33. Poderoso Mar
Caminhando pela Avenida N. S. de Copacabana,
Aninha se lembra do tempo em que ela tomava o ônibus lotado no subúrbio e
viajava durante quase uma hora e meia de pé para vir à "praia dos
gringos" com as suas amigas Leiliane e Sandra. Era preciso saber lidar com
os tarados de plantão para não provocá-los quando porventura se excedessem em
algum assédio mais ousado. Quantas vezes ela teve que suportar calada a
presença asquerosa de algum deles cochichando obscenidades em sua orelha
enquanto o sentia excitado esfregando-se nela até começar a arfar como um
cágado que copula, até o orgasmo. E ai dela se protestasse! Ela se lembra dos
casos em que isso acontecia com outras; o animal proclamava em altos brados que
a "safada" estava quase nua por baixo da canga e não queria assumir
as consequências do seu poder de sedução. Invariavelmente os passageiros
tomavam o partido do macho, olhando para ela com reprovação. Quando o ônibus
atravessava o tunel da Av. Princesa Isabel e uma longa faixa de bruma
azulada e radiante se tornava enfim visível, Aninha era invariavelmente
assaltada por uma intensa euforia, inexplicável porque aquele não era o seu
mundo e porque no fim do dia ela tomaria de volta aquele ônibus cheio de homens
suarentos que a veriam como um mero corpo no qual aliviar suas pulsões animais.
Voltando ao
presente, caminhando pela avenida movimentada, Aninha olha em direção à
Atlântica, em busca do mar e a cada vez, ele está lá, traço de união entre dois
prédios. Ela observa as pessoas vestidas nas mais diversas roupas e acredita
distinguir os cariocas de praia, os cariocas de interior e os não cariocas. Ela
pensa também saber distinguir a mulher e o homem de Copacabana, com seu jeito
descontraído e bohêmio, dos demais, que lhe parecem mais "patricinha"
e "mauricinho", ou tijucanos, ou explicitamente suburbanos, como ela
desejaria nunca mais parecer.
Aninha sempre gostou
de ver passar por ela pessoas de roupa de banho. No subúrbio sem mar em que ela
morava não se faz isso; no máximo um short curto ou uma minissaia. Ela observa
um grupo de jovens que vem em sua direção. Duas meninas muito bonitas, de cabelo
comprido, minúsculos biquínis de marca que realçam suas formas caminham lado a
lado com três rapazes descalços e vestidos unicamente de sunga. Um deles, que
parece irmão de uma delas, repara em Aninha, pousa o olhar em sua camiseta sem
mangas, no short de lycra que ela reconhece ser muito justo, e lhe dá um breve
sorriso maroto. Ela percebe que ele olha para trás quando ela passa, mas sem
mais; isso a delicia. Ela se lembra de Rômulo, o namorado que ela deixou para
trás, malicioso e educado como o menino que acaba de passar por ela, e seu
pensamento voa por um momento até Cabo Frio. O que é que ele estará fazendo?
pensa ela. Não há telefonemas seus registrados no celular. Será por respeito ou
por vontade de esquecer o mais rápido possível? Eles fizeram amor intensa mas
tristemente na véspera da sua ida para o Rio. Ela se lembra que as marcas em
seu pescoço e seios o impressionaram e revoltaram, mas não havia o que fazer
contra uma gangue perigosa como a do Ernesto e aquela gente da orgia na
cobertura. Sentindo-se começar a submergir, Aninha repele o assédio das
lembranças e volta à agitação simpática da N. S. de Copacabana.
