Apresentação
O relato que se
segue é verídico, ocorreu em meados do ano de 2009, pouco antes do trigésimo
sexto aniversário do protagonista e narrador, e diz respeito a fatos que
expandiram sua sexualidade numa direção totalmente imprevista. Segundo ele, as
poucas diferenças do texto em relação à realidade se limitam a certos diálogos
quanto à forma e visam apenas a torná‑lo menos banal ou cru do que a realidade.
Afinal, diz ele, esta é apenas mais uma história de sexo!
Este é um relato
atípico, cuja extensão e estrutura me permitem publicá-lo no Erotexto como
série. Tomei portanto a liberdade de subdividi-lo em episódios(3) e quando
estes ainda me pareceram muito longos, de subdividi-los por sua vez em duas
partes.
O narrador não
chegou a concretizar na integralidade o seu projeto por uma razão que ele
explica ao final. Espero que o sua história possa despertar no leitor o
interesse pelo tema, bem como suscitar imagens e sensações tão intensas quanto
aquelas que me inspiraram a publicá‑la no Erotexto. Boa leitura a todos!
M.F.
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1. Inesperada
Atração
Certo dia, me dei
conta de que, nas minhas sessões de navegação pelos sites de sexo, eu vinha
sentindo — contrariamente aos meus hábitos heterossexuais e já há algum tempo — uma estranha atração pelo membro viril, que se tornou tão forte a ponto de me
levar a tomar providências práticas para evitar que os sonhos e fantasias a que
eu estava sendo constantemente submetido comprometessem minha integridade
psíquica e...
Bah! Estamos entre
leitores e autores de contos eróticos; vou mudar de registro e dizer as coisas
como elas são: eu estava ficando transtornado de tanto sonhar com sungas,
coxas, paus e bolas. Como eu disse, tudo começou pela Internet. Um belo
dia, excepcionalmente e muito a contragosto, aceitei abrir a câmera para um
homem que conheci numa sala de bate-papo sobre sexo; ele queria simplesmente me
ver observá-lo nu. Aceitei porque ele tinha uma conversa inteligente, mas fui
surpreendido pela visão de um corpo masculino incrivelmente sensual. Da cabeça
aos pés, dos traços fisionômicos à forma dos artelhos, não havia nada que
pudesse desagradar naquele corpo recém-saído da adolescência. Ele tinha
dezenove anos, a pele de um moreno claro agradável, o cabelo castanho farto e
cheio de mobilidade, uma bela proporção olhos-boca-nariz, lábios na espessura
exata, olhos escuros compondo um olhar sagaz e franco, o pescoço forte sem ser
curto, o peito musculoso mas não proeminente, a barriga delineada por uma musculatura
discreta mas visivelmente poderosa, um belo par de fortes coxas lisas e, entre
elas — o que mudaria meu destino daquele dia em diante — o sexo claro, longo e
generoso, terminado por uma bela cabeça rosada e saudável, inchado na justa
medida que o permitia pender armado como um meio-arco diante do saco esticado e
bem constituído, cujas bolas róseas apareciam de um lado e de outro. Esse
personagem mitológico, esse tipo de semideus sorria despretensiosamente e me
pedia apenas para observá-lo nu; o que o excitava era a reação dos homens
diante do seu corpo.
Quando liguei minha câmera, imaginei que minha atitude
fosse ser a do mero espectador, mas, assim que ele me viu, pediu que eu me
despisse completamente e ficasse de pé. Relutei, mas acabei me deixando
convencer. Assim que terminei de tirar a roupa, ele se afastou, de modo que eu
pudesse ver inteiramente o seu corpo, e começou a se virar, até ficar quase
totalmente de costas, exibindo uma bunda curta e estreita tipicamente
masculina, mas carnuda e saliente, o que lhe dava um perfil redondo
extremamente excitante. Longe de ser inocente, Flávio (era o seu nome) se
virara sem deixar de olhar para a câmera por cima do ombro: ele sabia o que
causava a reação inicial na maioria dos homens que o viam. E a minha não foi
exceção; uma ereção súbita e vigorosa levou-me instintivamente a empunhar meu
sexo, senti-lo duro e inchado, e a querer masturbar-me.
