25. No Luxo do Lixo
Em trinta dias, o que era uma linda butique
idealizada pela sonhadora Stéphanie para a juventude dourada que frequenta a
região dos Lagos transformou-se a antecâmara de um próspero comércio do sexo. Animado
com o movimento, Rômulo cessou de fazer perguntas e sobre a presença e atuação
dos "estagiários" que aparecem de dois em dois dias e usufrui dos
ganhos da sua namorada com dispendiosos programas noturnos que se estendem da
quarta ao sábado. Boa aluna, a clientela já aprendeu que se quiser ampliar seu
leque de diversões após um atendimento personalizado dos mais estimulantes,
Aninha tem boas dicas. Mirela liga diariamente para combinar a hora da entrega
do cheque pelo motoboy, sempre no mesmo bar de pastéis e caldo de cana. Aninha
estima que dentro em muito breve poderá alugar seu primeiro apartamento
sozinha. O clima é de euforia. Para celebrar o primeiro mês de colaboração e os
cinco mil reais que Aninha acumulou em comissões por cada cliente que ela
indica à sua agência, Mirela convida a sua mais nova colaboradora para a festa
anual que um dos donos oferecem em seu apartamento à beira-mar. Todos os
modelos estarão presentes, diz ela, assim como os dois proprietários e muita
gente importante. É uma excelente ocasião de fazer contatos. Aninha conta as
horas, ansiosa pela chegada do sábado.
Vestida num caro e curtíssimo vestido branco
colado ao corpo e livre de qualquer marca de calcinha, Aninha é recebida com
sorrisos no espalhafatoso prédio que mistura cabofrienses emergentes e
veranistas habituais, os últimos já ausentes. Mirela está no térreo esperando
por ela, para apresentá-la pessoalmente ao seu patrão. Chegando ao apartamento,
numa cobertura do quinto andar, ela leva Aninha até a janela, onde um grupo
conversa animadamente.
— Norberto, essa é a
moça que eu queria te apresentar, a Ana.
— Ah, muito prazer,
diz o homem de cerca de 45 anos, alto e de feições regulares, curvando-se para
dar dois beijinhos em Aninha, que retribui efusivamente.
O homem de negócios
habituado a essa vida social de rotina, dono de hotéis e inventor do sistema de
colaboração entre butiques e agências de sexo, vê Aninha como mais uma que ele
levaria eventualmente para a cama por uma noite. Ela
lhe parece bonita com seus longos cabelos negros e os seios e bunda
perfeitamente proporcionais ao resto do corpo, coisa que ele considera bastante
rara. Eles conversam um pouco e ele promete procurá-la ao longo da noite para
falar de negócios, em seguida manda-a ir divertir-se e lhe dá as costas para
voltar ao seu grupo. Aninha vaga pelos dois salões repletos de convidados,
admirada com a beleza de alguns dos modelos e sentindo-se perfeitamente vestida
para a ocasião, exceto talvez pela falta de jóias, que ela ainda não pôde
comprar. Ela não precisa do seu sexto sentido para perceber que a atmosfera já
está carregada de erotismo. Alguns homens em grupos de conhecidos conversam com
a mão tranquilamente pousada abaixo da cintura de suas acompanhantes e nada é
mais óbvio do que a consciência de algumas das mulheres de que todos olham para
os seus seios expostos nos vestidos superdecotados. Nos sofás e poltronas, é
nítido que algumas delas esperam o momento estratégico para cruzar ou descruzar
as pernas diante de alvos masculinos específicos.
Caminhando por um longo corredor em busca de
um banheiro, onde ela resolve ir mais por curiosidade que outra coisa, Aninha
descobre que a festa está muito mais avançada do que ela supunha. Cinco portas
entreabertas deixam ver as camas com casais ou trios entregues aos mais
variados exercícios sensuais. A sexta porta se abre e dois rapazes saem rindo,
passando indiferentes por Aninha. É um banheiro. Ela entra, mas logo toma um
susto: um homem completamente nu e gravata borboleta, dono de um membro
descomunal, cumprimenta-a com um amplo sorriso.
— Esteja à vontade!
— B-bom… vou tentar! responde ela, achando
graça. Você vai ficar aqui?
— Eu fico no banheiro. Estou aqui para
realizar suas fantasias.
— Ah, é por isso que os dois meninos saíram
rindo?
— É sim, acabei de deixar os dois muito
satisfeitos.
— Haha! Que idéia boa!
Aninha se aproxima do vaso, suspende o
vestido e se senta, sem parar de olhar para o sujeito, um homem de uns trinta
anos, de boa aparência e completamente à vontade, recostado no longo móvel com
duas pias.
— Você tem algum desejo?
— Sei lá... eu... responde ela, ainda
estranhando.
— Posso sugerir? Chupar fazendo xixi é ótimo.
— Haha! Eu topo, então.
O homem se aproxima e lhe diz para levá-lo á
ereção com a boca. O monstro de mais de vinte centímetros cresce e incha tanto
que a cabeça mal passa entre os lábios de Aninha, mas ela o saboreia e chupa
com mestria, proporcionando um certo prazer ao profissional que àquela altura
já teve alguns orgasmos. Ela comprova que é relaxante fazer xixi enquanto tenta
tragar a tora o quanto pode, sentindo-se esvaziar até a última gota. Quando ela
faz que vai pegar papel higiênico, o homem a detém e diz que isso é tarefa sua.
