3.1 Segundo Mergulho
Nos dias
subsequentes ao meu fim de semana com Tiago, estive pouquíssimo receptivo aos
avanços da minha mulher; eu diria até um tanto impaciente no que diz respeito
ao sexo conjugal. Eu estava obsessivamente voltado para a sexualidade masculina
e nem um pouco tolerante para com os eternos anseios de orgasmos apoteóticos
que toda mulher desenvolve em relação às famosas "preliminares". Minha
obsessão pelo falo elevou-se a uma potência exorbitante, as imagens das horas
que passei com Tiago desfilavam sem cessar na minha mente, eu me masturbava
furiosamente e não concebia frequentar outro trecho de praia que não aquele
onde o grupo do futevôlei se encontrava diariamente. Mas, afinal, conciliar
outro fim de semana em que minha mulher e minha filha estivessem na casa da
praia com a disponibilidade de um dos garotos de programa acabou se revelando
ser coisa das mais complicadas. Ora elas viajavam quando Henrique ou
Jorge — eu estava determinado a limitar-me a eles — não apareciam, ora eles estavam
na praia quando elas haviam resolvido ficar no Rio. Isso acabou durando semanas e semanas, a tal
ponto que cheguei a perder as esperanças de dar prosseguimento ao projeto de
elucidar a origem do meu súbito interesse pelo falo.
Foi numa fresca
tarde de inverno, em pleno mês de julho, que a sorte voltou enfim a sorrir-me. Uma
vez mais sozinho no Rio, eu resolvera ir ler num banco do calçadão e mal
comecei a folhear as primeiras páginas quando alguém sentou-se ao meu lado. Era
Tiago. Muito amavelmente, ele me disse que sentira a minha falta durante
aquelas semanas todas e que, embora me visse, ficava sem jeito de abordar-me
quando eu estava acompanhado. Conversamos um pouco e acabei encontrando uma
maneira delicada de dizer que eu gostaria de ter uma experiência com outro dos
rapazes, citando o Henrique como exemplo. Para felicidade minha, Tiago e ele se
entendiam muito bem, haviam até sido namorados numa certa época e,
independentemente disso, transavam com certa ragularidade porque Henrique, um
apreciador dos membros avantajados, não conseguia privar-se por muito tempo do
singular atributo do seu amigo. Eu ri e perguntei se ele conseguiria um
encontro entre nós. Sem dizer mais nada, ele me deu as costas e desapareceu no
tumulto do calçadão.
Quinze minutos
depois, Tiago voltou com o Henrique, que me cumprimentou timidamente. Para
espanto meu, ele estava todo vestido: tênis, bermuda, camiseta larga e boné. Ele
me explicou que só fora ao "escritório" porque tinha clientes
agendados, mas era friorento e estava achando o dia desagradável. Nós rimos e
perguntei se ele podia me encaixar num horário. Era impossível para aquele dia,
a não ser que ele pudesse chegar tarde da noite aqui em casa. Respondi que
estava bem para mim e ele me disse para estar preparado para recebê-lo por
volta das 3h da manhã, senão mais tarde, depois de um programa. A sexta-feira é
o dia mais intenso porque as pessoas têm o sábado para repor as forças. Ele ia
para um apartamento onde haveria uma festa. Pensei durante alguns instantes, ponderando
o fato de que estar com um garoto de programa depois de um "programa"
não era das coisas mais animadoras, mas acabei aceitando porque eu não via
outra oportunidade como aquela. E, afinal — pensei com meus botões — quando se
encontra um desses rapazes, pouca diferença faz se seu último programa foi a
dez minutos ou a seis horas do nosso; eles vivem disso e não são algumas horas
a mais que vão deixá-los mais "limpos". Henrique me pareceu asseado e
seu rosto saudável e bem disposto me inspiraram confiança. Obviamente, ele não
deixava de ter o que eu chamo de "olheiras de sexo", mas não eram
acentuadas e só contribuiam para enriquecer o contexto. Como Tiago sabia meu
endereço, não tive que me preocupar com essa informação e fiquei de receber
Henrique à hora que fosse, em plena madrugada. Voltei para casa pensativo,
imaginando o que mais eu descobriria sobre minha sexualidade.
