22. Soltem os fogos de artifício!
Marta saiu nos deixando desamparados, com as
imagens do episódio interrompido girando numa cabeça e atormentando a outra.
— Não consigo
imaginar o que pode ter acontecido de tão diferente entre ela e o Tulio, depois
disso que ela acabou de contar. Só ficou faltando ela transar com ele; o
resto ela já fez e bem pouca gente teve uma experiência dessas, não acha?
— Também não
imagino, Tomás, mas se ela diz que uma nova Marta nasceu depois disso, é porque
deve ter sido incrível. O que eu sei é que ela me deixou com tesão,
declarei, olhando para a evidência em minha sunga.
— E eu! respondeu o
Tomás, contemplando o efeito das bruscas pulsações na sua.
Estávamos de frente um para o outro, cada um
sentado num degrau da pequena escada de acesso ao varandão da Casa Grande. Só
se ouvia o barulho do vento nas árvores e a probabilidade de sermos vistos era
próxima de zero. O momento me pareceu propício a mais uma tentativa de
abordagem ao meu amigo arredio. Pus a mão em sua perna.
— Marcos, Marcos...,
fez ele, sorrindo e assumindo mal, como sempre, a possibilidade de ser visitado
por um desejo atípico ao macho.
— A história da
Marta te deixou com tesão e a mim também. Estamos sozinhos. O que é que
te impede? perguntei, alternando meu olhar entre seus olhos e a sunga pulsante.
— Fiquei com tesão
por elas, Marcos, não pelo Tulio.
— E eu não vou te
pedir nada que o Tulio não faria, você sabe disso. Confessa
que está doido para ganhar pelo menos um toque, vai.
— Não é bem assim...
— Não banca o
difícil, Tomás! Vai me dizer que você prefere sair daqui e
ir para o banheiro bater uma?
— De repente é o que
eu ia fazer mesmo, disse ele, sem sair do lugar e sem aparentar a menor
convicção.
— Mostra.
— Quê?
— Você ouviu bem:
mostra.
Tomás riu, se fingiu de desanimado, olhou
para o outro lado, mas acabou baixando o elástico da sunguinha de natação.
— Olha só como está
isso! exclamei, feliz com o privilégio que há alguns dias vinha sendo exclusivo
da Marta.
— Eu te falei que
estava com tesão, disse ele, alegando o óbvio enquanto olhava fixamente para o
membro que continuava a pulsar, indócil.
— Posso ir aí?
— Para quê?
— Perguntei se posso.
— Vem, ué! consentiu
ele, fazendo-se de indiferente.
Fui me ajoelhar no
degrau, de frente para ele, observei por alguns instantes e empunhei-o
firmemente, como se fosse um animal vivo que pudesse escapar, repousando meu
punho fechado no saco claro e depilado.
— Você trouxe
barbeador para cá? Está tudo liso.
— Trouxe e raspei
tudo no banho, ontem à noite antes de... Bom, você sabe que eu e a Marta...
— Claro que sei,
vocês estão transando. Não sei por que você fica cheio de dedos para me falar
nisso.
— Sei lá, não quero
te magoar. Você também gostou de transar com ela.
— E quero transar
outras vezes, Tomás, não só com ela mas com vocês dois, nós três juntos, mas
juntos mesmo, para fazer bem mais do que naquela vez, fora do carro.
— Sério? Você você
gostou tanto assim?
— Você sabe que eu
gostei de te dar enquanto comia a Marta. Mas você não se solta quando ela está
por perto, parece que tem que fazer as coisas comigo escondido!
— É que...
— A gente não
precisa falar disso agora, mas tenta relaxar com com essas coisas. Daqui a dois
dias, é hora voltar para Cabo Frio e as famílias, e você vai se arrepender de
ter perdido tantas chances de fazer o que bem pouca gente faz.
Eu disse isso
acariciando o membro dele, masturbando-o de leve, observando maravilhado o
fluido transparente brotar da glande e envolvê-la tornando-a brilhante. Embora
excitado, Tomás ficou pensativo com o que eu disse, olhando para frente com o
olhar vago, sem responder, então me curvei e comecei a lamber suavemente a
glande, depois envolvendo-a com os lábios, sentindo sua rigidez e contorno na
língua e saboreando o fluido liso e quase insípido que a envolvia inteiramente.