Ora, eu nunca fora inclinado à excitação por pessoas
do mesmo sexo; aquele impulso estava em flagrante contradição com o que vinha
sendo a constante heterossexual durante toda a minha vida, descontando-se
obviamente a eventual promiscuidade entre vizinhos recém-púberes. O que atenuou
esse início de conflito foi o fato de que Flávio estivesse me exibindo a bunda
e que se tratasse de uma bunda lisa como a de uma mulher, ou de um jovem cuja
androginia pudesse prestar a confusão. Autorizei-me então a masturbar-me,
disposto a ir até o orgasmo. Subitamente, porém, Flávio voltou a ficar de
frente. Aquilo me desagradou e pedi que ele se virasse, mas ele não me deu
ouvidos — estávamos usando o microfone — e continou de frente, acariciando o
membro, cujo endurecimento foi chamando a minha atenção; me dei conta de que eu
jamais vira um outro que não o meu endurecendo. Ligeiramente elíptico de
tronco, encurvado para cima, suas dimensões quando duro deviam ser de uns
dezessete ou dezoito centímetros de comprimento por cerca de cinco ou seis de
diâmetro. A cabeça era muito bem feita, volumosa e de bordas bem definidas. Flávio
o empunhava com força, como se precisasse dominar aquele corpo tão vigoroso. O
resultado foi que aquilo me deu muito prazer e que ambos ejaculamos fartamente
diante das nossas webcams.
Depois desse episódio, comecei a ter fantasias
despertas e sonhos, em que eu me excitava com jovens de coxas másculas, porém
femininamente lisas, ostentando despudoradamente seus paus em sungas diminutas,
fosse sob forma de uma protuberância arredondada ou de uma barra atravessada
até o elástico. Confesso que passei também não só a fantasiar, como a olhar
para as bundas bem feitas e lisas de rapazes na praia, mas a diferença
realmente radical que observei no meu comportamento sexual foi o surgimento de
fantasias em que o protagonista era o pênis. Não se passava um dia — ou uma
noite — sem que eu tivesse uma delas, e tão vívida que me levava à masturbação
imediata. Foi esse início de obsessão que me levou a procurar a solução
pragmática que constitui o objeto do presente relato.
Dado que a maioria das minhas fantasias envolviam
rapazes de sunga e que eu moro a poucas quadras da praia, minha primeira ação
concreta foi a de ir procurar na praia um modo de analisar esse novo objeto das
minhas pulsões sexuais. Eu chegava nos momentos em que havia muitos jovens em
torno das quadras de vôlei e ficava observando discretamente até encontrar
aqueles que correspondessem mais fielmente às minhas imagens fantasiosas. Logo
fui capaz de circunscrever o subconjunto do meu interesse: pertencente à faixa
etária dos 18-20, quase completamente liso de corpo, exceção feita às axilas,
antebraços, canelas e panturrilhas; barriga plana sem ser necessariamente
forte; um "V" da virilha exposto e bem delineado; bunda bem feita a
saliente; e o essencial, a sunga diminuta, caracterizada pela lateral muito
estreita, de modo a permitir a plena avaliação de um belo membro. Não tenho
nada contra o short, o "sungão" e outros trajes, mas o corpo se perde
neles, o que isenta o usuário da ousadia e do despudor exigidos daquele que se
expõe de sunguinha, que deve estar pronto a assumir as consequências dessa
ousadia ou, caso contrário, dispor-se a precipitar-se na água, deitar de
bruços, sentar de pernas recolhidas ou, na pior das hipóteses, tapar o sexo com
as mãos. Alguns não escondem sua ereção, o que já vi ocorrer, e não poucas
vezes, mas é privilégio dos mais fortes, que não se importam e até fazem
questão de ostentar seu sexo da maneira mais natural. Estabeleci como objetivo
prioritário encontrar precisamente esses exibicionistas ou, mais
eufemisticamente, esses "descontraídos" no uso da sunga.