No elevador,
lembrei-me que eu tinha fotos do Henrique. Semanas antes, eu fora à praia
levando uma câmera fotográfica e conseguira fotografar discretamente todas as
pessoas do grupo do futevôlei. Chegando em casa, instalei-me ao computador e
abri minha pasta oculta. Henrique aparecia em várias fotos, usando sungas
variadas, cujo traço comum era o destacarem ainda mais a sua bunda já
naturalmente saliente. Ao contrário do Tiago, Henrique tem um tipo que eu
qualificaria de "mediterrâneo": pele de um moreno claro uniforme,
cabelo castanho maleável, cheio e levemente ondulado, feições finas, lábios de
espessura sensual, nariz curto e triangular, meigos olhos castanhos enquadrados
por sobrancelhas finas e retas. Henrique é mais baixo que Tiago - não deve
chegar aos 1,70m - e, sem ter absolutamente nada de gordo, também não é magro;
seu corpo é todo proporcional. Entretanto, ele tem mais massa corporal que
Tiago e é a isso que ele deve seus atributos maiores: coxas e bunda. As coxas
são completamente lisas, muito bem feitas e, embora fortes, só exibem sua
musculatura no esforço. Elas têm a qualidade de atingirem a largura máxima de
um modo harmoniosamente proporcional ao tronco, o que é raro nos rapazes
praianos cariocas, que, talvez por causa da prática do futebol, costumam ter
coxas grossas demais e tronco estreito. Mas, a meu ver, o atributo
incontestavelmente maior de Henrique é a bunda, que ele sabe valorizar através
de uma criteriosa escolha das sungas. Embora ele estivesse de sunga preta
quando me chamou a atenção pela primeira vez, acho que nunca o vi com uma mesma
sunga. Seu gosto é eclético, indo do preto ao branco, passando por toda uma
gama de tons pastéis. O que não varia é a forma, sempre estreita e ligeiramente
encavada atrás, para deixar de fora parte das deliciosas polpas e convidar-nos
a adivinhar o restante. Henrique não tem peitoral triangular nem barriga em
"tanquinho". Embora ligeiramente mais velho que Tiago — beirando os
vinte — ele cultiva um corpo e uma atitude mais jovem porque sabe que isso
cativa a clientela. Até seu sexo é discreto, ficando bem contido na sunga, numa
sutil indicação de que não é para ele que Henrique pretende chamar a atenção. Revendo
as fotografias, me dei conta de que há todo um código vestimentário e corporal
que permite a esses rapazes sinalizar aos clientes potenciais as suas
características e preferências. Com efeito, à primeira vista, Tiago poderia
levar alguém a julgá-lo puramente ativo. Entretanto, uma leitura correta logo
revela que ele promove, sim, o seu enorme membro, mas, não obstante o seu corpo
magro, também deseja "vender" sua bundinha, que transparece bem feita
e saliente na ínfima sunga. Henrique, por outro lado, é "todo bunda"
e isso fica nitidamente indicado pelas sungas que, embora justas, não destacam
em nada a parte da frente. Passei a tarde revendo essas fotos - hoje em dia é
fácil tirar uma enorme quantidade delas - preparando a chegada de Henrique de
madrugada. A mera imagem bidimensional me excitou muito. Imaginá-lo nu na minha
frente foi potencializando o meu desejo a um ponto tal que precisei tomar um
uísque para me acalmar.
Depois de ter visto e revisto as fotos, ouvi música,
vi televisão, comi na cozinha. Por volta das dez da noite, minha mulher ligou
da casa de praia dizendo que estava entediada porque a nossa filha já arrumara
um namoradinho e a deixara sozinha. Procurei saber quem era e tranquilizei-a ao
saber que era o filho dos vizinhos, um casal de Niterói que nós conhecemos bem.
Por volta das onze, fui para a cama tentar dormir um pouco, já sabendo que isso
seria impossível com a expectativa da interrupção no meio da madrugada. Mas li
um pouco e caí num sono profundo. Às quatro e meia da manhã, o interfone tocou
insistentemente. Peguei o telefone sem fio e disquei o ramal da portaria. Era o
Henrique. Apertei o número que destranca eletronicamente a porta, voei para o
banheiro para refrescar o rosto e fui esperar na sala, de porta entreaberta
para evitar que ele tocasse a campainha.
