28. Sobreviver!
Otávio e Bruno acompanham Aninha até a
entrada do chuveiro. Ela lhes assegura de que está em condições de tomar banho
sozinha e eles saem do banheiro deixando a porta entreaberta. No estúdio,
diante dos monitores que filmam cada segundo do que se passa em cada uma das
suítes da cobertura, Norberto se mostra preocupado.
— Não sei por que
ele não a libera. Ele pode escolher qualquer modelo da
agência, então por que insistir com uma pessoa que teve que ser drogada para
não reagir?
— Porque nenhuma
modelo da agência chega aos pés da Ana em matéria de corpo, seu Norberto.
— Mas ele só transa
com os rapazes!
— Por enquanto!
— É, talvez você
tenha razão. Ele assistiu ao desfile; teve toda chance de escolher quem
quisesse. Se ele escolheu uma mulher, não pode ter sido unicamente para vê-la
com os garotos de programa dele.
— Ela está saindo do
banho.
— É. Vamos ver no
que vai dar isso.
Com passos ainda
incertos, Aninha caminha até fora do banheiro e parece admirada diante da ampla
suíte atapetada, toda mobiliada e decorada com gosto. Ela olha a cama
redonda e baixa, próxima a um dos cantos mas afastada das paredes. O
cliente a quem ela foi "presenteada", alto e bem apessoado, robusto
apesar da idade, observa-a inexpressivo, vestido num roupão, em atitude de
espera. Selton, um de seus acompanhantes se aproxima dela para ajudá-la, mas
ela recusa e se encosta no batente.
— Você já está bem,
Ana? Pergunta-lhe o cliente, mecanicamente.
— Estou meio lenta,
mas o banho me fez bem. Por que é que eu estou aqui com vocês?
— Pensei que você
soubesse.
— A Mirela me
explicou mais ou menos o que estava acontecendo nesse andar, mas não disse que
eu tinha que participar.
— Pelo que sei, Ana,
sua reação não foi das melhores…
— E por isso me
drogaram antes de explicar?
— Mais ou menos. O
fato é que sou um bom cliente da Happy Hour e você é, por assim dizer, o
"prêmio" que a agência me ofereceu.
— Eu nem sou modelo,
o senhor sabia disso?
— Não, Ana. E por
favor, vamos cortar esse "senhor", sim? Meu nome é Geraldo.
Aninha não responde,
mas ele não se altera e, aproximando-se dela, como se o hábito o houvesse
ensinado a não discutir certas coisas em voz alta, lhe faz uma proposta quase
ao pé do ouvido. No estúdio, Norberto reage.
— Essa não, Alceu! O
homem é uma raposa! Não dá para aumentar o volume e tentar ouvir o que ele está
dizendo?
— Já aumentei tudo,
seu Norberto, mas ele está quase cochichando.
— Droga! O que será
que ele está aprontando? Espero que não desconfie da filmagem também.
— Acho que não,
senão ele já teria olhado para todos os cantos procurando a câmera.
— Por falar nisso,
onde é que elas ficam, nessa suíte?
— Bom, no quarto, é
uma grande angular que pega quase tudo, e duvido que alguém descubra porque ela
fica no lugar do parafuso no centro do lustre, apontada diretamente para
a cama. A do banheiro fica dentro da luminária. Mas essas câmeras são quase do
diâmetro de um endoscópio , seu Norberto. Não dá para ver, não.
— É, ele não deve
saber de nada, nem sobre a gravação da voz. Ele deve falar baixo por hábito de
desconfiar.
— Também acho que
seja isso. Em todo caso, ele deve ter dito alguma coisa que deixou a Ana
impressionada, diz o técnico, apontando com o queixo para a tela do
monitor.
Aninha olha para
frente com ar pensativo, como se calculasse. Ela acaba de ouvir a proposta de
aceitar a quantia de cinquenta mil reais para continuar a fazer o papel de
"troféu", a serem transferidos dali mesmo para a sua conta bancária,
uma vez o programa terminado. Ela nunca viu tanto dinheiro na vida, seus sonhos
desfilam vagamente pela sua mente ainda lenta, mas são seus desejos mais
vívidos e essa proposta a aproxima da realização de vários deles. Entendendo
que o assunto é sigiloso, ela faz que sim com a cabeça e o cliente, satisfeito,
imediatamente chama seus acompanhantes. Ele dá instruções e os três cercam
Aninha, já livres dos roupões. Ela não oferece resistência ao sentir o roçar
dos corpos nus contra o seu.
