24. Infecção
Para alívio de Aninha, o resto da semana se
passou sem incidentes nem surpresas, o que a motivou não só a manter em segredo
o seu acordo com a mulher vulgar das longas unhas vermelhas, limitando-se a
transmitir discretamente a alguns clientes as informações sobre a agência de
"modelos", como também a evitar o atendimento por demais próximo, que
começou a causar-lhe asco depois que virou obrigação. Tudo parecia ter voltado
ao normal até a segunda-feira à tarde, quando o seu celular toca.
— Olá, querida, é a
Mirela, da agência "Rapiauer" (o nome é Happy Hour).
— Ah… Oi... responde
Aninha, empalidecendo.
— Estou te ligando
para dar os parabéns, amor. Um cliente de vocês entrou em contato com a
gente pedindo uma modelo e gastou um dinheirão no fim de semana. Você quer que
eu deposite a sua comissão ou prefere acumular um pouco?
Aninha se anima toda, as cores voltam ao seu
rosto e ela respira profundamente o ar da vitória, banindo todos os maus
pressentimentos. Afinal, era a decisão certa a tomar, pensa ela, mal cabendo em
si de felicidade.
— Ai, Mirela, acho
que eu vou querer o dinheiro logo. Estou tão feliz que vou até
festejar!
— Ótimo, menina! Isso mesmo! Então vou
mandar o garoto aí entregar o cheque, está bem?
— Mirela, tem jeito
de ser em outro lugar? A gente combina uma hora.
— Claro, é só dizer.
Na hora do lanche,
Aninha vai até a banal lanchonete de pastéis e caldo de cana a duas quadras da
Conchas e Crustáceos e minutos depois, um menino chega de Honda 125 e vai sem
hesitar até ela entregar-lhe um envelope do tamanho de uma carta comum. Dentro
dele, um cheque de duzentos reais e, para seu maior espanto, um recibo
perfeitamente legal, no qual consta que ela desfilou para a agência de modelos
Happy Hour. Na volta para a loja, os sonhos pululam na cabeça de Aninha. Para
seu espanto e alívio, no mesmo dia Stéphanie liga para a butique e informa
Aninha de que vai prolongar sua estada na França. É seu dia de sorte, Aninha
está esfuziante. Até o fim do dia, ela atende os clientes com um sorriso de
orelha a orelha e não poupa pequenos toques e uma proximidade que os deixa
completamente magnetizados pelo seu lindo corpo. O último cliente, um alemão
que mora na cidade há vários anos vai embora tão satisfeito que se compromete a
ligar para a agência no mesmo dia.
Na quarta-feira da
terceira semana de ausência de Stéphanie, quando Aninha e Rômulo vão chegando à
Conchas e Crustáceos, um dos clientes que estão esperando, muito alto e de
ótima aparência, a aborda.
— Você é a Ana, não
é? Meu nome é Fabrício, da agência Happy Hour.
— Ah… euh… oi.
Aninha fica sem
ação. Rômulo está parado com ar interrogativo e o modelo parece totalmente à
vontade, como se todas as butiques da cidade se associassem a agências de
acompanhantes. Raciocinando a mil por hora, ela abre a loja e cochicha ao rapaz
"Se perguntarem, você está aqui para um estágio, está bem?" Ele
aquiesce e ela vai até Rômulo, que já está escolhendo a sunga que vai por de
manhã.
— Depois eu te
explico melhor, mas uma agência de modelos entrou em contato com a gente e quer
que eles estagiem aqui.
— Você pediu
autorização à Steph?
— Não precisa, ela
não vai nem saber.
— Claro que vai,
Ana! A cidade é minúscula.
— Deixa isso comigo,
está bem? Vai mudar de roupa que eu cuido do modelo.
— Você é que sabe;
já nem falo mais nada.
Esbaforida, ela pega
um maiô para ela, escolhe uma sunga para o modelo e puxando-o pelo pulso,
leva-o para o banheiro, onde ela fala enquanto vai mudando de roupa.
— Fabrício, aqui a
gente trabalha de roupa de banho, você sabe, não é?