Quando o elevador se abriu, Henrique saiu, eu sorri,
mas — surpresa — ele não estava sozinho. O sorriso se desfez no meu rosto,
olhei diretamente nos olhos de Henrique com ar interrogativo e francamente
insatisfeito, mas como eu não queria fazer barulho, convidei ambos a entrar e
fechei a porta.
— Foi esse o combinado, Henrique?
Dei uma breve olhada atrás dele. Um longo, magro,
pálido e sombrio jovem, cujo cabelo preto e liso chegava ao meio dos braços, me
olhava com ar indiferente.
— Ah, pois é... eu queria pedir uma coisa. Será que dá
pro Sweet ficar aqui? É só pra dormir umas horas. Cedinho ele se manda.
— Sweet, não é? Sei... Eu deveria ter previsto
imprevistos, murmurei, quase zangado.
Olhei para a figura de mais de um metro e oitenta,
branco como cera, mais parecendo um espectro saído da Transilvânia. Contudo, o
apelido era apropriado; ele tinha o ar mais inofensivo do mundo.
— Tudo bem, Sweet? Ficou sem lugar para dormir depois
da festa, imagino.
— É, por aí. Iam me dar carona para casa, mas não
rolou porque o cara resolveu ficar. Dei sorte do Henrique ter me ligado.
Portanto, eles não tinham vindo do mesmo lugar, mas
eram amigos, etc. Eu não quis saber de mais nada, eram quatro e meia da manhã. Distribuí
colchonetes e roupa de cama, indiquei um lugar na sala onde eles ficariam ao
abrigo da luz da manhã e voltei para cama.
O imprevisto acabou me relaxando da espectativa do
primeiro cara-a-cara com Henrique. Dormi sem interrupções até às nove da manhã,
uma bela noite recheada de sonhos eróticos. Ao acordar, como sempre faço aos
fins de semana, peguei meu livro para ler algumas páginas, mas, quando estava
prestes a começar, ouvi ruídos entremeados de risinhos. Inferi que deveria ser
a minha dupla na sala, acordando surpreendentemente cedo para quem caiu na
esbórnia até a madrugada. Antes mesmo de desembocar na sala, identifiquei o
barulho e estanquei em pleno corredor. Pé ante pé, fui espiar através da porta
entreaberta. Localizei os colchonetes, entre o sofá e as duas poltronas, e o
que vi corroborou imediatamente o meu pressentimento. Henrique, apenas de
short, exibindo o traseiro praticamente na minha direção, dedicava-se a uma
ruidosa felação, ajoelhado sobre o rapaz gótico, que continuava deitado. Os
risinhos se crispavam, provavelmente devido à emoção da situação. Inicialmente,
tive o ímpeto de ir lá e expulsar os dois, mas lembrei-me do meu objetivo e do
fato de que eu agora estava sozinho em casa não com um, mas com dois homens de
tendência homossexual. Do meu ponto de vista, era impossível ver a felação
propriamente dita, mas Henrique me pareceu arrancar muita excitação do seu
amigo. Assisti mais um pouco e voltei para o quarto. Mais tarde, fingi
despontar na sala recém-desperto, bocejando e espreguiçando.
— Hora de acordar, minha gente! Dez e meia da manhã.
Os dois estavam fingindo dormir invertidos, cabeça de
um com os pés do outro. Henrique era discreto sobre os seus namoradinhos,
pensei. Eles fingiram estar profundamente adormecidos, principalmente o outro,
que mais parecia um cadáver, com as mãos sobre o peito, mas fiz com que os dois
se levantassem e me mostrei severo.
— Vamos tomar café e o sr. Sweet vai para casa.
— Tá legal, cara... a gente está acordando.
— Qual o teu nome mesmo? A pergunta veio do
Henrique, que me encarava um tanto amolado.
— Ricardo. Menti. Eu omitira o meu nome ao Tiago, que
logo passara a me tratar de "tio", mas não vi jeito de fazer o mesmo
com Henrique.
