27. Letargia
— Ana, está tudo
bem? pergunta-lhe Norberto.
— O que…
Ela tenta articular uma frase, mas não
consegue. Não há dor nem desconforto, ela consegue ver e ouvir com razoável
nitidez, mas sente-se lenta, como se todo o seu metabolismo houvesse mudado de
ritmo. Aninha percebe que
foi drogada.
— Ana, retoma
o big boss da agência, as coisas não deveriam acontecer deste modo,
mas você perdeu o contrôle e tivemos que lhe aplicar um calmante. Você dormiu
por cerca de duas horas, está descansada e creio que já está preparada para
saber qual é a sua função nesta festa, hoje.
— Função… função…
Como assim… Eu não…, balbucia Aninha, sem conseguir articular uma frase.
Nesse momento, um
homem alto, de cabelo grisalho muito bem cortado sai do banheiro com uma toalha
enrolada na cintura. Ele olha para Norberto com ar interrogativo, este lhe faz
um sinal positivo e sai com Belisário do cômodo deixando-o sozinho com Aninha. O
homem se aproxima dela, que continua vestida, apenas sem os sapatos, e
baixa-lhe o vestido sem mangas até descobrir os seios.
— Deslumbrantes!
sussurra ele, sem tocá-la.
Aninha faz que vai
levar a mão ao busto, mas seu gesto é tão lento que o homem a impede
facilmente. Ele beija cada um dos mamilos e se afasta, indo sentar-se numa
poltrona ao lado da cama. Em seguida, três rapazes de cerca de vinte e cinco
anos entram no quarto vestidos em roupões de seda e vêm sentar-se de ambos os
lados de Aninha e aos seus pés. Ela os vê bem, encara um de cada vez, mas
incapaz de ordenar as idéias, resigna-se a esperar o que ela consegue vagamente
adivinhar.
Chamado pelo homem
mais velho, um dos rapazes vai até a poltrona. O homem abre-lhe o roupão,
contempla o membro generoso e arqueado e inicia uma felação intensa até que a
ereção se consolide. Ele repete o ritual com os outros dois rapazes e faz-lhes
sinal de que comecem, abrindo sua toalha e acomodando-se confortavelmente na
poltrona. Aninha percebe que ele é extremamente bem dotado, mais do que os três
rapazes que já se aproximaram dela e começam a despi-la por completo. Ela quer
resistir, mas a simples intenção de articular um "não" se produz tão
lentamente que ela desiste.
Dois dos rapazes, um
de cada lado de Aninha, abrem e erguem-lhe as pernas para exibir seu sexo ao
homem que observa. O terceiro vem acariciá-la, percorrendo o entrelábios com um
dedo e tocando o clitóris. O homem alterna seu olhar entre a cena e sua ereção,
que se inicia sem que ele se toque. O pesado membro de mais de vinte
centímetros eleva-se lentamente e vai colar-se ao abdomen, pulsando. Só então o
homem o empunha e repuxa o prepúcio para liberar uma volumosa glande rósea. A
tudo isso Aninha assiste impotente, vendo suas pernas rebatidas sobre os seios
e sentindo a fricção de dedos em seu sexo.
A certa altura, o
homem se levanta da poltrona, se debruça na cama e começa a lambê-la do ânus ao
clitóris, cutucando-lhe vez por outra o orifício vaginal. Ele faz isso por
alguns segundos, em seguida se afasta e o rapaz que a acariciava vem tomar seu
lugar lambendo Aninha continuamente. Ao mesmo tempo, os dois outros rapazes
beijam e lambem seus pés, chupam seus artelhos, acariciam-lhe as coxas, a
barriga e os seios. Ela não consegue evitar a excitação, que toma conta do seu
corpo como uma onda enorme e vagarosa.
Enquanto Aninha é
triplamente estimulada, o homem mais velho, que ela entende tratar-se de um
cliente privilegiado da agência, dá voltas à cama que ocupa o centro do quarto,
observando e empunhando seu membro agora plenamente desenvolvido e ereto. À
certa altura, ela nota que ele se detém por trás de um dos rapazes, que cessa
por um instante de acariciá-la e faz uma expressão contida, apoiando-se na
cama. O prazer do cliente consiste em observar o prazer da mulher enquanto se
satisfaz com rapazes.