— Sei sim; já vim
aqui. O que você quer que eu faça? Tenho experiência em vendas.
— Ótimo. Você vai
olhar a loja para conhecer os produtos e pode trazer os clientes até as cabines
para experimentar, mas o Rômulo ou eu concluímos as vendas, está bem?
— Tudo bem.
— Outra coisa: quero
que você seja super discreto para fazer propaganda da agência. Não quero ouvir
zumzum de clientes sobre isso, entendeu?
— Claro. Eu já faço
isso para a Mirela há um tempão.
À vontade com o
rapaz habituado a se vestir e despir em presença de outros, Aninha veste o maiô
sem deixar de contemplar o corpo perfeito do modelo. Magro, muito moreno, o
cabelo farto e sedoso, um sorriso sereno revelando dentes impecáveis, Fabrício
tem tudo para agradar a clientela. Quando ele tira a cueca e se prepara para
pôr a sunga colorida da loja, Aninha não tem mais dúvida de que seu dia será
proveitoso.
— Só mais uma
coisinha. Se acontecer de algum cliente querer "algo mais" aqui mesmo,
você sabe fazer a coisa no silêncio total, não é?
— Relaxa, Ana. Eu
sei que tem que ser sigiloso.
— Bom, vou confiar
em você.
Já de maiô, mas com
os seios ainda descobertos, ela se aproxima e empunha o longo membro de
Fabrício para deixá-lo cheio e ligeiramente armado. Em seguida, ela ajusta a
sunga, ajeitando-o atravessado nela. O rapaz sorri, afagando-lhe um seio e
dando uma piscadela conivente que a relaxa. Ela lhe dá as últimas instruções e
ambos vão para a loja iniciar o dia de trabalho.
Não há dúvida de que
um terceiro vendedor torna a butique ainda mais atraente. No começo da tarde, o
movimento é grande; Aninha tem a impressão de que as clientes se encarregaram
de espalhar a novidade. Os dois corpos masculinos seminus agradam tanto que o
trânsito até as cabines é incessante ao ponto de haver fila de espera. As
jovens clientes não se acanham em aparecer segurando a parte de cima do biquíni
com as mãos ou virar de costas para pedir opiniões específicas sobre o efeito
visual da calcinha entre as nádegas. Rômulo mantém a distância profissional,
enquanto Fabrício se deixa levar ao limite da intimidade e visa especificamente
a clientela que parece ter o poder aquisitivo requerido a quem entra em contato
com a sua agência. Por volta das 16h, uma mulher de cerca de trinta e cinco
anos, pouco mais ou menos o chama.
— Ai, não estou
conseguindo me decidir. Preciso comprar uma sunga para o meu filho. Esta ou
esta? Ele é bem mais novo que você, mas vocês se parecem e ele tem o teu corpo.
— Bom, eu gosto desta,
diz ele, tocando na sunga estampada em tons amarelos, laranja e vermelho.
— É, acho que ele
poderia gostar também, mas olhando assim, na mão, não consigo saber se vai
ficar boa. Você me faria o favor de experimentar as duas para eu ver?
— Com todo prazer!
responde o rapaz, todo afável, já pegando as sungas e convidando-a a ir até o
corredor dos provadores e esperar por ele no sofá enquanto ele veste a primeira.
Quando Fabrício
surge no corredor, chamando a cliente, ela abre um sorriso. Ele a convida a
entrar com ele na cabine para estarem mais à vontade e diante de espelhos.
— Estou até vendo o
meu filho! Ficou ótima! Bundinhas iguais, diz ela, olhando pelo espelho e dando
um risinho. Quando eu penso que ontem ele era um garotinho que batia no meu
ombro e hoje eu é que mal chego ao queixo dele…
— Gostou então? Quer
que eu experimente a outra?
— Claro! Mas não
quero sair. Você se importar de se trocar na minha frente?
— Não, tudo bem,
responde o rapaz calmamente, já baixando a sunga e pegando a outra, que ela lhe
estende com a mão.