Tomamos café na cozinha e, devo confessar, a companhia
dos dois rapazes fez bem a este homem há tantos anos cercado de mulheres. Eles
comeram frutas com leite e cereais, quiseram café com muito pão, queijo e
geléia e ainda abriram uma barra de chocolate que eu tinha desavisadamente
esquecido em cima da bancada. Resolvi esquecer que o tal gótico devia ir embora
e — como se aquele fosse seu maior desejo — ele foi ficando. Depois do café,
mostrei a casa, falei um pouco de mim, disse que era casado e que tinha uma
filha, mostrei uma foto para que eles não pensassem que eu fosse alguma
"tia" que não saía do armário, expliquei a ausência das duas e, por
fim, expus meus objetivos, exatamente como eu fizera com o Tiago. Acabamos
fechando o "tour" na cozinha porque eles queriam mais chocolate.
— E é isso. Tenho tido essa estranha atração pelo sexo
masculino e quero descobrir até onde vai me levar minha recente inclinação
bissexual. Mas estou falando isso para vocês dois sem nem saber se o Sweet é
adepto das relações entre homens!
— Relaxa, Ricardo. Ela é biba! respondeu o
Henrique rindo e requebrando a mão mão.
— Biba, não! Sou bi, Ricardo.
— Me engana que eu gosto! retrucou Henrique.
Sweet fez sinal para que Henrique parasse e olhou
sério para mim.
— Sério, Ricardo. Eu sou bissexual. Sempre tive
atração pelos dois sexos e nem gosto tanto de amassos com caras que ficam a fim
de mim. Beijo, por exemplo, eu só gosto com mulher.
Ele disse isso com tanta segurança que senti uma
súbita e irrupção de inveja invadir-me o rosto.
— Quantos anos você tem, Sweet?
— Vinte e dois. E você?
— Trinta e seis. Mas me fale do seu bissexualismo. Quando
é que você soube? Como é que ele se manifesta e como é que você o pratica? Esse
assunto me interessa demais.
— Bom, eu comecei sentindo atração por caras mais
velhos que eu. Na verdade, nem era "atração", mas um tipo de
admiração porque eram maiores e muito mais fortes que eu, praticavam algum
esporte, tinham voz grossa. Mas eu sempre fui apaixonado por menina bonita. Eu
comecei a beijar e ficar com vizinha e colega de escola antes da minha primeira
transa com menino.
— Como aconteceu a tua primeira relação homossexual?
— Foi na escola. Um cara bem mais adiantado me pediu
para entrar no banheiro com ele, me fez sentar no vaso, abriu a calça e botou
aquele troço enorme para fora, duro. Eu fiquei parado, olhando, sem saber o que
ele queria. Na verdade, eu não tinha nenhuma atração especial por caras. Eu
quis até ir embora, mas esse carinha era legal e fiquei para ver qual era. Ele
me pediu — pediu numa boa — para pegar, eu peguei; ele me mandou puxar até a
cabeça ficar toda para fora, eu fiz. Acho que foi nesse instante que eu me
toquei que estava gostando porque eu me lembro que comecei, por iniciativa
própria, a tocar punheta para ele, com capricho e bem devagar, como eu gostava
de fazer em mim. Lembro
dele se contorcendo e respirando forte, passando a mão na barriga, revirando a
cabeça, me falando para eu não parar até que, quando estava para gozar, ele
tirou o pau da minha mão e terminou sozinho. Ele gozou muito, se melou todo e
usou quase todo o papel higiênico para se limpar. Depois disso, talvez porque
ele não tenha me forçado a nada, comecei a olhar para os caras de outro jeito. Acho
que o meu bissexualismo começou naquele dia.
— Muitos meninos devem ter se descoberto dessa
maneira, em banheiro de escola. Mas o que mais me excitou na tua história foi
que, mesmo sendo mais velho, ele não te forçou a nada.
— É verdade, eu poderia até ter me recusado a entrar
no banheiro com ele.
— Interessante. E a tua primeira experiência de sexo
"para valer"?