Com o passar dos dias, fui conhecendo um bom grupo de
frequentadores, inclusive pelos nomes, que eu ouvia sendo pronunciados pelos
colegas. Tiago era moreno claro, aparentava ter acabado de passar dos dezoito
anos, tinha cerca de 1,70m, raspava a cabeça, era magro e, embora lhe faltasse
um tantinho para que a bunda respondesse aos meus critérios, era dono de um pau
tão volumoso e protuberante que não havia como evitá-lo com os olhos. Devido,
talvez, à consciência de ser magro, ele usava confiantemente uma sunguinha de
lateral muito estreita, justa a ponto de delimitar o contorno do pau quando
este estava um pouco mais armado. Pude vê-lo desfazendo com a mão aquela
incômoda protuberância rígida, para rebater o membro semi-endurecido contra o
corpo, quando alguma razão misteriosa o tirava do repouso, circunstância em que
seu tamanho descomunal o fazia chegar quase à costura lateral da sunguinha
azul. Era impossível não ficar curioso quanto ao seu comprimento; minha
primeira estimativa situou-o entre dezoito e vinte centímetros. Eu observava a
reação das pessoas que o olhavam. Algumas mulheres comentavam entre risinhos,
mas não tiravam os olhos dele; rapazes davam olhadas furtivas para não se
arriscarem a ser descobertos; gays não ocultavam seu interesse e, quando em
grupo, faziam todo um teatro; homens adultos encontravam, como eu, "postos
de observação" seguros, de onde podiam olhar pelo tempo que fosse sem serem
descobertos, e quantos o faziam!
Desejei muito ver Tiago nu, fantasiei muito com seu
corpo. Às vezes, eu o imaginava chegando em casa com um amigo após a
praia, ambos ainda de sunga e camiseta, e não conseguia deixar de pensar que
talvez alguma fantasia erótica passasse pela cabeça desse amigo. Tudo indicava
que seu pau fosse um convite à manipulação e à felação. É mais que provável que
algum amigo quisesse vê-lo duro, tocá-lo por fora da sunga, depois pegá-lo,
masturbá-lo, chupá-lo, ainda que por um desejo inconfesso que Tiago jamais
viesse a descobrir. Quantas vezes me masturbei no banho imaginando-me
protagonista de cenas como essas, em que eu causava um prazer delirante ao meu
jovem banhista, levando-o aos mais incríveis orgasmos, totalmente entregue à
minha libertinagem.
O segundo que observei mais atentamente se chamava
Henrique e, ao contrário do Tiago, me impressionou pela bunda saliente, que mal
cabia no pouco pano da sunga preta. Apertadíssima, ela dividia as nádegas com
tanta pressão que duas saborosas polpas sobravam de um lado e de outro,
forçando-o a puxá-la do rego reiteradamente, como um Nadal banhista. Henrique
não tinha muito pau, ou o seu era um pau tranquilo. Longe de formar a
protuberância arredondada ou a barra rígida que Tiago ostentava
despudoradamente, sua existência na sunga não chegava a delinear-lhe o
contorno, formando apenas a elevação própria ao comum dos mortais. Pronunciada
em Henrique era a curvatura das costas, que terminavam em duas covinhas logo
acima do elástico da sunga, onde os olhos se pousavam antes de prosseguir rumo
à bunda saliente e divinamente carnuda. Quando, entregue às minhas fantasias,
eu o imaginava chegando em casa após a praia, trazendo um amigo para almoçar,
era ele que eu via insinuando-se, dando as costas e empinando-se ainda mais
para provocar o amigo e eventualmente senti-lo de pau duro contra a sua bunda
tão atraente. Tenho certeza de que ele devia despertar a fantasia de algum
amigo de índole bissexual, assim como ele despertava a minha na praia.
O terceiro objeto
das minhas observações tinha cor de chocolate ao leite e se chamava Jorge, um
menino simpático e ótimo jogador de futevôlei. Jorge tinha um corpo perfeito,
forte e bem desenhado, com um peitoral privilegiado e a musculatura abdominal
de belo relevo. De costas, suas coxas musculosas eram harmoniosamente
articuladas com a bunda saliente e firme, cujo "cofrinho" despontava
forçosamente da minúscula sunguinha branca. Quanto ao pau, era
tão volumoso que, além de perfeitamente delineado sob o tecido esticado — via-se nitidamente que a glande era descoberta — empurrava o elástico,
chegando, quando estava mais rijo, a afastá-lo ligeiramente da barriga
perfeitamente plana. Isso me fazia imaginar que quem o olhasse de cima para
baixo – qualquer pessoa de pé diante dele – poderia ver parte do seu sexo. Parecia
ser um pau maciço, muito grosso, de diâmetro maior no centro que nas
extremidades, medindo cerca de dezessete centímetros. As mulheres olhavam ainda
mais para ele do que para Tiago, talvez porque, sendo mulato, ele inspirasse
algo de mais fogoso e sexualmente ativo. Quanto aos homens, perdi a conta de
quantos surpreendi a observá-lo com ar sonhador ou com um sorriso que revelava
estarem mergulhados numa avaliação do incalculável prazer que se poderia
auferir de uma noite de sexo ou de amor com o dono de um corpo como aquele. Estou
omitindo, é claro, os comentários sobre aqueles que o olhavam com um certo
despeito, heterossexuais inveterados que não deixavam de comparar seus corpos
com os de outros homens.
