma decisão, o que lhe deixará uma semana
livre para preparar a entrevista com Max, caso opte por ir em frente. Ela explora
Copacabana, Ipanema e Leblon, vai à praia em horários variados, passeia no
calçadão, abre uma conta em outro banco para onde transfere suas economias, faz
compras, mantém contato com a mãe e a irmã mais nova, e, através das redes
sociais, com seus ex-clientes mais gentis. A solidão não a incomoda tanto quanto
ela supunha quando pensava na eventualidade de estar só. O telefone, o
computador e a televisão são bons companheiros, sem contar as dezenas de
janelas por onde ela acompanha a vida dos vizinhos da Av. N. S. de Copacabana. Depois
das nove da noite, ela passa cerca de uma hora explorando essa vizinhança tão
diferente daquela que ela conheceu no subúrbio e, nos últimos tempos, em Cabo Frio. É
precisamente enquanto ela está absorta em sua viagem noturna pela vida alheia
que ela recebe uma chamada inesperada, quinta-feira à noite.
— Ai não! Ele não! exclama ela, em voz alta,
olhando o mostrador do telefone.
Ela resolve não
atender e escuta o recado.
"Oi Ana, é o
Gabriel. Mudou de Cabo Frio, hein! Fiquei sabendo. A Steph está puta da vida
porque você acabou com a loja. A gente chegou da França na segunda. Eu já
estava de saco cheio. Ah, eu trouxe uma coisa para você. Bom, não adianta ficar
falando sozinho… me liga. Estou no Rio até segunda. Fui."
A entonação e o
estilo do rapaz lhe pareceram um pouquinho menos bruscos. O convívio com a
francesa serviu para alguma coisa, conjetura Aninha, ainda com o telefone na
mão, mas decidida a não ligar de volta para não reatar esse contato que lhe
joga na cara as suas origens. Ela liga a televisão, mas os programas são tão
ruins em todas as emissoras que ela logo desiste e abre o laptop. Mal a máquina
começa a captar o wi-fi, o Skype acusa a presença de vários dos contatos que
ela tem refeito.
— Mário, Jorge, Renildo,
Edmar, Célio… Os tarados de carteirinha estão todos no Skype a essa hora da
noite, e com a família toda em casa! murmura ela, impressionada e sorteando um
deles para clicar no botão de convite a uma vídeochamada.
— Aninha?! Que
surpresa boa, gata! Que bom te ver!
— Oi Edmar. Tá
fazendo o quê no Skype a essa hora, meu filho? Matou a família e enterrou no
quintal, é?
— Hahaha! Para com
isso, menina! A mulher está para a casa da sogra, em Magé, com as crianças. Você
está no Rio? Vem para cá!
— Esqueceu que eu
não tenho carro?
— Não, esqueci que
você não mora mais aqui, nesse fim de mundo. Virou bacana!
— Que nada! Estou
dando um tempo, mas começo a trabalhar logo, logo. Mas e você, estava fazendo o
quê aí?
— Adivinha, gata!
— Nem preciso. Só na
caça, né?
— O que é gostoso é
para se dividir, não é mesmo, linda? gaba-se ele com voz de conquistador
barato, baixando a câmera.
— Ele está
bonitinho! exclama Aninha, reconhecendo o sexo do ex-cliente grosseirão mas
sempre simpático.
— Não pago mais por
sexo, Ana. Depois que descobri isso aqui, mulher é o que não falta.
— Ah é? Quer dizer
que se eu ficar na pior, nem posso te procurar? brinca ela.
— Não, com você é
diferente. Sempre vou quebrar o teu galho, haha!
— Ah, agora quem
quebra o galho é você? Entendi!
— Pois é, gata,
aprendi a valorizar o "material", né, retruca ele, acariciando o
membro ereto voltado para a câmera.
— Sei!
— Mas vamos brincar,
menina, propõe ele, exibindo-se sem o menor pudor. "Ele" está com
saudades desse corpo gostoso!
— Ah, não estou
muito a fim disso não, Edmar. Depois fico toda acesa e não tem ninguém para
apagar meu fogo.
— Se eu pudesse,
pegava o carro e ia aí, mas é tarde e amanhã eu trabalho cedo.
— Eu sei, gato. Vou
te deixar aí com as gostosas. Beijo.
— Outro, minha linda.
"Não pago mais
por sexo, Ana!" faz ela, imitando voz de homem e já fechando a tampa do
laptop, entediada. A verdade é que ela está se sentindo carente, mas não de
sexo com clientes nem da servilidade do Gabriel. Ela está sentindo falta do
namorado, Rômulo, que ela deixou para trás como se a coisa mais fácil do mundo
fosse romper uma relação que estava dando certo. A imagem do rapaz alto e
louro, de feições bonitas e sorriso meigo invade a sua mente preenchendo-a
toda. Ela torna a pegar o telefone.