— Comi um vizinho, um cara bem mais velho; devia ter
bem mais de vinte na época, talvez até trinta. Nem me passava pela cabeça que
ele gostasse de homens. Eu tinha entrado na casa dele uma vez, para ver uma
luneta incrível que ele tinha. Às vezes, a galera do prédio via a ponta da
luneta para fora da janela da sala. Um dia, ele percebeu que eu estava olhando
e me chamou. Eu fui, a gente olhou um pouco o céu, ele me explicou umas coisas
sobre estrelas e constelações e depois me convidou a sentar na sala para
conversar. A gente falou de um monte de coisas e, não lembro mais como, ele
acabou dizendo que me achava "interessante". Talvez fosse o termo
certo porque eu sempre fui um palito e me achava tudo menos atraente. Fiquei
meio sem saber o que dizer, mas, como eu nunca tive preconceitos a elogios
masculinos, fui ouvindo, até que ele foi mudando o papo para sexo e acabou
conseguindo me pedir para "ver".
— Caramba! E você?
— Ah, me fiz de desentendido, claro. Mas ele insistiu
e eu acabei abrindo a calça, sentado mesmo, e mostrando para ele.
— E ele ficou olhando?
— Ele me saiu com uma que eu nunca vou esquecer:
"Se ele estivesse limpinho e cheiroso eu chupava para você. Quer?"
Henrique e eu caímos na gargalhada.
— Foi exatamente a minha reação: comecei a rir. Mas
ele estava falando sério e repetiu a proposta. Acabei indo ao banheiro para
lavar meu pau com sabonete.
— E aí?
— Quando voltei, fui tratado como rei. O carinha me
pediu para baixar a calça, a cueca e sentar na poltrona. Daí, se ajoelhou entre
as minhas pernas e começou a lamber minhas bolas, passar a mão nas minhas
coxas, chupar meu pau, até me deixar louco de tesão. Quando ele disse que tinha
acabado de tomar banho e que, se eu quisesse, a gente podia tentar fazer
"algo mais", nem consegui raciocinar para recusar.
— Mas, o corpo dele... um cara tão mais velho que
você... Eu disse isso sentindo um certo mal-estar, por razões óbvias.
— Olha, não vou dizer que o cara era um deus, mas o
corpo dele era bem legal. Ele era liso, devia se depilar, e tinha uma bunda
super bem feita, brancona, mas carnuda e durinha.
— Mas ele não te pediu para chupá-lo também?
— Não. Ele foi claro de saída: queria me dar.
— E você quis comer ou esperava ser passivo?
— Olha, eu era tão magro como hoje em dia. Nunca me passou
pela cabeça oferecer a minha bunda a alguém.
— Quanta maturidade!
— Sou gótico, mas sou realista, haha!
— Bom, mas continua. Estou curioso.
— Ele foi até o banheiro ou quarto, não lembro, pegou
lubrificante e camisinha e trouxe para a sala. Daí, me mandou sentar na
poltrona, deu mais umas chupadas bem profundas no meu pau e colocou a camisinha
nele. Ainda me lembro que o meu pau chegava a doer de tão duro! Daí ele me
mandou sair da poltrona e entrou nela de joelhos. Quando vi aquela bunda
branca, lisa, apontada para mim, não acreditei, me senti o cara mais sortudo do
mundo, sendo iniciado por um cara legal e ainda por cima de bunda gostosa. Ele
me mandou passar lubrificante na palma da mão e espalhar pelo pau todo,
esfregando como se fosse uma punheta com a mão por cima. Era oleoso, não era à
base d‘água como esses que a gente usa agora.
— Ai, não gosto! Henrique disse isso com uma voz
nitidamente afetada.
— Pois é, eu sei, mas com ele foi óleo. Bom, como eu
ia dizendo, ele virou de costas e me mostrou tudo, passo a passo. É claro que
não foi nenhuma performance. Me atolei para achar o buraco e para manter o
ritmo, tive que tirar um monte de vezes para não gozar rápido, fiquei sem jeito
para tocar no cara, eu não sabia onde pegar. Tudo isso ele foi me ensinando na
prática.
— Ah, é por isso que você fode tão gostoso agora! Henrique
estava transformado. Entendi a cena matinal; ele era um fã do sexo com Sweet.
— E essa transa "didática" proporcionou prazer
a vocês?
— Cara, você não imagina o estado de excitação dele. Quando
eu "peguei o jeito" e comecei a socar mais forte e com mais ritmo,
ele não aguentou e tocou punheta até gozar na poltrona!
— Teu pau media quanto na época?