Tomás pousou o braço nas minhas costas e deixou lá, um gesto que considerei
enorme, em se tratando dele. Sua ereção se completou e logo chegou ao máximo,
pulsando vivamente em minha boca. Chupei bem de leve, usando a língua para
acariciá-lo sem muita pressão, sem sugar, apenas para provocar o máximo de
excitação possível. O momento não podia ser mais propício e eu não queria de
jeito nenhum perder aquela ocasião única de produzir um salto quântico na
concepção que o meu amigo fazia do sexo. Tomás pousou a mão em minha cabeça em
sinal de aprovação e pude ver de perto a tensão na musculatura de suas coxas.
Eu não podia dar nenhum passo em falso; mesmo não sendo um submisso, era hora de servi-lo, de apenas seduzi-lo, como o caçador que tende a isca, estático para não espantar a presa. Chupei longamente, mas sempre de leve, ouvindo-o ofegar e controlando cada gesto para evitar que ele gozasse assim. Seu membro foi enrijecendo até atingir o máximo de diâmetro e curvar-se para cima. Continuei a percorrê-lo com os lábios, apenas para estimulá-lo e molhá-lo. Cheguei a pensar que assim mesmo Tomás fosse explodir num orgasmo incontrolável e que mais uma vez não iríamos mais longe, quando, de repente, senti sua mão descer pelas minhas costas e ir acariciar-me a bunda por fora da sunga, depois baixá-la um pouco e me tocar diretamente. Todo arrepiado, interrompi a felação, voltei a empunhar seu pau e me aproximei para que ele pudesse me tocar melhor. Ele acariciou-me a coxa por trás e voltou à bunda, tocando-me bem no ponto sensível, que eu desejava tanto que o provocasse.
— Piscando, disse
ele, baixinho, com voz sorridente.
Só consegui
responder gemendo, agora debruçado sobre ele e com os cotovelos no degrau
acima, completamente disponível. Tomás começou a massagear meu cu,
circundando-o com o dedo e pressionando-o sem entrar. Senti meu pau pulsar
entre sua coxa e minha barriga e via o seu dançar fora da sunga. Não havia mais
por que respeitar barreiras, pensei comigo mesmo. Tudo ficou muito claro, e foi
então que tomei a decisão. Passando por cima do seu corpo, percorri os
dois degraus restantes e fiquei ajoelhado no alto da escada, já na longa
varanda do casarão. Não havia o que dizer, adotei novamente o comportamento
animal mais instintivo e assumi a postura que a natureza ensina sem palavras. Tomás
levantou-se assim que passei por ele e, para total surpresa minha, pincelou-me
o rego com a língua molhada. Gemi, num misto de surpresa e tesão, e procurei meu
sexo, já sentindo as rápidas obturações involuntárias do meu ânus a cada
linguada Tomás. Obviamente, eu estava um pouco tenso por ter esperado tanto,
então deixei-o explorar-me até me sentir relaxado o suficiente para recebê-lo. Mas
ele me surpreendeu mais uma vez, parecendo aplicar-se à tarefa de penetrar-me
com a extremidade da língua, cutucando-me com ela. A máquina engrenara e Tomás
agora sabia o que queria. Ele não tardou a por-se em posição, um degrau abaixo
e segurando-me pela cintura.
O momento do contato é instintivo também
para todo aquele cuja região anal é uma zona erógena. Ao primeiro toque, seja o
da mão que agarra a cintura, seja o do membro que vem colar-se ao rego pelo
prazer do contato estreito, a coluna vertebral se curva para baixo salientando
a bunda, que se abre, facultando o acesso, as pernas se afastam na medida certa
e os braços se firmam para fornecer o apoio requerido. Segue-se um instante de
imobilidade muito característico, que precede a penetração propriamente dita, e
quando, por fim, a glande encaixa-se na entrada, tornando lisa a região raiada
do orifício, algo dificilmente definível toma conta do corpo que vai abrir-se
ao outro. Quando atingi esse
estágio, Tomás estava tão excitado, lubrificado, e eu tão pronto, que praticamente
o "traguei" para o meu interior. Senti uma abrupta expansão e
contração anal seguida da passagem do corpo volumoso e liso que me invadiu de
uma vez só até deter-se ao mesmo tempo que o impacto da pélvis e das coxas de
Tomás contra as minhas ressoava no extenso varandão.