— Como vocês se
desenvolvem, hoje em dia! se admira ela, olhando diretamente para o membro
longo e descoberto, balançando entre as coxas.
— Acha mesmo? Era
diferente, no seu tempo? Não estou chamando você de velha, ouviu? Acho você
supergata.
De fato, a mulher,
muito bonita e bem maquiada, está vestida à moda litorânea, mas com gosto, com
um short de linho que revela pernas lisas e bem feitas, uma blusa branca,
decotada e acessórios artesanais de couro, sementes e cobre.
— Ah, hoje em dia, a
criançada fica enorme! Meus irmãos são todos um pouco maiores que eu, mas meus
três filhos têm mais de 1,80m.
— É, eu cresci bem,
também; cheguei a 1,85 com 17 anos e estou com 20.
— Vai aos 2m, então!
Exclama ela, contemplando-o na segunda sunga.
Fabrício se sente
como um filho, mas, experiente, acredita que a cliente pode ser
"trabalhada". De frente para ela de pernas entreabertas, exibindo-se
profissionalmente, ele a deixa livre para olhá-lo e usá-lo como manequim.
— Não tenho certeza
absoluta, mas essas sungas me parecem um pouco mais curtas que as do meu filho,
e se forem, as famosas "marquinhas" vão aparecer nas coxas, diz ela,
tocando numa das bocas da sunga.
— Ah sim, mas ele
pode logo tomar sol que a marca some.
— Como é que você
não tem marca?
— É que eu uso
sunguinha, menor ainda que essa.
— Sério? Ainda se
usam essas pequenininhas?
— Algumas pessoas
gostam. Como eu sou modelo, uso.
— Você é modelo?
— Sou, trabalho para
uma agência.
— Ah é? Vou poder
ver você desfilar, então! diz ela, brincalhona. Mas falando sério, me mostra a
sua marquinha.
Em vez de subir as
bocas da sunga, Fabricio aproveita a "deixa" para baixá-la até o meio
das coxas.
— Está vendo? A
marca fica no alto das coxas, quase na altura do…
— É mesmo!
Igualzinho à sunguinha do Gabeira! interrompe ela, rido.
— Quem?
— Ah, deixa para lá.
Ele nem é do meu tempo, mas meu irmão mais velho falava muito dele. Ele ia para
Ipanema com uma sunguinha de crochê ínfima, estreitinha dos lados. Mas ele era
muito magro, não tinha esse corpo que você tem.
— É, quando eu
ponho, fica aquela bola enorme na frente, faz ele apontando para o próprio
membro.
— É indecente, não
acha?
— Um pouco, mas
ninguém se queixou até hoje, então eu uso.
— É, o do meu filho
também deve estar enchendo uma sunga, diz ela, pondo a mão no elástico como se
para tornar a subi-lo.
Nesse momento,
Fabrício pega a sua mão e a pousa diretamente em seu membro, olhando-a
fixamente nos olhos. A mulher se assusta, faz que vai tirar a mão, mas ao
senti-lo grosso e começando a armar-se, se detém para olhá-lo. É grande, longo,
bem feito, limpo… e não é o do seu filho.
— Você pode sair
daqui? pergunta ela?
— Quando você
quiser, responde ele, sorridente.
À guisa de
"sinal", a bela balzaquiana se curva, abocanha o membro de Fabrício e
dá duas ou três chupadas nele sem lhe dar tempo de endurecer. Em seguida, ela
pega sua bolsa e as sungas, e sai do vestiário para pagá-las dizendo-lhe onde
seu carro está estacionado. Fabrício dispara ao banheiro, se veste e sai da
loja despedindo-se de Aninha, dizendo que vai atender uma cliente e avisando
que o próximo ou próxima modelo a vir não deverá ser ele. Rômulo observa
discretamente toda essa movimentação, fica intrigado, mas nem suspeita da
verdadeira trama por trás do aparente "estágio" para modelos. Aninha
respira aliviada por ver sua loja voltar um pouco ao normal e intimamente
exulta, impaciente com a próxima entrega do motoboy.
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