Entrando na
Figueiredo de Magalhães, não é difícil encontrar o comércio para abastecer o
apartamento. Mas antes, Aninha entra numa padaria onde servem café da manhã no
balcão, além de sucos, pastéis e salgados. Ela se acomoda num banco giratório e
muito alto, faz seu pedido a um servente magro e branquelo que não tira os
olhos dela e pede "pão na manteiga" e café, que ela come observando o
vaivém incessante. Além do que parece ser a clientela habitual, há pessoas que
vem da praia com fome e sede. Assim como fazia na butique, em Cabo Frio , ela presta
atenção nos jovens como ela que entram de roupa de banho para tomar suco e
comer pastéis. São seus modelos, seus exemplos. As meninas lhe parecem
absolutamente conscientes de seus corpos, sempre ajeitando o cabelo e ajustando
o biquíni sobre as marquinhas, mas fazem com que esses gestos pareçam a coisa
mais natural do mundo. Quanto aos rapazes, eles a fazem rir ao lembrar-se da
sua tia Deisimar com seus protestos contra o surgimento do "sungão",
que os deixa tão vestidos. De fato, não há muito que ver, a não ser a beleza
dos rostos e corpos, e a musculatura dos mais "malhados". Sua patroa
Stéphanie dizia que o sungão é tirado de um modelo tradicional americano, na
verdade pouco menos que um short porém de tecido elástico. Aninha percebe que
as poucas sungas tradicionais, de lateral muito estreita e bojo
"indecente" quando vestidas no homem são agora utilizadas por
quarentões e até cinquentões. Ela conjetura que eles provavelmente não quiseram
aderir à nova moda e que sempre tiveram o hábito de usar a sunga pequena, isso
para não mencionar que a sunga pequena presta-lhes também um grande serviço. Ela
sabe que a maioria dos rapazes atuais, dentre os quais seu namorado Rômulo, não
teriam coragem de ir à praia vestidos em sungas tão pequenas, mas ela também
reconhece que eles não precisam disso. Quando ela sai da padaria, percebe que
são precisamente os homens mais velhos que mais reparam nela e que seus olhares
sedutores são perfeitamente coordenados com a retração da barriga e um certo
avanço da pélvis que põe mais ainda em evidência a proeminência arredondada que
eles têm entre as pernas. Isso a diverte mais do que excita porque confirma a
sua convicção de que quanto mais velho é o macho, mais necessidade ele tem de
afirmar-se pavoneando-se e mostrando atributos que ele próprio já não julga
mais tão fiáveis quanto antes.
Os homens que vêm no
sentido oposto a encaram de longe e passam por ela prontos para olhar para
trás. Alguns passam em silêncio, outros fazem um elogio, chamando-a de linda ou
de gostosa. Outros trocam comentários com um amigo com quem caminham. Os jovens
também olham, muito, mas comentam menos, a não ser os de "baixo
nível". Aninha não pode deixar de sentir-se sexualmente desejada, já nesse
seu primeiro passeio. Isso só facilita as coisas e a deixa segura de que poderá
conseguir o que quiser assim que começar a se mobilizar para trabalhar.
Depois desse café da
manhã frugal mas instrutivo, Aninha encontra o supermercado e compra o
necessário para se alimentar durante dois dias. No setor de legumes, ao deparar
com pepinos grandes e bem feitos, ela se dá conta do quanto está excitada por
sentir-se tão olhada e, embora não goste de pepinos, escolhe aquele que lhe
parece mais bem feito e adequado. Ela sabe que toda mulher olha para esses
legumes faliformes com segundas intenções. Pepinos, abobrinhas, cenouras,
certas beringelas e até milhos são propícios ao prazer solitário, e a mulher de
qualquer idade é muito criteriosa ao escolhê-los. Aninha os sopesa, empunha,
acaricia até encontrar o que lhe convém, um belo exemplar ligeiramente curvado,
com cerca de vinte centímetros de comprimento por cinco de diâmetro e
extremidades bem lisas e arredondadas. Este é o dildo mais prático porque pode
ser consumido depois e evita a coleção de "brinquedos" em gavetas de
mesa de cabeceira, encontráveis por amigos, familiares e intrusos. A única
desvantagem é que não vibram, mas Aninha está longe de uma real carência
sexual; o pepino servirá mais como distração num momento de folga do que como
substituto a machos de difícil acesso.