O homem penetra cada
um dos rapazes exortando-os continuamente a beijar, lamber, chupar, acariciar,
masturbar Aninha, cuja excitação crescente ele verifica observando-lhe os
mamilos, a umidade da vagina, o revirar dos olhos, os gemidos. Quando ele a
julga pronta, mergulha um dedo profundamente em seu sexo, examina a umidade,
solicitando que os dois rapazes ergam e abram-lhe ao máximo as pernas, levando
seus joelhos quase a tocar na cama, ao lado de cada ombro, e afasta-se para que
o terceiro rapaz venha penetrá-la. Aninha vê o jovem de feições regulares e
cabelo molhado entrar de joelhos na cama, dar-lhe batidinhas com o membro nos
lábios vaginais e debruçar-se nela para penetrá-la. Ela sente o membro grosso
alargá-la e mergulhar fundo em seu sexo, consegue abrir a boca, lentamente, até
senti-la escancarada, mas não lhe sai um som. Ao reabrir os olhos, ela vê o
queixo do cliente que a observa do alto enquanto afaga o cabelo dos dois
rapazes que continuam forçando suas pernas.
Aninha sente o
vaivém rápido do corpo que a penetra e esconde os seios com as mãos,
envergonhada de sentir-se excitada, mas logo é interrompida pelo passar da
imensa verga do cliente pelo seu rosto. Ele senta-se sobre seu rosto, abre as
próprias nádegas e deixa-a entender o que deseja. Ela começa a lambê-lo,
lentamente, sentindo na língua o orifício pulsante e ouvindo os gemidos do
homem que se masturba e beija os rapazes ao seu lado.
— Isso vai longe,
suspira Norberto, diante da parede de monitores.
— Ah, vai mesmo!
responde o técnico. Pelo andar da carruagem, o homem vai virar a noite.
— É, ele não fez por
menos. Quando ele soube que era o premiado do ano, não abriu mão nem do bônus!
— Mas ele gasta
muito com a agência, não é, seu Norberto?
— Bota
"muito" nisso, Alceu! Ele tem uma rede de butiques nos shoppings do
Rio, todas associadas à agência.
— Então está
explicado. Se ele quiser, pode passar três dias nessa suite!
— Nem brinca, Alceu!
Espero que no máximo às cinco da manhã esteja tudo terminado.
No monitor, a cena
se estende. A excitação do cliente chegou ao ponto desejado e ele se faz
penetrar por um dos rapazes por cima do rosto de Aninha, que agora lambe-lhe os
testículos e empunha seu membro que não dá sinal de cansaço.
— Isso só pode ser
Viagra, seu Norberto. O troço não baixa nem com reza "braba" e o
homem tem mais de cinquenta anos!
— Há gente assim,
Alceu, gente que ganhou na loteria sexual ao nascer. O que eu não entendo é que
ele não faça nada com um mulherão desses, só use como pretexto.
Na tela, o rapaz
aparece tendo o seu orgasmo no interior do cliente, que urra com a cabeça
jogada para trás e por sua vez ejacula fartamente sobre os seios e a barriga de
Aninha, enquanto o rapaz que ela tem entre as pernas começa a dar sinais de
cansaço. O cliente ergue-se nos joelhos e faz sinal ao rapaz ao seu lado para que
lamba o esperma ejaculado e o chupe, isto é, lave o seu membro com saliva. Em
seguida, ele sai da cama ordenando que ponham Aninha de bruços.
A expressão no rosto
do homem ao ver Aninha deitada de bruços é de puro êxtase. Ele dá uma volta à
cama para vê-la sob todos os ângulos, em seguida pára em um dos lados e
percorre suas costas com a mão, a partir das espáduas, detendo-se na
concavidade muito pronunciada e balançando a cabeça, incrédulo com a beleza das
formas que tem diante dos olhos. Ele passa a mão pelas nádegas de Aninha,
acariciando-as repetidamente, depois senta-se em suas costas com seu corpo
entre as pernas, beija-lhe as nádegas e separa-as oferecendo o sulco à língua
dos rapazes. O ritual é lento e dura longos minutos, durante os quais Aninha,
de rosto virado para um lado, tenta imaginar a sequência, sempre incapaz de
qualquer ação em tempo normal. O homem faz um gesto a um dos rapazes, que
lhe passa um tubo, e em seguida unta abundantemente o ânus de Aninha com seu
conteúdo cremoso, por dentro e por fora. O rapaz vem então penetrá-la pela
primeira vez por trás. Aninha praticamente não reage.
— Sabe o que é isso,
Bruno? Lubrificante com anestésico, a melhor descoberta do mundo, diz ele
serenamente.