— Ana?! ele
responde, surpreso e feliz, imediatamente após o primeiro toque.
— Sou eu.
— Pensei que você
nunca mais fosse ligar. Você está bem?
— Estou sim. Estou
num apartamento do Kleber, no Rio, em Copa.
— Eu não sabia ao
certo onde você estava, mas imaginei que fosse o Rio. Eu…
— O que foi?
— Eu penso em você
todo dia, Ana.
— Eu fiz muita
besteira, fui burra, estraguei tudo. Foi uma pena.
— Tudo bem, Ana. Não
vamos mais pensar nisso.
— A butique fechou
mesmo?
— Está toda montada,
mas de portas fechadas.
— O Gabriel ligou. A
Steph voltou.
— Eu sei. Eu não ia
dizer nada, mas ela ligou para mim pedindo explicações. Eu disse a ela que me
ia me demitir de qualquer maneira por causa da faculdade.
— Quer me ver?
— Você diz…
— Agora.
— Ah! Quero, quero.
Me dá só um tempinho.
Minutos depois,
Rômulo aparece na tela de Aninha, pelo Skype.
— Oi, faz ele,
acenando a mão com jeito inocente.
— Oi. Você está
lindo.
— Você também. Estou
sentindo falta. De tudo.
— Eu também. Você
tem saído?
— Como sempre, mas
não estou com ninguém.
— Não mente, Rômulo!
Nem uma transadinha?
— Não, juro.
— Gracinha, diz ela,
comovida.
— O que você tem
feito? Já arrumou emprego?
— Estou arrumando. Acho
que vou virar secretária de um diretor na empresa do Kleber.
— Uau! Que legal!
Subindo de vida!
— É. E você?
— Até que foi bom
dar um tempo no trabalho. Estou precisando me dedicar mais à faculdade.
— E quando é que
você vem ao Rio?
— Ainda não sei, mas
estou para ir. A gente pode se ver?
— Eu adoraria! Você
podia ficar aqui em casa.
— Sério? Então por
mim está combinado! Estou com saudades. É estranho chegar no quarto, lá no
fundo, e não ver mais nada teu.
Na tela do
computador, Rômulo vê Aninha afastar-se e abrir a blusa.
— Hmm! Demais!
sussurra ele, levantando-se e também se afastando de sua câmera.
— Usando o short da
loja, hein!
— É, comprei um
monte de coisas de lá.
— A gente tinha um
bom desconto! lembra ela, levantando-se também.
Eles fazem um longo
strip-tease, depois voltam a sentar-se. Rômulo se masturba vendo Aninha
acariciar-se e penetrar-se com os dedos. Ele disse a verdade, não saiu com
ninguém desde o dia em que ela deixou Cabo Frio às pressas, portanto seu desejo
é grande.
— Que saudade dessa
bucetinha linda!
— Ela é que está com
saudade desse pau gostoso, responde Ana, acompanhando a lenta masturbação
enquanto esfrega o clitóris e geme.
— Vou gozar para
você.
— Então goza muito
lembrando da gente.
Apontando o membro
para cima, ele faz uma última série de movimentos enérgicos e começa a ejacular
fartamente no peito e na barriga enquanto Aninha, de costas e bem curvada,
exibe-lhe a linda bunda e os lábios vaginais, virada para trás para olhá-lo
durante esse orgasmo magistral.
— Uh! Que tesão, Ana!
— Se melou todo! Deixa
um pouco para eu ver. Não limpa ainda não.
— Está legal,
assente ele, olhando para as pequenas poças que logo se desfazem para seguir as
leis da gravidade.
— Se eu estivesse
aí, te lambia todo e deixava "ele" limpinho.
— Eu sei. Eu adorava
quando você fazia isso. E sabe do que é que eu estou sentindo muita falta
também?
— Fala.
— Do teu cuzinho.
— Sério? Por que
você não falou logo?
Aninha volta a dar
as costas para a câmera e separa bem as nádegas fazendo pulsar o orifício no
centro do sulco.
— Caramba! Assim
você me faz querer bater outra!
— Aproveita! exclama
ela rindo, mas já voltando a sentar-se.
— E você, já saiu
com alguém aí?
— Só com o Kleber. A
gente foi ao restaurante e dançar.
— E depois…
— É, rolou, mas com
o Kleber é só para aliviar mesmo. Ele transa bem, mas acho que ele curte mais
homem que mulher.
— É, você me disse
que ele é bi. Bom, que mais? faz o rapaz, procurando assunto.
— A gente já está
falando há um tempão, Rômulo.
— É, vamos desligar,
então. A gente se fala amanhã?
— Só se você ligar
para mim. Ainda não tenho salário, esqueceu? diz ela, sorridente.
— Haha! Eu ligo,
pode deixar. Tchau, encerra ele, formando um beijo com a boca.
— Tchau, diz ela,
fazendo o mesmo.
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