4. Momento
interrompido
Henrique continuava
deitado no sofá, com um braço pendendo fora dele, brincando com os motivos do
tapete. Estávamos a sós e eu me senti realmente atraído por ele naquela
atitude despojada. Olhei para o corredor, me veio a dúvida, olhei para
Henrique, a dúvida se dissipou.
— Vem, Henrique.
— Pra onde?
— Vem comigo.
Entrei no corredor
e parei na porta do quarto, esperando por ele.
— No quarto de casal?
— É. Vem.
Eu estava trêmulo
de desejo quando Henrique passou pelo batente completamente nu, esfregando-se
em mim, e foi deitar-se de bruços na cama ainda desfeita, soltando um longo
suspiro de satisfação. Caminhei até ela e me deitei por cima dele, sentindo meu
pau re-endurecer imediatamente ao contato da bunda firme. Henrique empinou-se,
oferecendo-se de pronto. Mordi seu ombro, sua nuca, beijei seu rosto. Ele não
respondeu ao beijo, mas não me rejeitou e continuou a me oferecer seu corpo. Passei
a mão em seu rego, estava quente e úmido. Senti o relevo do cu. Eu estava louco
de desejo. Enfiei a mão na gaveta, peguei uma camisinha, vesti o pau e me
preparei para penetrá-lo. Henrique sabia se oferecer ainda melhor que Tiago,
certamente por ser predominantemente passivo. De joelhos na cama, abri sua
bunda e encostei minha glande em seu cu, que, mais uma vez, cedeu com a
resistência exata à pressão do meu pau. Henrique se deixou comer como uma
fêmea, gemendo, pedindo minha mão, chupando meus dedos, pedindo carinho. Depois
fizemos de lado e ele me disse que gostava. Enquanto eu metia, acariciei seu
peito, torci seus mamilos, massageei seu saco, masturbei seu pau. Mas eu queria
ainda mais proximidade.
Pedi a Henrique
para sentar-se no meu colo, de frente para mim. Ele veio, empalou-se mais uma
vez em mim. Ficamos longos
minutos assim, no meio da cama. Ele me disse que gostou de sentir meu pau
profundamente enfiado no seu corpo. Eu disse que queria beijá-lo. Ele recusou.
Depois, eu quis experimentar a posição predileta dos passivos e ele se deitou
de costas para que eu o possuísse como uma mulher. Ficamos novamente cara a
cara, fiz novo avanço, mas era inútil, Henrique recusava sistematicamente. Olhando
para baixo, eu via seu pau duro colado à barriga. Eu quis senti-lo novamente na
boca e fui chupá-lo. Era como uma fruta, com algo de feminino embora sendo um
pênis. Henrique me trancou entre suas coxas lisas. Depois, eu o comi de fora da
cama, ele de quatro em cima dela. Consegui ficar muito tempo nessa posição,
mantendo um vaivém regular e fazendo Henrique gemer muito. Mas eu quis terminar
em pé, para realizar uma fantasia secreta e poder atender aos meus novos
impulsos.
Ficamos diante do
espelho, onde eu poderia ver seu rosto, seu pau. Sarrei um pouco a bunda firme,
sentindo aflição ao roçá-la com a glande muito intumescida, sempre acariciando muito
o corpo inteiro de Henrique, massageando suas bolas, empunhando seu pau
duríssimo. Ele se apoiou no armário e encaixei-me uma vez mais no orifício que
me acolheu de pronto. Enlacei Henrique pela cintura e entrei completamente
nele, sentindo meu saco frio contra o seu corpo quente. Ele ficou me olhando
através do espelho e sua expressão era de êxtase. "Eu queria ter alguém
como você para sempre", ele me disse, e vi uma lágrima rolar rosto abaixo.
Acariciei seu peito, puxei-o com força para mim, aprofundando-me ao máximo e
iniciei o vaivém final. Quando o orgasmo se anunciou e meu pau começou a pulsar
mais intensamente, Henrique saiu de mim, ajoelhou-se, retirou-me a camisinha e
masturbou-me com força. Quando o orgasmo veio, ele abriu a boca, confiante. Eu
estava muito excitado e ansiando por um orgasmo. Ejaculei forte, densa e
copiosamente, assistindo ao espetáculo do meu esperma desenhando uma rede
hidrográfica no rosto de Henrique. Em seguida, ele se levantou e, para surpresa
minha, me abraçou e me beijou. Compartilhamos meu esperma num beijo profundo e
demorado. Henrique engolia sem asco, lambendo-me para não perder nenhuma gota. Eu
mal podia crer na experiência que estava vivendo. A paixão dele parecia tão
vívida, tão real que alguém de fora diria que éramos os maiores amantes do
mundo. Quando nos separamos, notei que ele estava ligeiramente sem jeito, mas
feliz.
O programa fora
exaustivo. Não restava muito o que fazer, senão tomar banho e ligar para o
Sweet. Saí do banho primeiro e fui discretamente colocar um bom presente no
bolso da calça do Henrique, além, é claro, do pagamento combinado. Quando
ele fez menção — delicadamente — de tocar no desagradável assunto pecuniário,
eu lhe disse que ele não precisava se preocupar com isso. Confiando em mim e em respeito ao seu amigo
Tiago, que o indicara, ele limitou-se a me dar um último beijo, no rosto, e foi
embora. Quando o elevador desceu, não pude evitar uma sensação de vazio, que
logo bani lembrando-me de que eu logo voltaria a ver Henrique na praia. Dessa
segunda experiência, devo confessar que saí um tanto perturbado.
(INTERRUPÇÃO)
[Eu previra
escrever uma parte final dedicada ao que teria sido a minha experiência com
Jorge, o terceiro rapaz do futevôlei. Contudo, um incidente veio interromper meu
projeto: Henrique foi agredido à bala na rua, hospitalizado em estado
gravíssimo e veio a falecer dias depois. Essa irrupção da realidade urbana
sufocou meus devaneios hedonísticos, com a consequência de que me soterrei no
trabalho e voltei a envolver-me de corpo e alma na vida de família. Não quero
ainda crer que meu projeto tenha sido definitivamente interrompido, mas não me
vejo por hora retomando essa experiência. Vou tratá-la de adiamento sine die e
manter viva a esperança de completar o que foi iniciado e encaminhado com tanto
êxito.]
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