Observei inúmeros rapazes assíduos na praia, mas
Tiago, Henrique e Jorge foram os mais representativos do perfil que eu
concebera previamente, portanto me ative a esses três e passei várias semanas
observando sua conduta, procurando traçar um estratagema que me permitisse uma
eventual abordagem. Frequentei religiosamente a praia e, a fim de não ser
notado, me instalava cada dia num lugar diferente. A dança dos corpos
masculinos jogando futevôlei não tardou a me contagiar e senti que minha atração
natural pelo sexo oposto — que em momento algum se esmaecera — fundia-se
harmoniosamente com o meu novo objeto de interesse. Pelo contrário, as mulheres
deslumbrantes, com seus corpos morenos cheios de curvas e de sensualidade
natural, me pareceram ainda mais atraentes do que antes. Comecei a me perguntar
se o que estava acontecendo comigo não poderia ser qualificado de
"expansão bissexual".
Muito embora eu mudasse de lugar, era natural que eu
começasse a reconhecer pessoas que como eu iam à praia todo dia, e a ser
reconhecido por elas. O passo seguinte foi o do cumprimento ao chegar e as
primeiras conversas não tardaram a acontecer. Até que, em certa ocasião, um
homem de cerca de cinquenta anos me dirigiu a palavra.
— É um
espetáculo, não é?
— Euh... O
jogo?, perguntei, um tanto embaraçado.
— Não, os
meninos.
Emudeci, tentei dar a entender que não queria entrar
no assunto, mas foi inútil. Ele me disse que vinha me observando há semanas e
que não tinha dúvida de que eu estava interessado nos rapazes do futevôlei. Ele
disse que os conhecia todos e que tinha uma "notícia" para me dar:
eles não iam àquela praia diariamente apenas para jogar e malhar. A maioria
morava a léguas de Ipanema e era ingenuidade minha achar que eles fizessem a
viagem apenas para ficar fortinhos e saudáveis. Comecei a imaginar qual seria a
conclusão, mas não interrompi.
— Eles
estão aqui pelo sexo, meu caro. Pelo sexo!
— ...
Fiquei olhando para o jogo, para os corpos, para as
sungas, para aqueles homens e mulheres em volta (clientes?) e imediatamente
entendi que o meu interlocutor não estava dizendo nenhum disparate. Isso
tornava o meu projeto uma faca de dois gumes: se, por um lado, qualquer contato
se tornaria mais fácil, por outro lado, entrar em contato com esse mundo do comércio
sexual não me agradava em nada.
— Não vá
me dizer que você imaginou que aquela sunga branca ocultasse um corpo inocente!
— Não,
não..., respondi, ainda tentando evitar a conversa.
— Eu devo
ter saído com uns dez daquele bandinho. E metade dos homens e mulheres que você
está vendo em volta deles é uma clientela fiel, pode crer!
Essa última declaração me tirou da fleugma que eu
simulara por receio de me revelar. Eu quis saber mais e o resultado foi que o
homem me narrou, durante dias a fio e com riqueza de detalhes, suas saídas com
os rapazes da turma do futevôlei, narrativa que obviamente não vou reproduzir
aqui, mas que me serviu para aprender a abordá-los. Em termos gerais, o contato
inicial se fazia no intervalo entre um jogo e outro e dependia simplesmente do
lugar em que o interessado estivesse sentado. Bastava-lhe ficar próximo ao
canto do fundo de quadra correpondente ao lado em que o "seu" jogador
estivesse para que, no intervalo, este fosse discretamente procurá-lo, como se
fossem velhos amigos. Seria o momento de falar das modalidades oferecidas e dos
preços. Depois do jogo, os dois (ou mais) se encontrariam discretamente no
lugar combinado durante o intervalo. Geralmente o carro do cliente estava
estacionado em algum lugar próximo. O resto é fácil de concluir.
Tudo se passava, portanto, de um modo simples e
informal, mas aparentemente muito eficaz. Em momento algum o homem foi direto,
mas me encorajava tacitamente a mergulhar nessa aventura. E foi, em grande parte, o que me decidiu.

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