A penetração se faz
facilmente e o rapaz olha maravilhado para o seu sexo que desaparece entre as
duas elevações salientes e carnudas. Assim que ele inicia o vaivém, o homem lhe
dá um profundo beijo na boca, em sinal de aprovação. Em seguida, ele sai da
cama, chama outro dos rapazes, instala-o na poltrona e empala-se nele para
assistir ao show enquanto se faz penetrar e masturbar. O terceiro completa o
espetáculo indo por-se de pé na cama diante daquele que penetra Aninha,
oferecendo-lhe o sexo a chupar. Os quatro gemem diante dos olhares pasmos de Norberto
e do técnico.
— Lubrificante com
xilocaina, Alceu. Já experimentou isso?
— Eu, não senhor,
seu Ernesto! Quando eu quero comer a bundinha da minha noiva, é porque ela está
doidinha para me dar!
— Boa resposta!
responde o big boss sorrindo. Mas acho que o nosso amigo ali não vai
poder dispensar o anestésico não. Olhe ali!
Enquanto dois
rapazes se alternam penetrando Aninha, o cliente decide trocar de posição com o
terceiro, mas por mais que o rapaz persevere, a dor o impede de empalar-se no
membro avantajado do cinquentenário. É preciso recorrer ao creme mágico, e o
resultado é imediato: o rapaz desce pela longa e maciça verga sem um ai, e o
cliente geme ao longo do percurso que termina com o rapaz em seu colo.
Aninha também geme,
baixinho e languidamente. É possível que o efeito da droga esteja lentamente
enfraquecendo, mas isso ainda não lhe permite agir normalmente. Ela sente o
membro grosso e bem lubrificado entrar e sair dela, mas não há dor nem
desconforto, apenas o peso do rapaz sobre ela e a fricção que a excita
involuntariamente. Quando vem o orgasmo, ela não sente as fisgadas habituais
causadas pela base do pênis, mais larga. Dentro desse cenário um tanto
apavorante, Aninha admite que é a melhor experiência de penetração anal de toda
a sua vida. Quando os rapazes se dão por satisfeitos e o último sai dela, a
única coisa que ela sente é o relaxamento do orifício antes tão tensionado em
sua volta ao diâmetro normal.
O cliente teve seu
segundo orgasmo e sente fome. Ele pega o telefone, pede algo para comer e
ordena que os rapazes vão tomar banho enquanto fica observando Aninha que
continua deitada de bruços na cama, à sua frente. Ele elogia seu corpo, tenta
conversar com ela. Por fim, ela se move e sussurra alguma coisa.
— Estou… cansada…
Ele se vai sentar-se
ao lado dela, na cama. Parece-lhe que a droga está perdendo o efeito. Aninha
consegue virar-se de costas sozinha. Ela passa a mão no rosto e engole,
sentindo a boca seca.
— Estou… com sede,
balbucia ela movendo os olhos para situar-se.
— Alguém traga um
copo d'água para a Ana! Otávio! grita ele, voltando-se para o banheiro.
O rapaz chamado
Otávio sai do banheiro, vai até o frigobar e pega uma garrafa de água mineral,
que ele verte no copo e dá de beber à Aninha.
— O efeito acabou?
pergunta ele ao cliente, que a olha mais amolado que preocupado.
— Parece que sim,
mas ela ainda está grogue.
— Quer que eu chame
o Norberto para providenciar mais?
— Não… não…
interrompe Aninha, ainda lenta mas olhando expressivamente o homem nos olhos. Só
quero… tomar… um banho.
Aninha, que em
momento algum perdeu a consciência, mas apenas a agilidade psicomotora devido à
droga, sabe perfeitamente que sua vida significa menos que nada para o homem ao
seu lado. Ela sabe que se eles a deixarem morta e forem embora, Ernesto e seus
comparsas providenciarão para largá-la em algum terreno baldio como se fosse
apenas mais uma prostituta toxicômana assassinada pelo Tráfico. Se ela recebeu
uma dádiva na vida, foi a de ser emocionalmente equilibrada; se ela tem um
talento, é o de representar. Aninha se sente quase normal, mas finge que ainda
está sob certo efeito da droga, e sobretudo, não deixa transparecer a mínima
expressão de oposição ou revolta. Ela sabe que se quiser sair ilesa, precisa
fazer o jogo desse cliente caprichoso para o qual ela representa um troféu. Quanto
a este último, sua atitude é de animação diante da reação pacífica de Aninha. Enquanto
ele come os quitutes da festa e bebe champanhe com seus jovens acompanhantes,
ele espera que ela descanse e continue a diverti-lo, desta vez um pouco mais
"ativamente".
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