Enquanto o cliente
se instala em sua poltrona, Otávio deita-se na cama de costas com as pernas
para fora e os pés no chão. Aninha é convidada a ficar de joelhos na cama, por
cima dele, e enquanto ele manipula, lambe e beija seus seios, Selton o masturba
para prepará-lo, lambendo profusamente e acariciando Aninha por trás para
excitá-la. Assim que a ereção de Otávio se completa, Selton o ajuda a
penetrá-la e espera-os fazer alguns vaivéns para acomodarem-se. De pé fora da
cama, ele se masturba um pouco, mas já está muito excitado pela cena. Ele
trabalha com a língua em Aninha, passando-a pelo membro que a penetra, mas
dedicando-se principalmente ao orifício livre. Adivinhando a etapa seguinte,
ela se prepara para ser duplamente penetrada e lhe pede que vá devagar. O rapaz
se aprofunda lentamente em Aninha, que se contorce um pouco, geme, mas
administra bem a penetração. Em poucos minutos, o trio se move harmoniosamente
diante do cliente que masturba o seu avantajado membro em lentos movimentos que
o deixam também pronto. Ele assiste à cena orientando os rapazes para que lhe
proporcionem o espetáculo mais excitante do seu ângulo. No estúdio de gravação,
a tensão cede.
— Essa moça é
incrível! exlcama Norberto, pasmo.
— É, entrou no jogo
mesmo. O que será que ele disse a ela na frente do banheiro?
— Isso me cheira a
grana, Alceu, grana alta.
— Acho que o senhor
está certo. Senão ela teria pedido para parar. Olhe para o rosto dela. Quem vê
pensa que ela está gostando.
— Se não foi pelo
dinheiro, Alceu, foi por um argumento muito convincente. Olhe só: ele vai
levantar.
Fiel aos seus
hábitos, o homem sobe na cama e vai por-se sobre o rosto de Otávio, que
tão-logo abocanha seus testículos e põe-se a lambê-lo até o ânus. Em seguida,
ele apresenta seu membro a Aninha. Ela o olha nos olhos, ele faz que sim e ela
envolve a volumosa glande com a boca. Aninha é duplamente penetrada e, com a
felação no cliente que por sua vez está sentado no rosto de Otávio, fecha-se o
circuito entre os quatro.
Aninha parece
entender-se com Otávio, que por baixo dela, continua a acariciar-lhe os seios. Ela
facilita a penetração por ele, cavalgando-o para acolher profundamente o seu
sexo. Ela sabe que os três rapazes e ela estão na mesma situação subalterna em
relação ao milionário onipotente. Ela sabe que isso facilita a conivência e
começa a trabalhar por ela. Vez por outra, ela olha para trás e sorri para
Selton, mostrando prazer com a intensa penetração anal em que ele se empenha.
Eles ficam por um
longo momento assim, buscando o entrosamento perfeito nessa complexa cópula,
até que o cliente faz um sinal para que Bruno faça o que tem que ser feito. Destramente,
o rapaz põe-se por trás dele e sem obrigá-lo a mudar de posição, penetra-o,
arrancando-lhe um rugido de prazer. No estúdio, o patrão e o técnico explodem
numa gargalhada incontrolável.
— O homem é uma
máquina, seu Ernesto!
— Insaciável, Alceu!
Insaciável! Se ele faz isso aos cinquenta, imagine as noitadas desse sujeito
aos vinte!
— Nem tentando
imaginar! Devia ser suruba atrás de suruba!
— Estou curioso para
saber se ele vai fazer alguma coisa com ela, Alceu. Até agora, ele praticamente
só tocou nos rapazes.
— Viadão, seu
Ernesto! Viadão!
— Olhe o
preconceito, Alceu! Que coisa feia! exlama o patrão com um risinho irônico. Hoje
em dia se diz bissexual!