Ao chegar em casa,
impregnada da sensualidade das ruas, a primeira coisa que ela faz é livrar-se
da roupa e ir para a cozinha guardar as compras, com exceção do pepino, que
fica sobre a pia. Finda a arrumação, ela o lava e vai para a sala, sentando-se
com uma perna sobre o braço da poltrona. Ela passa o pepino pelos mamilos, que
enrijecem ao seu contato. Em seguida, ela o faz roçar levemente o sexo, por
fora da calcinha fio-dental perfeitamente ajustada aos grandes lábios, sentindo
um suave arrepio. Sua respiração começa a tornar-se longa e ela se sente
relaxar profundamente com esse carinho íntimo. Ela leva o pepino à boca,
passando-o nos os lábios, como ela gostava de fazer com o belo membro ereto do
seu namorado Rômulo, depois lambe-o e o põe na boca, sentindo-o deslizar pela
língua. Enquanto isso, sua mão trabalha por dentro da calcinha, sentindo a
vulva encharcar-se pouco a pouco e lubrificar-se, iludida, pronta para receber
um pênis. Aninha agora chupa esse membro imaginário levando-o ao fundo da boca
e orgulhando-se de retirá-lo todo molhado sem ter experimentado a menor náusea.
O vaivém produz uma saliva consistente que o lubrifica por completo, e a
felação o aquece à temperatura de um membro real. Aninha mergulha na fantasia,
deixando-se assaltar por imagens do passado. Curiosamente, é um episódio dos
mais sumários que vai emergir do seu já bem abastecido estoque de lembranças.
Certa vez, na volta do trabalho, seu
primeiro emprego de vendedora, ainda no subúrbio, ao desembarcar do ônibus e
caminhar pela calçada, ela avistou um carro parado numa das esquinas. À medida
que ela foi se aproximando, notou que o motorista estava de calça aberta,
masturbando-se lentamente. Como era próximo de um ponto final, ele deve ter
concluído que aquele era um bom ponto de "caça", pensou Aninha. À
medida que ela ia se aproximando, ela o via melhor, sentado quase de frente
para a janela do carona. Era um carro esporte, caro, muito baixo, o que tornava
impossível ver o condutor, cuja tática devia ser a de esperar que mulheres
passassem para usar o exibicionismo como isca. Naquele dia, Aninha se
aborrecera na loja e estava propensa a fazer alguma pequena loucura que a
distraísse. Ela se inclinou para ver o rosto do tarado do carro e, pela
expressão e sorriso, avaliou que devia ser apenas mais um riquinho entediado
sedento por uns momentos de emoção antes de voltar para casa na Zona Sul, onde
talvez uma esposa e duas filhas lindas e bem tratadas o esperassem. Ela entrou
no carro como se fosse a pessoa que ele estava esperando. Sem se acanhar, o
homem pegou sua mão e pôs imediatamente sobre o sexo que latejava, muito grande
e duro, fora da calça. "Chupa",
disse o desconhecido, mal dando atenção às lindas feições da jovem ao seu lado.
Aninha curvou-se sobre seu colo e ali mesmo, deu-lhe o que ele queria, sem se
incomodar em fazer o produto do orgasmo descer pelo membro e encharcar-lhe a
roupa. Quando tudo acabou, o homem apontou para a porta com o queixo e
convidou-a a sair sem oferecer-lhe sequer um cigarro para tirar o mal hálito. Isso
a desagradou, mas acabou por distraí-la e relaxá-la. Foi a primeira vez que
Aninha concedeu uma felação a um completo estranho.