— Tomá-á-ás! Gemi,
mal segurando-me nos braços.
— Entrou rápido!
exclamou ele, espantado, excitadíssimo e já começando a mover-se.
Com a cabeça entre
os braços, eu podia ver o fio de prata que fluia da minha glande até o chão de
ladrilhos, e por trás dele, as coxas de Tomás, num vaivém que rapidamente
alcançou um ritmo intenso e regular. Eu teria podido ficar assim por uma
eternidade, apenas sentindo-me penetrar mais e mais profundamente por ele,
estimulando-o e preparando-o para um orgasmo inesquecível que, claro, ele
sabia-se autorizado a concluir dentro de mim. Alternei entre masturbar-me e
colar seu saco ao meu, acariciando-o quando vinha encaixar-se estreitamente
entre minhas coxas. Ficamos assim por um longo momento. Estávamos quentes e
úmidos como o dia de verão que nos envolvia.
Percebi que aquela era uma penetração perfeita quando meu corpo todo foi tornando-se um só orgão sensitivo e certos "fenômenos" se sucederam. Inicialmente a sensação irradiou-se pelas minhas pernas, depois pela barriga e peito, em seguida pelos braços, pescoço e, por fim, sob a forma de um intenso formigamento, no couro cabeludo. Tomás parecia ter encontrado a fórmula exata do seu prazer e movia-se ininterruptamente, longe de temer o orgasmo intempestivo. Seu estímulo foi ficando tão intenso que a certa altura comecei a gozar sem me tocar, ejaculando fartamente em direção ao meu queixo. Tomás ficou admirado quando eu lhe disse o que estava acontecendo comigo, e não tardou a ser também presenteado; meu estranho orgasmo gerou tantas contrações anais que logo desencadeou o seu. Ele despejou jatos e jatos dentro de mim, puxando-me violentamente pela cintura e colidindo com força contra o meu corpo. Isso provocou em mim uma sensação até então desconhecida, uma espécie de clímax, por assim dizer, localizado na região anal, mas obviamente sem ejaculação, puro efeito da fricção. A sensação foi intensa e tão prazerosa quanto um orgasmo, e eu quis que durasse eternamente.
— Não pára, Tomás.
Você não imagina o que estou sentindo agora, pedi, gemendo.
— O que é?
— Sei lá, é forte
como se eu estivesse gozando, mas é atrás e eu sei que isso não existe. Mas
continua, por favor...
— Estranho... Mas
relaxa, estou bem assim.
— Pega o meu pau...
Bate um pouco para mim, vai, pedi.
— Está legal, ele
respondeu, cooperativo.
Assim que Tomás
começou a me masturbar, meu orgasmo "verdadeiro" desencadeou-se,
acompanhado de muitos espasmos e outra ejaculação que chegou a me espantar pela
quantidade, tudo isso somado à nova sensação anal. Tomás consegiu conter-se e
se manteve no ritmo, mas fui que eu "entreguei os pontos" e pus a mão
em sua barriga para evitar a estocada seguinte. Quando ele saiu de mim,
precisei deitar-me de lado sobre o ladrilho fresco, sentindo meu corpo
todo pulsar. Levei alguns minutos para voltar ao normal.
— Adorei! exclamou
Tomás, mais animado que nunca.
— É sério? Milagre!
Nunca pensei ouvir isso de você.
— Bom, você não
precisa sair contando para a Marta assim que ela chegar, mas confesso que foi
bom demais e que gozar assim é uma delícia.
— Uau! Quer dizer
que sou bom professor?
— Hein? Eu é que ia
fazer essa pergunta!
— Sei! Cala a boca e
vamos para o banho, anda.
Quando Marta voltou,
ainda tive a esperança de que Tomás lhe contasse alguma coisa, mas ele preferiu
bombardeá-la com perguntas sobre o parto da vaca, o que não abalou minha
certeza de que esse episódio na escada da Casa Grande simbolizaria para o Tomás
um degrau a mais galgado rumo à liberdade.
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