Ele destaca algumas folhas, dobra e apõe sobre a vagina de Aninha, deixando-as
absorver a umidade. Em seguida, ele lhe mostra um spray, que ela aprova,
atomiza-lhe a pélvis, ajuda-a a sair do vaso e dá a descarga.
— Obrigada! Quero aproveitar para fazer uma
pergunta, diz ela, baixando o vestido e alisando-o.
— Pode perguntar!
— As mulheres estão todas sem calcinha?
— A maioria que está de vestido curto e
justo como o seu, sim.
— É, imaginei. São depiladas? diz ela, já
lavando as mãos.
— Quase todas, com exceção de algumas
estrangeiras. Aliás, os homens também.
— Eu gosto, é mais limpo.
— Você tem uma buceta muito bonita; bem
lisa, nada sobrando, só o risquinho. E agora está fresquinha e perfumada!
Parabéns!
— E você tem o maior pau que já toquei. Parabéns
também!
— Volte quando quiser. Se eu enjoar, vai ter
outra pessoa aqui, mas será como eu.
— Vou voltar, claro. Só não é certo que eu
faça alguma coisa com ele.
— Você é quem manda! Tchau.
— Tchau.
Aninha sai do banheiro sorrindo como os dois
rapazes que ela viu antes dela e congratulando-se por pertencer a um setor em
que o sexo se torna tão banal quanto fazer xixi. O corredor está mais
movimentado; há grupinhos parados em algumas portas abertas parecendo observar
com interesse. Ela se aproxima de uma delas e insinuando-se entre três ou
quatro cabeças, avista na cama dois rapazes presenteando uma jovem com uma
dupla penetração e desincumbindo-se muito bem da tarefa de fazer isso para uma
platéia.
— É a primeira DP da Priscila! diz o homem
ao seu lado, acabando de enxugar o membro num lenço onde ele claramente acaba
de deixar o produto do seu orgasmo.
— Sério? Corajosa! exclama Aninha, dividida
entre a cena na cama e o seu vizinho.
Aninha assiste um pouco mais e volta aos
salões para comer e beber alguma coisa. Numa rodinha de amigos, logo à entrada,
uma jovem de vestido vermelho arregaçado até a cintura é o centro de atração;
todos querem ver as tatuagens que lhe cobrem as pernas, as coxas e a bunda,
como um collant. Na diagonal oposta, a mesma cena acontece, mas com um rapaz no
centro da roda, tatuado da cintura ao pescoço. Aninha se dá conta de que são
atrações contratadas para a festa, assim como o homem no banheiro e muito
provavelmente os dois rapazes divertindo a jovem convidada no quarto. Os presentes
se comportam relativamente bem e não há sinal de que a coisa vá degenerar.
Aproximando-se do buffet, Aninha avista um
garçon que lhe oferece um pratinho com canapés e lhe pergunta o que vai beber,
indicando vinhos, champanhe, cerveja, sucos e refrigerantes. Antes de abrir a
boca, ela recebe do homem ao seu lado uma taça tradicional de champanhe. Aninha
reconhece imediatamente o anfitrião.
— Não me esqueceu, espero! brinca ele, todo
bem-humorado.
— Não, não! Norberto, não é isso?
— Exatamente! Boa memória.
— Ah, isso eu tenho mesmo!
— E então? Satisfeita de ser nossa
colaboradora?
— Tive medo no início, mas estou muito
satisfeita, sim.
— Medo?
— É, medo, mas deixa para lá, não vamos
falar do lado "pesado".
— Está bem, Ana, mas você tem que entender
que para remunerar tão bem, o nosso trabalho acontece do outro lado da lei,
então todo o cuidado é pouco.
— Eu sei, eu sei, agora está tudo bem, estou
acostumando.
Norberto pega uma garrafa de champanhe e
leva Aninha até duas poltronas, onde conversa longamente com ela, mostrando-se
muito interessado na butique Conchas e Crustáceos. Não há dúvida de que ele
faria uma oferta de compra ali mesmo, se ela fosse a proprietária. Percebendo
perfeitamente o seu grau de ambição, ele investe na conversação, muda de
assunto várias vezes, fala de amenidades, brinda com ela ao sucesso, em suma,
vai deixando-a descontraída, servindo-lhe champanhe e fazendo-a sentir-se
importante por receber tanta atenção do patrão. Aninha está ligeiramente alta,
mas sente-se bem e feliz. A certa altura, ele pega o telefone e fala
rapidamente.
— Estou indo, ok? Chego daqui a uns cinco
minutos. Tchau.
Ele desliga e se volta para Aninha.
— Quero te levar para ver uma coisa, Ana.
— O quê?
— É surpresa. Você confia em mim?
— Claro! ela responde, afastando o copo dos
lábios.
— Ótimo! Então vamos.
Ele conduz Aninha até outro corredor do
apartamento e entra num cômodo fechado à chave onde uma escada helicoidal leva
a um cômodo idêntico no andar inferior. Quando ele abre essa segunda porta,
Aninha ouve a música, que lhe parece ser de outra festa, mas nem de longe é
capaz de imaginar o que realmente se desenrola no primeiro andar da cobertura
do seu misterioso patrão.
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