Ao começar a
rememorar esse episódio já tão longínquo, Aninha puxara automaticamente a
calcinha para o lado e passara a masturbar-se com os dedos, massageando
gentilmente o clitóris, lambendo e mordendo os lábios. As imagens vão
deixando-a muito molhada e pronta a acolher o pepino que ela escolheu para o
seu prazer. Enquanto passa a extremidade mais arredondada na fenda para
lubrificá-lo naturalmente, ela avalia o seu tamanho; ele se compara sem dúvida
aos maiores que ela já usou. Colocando a outra perna sobre o braço da poltrona
para ficar na posição mais confortável possível, ela pincela com ele o
entrelábios, passando-o entre eles como o membro que judia da mulher no momento
em que a avidez chega ao pico. A cortina entreaberta deixa ver uma faixa de
janelas do prédio em frente, e isso só amplifica a sua excitação. Afastando um
pouco o pepino, Aninha nota um fio de fluido lubrificante que o liga à vagina;
ela está pronta para ele. Trazendo as pernas ao máximo para junto de si, ela
pressiona a extremidade do pepino contra o orifício, que se expande, apto a
recebê-lo. Excitada, Aninha esfrega o clitóris com mais vigor, sentindo-se a
caminho do que será certamente um orgasmo explosivo. A masturbação solitária
tem a vantagem de poder culminar com toda a espontaneidade, o que multiplica
por muito a sua intensidade. Quando o diâmetro total do pepino enfim a penetra,
Aninha geme, dividindo-se entre a masturbação, carícias nos seios e torções nos
mamilos completamente intumescidos. "Fode a minha bucetinha, fode!"
sussurra ela, iniciando um vaivém da pélvis e imaginando-se possuída por um
homem. Ela fecha os olhos e se entrega a um novo devaneio.
Para surpresa sua, é Gabriel que surge na
tela da mente, debruçado na poltrona, penetrando-a com muito desejo e
dizendo-lhe coisas eróticas. Ela conhece o seu corpo, que ela viu por inteiro,
da janela de sua casa no subúrbio, quando ele decidiu mostrar-se nu trocando
uma lâmpada do quarto ou algo no gênero. Seu membro escuro e longo pareceu-lhe
apetitoso e ela se lembra que o desejou, mas logo tirou a idéia da cabeça
porque tinha outros projetos em mente. Contudo , sua presença virtual a excita e,
de olhos fechados, é como se ela sentisse Gabriel alargá-la e penetrá-la com
seu membro poderoso. Um vaivém intenso e regular combinado à masturbação e à
privacidade vão levando-a inexoravelmente ao orgasmo, que se desencadeia num
coquetel de sensações que levam Aninha às lágrimas. "Me fode, seu puto!
Larga essa francesa e me fode, Gabriel!" geme ela, surda à revelação que
emerge das suas palavras. Seu sexo se inunda, acolhendo confortavelmente o
volumoso membro fictício manejado por ela. Os espasmos se sucedem provocando
choques que se irradiam pelas pernas, fazendo-as chutar o ar como se alguém
martelasse as rótulas. Aninha direciona o pepino para que ele se esfregue nas
paredes vaginais, explorando com ele as suas entranhas, introduzindo-o
profundamente nela, deixando-o lá por um momento, soltando-o e observando-o ser
expelido, em seguida afundando-o novamente com força até deixar apenas uma
extremidade arredondada e verde despontar do orifício contraído. Ela resfolega, quase engasga e diz impropérios
enquanto dá as últimas estocadas fortes antes de abandonar-se na poltrona,
saciada e exausta, sentindo a onda do orgasmo ir morrer lentamente nas
extremidades do seu corpo.
Ao reabrir os olhos, uma sensação de
desperdício e inutilidade atravessa a mente de Aninha, mas ela a bane
justificando-se com o argumento da tensão gerada pela nova guinada na vida. Ela
se levanta, lava o legume quente e amolecido que tem nas mãos, coloca-o na
geladeira e caminha indolente para o banheiro, soltando um "Uh!" e
atribuindo ao mar o clima erótico do seu novo mundo.
Comentários
Postar um comentário
Comente! Ajude a aprimorar o Erotexto!