29. Até o Fim
Aninha está encolhida na cama, segurando os
joelhos junto ao corpo e voltada para os três rapazes que a observam calados. Ela
sabe que tem a simpatia deles e que não seria impossível convencê-los a
deixá-la sair, mas a proposta feita pelo homem que está no banheiro ainda
ressoa em seus ouvidos, e ela ouviu claramente: cinquenta mil reais; é o cachê
de uma prostituta para stars hollywoodianos! Como isso foi dito ao pé do
ouvido, ela não pode tocar no assunto com eles e, na dúvida, decide esquecer o
tema da evasão.
— Vocês acham que
ele vai continuar? pergunta ela, olhando para Otávio.
— Não sei, Ana. Já vi esse homem passar seis
horas transando sem parar, e hoje ele não fez grande coisa até agora. Geralmente,
ele dá muitas vezes para os acompanhantes e mesmo que quase sempre tenha uma
mulher, é a primeira vez que eu o vejo transar com uma. Ele só fez isso para
mostrar a você quem manda.
— Então pode ser que
agora ele só queira me assistir com vocês.
— É o que eu acho
que ele vai fazer, diz Bruno.
— É, mas se prepare,
Ana, porque ele é capaz de botar você para trabalhar! Esse cara é faminto!
acrescentou Selton.
A conversa é
interrompida pelo cliente saído do banho. Ele vai diretamente até Bruno e o
empurra até a mesa para beijá-lo e masturbá-lo. Submissos, os dois outros se
juntam a eles, como se obrigados a ir consolar a criança que prendeu o dedo na
porta. Ana assiste a cena achando-a ridícula e desprezando ainda mais a
criatura asquerosa a quem ela foi concedida como troféu. Sentindo-se suja e
vendo o esperma do cliente secar em seu corpo, Aninha vai tomar um novo banho. Durante
os vinte minutos em que ela permanece sob o chuveiro, os quatro homens se
beijam, masturbam e chupam, e por mais quarenta se revezam debruçados na mesa,
cada um fazendo-se penetrar pelos demais. O cheiro de suor e sexo anal impregna
a suíte a tal ponto que Aninha tem náuseas e cobre o nariz com o lençol. No
estúdio da cobertura, a platéia não demora a concluir o mesmo.
— A coisa deve estar
feia por lá, seu Norberto.
— Já vi que as
faxineiras vão reclamar. Quatro machos num quarto, é situação limite!
— E a Ana, coitada?
Sobrou por lá, lamenta o técnico.
— São três e meia da
manhã. Bem que ele podia dispensá-la. Para começar, nem lugar tem para os cinco
dormirem lá!
— Dormir? Esse homem
não tem cara disso não! Por falar nisso, acho que eles estão terminando na mesa.
Satisfeito com a
brincadeira a quatro, o cliente diz alguma coisa aos rapazes e torna a ocupar a
poltrona voltada para a cama, acendendo um cigarro, dirigindo um sorrisinho
sarcástico e uma piscadela para Aninha. Os rapazes entram na cama e iniciam o
que será uma longa sessão de sexo com ela. Por sorte, todos estão cansados,
então tudo se passa num ritmo lânguido, mas nenhuma variação sexual é omitida
da lista de exigências que o cliente faz a partir de seu posto. Durante uma
hora e meia, Aninha será penetrada por todos os orifícios até sentir os
maxilares anestesiados e quase desfalecer pelo excesso de orgasmos. À certa
altura, seus mamilos constantemente entumescidos passam a ficar doloridos, a
fricção e a expansão anal lhe são quase insuportáveis e a vagina que já não se
umedece requer saliva a cada nova penetração. Ela já não geme de prazer, mas de
desespero porque aquilo lhe parece não ter mais fim, mas os membros se alternam
em seu interior, em sua boca, entre seus seios, em suas mãos, sempre simultaneamente,
sempre três ao mesmo tempo, pistoneando, dilatando e repuxando suas carnes,
alargando seus orifícios e pulsando dentro dela. O cliente só dá a sessão
por terminada quando percebe que os rapazes já não ejaculam quando dos orgasmos
e começam a queixar-se de dor nos testículos. Assim mesmo, ele exige que
recolham — e engulam — sem protestar o que deixaram dentro de Aninha, e que ela
faça a "limpeza" final, um por um, até remover qualquer traço de
esperma de seus membros, e igualmente engolindo tudo. Ao final, os três
acompanhantes e ela estão deitados uns sobre os outros, ofegantes, extenuados,
diante do cliente satisfeito, que se diverte projetando bolinhas de fumaça por
dentro de argolas previamente lançadas no ar.