— Não faz tanto tempo assim; uns quatro ou cinco anos.
Devia medir um pouco mais de dezesseis centímetros.
— Se você visse o pau dele, Ricardo... A
interferência de Henrique ressoou na cozinha e se impôs, digna de atenção tendo
em vista os meus objetivos.
— Podemos ver esse "monumento", Sweet?
— Aqui na cozinha?
— Cozinha, banheiro, quarto... Faz muita diferença?
— Não, mas...
Um pouco embaraçado, certamente pela minha presença e
pelo fato de que seu relato me excitara, ele levou lentamente a mão ao cinto,
mas começou a se demorar na fivela, como se não quisesse realmente fazer o que
eu pedira.
— Você prefere não mostrar?
— Não... tudo bem.
Ele abriu o cinto, depois o botão da calça, o zíper e
pudemos ver sua cueca — preta como todo o resto da indumentária gótica — marcada
pela barra rígida do sexo atravessado diagonalmente, forçando-a. A essa altura,
como ele parecesse realmente estar com dificuldade para se exibir, Henrique o
interrompeu e baixou para ele o elástico da cueca, desvelando um membro de
comprimento proporcional à altura de Sweet, mas excepcionalmente grosso — logo
depois eu viria a saber as medidas exatas: dezessete e meio de comprimento por
seis de diâmetro — que se armou, circunciso, ficando apontado para o teto da
cozinha, emoldurado à esquerda e à direita pelo cabelo do rapagão, que olhava
para baixo meio desconcertado.
— Um colosso! O teu vizinho acolheu isso tudo sem
reclamar?
— Ele quase chorou de tesão, foi o que ele me disse.
— Imagino.
— Ele deve ter rasgado a mona! Henrique disse
isso empunhando fortemente o membro do amigo e sacudindo-o como se estivesse
dando-lhe uma lição. Isso me deu ensejo a uma pergunta.
— O Sweet te atrai, Henrique?
— Isso aqui me atrai!
— Você deixaria o Henrique chupar você, Sweet?
Os dois se entreolharam e riram, sem sequer suspeitar
do que eu vira de manhã.
— Hãhã. Não precisei dizer mais nada para que Henrique
se debruçasse no colo dele.
Pronto, o gelo tinha derretido e estávamos
sintonizados no sexo. Isso me descontraiu e permitiu que uma velha fantasia me
aflorasse à mente. Peguei o pote de creme de chocolate com avelãs em cima da
mesa e abri diante dos olhares curiosos dos meus dois comensais. Usando dois
dedos, tirei uma boa quantidade e olhei para Sweet, que começou a rir. Pedi
licença para empunhar aquele membro de diâmetro desmesurado em plena ereção e
untei generosamente a glande, oferecendo-o em seguida para Henrique, que pôs-se
a chupá-la como uma criança gulosa, fazendo seu amigo subir pelas paredes. A
tora pulsava violentamente na minha mão enquanto os lábios de Henrique a
percorriam de alto a baixo, tocando-me vez por outra. O grau de excitação foi
subindo, indicando-me que eu podia saltar um ponto acima.
— Posso, Sweet?
Ele consentiu quase telepaticamente e pude
compartilhar o pau que Henrique continuara a degustar sozinho. Mal pude
acreditar quando premi o monstro entre a língua e o céu da boca. A dureza, o
calor, a textura, o sabor me assaltaram simultaneamente ao volume imenso. Henrique
e eu nos alternamos a chupá-lo, indiferentes às nossas salivas, indispensáveis
à viabilidade da felação. Vez por outra, me agradava afastar-me um pouco para
observar Henrique entregue àquela carícia tão intensa sob o olhar de Sweet que,
lânguido, afagava seu cabelo sedoso. Num desses momentos, veio-me a idéia de
despi-los. Comecei tirando a camiseta de Henrique, depois tirei completamente a
calça de Sweet, que ele havia baixado até o meio das coxas. Enquanto ele se
desfazia da camiseta, terminei de despir o short e a cueca de Henrique. Foi
ali, de pé, contemplando a cena da felação, que me dei realmente conta de que
havia dois jovens completamente nus na minha casa, dispostos a compartilhar
horas de prazer comigo.
— Vamos para a sala? propus.
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