Na suite, o
circuito recém-ampliado reentra em harmonia. A cada vez que Selton e Bruno penetram
Ana e o cliente por trás, ela recebe o membro do cliente profundamente na boca
enquanto sente o membro de Otávio sair. E vice-versa. A engrenagem está
lubrificada, os pistões a todo vapor e a excitação é geral, inclusive a de
Aninha, que não consegue furtar-se a ela por mais calculados que sejam os seus
gestos e intenções.
Olhando a cena de
cima e recebendo por trás os golpes regulares de Bruno, o cliente contempla a
penetração de Aninha por Selton ao mesmo tempo que a vê esforçar-se para
admitir o máximo possível de sua maciça verga na boca. De vez em quando, ela
precisa afastar-se para descansar os maxilares e ele aproveita para admirá-la
sentada em Otávio, os seios balançando, subindo e descendo ao ritmo das
estocadas. Ele é louco por seios e os de Aninha o deslumbram. Ele roça-lhes os
bicos com as palmas das mãos, depois apalpa-os e aperta-os, vendo Aninha
sorrir, sem saber que o motivo é que ela se sente cada vez mais forte. Ele a
quer lá, sentada na barriga de Otávio, que continua a penetrá-la e a
visivelmente dar-lhe prazer.
O primeiro orgasmo é
o de Selton, que decide sair de Aninha e ejacular em suas costas. Os jatos vão
até o cabelo, fazendo-a olhar para trás e rir ao encontrar a expressão de
extrema decepção do rapaz que não conseguiu se controlar por mais tempo.
— Já gozou, não é,
"seu" Selton! diz o cliente, escarnecendo. Pois vai lamber tudinho e
dar para ela!
O rapaz obedece,
percorrendo com a língua as costas de Aninha e recolhendo o seu próprio sêmen. Em
seguida, ele vai passá-lo todo para a boca de Aninha, que já espera em posição. O cliente a
observa embevecido abrir a boca para mostar-lhe o conteúdo sob a língua e em
seguida engolir sem hesitar. Selton entra no banheiro e o grupo reduzido
continua a mover-se em
harmonia. Mais livre, Aninha encaixa-se em Otávio e move as
ancas para excitá-lo ao máximo, sentindo a base do membro alargar-lhe a vagina
enquanto tenta obstinadamente admitir na boca mais do que um terço do grosso
membro do cliente, num vaivém ruidoso que tem por objetivo arrancar-lhe um
orgasmo à força.
Como era de
esperar-se, o segundo a não se conter é Bruno, que não cessou de mover-se
dentro do cliente desde que entrou na cama. Seu orgasmo é interno e seguido da
desagradável tarefa de recolhê-lo até a última gota na saída do ânus, tarefa
que Bruno cumpre com nojo e explícita má vontade, correndo até o banheiro para
cuspir e sendo severamente repreendido pelo cliente.
— Não estou entendendo
essa atitude, Bruno. O combinado não era que vale tudo?
— Era, Geraldo, mas
cada um tem suas preferências, não é? Eu não gosto de porra saindo do cu na
minha boca.
— E o que é que eu
disse sobre a linguagem, Bruno? Não quero grosseria comigo por perto. Quando
vocês forem fazer os programa com dono de boteco de subúrbio, fiquem á vontade,
mas comigo a música é outra, ok?
— Está bem, desculpe.
— Assim é melhor. Pode
ir para o banho.
Durante a discussão, Aninha pôde assistir ao
desarme da imensa ferramenta do cliente e sentir o membro de Otávio deslizar
para fora do seu sexo. Isso a inquieta. E se a frustração do homem o fizesse
desistir de cumprir a proposta feita a ela? Aqueles cinquenta mil reais já cintilavam em sua mente, exercendo seu
poder de apagar más experiências recentes. Numa rápida tomada de decisão, ela
empurra o cliente deitado e põe-se a lambê-lo gulosamente dos testículos à
glande. Ele aprova a iniciativa, relaxando-se na cama, observando-a ocupar-se
dele e sorrindo para Otávio, que espera sentado na poltrona a sua vez de ir
tomar banho.