— Acho que acabou,
seu Norberto, diz o técnico.
— É, não vejo que
mais esse homem possa improvisar depois de ter aniquilado os quatro.
— Ele está
levantando.
O cliente vai até o
armário, pega uma bolsa de couro e tira dela o telefone celular. Em seguida,
chama Aninha, que caminha até ele como uma morta-viva. Ele acessa um banco, lhe
pede seus dados bancários e se prepara para fazer uma transferência de quinze mil
reais.
— Não foi esse o
combinado, protesta ela, sussurrando.
— Mas nada foi como
o combinado, Ana. Eu queria desempenho, mas você só foi capaz de me mostrar que
tem um corpo deslumbrante que você não sabe usar, nada mais.
— Vinte mil.
— Você acha que merece
vinte?
— Acho.
— Por quê?
— Pelo que o senhor
fez comigo.
— Foi tão difícil
assim?
— Foi. Achei que eu
não fosse aguentar.
Lisongeado, o
cliente olha para Aninha e sorri. Em seguida, ele apaga a quantia inicial e
preenche o campo com vinte e cinco mil reais.
— Isso é porque você
teve coragem de dizer o que sente. Está transferido, Ana. Daqui a um ou dois
dias, a quantia estará disponível em sua conta.
Aninha sai de perto
dele sem agradecer e vai para o banheiro. Em seguida, ele chama um por um dos
rapazes e lhes paga o preço habitual. Todos tomam banho e cada um toma seu
rumo. Os rapazes se despedem gentilmente de Aninha, pegando seus dados de
telefone, email e rede social para manter contato. Ela permanece sozinha na
suíte para tomar um último banho, demorado, sentindo a ardência ao menor toque
em cada orifício do corpo. Ela se penteia diante do largo espelho do banheiro
lamentando as marcas no pescoço e nos seios, veste uma calcinha fio-dental que
ela tinha na bolsa e repõe o vestido branco curto e justíssimo, tentando não se
importar com a marca do elástico da calcinha. Ela veio sem ela, mas seria
arriscado voltar sem ela de madrugada. Assim que ela repõe os sapatos, suspira:
"Aguentei até o fim." Três batidinhas discretas na porta a forçam-na
enxugar uma lágrima. É Norberto.
— E então, Ana, como
foi? Fiquei preocupado com você. Vocês demoraram!
— Foi tudo certo,
responde ela secamente.
— Tem certeza, Ana?
Está tudo bem? Você não precisa de nada?
— Só preciso da
minha cama.
— Vou mandar o
Belisário levar você em casa.
— Aquele animal?
Obrigada, prefiro ir de táxi.
— Então eu mesmo
levo você, precipita-se ele, sentindo-se culpado.
— Não precisa. O
ponto é logo ali.
— Bom, como você
preferir. A Mirela entra em contato com você na segunda.
— Vamos ver,
Norberto.
Ele pensa retrucar,
mas desiste.
— Você tem razão,
Ana, vamos ver.
Aninha vai
lentamente até o ponto de táxi, em pequenos passos, desejando não ser feita de
carne e osso. Ao chegar, a república está em silêncio, todos dormem. Ela vai
até seu quarto, no fundo da área de serviço, se despe, entra nua na cama e
dorme ao encostar a cabeça no travesseiro. Seu sono será pesado e sem sonhos.
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