A iniciativa surte
efeito, o grosso membro volta a inchar e erguer-se, Aninha cospe nele e o
masturba para consolidar o enrijecimento e aplica-se numa felação
extraordinariamente intensa, vencendo-se para resistir à ânsia até que ele
irrompa em novo orgasmo.
Mas a coisa não dura
muito pois o cliente tem outros projetos em mente. Fazendo
sinal para Selton e Bruno que saíram do banho, ele manda que segurem Aninha. Eles
já sabem que devem deitá-la de costas e abrir suas pernas colando-as aos seios.
Eles fizeram a mesma coisa dezenas de vezes para esse cliente. Aninha gela: ela
não tinha previsto isso. O cliente observa a fenda, entreaberta após a
penetração por Otávio, percorre os lábios com o polegar, escova o clitóris, em
seguida, pondo-se de joelhos entre as pernas dela encosta-lhe a glande lisa e
gorda como uma ameixa. Aninha olha em silêncio, forçando a cabeça para frente,
uma expressão de pânico no rosto, mas imprensada pelas próprias pernas, ela não
pode fazer nada senão esperar e torcer para que dos males o menor prevaleça.
— Ele vai acabar com
ela, seu Ernesto! exclama o técnico do estúdio.
— É, Alceu, isso vai
ser uma dura prova para a Ana.
— Não deveríamos ir
lá?
— Nem pensar! Não
vou me meter nisso. O efeito da droga acabou e ela é responsável pelo que faz. O
máximo que pode acontecer é ela ir para um hospital para costurar.
— Se o senhor vê
assim…
Na suíte, um grito
estridente faz com que todos os olhares se voltem para o casal na cama. O
cliente introduziu meio membro em Aninha, que se contorce, ainda imobilizada
pelos dois rapazes.
— Pára! Está me
rasgando! grita ela.
— Você aguenta, Ana,
você aguenta. responde o homem, prosseguindo lentamente, observando o contorno
da vagina retesado pelo diâmetro do seu membro.
Diante dos olhares
penalizados dos dos três rapazes, o cliente penetra Aninha até onde é capaz — parece
impensável introduzir tudo — e, sempre ajoelhado diante dela, começa a
mover-se, em curtos vaivéns que permitem a entrada e saída de meio membro. Ainda
assim, cada penetração é mais penosa que a anterior e Aninha chora, movendo a
cabeça de um lado para outro e tentando inutilmente libertar-se das mãos que a
mantêm prisioneira.
O cliente, por sua
vez, está tomado de um prazer monstro devido à pressão da vagina. Isso vai
lubrificando a área e pouco a pouco facilitando a penetração. A inteligente
Aninha vê nisso uma chance de voltar à posição dominante. Assim que ela vence o
medo e que a dor se reduz, ela improvisa uma expressão lasciva no rosto e se
oferece ao cliente erguendo a bacia. Ela está disposta a sacrificar-se para
desafiá-lo. Ele entra no jogo e aprofunda-se mais, aproximando-se dela,
puxando-a para si. Ela contém um grito, mas e continua a provocá-lo. Ele
investe mais uma vez e cola-se a ela, intimamente impressionado.
Aninha acaba de
receber vinte e dois centímetros de comprimento por seis de diâmetro em sua
vagina. Ela se sente literalmente imobilizada. A imensa tora a percorre da
cabeça à base e seu dono já não hesita em desfechar estocadas cada vez mais
vigorosas. Ele vai até o fim, explodindo num orgasmo que o faz rugir como uma
fera. Aninha está lívida, suas forças se esvaem por completo, ela amolece sob
os golpes desferidos cem cessar pelo homem que a possui. Há orgasmo? Sim,
múltiplos, incessantes, mas as dores oriundas da distensão vaginal e dos golpes
no útero são tão mais intensas que ela praticamente não os percebe, esses
orgasmos. Por fim, num último sinal de que o comando está com ele, o cliente se
retira dela e ejacula fartamente sobre seu corpo, barriga, seios, rosto, em
seguida torna a penetrá-la com o membro ainda encharcado.
— Agora me explique,
garota, o que você tentou fazer, hein? pergunta ele, sarcasticamente,
retirando-se dela bruscamente e saindo da cama para ir tomar banho.
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